FicWriter – Arika Kohaku

Beta Reader – Akimi Tsuki

35

Fuga, Sequestro, Divertimento!

Estava há mais de dez minutos a verificar o seu rosto ao espelho. À sua frente, sobre o lavatório de mármore branco tinha um espólio de cosmética de conservação da pele. Era um dos muitos problemas da humanidade – o envelhecimento.

– Mais uma ruga! – Queixou-se Uchiha Naruto, 50 anos, com uma enorme crise existencial. As rugas que tinha no rosto podiam-se contar pelos dedos de uma mão e em matéria de conservação, ele estava muito bem conservado, no entanto, para ele, aquilo era um cataclismo. Tornara-se tão obsessivo ao ponto de andar a magicar um jutsu para reverter a situação. Contudo, não via a sorte que tinha. Era louro, e como tal, o aparecimento de cabelos brancos só chegaria mais tarde. Ao contrário de uma certa pessoa.

Nas costas de Naruto, encostado à porta da casa de banho, achava-se outro exemplar de que uma vida ativa e preenchida era o melhor remédio para manter a aparência jovial. Uchiha Sasuke fazia caretas perante o aparato que o seu marido causava diante a descoberta de uma nova ruga. O que é que ele faria quando tivesse cabelos brancos? Matava-se? Sim, porque ele, Uchiha Sasuke, Maou por excelência e moreno de cabelos supra escuros, já tinha cabelos brancos. Sim, isso mesmo, cabelos brancos!

– A refilar outra vez por causa da idade? – Questionou Sasuke aproximando-se do lavatório, para ele também proceder à higiene básica matinal, antes de começar o seu dia de trabalho.

– Fala aquele que não tem uma única ruga no rosto. – Retorquiu Naruto.

– Fala aquele que tem a cabeça repleta de cabelos brancos! – Reivindicou Sasuke, como se o caso lhe desse mais sabedoria.

– É, parece que a tua malvadez te está a sair pela cabeça. – Troçou o louro.

Uma boa maneira de começar o dia: com uma discussão fútil.

– Pelo menos conservei a pele do rosto ao não sorrir tanto. Resultado? Não tenho rugas.

Eles não eram inimigos, muito menos rivais, eram sim, dois amantes fogosos, envolvidos num amor eterno. E era por serem casados que conheciam cada defeito e cada louvor de um e do outro, isso incluía, pois claro, saberem os pontos fracos e aquilo que mais irritava o parceiro.

– Oh, Uchiha Sasuke está finalmente a admitir que tem complexos de idade.

– Eu não tenho complexos de idade. – Negou com veemência. Era obviamente uma enorme mentira. Quem é que no seu perfeito juízo não tinha? Quem não parava para pensar, pelo menos uma vez, que está a envelhecer? Naruto, pelo menos, achava que toda a gente devia ter a certa altura da sua vida para fazer isso. Olhariam para o espelho e gritariam com a primeira ruga, tal como ele tinha feito. – Tu é que me irritaste!

– E quem é que começou? – Perguntou o louro elevando uma sobrancelha.

– Hunf! – Soltou Sasuke, um som que só queria dizer que ele amuara.

– Não te preocupes amor. – Falou pendurando-se de repente no pescoço de Sasuke, que não estando à espera quase se desequilibrou, mas apoiou-se no lavatório a tempo. – Em breve … - Também se calou a tempo de não revelar o que não era para revelar naquele momento.

– Em breve o quê?

– Em breve saberás. – Respondeu Naruto beijando Sasuke, levando-o às nuvens, e querendo com isto que o moreno esquecesse aquele "em breve". – Né, Sasuke? Não tinha uma reunião agora de manhã?

– Sim, tenho. – Relembrou. Tinha que se despachar, as responsabilidades chamavam pela mão do Maou.

E mais um dia começava em Otogakure. Logo aos primeiros raios da manhã o palácio enchia-se de vida. Naruto tirara umas férias prolongadas mesmo a tempo dos festejos para a celebração dos 33 anos de casamentos e do 51º aniversário de Sasuke. Estava a organizar uma grande festa para os amigos e para os familiares, além de outras coisas. Poupara dinheiro durante meses para fazer uma enormepartypara o marido. Sorriu contente, seria ótimo reunir os seus amigos, mas principalmente, a sua família.

– Até logo. – Desejou Sasuke já pronto para ir até às alas mais baixas do palácio, onde iria encontrar-se com Nasasu, que já administrava junto com o pai algumas pastas de trabalho do país. Também se juntaria com o conselho, que ele secreta e carinhosamente chamava "bípedes chatos". – Tu tens mesmo a certeza que não queres vir à reunião?

– Pois claro que não. – Brandiu Naruto, quase como se tivesse sido ofendido. – Estou de férias. F-É-R-I-A-S! Férias! Não quero pensar em burocracias ou problemas. – Embora soubesse que quando retomasse a Konoha teria trabalho acumulado em cima da secretária, apesar de ter deixado Konoha nas mãos de Konohamaru, o sétimo Hokage. – Além disso, existem ainda muitas coisas paras serem feitas para a festa de amanhã.

– Ok! Ok! – Rendeu-se Sasuke. – Também gostava de ter férias. Mas sou rei 24 horas por dia, 365 dias por ano, ou 366, conforme se é ano bissexto ou não…

Naruto ria-se com as coisas que Sasuke disparatava pela boca fora. O moreno estava diferente da pessoa que fora aos 16 anos, mas tantos anos depois, tantas coisas passadas, feridas fechadas, as pessoas não podiam pedir que ele se mantivesse igual, mas, no entanto, muitas coisas ainda eram dele, e nunca mudariam, isso sabia Naruto e muito bem. O louro tinha um orgulho enorme em si, mas principalmente em Sasuke. Ele passara de um adolescente confuso, perturbado e problemático, para um adulto de valor, mas isso não era o que acontecia a muita gente?

Sasuke aproximou-se de Naruto e beijou-lhe os lábios rapidamente em forma de despedida.

– Até mais.

– Até mais. – Viu o moreno sair pela porta do quarto. Então ele gostaria de ter umas férias? Uma nova ideia passou-lhe pela cabeça, e os seus lábios rasgaram-se num sorriso muito sombrio. Oh, era uma ideia muito boa…

–-

Sometimes we fall down and can't get back up

(Algumas vezes caímos e não nos conseguimos levantar)

We're handing behind skin that's too tough

(Estarmos escondidos atrás de uma pele é muito difícil)

How came we don't say "I love you" enough?

(Como podemos não dizer "Amo-te" as vezes suficientes?)

'Tils is too late?

(Será demasiado tarde?)

It's not too late

(Não é demasiado tarde!)

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Our hearts are hungry for the food that won't come

(Os nossos corações estão esfomeados por comida que não chega)

We came make a feast from these crumbs

(Nós podemos fazer um banquete a partir destes pedaços)

And we're staring down the barrel of a gun

(E nós estamos parados à frente do gatilho de uma arma)

So if your life flashed before you what would you wish you would've done?

(Então se vires a tua vida passar em frente dos teus olhos, o que desejarias ter feito?)

–-

Suspirou retirando o suor do rosto. Andava desde cedo de volta dos preparativos para a festa. Como era algo em grande escala tornava-se muito trabalhoso e cansativo, além disso, ele queria que tudo tivesse muito perfeito. Sabia que depois teria uma apetitosa recompensa. O corpo do Teme! Os seus pensamentos descarrilaram para dentro das suas calças.

– Hokage-sama! – Chamou uma voz de homem bastante doce e melodiosa. Como não respondeu depois de ser várias vezes chamado a pessoa pousou uma mão no seu ombro, o que o assustou e o fez cair no chão. – Hokage-sama? Está bem?

Elevou os olhos e viu o seu genro mais velho, Uchiha Kagure. Um jovem homem na casa dos 30, com longos cabelos prateados entrançados numa única trança enfeitada com fios de ouro, coisa dada pelo marido. A trança caia-lhe pelo ombro esquerdo e os olhos esverdeados como verdadeiras esmeraldas miravam o louro estendido no chão com espanto. Teria sido alguma coisa que tinha feito?

O filho tivera bom gosto, pensou Naruto, Kagure era muito bonito e amável, dava vontade de o proteger sempre.

– Sim, estou bem. – Respondeu o Hokage aceitando a mão de Kagure para se levantar do chão. – Quantas vezes tenho que dizer para não me tratares por Hokage?

– Gomen. – Pediu com uma tez vermelha por debaixo dos olhos. – É força do hábito, Naruto-kun!

Kagure já não era um ninja e parecia que não estava incomodado com isso. Verdade que Konoha perdera um dos seus ninjas mais fortes, mas no fundo, Naruto, sempre achara que Kagure era demasiado dócil e amável para fazer trabalho de ninja. Ele sabia que se ele tivesse continuado com essa vida, provavelmente, acabaria morrendo de tristeza. Ele acostumara-se facilmente à vida palaciana ligada à família e ao povo que tinha em Otogakure, e parecia tremendamente feliz com isso. Percebia-se que preferia ajudar os outros do que lutar contra eles. A vida pacata fizera-lhe muito bem. No entanto, ele não deixara completamente as técnicas ninjas de lado, ele ainda ensinava Kaguro a controlar o Kekkei Guenkai, e ele mesmo continuava com os seus treinos.

– Querias alguma coisa? – Questionou Naruto espantado ao vê-lo, ele devia estar na sala onde se recebia o povo.

– Sim. É hora de ir buscar os miúdos à academia, mas Nasasu ainda não saiu da reunião e eu ainda tenho muita gente para atender então…

– Tudo bem, vai lá buscar as crianças.

– Mas…

– Eu trato das pessoas. – Ofereceu-se o louro. – Já faz muito tempo desde que deixei esse trabalho, mas imagino que não tenha mudado muito.

– Tem a certeza?

– Claro. O povo aqui tem andado a dizer que eu não lhes ligo nenhuma. Os mais novos dizem que nem sequer me conhecem, é uma boa oportunidade de lhes dar um pouco da minha pessoa. Vai lá buscar os meus netos. Com certeza que vão ficar muito contentes por te verem.

– Obrigado Hoka… er… Naruto-kun! – Agradeceu Kagure com as suas esmeraldas viva, brilhando em expectativa. Naruto gostava muito de ver o amor devoto que Kagure tinha pelos três filhos. Aconchegava-lhe saber que os seus netos tinham tão bons pais. Riu-se do pensamento ridículo. Era óbvio que o seu filho Nasasu era um ótimo pai, ou não seria seu filho.

– Eu mandei servir o almoço às 14h30. – Comunicou Kagure.

– Ok.

– Até já, Naruto-kun.

– Até já. – Viu o genro afastar-se quase a correr. Suspirou coçando a cabeça. Não dissera ele que estava de férias?

Deu as últimas ordens de como queria as coisas organizadas por ali e depois resolveu descer ao piso térreo. Antes mesmo de entrar na sala onde receberia os pedidos dos cidadãos passou por um dos muitos guardas fixos que protegiam a casa da família real.

– Yô! – Cumprimentou Naruto, sempre com o seu jeito de miúdo traquina, mesmo já sendo um homem maduro. – Vim substituir um pouco o meu genro.

– É bom vê-lo por aqui. Para variar um pouco.

– Verdade, tem razão. Acho que descuidei um pouco as minhas obrigações como General Superior. Acho que devo as minhas desculpas a Otogakure. – Falou de forma tão humilde, sentido o que dizia, que logo o guarda se sentiu mal de ter abordado o assunto.

– Ora essa, senhor! Otogakure sabe perfeitamente que mesmo longe o senhor tem sempre uma parte do seu coração aqui connosco.

