Capítulo 37
Ouro, prata e bronze.
Gina mal podia conter os olhos castanhos enquanto observava algumas joias em uma das lojas do Beco Diagonal. Seu coração ainda se enchia de tristeza todas as vezes que caminhava por ali, por isso, ver um novo comércio surgir lhe transbordava de esperanças de que, talvez um dia, o mundo bruxo conseguisse se reerguer e toda aquela guerra maldita não passasse de apenas um pesadelo.
Odiava até passar na frente da loja dos gêmeos. Mesmo que algum tempo já houvesse passado desde a morte de Fred, não conseguia nem olhar para Jorge. Era sempre uma memória viva do irmão e a parte que mais doía era vê-lo sempre triste, sem nenhuma piada pronta, andando pela Toca como se fosse um fantasma. Perguntava-se onde andaria Angelina, que há tempos protagonizara um romance com o ruivo e agora aparentemente havia sumido do mapa.
Sabia que seria bom que alguém conversasse com Jorge, mas não tinha a menor capacidade de efetuar esta tarefa. Assim como não sabia o que fazer com a carta que recebera do ministério pela manhã, solicitando que comparecesse para regularizar sua situação. O que, em seu íntimo, achava bem parecido com uma piada. Comensais se reunindo, mas tudo que era importante era esclarecer a porcaria do feitiço que matou Bellatrix Lestrange. Como se Fudge, Umbridge e até mesmo o próprio ministro, Kingsley Shacklebolt, não fizessem o mesmo, caso ocorresse a oportunidade.
E pensar em sua situação no ministério lhe fazia lembrar de Hogwarts e sobre como não fazia a menor ideia do que teria de fazer. Retornaria e cursaria o tempo que lhe faltava? Será que seria mesmo necessário, ou a batalha de Hogwarts serviria como trabalho de conclusão de curso?
E, talvez, por tantos assuntos sem uma resposta, Gina estivesse há mais de meia hora observando a vitrine de uma joalheria sendo que não possuía mais de cinco galeões no bolso de seu casaco bege de casimira. Na verdade, seu olhar parecia atravessar todos aqueles objetos valiosos e ir muito, muito além do que se podia imaginar.
- Ei.
Quando ouviu a voz de Draco lhe chamando, chegou até a sacudir a cabeça em um gesto involuntário para tentar fazer esvair seus pensamentos. Os olhos chocolate se fixaram no Malfoy, que estava especialmente engraçado usando uma calça jeans. Era como ver um macaco de vestido e Gina teve de se esforçar para não rir.
- Oi.
Colocou-se na ponta dos pés e deu um beijinho desajeitado nos lábios de Draco, que, notando agora, já aparentava ter recuperado algum peso desde a batalha de Hogwarts. Talvez fosse pela suave saliência nas bochechas pálidas ou pelo modo como seus braços pareciam mais firmes durante os abraços, não dava para saber ao certo. Mas também quis rir ao perceber que o Malfoy havia ganho alguns quilinhos após todo aquele furacão, pois só de imaginar o quão rápido ele se inscreveria em uma academia quando notasse tinha vontade de gargalhar. Entretanto, conteve-se e tentou lembrar-se do motivo daquele encontro.
A coruja! Sim, aquela coruja imensa e marrom que invadira sua janela pela manhã com um bilhete preocupante. Foi aquilo, afinal, que lhe fez cancelar os planos de ficar em casa e se entupir de doce de abóbora. Seu olhar recaiu sobre a mão de Draco, que segurava uma Firebolt e chamava a tenção de metade do Beco Diagonal para si. Os dedos de Gina passearam por seu cabelo ruivo enquanto coçava a cabeça, meio sem jeito de questionar o que ele estava fazendo ali com aquela vassoura.
- Fiquei surpresa com sua coruja. Foi meio difícil sair escondida, mas fiquei meio preocupada. Está tudo bem?
- Sim e não.
A resposta veio prontamente, junto com um olhar preocupado que Draco parecia direcionar para todos os lugares. Por um instante, Gina acompanhou sua observação e acabou encarando uma senhora que varria o chão em frente a uma loja de doces. Sem conseguir perceber o perigo daquela situação, virou-se para o Malfoy como se ele estivesse tornando-se esquizofrênico.
- Não sei se estou entendendo.
Num movimento rápido, Draco segurou-a pelo pulso e começou a caminhar com certa urgência, puxando Gina para que colocasse as pernas para trabalhar. Ainda meio sem entender, apenas ficou parada, sentindo o Malfoy lhe puxar enquanto seguia com aquela cara de quem não está entendendo nada do que está acontecendo.
