Quando o Amor Espera
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Universo: U.A.
Autora: Johanna Lindsey
Adapitação: Tiva07
Gênero: Romance/Angst/Histórico
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Sinopse
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Konoha era uma velha fortaleza, que não fora projetada nem para ser confortável nem para receber hóspedes. No entanto, passou a ser o lar da delicada e bela Lady Sakura desde que ela fora separada do pai por intrigas da madrasta. Embora rústica, há seis anos Sakura não saía dali nem para visitar Haruno, sua cidade natal. Tampouco para ver o pai, que morava no castelo de Haruno com a nova esposa, Lady Kaory.
Estamos em 1776, na Inglaterra dos senhores feudais. Sakura, isolada do mundo, resolve acabar com sua solidão: aventura-se, sozinha, até Oto para assistir à justa. E o destino a faz conhecer o homem que irá modificar radicalmente sua vida: Sasuke Uchiha, o Lobo Negro.
Confiante nas boas relações com o rei, Sasuke Uchiha, mercenário de Sua Majestade, dirige-se a Haruno para pedir que ele interceda a seu favor: quer a mão de Sakura e as terras vizinhas à fortaleza de Konoha. As terras são confiscadas do jovem Sai Montigny e de seu pai, e Sakura é forçada a se casar.
CAPÍTULO 37
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A COLHEITA começara nas terras do domínio feudal de Oto, aquela porção de terra dedicada ao uso do senhor feudal, mas faltava a Oto um intendente para supervisionar o trabalho dos aldeões, e embora Sakura fosse capaz de fazer a supervisão, recordava-se da animosidade dos aldeões para com ela, e resolvera nem tentar. Todavia, indicou um intendente interino, o chefe da aldeia. Era uma escolha sem precedentes, mas lógica, pois os servos o ouviriam.
Tomara a decisão por conta própria, pois Sasuke estava ausente. Estivera fora as duas semanas desde que retornaram de Londres.
A sua ausência era apenas uma das coisas difíceis que Sakura sofrera desde a noite em que Guy de Brent recebera as suas vinte chicotadas. Sasuke partira direto, após o castigo, para o sítio de Warling, e não retornara desde então.
A fortaleza de Warling ficava a quase vinte e quatro quilômetros ao norte de Oto, uma distância grande. Sakura entendia que ele não podia vir para casa, mas sentia saudades. Às vezes, se pegava atenta ao som de cavalos se aproximando, e até chegou a pensar em ir até Warling, mas sabia que Sasuke não aprovaria.
A saudade de Sasuke tampouco era a única tristeza na sua vida. Havia a presença interminável de Lady Karin.
Certa noite, ao jantar, Sir Suigetsu foi chamado e teve que sair da mesa, o que deixou as mulheres com apenas uma cadeira vazia entre ambas.
Embora Sakura tivesse a intenção de ser cortês com Karin, não era fácil. A outra mulher positivamente irradiava auto-satisfação. Sakura ficou perplexa. Qual seria o motivo da atitude de Karin?
Naquela noite, à hora do jantar, aproveitando a ausência de Sir Suigetsu, Karin pediu a Sakura uma poção para acabar com a náusea.
- Não deveria estar de cama, se está doente? - indagou Sakura.
- Céus, não! - riu-se Karin. - Não há nada de errado comigo que a passagem de mais um mês não cure. Só tenho esse problema à hora das refeições.
Sakura entendeu o que a outra pretendia dizer.
- Está insinuando alguma coisa, Lady Karin. O que é?
Fazia questão de que não houvesse mistérios a respeito.
- Sem dúvida Sasuke lhe contou! - Karin parecia estupefata. - Não é exatamente uma coisa que se possa guardar em segredo.
- Está dizendo que vai dar um filho a meu marido? - perguntou Sakura sem se alterar.
- Sim, o bebê é de Sasuke - replicou Karin. - Ele não o nega.
Tanta coisa se encaixou naquele momento. Não era de admirar que Sasuke se recusasse a mandar Karin embora! Foi quase um alívio entendê-lo.
Sakura correu os olhos pelo corpo de Karin, pateticamente magro como sempre, e perguntou gelidamente:
- Quando concebeu?
- Que diferença...?
- Responda, Karin.
Karin deu de ombros.
- Faz um mês.
Sakura fez as contas rapidamente. Há um mês fora trazida a Oto para morar. Lembrava-se claramente da noite em que Sasuke saíra raivosamente do quarto. Karin estivera excepcionalmente bem-humorada no dia seguinte.
Sakura deixou Karin sem dizer palavra. O que havia para dizer? Aquela noite, porém, foi a mais infeliz de sua vida. Sozinha, chorou e esbravejou, amaldiçoando Sasuke por sua fraqueza e mentiras. E também se amaldiçoou... pois aquilo lhe importava, importava além da conta!
Quando chegou outro bilhete de Sai Montigny, no dia seguinte, Sakura estava perturbada demais para se ocupar dele. Guardou-o com outros papéis e se esqueceu de sua existência. Afundou numa melancolia terrível o resto da semana, uma tristeza provocada pelo choque de descobrir que também estava grávida.
O fato de que os bebês nasceriam mais ou menos na mesma época era revelador. Não era incomum um nobre pedir à esposa que criasse seus filhos bastardos, se os tivesse. A esposa não tinha motivos para recusar, porquanto as crianças foram concebidas antes do casamento do pai. Mas era uma coisa totalmente diferente aceitar filhos concebidos por outras mulheres após o casamento.
Sakura não achava que Sasuke fosse lhe pedir para criar o filho de Karin. Mas não duvidava que quisesse mãe e filho perto de si. A criança não seria filho de uma serva. Podia-se esperar que uma serva desistisse do filho, pois o pai poderia lhe dar uma vida melhor do que ela poderia. Não era este o caso de Karin, que jamais desistiria do filho e, portanto, Sasuke jamais desistiria de Karin.