– Disso não tenho qualquer dúvida. – Confirmou Naruto com um maravilhoso sorriso. Konoha vira-o nascer, Konoha dera-lhe os amigos, os treinos e os valores, já Oto dera-lhe a felicidade plena, e claro, a sua família. Era possível amar duas pátrias? Claro que sim. Era possível amar um mundo inteiro, completo, uno. – Bem, se me dá licença, não vou fazer as pessoas esperarem mais tempo.

– Claro, meu senhor. Bom trabalho!

– Obrigado. Igualmente. – E passou pela porta que dava acesso a uma grande sala. Era simples como qualquer uma das outras divisões da casa do Maou, na realidade esta não tinha qualquer mobília, apenas uma poltrona, quase como se fosse um trono numa daquelas salas antigas dos tempos medievais. No entanto, aquela poltrona fora colocada ali por motivos diferentes. Agora servia para sentar quem ouviria o povo, mas primeiramente servira para Naruto se sentar quando estava gravido de Nasasu e não aguentava muito tempo de pé sem dores nas costas. Recordações desses tempos eram inevitáveis.

Quando se sentou na cadeira e olhou para a fila mais ou menos direita que se estendia à sua frente, sentiu que algumas pessoas tinham sustido a respiração, outras piscavam os olhos como se não acreditassem no que viam, até os próprios guardas estavam espantados. O General Superior estava perante todos eles!

– Peço as minhas desculpas, mas o príncipe consorte foi buscar os meus netos à academia e eu vou estar a substitui-lo. Espero que não se importem? – Sorriu amistosamente. O povo brandiu contente. Naruto tinha que futuramente apontar algumas horas na sua agenda para fazer aquele trabalho. Mas só depois das férias, claro. Queria estar novamente perto do povo de Otogakure. Não queria que pensassem que os tinha abandonado.

– É bom ver que está de boa saúde, majestade. – Congratulou a primeira pessoa da fila. A primeira pessoa que ele ouviria falar.

– Majestade? – Questionou, não gostava do trato, tornava a sua pessoa numa coisa impessoal. – O meu nome é Naruto, Ok? É assim que prefiro que me tratem. – O povo apreciou a demanda. – Mas, então, ancião, o que te traz por cá?

– Bem, senhor é a estrada em frente da minha casa.

– E o que tem essa estrada?

– Está cheia de buracos! – Queixou-se o ancião, assim tratado por ser uma pessoa de idade avançada. O louro teve de segurar a gargalhada, esquecera-se que era por aquelas razões e outras, mais frívolas ou mais graves, que as pessoas se dirigiam ao palácio para tentar arranjar soluções. Mandou apontar a morada e a estrada de que o Ancião falava e prometeu que mais tarde mandaria um especialista verificar a estrada para saber que tipo de obras eram necessárias fazer.

Com Naruto, assim como estivera com Kagure, encontrava-se um escrivão, que apontava os problemas que o povo mencionava. E mais tarde, isto tornava-se numa lista de tarefas que um grupo especial de empregados reais era incumbido de selecionar e solucionar. Se alguma coisa falhasse o Maou cair-lhes-ia em cima. Nenhuma das queixas e preocupações do povo podia ser deixada de parte, por muito ridícula que fosse. E se não fosse exequível, ninguém ficava sem uma resposta e uma explicação.

Naruto lembrava-se que o pedido mais estranho que lhe tinham feito tinha sido pedido por um homem recém-reformado que queria uma gelataria na sua rua. E estivera bastante irritado quando falara com o louro. Acontece que naquela altura (e Naruto suspeitava que em outra altura qualquer) os fundos monetários para as construções sociais eram reduzidos e estavam todos direcionados para obras de grande envergadura, como escolas e hospitais. Lembrava-se, contudo, que dissera ao senhor que se fizesse um baixo assinado com as assinaturas suficientes para a abertura de uma gelataria, a lei não se oporia à vontade de um grande número de elementos do povo. Incrivelmente o homem conseguia muitas assinaturas e o Maou teve que disponibilizar um espaço para a abertura da gelataria. Essa era nos tempos atuais a gelataria mais conhecida de Otogakure e um ponto de referência para o turismo. Portanto, a palavra tinha que ser ouvida e atendida, pois era bem mais sábia que outras fontes.

O tempo foi passando e, miraculosamente, Naruto sentiu-se muito bem a fazer aquele trabalho. Então teve um acontecimento bizarro. Um empregado de um dos senhores feudais de um país vizinho vinha com um presente extremamente caro para pedir favores aos governantes de Oto. Naruto quase caiu da cadeira ao ver uma estátua de si e do Sasuke, em portes majestosos, e demasiado pomposos total tirados da irrealidade, em ouro maciço e em tamanho real. Depois de se recuperar disse:

– Com certeza que aceito tão majestoso presente. – Falou Naruto, as outras pessoas presentes ficaram surpreendidas, era do conhecimento geral que a família Uchiha não aceitava ornamentos de grande valor entre as suas paredes. Então porque aceitava uma estátua tão grande em ouro? – Tragam uma máquina fotográfica.

Algumas pessoas acharam o pedido ainda mais estranho que a aceitação da estátua, mas depressa lhe trouxeram a máquina. A qual usou para fotografar a estátua.

– Tirei estas fotos em reconhecimento para com o artesão que fez este magnífico trabalho. E claro para que a sua imagem não se perca. – Conversou para o empregado do senhor feudal, parecia muito satisfeito. Depois virou-se para o escrivão para que este anotasse a sua decisão. – Quero que levem esta estátua para ser fundida, o ouro dela vai ser doado para caridade.

Logo os presentes aplaudiram entusiasticamente. Aquele era o espirito de Otogakure. Era algo imperativo que não se podia perder. A palavra de que o General Superior estava na sala do povo depressa se espalhou e as suas ações tornaram-se rumores heróicos. O povo amava os seus governantes. Também não podia esperar ter melhores. E era esse respeito e carinho que fazia de Otogakure uma população saudável.

oOo

Naruto estalou as costas, soltando um suspiro de alívio. Era hora de almoço. O seu estômago já resmungava fortemente. Decidiu subir até ao salão aonde teria uma bela refeição com os restantes membros da família. Foi interrompido no meio da escadaria por berros.

– Foi apenas uma brincadeira. – Refilou alto e de maneira espalhafatosa a voz doce de uma menina.

– Uma brincadeira? Tu atiraste tinta amarela para cima do teu professor! – Ralhava a voz de Kagure. O louro suspirou, podendo prever o que se tinha passado com a menina. A personalidade da neta era igual à sua.

– Eu já te disse que não era para o sensei. Era para o Kazu, ele chamou-me cabeça de tomate! – Defendeu-se a menina. – Teria sido uma vingança perfeita se a tinta tivesse acertado o alvo. – Acontecia apenas que ela ainda não tinha muita pontaria com os seus nove anos de idade, então a tinta não tinha caído na cabeça de Kazu, mas na do sensei.

– E por que é que não disseste ao sensei que esse Kazu tinha sido mau para ti?

– Achas papá? – Questionou Miyuki num tom de voz entre o incrédulo e ultrajado. – Eu sei tratar dos meus assuntos sozinha!

– Yuki, onde vais? Nós não acabamos de conversar! – Ouviram-se os passos na escadaria. Pouco depois Miyuki e Kagure apareciam subindo as escadas, seguidos de outras duas silenciosas figuras.

A menina com os seus indomáveis cabelos vermelhos e brilhantes olhos verdes esboçou um sorriso lindíssimo mal viu Naruto. Ao seu lado postaram-se os gémeos, também com sorrisos nos seus bonitos rostos. Se ao nascimento os pequenos eram muito parecidos, agora eles tinham muitas coisas que os distinguiam individualmente. Kaguro era mais alto que Itachi, tinha cabelos lisos, um pouco arrebitados na parte de trás, tal qual como Sasuke, mas os seus cabelos tinham já ficado completamente prateados devido ao Kekkei Guenkai do clã Shidou, e os olhos dele eram verdes, a sua personalidade era impar com a personalidade de Kagure. Por seu lado, Itachi tinha os cabelos escuros de um Uchiha, eram rebeldes como os de Naruto, e os seus olhos eram azuis como o céu numa manhã de verão, quando não tinham o vermelho do sharingan ativo. A sua personalidade era mais parecida com a de Nasasu, um misto Uchiha com Uzumaki.

– Vovô estamos em casa! – Gritaram os três netos ao mesmo tempo. Apesar de Miyuki ter nascido meses depois dos gémeos, eles comportava-se como se tivessem nascido no mesmo instante e fossem trigémeos. Parecia que eles estavam sempre em sintonia.

– Já vi, já vi. – Riu-se Naruto. – Bem-vindos.

– Ehhhhhh! – Os três atiraram-se ao mesmo tempo para o avô.

– Calma meninos, calma! – Pediu Naruto, enquanto tinha Miyuki agarrada ao seu pescoço e os gémeos agarrados a cada um dos seus braços. – Vocês vão fazer-me cair!

– Vamos meninos, deixem o avô. Além disso, o almoço já deve estar a ser servido! – Constatou Kagure consultando o relógio. Logo quatro estômagos roncaram alto. Naruto e os netos ficaram com as tezes nas bochechas ruborizadas. Fora um verdadeiro rebombar de tambores. Mas a seguir gargalharam.

– Sim, Kagure, vamos comer. – Concordou Naruto retomando o caminho que tinha sido interrompido com a chegada dos netos. Subiram as escadarias com as crianças à frente e os adultos atrás. – A Yuki-chan voltou a dar problemas?

– Você ouviu? – Naruto maneou a cabeça de forma afirmativa.

– Ela é como eu na idade dela.

– Sabe, de certa forma, eu gosto que ela seja assim. Mostra que é independente e forte. Mas não lhe posso dizer isso, vai contra a minha posição de pai educador. – Murmurou Kagure para que apenas Naruto o ouvisse. – Embora ela por vezes faça maldades, ela é uma boa menina, e vai aprender com os erros dela.

Entraram no salão. A grande mesa já estava posta, esperando que o almoço fosse servido. Sasuke já se encontrava sentado, mas ainda não comia.

– Vô! Já chegamos! – Berraram as crianças indo em direção ao Maou para o abraçar e encher de beijos.

– Kagure tu sentes-te bem? – Perguntou Naruto ao reparar na palidez repentina do genro.

– Claro. Apenas estou um pouco fraco por ainda não ter comido nada. – Pacificou-o Kagure.

– Então vamos comer!

– Mas ainda falta o Nasasu. – Reparou o mais novo.

– É verdade. Onde é que ele está Sasuke? Estou cheio de fome. – Refilou Naruto para o marido.

– Ele ficou na sala do conselho, ainda tinha coisas para arrumar.

– Eu vou chamá-lo. – Decidiu Kagure. Deixou os filhos com os avós e foi à procura do marido. Os seus passos mostravam uma certa urgência. Passou por várias portas até que entrou numa delas com uma pressa desmesurada. – Nasasu!

– Ka-kagure? – Surpreendeu-se o moreno deixando cair alguns papéis por cima da larga mesa arredondada do conselho. Naquele momento, não estava ali ninguém a não ser ele. – Não me assustes dessa maneira.

– Desculpa. – Aproximou-se do outro que logo notou um certo alarme na sua face.

–O que se passa? – Questionou. Kagure agarrou na mão de Nasasu com força e premência.

– Vamos fazer o teste! – Falou com clareza e seriedade na voz. Os olhos azuis de Nasasu abriram-se.

– Novamente? Pensava que já tínhamos chegado à conclusão de que o jutsu não deu resultado. Os últimos exames deram negativo e tudo. – Nasasu tinha na sua expressão um ar de angústia ou dor. – Os exames têm sido todos apenas desilusões. Se calhar o meu amor já não é suficiente para te fazer engravidar. Mas não faz mal nós já temos os nossos filhos.

