Capítulo XXXVI- Os amigos descobrem

- Que história, Voldemort esclareceu? – perguntou Harry, surpreso.

Hermione e Snape olhavam para os recém-chegados, totalmente surpreendidos. Os dois estavam tão concentrados em sua discussão que nem perceberam a chegada dos aurores. Rony Weasley observava a situação com um ar intrigado no rosto.

- Não lhe ensinaram a bater na porta, Potter? – perguntou Snape com frieza e desprezo.

Harry não fez caso do comentário e dirigindo-se a Hermione disse sobriamente:

- Mione, você está com algum problema?

- Não, Harry. – afirmou ela – Eu e Snape apenas estávamos trocando algumas idéias sobre a morte de Sarah.

- Idéias bastante acaloradas, não é Mione? – troçou Rony Weasley

- Será que nem quando minha filha está sendo velada, você não consegue ficar de boca calada, Rony? – a raiva e frustração de Hermione se voltaram contra o ruivo.

- Desculpe, desculpe. – pediu Rony, levantando as mãos aos céus.

Snape lançou um olhar carrancudo aos dois recém-cegados e rumou em direção a porta.

- Depois continuamos essa conversa, Hermione. – sua voz era gélida e silibante.

Harry ficou observando Snape sair da sala, tempestuosamente, e várias idéias surgiram em sua cabeça... várias idéias, desde a semelhança física entre o mestre de Poções e Sarah, o que poderia ser casual, mas também poderia ser algo genético... Aquelas pessoas que estavam na sala dos Longbotton.. a maioria de caráter duvidoso. Uma série de indícios...mas até que ponto seriam meros indícios? Não.. Hermione não cometeria uma tolice dessas. Não, decerto estava imaginando coisas. Mas e se fosse Tudo real. Os olhos verdes de Harry pousaram nos cabelos claros de Hermione, que continuava recostada na cama, enquanto lágrimas caiam de seus olhos. Snape parecia estar acusando a amiga de algo que ela deveria ser culpada, mesmo porque um sujeito como Severo Snape apenas acusava alguém quando tinha certeza do que estava fazendo.

- Diga- me que não é verdade, Hermione. – pediu ele perplexo.

- Do que você está falando Harry? – Rony, recostado num canto do quatro, observava um abajur velho e gasto, a única coisa que destoava na decoração do quarto.

- Fale Hermione. – disse Harry, levemente bravio.

- Não sei do que você esta falando. – respondeu ela, observando-o tristemente.

- Sabe sim, Hermione! – disse Harry, com um rugido- Como foi capaz disso?

- Capaz do quê? – Rony olhava de um para o outro cada vez mais perplexo.

- Você está delirando, Harry. – afirmou ela, com serenidade- è tudo o que posso afirmar.

- Não, não estou. – disse ele, condenando-se- Como não percebi isso antes? Era tão obvio, tão evidente. Hermione, sinceramente, eu...

- Alguém pode me dizer o que estão discutindo? – perguntou Rony, totalmente indignado por ser deixado fora da discussão.

- Você sabe quem é o misterioso pai da Sarah? – perguntou Harry, obtendo uma sacudidela de cabeça do ruivo como resposta- Então se sente. O golpe será grande demais para você. – aconselhou Potter.

Hermione pensou em dar um jeito daquela conserva silenciar, mas se mostrasse se importar, a noticia teria o dobro ou talvez o triplo do impacto para Rony. De qualquer modo, tudo aquilo não passava de meras suposições de Harry. Queria vê-lo provar.

- O pai de Sarah é Severo Snape!


- Willian, esses quadros só podem estar loucos. – era a voz trêmula de Louise quem afirmava isso.

- Não sei. – disse Carl com desconfiança- Para mim eles estão falando que Sarah morreu, ela deve ser a menina Snape.. a quinta criança das Trevas. Hein, Willian o que você acha?

William Malfoy tinha os olhos presos numa paisagem longuiqua da casa, numa fumaça muito distante e não conseguia nem sequer escutar a conversa dos amigos. A vida jamais seria a mesma sem Sarah! Jamais!

- Sarah não pode ter morrido. – ele afirmou para os demais – Não pode.

