Notas da Autora: Hi! Não faço a mínima ideia do que poderão achar desta história, mas espero que seja do fosso agrado (desta vez não vou precisar de ficar acordada até tarde, cheia de sono à frente do PC. xD).

Recomendo que ouçam as músicas da playlist, que tenho antes da resposta aos reviews. Principalmente a 1., que foi a que estava a ouvir no momento em que esta história veio-me à mente.

E um último aviso: esta drab vai ser dividida em duas partes!

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Colecção de Drabs de SxS

Drab 37 – O nosso Som – Parte I

By Ying-Fa Kinomoto Lee

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Comecei no dia 30 de Agosto às 21:52/Terminei no dia 1 de Setembro às 16:51

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(Syaoran)

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Pessoas passavam por mim mas não pareciam notar a minha presença. O stress diário era algo normal numa grande cidade como Tóquio. Algumas pessoas vinham com o passo apressado, outras andavam mais calmamente. Àquela hora havia de tudo. Trabalhadores, estudantes, turistas… Eu parecia um outcast/outsider, pois não fazia parte de nenhum tipo de pessoas das quais eu acabei de enumerar.

Parei. Olhei para o grande ecrã à minha frente. Esta rua era bastante movimentada, e por isso, a mais conhecida de toda a cidade de Tóquio. Naquela altura estavam a passar videoclips de bandas recentes.

Isso lembrou-me de que eu já tive esse sonho, o sonho da música.

Tudo tinha começado na escola, como é normal. Tinha a minha própria banda, da qual faziam parte os meus melhores amigos daquela época. Sorri. Bons velhos tempos… À quanto tempo eu não pensava neles…? Claro que isso tinha um bom motivo. Algo que tinha acontecido no meu passado, algo que eu desejava esquecer, algo do qual eu fugira até aos dias de hoje…

Ah, Ah! Nesse momento uma voz percorreu toda a rua. Algumas pessoas pararam, mas a maioria não deteve o seu percurso. Mas eu continuei parado, com os olhos fixos no ecrã. Ouvi gritos. De certeza que deveriam pertencer a adolescentes. Adolescente que seriam fãs dela.

A intensidade da sua voz aumentou nos meus ouvidos. Pareciam que estes só podiam ouvir a sua voz. Como se fosse possível… Já tinha passado tanto tempo, porque seria que eu ainda me lembrava do som da sua voz? Eu tinha uma resposta simples para isso. Porque a amava. Mesmo depois daquilo que aconteceu eu não sentia-me culpado, mas sim, um grande amor. Mas eu sabia que a culpa era minha, era o único culpado pelo que tinha acontecido.

Senti como se estivesse a quebrar uma regra ao ouvir a sua voz, mas eu não me importava. Poderia ser até preso por isso, mas eu não me arrependeria.

E lembranças do passado voltavam a preencher os meus pensamentos…

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-. Não, isso não se faz assim. – disse-lhe, retirando a guitarra das suas mãos – Experimenta fazê-lo assim. – disse, demonstrando como fazer.

-. Ahh… Eu não tenho tanto jeito como tu para tocar guitarra… - suspirou, com um sorriso no rosto.

-. Não é o jeito que melhora, mas sim, a prática. – disse, como se fosse um sábio a dar uma lição de vida a alguém mais novo – Apenas o "saber cantar" é uma dadiva, algo que não podemos aprender.

-. Mas quando eu for uma cantora famosa eu vou ter que fazer algo mais do que cantar. – disse, séria – Actualmente todos os cantores profissionais sabem fazer algo mais do que cantar. Tocar piano, violino, ou até, guitarra. É por isso que eu tenho que aprender!

… Já estamos a pensar no futuro. – sorri – Mas não te preocupes… - ela observou-me, curiosa – Eu serei o teu guitarrista pessoal, por isso não precisarás de aprender. Se conseguires conquistar uma carreira a solo então eu serei o teu acompanhante. – disse, fazendo uma pausa a seguir, para depois beijá-la na boca.

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Não, não podia recordar esses tempos, pois eles jamais voltariam.