– Não digas isso… - O soluço saído da boca de Kagure calou o desabafo de Nasasu. Viu as lágrimas caírem transparentes e dolorosas pelas fases do marido. Já fazia meses que eles tentavam ter um novo bebé. Como os resultados não apareciam, eles tinham ficado um pouco desesperados. Mesmo sendo um jutsu para a fertilidade, nem sempre funcionava. – Nunca mais digas que o teu amor não é suficiente...

– Desculpa, Kare. Eu sou um tolo sempre a dizer coisas que te magoam. Desculpa-me. Eu amo-te, eu amo-te mais que a minha própria vida, só estou um pouco inseguro. Perdoa-me.– Trouxe Kagure até ao conforto dos seus braços, beijou e lambeu-lhe as lágrimas.

– Por favor, Nasasu, vamos fazer um último teste… apenas mais um. – Pediu Kagure. – Se der negativo nós desistimos, combinado?

– Combinado. – Concordou Nasasu por fim, dando um sorriso.

– Eu tenho um teste aqui comigo. É o último que tenho. O último daqueles que nós compramos. Ele vai decidir o nosso futuro. – Retirou do bolso das calças um pequeníssimo aparelho branco que tinha uma pequena agulha na ponta. Olhou para Nasasu, os seus olhos ficaram fixos uns no do outro. Havia receio e esperança misturados. Esmeraldas contra safiras. Kagure foi tomado por um impulso de coragem e usou a agulha para retirar um pouco de sangue da ponta do dedo.

– Agora só temos que esperar. – Murmurou Nasasu com tanto medo daquele teste quanto Kagure. Pousaram o aparelho sobre a mesa do conselho e abraçaram-se. Os corações batiam como doidos. Aquilo quase lhes dava a volta aos intestinos.

– Estamos outra vez a ter esperança quando devíamos estar já à espera da desilusão, não é Nasasu?

– Bem, nós somos mesmo assim. Não perdemos facilmente a esperança. – Comentou Nasasu, embalando Kagure. Ambos tinham medo daquela situação.

– A esperança só nos traz mais dor depois da desilusão.

– Tu pensas assim?! – Admirou-se Nasasu. – Eu acho que a esperança ajuda-nos a não desistirmos. E a dor da desilusão só nos faz mais persistentes. Acho que esperança e desilusão trabalham juntas.

– Não tinha chegado a pensar assim. – Riu-se. Olharam-se. – Olhamos ao mesmo tempo?

– Sim. – Confirmou Nasasu. – Um, dois, três. - Viraram as cabeças ao mesmo tempo para o teste pousado sobre a mesa.

– Es… Está… está… amarelo! – Tremelicou Kagure agarrado aos braços do marido para se conseguir suster de pé, pois de repente fora invadido por tremores.

– Tu… tu… estás grávido! – Declarou Nasasu também tão aparvalhado quanto o outro.

–É? Sim… pois! Ééééé, eu estou! – Gritou o mais baixo, tendo demorado um pouco a entender a informação que lhe chegava ao cérebro.

O moreno gargalhou alto envolvendo Kagure com os seus braços fortes e rodando-o no ar. Depois parou-o bem junto de si. Os sorrisos estavam-lhes estampados na cara. Aquela sensação de felicidade de algo concretizado, depois de tanto tempo e de tantas falhas, era um ressuscitar da fé e da esperança perdidas.

– Vamos contar amanhã aos meus pais durante a festa, o que achas?

– Sim, vai ser como um presente. Nasasu o que está a fazer? – Kagure foi agarrado pelo moreno e pousado sobre a enorme mesa do Conselho.

– Shiu! – Murmurou ao ouvido do esposo passando-lhe a língua pela cartilagem da orelha. – Vou fechar a porta. – Recuou com um sorriso pervertido no rosto.

– Nasasu, não podemos! Os teus pais e os meninos estão à espera… - Foi calado pelos lábios de Nasasu, que já tinha fechado a porta e estava de volta. Mesmo arreliado, Kagure nunca mostrava muita resistência. O outro enfiou-se entre as suas pernas e Kagure sentiu contra a sua virilha mesmo por cima da roupa, o membro duro do Uchiha. Soltou um gemido. Sentir que o marido tinha aquele desejo por si, despertava o seu próprio desejo.

Foi empurrando para se deitar sobre a larga mesa. Rapidamente a sua túnica estava aberta e Nasasu lambeu-lhe os mamilos, tornando-os rijos para depois ser mais fácil de sugar. Kagure colocou uma mão na boca para abafar os gemidos. A porta fechada não evitava que alguém que estivesse do lado de fora pudesse ouvir.

– Nasasu… Nós vamos ficar todos sujos. – Avisou, puxando delicadamente Nasasu pelos cabelos para que este o encarasse. Este saboreou os próprios lábios.

– Isso não é um problema! – Sorriu maroto e retirou das suas vestes dois pacotinhos. – Vês?

Kagure corou até ao cerne dos cabelos. Dois pacotes de preservativos bem em frente dos seus olhos. Já tinham escola sexual suficiente para saberem que aquele material sintético era muito útil, principalmente quando tocava à limpeza.

– Eu não acredito que tu andas com isso por ai… - Comentou baixinho.

– Tu sabes que eu sou prevenido. Nunca se sabe quando e onde nos vamos "sujar". – Enquanto falava a sua mão já descera para dentro das calças. – Tu também estás duro!

– Ok, então vamos fazer isto rápido! – Kagure sentou-se e retirou um dos pacotes de entre os dedos de Nasasu, rasgou-o com os dentes ao mesmo tempo que desapertava as calças de Nasasu e retirava o membro deste para fora. O preservativo já era húmido por isso não teve que o salivar. Colocou-o com rapidez e urgência em Nasasu.

– Aonde pensas que vais? – Perguntou Nasasu impedindo Kagure de sair da mesa e de se ajoelhar para envolver, com a sua linda boca, o pénis do moreno. – A tua boca pertence à minha boca… eu quero um serviço mais completo…

Com alguma brusquidão, mas tendo cuidado para não aleijar Kagure, e aproveitando um pouco a surpresa deste, Nasasu voltou-o, deixando-o de barriga para baixo sobre a mesa do conselho. De mãos ágeis retirou-lhe as calças e os boxers de uma só vez. Incrivelmente, Kagure não praguejou, em vez disso gargalhou alto. E olhou para traz por entre os fios soltos da sua trança. Os seus olhos estavam brilhantes de desejo e depravação. Ele colocou-se de quatro sobre a mesa, de rabo empinado e pernas especialmente abertas. Nasasu via absolutamente tudo. E o seu sorriso cresceu ainda mais.

– Estás às espera do quê? – Provocou Kagure, abanando um pouco as nádegas.

– Estou a apreciar a vista. – Respondeu Nasasu prontamente. Aproximou-se de Kagure e penetrou-o. O primeiro gemeu um pouco de dor, mas já estava habituado e rapidamente a dor passou a prazer. O príncipe deixou uma das suas mãos descer por entre as pernas do consorte e agarrou-lhe o membro, bastante duro, que deitava fora o pré-gozo.

– Vou… ah… humm… vou sujar a mesa… - Falou Kagure, entre risos e gemidos.

– Não faz mal, depois limpasse… - E começou a movimentar-se.

oOo

– Já começaram a comer? – Verificou Nasasu ao chegar perto da mesa, onde os filhos e os pais já comiam. Na realidade, estavam prestes a terminar a refeição.

– Olá pai! – Cumprimentaram os filhos, mas não se levantaram. Eram crianças educadas, não saiam da mesa sem autorização dos adultos.

– Olá meninos. – Respondeu o pai, indo a cada um para lhes beijar os cabelos.

– Se tivéssemos esperado por vocês, estávamos até agora a morrer de fome. – Retrocou Naruto. – E agora têm a comida fria.

– Não te preocupes, Naruto, parece que eles já tiveram uma refeição. – Comentou Sasuke com um sorriso a trejeito, que deixou Kagure e Nasasu completamente sem jeito.

–-

Yeah

We gotta start

(Nós temos que começar)

Looking and the hand of the time we've been given here

(A olhar para o tempo que nos foi dado para estar aqui)

This is all we got and we gotta thinking it

(Isto é tudo o que temos e temos que pensar nisso)

Every second count on the clock that's ticking

(Cada segundo está a ser contado pelo relógio)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

–-

We only got 86 400 seconds in the day

(Só temos 86 400 segundos por dia)

To turn it all around or throw all away

(Para mudar tudo ou deitar tudo fora)

We gotta tell them that we love them while we got the chance to say

(Temos que lhes dizer que os amamos enquanto temos essa oportunidade)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

–-

Em Konoha, nos dias que corriam, o bairro Uchiha era um pólo de diversão, lazer e descanso. Que se encontrava sobre a administração de Oshi, que vivia permanentemente na Aldeia da Folha. As casas tinham sido todas reconstruidas e arrendadas, algumas eram albergues e hotéis; outras, casas de jogo ou de simples comércio, entre muitas outras coisas. E como era Verão, existiam mais turistas, e de bom efeito o trabalho era muito. Numa das casas do distrito, o Ichiraku-ramen tinha-se expandido e era agora um restaurante de alguns metros quadrados. A noite estava quente e os clientes eram imensos.

– Obrigada pela ajuda Oshi-hime! – Agradecia a filha do velho chefe de cozinha, que era quem atualmente geria o negócio.

– Não tem pelo que agradecer patroa. – Respondeu Oshi, enrolada num avental branco, com os brilhantes cabelos louros presos numa rede de cozinha, e com as mãos repletas de tabuleiros.

– Sem si estava perdida. – Oshi deixou os tabuleiros sobre o balcão e suspirou alto, parecia que de repente tinha ficado extremamente cansada.- Está tudo bem consigo?

– Oshi! – Gritou alguém que acabara de entrar no estabelecimento. E gritara tão alto que deixara os clientes a olhar para ele. Um homem belíssimo de cabelos dourados, uma estatura invejável, parecendo um anjo na terra, e uns belos olhos amarelos, que naquele momento mostravam raiva, atravessou por entre as mesas atá à ninja loura.

– Oh, já regressaste da missão com os meninos. – Reparou a mulher dando-lhe um sorriso cansado, enquanto se sentava num dos bancos altos que existiam no balcão.

– Oshi o que pensas que estás a fazer a carregar pesos? – Questionou Kaoru furioso com a esposa.

– Aqui a patroa estava a precisar de ajuda e eu vim ajudar. – Explicou Oshi, fazendo um gesto de evidência com os ombros. Se o restaurante estava cheio era lógico que a patroa precisava de ajuda, uma vez que ainda não empregara mais ninguém.

– Dá-me o avental e vai para casa. – Ordenou Kaoru estendendo a mão para que Oshi lhe desse o avental. – Eu ajudo a patroa. Tu vais para casa descansar e não quero resmunguices.

Os dois trocaram olhares que falavam por eles mesmos, na realidade, era mais como se lutassem entre eles através dos olhos. Até que uma das sobrancelhas de Kaoru se ergueu e Oshi suspirou alto derrotada. Naquele momento, não estava em posição de contrariar o marido. Levantou-se, retirou o avental e abraçou Kaoru, roubando-lhe um beijo, apenas para ter a certeza que tudo ficaria bem.

– Deixa de fazer coisas irresponsáveis. – Ralhou um pouco mais o homem, mas agora tinha um sorriso delicioso nos lábios.

– Está bem, está bem. – Concordou a loura, um pouco entediada. Não podia fazer missões, quase que não podia fazer trabalho nenhum, ultimamente sentia-se uma inútil. – Eu vou para casa. Até depois, patroa.

– Adeus, Oshi-hime.

– Vou para casa logo que o movimento aqui ficar mais calmo. – Avisou Kaoru baixinho, apenas para a esposa o ouvir. Ela sorriu-lhe, com um ar total de doce luxúria.

