DISCLAIMER: infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas INEXPLICAVELMENTE AMOR, sim. Então, por favor, respeitem.
Capítulo 35
Imprevistos e Previstos
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Estar nos braços de Edward novamente era como se tivesse voltado para casa, e naquelas duas pequenas frases que dissemos juntos pude notar que se exista algo que era para sempre – apesar dos pesares – era o nosso amor.
Um mês longe dele foi como se tivesse vivenciado um século sem vê-lo, sem tocá-lo, sem abraçá-lo, sem amá-lo.
O um mês em que estivemos separados tanto por minha impulsividade, quanto pelos erros dele, senti-me totalmente a mercê do mundo, foi como se estivesse passando pelo meu pior pesadelo novamente. Eu me sentia derrotada.
Derrotada porque a pessoa que escolhi para viver ao meu lado o resto dos meus dias não confiava em mim, não compartilhava o que passava em sua cabeça, em seu psicológico, em nada. Era insuportável ver que Edward mantinha segredos de mim.
Naquela noite de novembro quando saí de seu apartamento eu estava mais do que descontrolada, estava inconsolável, minha cabeça era um turbilhão de emoções das quais eu não conseguia sequer imaginar, eu só gostaria de ficar longe de tudo e de todos. E assim eu fiz, dirigi durante horas por toda Boston, mas fora por volta das cinco da madrugada que uma pequena pensão, extremamente afastada da cidade, me chamou a atenção.
Ela era como um desses chalés coloniais, feito de madeira, com chaminés de pedras, portas e janelas vermelhas e uma densa floresta ao seu redor, aquele lugar me lembrava de Forks, e por mais que não tenha vivido muito lá, percebi que naquele lugar seria o único que talvez eu conseguisse pensar e decidir sobre o meu futuro.
O outono estava próximo ao seu fim, principalmente marcado pelo intenso frio que arrebatava todo o estado de Massachusetts, eu sentia frio, mas não era só o frio da temperatura, era o frio em minha alma. Parecia que a chama dela havia se apagado. E de fato era isso, a chama era Edward.
Tomei uma respiração profunda antes de enfrentar o frio e a fina garoa que tomava o local naquele momento, fechei meus olhos tentando esquecer tudo e focar somente em mim. Peguei a minha bolsa que estava no banco do passageiro e saí do meu carro, um Chevy Camaro prata, que Edward e James escolheram para mim, apesar de ter sido eu a pagá-lo. Só de pensar nos Cullen meu coração apertava. Eu sentia falta de todos eles.
Tentei me manter calma enquanto caminhava até a recepção da pequena pensão, assim que entrei no recinto o calor da madeira, o cheiro de almíscar, canela e cravo, inebriou meu cérebro. Aquele lugar me fazia recordar da minha infância na casa de minha avó, imediatamente me senti mais calma.
Olhei ao redor e vi que no balcão onde ficava – possivelmente – a recepção uma senhora que deveria ter uns sessenta e poucos anos, mexendo em alguns papéis com uma expressão preocupada, me aproximei serenamente dela e visto que ela não notara minha presença a chamei suavemente.
A senhora levantou seu rosto, que ao me ver, lançou-me um sorriso de orelha a orelha que me vi impossibilitada de retribuir, seus olhos azuis claros transmitiam uma calma que parecia me levar para outra realidade. Ela se apresentou a mim, Anne Robinson, e depois de lhe pedir um quarto no qual afirmei que seria por um tempo indeterminado, lhe fiz outro pedido, talvez o que a deixou mais apreensiva sobre mim, que se alguém ligasse ou viesse até ali perguntando por mim dissesse que eu não estava ali.
Óbvio que tive que explicar a ela o motivo desse meu estranho pedido, e quando lhe expliquei resumidamente a situação – que eu havia terminado o meu noivado e estava com medo que ele viesse atrás de mim -, ela pediu a um jovem muito parecido com ela, chamado Daniel para buscar as minhas malas no meu carro, enquanto ela me acompanhava até o quarto onde eu ficaria, por não sei quanto tempo.
Depois que ambos deixaram o pequeno quarto, deixando-me sozinha, olhei para ele, era tão… reconfortante, a cama de madeira adornada com padrões complicadíssimos de flores entalhadas, uma colcha de retalhos de cores vermelha, azul escuro, mostarda e laranja, acompanhada por um tapete, provavelmente de lã, mostarda e vermelho, um criado mudo ao lado da cama, uma modesta penteadeira com um espelho oval e uma mesinha acompanhada de uma cadeira que pelo seu design percebia ser antiga. A mobília era toda desparelhada, mas gerava uma harmonia única, que completava com uma lareira de pedra próxima a mesinha, bem como as altas cortinas vermelhas.
Notei que havia um pequeno armário onde eu poderia guardar as minhas roupas, mas eu não estava no pique no momento, então somente abri uma das minhas malas pegando um novo conjunto de moletom e caminhando até o banheiro que ficava no quarto que também seguia o mesmo padrão colonial e de cores.
Tomei um banho quente, tentando – quem sabe -, aquecer não só o meu corpo que tremia ligeiramente, mas também minha alma, porém não tive muito sucesso na última opção, por isso depois que estava devidamente aquecida, me arrastei até a cama afundando minha cabeça nos travesseiros e me cobrindo com a colcha de retalhos enquanto ouvia o crepitar da lenha na fogueira, e mesmo tentando reprimir tudo o que haviam acontecido, as lembranças me tomaram novamente, me levando a um choro inconsolável, onde não sei dizer se parou depois que adormeci.
Meu corpo, minha mente, minha alma, tudo em mim parecia extremamente cansado, desgastado, eu só queria ficar ali em meio àquela cama quente e acolhedora para sempre, e se possível apagar todas as lembranças e pensamentos de minha mente, mas uma suave batida na porta me fez encarar a realidade e saí lentamente debaixo dos cobertores.
Quando abri a porta o sorriso contagiante que Anne esboçava diminuiu quando me viu, pelo que parecia eu deveria estar um lixo, mas ela gentilmente pediu desculpas pela intromissão, e que só veio até o meu quarto porque já se passava das nove da noite e eu não havia ainda ingerido nada.
Até então eu não tinha ligado para qualquer comida, mas quando ela me lembrou de meu estômago protestou, e sorrindo gentilmente ela adentrou o quarto com uma bandeja de prata que continha: um caldo fumegante, algumas fatias de pão italiano e um copo de suco. Ela colocou a bandeja em cima da mesinha com a cadeira e logo depois pediu licença e se retirou do quarto, sem nenhuma pergunta sobre meu estado, sobre o meu humor, ou qualquer coisa, o que agradeci imensamente.
Comi aquele caldo fumegante, que depois que provei, descobri ser um creme de milho com pedacinhos de carne, nunca uma comida parecia ter um gosto tão espetacular em minha boca, e depois que terminei a minha refeição me senti exausta novamente, como se tivesse corrido uma maratona, arrastei-me até a minha mala pegando um novo conjunto de moletom, e depois de um novo banho quente voltei para baixo dos cobertores caindo na inconsciência em segundos.
Apesar de estar distante o suficiente de Edward, ele ainda povoava meus sonhos, onde máscaras, que ele mesmo se colocava caíam, mentiras surgiam, traições motivavam, era pesadelo atrás de pesadelo, fazendo-me acordar assustada, gritando, tamanha a intensidade destes sonhos, e depois que eu me acalmava voltava a cair na inconsciência para ser mergulhada em novos pesadelos sempre com a mesma temática.
Há minha primeira semana fora daquele jeito: dormir o dia todo e comer algum dos caldos maravilhosos de Anne. Porém eu tinha que dar notícias pelo menos a alguém de onde estava, e aproveitando do feriado de Ação de Graças liguei para meus pais. Foi uma conversa curta, mas bastante sofrida com ambos, já que eles disseram que Edward havia entrada em contato com eles desesperado, e quando me questionaram onde estava tentei ao máximo ser evasiva, não queria ninguém me incomodando, por mais que fossem meus pais. Eu precisava desse tempo para refletir sobre mim e minha vida, pois percebi que ainda era muito ingênua quando se referia a relacionamentos, principalmente os que envolviam a mim e Edward.
Após o dia de Ação de Graças pedi que Daniel – neto de Anne -, fizesse um pequeno favor a mim: ir até a clínica minha, de Angela e Alec, buscar meu laptop, parecia que o sofrimento desencadeava inspiração em mim para escrever, somente por isso pedi. Escrevi um pequeno bilhete para os dois dizendo que estava bem, que estava somente dando um tempo de tudo e que eles poderiam entregar o que pedi ao garoto.
Obviamente que tanto Alec, quanto Angela já sabiam que havia algo errado, e que era algo com Edward, pois o bilhete que eles mandaram junto com as minhas coisas dizia para que eu entrasse em contato com qualquer um dos Cullen, pois eles pareciam estar desesperados com o meu sumiço, mas o meu orgulho e minha vulnerabilidade não permitiam que eu fizesse isso, pois enfrentar qualquer um deles seria o mesmo que enfrentar Edward, e eu não estava preparada. Pelo menos não ainda.