- Vem comigo.
Draco insistiu passando certa urgência para Gina, que prontamente colocou-se a caminhar. Os dois foram passando de forma meio desajeitada entre as pessoas do Beco, subindo em direção a uma das pequenas vielas desertas. Foi quando o Malfoy largou sua mão e se preparou para montar na vassoura. Automaticamente as mãos da ruiva foram parar na cintura, já um pouco desconfortável com aquele mistério todo.
- Onde estamos indo?
Aquele definitivamente não era o melhor momento para iniciarem uma conversa. Toda a energia de Draco estava focada em sair dali o quanto antes e começar a explicar tudo para Gina seria apenas um atraso irrelevante. Era bem melhor que se apressassem do que perder tempo com alguma possível discussão em que pudessem entrar. Por isso, decidiu apelar.
- Confie em mim.
Esse pedido realmente não era dos mais difíceis de atender, mas definitivamente sentia-se desconfortável em subir na vassoura usando uma saia de lã, ainda que estivesse de meia calça, ficava extremamente incomodada de seguir com aquele tipo de transporte e, talvez por isso, tenha optado por sentar-se na frente do Malfoy e de lado, passando os braços em volta do pescoço do garoto que, assim que notou que Gina estava devidamente acomodada, levantou voo.
Como não era exatamente um hábito que bruxos saíssem por aí voando de vassoura, Gina deduziu que não iriam muito longe e por isso tranquilizou-se a princípio. Doce engano. Muito tempo se passou enquanto estavam voando numa velocidade alucinante e ela praguejou em pensamento durante metade do percurso, desejando que tivesse sido avisada, pois teria se vestido de forma apropriada e estaria confortável em sua própria vassoura.
Não que voar abraçada a Draco não fosse bom, pelo contrário, era muito agradável sentir o cheiro dele e o calor dos braços ao redor de seu corpo. Mas era muito ruim a dor que sentia no traseiro pela posição lateral e também o vento que chegava a sacudir sua saia e fazia o tecido subir de maneira teimosa até bem acima da metade de suas coxas. Pior era que, pelo modo que o Malfoy sempre baixava o olhar, podia dizer que na certa ele já havia percebido.
E, ao menos por um instante, sentiu-se bem. Suas bochechas ficaram mais rosadas pelo constrangimento e ela pôde permitir-se ser apenas uma garota com o seu promissor pretendente a namorado. Não houve Voldemort, comensais, Harry Potter, grifinória ou sonserina que pudessem tirar de sua mente o breve e suave encanto que era aquele sentimento de simplesmente ser só uma menina. Como as coisas deveriam ser, ela supunha.
Ficou imersa em seus pensamentos contemplando a paisagem até que começou a reconhecer o vilarejo de Hogsmeade se aproximando. Estreitou um pouco os olhos e voltou sua atenção para Draco, que permanecera estranhamente quieto durante todo o caminho. Mesmo morrendo de vontade de perguntar por que diabos não simplesmente aparataram, Gina se conteve e decidiu não começar a contestar ainda.
Assim que Draco foi baixando em direção ao chão, ela notou que estavam terrivelmente próximos da Casa dos Gritos. E, assim que ele parou, bem de frente para o imóvel, ela desejou que o Malfoy apenas quisesse fazer um piquenique do lado de fora, pois realmente odiava aquele lugar. Assim que desceu da vassoura, abraçou o próprio corpo devido ao vento frio e ficou parada, estática, de frente para a porta.
- Eu odeio esse lugar.
- Quero conhecer alguém que não odeie.
Após deixar a vassoura no chão, Draco contornou-lhe os ombros com um dos braços de forma carinhosa, como se já estivesse um pouco mais tranquilo de estar longe de Londres. Não era um local exatamente romântico, então por mais que estivesse aconchegante no abraço, Gina queria mesmo muito simplesmente sair de lá e aparatar em sua casa.
- Pensava que você tinha medo daqui.
Comentou de forma despretensiosa, ainda meio sem entender por que diabos Draco havia ido para lá. Os olhos cinzentos dele voltaram-se sem muito entusiasmo em sua direção, já bem imaginando de onde viria aquela informação. Não que houvesse esquecido que Gina era irmã do detestável Weasley e amiga do Potter e da Granger, mas ainda lhe dava uma pontinha de ciúmes quando ela mencionava algumas coisas que remetiam a conversas ou aventuras com o testa rachada.