– Traz-me um gelado. – Pediu Oshi.

– Combinado.

oOo

Levou com um pontapé certeiro nas costelas e rebolou para o lado com dores, refilando alto. Quando seus olhos, tal como pedras ónix se elevaram ele pode ver quem é que o agredira. Não, mais concretamente, quem o acordara do seu belo sono.

– Nós estamos em trabalho idiota! – Refilou a mulher de longos cabelos ruivos apanhados por um elástico. Era noite e não se via muito bem, mas ele podia imaginar aqueles olhos roxos a fixá-lo como quem o quer matar, apenas porque ele quase nunca fazia as coisas como ela queria. Era realmente uma mulher fascinante. Bastava ter um vislumbre dela que logo o seu coração começava a bater descompassadamente.

– Ah Kim… - Falou ele fingindo sofrimento. – Não precisavas de me tratar assim…

– Tu estavas a dormir enquanto devias estar a vigiar os miúdos! Estamos a meio de um exame, pode acontecer-lhes alguma coisa! – Enquanto falava, ela elevara-o pelos colarinhos. Na cara dele estava um sorriso estupido. Ela era selvagem, e ele amava isso. Não ouvia minimamente o que ela lhe estava a dizer, podia apenas supor o que a repreenda dizia, mas chegava a vibração da voz dela para o fazer feliz.

Então, de repente, sentiu uma das mãos fortes dela entre as suas pernas apertando o seu "eu" mais pequeno.

– Kim… - Sufocou a voz na sua garganta. (n.a. – Para quem não se lembra, a Kim é a filha de Suigetsu e Karin)

– Tu já estás duro que nem cornos. – Repreendeu. – Por amor de Kami-sama, estamos num exame, somos examinadores, vê se controlas as tuas hormonas e se te concentras no trabalho. – E largou-o no meio do chão, sem dó, nem piedade.

– Mas Kim… - Chamou numa voz melosa e arrastada, indo agarrar a ninja pelas costas. – Não estás contente por saber que o meu corpo corresponde a tudo o que é teu? Até quando me bates...- Ele estava tão perto que ela podia sentir o volume dele contra a sua coxa.

– Tu não tens melhoras… - Refilou.

– Vamos fazer bebés, Kim… - Pediu Kaeru, sussurrando ao ouvido de Kim. As mãos do Uchiha penetraram por debaixo dos braços da rapariga chegando ao colete, que a mesma vestia, e começando a puxar o fecho ecler para baixo, abrindo-o lentamente, enquanto a sua língua brincava com a orelha dela.

Mas num movimento inesperado, Kim mexeu-se e empurrou Kaeru contra uma árvore. O jovem homem que tinha à sua frente tinha um encanto assustador, perturbador. Só ela sabia como era difícil resistir-lhe. Beijou-o de forma selvagem, nem dando tempo para que ele processa-se a ideia de que estava a ser beijado.

– Estamos a meio do trabalho… - Falou, de maneira perigosa, colocando um joelho por entre as pernas dele, pressando-lhe o membro, o que o fez gemer. – Se te queres aliviar vai atrás de uma árvore e usa a tua mãozinha. – E deixou-o desamparado encostado à árvore.

– És tão má para mim, Kim… - Lamentou-se. – Vamos fazer uma aposta?

– Hã? – A ruiva olhou para o moreno incredulamente. Que estaria ele a pensar?

– Se a equipa do Nara chegar em primeiro ao posto de vigia, nós vamos sair num encontro. – Apostou Kaeru, com um sorriso confiante, afinal, ele não perdia nenhuma aposta, nem nenhum jogo de sorte em que se metia. Era uma criatura de sorte, um magnetismo da boa fortuna.

– Tu não bates bem da cabeça! Nós já somos namorados.

– E então? Não posso levar a minha namorada para um encontro?

– Mas não precisas de fazer uma aposta, basta pedires.

– Mas ai não tinha tanta piada. – Declarou Kaeru.

– Muito bem! – Por fim, Kim entrou na brincadeira, tendo uma ideia extraordinária. – Então se o grupo do Nara perder e o da Oshi ganhar tu vais ser obrigado a carregar o nosso primeiro filho.

– Isso é impossível… - Gemeu Kaeru, sabendo muito bem do que Kim falava.

– Não é impossível! Tu tens um útero, também podes engravidar…

– Eu sei disso, mas eu não vou deixar que alguém… que me metam coisas… no tra-traseiro… - Estremeceu. Ela sorriu, adorava quando Kaeru, que era uma pessoa extremamente confiante, ficava embaraçado.

– Nunca ouviste falar de inseminação artificial? Portanto a minha aposta é: Se o grupo da Oshi ganhar, tu terás de engravidar do nosso primeiro filho. Se o grupo do Nara ganhar eu vou contigo a um encontro.

– Seja lá que encontro for?

– Seja o que for! – Confirmou a namorada.

– Eu não vou perder! – Tinha de novo um olhar cheio de confiança. Kim suspirou, quando é que o tonto do seu namorado ia perder a vontade de jogar e apostar tudo? Poderia vir a arrepender-se um dia…

oOo

A manhã chegou. Oshi espreguiçou-se. Era dia 22 de Julho. Ela acordara cedo para arrumar algumas coisas, deixar as últimas ordens aos empregados do distrito Uchiha e agora estava em frente da mansão principal, com um marido sonolento ao lado, à espera que o idiota do irmão chegasse. Os exames chunnins tinham terminado há uma hora, ele já estava mais do que fora de horas. Iriam chegar atrasados à festa dos pais se não se despachassem, tinham ainda uma longa caminhada pela frente.

– Olá Oshi! – Pelo caminho aproximava-se Kim, com o seu belo e longo cabelo molhado e solto. Já se despira da sua farda ninja e aparentava um sorriso enorme. Atrás dela vinha o irmão, também já de banho tomado, mas com uma cara horrível.

– O que se passou? – Questionou olhando para o irmão, tinha um aspeto adoentado.

– Não perguntes. – Resmungou Kaeru.

– Parabéns Oshi, o teu grupo chegou em primeiro lugar ao posto de vigia. – Congratulou-a Kim, o seu sorriso alastrou-se mais, enquanto os seus olhos se fixavam no namorado.

– Obrigada. Eu sabia que eles iam conseguir. Tenho a melhor equipa de todas. – Orgulhou-se a Uchiha dos seus alunos. Kaeru resmungou qualquer coisa que ninguém percebeu. – Mas o que é que tu tens?

– Perdeu uma aposta. E agora vai arrecadar com as consequências. – E Kim continuava a sorrir.

– E quais são as consequências? – Perguntou Kaoru olhando para o rapaz mais novo, que o fuzilou com os olhos, virando a cara bruscamente sem responder.

– Vamos embora, ainda teremos de ir até Otogakure. – Tentou Kaeru evitar o assunto começando a dar alguns passos.

– O Kaeru vai engravidar do nosso primeiro filho. – Contou Kim, completamente radiante.

– Kim! – Gritou o namorado.

– Acho isso muito maravilhoso. O homem que faça algum trabalho. – E as duas raparigas começaram a gargalhar. Kaoru aproximou-se de Kaeru e colocou-lhe uma mão sobre o ombro, como um toque de solidariedade masculina.

– Tenho pena de ti. Não devias ter feito a aposta.

– Vamos embora. – Ordenou Kaeru, completamente mal-humorado, afastando a mão do cunhado que se ria da sua desdita sorte. Algum dia teria de aprender a parar com as apostas.

oOo

– Naruto és capaz de respirar fundo? – Perguntou Sasuke, enquanto remexia no cabelo, num tique nervoso, em frente de um enorme espelho.

– Onde é que eles estão? Já cá estão todos menos eles. – Naruto e Sasuke estavam fechados numa das casas de banho do palácio. Ouvia-se música de fundo, vinda do salão. Os amigos e as famílias destes já tinham chegado. Mas faltavam quatro pessoas essenciais: Kaeru e Kim; Oshi e Kaoru.

– É melhor mandar servir o jantar, depois quando eles chegarem terão de explicar muito bem explicado por que é que se atrasaram! – Decidiu o moreno.

–-

If your plane fell out of the skies

(Se o teu avião cair dos céus)

Who would you call with your last goodbye?

(A quem ligarias para dizer o teu ultimo adeus?)

Should be so careful who we live for at our lives

(Temos que ter cuidado para quem trazemos para as nossas vidas)

So when we long for absolution there will no one on the line

(Para quando for a absolvição não haver ninguém na linha)

–-

Yeah

We gotta start

(Nós temos que começar)

Looking and the hand of the time we've been given here

(A olhar para o tempo que nos foi dado para estar aqui)

This is all we got and we gotta thinking it

(Isto é tudo o que temos e temos que pensar nisso)

Every second count on the clock that's ticking

(Cada segundo está a ser contado pelo relógio)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

–-

A festa e a noite estavam animadas. As pessoas conversavam umas com as outras, relembravam tempos antigos, revelavam planos antigos que tinham para o futuro, contavam os seus sonhos. Abraçavam-se com saudades, riam com vontade. Mas todos percebiam que os anfitriões, Naruto e Sasuke, apesar de tentarem sorrir e parecer despreocupados, estavam com os pensamentos noutro lugar. E todos sabiam porquê: faltavam membros presentes da família Uchiha.

O jantar já tinha terminado. Encontravam-se todos a repousar, falando, ou simplesmente ouvindo o que outros diziam. As crianças já tinham sido autorizadas a sair da grande mesa, e provavelmente corriam agora pelas divisões do palácio soltando gargalhadas em largas brincadeiras.

E então, quando já nem Sasuke, que era o mestre do disfarce, conseguia encobrir a sua preocupação, finalmente, os quatro esperados, chegaram. Foram anunciados por um guarda e depressa entraram. Imediatamente estavam rodeados pelos pais e irmãos, com todos os convidados atrás querendo saber o que se passava.

– Onde é que vocês andaram? – Questionaram Naruto e Sasuke ao mesmo tempo, colocando as suas vozes acima de outras.

– Podemos só deixar a Oshi sentar-se? – Pediu Kaoru, rapidamente Sasuke tomou o lugar deste, ao lado da mulher, percebendo desde cedo que a filha não se encontrava bem, ela estava muito pálida. Quando deu as mãos à filha reparou que ela estava a suar frio. Levou-a até à sua cadeira na grande mesa.

– O que se passou minha querida? – O moreno passou as suas mãos pela testa e pelo rosto da filha. Ficou aliado ao perceber que ela não tinha febre. Mas então por que estava tão pálida?

– Eu estou bem papá. – Acalmou-o Oshi, sabia como era a excessiva proteção de Uchiha Sasuke para consigo. – É apenas má disposição. Mas neste momento tenho muita fome.

– Tragam comida. – Ordenou Naruto a um dos empregados.

– Nós chegamos mais atrasados porque a Oshi passou o caminho todo a vomitar. – Contou Kaeru.

– A vomitar? – Falaram ambos os pais.

– Oh, não é nada de mais. Eu não vou morrer. – Descontraiu Oshi. Puxando de um copo e servindo-se de sumo de uma das várias taças que existiam na mesa. Queria tirar da boca o saber do vomitado.

– Oshi, tu podes estar doente. Tens de ser vista por um médico. – Aconselhou Sasuke, falando para a filha de uma maneira muito doce. Um tom de voz que ele não dirigia a mais ninguém, nem mesmo a Naruto, bem, talvez só um pouco ao louro.

– Já fui vista por um médico papá, garanto-te que não vou morrer. – Sorriu a mulher loura. Nesse momento trouxeram um enorme tabuleiro de comida. Os olhos azuis dela brilharam.

– Mas vomitar é um sinal de… - Calou-se, rapidamente viram os olhos de Sasuke abrirem-se, até estarem esbugalhados. A sua mente de raciocínio rápido estava a funcionar em pleno. A voz fugiu-lhe da garganta. E, se era possível, estava ainda mais pálido.