Edward…
Era difícil pensar nele, por mais que eu tentasse manter aqueles cabelos de cor bronze e aqueles profundos olhos verdes longe dos meus pensamentos, da minha mente, ele sempre estava lá, e as lágrimas e a dor no meu peito era algo comum. Eu me via entrando novamente na mesma estrada tortuosa que estive quando ele me deixou, e por mais que eu amasse incondicionalmente e irrevogavelmente, eu ainda não conseguia me conformar que ele havia mentido, omitido qualquer coisa de mim.
Tantas vezes no tempo em que estivemos juntos conversamos sobre isso, que qualquer mínima vontade que tivesse ele poderia se abrir comigo, que juntos conseguiríamos enfrentar tudo.
Eu sou psicóloga era óbvio que eu o entenderia, o daria apoio, mas ele omitiu, camuflou, fez parecer que nenhuma das inúmeras juras de amor que trocamos significasse nada, tudo por uma simples sensação de euforia, uma desconexão do mundo, eu não conseguia entender o 'por que'.
Será que ele não estava feliz?
Será que ele descobriu que não me amava?
Será que ele viu que estar comigo era perder uma vida que pudesse ser dividida com uma mulher perfeita?
Será que ele notou que seria impossível viver com alguém que tinha tido intimidade suficiente com alguém da sua família, com seu próprio irmão?
Eram dúvidas e mais dúvidas. Suposições acima de suposições, e tudo isso parecia me sufocar, me nausear, me matar lentamente.
Eu estava novamente me autodepreciando, me auto sufocando, estava me afundando novamente em minha própria tristeza, em minha própria solidão, em minha própria culpa.
Eu quase não saía do quarto em que estava e nas raras vezes que saí para dar uma volta pelo jardim da pensão logo sentia tontura ou uma forte dor de cabeça, parecia que o meu emocional estava abalando meu sistema imunológico o que significava que estava começando a desenvolver um resfriado. Anne passou a me trazer duas refeições ao dia, café da manhã e jantar, mas mesmo assim era difícil de conseguir comer, fazendo-me escolher em ficar deitada na cama.
Durante essas horas em que eu ficava deitada na cama, eu refletia sobre meu relacionamento com Edward, ele fora desde o início, tão complexo, tão conturbado, talvez essa fosse à certeza de que o nosso destino não era ficar juntos. Porque era simplesmente impossível tantas e tantas barreiras em um só relacionamento.
Os dias passavam e com eles as semanas também, o inverno chegou e trouxe com ele a neve, indicando a proximidade do Natal, o que significava a proximidade do meu casamento. Casamento que não teria mais. Toda vez que eu pensava nisso meu coração parecia que iria explodir em agonia.
Meus pais todas as vezes que eu os ligava pediam para ir junto a eles, ou em Forks com Charlie, ou em Phoenix com a minha mãe, Renée, mas eu simplesmente não queria, eu queria ficar sozinha, e apesar dos protestos de ambos eles aceitaram a minha decisão, pedindo somente que eu ligasse meu celular para que eles pudessem ter um contato.
Celular…
Desde o dia que saí da casa de Edward eu não voltei a ligá-lo, eu sabia que deveria ter milhares de ligações, mensagens, mas eu não queria ver ou ouvir nada, eu queria esquecer tudo, e parecia que eu estava conseguindo. Ou assim eu pensava.
Quatro dias antes do Natal, Rachel – a filha de Anne e mãe de Daniel – ficou longos minutos me encarando, ela parecia concentrada em meu rosto como se eu fosse alguém famoso, aquilo me incomodou e logo tentei sair de sua vista me refugiando em meu quarto. Este finalmente estava melhor do que na minha primeira semana, eu já havia guardado as minhas roupas no pequeno guarda-roupa que ali tinha bem como algumas coisas minhas já se encontravam espalhadas pelo criado mudo e pela penteadeira.
Mas talvez de todos os dias em que estive na pensão nenhum foi igual ao da antevéspera de Natal, primeiro que meu corpo se sentia ansioso com algo, segundo a tensão entre Rachel e sua mãe era palpável, me deixando temerosa que tivesse acontecendo alguma coisa na relação delas.
O dia pareceu passar como num piscar de olhos, o que era estranho os dias pareciam intermináveis. Estava em meu quarto depois de um banho quente e reconfortante lendo o que havia escrito até então quando ouço uma batida frenética na minha porta, estranhei afinal a única pessoa que batia em minha porta era Anne e era extremamente suave.
Meio chocada com as batidas que não cessavam caminhei lentamente até ela, mas quando finalmente a abri não esperava o ser saltitante pulando em cima de mim.
- Bella! Finalmente eu te achei! Nunca mais suma de perto de mim, ok? Você sabe o que é ficar sem a sua melhor amiga quando você mais precisa? Não esqueça também que você ainda é a madrinha do meu bebê, seja menino ou menina, mas estou com um pressentimento que será uma menina. – disse Alice em um fôlego só, enquanto me abraçava.
Minha mente estava confusa, não conseguia entender como Alice me encontrara, eu havia sido tão objetiva e evasiva em meu 'desaparecimento' que me parecia impossível que alguém me encontrasse, ainda mais depois de um mês.
- Bella… que saudade de você! – ela disse me apertando com força, apesar de sua pequena barriga pontuda. – Você promete nunca mais sumir de perto de mim? – pediu ela se afastando com os olhos cheios de lágrimas.
- Alice… como…? – comecei, mas fui interrompida.
- Me prometa Bella, nunca mais sumir sem dar notícias?
- Alice… eu não posso te prometer isso. – disse me desvencilhando de seus braços e voltando para a cama, onde sentei abraçando as minhas pernas.
- Por que você não pode prometer isso? – perguntou ela chorosa, se sentando na cama a minha frente.
- Você sabe o porquê. – disse com um fio de voz. Alice me encarou confusa. – Por causa dele. – sussurrei.
Dizer o nome de Edward, como eu descobri ao longo dos dias que fiquei afastada era impossível, parecia que fazia tudo tornar-se real, pior. Provava que novamente ele havia me abandonado, por mais que dessa vez quem houvesse sumido fosse eu.
- Ah… – começou pensativa. – Ele foi embora. – disse dando de ombros.
- Como? – perguntei com um misto de confusão e curiosidade.
- Nada importante. Você sabe como meu irmão é um babaca covarde. – disse divertida.
- Alice… – comecei.
- Bella, eu não vim falar sobre Edward, eu vim porque eu sentia falta da minha amiga e quero que você venha comigo até um lugar escolher um presente para Jasper. – disse rapidamente se levantando da cama. Alice estava esquisita, parecia que escondia alguma coisa, mas eu precisava saber outra coisa, e não sobre o que Alice estava planejando.
- Como você me encontrou? – perguntei incisivamente. Ela deu um sorriso sapeca, aquele sorriso que faz você temer o que passa por aquela mente diabólica.
- Classificados. – disse dando de ombros. – Coloquei um aviso nos classificados pedindo qualquer notícia sobre seu paradeiro, com a oferta de uma pequena recompensa. – disse caminhando até o guarda-roupa em que estavam as minhas coisas e procurando algo.
- Alice, você me tachou como um cachorrinho desaparecido? E quem informou onde estava? – estava entorpecida com a audácia da pequena senhora Hale.
- Bem… – ela disse envergonhada, voltando o seu rosto para mim. -, parece que esse lugar maravilhoso e lindo que você escolheu para se refugiar vem passando por algumas dificuldades financeiras, e quando viram a recompensa… alguém entrou em contato comigo. – disse dando de ombros, e suas bochechas ganhando um tom rosado que nunca antes tinha visto.
- Quem te disse? Quero dizer – disse balançando a minha cabeça e coordenando meus pensamentos. –quanto você ofereceu por essa informação?
- Foi uma senhora chamada Rachel, devo dizer que pelo que vi antes de vir até aqui que a mãe dela não ficou nada satisfeita com ela. – disse evitando minha segunda pergunta e voltando a se embrenhar no guarda-roupa.
- Quanto Alice? – questionei.
- Ah… uns dez ou quinze mil dólares. – disse dando de ombros.
- ALICE! – exclamei horrorizada.
- Não é nada esse dinheiro, para ter a minha amiga de volta eu pagaria milhões. – disse puxando uma calça jeans, um suéter azul, e meu casaco de lã preto jogando-os em cima da cama. – Anda Bella, você tem quinze minutos para ficar pronta. – comandou, olhando em seu relógio de pulso.
- Alice, eu não… – comecei.
- A senhorita vai sim ou e direi a todos onde você está. – ameaçou, fitando com toda a intensidade que seus incríveis olhos verdes lhe permitiam. E sabendo que ir contra Alice é o mesmo que tentar evitar uma avalanche com as mãos. Comecei a despir o moletom que havia colocado há pouco.