- Potter disse que eu tinha, certo?
Questionou sem deixar transparecer o breve incomodo pela lembrança. Num gesto singelo, Gina assentiu suavemente, como se a lembrança fosse muito nublada em suas memórias. Então suspirou e começou a caminhar com ela na direção da casa, ainda escolhendo as palavras para poder se explicar. Sentia-se como um tolo tendo que dar sempre sua versão para fatos antigos, mas, de qualquer forma, não conseguia deixar de fazer.
- Nem me lembro mais em qual ano letivo que aconteceu aquilo, mas acho que foi durante o terceiro...
Enquanto caminhavam, Draco gesticulou e, conforme se aproximavam da casa, podia notar como o tempo tornava-a ainda mais deteriorada e, por um instante, teve medo de entrar lá e aquele monte de madeira podre ceder sobre sua cabeça. Então deu um leve empurrão na porta usando apenas a ponta do sapato e ela se abriu fazendo um enorme rangido digno de um filme de terror.
- Enfim, depois de ver e fazer tanta coisa, isso aqui não parece mais do que uma casa vazia.
Foram entrando como se fosse a coisa mais natural do mundo. Com outro empurrão com o pé, fechou a porta de madeira e quase que instantaneamente, o frio passou. Gina abriu os botões do casaco, puxou sua varinha que estava presa dentro da cintura da saia e murmurou o feitiço para iluminar a ponta. Estendeu o braço e ficou observando horrorizada todas as teias de aranha e as possíveis fezes de rato que havia por ali.
- E precisamos mesmo conversar aqui? Esse lugar me dá arrepios.
As mãos de Draco seguraram o quadril da ruiva com firmeza e se aproximou dela de forma lenta e suave, aproximando o rosto do pescoço escondido pelos fios rubros e deslizando vagarosamente os lábios pela linha do ombro até a altura do maxilar, enquanto Gina sentia um arrepio percorrer por sua espinha. Baixou a mão que segurava a varinha quase instintivamente e fechou os olhos só por um segundo, enquanto sentia a respiração do loiro.
- Eu gosto que tenha arrepios...
O sussurro do Malfoy veio bem rente ao ouvido de Gina, que sorriu travessa e virou-se de frente para ele, praticamente cegando-o com a luz de sua varinha, o que foi mais que suficiente para que Draco recuasse ao menos dois passos, tampando os olhos com uma das mãos. A mensagem de que aquele não era o local mais adequado do mundo para um momento de romance fora recebida com sucesso.
- ...E também não queria ninguém ouvindo nossa conversa.
Completou seu raciocínio diante do gesto de Gina. A Weasley ainda olhava ao redor procurando um batente ou degrau que não parecesse cena de um assassinato, mas aparentemente nada ali passaria impune por uma inspeção da vigilância sanitária e não estava exatamente com vontade de conjurar alguma coisa.
- O que há de tão misterioso para me contar?
Perguntou virando-se de frente para o rapaz, pensando que, se o rumo daquela conversa fosse bom, talvez conseguisse convencê-lo a dar uma passadinha no Três Vassouras. Draco era sempre incrivelmente reservado e odiava muito sair por aí para que as pessoas ficassem lhe encarando, especialmente após a guerra. Também havia o agravante de que os dois não poderiam ser vistos jamais, em hipótese alguma, mas agora, com ele fazendo parte da Ordem (mesmo que provisoriamente), Gina acreditava que não haveriam mais motivos que os impedisse (visto que Narcisa Malfoy não parecia ter tantos contatos espalhados por ai).
- Eu acho que tenho uma oportunidade bem interessante em minhas mãos.
Disse encarando Gina com um sútil ar de entusiasmo. Os braços dela se cruzaram quase que automaticamente enquanto imaginava que tipo de maluquice viria da boca daquele Malfoy. E, agora, somente por aquele olhar de quem está aprontando alguma coisa, já pôde prever que seu passeio no Três Vassoura nem bem fora sugerido e já estava fadado a não acontecer.
- Do que está falando, Draco? Pare com os rodeios, sabe que não tenho a menor paciência para isso.
Draco puxou ar suficiente para encher seus pulmões e pensou que era mesmo melhor começar a falar antes que Gina apagasse a luz da varinha para lhe soltar um nada discreto raio verde fluorescente. Era bem engraçado ver como ela era impaciente, mas não estava disposto a prolongar muito aquele momento de tensão. Como possuía muitas informações, mal soube por onde começar, mas iniciou da mesma forma.