– Sasuke? – Naruto aproximou-se de Sasuke tentando perceber por que é que de repente ele estava a ficar apático.

– Bem, Oshi talvez seja melhor contar as novidades. – Propôs Kaoru, postando-se por detrás de Oshi, que comia desalmadamente, com as mãos sobre os ombros da esposa.

– Sim, claro. – Concordou sem cerimónia, dando as mãos ao marido. Ambos sustentavam um sorriso misterioso, mas claramente feliz no rosto. – Bem, Pai, Papá, nii-san, otouto, sobrinhos e amigos, eu estou grávida. Vamos ter o nosso primeiro filho. Estou de dois meses e está previsto nascer em Fevereiro.

– Ohhh. – Gritaram muitas das mulheres, depressa Oshi estava rodeada por elas, todas excessivamente entusiasmadas. E Kaoru também foi rodeado pelos amigos e conhecidos, todos muito contentes. A festa de congratulação e felicitações estava instalada.

Nasasu abraçou a irmã e gargalharam juntos. Finalmente ia deixar de ser o único a ter descendência dentro da família. Kagure também a felicitou com um sorriso largo, e os olhos em lágrimas. O que deixou a loura curiosa, sabia que Kagure era um rapaz de sensibilidade acima da média, mas não ao ponto de chorar. Também sabia que ele e o irmão estavam a tentar ter mais um filho, e que não estavam a ser muito felizes nas suas tentativas. Mas também compreendeu que os dois estavam felizes e não tristes com a notícia de que seriam tios. Então o que estavam eles a guardar? Ou seria mais a esconder? Olhou para Kagure e sentiu que quase tinha a resposta. Mais tarde falaria com ambos e descobriria se as suas suspeitas eram fundadas.

– A minha… a minha filha… - No meio da confusão estava o Hokage a amparar o Maou, que se sentia terrivelmente tonto e sem ar. – A minha filha… grávida? A minha pura e inocente filha? - Naruto revirou os olhos, quando o assunto era "Oshi", Sasuke tornava-se no rei do melodrama. O moreno, que via o mundo a rodar, agarrava-se fortemente à roupa do marido.

Ele sabia, sempre soubera, aquele Kaoru tinha vindo para destruir a sua filha. Embora a culpa (mesmo que não admitisse) fosse dele, por ter metido o rapaz atrás da filha. Mas fora apenas para a vigiar, não para que ele a namorasse. Escusado será dizer que ele nunca achara que ninguém era suficientemente bom para estar ao lado de Oshi e só por força de Naruto é que aceitara o casamento.

– Eu não me estou a sentir, nada… bem… - Olhou para Naruto, que se preocupou, realmente ele não estava com boa cara, grossos pingos de suor caiam-lhe pelo rosto. Logo a seguir teve que o agarrar, quase caindo ele mesmo, pois Sasuke, devido ao choque repentino, desfaleceu.

– Sasuke? Oh, vá lá… - Não valia a pena resmungar muito, o marido, um homem de quase 51 anos de idade, tinha acabado de desmaiar, de forma abrupta, ao saber que a sua filha estava grávida.

oOo

A noite já ia na madrugada, alguns convidados tinham partido para as suas casas, outros tinham ficado nos quartos disponibilizados pelo Hokage no palácio do Maou. Já se achava tudo relativamente calmo.

No quarto do rei, estava a família Uchiha (menos Kim) reunida à espera que Sasuke recuperasse os sentidos. Karin já lhes tinha assegurado que o moreno mais velho não tinha entrado em coma novamente, por isso, eles já não estavam receosos. Ele tinha apenas desmaiado. Mas ele ia ouvir das boas. Que tipo de homem era por desmaiar daquela maneira só por receber a notícia de que a filha lhe daria mais um neto? Tinha preocupado horrivelmente toda a gente. Alguns até tinham pensado que o Maou sofrera um atentado à sua vida, foi com muito esforço, no meio da euforia do momento, que Naruto explicou que Sasuke tinha apenas desmaiado.

– A bela adormecida está a despertar. – Avisou Naruto ao ver os olhos de Sasuke a entreabrirem.

Abriu os olhos e viu-se rodeado pela família. Sasuke estava deitado ao centro da grande cama de casal no quarto principal do palácio. Naruto estava mesmo do seu lado direito, remexendo-lhe o cabelo com um carinho natural. A seguir estava Oshi, com um sorriso a trejeito bastante trocista (sim, ela estava a gozar com o próprio pai). Kagure encontrava-se sentado a seguir à loira. Nos pés tinham adormecido os gémeos, um contra o outro. Miyuki, também adormecida, estava ao colo do tio dela, Kaeru, que estava sentado antes de Nasasu, que se encontrava, por sua vez do lado esquerdo do pai. O único que estava de pé era Kaoru, apenas talvez por não ter lugar na cama.

– Papá, podes parar de olhar para o meu marido como se o quisesses matar?! – Pediu Oshi compreendendo o olhar de Sasuke. "Como se o quisesse matar? Eu quero mesmo matá-lo." Pensou o moreno, mas não se atrevendo a dizer isso em voz alta, ou seria ele morto pela filha.

Deu-se então de conta da situação em que estava. Ele tinha desmaiado em frente daquelas pessoas todas? Em plena festa! Havia algum buraco fundo onde Uchiha Sasuke se pudesse esconder?

– Tu és sempre um exagerado quando se trata de Oshi. – Debochou Naruto.

– Hunf. – Refilou baixinho, tentando disfarçar a atrapalhação que sentia.

– Bem, é bom saber que o Sasuke-sama está bem de saúde. – Falou Kagure com a sua voz sempre tranquilizadora, dando à própria família um pouco da sua calma. – Agora se não se importam é melhor acordar os rapazes e metê-los na cama. – Referia-se aos gémeos.

– Eu levo a Yuki para a cama. – Ofereceu-se Kaeru.

– Obrigado, Kaeru.

– De nada. Assim aproveito para também me ir deitar.

Kagure já se tinha levantado e mansamente chamava os pequenos. Logo Kaguro estava desperto e ajudava o pai a despertar o irmão, que era claramente um descendente de Naruto (quando ferrava a dormir o mundo podia acabar que ele não daria por nada). Percebendo que o filho não ia acordar a não ser que lhe jorrasse água fria em cima, Kagure agarrou em Itachi ao colo.

– Vamos indo. – Com um acordo de cabeça, Kagure saiu juntamente com Kaeru e Kaguro que deu um aceno sonolento à família, não tendo forças para ir beijar toda a gente. Mas depois o mesmo correu para trás para vir abraçar o avô. Tinha-se lembrado de algo muito importante.

– Parabéns Vovô! – Felicitou com um sorriso doce. Já estavam na madrugada de dia 23 de Julho, Sasuke já tinha oficialmente 51 anos. Não sabia realmente se estava contente por ter mais um ano de vida, ou deprimido.

– Obrigado Kaguro. Dorme bem pequeno.

– Até amanhã, Vovô. Até amanhã vô. – Desejou, beijando Naruto, e depois num beijo geral ao resto da família, correu para apanhar o pai e o tio, que tinha indo andando à frente com os irmãos.

– Papá, estás mesmo bem? – Questionou Oshi aproximando-se do pai, e dando-lhe as suas mãos. Agora ela estava quente, mas não quente demais, estava simplesmente bem.

– Sim, estou. Desculpa preocupar-te, foi só… um choque… um grande choque… - Confessou o moreno.

– Quer dizer que não está feliz por mim, pelo meu filho, o teu neto?

– Não é nada disso. – Puxou a filha e abraçou-a. – Eu estou muito feliz por ti. Vai ser ótimo ter mais um neto. – Enquanto dizia isto, com a filha entre os seus braços, sabendo que ela estava a salvo, olhou para Kaoru. Este sentiu um arrepio na espinha. Não era fácil ter Sasuke como sogro. Pelo menos, não no seu caso.

– Ficou muito feliz por saber isso. Pensei que me ias odiar, sei lá…

– Odiar-te? Não querida. Nunca! eu amo-te. Ódio é a última coisa que sinto por ti. – Declarou Sasuke. O mesmo ele não podia dizer sobre o marido da filha.

– É muito bom saber isso… ouvir isso. Agora se não te importas vou dormir. A viajem não foi propriamente fácil. – Oshi deu um beijo a ambos os pais e depois pegou na mão do marido para sair, na sua saída entrou Kagure. O casal também lhe desejou uma boa noite e depois desapareceu.

– Os meninos já estão deitados. – Informou, aproximando-se da cama dos sogros. Nasasu levantou-se, de onde tinha estado ao lado do pai, e foi até ao esposo, beijou-lhe os cabelos.

– Então nós também vamos dormir, não é? – Perguntou ao esposo.

– Sim. Boa noite, Sasuke-sama, Naruto-sama.

– Boa noite, pai, papá.

– Esperem lá os dois ai um bocado. – Impediu Sasuke. – E quando é que vocês vão anunciar a vossa gravidez?

– Como é que tu…

– Nasasu, estou com Kagure quase todos os dias, achas que eu não noto a diferença? – Os quatro riram.

– Éramos para contar hoje, mas não queríamos estragar o momento de Oshi. Contamos amanhã. – Explicou Nasasu.

– Parabéns meninos. – Desejou o louro.

– Obrigado. – Responderam os dois mais novos ao mesmo tempo. Depois de se despedirem, acabaram por sair.

– Parece que temos agora um tempinho para nós dois. – Disse Sasuke. Mal a porta se tinha fechado, ele agarrou em Naruto e puxou-o para si roubando-lhe um beijo. Naruto deixou-se levar postando-se por cima de Sasuke e aprofundado o beijo, as línguas travaram uma batalha entre as bocas, para ver quem dominava. As mãos do moreno elevaram a camisa do louro. Mas ai, Naruto, quebrou o contacto.

– Está na hora do teu presente.

– O meu presente não foi a festa? – Surpreendeu-se Sasuke.

– Claro que não. – Naruto levantou-se.

– Onde vais?

– Preparar o teu presente. Espera bem ai quietinho.

– Sim, chefe. – Obedeceu Sasuke, com um sorriso tão maroto quanto o de Naruto, enquanto este último saia pela porta do quarto com um aceno de mão. O que estaria o esposo a tramar? Não era muito fã de surpresas, não sabia muito bem o que esperar delas. Mas se a surpresa envolvia uma cama, então não podia ser assim muito má.

Naruto voltou 15 minutos depois, quando já Sasuke pensava que tinha que se levantar da cama para ir à procura do louro, não fosse este ter fugido. Só que o regresso de Naruto foi dececionante. Ele trazia apenas um tabuleiro com duas bebidas. Ele que tinha imaginado que o louro teria ido vestir alguma coisa sexy, quem sabe uma fantasia. Mas não, ele vestido da mesma maneira.

– Toma! – Passou um dos copos para o marido. – Que cara é essa?

– Este é o meu presente?

– Claro. É um cocktail especial. – O sorriso na cara de Naruto era enorme. Olhou para o cocktail de forma interrogativa. O que teria o cocktail? – Vamos, bebe.

– Não me vais envenenar, pois não?

– Volta a fazer essa piada e talvez eu pense nessa alternativa. – Respondeu o louro com o mesmo sorriso. Sasuke beberricou o coktail.

– Uau!

– É bom? – Questionou Naruto, os seus olhos brilhavam, mas Sasuke sentia que alguma coisa não estava bem. Havia qualquer coisa atrás daquele cocktail.

– É ótimo. Desde quando é que fazes cocktails.

– Não há muito tempo. A Sakura ensinou-me a fazer alguns. Este é de fruta tropical. Dizem que tem poderes afrodisíacos. – Picou o morenaço.

– Dizem?