Alice continuava com aquele ar de quem estava escondendo algo, mas não ousei lhe perguntar o que, estava temerosa com sua resposta. Sofri um pouco ao vestir a minha calça jeans, parece que os caldos de Anne e a falta de atividade física – por mais que fizesse caminhada três vezes por semana – da minha parte estavam refletindo em meu corpo.
Todavia, exatos dez minutos depois eu estava devidamente vestida. Ela sorriu satisfeita, afirmando que estava na hora de nós irmos, ou senão não encontraríamos a loja que ela queria ir aberta. Estranho, época de Natal todo o comércio de Boston fica aberto até às onze da noite e os shoppings vinte e quatro horas.
Quando passamos pela recepção o clima era tenso, Rachel estava chorando enquanto Anne parecia reclamar com ela, Daniel observava a cena apreensivo. Quando a adorável senhora nos viu veio imediatamente pedindo desculpas pelo comportamento da filha, mas logo Alice e eu tratamos de tranquilizá-las, enquanto Alice entregava um envelope a Rachel, que tentou recusar, mas Alice disse que era como um presente do Papai Noel para eles. Anne começou a chorar emocionada puxando a pequena Alice para seus braços a agradecendo imensamente, pelo que parecia às dificuldades financeiras deles eram imensas, me pergunto como nunca notei isso.
Se tinha algo que eu podia me orgulhar muito mais em ser amiga Alice era a sua preocupação com o próximo, sempre oferecendo ajudas financeiras a instituições de caridade, ou promovendo jantares beneficentes, ou ainda a cada trimestre promovendo em sua rede de lojas um bazar onde toda a renda era revertida para caridade. Ela era uma nata, e ela assim como inúmeras celebridades faziam parte das mais diversas causas, tanto que Alice foi considerada membro honorário do estado de Massachusetts, bem como ganhou o prêmio e o respeito da Organização das Nações Unidas por sua generosidade.
Depois dos inúmeros e imensos agradecimentos dos três Robinson, Alice e eu caminhamos para o pátio da pensão, onde seu Porsche Amarelo Canário Turbo modelo 2017 estava estacionado. Algo que Alice nesses longos nove anos de amizade nunca abriu mão foi de ter o seu Porsche Amarelo, ela o trocava quase anualmente para o modelo do ano, mas sempre mantendo a marca e a cor, para o desespero de Jasper, que gostaria que ela conduzisse uma Mercedes, por ser mais espaçosa e por oferecer maior segurança ao bebê, porém a pequena era teimosa e disse que sim ela podia ter uma Mercedes para quando tivesse que sair com o bebê, mas que o seu Porsche Amarelo era algo que nunca abriria mão, como ela havia dito na ocasião "era sua marca registrada".
Uma ligeira neve caía sobre Boston, deixando o carro com uma pequena camada branca escondendo sua cor chamativa. Andamos cuidadosamente, porém com agilidade até o carro e assim que entramos o calor confortável nos arrebatou, realmente fazia frio e esse parecia um dos mais rigorosos dos últimos anos.
Lançando mais um olhar ao seu relógio de pulso Alice ligou o carro e saiu rapidamente em direção à cidade, lhe questionei algumas vezes onde estávamos indo, mas ela disse que era em uma loja de importados que havia aberto recentemente, e quando fui questioná-la pela terceira vez ligou o som onde um pop da década de noventa tomou o pequeno espaço do carro, fazendo Alice cantá-lo a plenos pulmões. Realmente ela estava escondendo algo, e não conseguia ter a mínima ideia do que era.
Lancei um olhar sobre o painel do carro observando o relógio, já se passava das nove horas da noite, e finalmente vi Alice parando seu carro em frente a um salão altamente iluminado no centro de Boston, imediatamente a encarei confusa e rapidamente ela respondeu minha pergunta silenciosa.
- Eu preciso verificar uma coisa antes aqui. – disse já abrindo a sua porta. – Venha Bella, você vai gostar de ver. – disse sorrindo. Achei estranho, como tudo o que Alice fazia escondido, mas eu a segui.
Havia inúmeros carros em frente ao local, mas a neve que também caía ali deixava todos irreconhecíveis devido ao branco algodão que se espalhava. O vento gelado bagunçou nossos cabelos, mas tentando fugir do frio agonizante segui Alice a passos rápidos para a entrada do local.
O hall de entrada estava vazio, mas uma grande porta de madeira estava aberta e de lá podia se ouvir a voz retumbante e forte de um homem, muito gentil – pelo que parecia. Analisei o local até encontrar um banner informando o que estava ocorrendo ali. Voltei meu olhar perplexo para Alice, para em seguida questioná-la:
- Narcóticos anônimos, o que estamos fazendo aqui? – perguntei um pouco alto, ela fez sinal para que eu falasse baixo, antes de me responder:
- Tem algo que eu quero ver e tenho certeza de que você vai gostar. – repetiu num sussurro e caminhou lentamente até a porta que dava ao salão. Lancei mais um olhar desconfiado pelo hall e logo segui ao salão que estava apinhado de gente, olhei para Alice confusa, mas ela esboçava um sorriso orgulhoso em seu rosto e seus olhos brilhavam em expectativa. Quando iria questioná-la sobre o que estava acontecendo uma voz muito conhecida por mim tomou o salão.
- Eu sou Edw… – a voz de Edward soou em meus ouvidos, o vi em pé em meio ao mar de gente.
- Alice… – protestei.
- Shiii. – pediu ela com seu olhar fixo onde o irmão estava.
Estava prestes a dar meia volta e sumir dali quando algo que ouvi me fez ficar parada, estagnada no lugar em que estava.
- Estou limpo há cinco anos.– minha garganta se fechou quando ouvi aquelas palavras.
Edward não havia voltado a usar cocaína?
Como não se eu tinha visto a droga?
Por que ele estaria mentindo de tal forma?
Impossibilitada de mexer qualquer músculo do meu corpo comecei ouvir o que ele tinha a dizer.
Ele contou a sua overdose quase fatal, na qual foi salvo graças a Alice, Jasper, Emmett e Rosalie, o que me fez recordar o porquê dele ter a tido. Foi na primeira vez que me entreguei a James, depois de seis meses de namoro, e lágrimas culposas caíam dos meus olhos, deixando minha visão totalmente turva.
Ele contou sobre os seus medos, suas limitações, tudo o que eu já sabia tudo que ele já havia me contado anteriormente. Ele disse sua motivação para se tratar foi alguém que não fazia ideia onde ele estava minha mente rapidamente viajou pelo período que Edward esteve afastado se tratando.
Lágrimas impiedosas e culposas rolavam pelo meu rosto, eu estava envergonhada pelo que havia feito, eu queria sair correndo para longe dali, mas as minhas pernas não faziam nada, nem sequer meu cérebro parecia mandar essa ordem a elas. E com toda a minha atenção voltada a ele, continuei a ouvi-lo, por mais que não conseguisse vê-lo devido às lágrimas em meus olhos.
Enquanto ele narrava – superficialmente – o jantar de noivado de Alice e Jasper, bem como o casamento de Emmett e Rosalie, onde ele agiu por impulso e fez algo que se arrepende amargamente até hoje, e vive pedindo o meu perdão.
Logo ele emendou com os acontecimentos seguintes e automaticamente as lembranças do meu sequestro e das condições em que estive, as dores que senti quando estava deitada naquele colchão puído me arrebataram, senti uma leve tontura, mas rapidamente me restabeleci, eu tinha superado aquilo, por mais difícil que tenha sido.
As recordações daquele desastroso julgamento de Victoria tomaram minha mente. A cadeira de rodas em que eu estava às confusões que se sucederam a raiva palpável dos Cullen e dos Hale, o olhar mortal que ela me lançou quando sua pena foi estabelecida, olhar que jurou vingança, que veio a acontecer futuramente. Minha mente ao mesmo tempo em que ouvia Edward, revivia os momentos, parecia tudo lacerante, mas eu não conseguia me desconcentrar de um ou de outro, era impossível.
Ele havia me contado que ir para África foi uma decisão que tomou para ficar longe de mim, mas ouvi-lo falando isso a centenas de pessoas fez parecer mil vezes pior, mostrou como ambos sofremos pelos erros um do outro. Ele estava dizendo algo sobre ser nobre, sobre as condições que vivem o povo africano, se antes eu estava perto de interrompê-lo e pedir seu perdão na frente de todos, fui impossibilitada, minha voz parecia ter sumido, as lágrimas continuavam a rolar pelos meus olhos, minha visão estava mais turva do que nunca.
Ao ouvir que ele tinha adquirido a droga na África fez a minha mente ficar mais confusa do eu nunca. Como? Por quê? Eu não compreendia mais nada, mas parecia que Edward estava disposto a contar tudo àquelas pessoas, coisas que ele nunca havia me contado. Disse que a única coisa que o motivou a não usar aquele maldito pó foi um livro, meu livro.
Então uma frase que ele me disse quando nos reencontramos e nos declaramos ecoou em minha mente: "por isso que esse seu livro me faz enxergar o quanto eu acabei com sua vida". Um novo nó se formou em minha garganta indo fazer companhia aos que já se concentrava ali, eu não conseguia me movimentar, dizer algo. Parecia que uma força me prendia ali, sem poder mexer um músculo ou de dizer algo.