Sakura, pensei. Senti a necessidade de voltar a encontrá-la, e de abraça-la tão apertado que teria medo de a magoar, caso isso realmente acontecesse.

Voltei a prestar atenção ao ecrã, mas percebi que o seu videoclip tinha terminado. Um desejo inesperado instalou-se em mim. Corri o máximo que pude, em volta, à procura de algo. Parei à porta de uma loja de música. E o meu coração quase parou de susto. Lá estava ela, de corpo inteiro, ao lado da porta de entrada da loja. Era quase tão alta como eu. Queria toca-la, mas acordei a tempo. Seria estranho que uma pessoa tocasse num modelo de cartão. Pensariam que seria um stalker ou um pervertido, capaz de fazer coisas doentias com apenas um retrato do seu ídolo. Respirei. Tentei olha-la. Ela não tinha mudado muito deste a última vez em que a vira, mas reparei que a sua face parecia ser de alguém adulto, e não a sua face infantil, que existia na altura em que a conheci. E o seu sorriso, o seu sorrio, meu deus, as saudades que eu tinha de ver aquele sorriso cara à cara. Mas contentar-me-ia com um cartão, que era muito melhor do que não ver o seu sorriso.

-. Oh, meu rapaz! – ouvi uma voz masculina. Olhei para a porta e vi um homem de uns 40 anos desconhecido para mim – Vejo que tens aí uma guitarra. – disse, reparando na mochila que levava às costas, onde se encontrava a minha guitarra, que me acompanhava à anos. Sorri antes de aproximar-me.

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(Sakura)

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-. Eu não quero nenhum deles! – disse, enfurecida. À minha frente estavam algumas fotografias de homens que pareciam ser bastante fotogénicos, óptimos para a Moda.

-. Olha, estávamos a pensar neste aqui. – a minha agente tinha tirado uma das fotografias que tinha nas mãos, mostrando-ma logo de seguida – Este pareceu ser a melhor escolha entre todos os candidatos – o seu cabelo negro, liso e curto combinava perfeitamente com os seus olhos castanhos e com os óculos, com lentes rectangulares, que utilizava. A sua roupa parecia ser a de uma empresária.

Fiz uma careta – Não, esse não. Ele já trabalhou com a Yuka e ela contou-me que só lhe trouxe problemas. Chegava constantemente atrasado, bebia álcool, e muitas vezes tinham que trocar de guitarrista à última da hora por ele não estar nas melhores condições. – disse.

-. Mas ele é o que tem as melhores habilidades. – a minha agente continuou, fazendo-me pressão para dar a última autorização que faltava para ele poder ser contratado – Se as tuas músicas utilizam o som da guitarra então precisas de ter o teu próprio guitarrista. E como sei que és tu quem cria a maioria das letras tens todo o direito de fazer parte desta escolha. Lembra-te que se tivesses noutra produtora nem terias poder para fazer este tipo de escolhas, pois o teu agente faria essa escolha por ti.

-. E não é o que estás a fazer? – disse, de mau humor, mas ao ver a sua cara desculpei-me pelo que tinha dito.

-. O que importa é que este é o melhor que participou no casting, e tu sabes que eu estou a disser a verdade. – eu fiz um sinal afirmativo com a cabeça.

-. Eu sei que tens razão, eu ouvi os áudios de cada um dos candidatos, mas não seria preferível realizar outro casting? – tentei convence-la.

-. A produtora deu-me até ao final da semana para encontrar um guitarrista. Não podemos alargar o prazo do casting. – disse, com as feições sérias.

Olhei para as fotos. Nenhum deles parecia ser o "tal" guitarrista, por isso a minha reticência em escolher qual deles tomaria aquele lugar.