– Brinde? – Propôs Naruto. Os copos bateram e eles continuaram a beber.

À medida que Sasuke bebia mais, realmente sentia que o seu corpo estava a aquecer. Seria pelas frutas tropicais serem afrodisíacas? Mas que tipo de frutas tropicais? Quer dizer, existiam muitas frutas tropicais, dezenas, centenas delas. Então qual delas é que eram afrodisíacas?

– Naruto? – Agarrou na mão de Naruto com urgência. O seu estômago ardia. – O que é que o cocktail tem?

– A tua prenda. – Naruto sorria, mas o seu rosto também tinha um traço de sofrimento. Agora todo o seu corpo ardia.

– O que colocaste no cocktail? – Não percebeu a resposta que Naruto lhe deu. – Foi droga? - E apagou-se.

– Bem, Sim, Sasuke foi droga, e um calmante bem forte. – Explicou Naruto, agarrando no copo do marido para que o resto da bebida não suja-se a cama. – Juntamente com a tua prenda… - Beijou os lábios semi abertos de Sasuke e deitou-o mais ou menos cuidadosamente na cama.

–-

We only got 86 400 seconds in the day

(Só temos 86 400 segundos por dia)

To turn it all around or throw all away

(Para mudar tudo ou deitar tudo fora)

We gotta tell them that we love them while we got the chance to say

(Temos que lhes dizer que os amamos enquanto temos essa oportunidade)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

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Like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

Oh like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

Like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

Oh like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

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Mais um dia nascia sobre Otogakure. Nasasu via o seu anjo de cabelos prateados adormecido contra o seu peito. Suspirou satisfeito. Era um ser completo. Era tão bom ser feliz. Era tão bom ser enojadamente invejado por ser feliz. Kagure moveu-se ao sentir Nasasu despertado. Ele acordara antes, mas mantivera-se imóvel a ouvir o coração do esposo a bater. Era um som maravilhoso. Toda a vida era maravilhosa.

– Bom-dia. – Desejou.

– Bom-dia, amor.

Nasasu puxou Kagure para o beijar. Mas de repente a porta do quarto foi aberta.

– Senhor, desculpe, senhor. – Nasasu sobressaltou-se, juntamente com Kagure. Reconheceu um dos velhos do conselho. O que fazia aquela pessoa ali? E ainda por cima logo pela manhã, interrompendo a sua privacidade. – Senhor! O Maou e o General desapareceram.

– O QUÊ?

oOo

Sentia-se zonzo. O mundo balançava. Bailava como um barco em alto mar. O próprio ar cheirava a água salgada. Sentia-se como num sonho. Literalmente, pois até os seus pensamentos estavam retardados. Abriu os olhos devagar e viu um teto decorado a dourado, com muitos arabescos. Sentiu o colchão, apesar de macio, não era o seu colchão. Não era a sua cama.

Levantou-se, ficando sentado na cama. Olhou para o seu corpo. Tinha uma pequena sensação de alguma coisa estava diferente, mas de momento não conseguia identificar o quê, talvez pelo seu cérebro estar a funcionar lentamente. Mas conseguia perceber que estava com um pijama seu, embora o pijama estivesse grande demais para o seu corpo, só não conseguia imaginar o porquê.

Realmente estava num sítio diferente. Não era a sua cama, não era o seu quarto e não era o seu palácio. Ergueu-se da cama. O seu corpo estava mole e ele cambaleava ligeiramente. Existia uma porta grande, que dava para uma varanda, ou pelo menos era o que parecia. Andou até lá, de maneira lenta. Queria ver onde estava.

Os seus olhos esbugalharam-se. Onde ele estava? Seria mais onde ele não estava. Ele não estava em Otogakure, isso era uma certeza. À sua frente estava parte do convés de um navio de cruzeiro e nem um pedaço de terra à vista. Ele estava em alto mar.

oOo

– Como assim eu fico como regente? – O coração de Nasasu batia descompassadamente, de forma dolorosa. Encontrava-se em frente do conselho. Acabara de ler uma carta que Naruto lhe tinha deixado a explicar a situação. Ao seu lado Kagure ria-se da sua figura. Mas não era só da figura de Nasasu, era da situação em si. Era extremamente engraçada.

– São as instruções do General Superior, alteza. – Falou um dos homens do conselho.

– Eu vou ter um ataque de coração. – Murmurou Nasasu batendo, mesmo sem querer, com a cabeça sobre o tampo da mesa do conselho.

– Não fique assim, Nasasu. É apenas por uma semana. – Apaziguou-o Kagure, sabia o quanto Nasasu tinha medo da posição de Maou, que embora não a negasse, não era como se a quisesse assim tão rapidamente. – Os teus pais também merecem umas férias. Faz isto por eles.

– Ok. – Concordou Nasasu, o conselho soltou um suspiro, pelo menos não ficariam sem governante. "Por favor, que seja só uma semana!", pediu o moreno aos céus.

oOo

Os seus olhos foram tapados por duas mãos e ele sentiu o calor de um corpo atrás de si. Conhecia bem de mais aquele calor, logo sabia perfeitamente quem era.

– Parabéns Sasuke.

– Tu drogaste-me, és um dobe! – Relembrou então Sasuke. Tentou destapar os seus olhos, mas ainda estava sobre o efeito do calmante, e não tinha força para afastar as mãos do louro. – Solta-me. – Ordenou, estava furioso.

– Desculpa Teme, mas era a única maneira de te dar a tua prenda de anos.

– Tira as mãos dos meus olhos.

– Nã-nã. – Recusou-se Naruto e forma infantil, agarrando ainda mais o moreno.

– Eu vou matar-te. – Ameaçou Sasuke.

– Ainda estás sobre o efeito do calmante, não estás? Senão já te terias soltado há muito tempo. – Notou. Sasuke resmungou qualquer coisa em resposta. Naruto sorriu interiormente e continuou numa voz terrivelmente sedutora: – Mas vais dizer que não gostas da surpresa, Sasuke? Uma semana num cruzeiro, sobre um belo sol, só nós dois, fazendo coisas inimagináveis, tudo aquilo que nos passar pela cabeça.

Merda, pensou Sasuke, o louro sabia como lhe atiçar a vontade.

– E Otogakure?

– Nasasu ficou encarregue de tudo. – Tranquilizou-o Naruto. – Mas agora que estamos aqui, apenas nós dois Sasuke, não vamos desperdiçar, pois não?

– Se me deixares abrires os olhos talvez eu te responda. – Retrucou o Uchiha moreno.

– Não posso senão a segunda surpresa ficaria estragada.

– Que segunda prenda?

– Vem comigo. – Sem deixar Sasuke ver, Naruto puxou-o para dentro do camarote de primeira classe que tinha alugado naquele belíssimo cruzeiro. Eles iam passar pelos recifes de coral da costa do Pais da Água, depois seguiriam pela costa do Fogo, e teriam outras imensas belezas para ver. Seria um programa romântico, e mais maravilhoso ainda, estariam apenas os dois. – Abre a porta.

– Naruto, eu não vejo sequer onde está a porta. – Resmungou Sasuke.

– A porta está mesmo à tua frente. Usa as mãos e procura a maçaneta para abrir.

Tateando, Sasuke procurou pela maçaneta, quando a encontrou, rodou-a e abriu a porta. O casal entrou na casa de banho. Naruto acendeu as luzes e então Sasuke viu-se ao espelho. O choque foi completo, dos pés à cabeça.

oOo

– Mais calmo agora? – Questionou Kagure. Ele e o marido estavam nos jardins envolta do palácio, Kagure estava encostado ao tronco de uma árvore e Nasasu estendido no chão com a cabeça sobre o colo do homem de cabelos prateados. Tinham resolvido fazer uma refeição ligeira com os filhos do lado de fora, e depois de comerem as crianças brincavam ali perto, enquanto eles repousavam.

– Sim. – Já se tinha conformado de que durante uma semana inteira teria o papel de Maou.

– Estive a pensar, achas que podemos chamar de Akio o novo bebé? – Perguntou Kagure. Nasasu olhou-o espantado.

Dez anos antes quando o parto de Miyuki fora provocado por Danzou, Kagure tivera uma prova de que Shidou Yuuri não era completamente a pessoa que ele achara que era. Fora apenas um homem sem sorte na vida, ou mais concretamente, com uma vida trágica e um destino trágico, que o levou a um caminho errado. Mas mostrara que no último instante, que mesmo no último momento tudo pode ser corrigido, tudo pode ser mudado.

Foi pela boca de Azuka, que Kagure e Nasasu ouviram a história, simples mas, incompreendida, do velho Shidou. Yuuri nascera num clã numeroso e feliz, mas incrivelmente odiado por causa da sua técnica de sangue. Eram pessoas extremamente calmas e ligadas a tudo o que estava à volta delas. O Kekkei Guenkai era, no entanto, uma bênção e uma maldição. Ao contrário do Sharingan e do Byakugan, não podia ser roubado, então tinha que ser eliminado para que não fosse uma vantagem para quem tinha um Shidou no seu lado da batalha.

Na última grande guerra ninja o clã Shidou tinha sido um alvo especial para as nações inimigas de Konoha e fora quase aniquilado, tendo apenas sobrevivido as pessoas mais velhas que não tinham ido para a guerra, que mais tarde a morte as levaria devido à idade. Dos mais novos restaram dois - Yuuri e Akio.

Yuuri e Akio tinham sobre os seus ombros o futuro do clã. Os mais velhos esperavam muito deles os dois. Mas o que eles não esperavam é que se apaixonassem um pelo outro. Quando foram descobertos as consequências foram enormes. Akio foi morto e Yuuri poupado por ser filho do chefe do clã. O último foi obrigado a casar com Azuka. E foi nesta espiral que nasceu a aversão de Yuuri aos sentimentos e aos sentidos que o seu kekkei guenkai lhe despertava. Na realidade, ele não odiava a sua técnica de sangue, odiava o facto de por causa dela e da sua sobrevivência em gerações futuras, a pessoa que ele mais amara tivesse morrido. Azuka acreditava que Yuuri morrera no mesmo momento que Akio.

– Eu gosto do nome. – Concordou Nasasu. Seria uma homenagem ao único amor da vida de Shidou Yuuri. Um amor que lhe fora retirado de forma cruel.

– Obrigado, Nasasu. – Seria mais do que uma homenagem, seria uma tentativa de renascer o amor da alma de Yuuri, que eles esperavam que tivesse com Akio. E no fim, mesmo no fim, Yuuri mostrara que também amara os filhos, talvez em outras circunstâncias ele tivesse sido um pai maravilhoso.

oOo

– UZUMAKI NARUTO O QUE É QUE FIZESTE? – Berrou Sasuke olhando horrorizado para o espelho.

– É Uchiha Naruto… - Corrigiu Naruto.

–O que é que tu me fizeste?

– Correção: é o que é que eu nos fiz? – Gargalhou o louro.

– ISTO NÃO TEM PIADA! – Agarrou no colarinho de Naruto. – Olha para mim! ACHAS QUE ISTO TEM PIADA!?

– Claro que tem. Tratei dos teus cabelos brancos e das minhas rugas. – Disse animado.

– Naruto, nós parecemos adolescentes de 16 anos!

– Não, melhor que isso. Nós estamos como adolescentes de 16 anos. – Riu-se. – Embora seja temporário.

Sasuke largou Naruto e mirou a sua imagem ao espelho. Agora percebia porque o seu pijama estava largo. Ele já não tinha a envergadura de um homem maduro de 50 anos, agora estava no corpinho de um menino de 16 anos. Realmente já não tinha cabelos brancos, mas encontrava-se tal e qual a si mesmo quando era um adolescente. E Naruto? Naruto estava na mesma. Tinham, ambos, voltado à sua aparência quando jovens.

– O que é isto?