- Veja pelo lado bom, Willian – era a voz pouco séria de George quem comentava- você nunca mais precisará disputar a atenção dela com Paul Rosier.

- Se não tem anda que presta para falar, cale essa boca grande, George- reclamou Louise.

- Não é hora para seu humor negro, George.- endossou Carl

- Foi só para desanuviar o ambiente....- justificou George.

- ora, cale-se, seu tolo. – reclamou Louise, bravia. – O pior é que não podemos fazer anda. Estamos aqui como reféns. Como Nossos pais concordam com a idéia de ficarmos aqui não temos como fugir.

- Fugir... – William eccou a voz da menina. – Fugir.

- No que está pensando Willian? - perguntou Carl.

O loiro virou-se para eles. Seus olhos estavam mais frios e gélidos que de costume. A expressão de seu rosto era triste e derrotada. Ele parecia estar em frangalhos, mas a voz que respondeu foi a sua habitual, citada nos momentos em que estava mais centrado em seu temperamento egoísta.

- Pensava em como poderíamos sair daqui. – retrucou ele- Estava calculando a altura dessas janelas.

Os outros três olharam-no como se ele estivesse delirando.

-Se não podemos sair pela porta, sempre restam as janelas. – comentou William com total indiferença como se aquela idéia fosse a mais óbvia da face da terra.

- E porque você quer sair?

Uma expressão de dor passou pelo rosto do garoto loiro, e por segundos apenas, seus olhos se transformaram em fendas. Mas a resposta foi curta e grossa.

- Quero ver Sarah.

- Mas segundo os quadros ela está morta, William...- disse Louise com piedade na voz – De que adiantaria vê-la?

- È um desejo meu, Louise. – explicou ele- realmente, não existe nenhuma justificativa racional para isso. Mas eu quero e pronto! – ele explicitou, naquela voz que sempre caracteriza os Malfoy, com coisas do tipo, eu ordeno e a vocês, seus reles, cabe apenas cumprir o ordenado.

- Vamos ser práticos. – disse George, interrompendo Willian- Como pretende fazer com que consigamos sair daqui? Mesmo que consigamos pular as janelas, não temos como alcançar Hogwarts a pé. Nossos pais nos alcançariam primeiro e teríamos que cumprir uma longa temporada nos calabouços do seu castelo.

- Hei, eu não quero ser preso para sempre no castelo Malfoy. – retrucou Carl- gosto de Sarah, mas seguramente ela não vale o sacrifício.

Os outros três olharam enfadados para ele.

- Meu pai tem um tapete mágico – disse Willian – Não precisaremos nem pular as janelas. Talvez, se tivermos sorte ninguém perceberá que saímos da casa.

- Não seja tão otimista, Willian. –desiludiu-o Louise- E de qualquer forma aonde está esse tapete?

- No quarto de meu pai. – disse o loiro, dirigindo-se a porta – Me desejem sorte!

William abriu a porta e espiou para fora. Não havia ninguém no corredor. Seria muito bom aproveitar aquela oportunidade, pois pelas noticias que tivera todos os comensais deveriam estar reunidos lá nos baixios da mansão.


Rony Weasley continuava perplexo com a revelação. Seus olhos claros se arregalaram. Suas sobrancelhas se ergueram tanto que quase se encostaram aos cabelos vermelho-fogo. Harry deveria estar febril – cogitou o ruivo.

- Harry, você tem certeza de que esta passando bem? – perguntou Rony se aproximando dele- E você Hermione, porque não diz nada? – ele perguntou com um leve alarme na voz.

- Porque não há o que dizer.- retrucou ela, dando de ombros.

- Mas quero ver você negar isso, Mione. Negar agora, na nossa frente... Como você pode ter feito isso??- Harry estava possesso e cada vez mais fora de si.

- Harry, não fique acusando Hermione. – pediu Rony, olhando a mulher, sentada na cama, como que alheia ao que estava acontecendo naquele quarto. – E você Hermione, porque não diz que ele esta mentindo?

- Porque ele não está mentindo. – disse ela, com simplicidade.