Ao ouvi-lo relembrando do nosso reencontro foi magnânimo, e todas as lembranças dos nossos momentos juntos desde que havíamos nos declarado naquele hotel em Los Angeles, onde aprendemos a nos amar sem nenhuma restrição, sem conter as palavras, tomou meus pensamentos, então percebi o quanto eu tinha sido idiota em ter desconfiado de Edward.
Ele continuou relatando nosso relacionamento, mas a menção de nosso casamento fez mais lágrimas tristes e culposas caírem pelo meu rosto, eu não queria mais ouvir aquilo, eu queria gritar pedir para que ele parasse com aquilo, mas eu simplesmente não conseguia. Alice segurou a minha mão dando um leve apertão, tentado me reconfortar, mas nem assim eu consegui manter a minha calma.
Ele então explicou sobre a droga escondida em meio ao seu diário que eu encontrei. Um temor do que viria a seguir me fez tremer. Me fez perceber o quanto eu fui imatura em não dar a oportunidade a Edward de se explicar. Queria me autoflagelar por ter sido tão infantil, tão ingênua naquele momento. Ninguém poderia se odiar mais do que eu me odiava naquele momento, como eu havia errado com Edward. Como eu havia sido injusta com ele.
Estava em choque, não conseguia acreditar no que ele acabara de relatar, que quase por minha culpa, por tê-lo deixado, quase foi sua ruína, lágrimas de desespero, de dor, de culpa me tomavam com mais intensidade, como eu queria lhe pedir perdão, milhões de perdões, eu queria me ajoelhar, rastejar em busca do seu perdão, se ele desejasse que eu beijasse seus pés eu beijaria, se ele quisesse que eu sumisse da sua vida para sempre eu faria, porque eu não mostrei confiança nele. Uma nova onda de lágrimas rolava pelo meu rosto, deixando um rasto frio, gelado, como se eu estivesse sendo morta, estilhaçada, estraçalhada, esquartejada, dilacerada. Fiz um movimento para sair daquele lugar, mas Alice me segurou, me mantendo ali.
- Calma Bella, ainda não terminou. – sussurrou em meu ouvido com sua voz de anjo, a encarei temerosa, será que ela não entendia que eu não queria ouvir mais nada? E adivinhando meu pensamento ela completou. – A senhorita vai ouvir tudo até o final. – disse com firmeza, tentei protestar, mas a minha voz ainda não tinha aparecido.
Quando ele disse que queria me contar aquilo tudo, pedir meu perdão fiquei atordoada. Aquilo era ridículo, eu que tinha que pedir perdão a ele, eu queria gritar para ele que se tinha alguém culpado, alguém que deveria pedir perdão, essa pessoa era eu, mas eu não conseguia pronunciar nada. Foi a muito custo que escutei ele murmurar um 'Obrigado', e o salão romper em palmas.
Alice apertou meus ombros com suas pequeninas mãos, fazendo um movimento rápido, tipo quando se esquenta algo e sussurrou em meu ouvido:
- Eu te disse que você iria gostar. – ela deu um suave beijo em minha bochecha e pude sentir as lágrimas que também haviam rolado por seu rosto, mas logo ela se afastou de mim, e num movimento inesperado levantei meu rosto para ver aquela família que aprendi amar e a respeitar abraçando um único membro que tinha os cabelos bronzes revoltos mais belos e mais singulares que já tinha visto, e quando a voz do homem – que eu percebi ser o diretor do centro -, tornou a falar sobre as palmas vi Edward se desvencilhando dos braços de seus pais e fitando o lugar em que Alice e eu estávamos.
Seus olhos verdes flamejantes, assim como os meus estavam tomados pelas lágrimas, mas quando o verde e o castanho se conectaram pude sentir o amor, a paixão, a culpa tomando ambos, e sem puder manter aquele olhar o desviei, e recuperando todos os meus sentidos caminhei para a saída daquele salão.
Assim que o vento gelado de dezembro bateu em meu rosto fez a minha mente clarear um pouco, mas aqueles sentimentos de culpa, de raiva de mim mesma continuavam mais que presentes. Tremi ligeiramente por conta do frio, a neve fina continuava a cair, abracei-me tentando me esquentar e me punir, mas logo a voz suave como sinos de Edward soou em meus ouvidos.
Ele havia me chamado, ele disse meu nome, e naquele instante meu coração parecia como as asas de um colibri de tão rápido que batia e sem consegui controlar as minhas ações vir-me-ei lentamente para encará-lo.
Um silêncio cheio de significados assomou-se sobre nós, porém parecia que nossos olhares diziam tantas coisas, coisas que nunca poderíamos ou conseguiríamos dizer um ao outro, meus braços se soltaram da prisão que eu os havia colocado ao me abraçar.
E ambos agindo como se fôssemos um só encerramos a distância que existia entre nós, e quando nos abraçamos senti que estava com uma parte essencial do meu corpo de volta, e sem me importar que tivesse que me humilhar pelo seu perdão murmurei:
- Me perdoa. – porém, eu não havia dito sozinha aquilo, ele havia dito junto comigo, rimos nervosamente antes de declararmos o nosso amor.
Naquele momento em que estivemos abraçados pude vivenciar tudo o que passei no último mês, e principalmente nos últimos minutos, não sei por quanto tempo ficamos ali abraçados em silêncio, cada um perdido em seus próprios pensamentos, minhas lágrimas eram incessantes, não sei como elas não incomodavam Edward, uma vez que elas caíam diretamente no único espaço de pele visível, a do seu pescoço, mas então percebi que ele assim como eu, também estava chorando, porém suas lágrimas não tocavam a minha pele por causa do suéter de gola alta, mas eu podia ouvir a lamúria em meus ouvidos.
Afastei-me minimamente dele para encarar seus orbes esmeraldinos, eles brilhavam pelas lágrimas e também brilhavam por amor, sorri ligeiramente a ele que rapidamente retribuiu.
- Desculpa Edward, eu deveria ter te ouvido antes de… – porém, fui impossibilitada de continuar as minhas desculpas pelos lábios urgentes e fervorosos de Edward, que pressionavam os meus com sofreguidão.
Oh… os lábios de Edward, quando os senti contra os meus todo o meu corpo parecia ter se tornado mais leve, parecia que todo o peso que estava carregando em minhas costas havia sido retirado.
Sua língua acariciava a minha com delicadeza, nossos lábios se encaixavam com mais perfeição do que eu conseguia me lembrar, minhas mãos se trançavam em meio aos seus cabelos bronzes e macios os puxando levemente trazendo-os para mim. As mãos de Edward estavam uma em minha cintura – me trazendo mais próximo a ele -, enquanto a outra estava em minha nuca, entre meus cabelos, guiando os nossos movimentos.
A dança que nossos lábios faziam um contra o outro era uma velha conhecida nossa, mas não menos envolvente, era estimulante, sensual, apaixonada. Nosso beijo era como chamas em meio ao gelo.
A neve, o vento gelado que tomava toda a cidade, não importava, porque até mesmo o frio que sentia havia se dissipado somente com o contato dos lábios de Edward em minha pele, fazia com que todo meu corpo entrasse em ebulição.
Apesar dos casacos pesados que tanto eu quanto Edward usávamos, ainda era perceptível como nossos corpos se encaixavam, se completavam. Apesar de não querer me afastar de seus lábios, tivemos que quebrar o beijo porque estávamos necessitados de ar.
Edward apoiou sua testa na minha, e mesmo ainda com os olhos fechados eu podia sentir o calor de seu corpo próximo ao meu, sua respiração arfante batendo contra meu rosto, mas o que eu mais ficava feliz em sentir era o seu perfume. Seu aroma único e envolvente de hortelã, mel e sol me inebriando, deixando-me ainda mais entorpecida. Lentamente abri meus olhos para encarar aqueles orbes perturbadoramente verdes, e seu dono dava um ligeiro sorriso torto.
- Como eu senti a sua falta. – sussurrou, tocando nossos narizes suavemente, enquanto suas mãos alisavam meu rosto. Iria responder quando alguém coçando a garganta, nos fez afastar, e encarar toda a sua família que estava ali.
- De nada. – disse Alice de repente, fitando Edward e eu. Todos riram de suas palavras.
- Obrigado por achá-la Allie. – Edward disse sorrindo amavelmente em direção à irmã.
- A ideia foi sua, irmãozinho. – disse maliciosamente, piscando para Edward.
- Minha? – perguntou visivelmente confuso, assim como toda a sua família.
- Ed, esqueceu que foi você que disse para que eu procurasse uma noiva pelos classificados? – perguntou levando as mãos a cintura.
- Eu… eu estava brincando. – disse Edward confuso.
- Bem a sua brincadeira me deu a ideia e eu resolvi procurar Bella pelos classificados. – disse dando de ombros.
- Mas como? – questionou começando a ficar irritadiço.
- Ela colocou uma grande recompensa. – eu respondi, ainda com a voz grossa por conta do choro incessante de anteriormente.