– É um jutsu juntamente com uns químicos que eu e a Sakura inventamos. – Orgulhou-se Naruto, todo contente vendo-se ao espelho. Ao que parecia a Sakura também andava um tanto ou quanto chocada com o envelhecimento.

– E quando é que isto desaparece?

– Er… pois…

– Pois o quê?

– Esse é o problema… nós não sabemos quando tempo dura o efeito, pois varia de pessoa para pessoa. – Confessou louro sendo automaticamente comido pelos olhos escuros do moreno. Ia ser morto…

– NARUTO COMO PODESTE FAZER UMA COISA DESTAS!? Drogaste-me, sequestraste-me num cruzeiro e ainda me deste um ar de miúdo…

– Bem, quando tinhas 16 anos não te importavas com a tua aparência.

– Mas com esta aparência… como é que eu vou governar um país com esta aparência? – Parecia até um pouco desesperado. – Vão todos deixar de acreditar em mim!

– Deixa-te de dramas Sasuke. – Naruto aproximou-se rapidamente de Sasuke, indo prendê-lo contra a parede metalizada da casa de banho do barco. - Eu era mesmo um "dobe" com 16 anos, não era?

– Tu ainda és um dobe…

– Não, agora tenho as ideias bem mais claras. E consigo ver claramente o quanto eu verdadeiramente era estupido. Como é que eu não reparei em ti, e em todo o teu… hum… como devo dizer? Charme? Beleza de porcelana. Tu, com a tua aparência de 16 anos… ah, Sasuke, estás a enlouquecer-me… – As palavras de Naruto perderam-se e ele atacou os lábios do moreno.

–-

We only got 86 400 seconds in the day

(Só temos 86 400 segundos por dia)

To turn it all around or throw all away

(Para mudar tudo ou deitar tudo fora)

We gotta tell them that we love them while we got the chance to say

(Temos que lhes dizer que os amamos enquanto temos essa oportunidade)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

You never know a good thing until it's gone

(Tu nunca reparas numa coisa boa até ela acabar)

You never see a crash until its head on

(Tu nunca olhas para um acidente até ser a tua cabeça)

Why we think we're right when we're dead wrong?

(Por que é que pensamos que estamos certos quando estamos mortalmente enganados?)

You never know a good thing until it's gone

(Tu nunca reparas numa coisa boa até ela acabar)

–-

– Vocês já vão?

– Claro. – Respondeu Oshi à pergunta do irmão mais velho.

– Eu não estou de férias, temos as nossas equipas à espera. – Esclareceu Kaoru.

– Mas eu vou enviar cartas todos os dias. – Oshi agarrou nas mãos de Kagure. – Estou tão contente por estarmos os dois grávidos. Vai ser ótimo poder falar sobre todas as situações contigo Kagure.

– Sim, concordo. – Apesar de Kagure já ter estado grávido a situação tinha sido complicada e difícil. Ele tinha a certeza que desta vez a experiência seria muito diferente, principalmente porque acompanharia cada passo da gravidez de maneira calma, e não ficaria com uma barriga enorme de um momento para o outro, como tinha acontecido com a sua saída da Montanha Deserta da Meditação.

– E vai ser ainda melhor quando os bebés nascerem! Vai ser muito bom vê-los crescer juntos. - Kagure sorriu com o entusiasmo de Oshi.

– Bem, mas minha mulher eufórica! Nós temos que ir andando. – Avisou Kaoru.

– Certo, certo. Só é uma pena os pais não estarem cá. Terei de lhes mandar uma mensagem quando chegar a Konoha. Quer dizer, vão para um cruzeiro maravilhoso e romântico e nem sequer me levam. É imperdoável. – Todos se riram.

– Façam boa viagem. – Desejou Nasasu. Foi abraçado com força pela irmã. E depois ouviu-a soluçar.

– O que se passa Oshi?

– São as hormonas. – Explicou ela. Virou-se para Kagure e abraçou-o. – Vou ter tantas saudades vossas.

– Por favor, Oshi, não chores, senão eu vou… - Quando deram por si, tanto Oshi como Kagure choravam abraçados um ao outro, cúmplices nas suas mudanças hormonais, comportamentais.

– Teremos de arranjar uma maneira de esses dois se verem mais vezes agora. – Falou Kaoru para Nasasu, enquanto ambos viam os seus parceiros a chorar desalmadamente.

– Concordo. Eu vou a Konoha no próximo fim-de-semana. – Decidiu Nasasu, por essa altura os seus pais já deviam estar de volta, pensou. – Já se despediram de Kaeru e da Kim?

– Sim, e dos meninos também. Aquela Miyuki é uma reguila.

– É. Igualzinha ao avô Naruto. – Os dois homens riram-se.

A vida continuava. O tempo passava. Os filhos cresciam, novos netos, novos descendentes apareciam. Não havia nada melhor que ter uma vida sossegada, entregue aos melhores prazeres que a beleza universal lhes poderia oferecer.

oOo

– Estás a ver? Este instrumento é inserido no orifício e a célula fertilizada é implantada no corpo do futuro gestante… - Karin estava a ter o enorme prazer de explicar ao namorado da filha o que era a inseminação artificial, que por sua vez estava terrivelmente horrorizado.

– Por favor, Karin-san, não conte mais, eu não quero ouvir mais. – Pediu com as mãos tapando os ouvidos.

– Mas tens de ouvir, é para tua informação. Afinal, és tu que vais carregar o meu primeiro neto. Embora ainda seja daqui a muito tempo, nunca é demais receber informação. – Sim, Kim tinha contanto à mãe tudo sobre a aposta. E agora Karin aproveitava a oportunidade para poder amedrontar o pobre Kaeru.

– Karin-san… - O rapaz estava quase à beira das lágrimas.

– Mas como estava eu a dizer, este instrumento vai ser inserido no teu…

– Mãe! – Ralhou a filha. – Pára de torturar o meu namorado.

– Eu não o estava a torturar, estava a dar-lhe informação útil. – Defendeu-se a ruiva mais velha ajeitando os óculos na cara.

– Vamos indo, Kaeru… - Puxou o namorado para que saíssem de casa dos país loucos. - Eu prometi-te um jantar hoje, não foi?

O sorriso do Uchiha rompeu-se na sua cara. Era bom ser amado e amar alguém.

–-

Yeah

We gotta start

(Nós temos que começar)

Looking and the hand of the time we'vebeen given here

(A olhar para o tempo que nos foi dado para estar aqui)

This is all we got and we gotta thinking it

(Isto é tudo o que temos e temos que pensar nisso)

Every second count on the clock that's ticking

(Cada segundo está a ser contado pelo relógio)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

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We only got 86 400 seconds in the day

(Só temos 86 400 segundos por dia)

To turn it all around or throw all away

(Para mudar tudo ou deitar tudo fora)

We gotta tell them that we love them while we got the chance to say

(Temos que lhes dizer que os amamos enquanto temos essa oportunidade)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

–-

Naruto foi lançado para cima da cama de casal no camarote de primeira classe de um dos melhores cruzeiros do mundo ninja. Já estava despido e a pessoa que de pé perto da cama o comia com os olhos, de maneira enraivecida, também já estava despedida.

– Eu vou fazer-te pagar pelas drogas, pelo sequestro e pela mudança de aparência! – Falou Sasuke, com um ar terrivelmente sádico na sua cara pálida. Recebeu de resposta um sorriso convencido da parte de Naruto.

– Quem te disse que eu não vou querer pagar o preço? – Aquela ousadia ainda irritou mais Sasuke. Queria que Naruto perdesse a compostura, mas naquele momento o louro estava com a autoestima no máximo. Saltou para cima dele e usando uma camisola que estava ali por perto, amarrou as mãos do louro. – Ohhh, isto vai ser interessante…

Aquele louro com os seus verdadeiros 16 anos não era aquilo que era aos 50 anos. Naruto estava um verdadeiro, um autêntico, velho pervertido. Lembrou-se do Ero-sennin, uma ermita tarado, o louro tornara-se igual ao seu mestre.

Preso, Naruto, não tinha muita hipótese a não ser deixar que Sasuke fizesse o que quisesse. E este começou pela curva do pescoço de Naruto. Marcando ali um chupão cor-de-rosa. Foi descendo devagar. Beijando, chupando, lambendo. Perdeu-se nos mamilos do marido. Ouviu gemer e rir.

– Vá lá Uchiha Sasuke, estás a ser muito mansinho, depois de amarrares pensei que a ação seria mais selvagem. – Comentou Naruto.

Era perigoso. Aquele louro era completamente perigoso. Mas ele também era perigoso e as palavras de Naruto eram claramente um desafio. Um desafio que obviamente não recusaria. De forma bruta abriu as pernas de Naruto, que não deu qualquer objeção. O membro dele estava ligeiramente desperto, mas não o suficiente.

– Faz o meu pau ficar duro, Sasuke-chan. – Ordenou o louro roussando a língua nos lábios enquanto olhava para Sasuke. Este suspirou ofegante, o seu controlo estava claramente a ser testado. Agarrou com as mãos no pénis de Naruto e bombeou-o rudemente, afinal, era ele que estava a pedir assim.

– Só com as mãos Sasu? – Até onde é que o louro queria chegar? – Eu quero ter tratamento completo. – Falou manhoso.

– Aqui o amo sou eu! – Sasuke fez uma voz grossa, a sua raiva pela situação em que Naruto o tinha posto já tinha dissipado, agora só tinha uma coisa a fazer, desfrutar, por isso, entrou na brincadeira. Baixou o seu corpo e beijou Naruto fortemente.

– Claro, amo Sasu-chan!

Sasuke tornou a descer até entre as pernas de Naruto, parando no umbigo para "brincar". Quando sugou a zona, arrepios percorreram todo o corpo, continuando a descer enquanto distribuía beijos. Reparou então que até a cicatriz dos nascimentos de Nasasu e Kaeru tinha desaparecido. Eles estavam como novos.

Substituiu as mãos, que não tinham largado o membro de Naruto, pelos seus lábios. Começando a beijar a glande, para depois beijar toda a carne. O louro gemia alto, não contendo, nem um pouco, a sua voz. Dos seus lábios não saia um sorriso matreiro e dos seus olhos azuis um desafio brilhante, sem vergonha de encarar Sasuke. Então, finalmente, abriu bem a boca e engoliu Naruto por inteiro, brincando ao mesmo tempo com a língua. Sugou-o fortemente e deliciou-se com o arrepio que provocou no marido.

Agora sim, Naruto estava verdadeiramente duro. Gargalhou alto, enquanto entre as suas pernas Sasuke continuava as carícias espalhando a própria saliva pelo pénis do louro. Resolveu brincar com a zona sensível da virilha, beijando e mordendo.

– Ahhhh, Sasuke… mais… - O moreno sorriu, sabia perfeitamente o que é que Naruto lhe estava a pedir.

Agarrando as pernas do louro com os braços, abriu-lhe um pouco mais as pernas e elevou-lhe um pouco o traseiro. A beijar foi descendo, até chegar ao orifício de Naruto. Lambeu, usando a língua num frenesim, mas notando algo parou.

– Não pares agora, Teme. – Resmungou Naruto.

– Naruto, tenho uma questão…

– Hã? – Naruto elevou as costas e a cabeça para poder encarar o marido. – Por quê uma questão a esta altura?

– O jutsu faz rejuvenescer os nossos corpos em completo por um tempo indeterminado, certo? – Perguntou com uma expressão indefinita no rosto. O que estaria ele a pensar?

– Sim, exato. Mas onde é que tu queres chegar?

– A isto… - E sem que Naruto esperasse inseriu dois dedos na abertura do louro, este gemeu pela sensação incomoda. Sasuke ficou logo com uma tez vermelha sobre as bochechas. A boca de Naruto descaiu em surpresa ao perceber tudo o que se passava ali.