- Como assim? – Rony parecia ter levado um jato de água gelada no rosto.- HERMIONE, VOCê TEVE UMA FILHA COM O SNAPE? - ele gritou, alucinado.

- Tive. – afirmou ela, ainda indiferente.

- E ainda confirma... eu sempre achei aquela sua filha parecida com alguém desagradável... mas o Snape? O SNAPE, MIONE??? – ele gritou.

Hermione ficou em silêncio. Conhecia muito bem o amigo, sabia que ele tinha que reclamar, esbravejar , colocar para fora todos os sentimentos que tinha, antes que se pudesse voltar a ter uma conversa civilizada com ele.

- Não acredito! Não acredito! – ele continua esbravejando pelo quarto.- Você e o Snape..isso é inconcebível. O Snape deve ter enfeitiçado você. É isso, o Snape enfeitiçou você. – Rony parecia mais aliviado, tinha encontrado o caminho certo, a resposta para tudo. Decerto Hermione ficara envergonhada e não quisera falar nada a eles. Sim, deveria ter sido isso.

- Não! Severo não me enfeitiçou. – afirmou ela, com displicência. Era como se contasse a ela mesma um fato muito conhecido, mas que não tinha coragem de divulgar, nem de comentar e que estava cansada de negar.- Casei com ele porque quis, porque eu o amava e ainda o amo.

Aquilo pareceu ser a gota d'água para Rony. Transtornado, ele abriu a porta do quarto e desceu correndo as escadas. Queria fugir dali, fugir dali o mais rapidamente possível. Não poderia ficar olhando para Hermione, alguém que ele pensava conhecer tão bem, alguém que ele tinha em alta conta, alguém que talvez ele amasse... A porta bateu atrás de Rony, e Harry perguntou com doçura, algo a Hermione. Poderia não aceitar, e certamente e jamais aceitaria essa decisão de Hermione, mas a amiga deveria estar passando por um momento muito triste em sua vida.

- E porque você nunca contou nada, Mione?

- Acha mesmo que não sabe, Harry? – ela olhou-o com triste. – Você nunca iria entender. Não falo aceitar, falo entender. – ela salientou bem a ultima palavra.

- Eu sempre gostei dele, sempre! – ela continuou, baixando a cabeça. – Mesmo que tivesse que esconder de vocês, eu sempre fui muito feliz ao lado de Severo. Muito feliz.- uma sombra de um sorriso perpassou pelo rosto triste e sombrio dela. – E se não deu certo, foi erro meu. Unicamente erro meu. – ela falava em tom de condenação.

Harry não contestou, nem falou nada. Apenas aproximou-se de Hermione, e abraçou-a como que querendo confortá-la.

- Lembra quando meus pais foram assassinados? – ela olhou diretamente nos olhos verdes do auror. Harry assentiu com a cabeça.

- Eu pensei que tivesse sido Severo. Tudo levava a crer que Severo tivesse arquitetado aquele acidente de avião. Era mais uma tentativa de impressionar as forças do Ministério. – ela parou, suspirou e depois continuou- Eu acreditei que tivesse sido ele, Harry. – ela agarrou a manga do casaco de Harry. – mas foi o Lúcio Malfoy. O Lúcio Malfoy... – ela falou numa voz fina e quase fluida, soltando o amigo auror.

Ela ficou em silêncio mais alguns instantes abraçada a Harry.

- Eu fiz tudo errado. Tudo errado! – ela se auto condenou amargamente- Não acreditei em Severo. Tentei afastar Sarah dele, de todas as maneiras e formas possíveis, mas não adiantou. E acabei matando a minha filha. – ela recomeçou a chorar. – Minha burrice matou Sarah... matou... matou...

- Você não tem culpa de nada, Hermione. – disse Harry, com confiança.

Harry, será que você não entende? – perguntou ela, em meio às lagrimas desesperadas – Sarah morreu porque eu acreditei em Severo. Foi por isso... ela morreu porque eu não acreditei no pai dela.. não acreditei.

- Eu matei minha filha... eu matei minha filha.... Sarah.... oh, Sarah....

Hermione recomeçou a chorar desabaladamente e Harry não sabia mais o que fazer.