- Um dos comensais esteve na mansão ontem à tarde e deixou uma espécie de intimação comigo. Parece que Pansy Parkinson agora é a autoproclamada herdeira de Salazar, fala com cobras e merdas do tipo...
- Ela o quê?
Quando Draco começou a falar, Gina desviou a mente para a história da mansão Malfoy e em como deveria ser horrível morar lá. Pensou sobre a frieza do local e em como aquele garoto ficava extremamente arrogante chamando o local de "mansão", entretanto, ao ouvir o nome de Pansy, foi abruptamente puxada de volta à Casa dos Gritos e quando veio a informação sobre a língua das cobras, foi o estopim.
Quer dizer, como diabos aquela menina sonsa aprendera aquilo? Que lhe constasse, as pessoas simplesmente nasciam com aquela habilidade, não era algo didático. Mal pôde evitar que seu queixo caísse e Draco lhe encarou com um olhar genuíno de felicidade de quem finalmente se sente compreendido.
- Exatamente! Essa foi minha reação, especialmente por se tratar da Parkinson. Ela era a piada da família por odiar cobras.
Mesmo com todas as informações, Gina ainda estava meio confusa por Draco saber de tudo aquilo. Ficou pensando se ele ainda mantinha algum contato com comensais ou o que quer que fosse, mas decidiu não levar o pensamento por este caminho e achou de bom tom questionar antes de tirar conclusões precipitadas. Além disso, também seria bom saber se a fonte é confiável.
- Como sabe de tudo isso?
Mais do que depressa Draco tirou do bolso um pergaminho enrolado e sacudiu no ar com um sorriso vitorioso, como se houvesse acabado de tirar um ás da manga. Entregou nas mãos de Gina, que não tardou em desenrolar tudo de forma desajeitada, deixando cair a fitinha que estava envolvendo o rolo. Ao ver a letra bem desenhada e o carimbo verde no rodapé, seu estômago embrulhou.
- Está no meu convite. Ela acha que tem poder suficiente para convocar os comensais e eu sou a bola da vez.
Gina leu com calma todas as informações do convite com a costumeira prepotência da Parkinson. Avaliou o local de encontro e todas as demais informações mais de uma vez, meio incerta do que estava lendo, mas ficou um pouco incomodada ao constatar que aquilo que Draco havia relatado era tudo certificado pela própria Pansy. A menos, é claro, que ela estivesse inventando uma bela história somente para se gabar, o que não era lá uma hipótese muito improvável. Então enrolou novamente o pergaminho e devolveu para o Malfoy.
- Certo.
Silêncio. O olhar de Draco foi tomando um certo aspecto de desapontamento que somente crescia, acompanhando o silêncio que ia se estabelecendo. Gina, meio sem entender, olhou diversas vezes do Malfoy para o pergaminho, tentando identificar o que havia feito de errado. Foi quando a mão do Malfoy se fechou de repente, amassando o convite de forma abrupta.
- "Certo", Ginevra? É o que tem a me dizer?
Uma risada saiu pelos lábios de Gina, que ergueu os braços, como se não fizesse ideia do que dizer. Draco, por outro lado, só faltou explodir. Estava tão empolgado em finalmente descobrir alguma coisa útil (que pudesse acabar com os malditos comensais e acelerar seu desligamento daquela porcaria de Ordem) e era daquela forma simplória e completamente desmotivadora que a maldita Weasley sardenta respondia.
- Ué, o que quer que eu diga? Você não vai, então nem sei para que...
Foi só no meio da frase que a ficha de Gina caiu. Sua voz morreu, sem chegar a completar a sentença e seus olhos chocolate viraram-se para Draco com tanto susto que ele pensou que talvez pulassem para fora da cabeça. As mãos da ruiva correram para tapar a boca e ela caminhou com uma agilidade invejável para perto do Malfoy.
- Oh meu Merlin, você vai?!
- Acho que seria interessante se tivéssemos conhecimento das pretensões dela. Nos daria uma dianteira para acabar logo com isso.
Nenhuma dianteira parecia ser suficiente para colocar Draco bem no meio dos comensais novamente. Mal pôde conter os lábios de se apertarem até formar uma linha reta. Não gostava daquilo, nem mesmo um pouco, pois não confiava em comensais nem para tratar de seus iguais. Voldemort sempre fora endeusado por eles e, pelo que a Weasley se lembrava, o lorde era o primeiro a aumentar as perdas do próprio lado da guerra quando estava de mau humor ou somente entediado.