- Feito um cachorrinho? – perguntou Emmett divertido. Alice sorriu positivamente para o irmão, que deu uma gargalhada escandalosa, que logo foi acompanhada por toda família.
- Mas como você sabia que daria certo? – perguntou James.
- Eu não sabia, somente segui minha intuição, e ontem eu recebi a ligação dizendo onde a nossa "Noiva em Fuga" estava. – Alice deu uma piscadela divertida.
- E onde seria esse lugar? – questionou em uníssono uma Veronica e uma Rosalie curiosas.
- A uns quarenta minutos do centro de Boston, próximo à casa que era da vovó. – disse Alice divertida.
- Na pensão de Anne Robinson? – perguntou Esme interessada.
- Isso. Você a conhece? – perguntei a ela.
- Oh sim, ela era uma grande amiga de minha mãe. – disse lançando um olhar cúmplice a Carlisle.
- De quanto foi essa recompensa Allie? Acredito que eu deveria pagar por ela. – Edward disse, atraindo a atenção de todos.
- Quem disse que eu fiz para você? – perguntou ela divertida. – Fiz porque eu não queria ficar mais longe da minha melhor amiga. Dessa maneira ela pertence a mim. – disse empurrando Edward, que ainda me abraçava, para vir me abraçar de uma maneira possessiva.
- Você vai me abandonar Alice? Ou será que poderei ter duas esposas agora? – perguntou Jasper divertido.
- Opa… vamos poder ter duas esposas? Foi aprovada essa lei? – inquiriu Emmett divertido, que recebeu um belo tapa atrás de sua cabeça dado por Rosalie.
- Não, não se pode ter duas esposas. E desculpe Jazz, mas você não terá duas esposas, nem que eu tenha que sequestrar uma delas. – Edward disse, me puxando para seus braços.
- Tudo bem… eu concedo o uso dela a você, irmãozinho. – disse Alice, olhando ameaçadoramente a Jasper. – E você senhor Hale, se prepare para o seu castigo. – completou com um sorriso diabólico.
- Estava brincando. – disse Jasper rapidamente. – Eu te amo senhora Mary Alice Cullen Hale. – completou apaixonadamente, fazendo Alice se derreter toda e ir até ele e beijá-lo com um pouco de fúria, e todos rirem da cena que os dois estavam fazendo.
- Então nós vamos ficar em meio a esse frio ou vamos até àquele bistrô italiano que foi reinaugurado? – perguntou Carlisle divertido.
Todos rapidamente concordaram que estavam famintos, porém, nem eu muito menos Edward nos movemos.
- Edward? – Carlisle o chamou, ele rapidamente voltou à atenção ao pai, que lhe jogava algo. – Eu e sua mãe vamos com Emmett e Rose. – disse dando uma piscadela para nós.
Edward observou a chave com o símbolo prateado na Mercedes entalhado e sorriu maliciosamente para mim.
- Vamos? – perguntou me estendendo sua mão.
- Edward, acredito que precisamos conversar antes. – disse temerosa, olhando para as minhas botas pretas.
- Certo… pode ser dentro do carro? Ou senão iremos congelar aqui. – disse tentando soar divertido, mas percebi que estava nervoso.
- Ok. – respondi minimamente, enquanto Edward me guiava para onde a Mercedes negra de Carlisle estava estacionada.
O silêncio era incômodo assim como a tensão que nos tomava. Eu sabia que precisávamos conversar, mas sobre o que seria essa conversa?
A resposta estava clara como água, a conversa era sobre nós, sobre nosso relacionamento.
Edward desativou o alarme do carro, abrindo em seguida a porta do passageiro para mim, que dei lhe um sorriso tímido sentei rapidamente no banco de couro. Ele logo fechou a porta e andou com agilidade para a porta do motorista e se sentando no banco ao meu lado, ele ligou a chave para poder ligar o sistema de aquecimento do mesmo. Logo o frio pareceu ser abrandado, mas o silêncio entre nós ainda continuava massacrante.
Eu estudava com atenção os detalhes da manga do meu casaco e Edward parecia tentar entender como se funcionava os velocímetros do painel. Porém, depois de longos minutos nesse silêncio constrangedor, Edward o quebrou:
- Eu deveria ter te contado sobre a droga. – sussurrou timidamente.
- E eu deveria ter te ouvido. – rebati. – Mas Edward, isso já não é mais importante, o que é importante mesmo é, o que nós vamos fazer? Como vai ser nosso relacionamento agora? Nós vamos… – minha voz sumiu.
- Continuar juntos? – ele completou. Somente confirmei com a cabeça. – Bella – ele pegou minhas mãos com as suas. -, eu te amo, eu quero passar o resto da minha vida ao seu lado. Eu sei que omiti coisas de você, mas juro meu amor, eu não queria fazer isso, eu somente fiz porque eu queria te proteger, não queria te contaminar com meus problemas, com a minha doença… – eu ia protestar, mas ele continuou:
"Eu sei, eu agi como um imbecil eu deveria ter confiado em você, mas eu não sei Bella, tudo o que eu faço é tentando te proteger, você sabe que sempre tive um lado protetor com relação a você, e te protejo mesmo de que seja de mim mesmo."
- Mas sempre será assim Edward? Sempre irá esconder tudo de mim, sempre com a desculpa de me proteger? – rebati nervosamente.
- Bella, eu errei, mas prometo nunca mais fazer isso com você, mesmo que a verdade te magoe como eu sei que algumas vezes ela irá te magoar, eu te direi sempre, sempre a verdade, doa a quem doer. – disse de uma maneira quase neurótica.
- Você promete? – perguntei com um fio de voz.
- Eu prometo, eu juro, assino um contrato de sangue, o que você quiser tudo, desde que eu possa me casar com você Bella, desde que eu possa passar o resto dos meus dias ao seu lado, eu faço qualquer coisa. – disse apertando as minhas mãos com força.
- Eu acredito nas suas palavras, eu confio em você. – sorri timidamente.
- Vou fazer tudo para provar que sua confiança não é em vão. – confirmou, dando-me um sorriso torto. – Agora vamos? – perguntou temeroso.
- Aham… – disse confirmando com a cabeça, enquanto ele ligava o carro, e o colocava em movimento. – Edward? – o chamei, ele rapidamente voltou seu rosto para o meu. – Temos que marcar uma nova data para o nosso casamento, acredito que não dará para fazer todos os preparativos em… humm… dezoitodias? – disse soando mais como uma pergunta. Ele deu uma gargalhada retumbante que me fez sorrir, mesmo que sem querer.
- Alice não desistiu dos planos do nosso casamento durante esse mês, ela continuou programando o mesmo, organizando as coisas, para o meu desespero, que pensando bem, pelo menos valeu à pena. – disse voltando a sua atenção para o trânsito caótico de Boston, por conta da proximidade do Natal.
- Ela continuou fazendo tudo mesmo sem uma noiva? – perguntei horrorizada com a audácia de Alice.
- Sim… ela disse que eu me casaria dia dez de janeiro nem que fosse com uma noiva achada nos classificados, e vejo que ela tinha razão… sobre os classificados. – disse sorrindo maroto para mim e dando-me uma piscadela. Vi-me impossibilitada de não sorrir também.
Edward dirigia lentamente pelas ruas de Boston, que apesar da neve que caía constantemente pela cidade, estava abarrotada de pessoas e carros fazendo as últimas compras de Natal. Então algo me ocorreu, eu sabia que seria difícil estipular isso a Edward, mas não custaria tentar, pelo menos.
- Edward? – o chamei timidamente.
- Sim amor? – devolveu amorosamente.
- Será que humm… eu posso fazer um pedido… quer dizer uma proposta a você? – perguntei, para em seguida começar a mordiscar meu lábio inferior nervosamente.
- Proposta… humm… seria uma proposta indecente? – replicou sedutoramente.
- Talvez… depende da forma como se analisa. – disse dando de ombros.
- Então diga-me, quem sabe eu não a aceito. – pediu me perfurando com seus incríveis orbes verdes.
- Nós iremos nos casar daqui alguns dias, e já ficamos esse tempo todo um longe do outro… sem… er… humm…
- Sexo. – completou a minha frase.
- É… – concordei timidamente. – Então o que você acha de nós resguardarmos até a nossa noite de núpcias? – inquiri torcendo minhas mãos nervosamente sobre meu colo. Edward virou seu rosto em um súbito para mim, com um olhar horrorizado como se tivesse vendo outra cabeça nascendo em mim, eu sabia que era um pedido singular para ele, uma vez que mesmo com nossos horários quase nunca batendo quando morávamos juntos, sempre, quase diariamente nos entregávamos ao pecado da luxúria.
- Bella… – suplicou.
- Edward… dezoito dias passa voando… e pensa o quão mágico, o quão bom, o quão envolvente será nossa primeira vez depois de casados e depois de tanto tempo um longe do outro. – argumentei.
- Mas Bella, eu não consigo mais ficar longe de você, não dormir abraçado com você. – suplicou novamente.