E o pior era que eu conhecia o "tal" guitarrista, mas não tinha maneira de o contactar, por algo que tinha acontecido no passado…

-. Chegou-nos uma cassete de áudio esta tarde. Parece que alguém deixou-a na secretaria por causa do casting para ocupar um lugar como guitarrista. – a minha agente entrou, pela porta principal, deixando os seus sapatos na porta – E parece que alguém ouviu as tuas preces. Espera até ouvires isto. – ela tinha uma cassete na mão. Não pensei duas vezes. Sai do sofá, correndo em direcção ao móvel que sustinha a televisão. Cheguei perto da minha aparelhagem, procurando pelo leitor de cassetes. A minha agente estava atrás de mim. Entregou-me a cassete, e eu logo coloquei-a no leitor. Empurrei com o dedo, fechando o leitor, e cliquei no Play.

No momento em que comecei a ouvir as notas, o meu coração parou. Eu reconheceria aquela maneira de tocar em qualquer lado!

-. É óptimo, né? – não consegui prestar atenção ao que a minha agente dizia, apenas tinha ouvido para as notas musicais que espalhavam-se pela sala naquele momento – Mas percebesse que isto foi gravado na rua, né? Parece que isto foi gravado por um rapaz de doze anos que estava a passar por aquele lado da rua e que ouviu o som desta guitarra. Pelo que parece, esse rapaz está a começar a aprender a tocar e achou que a pessoa que tocou isto tocava muito bem, e por sorte tinha um gravador de áudio na mochila. Parece que era por causa de uma peça de teatro, não entendi muito bem. Mas o que interessa é que esse mesmo rapaz tinha visto um folheto do qual falava sobre o casting que estávamos a fazer, e por isso decidiu deixar o áudio na secretaria.

Naquele momento estava a pensar noutras coisas. No passado… Eu tinha tanta vergonha de como nos separamos. Bem, a pessoa que tocou neste áudio era alguém que eu conheci na secundária, alguém que eu tinha chegado a namorar, a compartir tudo, ou, pelo menos, quase tudo. Mas eu tinha feito um pequeno erro, que fez com que tudo isso terminasse de um momento para o outro.

A nossa história era bem simples. Tínhamo-nos conhecido aos catorze anos, quando entrei na banda que ele, o Syaoran, e os seus amigos tinham criado. Como eles apenas tocavam instrumentos, estavam à procura de um vocalista. Eu tinha o sonho, deste pequena, de cantar ao vivo, para as pessoas, e isso foi uma oportunidade que apareceu nos meus anos escolares. Nada profissional, apenas feito por pré-adolescentes, mas era verdade que aqueles foram anos maravilhosos…

Acabei por namorar um dos integrantes da banda, o Syaoran, poucos mais do que oito messes depois de me juntar à banda. Nesta altura já tínhamos quinze anos. E um amor que tinha começado muito tímido, tinha evoluído para algo duradouro e maturo, mas não maturo o suficiente para aguentar o que nos separou.

Lembro-me bem desse dia, como poderia esquece-lo? Tínhamos saído no dia de Natal, como banda, festejando um concerto que tínhamos realizado no dia anterior, em que tínhamos conseguido reunir mil pessoas. Esse número era algo raro para uma banda tão desconhecida como a nossa. Lembro-me que não durou muito para que todos, menos eu, é claro, estivessem "a cair de bêbados".

O Syaoran estava muito animado naquele dia, e numa das vezes em que eu tentei ajudá-lo a manter-se em pé, do nada agarrou-me, empurrando-me contra um dos sofás que existiam naquela sala de karaoke, que tínhamos alugado durante três horas para festejarmos. Lembro-me dele estar a beijar-me, descendo os seus beijos até ao meu umbigo. E, pensando que ele queria fazê-lo, comecei a chorar inconscientemente, empurrando-o com todas as minhas forças. Lembro-me perfeitamente como ele caiu em cima da mesa, que se encontrava no centro da sala, após eu ter conseguido retira-lo de cima de mim, no momento em que ele tinha baixado a guarda. Lágrimas ainda caiam pelos meus olhos. Lembro-me, ainda, como ele recobrou a consciência. Olhou para mim, ainda zonzo, mas os seus olhos abriram-se com rapidez. Olhei para o meu peito, percebendo que a minha camisa estava toda desabotoada, à excepção do último botão, e apenas um dos lados do meu casado permanecia nos meus braços. Solucei, tapando-me com o meu casaco, antes de sair da sala, indo em direcção à casa de banho existente naquele karaoke. Quando vi a minha reflexão no espelho apeteceu-me chorar ainda mais. O meu cabelo estava despenteado, com fios de cabelos no ar, e o meu rosto estava todo molhado pelas lágrimas que ainda caiam. Mas as lágrimas não eram de dor… Era porque no momento em que tudo aconteceu eu apenas podia pensar que eu não queria que a nossa primeira vez fosse com o Syaoran naquele estando. Algo que eu tinha sonhado tanto não poderia ser realizado daquela forma. E as lágrimas saíram involuntariamente, sem poder para-las.