O futuro parecia-lhe cada vez mais sombrio. Já não tinha esperanças de que Sasuke fosse mandá-la embora algum dia, não se ela tivesse um filho dele. Sasuke jamais a mandaria embora se soubesse que havia um bebê a caminho.
Nada lhe contaria. Quem sabe poderia deixá-lo antes que seu corpo revelasse a verdade. Quem sabe poderia se trancar em Konoha até depois do nascimento da criança. Não lhe daria, resolveu, uma desculpa para ficar com ela.
Sakura podia compartilhar certos tipos de amor, podia compartilhar o seu dom de cura, mas não podia partilhar o marido com outra mulher. Sempre existira a esperança de que Karin fosse embora. Agora esta esperança estava perdida. Parecia-lhe que o coração voara para fora do corpo, pois sentia uma dor no peito que não diminuía, mesmo com o passar de muitos dias.
Sir Bertrand e o filho mais velho, Reginald, vieram a Oto, certo fim de tarde, com a notícia de que Sasuke mandara chamá-los para se encontrarem com ele em Oto. Bertrand era vassalo de Sakura na fortaleza de Marhill, uma de suas propriedades. Por que o marido lhe pedira para se encontrar com Bertrand era um mistério.
Só conseguia pensar que Sasuke logo estaria em casa. Deu um jeito de fazer as perguntas adequadas sobre Marhill, sobre as colheitas, mas posteriormente não conseguiu se lembrar das respostas que recebera. Estava com a cabeça tumultuada por causa de Sasuke.
Ficou muito ocupada. Com a ajuda de Sir Suigetsu, recebeu os convidados da melhor maneira possível. Felizmente, Karin se manteve ausente do salão. Ficou tarde e Sasuke custava a chegar. Sakura preparou aposentos para os hóspedes, mas os homens preferiram ficar no salão, curiosos com o motivo do convite de Sasuke.
Finalmente ouviram os sons de sua chegada e Sakura pediu licença rapidamente, retirando-se para o quarto. Concluíra, finalmente, que não conseguiria enfrentar Sasuke sem que o seu ressentimento extravasasse, e seria inconcebível deixar que isso acontecesse diante de seus vassalos. A salvo em seu quarto, não teria que ocultar os sentimentos.
Não houve tempo, todavia, para se preparar face ao que imaginava ser uma batalha completa. Sasuke veio ter com ela imediatamente, tão depressa que se deu conta de que não poderia ter perdido nem um momento cumprimentando os convidados no primeiro andar. O que poderia desculpar comportamento tão grosseiro? Afinal de contas, mandara chamar os dois homens.
Ela franziu o cenho, desconfiada.
- Não me envergonhou, não é, meu senhor?
- Como assim?
Sasuke deixou de lado elmo e manoplas, mas seus olhos não se desviaram de Sakura. Ela se mantinha ao pé da lareira, em posição de sentido.
- Mandou chamar Sir Bertrand e o filho. O que pensarão, se os ignorar?
Sasuke abriu um sorriso, adiantando-se para diminuir a distância entre os dois.
- Disse-lhes que estava cansado e que falaríamos pela manhã. Eles entenderam.
- Como pôde? - sibilou Sakura. - Tem que descer e falar- lhes agora!
- Já se retiraram, querida, e...
Ficou calado quando Komoy entrou no quarto. Sakura engoliu a ira e virou-se de costas, enquanto Komoy ajudava Sasuke a tirar a cota de malha pesada e comprida.
O jovem escudeiro não levou muito tempo e, dali a momentos, Sasuke disse com amabilidade.
- Pode ir para a cama, meu rapaz.
Boquiaberto de surpresa, Komoy saiu do quarto. Sasuke jamais lhe falara tão amavelmente. Era espantoso ver como a esposa mudava o seu jeito inteiramente.
Sakura esperou apenas que a porta se fechasse para dar meia-volta, pronta para imediatamente falar tudo o que tinha vontade. Ao ver Sasuke apenas de camisa e armaduras para os pés, deteve-se. Os músculos grossos se estufando nas pernas longas, a largura do peito... sempre espantosa, pois ele era igualmente largo mesmo depois de retirada a armadura... o cabelo desordenadamente bagunçado na cabeça, tudo fazia com que, a um só tempo, nele aparecessem o homem e o garoto. Era injusto que pudesse afetá-la com tanta força, que ela nem mais se lembrasse do que pretendia dizer.
- Sentiu saudade de mim, querida.
- Não senti, meu senhor - respondeu formal.
- Mentirosa. - Adiantara-se para junto dela, antes que Sakura pudesse se afastar. Levantou-lhe o queixo e fitou-a nos olhos. Os olhos dela eram de um verde aveludado, mas intenso. - Está zangada porque fiquei fora tanto tempo.
- Estou zangada com muitas coisas, meu senhor, mas esta não é uma delas.
- Pode me dizer quais, amanhã, Sakura, pois agora não é hora de raiva.
Ela tentou se afastar, mas Sasuke puxou-a para si e a beijou.
- Senti saudades, Sakura. Deus, como senti saudade de você - exclamou, enquanto seus lábios lhe desciam pela face até os suaves contornos do pescoço.
Estava quase perdida. Não podia deixar que lhe fizesse isso de novo, mas o seu desejo já estava inflamado, apesar de todo o sofrimento e amargura.
- Se... precisa de uma mulher... procure a sua outra dama... eu não posso.
- Não tenho outra dama.
Apoiou-se nele, docilmente. Não podia lutar contra a paixão de ambos e, por ora, desistiu de tentar.