- A gente pode dormir somente dormir – completei quando vi o olhar cafajeste que ele me lançou. – juntos, mas não todas as noites, para não ficarmos tentados a cair em tentação de fazer amor. – pedi desesperadamente.
- Como assim "não todas as noites"? – questionou nervoso.
- Quero continuar na pensão que estou até o nosso casamento, você sabe para não ter problemas nesse nosso trato. – expliquei inocentemente.
- Bella, para que tudo isso? Meu corpo está louco de saudade do seu, eu estou morrendo de saudade de olhar para o seu corpo nu se fundindo ao meu, quero mais do que tudo acariciar seu corpo nu, beijá-lo com toda a veneração que eu negligenciei durante esse tempo longe. Bella não precisamos ficar sem sexo para que nossa primeira vez depois de casados seja perfeita. – pontuou.
- Eu também sinto falta disso Ed… – comecei, mas fui interrompida por ele.
- Então meu amor, me deixe te levar para a nossa casa, para nossa cama, tirar essa roupa do seu corpo, beijar toda sua pele alva, acariciar aqueles lugares que só eu sei, te… – ele divagava coisas sensuais, das quais me deixava extremamente excitada, eu o queria da forma que ele estava me dizendo, mas eu não abriria mão dos meus desejos por isso fui eu a cortá-lo agora.
- Ok, vamos mudar nosso acordo então. – disse lentamente, pensando nas palavras exatas. – Eu vou continuar na pensão, mas de quinta-feira à segunda-feira de manhã eu fico com você em sua casa, nós podemos brincar, mas sem nenhum… er… nenhuma… er… penetração. – disse baixinho.
- COMO? – ele gritou freiando o carro bruscamente.
- Nós podemos passar um tempo juntos, nus, tomar banho juntos, beijar e cultuar um o corpo do outro, mas não poderemos fazer amor propriamente dito. – disse corando uns três tons de vermelho.
- Por que tudo isso Bella? – questionou nervosamente.
- Edward, ou é assim, ou não é de nenhum jeito. – disse decidida.
- Você ainda vai ser a minha morte, mas tudo bem eu concordo, desde que eu posso te levar as nuvens. – disse com uma piscadela, e agitando sua língua de forma rápida dentro de sua boca, o que rapidamente me fez lembrar-me dela em minha intimidade, senti meu rosto pegando fogo, enquanto Edward soltava uma risada retumbante.
O restante do caminho até o bistrô foi com um Edward tentando me persuadir a esquecer do trato, mas todas às vezes eu me esquivei perguntando o que ele fez durante esses dias em que estive afastada. Fiquei triste em saber que Edward entrou em uma depressão por conta da minha ausência, que por conta disso Carlisle autorizou uma licença para ele no hospital, e também que ele estava morando temporariamente na casa de seus pais, óbvio que ele tentou usar a minha culpa como uma maneira de quebrar nosso acordo, mas vendo que isso não adiantaria, e que eu também estava ficando irritadiça, ele parou de tentar me persuadir a mudar de opinião.
Depois de quase meia hora, finalmente chegamos ao restaurante em que todos os outros estavam rindo e bebericando suas taças de vinho animadamente. Quando nos viram perguntaram sobre a nossa demora, e claro que Emmett não pode deixar de fazer suas piadinhas sobre a nossa vida sexual, para o meu total constrangimento.
O jantar fora bastante animado, o restaurante era típico uma Cantina Italiana, onde a comida além de ser excepcionalmente saborosa trazia um aroma de Roma, Veneza, Nápoles, Milão e Florença, como Carlisle e Esme afirmaram em meio a risadas compartilhadas somente por eles, que Edward rapidamente me disse que seus pais nos seus dez anos de casados foram à Itália em uma nova Lua de Mel, e que sempre agiam assim quando comiam comida italiana.
Alice obviamente durante o jantar nos colocou a par dos planos do casamento e afirmou que no dia seguinte ao Natal iríamos fazer algumas coisas que deveríamos ter feito durante esse um mês. Como fazer a prova do meu vestido que um estilista amigo dela estava confeccionando para mim.
Depois do final do jantar fomos com Carlisle e Esme para a casa deles, uma vez que todos os outros seguiram para suas casas que eram próximas ao restaurante, e meu carro estava na pensão ainda, e o de Edward na casa de seus pais.
Assim que chegamos à mansão dos Cullen, Edward rapidamente me guiou até seu Volvo prateado que estava na garagem sem sequer me deixar despedir de seus pais adequadamente. E mesmo com cautela – por causa do gelo nas ruas -, ele conduzia com rapidez. E vinte minutos depois estávamos entrando na garagem no prédio de Edward.
Ele saiu numa velocidade alucinada da sua posição do motorista para abrir a porta para mim, e depois começou a me guiar com pressa até o elevador, e vendo que eu não estava conseguindo andar muito rápido me pegou em seu colo.
- Ei… você não vai me levar para a cama. – disse divertida.
- Querida, no seu trato dizia que poderíamos tomar banho juntos e brincar nus, então sim eu estou com pressa para fazer tudo isso. – disse com um sorriso torto em seus lábios e um brilho flamejante e empolgante em seus olhos verdes.
E Edward não demorou muito, já no elevador capturou meus lábios em um beijo frenético, e depois de me colocar no chão para abrir a porta, enquanto ainda tentava recuperar meu fôlego, ele me guiou para dentro do apartamento começando a tirar a minha roupa com urgência, e em questão de meros minutos eu estava somente com um conjunto de lingerie preto e Edward somente com uma boxer também preta, e depois de me colocar delicadamente sobre a nossa cama, seguiu para o banheiro para preparar a banheira, e enquanto essa se enchia ele voltou ao quarto, onde passou a beijar meu corpo com veneração e tirando lentamente a lingerie que estava vestindo, e depois me levou no colo para a banheira em meio à água quente e as bolhas com aroma de lavanda e rosas. Em seguida retirando a única peça que restava em seu corpo entrou na banheira para me acompanhar.
Ver o corpo nu de Edward e seu membro pulsante quase me fez jogar esse trato pelos altos, mas mantive a minha posição. As carícias, os beijos e as juras ao pé do ouvido naquela banheira foram estimulantes. E depois quando voltamos ao quarto Edward encarregou sua boca e sua língua de fazer o que seu membro não podia, e depois de ter um dos melhores orgasmos da minha vida, retribuí o favor que ele havia me feito, sentir o membro e o gosto de Edward em minha boca foi esplendoroso.
Ficamos deitados, nos beijando, nos adorando, até que finalmente caímos na inconsciência do sono, sentindo um o calor do outro que há tempos não sentíamos. Na manhã seguinte Edward me acordou – apesar dos meus protestos – para repor o meu anel de noivado que eu havia tirado quando fui embora. Depois de o meu lindo anel ter voltado ao meu dedo anelar da mão direita, e ele ter me beijado, eu voltei a adormecer quase que imediatamente.
Acordei um pouco antes do meio dia, com fome, o que foi a alegria de Edward que havia ido até o mercado enquanto eu dormia para comprar alguma coisa para nós comermos. Nem preciso dizer que depois do café da manhã tardio, uma pequena dor de cabeça, seguida de uma tontura e um pequeno enjoo, que deve ser devido ao tanto que comi. Edward rapidamente me guiou novamente a cama, me deixando dormir por mais um tempo.
Serenamente ele me acordou depois das cinco da tarde, enchendo meu rosto de beijos e carícias em meus cabelos, e nos levou novamente a banheira para que pudéssemos tomar um banho quente e juntos.
Por sorte algumas das minhas roupas mais sociais ainda estavam aqui, o que foi de grande ajuda, pois iríamos passar a ceia de Natal na casa de Carlisle e Esme.
Passamos um Natal mágico, que foi encerrado com Edward tocando algumas músicas clássicas no piano que Esme mantinha em sua casa.
No dia seguinte ao Natal – para a minha infelicidade – Alice veio cedo até a casa de Edward para me levar ao ateliê do estilista que estava fazendo o meu vestido, e para que resolvêssemos outros detalhes ainda pendentes.
O vestido estava ficando glorioso, porém ele estava um pouco apertado, causando desconforto em mim, e quando disse aos dois sobre esse pequeno contratempo ambos ficaram irritadiços, mas concordaram em soltar um pouco as costuras. Depois dessa tensão no ateliê Alice me arrastou até o Buffet que estava cuidado da recepção, porém o cheiro de um canapé de salmão fez meu estômago embrulhar, me obrigando a ir correndo até um banheiro próximo e vomitando todo o café da manhã que Edward havia preparado com muito carinho para mim.
Alice foi atrás de mim preocupada com a minha saúde, mas tratei de tranquilizá-la rapidamente, já que esse meu mal estar era devido à falta de uma alimentação saudável no último mês. Porém, parece não tê-la convencido.
Depois de um almoço leve, me senti sonolenta e pedi para que Alice me levasse à pensão em que estava. E quando estava para descer de seu Porsche Amarelo e deitar na cama que havia se tornado minha companheira no último mês, ela questionou algo curioso.