E deste esse dia nós nunca mais fomos os mesmos.

O Syaoran começou a evitar-me, e eu não tive coragem de falar com ele, pensando que estaria desapontado comigo por eu não o ter deixado faze-lo naquele dia.

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Não, eu não quero recordar nada desses dias! O que importava era que o tinha reencontrado.

Mas pensei: talvez ele não quisesse nada comigo… Para quê estar tão empolgada por reencontrar alguém, se o mais provável era que esse alguém nem sequer quereria reencontrar-se comigo?

Eu não podia fugir do meu passado para sempre… Tinha que ganhar coragem e falar com ele, fazer-lhe perguntar, explicar-lhe coisas… Eu precisava voltar a vê-lo.

-. Onde está? – gritei, de repente, saindo dos meus pensamentos – Quando vamos encontrá-lo? – perguntei.

-. Estás a falar do rapaz que descobriu esta jóia? – a minha agente perguntou.

-. Rapaz? Que rapaz estás a falar? – perguntei, confusa.

-. O rapaz que gravou este áudio e que vez um enorme favor a este guitarrista ao entregar a cassete à nossa produtora. – disse, olhando para mim de forma interrogativa.

-. Ah, claro. – disse, como se tivesse prestado atenção a tudo o que a minha agente tinha dito até àquele momento – Então quando iremos encontrá-lo?

-. O pessoal da secretária já contactou os seus pais. Ele estará nas instalações após a sua escola terminar, por isso às 4 da tarde já devemos estar reunidas com ele. – concluiu – Mas tens a certeza absoluta que estás de acordo com este guitarrista? Ao contrário dos restantes candidatos, não temos nenhuma fotografia o sujeito. E até poderia ser alguma traquinice do rapaz que entregou o áudio, tentando enganar-nos.

-. Não, porque ele faria algo assim? – aos olhos da minha agente eu estava a defender o rapaz, mas na realidade eu sabia que esse guitarrista existia. Tinha 99% de certeza. Só poderia ser ele.

-. Como queiras. Mas estranha-me que na escolha anterior estavas contra pois dizias que ele não cumpria horários. Quem te garante que este não fará o mesmo, ou algo ainda pior? – perguntou.

-. Tens que dar uma oportunidade às pessoas. – respondi, sorrindo. Era algo que não estava costumada a fazer, apenas para fotografias de publicidade ou de photobooks.

-. Olha quem fala. – disse ironicamente, levantando a sobrancelha.

Encontrava-me numa sala com dimensões bastante grandes, quase como o tamanho de uma casa T3. Estava sentada num sofá de pele, preto, e um rapazinho de doce anos olhava para mim, com admiração. Olhei para a capa que cobria a sua guitarra. Essa tinha sido a primeira coisa que captara a minha atenção. Lembrava-me dos velhos tempos, em que o Syaoran levava a guitarra para todo o lado. Admirei-me ao perceber que não via esse tipo de coisas à bastante tempo, deste a última vez que o tinha visto.

-. Eu já estive no teu lugar. – comecei a disser, tentando fazer com o que o rapaz sentisse-se menos tímido pela minha presença – Eu já fiz parte de uma banda, e nós tínhamos um guitarrista. – os seus olhos brilharam, dando-me toda a sua atenção.

-. A sério? – perguntou, com alegria no olhar.

-. Claro! – disse, sorrindo – Verás que no futuro serás um guitarrista famoso. O único que terás que fazer para o alcançar é continuar a praticar. Nunca te esqueças disso.