- Não sei, Draco.
O Malfoy pareceu desapontado com a resposta de Gina e ela procurou a melhor forma de lhe explicar que a desconfiança não era direcionada a ele, mas sim a todos os envolvidos. Até por que, como ele mesmo havia dito, sua mãe já demonstrara desinteresse anteriormente, não havia uma razão provável para tamanha insistência.
- Não sei, deve haver algum motivo para te chamarem agora. Você disse que sua mãe já os dispensou antes.
Aquilo era uma baita verdade e Draco não podia negar que também estava desconfiado, mas de certa forma, não lhe soava tão estranho. Pansy precisava de recrutas, e faria qualquer coisa para conseguir mais gente. Fora que ela devia achar que se lhe mostrasse um pouco as pernas, talvez voltasse a fazer parte do grupo. Entretanto não queria mencionar essa parte a Gina.
Primeiro por ser totalmente irrelevante, visto que mesmo em um universo onde a Weasley não existisse, Parkinson jamais lhe atrairia de volta. Só de pensar no modo irritante da garota já sentia calafrios. Segundo que não estava exatamente com paciência para uma cena de ciúmes ou bico naquele momento e precisava convencê-la logo de que tudo ia dar certo.
Podia perfeitamente enganar Pansy sobre sua fidelidade e levar informações precisas e úteis para Gina, como já havia feito antes. Por Merlin, se havia funcionado com Voldemort, com certeza a Parkinson não seria um grande problema. Afinal de contas, o que ela poderia saber? Certamente que não havia comensais infiltrados na Ordem, certo? Não tem como dar errado, ele concluiu.
- Comensais são pessoas realmente insistentes, Gina, pode acreditar nisso.
- Oh, eu acredito. Se forem parecidos com você, são todos impossíveis.
Gina ficou de frente para Draco, que girou os olhos nas órbitas diante da ironia do comentário. Porém, por mais uma vez, a Weasley tentou soar mais razoável e se aproximou um pouco, sem se atrever a fazer uma demonstração de carinho, mas ainda assim deixando o Malfoy perceber a preocupação em seu olhar apertado.
- Mas qual o motivo disso? Pensei que seus milhões estivessem retidos, não há uma razão para quererem tanto que você se uma a eles que não seja por dinheiro, especialmente por seu pai não ser exatamente o comensal modelo...
Como o argumento dela era muito bom, Draco preferiu não bater de frente e tentou contornar a situação. Por mais perigoso que fosse, era uma chance que não poderia simplesmente jogar fora, talvez fosse a única saída para encerrar de uma vez por todas a insegurança e o medo no mundo bruxo, e quem sabe que caminhos isso poderia proporcionar para os dois? Talvez um mundo onde não precisassem voar até a Casa dos Gritos para conversar? Soava tentador.
- Gina, sabe o motivo de eu ter escolhido vir voando para cá?
Perguntou de forma mais abrupta, fazendo com que Gina lhe encarasse sem muita certeza do que dizer. Então respirou pesadamente e continuou seu raciocínio da melhor forma possível para que aquela conversa não terminasse em uma discussão. Até mesmo por que sabia o quanto a Weasley odiava que a vissem como uma garota indefesa.
- Porque não quero que o ministério saiba onde estamos. Afinal de contas, ainda falta um mês para que você faça dezessete anos e quem me garante que não há comensais lá prontos para vir atrás de você em um lugar como esse?
Dava para ver pelo semblante de Gina que ela estava procurando argumentos para rebater o que Draco estava dizendo. Então ele optou por ser um pouco mais ágil e continuou falando sem abrir margem para qualquer contestação que pudesse sair dos lábios da Weasley. Tinha medo de que, se ela começasse a falar, seu raciocínio fosse quebrado e acabasse tendo de dar a ela alguma razão.
- O fato é que a Parkinson reuniu um número relevante de babacas e a situação pode ficar preocupante. Preciso me certificar de que tudo isso não passa de boatos, do contrário, teremos um baita trabalho.
Já um pouco mais convencida, Gina apenas suspirou. Na verdade, estava começando a se cansar daquela conversa e não via a hora de poder voltar para casa. Por mais que gostasse de Draco, toda aquela insistência lhe cansava. Além disso, ele poderia ter razão. Tudo aquilo poderia ser apenas uma porção de boatos alimentados pela própria Pansy. Até por que parecia mesmo difícil que do dia para a noite ela subitamente houvesse aprendido a falar com cobras e se autoproclamado herdeira de Salazar. Quer dizer, quanta audácia era necessária para realizar tal feito?