- Quando foi seu último período menstrual, Bella? – a encarei confusa, mas respondi a ela rapidamente.
- Há um mês. Por quê? – devolvi um pouco irritadiça.
- Nada não. – disse dando um sorriso sapeca, e se despedindo de mim.
Caminhei até a entrada da pensão, que fui recebida por uma alegre Anne, que perguntou o porquê de não ter contado a ela que o noivo que eu não queria ver quando cheguei ali era Edward Cullen, um moço adorável e belo. Pelo visto Esme havia entrado em contato com a amiga de sua mãe para dizer que sua futura nora é que estava hospedada ali.
Rachel e Anne mais tarde aquele dia disseram que a minha pele estava ótima, e que eu estava radiante, e que com certeza eu trazia boas notícias a todos principalmente a Edward. Após essas afirmações estranhas das duas eu voltei ao meu quarto. Depois de um banho quente e falar com Edward no telefone, dormi rapidamente.
Entretanto eu não estava preparada para o sonho que tive aquela noite.
Sonhei com duas crianças, um menino e uma menina, o menino tinha os cabelos castanhos revoltos e incríveis olhos verdes, por sua vez a menina tinha um belíssimo e longo cabelo bronze com adoráveis cachos nas pontas, e seus olhos eram de um castanho estranhamente familiar.
Acordei assustada no meio da noite, após esse estranho sonho e mesmo sem consciência minha mente fez uma conta rápida. Pelo que constava – pelo menos nas minhas contas -, era para meu ciclo menstrual ter acontecido há duas semanas, mas ele não ocorreu.
Imediatamente coloquei a causa dessa "falha" em meu organismo a toda tensão, ansiedade, nervosismo que passei no último mês, mas uma vozinha irritante – que soava muito como Alice – dizia que havia outro significado.
Gravidez…
Tive que rir desse outro significado, porque ele era simplesmente absurdo. Se tinha algo que eu não deixava atrasar um dia eram as minhas injeções trimestrais de anticoncepcional. E também porque nem eu, muito menos Edward estávamos preparados ou gostaríamos de ter filhos agora, queríamos curtir nossa vida de casados primeiro.
Depois desse sonho esquisito, rapidamente mergulhei na inconsciência do sono, esquecendo qualquer pensamento com crianças de cabelos castanhos ou bronzes.
No dia seguinte acordei no meio da manhã com uma fome absurda, que foi rapidamente saciada pelas panquecas e especiarias de Anne. Como o Ano Novo estava próximo e Edward ainda estava de licença no hospital, decidi que passaria essa semana em seu apartamento, por isso arrumei uma pequena mala com algumas coisas que uso pessoal das quais eu não fico sem, e depois fui até o coração de Boston para a casa de Edward, minha futura casa.
Alice, como sempre me atormentava logo pela manhã, dizendo que tínhamos que resolver isso, resolver aquilo, para o meu total desespero que acreditava que ela iria resolver tudo sozinha. E sempre depois da maratona que Alice me arrastava eu me via exausta, mal conseguindo comer o jantar que Edward ou preparava para nós ou pedia pelos restaurantes próximos a nossa casa.
Edward assim como eu atribuiu o meu mal estar a um resfriado, e se ele sendo médico afirmava isso, quem seria eu em não concordar?
A virada de ano foi extremamente simples. Esme e Alice a programaram somente com a família, o que veio a calhar consideravelmente uma vez que uma nevasca bastante violenta caiu àquela noite, fazendo com que todos nós ficássemos presos na casa dos pais de Edward.
Felizmente a neve foi abrandando conforme o dia primeiro de janeiro se seguia, já o sol facilitou e muito a derreter o gelo.
Faltando cinco dias para o nosso casamento, Alice mais uma vez me tirou muito cedo da cama, o que causou não só a minha revolta como a de Edward, afirmando que eu precisava fazer a última prova do meu vestido. E me despedindo de Edward que agora só nos veríamos dois dias antes do nosso casamento para o último ensaio.
Dessa vez fui com meu carro até o ateliê do estilista amigo de Alice, que já se encontrava lá impaciente. O ajuste que ele havia feito para que o vestido não ficasse apertado e consequentemente não me incomodasse havia ficado perfeito, estava até mesmo um pouco largo, mas quando ele disse que havia deixado de propósito porque pelo que parecia eu estava engordando como uma grávida.
Suas palavras ficaram ecoando em minha cabeça por todo o dia, fazendo Alice por várias e várias vezes me chamar à atenção, porque estava dispersa. Depois de mais um dia cheio na companhia de Alice, ela me dispensou e logo segui o caminho para a pensão de Anne, ainda – infelizmente – com as palavras daquele maldito costureiro zunindo em minha cabeça.
Tomando uma decisão um pouco inesperada fui até um laboratório para fazer um exame e tirar essa dúvida de uma vez por todas da minha cabeça. Para a minha decepção que gostaria de uma resposta imediata, fiquei terrivelmente chateada ao saber que o resultado só ficaria pronto em três dias, e como seria o dia do jantar de ensaio solicitei que entregassem os resultados na pensão.
A semana passou num piscar de olhos, e na quinta-feira à noite Edward foi me buscar na pensão para irmos juntos ao ensaio do nosso casamento. Não podia ter corrido melhor, tanto que Edward até mesmo me roubou por alguns minutos para me beijar calorosamente, fervorosamente e com sofreguidão, com a desculpa que estava com saudade e obviamente para me tentar dizendo que em exatas quarenta e oito horas o nosso trato, ou como ele gostava de chamar, minha greve de sexo acabaria.
Depois do ensaio Edward me levou de volta a pensão, e quando estávamos nos despedindo passamos longos e maravilhosos minutos nos beijando e até mesmo acariciando um ao outro intimamente. O que me fez borbulhar de desejo a ponto de considerar e muito me entregar a ele naquele Volvo prateado que me enlouquecia.
Ele que teve que me lembrar do nosso trato, e depois quando saí daquele carro pecaminoso estava extremamente excitada, cheia de desejo e com a minha respiração assustadoramente arfante. E pela primeira vez desde que fizemos o tal trato me vi necessitada de um banho gelado para esfriar minha cabeça e meus ânimos.
Depois do banho morno, porque infelizmente o frio de Boston ainda não permitia que eu tomasse um banho gelado, me vi tão cansada que mal consegui vestir meu pijama completo, caindo em um sono pesado.
A véspera de meu casamento, que também seria minha despedida de solteira foi bastante movimentada, primeiro porque tinha que organizar e guardar todos os meus pertences que estavam ali comigo na pensão, e também porque Alice, Rosalie, Veronica, Leah, Esme e minha mãe me ligavam a toda hora, me deixando irritadíssima.
E quando já estava pronta para ir ao restaurante em que seria minha despedida de solteira, e com toda minha bagagem no meu carro, Anne veio me entregar algumas correspondências que havia chego para mim. Fiquei chateada por ela não poder ir nessa reunião, mas ela me tranquilizou dizendo que tanto ela como Rachel e Daniel estariam no meu casamento amanhã.
Minha despedida de solteira foi divertidíssima, Alice, Rosalie, Veronica, Tanya, Heidi, Angela, Leah, Sue, Esme, minha mãe Renée, Alec e Felix me presentearam com coisas constrangedoras, me fizeram fazer algumas outras que nunca eu faria. Como andar descalça em um supermercado, pedir algumas moedas na rua ou até mesmo servir como uma garçonete alguns caminhoneiros em um posto de gasolina, sem contar que exigiram que eu ligasse a Edward, que estava em sua despedida, e lesse como se fosse eu dizendo um texto que haviam escrito. Aquelas palavras que só de bater os olhos corei tanto que estava quase perto da tonalidade roxa.
Edward ficou animado com as minhas palavras e aproveitando o ensejo delas, retribuiu a altura, me deixando um pouco constrangida, uma vez que o telefone estava no viva voz para que todos ouvissem a reação dele.
Depois de toda essa loucura que me fizeram cometer, fui com Alice para a sua casa, já que no dia seguinte ela, Rose, Veronica, Angela e Leah me arrastariam para um SPA para ter o meu dia de noiva, onde me prepararia para ser a senhora Edward Cullen.
Nem preciso dizer que tive um sono inquieto, e na manhã seguinte Alice ralhou comigo por alguns minutos sobre a minha aparência, mas por sorte foi censurada por Jasper que veio ao meu socorro. Após um banho para me despertar e um café da manhã leve, Rose, Veronica, Angela e Leah, chegaram ao apartamento de Alice para que fôssemos ao SPA.
O dia no SPA foi bastante divertido e relaxante, estar na companhia das cinco era inestimável, não podia ter escolha melhor para amigas do que elas. Após muitos tratamentos faciais, massagens, banhos especiais, manicure, pedicure, cabeleireiro e maquiagem, eu estava no quarto que foi reservado para que eu me tranquilizasse me vestisse, e onde eu esperaria o carro que me levaria até o local onde seria realizado meu casamento.