-. Sim! – afirmou com a cabeça – Farei o meu melhor! – disse, com convicção.

Não pude continuar a conversa, pois a minha agente entrou na sala naquele exacto momento, para depois sentar-se ao meu lado no sofá, frente ao rapaz.

Começou por fazer algumas perguntas sobre como tinha encontrado o indivíduo.

-. Eu estava a caminho de casa e pensei passar pela loja de música que existe perto do centro da cidade. E foi aí que ouvi essa guitarra. Era um homem novo, mas não sei dizer a idade ao certo, talvez uns 23 anos, no máximo. – disse – Pensei que ele tocava muito bem, e lembrei-me do casting que estavam a fazer, por isso gravei o som. Nunca imaginei que ele pudesse ser escolhido.

-. Mas sabes se ele costuma estar nesse lugar habitualmente? – perguntei.

-. Não tenho a certeza, já que eu não costumo passar por aquela rua. – respondeu, pensativo – Mas eu irei procurá-lo, já que isto é uma oportunidade única.

-. Procurar? – perguntei – Quando? Posso acompanhar-te? – o meu batimento cardíaco aumentava a uma velocidade alucinante.

-. Procurar? – perguntou a minha agente, virando-se para mim – Estás louca? Não podes simplesmente andar em busca de um guitarrista pelas ruas. Tens que pensar na tua carreira, tens coisas mais importantes pelas quais deverias preocupar-te do que andar à procura de um guitarrista. – exclamou. Desta vez virou-se para o rapaz – Quando voltares a vê-lo diz-lhe que se quiser aceitar a proposta de trabalho da nossa produtora, basta ir à nossa sede, disser quem é na secretaria, que logo iremos ao seu encontro. – o rapaz acenou afirmativamente com a cabeça.

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Após terminarmos a conversa saímos da sede da produtora.

A minha agente queria levar-me para casa mas eu disse-lhe iria sozinha. Eu queria ir ter com o rapaz, caso o conseguisse apanhar no caminho, para poder procurar pelo Syaoran juntamente com o rapaz. Eu estava desejosa de o reencontrar e nada poderia parar deter-me.

-. Não, não! – disse, negando com a cabeça – Sabes que é perigoso saíres sozinha.

-. Mas… - tentei arranjar uma desculpa – Por favor… - nada veio à minha mente.

-. Vamos, eu vou levar-te a casa. – disse, guiando-me até ao seu carro, que estava estacionado perto da porta principal.

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(Syaoran)

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Naquele momento estava a passar o seu videoclip. Fechei os olhos. Assim poderia fingir que ela estava ali, ao meu lado, cantando apenas para mim. Comecei a tocar, tentando acompanhar o ritmo da música. Sentado, em cima de um banco, tinha no meu lado esquerdo duas colunas que estavam ligadas à minha guitarra. O dono daquela loja de música tinha ficado interessado na enorme mala que carregava às minhas gostas, no dia em que me viu à porta da sua loja, olhando para o cartaz da Sakura. É fã dela?, tinha perguntado. E eu apenas tinha acenado afirmativamente como resposta. Então, pediu-me para tocar para ele. Eu fiquei intrigado pelo seu pedido, mas aceitei, pedindo-lhe umas colunas, já que eu raramente utilizava uma viola.

E acabei por ficar empregado. O meu trabalho era atrair clientes de uma forma original, utilizando a música. Muitas vezes costumava apenas acompanhar as músicas que tocavam pelas colunas que estavam instaladas na parte de fora da loja, mas nas outras vezes tentava improvisar. Era apenas o meu quarto dia, mas estava a adorar. Tinha saudades de tocar para outras pessoas além de mim mesmo. E isso tinha feito renascer o meu amor pela música. Já estava até a pensar em enviar algumas cassetes demo para produtoras de música, e assim poderia ter a sorte de ser chamado à sede de alguma delas.