- Não está querendo ir sozinho, está?
Para Draco aquilo significava que Gina estava entregando os pontos e desistindo de tentar fazê-lo mudar de ideia, o que era uma vitória e tanto. Era bem verdade que não gostava da ideia de ir sozinho, porém que outras opções ele dispunha? Levar um dos grifinórios estúpidos amigos da Weasley para o meio da bomba? Claro que não.
- Claro que estou. Quem mais iria comigo? Por favor, não diga que você quer ir.
Num gesto de descaso, Gina sacudiu a mão, como se estivesse descartando totalmente essa ideia, o que fez Draco respirar aliado. Nunca se sabia com qual parte a Weasley ia se apegar para tentar transformar sua ida num eterno inferno. Então, estava quase radiante de estar vencendo aquela discussão.
- Não, claro que não, eu sei que não teríamos a menor chance.
- Ótimo.
- Mas por que não leva Blaise com você?
Boa pergunta, Draco assumiu. Não que não houvesse pensado nisso, mas como Blaise havia se isolado em um apartamento para sumir do mundo bruxo por um tempo, acho que seria de um extremo mau gosto insistir que fosse acompanha-lo até Pansy. Se ela o havia esquecido, bom para o Zabini. Quanto menos envolvidos nessa história, melhor.
- Não acho que o Zabini esteja muito interessado em participar disso, ele está num momento de salvar a própria pele agora.
- Quando foi que ele não esteve?
Os dois trocaram um olhar. Não havia como contestar, era fato que, como todo sonserino (incluindo Draco), Blaise somente se preocupava com assuntos que lhe dissessem respeito. Independente do mundo estar acabando ou de quem morreria, o importante era apenas o que ele considerava. E justamente por saber disso é que Gina tinha certeza que o Malfoy gostava dela, do contrário, à essa altura, apenas teria recusado entrar para a Ordem e com certeza já teria lhe mandado para o inferno.
- De toda forma, Weasley, acho que será de estimável valor para nossos planos. Vou ver o covil da Parkinson e lhe trazer um belo relatório no final do dia.
Draco estava dando o assunto como encerrado, mas, mesmo assim, Gina ainda estava com a estranha sensação de que aquilo tinha tudo para dar errado. Como o Malfoy não era do tipo que acreditava em coisas como mau pressentimento e afins, apelou para os argumentos que tinha, como forma de uma última tentativa.
- Isso não pode ser uma armadilha?
Então Draco sorriu, passando o braço sobre o ombro de Gina e indicando que já era hora de voltarem. Começaram a caminhar na direção da porta, que o Malfoy novamente abriu com os pés. Nunca que um filho de Narcisa Malfoy iria apertar a mão naquela maçaneta e se expor ao tétano assim, de graça. Logo que ouviram o rangido e viram o lado de fora, o vento frio entrou, impiedoso.
- Há sempre essa possibilidade, mas é um risco a se correr. De toda forma, o único pescoço em jogo será o meu.
- É o que mais me importa.
A resposta de Gina saiu tão baixinha que Draco não conseguiu compreender sequer uma palavra. Então, enquanto subia na vassoura, olhou para a ruiva com um olhar desentendido, estendendo-lhe a mão logo em seguida, para que o acompanhasse. E logo a Weasley se lembrou do desconforto que era o passeio na vassoura e fez uma careta, aceitando de toda forma o auxílio para se acomodar à frente do Malfoy.
- O que você disse, Gina?
- Nada... Só... promete que vai voltar vivo?
Uma longa troca de olhares seguiu entre os dois, até que Draco desse um meio sorriso e passasse os dedos pelo pulso de Gina da maneira mais carinhosa que pôde. Por fim, respirou fundo e disse, como se tentasse encorajar não somente à Weasley, mas a si próprio também.
- Claro.
xxxxxxxxxxxxxxx
Oi pessoal, voltei.
TURUBOM?
Alguém sentiu saudades da fic? Pq a fic sentiu saudades de vocês hahahaha ficou me assombrando, assombrando, até me fazer voltar a escrever e, bem, aqui está ela.
Duvido muito que alguém ainda se lembre da Conluio, mas eu precisava termina-la para minha satisfação pessoal hahahaha espero que vocês me acompanhem. O ritmo não vai ser semanal, como costumava ser, mas prometo não desaparecer, serve?
Espero que gostem, espero vê-los de volta por aqui!
Beijos e até o próximo capítulo!