Dizer que estava ansiosa, nervosa, e temerosa era pouco, eu estava em pânico praticamente. Nem o chá de camomila que me ofereceram muito menos o suco de maracujá que tomei durante todo o dia parecia acalmar meus nervos. Queria poder conversar com Edward para que ele me acalmasse, mas haviam tirado meu telefone celular de mim, tudo para impedir que entrasse em contato com ele.
O meu vestido ainda estava sobre o divã dourado do quarto, enquanto eu caminhava de um lado para o outro impaciente. Comecei a organizar tudo que tinha ali, vasos de flores, lenços, frutas, até que só restava a minha bolsa ainda intacta onde havia deixado pela manhã. Caminhei até onde ela estava era a única coisa que me faltava organizar. Comecei a tirar as coisas de dentro dela, até que vi as correspondências que Anne havia me entregue no dia anterior.
Comecei a lê-los na esperança de me distrair, eram na sua maioria cartões de felicidades e sorte pelo casamento, até que o último envelope, um inteiramente branco com um símbolo verde claro no canto superior esquerdo chamou a minha atenção. Era o resultado do exame de gravidez que havia feito no começo da semana.
E esvaindo a ansiedade pela cerimônia de meu casamento, uma nova ansiedade me tomou a para saber o que dizia aquele papel, e comprovasse que eu não estava grávida.
O abri lentamente, revelando duas folhas perfeitamente dobradas. As abri e comecei a ler. Números, taxas de hormônio, plaquetas, inúmeras coisas que não entendia bulhufas. Aquilo estava me deixando mais irritada do que nunca, descartei a primeira folha em cima da mesa em que tinha algumas frutas e fitei a segunda folha que era ocupada por uma frase de duas linhas:
"Senhorita Isabella Marie Swan o laboratório Quest Diagnostics agradece por escolher nossos serviços e tem o prazer de lhe informar e congratular, que seu exame deBHCGobteve resultadoPOSITIVO."
Ao ler aquelas palavras meu coração parecia bater freneticamente. Como era possível? Tudo bem que Edward e eu não usávamos mais preservativo desde que nos declaramos, mas não era possível que o anticoncepcional tivesse falhado, seria?
Claro que seria possível, quantas pessoas ficavam grávidas mundo a fora mesmo com os métodos contraceptivos.
Eu estava em pânico. Como eu diria a Edward que eu estava grávida? E como eu conseguiria enfrentar todo o casamento e recepção sabendo que tinha esse segredo me sufocando. Um grito estrangulado saiu pela minha garganta, e no segundo que o fiz à porta do quarto se abriu e Alice, Rose, Veronica, Angela e Leah estavam empoleiradas me olhando com apreensão.
- Bells, o que aconteceu? – Leah perguntou suavemente. Notei que meus olhos estavam marejados, o que também foi percebido por Alice.
- Ah… não Bella, você não pode chorar antes do casamento, quer estragar toda sua maquiagem? – ralhou comigo.
- Bella o que está acontecendo? – Veronica perguntou cautelosamente.
- Eu… eu… eu… – comecei a divagar, rapidamente as cinco estavam ao meu lado, mas foi Rose a primeira a ver o papel em minha mão.
- O que é isso Bella? – perguntou apontado para o papel que segurava.
- É… – tentei, mas a minha voz parecia ter sumido, eu parecia em choque. Alice com sua hiperatividade o puxou das minhas mãos, um minuto depois ela gritou:
- Você está grávida? Grávida! Aí que lindo eu vou ter um novo sobrinho ou sobrinha.
- Grávida? – perguntaram as outras quatro em uníssono. Em segundos o papel estava passando de mão em mão, e todas desejando parabéns para mim.
- Eu sabia que aquele enjoo quando fomos ao Buffet era significado de gravidez! – disse Alice animada.
- O que eu farei? Como eu vou conseguir casar com essa notícia tomando minha cabeça? – perguntei desesperada.
- Casando, como todas nós casamos. – devolveu Angela, tão animada quanto às outras.
- Mas vocês não estavam grávidas quando estavam fazendo seus votos. – rebati nervosa.
- Eu estava. – ponderou Veronica.
- Mas James sabia. – disse alucinadamente.
- Edward não sabe? – inquiriu Leah, somente neguei com a cabeça.
- Ao Invés do sim você diz que está grávida. – rebateu Rosalie divertida, dando uma gargalhada depois.
- Bella minha amiga, não importa o que a senhorita vai fazer eu só sei que você vai colocar esse vestido e irá entrar linda, poderosa e radiante como uma grávida é, e se casar com meu irmão o amor da sua vida. – disse sorrindo largamente.
Somente confirmei com a cabeça, ainda entorpecida com tanta informação. Somente senti Alice e as outras me ajudando a colocar o vestido por cima da lingerie branca que elas haviam me presenteado mais cedo naquele dia.
Um sutiã tomara que caia de renda, acompanhado por uma calcinha de tiras finas nas laterais, com uma cinta liga da mesma renda branca do conjunto, que estava ligada por um elástico branco as meias de seda branca que usava. Modéstia a parte me sentia sexy.
Por sua vez o vestido que o amigo de Alice havia confeccionado para mim era deslumbrante.
Branco, todo em renda, extremamente discreto, que para deixá-lo mais feminino algumas flores feitas de um chiffon da mesma tonalidade das flores das rendas ornamentavam todo o comprimento do decote tomara que caia, e em alguns lugares nas laterais, um pouco acima do meu quadril, e em seu corpo o vestido tinha alguns bordados, mas tudo extremamente discreto.
Eu me sentia como uma princesa. Não poderia ter um vestido que transparecia tanto a minha personalidade, quanto a de Edward: discreto, elegante e sensual. Não tinha como não ser mais perfeito.
Meus cabelos estavam meio presos caindo em uma cascata com leves cachos nas pontas, optei por não usar véu, já que meus pais haviam trazido às presilhas de ouro branco, incrustadas pérolas, omoplatas e alguns diamantes, que a minha avó usou em seu casamento. E para completar a tradição Alice havia me emprestado uma cinta ligade renda azul. Enquanto Alice terminava de me arrumar as outras foram vestir seus vestidos de madrinha, que eram de um lilás suave, que harmonizavam com os lírios brancos e as lilases do meu buquê.
Cedo demais o carro que iria me levar ao salão em que ocorreria a cerimônia depois à recepção chegou, com meu pai que vestia um belíssimo smoking cinza claro. Charlie estava elegantíssimo, mal parecia aquele chefe de polícia da cidade de Forks que usava aquele uniforme azul marinho. Ele disse tantos elogios a mim que estava começando a acreditar que realmente estava bonita.
Logo as minhas cinco madrinhas já tinham ido, deixando somente eu, meu pai e o motorista esperando exatos quinze minutos para que saíssemos.
Apesar de ser inverno ainda, este tinha amenizado nos últimos dias, principalmente hoje. A neve que caiu constantemente por quase vinte dias havia sumido e um tímido sol apareceu, elevando um pouco a temperatura. E por mais que meu vestido deixasse expostos meus ombros e pescoço eu não conseguia sentir frio, o que de certa forma era bom.
Por mais que Charlie tentasse me acalmar, suas palavras não surtiam efeito nenhum, já que além da ansiedade pela cerimônia, agora e tinha outra para somar: a de que eu estava grávida e o pai da criança ainda não sabia de sua existência. Tentei pela centésima vez fazer um exercício para controlar minha respiração e me acalmar, mas surtiu o mesmo efeito que das vezes anteriores, ou seja, nenhum.
Em um piscar de olhos o carro que me levava parou e a voz suave do motorista ressoou um 'chegamos', que foi o suficiente para que eu começasse a tremer e ficar mais nervosa do que eu estava. Charlie parecia que tentava controlar sua vontade de rir, mas quando ele pediu para que eu ficasse calma, pude notar a diversão em sua voz.
O motorista abriu a porta para que pudéssemos sair e quando saí depois de Charlie pude ver minha mãe e Carlisle caminhando em direção ao altar, tentei vislumbrar Edward, mas não foi possível, já que meus padrinhos e madrinhas começaram a me elogiar. Mas mal tive tempo de agradecer, eles já estavam caminhando rumo ao altar, primeiro Angela e Alec – Ben o marido de Angela aceitou que Alec fosse meu padrinho junto com ela, uma vez que ambos além de serem meus amigos na faculdade eram meus sócios -, seguidos por Leah e Jacob, depois por Rosalie e Emmett, Veronica e James, e por último Alice e Jasper.
Tentei controlar novamente a minha respiração quando a marcha nupcial começou a tocar, meu pai apertou levemente minha mão e sussurrou:
- É a nossa vez Bells e pode ficar tranquila o garoto te ama de verdade. – completou com uma piscadela, quando começou a me guiar pelo caminho até o altar.
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*Fotos do vestido*
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N/A: Hey amores!
Bellinha descobrindo que está grávida no dia do casamento? Tão ela! Querem mais casamento?
Obrigada por quem continua comigo por aqui. Mayh Cardoso obrigada por tudo gata!
Nós vemos em breve.
Beijos,
Carol Venancio.
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