-. Ah! – ouvi um grito e de imediato parei de tocar. Olhei na direcção de onde eu tinha pensado ouvi-lo e reparei um rapaz que me observava intensamente. Sorri ao ver o que ele carregava às costas. Fiz um gesto com uma das minhas mãos para que ele se aproximasse. Ele parou ao meu lado.

-. Experimenta. – disse, retirando a guitarra, passando-a a ele. Este pareceu ficar aflito.

-. Eu comecei à muito pouco tempo. Eu não sei… - ouviu-se um múltiplo "toca, toca, toca". Haviam algumas pessoas ao nosso redor, que esperavam ouvir algo mais daquela guitarra.

-. Tens sempre que obedecer aos ouvintes. – disse – Agora, toca.

Ele começou a tocar, meio atrapalhado, como se tivesse esquecido de como se faz. As notas iam aparecendo, lentamente.

-. Eu ajudo-te. – disse, pegando na sua mão, tentando ajudá-lo na rapidez e nos lugares correcto onde deveria tocar. Quando terminámos os aplausos chegaram. Diria que poderiam ouvi-los até na esquina mais afastada da rua.

Mais tarde, durante a minha pausa, esse rapaz explicou-me o porquê de estar ali. Disse que, sem más intenções, tinha gravado uma música que eu tinha tocado à dois dias atrás e enviado a uma produtora que estava a organizar um casting para seleccionar um guitarrista. Explicou-me, ainda, que eles já tinham dado uma resposta afirmativa e que ele estava à minha procura para explicarmo-lo, e assim, poder ir à produtora, em carne e osso, como o guitarrista que tinham ouvido na cassete.

Não podia acreditar. A minha sorte deveria estar no máximo! Pedi para que ele esperasse, enquanto ia falar com o dono da loja de música, para explicar o que tinha acontecido.

Antes de sair ele desejou-me a melhor sorte do mundo e disse-me que queria ver-me o mais rapidamente possível num videoclip, sendo que a minha música estivesse em número um, e ele pudesse ter orgulho de que aquele guitarrista com sucesso já tivesse sido seu empregado durante algum tempo.

Agradeci.

Quando chegamos à tal produtora o meu coração pareceu ter ficado preso na minha boca. Engoli. Estava nervoso pois aquilo era um grande passo para mim. Talvez eu pudesse tornar-me em "algo grande", importante.

Dei os primeiros passos, mas parei segundos depois. Alguém corria pela enorme entrada. E outra pessoa seguia-a. Fiquei confuso, mas reparei que o rapaz, que continuava ao meu lado, acenava para as duas pessoas que corriam.

E elas pararam no mesmo momento em que o meu coração parou.

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CONTINUA

Seria pedir muito por um review vosso? Uma frase bastaria e me faria imensamente feliz.

A 2ª parte está a ser escrita, e estará aqui, no domingo, dia 12.

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Sobre os locais descritos: A única coisa que me faz preferir um manga a um livro é a ilustração dos espaços onde os personagens se encontram. Todos sabemos que o autor e o leitor não têm a mesma ideia do espaço que estão a escrever/ler. Por mais que eu tente descrever todos os pormenores eu deixo sempre escapar alguns (e também deve ser cansativo para o leitor andar sempre a ler descrições, por que se fosse por mim, no inicio de cada PoV, ou alteração de espaça/ambiente que os personagens ocupam, teria que escrever uma breve descrição do lugar onde eles agora estavam, tentado que essa descrição fosse o mais fiel possível ao que imagino. Por isso decidi experimentar uma coisa. Fazer um plano de um dos lugares que utilizo neste drab (neste caso é a casa da Sakura). Têm aqui o site (tirem os espaços):

http: / / img267. / img267 / 593 / casadasakuradrab3738. png

Se pudessem eu gostaria de saber se vocês imaginavam o quarto dela assim (é certo que no drab 38 eu ponho mais descrições do seu quarto do que no drab 37).

Sobre a 2ª parte desta história: No momento em que estou a escrever isto eu ainda não terminei de escrever a segunda parte, mas já tenho praticamente toda a história já criada (na minha mente, é claro), só o final é que ainda está um pouco "nublado".

Tenho que disser que eu estou a gostar muito mais de escrever a 2ª parte (embora eu também escrevi a 1ª parte com muita rapidez, a história foi fluindo naturalmente), e claro que eu prefiro a 2ª parte porque é onde acontece o "clímax" da história, em que a Sakura e o Syaoran se confrontam, etc, etc. Mas o que me fez preferir a 2ª parte não foi só isso, mas também as cenas que escrevi. Vocês podem não gostar, eu compreendo, podem sentir que falta algo, e eu também sei que eu não consigo copiar perfeitamente o que me vem à mente, mas na altura em que estava a imaginar essa parte da história, um monte de sentimentos vieram à deriva. O facto é que imaginar é muito melhor do que escrever, e eu adorei a história da maneira em que a imaginei. Por exemplo (spoiler da 2ª parte), a Sakura chora e grita várias vezes em duas situações diferentes,a tal ponto de eu chegar a imagina-la a arrancar os cabelos pelo stress e desespero que quero que ela sinta. Sim, de certeza que a Sakura é a personagem mais sentimental na 2ª parte (na 1ª parte podem pensar que esse personagem é o Syaoran). Claro que na 2ª parte o Syaoran continua a ter os seus momentos de reflexão. Por acaso eu acho que ele têm mais momentos de reflexão, do que falas durante toda esta drab. xD (OMG, eu não devia estar a rir disto… Existem pessoas que realmente passam, e suportam, este tipo de dor diariamente).

Sobre o título da história: Lol, acho que isto só deveria estar no drab 36, pois o seu título não fazia sentido nenhum. xD Mas "O nosso Som" veio-me à mente depois de imaginar uma cena que poderá ser a cena final deste drab (deixei as coisas muito obvias, não?). Os títulos das histórias costumam ser (para mim) a coisa mais difícil de "criar" (isso e também os nomes dos personagens secundários. Por que imaginam que eu não dei um nome nem à agente da Sakura e nem ao rapaz que grava a cassete? Claro que na 2ª parte a agente já tem um nome. xD Mas de momento ele ainda está em branco… Estive à procura de nomes japoneses em mangas, mas ainda não encontrei nada que me agradasse…).

Influências: Aoki Kotomi! xD (Para quem não sabe é o nome de uma mangaká) Quando tive a ideia da trama principal desta história (nesse momento estava a ouvir "MBLAQ – If You Come Into My Heart")percebi que fazia-me lembrar a sua one-shot "Aishikata mo Wakarazuni", porque tem uma trama muito parecida. E a parte da música faz-me lembrar o seu actual manga "Kanojo wa Uso wo Aishisugiteru", porque fala sobre música e tudo o que a envolve (produtoras, cantores, etc…). Lol, por isso este tipo de história é "muito à" (típico de) Aoki Kotomi.

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A minha playlist para este Drab foi…

1. MBLAQ – If You Come Into My Heart

2. The Black Skirts feat. Kebee – n/d

3. F.T Island – Love Love Love

4. 4Men – U

5. 4Men – Say I Love You

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Resposta aos Reviews…

Musette Fujiwara: Olá! :)

Muito obrigado pelo teu review! Reparaste que desta vez estás sozinha! xD

Bem, eu vou mesmo continuar com a 2ª parte, por isso irei continuar, pelo menos até à drab 38… (mas como estou a voltar a ganhar o gosto pela criação de histórias eu acho que devo continuar, pelo menos até eu achar que devo continuar).

Mais uma vez, obrigado pelo teu apoio.

Ah! E espero que gostes desta história.

Beijos.

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Notas da Autora: Em duas horas e meia consegui escrever 6 paginas… Uau… Mas não me lembro se ultrapassei algum record antigo! xD Acho que não tenho muito mais que disser, sem ser que este drab foi muito mais fácil de escrever que o drab 36, e que estou muito contente com esta história, como já expliquei antes, pela forma pela qual imaginei. Pena não poder compartilha-la convosco, mas vou tentar fazer a melhor adaptação possível, para a escrita, daquilo que imaginei…

Até à próxima…

Ying-Fa Kinomoto Lee