– Nós voltamos a ser virgens! – Conclui o louro sem qualquer preconceito na fala. Sasuke, desamarrou Naruto, e levantou-se deixando de estar entre as pernas no outro para se sentar na ponta da cama com um longo suspiro.

– Onde é que tu vais? – Questionou Naruto ao ver o marido levantar-se da cama.

– Tomar um banho bem frio. – Respondeu Sasuke com um certo desânimo na voz.

– Tu achas que te vais banhar deixando-me assim? – Apontou para o meio das pernas onde o seu membro continuava duro, Sasuke sempre fizera um bom trabalho para o deixar excitado.

– Bem… - Estaria Sasuke embaraçado? – Vai ser doloroso amanhã para ti, não quero que voltes a passar pelo mesmo…

Um sorriso abriu-se sobre os lábios de Naruto. Sasuke tinha uma expressão demasiado inocente, uma expressão que ele não reparara antes. Mas não era de estranhar, com 16 anos, Naruto apenas queria Sasuke ao seu lado, e nem reparara no quanto Sasuke podia parecer "puro e infantil".

– Vai à casa de banho procurar alguma coisa que sirva mais do que saliva. – Ordenou Naruto fazendo uma gesto para que o moreno se despachasse.

– Mas… - Naruto saltou então da cama de maneira impaciente. Agarrou em Sasuke pela mão e puxou-o até à casa de banho, lá verificaram que havia várias coisas, mas encontraram um óleo bronzeador que dava para o que eles queriam. – Naruto eu não sei se…

– Agora é que eu me lembro bem, na nossa primeira vez tu também hesitaste. Por quê? Também estavas com medo de me magoar? – Voltaram ao quarto onde Naruto se sentou à beira da cama, com o frasco de óleo na mão e com Sasuke em pé por entre as suas pernas.

– Não… não foi porque estava com medo.

– Então?

– Bem, com 13 anos tu eras fofo e inocente. – Naruto riu-se com gosto ao saber que Sasuke o achava fofo naquela idade. – Eu sabia que a minha posição seria sempre a de Seme.

– Estás a gozar, não estás? – O louro ergueu uma das suas sobrancelhas.

– Tu perguntaste agora ouve-me até ao fim. Bem, tu com 16 digamos que… ficaste bem mais desenvolvido… e eu naquela noite deixei de saber muito bem que posição tomaria… então hesitei… - O orgulhoso Uchiha Sasuke a falar uma coisa embaraçosa, com cara de atrapalhação denotada pelas suas bochechas com muita cor, Naruto amou aquilo. – E tu, por que esperaste até que eu tivesse 25 anos?

– Primeiro, não queria fazer nada que te levasse para longe de mim. – Naruto envolveu a cintura de Sasuke, aproximando-os, beijando-lhes os bíceps da barriga, este arrepiou-se automaticamente. – E depois, queria esperar até que tivesses pronto. Tu podes não te aperceber, mas em matéria de sexo tu és muito mais sensível que eu…

– Como assim?

Naruto gargalhou.

– Significa que tens mais pontos sensíveis do que eu, ou seja, mais pontos de excitação. Não é difícil excitar-te. – Declarou Naruto. Aproveitando a surpresa do moreno puxou-o para a cama, fazendo com que o mesmo caísse por cima de si. – Agora termina aquilo que começaste…

Sasuke recomeçou por um beijo, sobre si o corpo de Naruto estava quente e um pouco suado. E aquele calor realmente o excitava. Talvez fosse verdade o que Naruto dizia, quem melhor do que ele para conhecer o corpo de Uchiha Sasuke? E quem melhor do que Sasuke para conhecer o corpo de Naruto?

As mãos de Naruto mexeram-se sobre as costas pálidas de Sasuke, passando por todo o comprimento da sua coluna, provocando um gemido. As suas línguas ainda estavam juntas. Mais uma vez as mãos de Naruto se moveram, mas desta vez foi para fazer um selo ninja. Então apareceu mais um louro.

– Para que é o clone? – Interrogou Sasuke.

– Vamos brincar de sanduiche!

– O quê?

Naruto não lhe respondeu, em vez disso, puxou-se mais para dentro da cama. Agarro no frasco do óleo que antes tinha caído sobre a cama, abriu-o e despejou o óleo sem rodeios sobre as suas partes baixas. O moreno compreendeu o que era para fazer e aproximou-se do marido. A sua mão foi até entre as pernas de Naruto para o preparar. Apesar das mudanças que ambos tinham no corpo, as suas mãos ainda eram experientes. Enquanto com a mão direita fazia os seus dedos entrarem à vez dentro do corpo morenaço, arrancando-lhe gemidos, principalmente quando tocava no já conhecido ponto de prazer no interior do louro. Todos os movimentos estavam agora sujos de óleo, o que ajudava bastante. E com a mão esquerda agarrou no pescoço de Naruto e beijou.

Na posição em que estava nem sequer reparou que Naruto passava o frasco do óleo ao clone. Só reparou no movimento do múltiplo do louro quando sentiu o líquido escorrer-lhe pelas costas e depois por entre as pernas. Os seus olhos abriram-se em espanto, mas Naruto não o deixou olhar para trás para ver o que o clone ia fazer, pois agarrou-o com força ao beijo.

A resposta que o moreno procurava chegou depressa quando sentiu a sua própria entrada, já coberta de óleo, ser massajada pelos dedos do clone. Gemeu dentro da boca do verdadeiro Naruto, enquanto os seus dedos se remexiam nervosamente dentro de Naruto.

– Sasu… Entra em mim… - Pediu Naruto com a voz embaçada de desejo. Sasuke não lhe conseguiu responder, tentava conter os gemidos que lhe queriam sair da boca ao sentir o seu próprio interior ser mexido, mas maneou a cabeça em concordância.

O louro deitou-se e abriu bem as pernas, mostrando o enorme desejo que tinha pelo moreno. Sasuke foi poupado um pouco, quando o clone abandonou o seu orifício. Estava quente, sentia a sua pele em brasa. Oleando um pouco o próprio membro acercou-se de Naruto e devagar colocou a cabeça no membro dentro de Naruto. Foi entrando devagar, sabia que aquilo seria tudo como a primeira vez.

Naruto não negava que até já se tinha esquecido como era a dor da primeira vez, afinal, já tinham passado muitos anos, e não negava que estava a doer, mas encontrava-se um estado tal que apenas queria que o seu ardente desejo fosse apagado. Precisava de sentir Sasuke a mover-se rapidamente dentro de si. Só que teve de reprimir um pouco a sua vontade selvagem, pois se fossem mais depressa acabaria por se magoar.

Por fim, Sasuke bateu contra as nádegas do louro. Já estava totalmente no interior de Naruto. Estava bastante apertado. Mas não se importou com o aperto, Naruto devia estar em dor. Tentando ganhar algum senso na sua mente, beijou Naruto e usou as mãos para lhe apertar os mamilos.

– Hummm… - Gemeu Naruto. – Fica agora um bocadinho quieto…

Para Sasuke aquele pedido queria dizer que Naruto estava em dor, mas enganou. A cama abanou com o peso de um novo corpo. O moreno recordou-se do clone, olhou para Naruto que estava abaixo de si. Qual seria a sua ideia? A resposta veio quando o múltiplo se aproximou do traseiro e brincou um pouco com as bochechas do rabo, para depois a afastar e ficar com a visão da abertura de Sasuke, que pingava óleo.

O clone colocou-se mais perto de Sasuke, e este sentiu o membro ereto dele ser pressionado contra o seu orifício, mas sem o penetrar, ficou apenas passando o pénis por entre as bochechas do rabo, provavelmente para acender ainda mais o líbido do moreno.

– Ahhh, Naru… - Sasuke estava a enlouquecer, pela frente tinha o seu membro apertado e aconchegado dentro de Naruto, por detrás tinha um clone do mesmo a brincar com um dos seus pontos extra sensíveis. – Ok, já percebi… - Quase gritou. – Entra em mim…

A sua voz saiu sufocada. Ao falar aquilo excitou ainda mais o louro e o seu membro foi apertado pelas paredes anais. O clone também sustentava um sorriso. Com a cabeça ligeiramente apoiada no peito do louro, Sasuke olhou para o clone, igualzinho ao original, com um sorriso maroto, então viu-o e sentiu inserir a cabeça do pénis no seu interior.

Gemeu, mexendo-se um pouco, fazendo o Naruto original, que estava por baixo gemer também pois a sua próstata fora tocada. As suas paredes iam abrindo e apesar da dor, ele estava completamente envolto em desejo. As mãos do clone massajaram-lhe as costas arrancando-lhe arrepios, este puxou-o então para o meter direito e com o movimento o membro do clone entrou completamente em Sasuke.

– Ahhh Sasuke…

Agora sim, o moreno sentia-se um verdadeiro recheio de uma sanduiche. Cheio pela frente e por detrás. Naruto tinha ideias completamente loucas. O seu raciocínio estava a esvair-se e para o ajudar a ficar pior, o clone do louro roubou-lhe os lábios, enquanto as mãos lhe desciam e subiam pelo ventre e barriga.

Abaixo de Sasuke, o Naruto original mastrubou o próprio membro, extramente excitado ao ver uma imagem real sua a beijar o seu marido e a descontrolá-lo. Era erótico. Conseguia sentir o membro no seu interior a pulsar, ao mesmo tempo que as suas paredes o queriam expulsar. Usando as pernas começou um movimento de entra e sai.

Interrompeu o beijo com o clone ao sentir o Naruto original mover-se. Queria ajudá-lo a movimentar-se, mas o múltiplo agarrou-o pela cintura e obrigou-o a ficar quieto.

– Observa… - Falou o clone no seu ouvido. – Vê como ele fica excitado e descontrolado com o teu pau dentro dele…

– Ahh… tu estás um porco hoje, Na… ruto… - Gemeu Sasuke apertando as mãos do clone sobre a sua cintura. Os olhos ónix no entanto estavam focados no Naruto original e nos movimentos que ele fazia sobre o seu membro.

Então, Naruto parou os movimentos e sentou-se em cima de Sasuke, fazendo toda a posição mudar. Ele ficou por cima, Sasuke no meio e o clone por debaixo de ambos. Antes de começar a mexer-se novamente beijou o moreno lascivamente. E no momento em que iniciou o movimento de cima baixo, o clone moveu-se também no interior de Sasuke.

– Ahhhhhhhhhhh… - Berrou Sasuke, não por dor, mas pelo desejo desmensurado que estava a sentir. Aquilo era de loucos, ele estava completamente fora de si, o seu corpo era atolado por onda elétricas de prazer.

O quarto foi atolado por gemidos controlados dos dois Narutos, e pelos gemidos completamente descontrolados de Sasuke, que nem sabia muito bem que movimentos devia fazer, mas àquela altura nem a sua mente conseguia muito bem raciocinar. E também não queria saber, o que estava a sentir era tão forte que ele apenas queria libertar toda a energia do seu corpo naquele ato. Eram movimentos desregrados e ferozes, uma massa de corpos pecaminosos.

– Eu vou… - Não completou a sentença, e nem pode esperar por Naruto, tal era a intensidade de calor que o seu corpo sentia. Explodiu dentro de Naruto, enquanto o seu próprio interior se afrouxava em volta do pénis do clone. Naquele momento o clone explodiu, Naruto recebeu todas as sensações do seu múltiplo, e ambos aterraram em cima da cama ocupando o espaço que o segundo Naruto tinha ocupado até ali.

– Sasu… Sasuke! – Gritou o louro, derramando todo o seu ser sobre a barriga de Sasuke e desabando sem forças sobre o moreno, retirando com o movimento o membro do outro de dentro de si.

As suas respirações saiam altas. Queriam-se abraçar, mas estavam dormentes. Ainda tiveram de esperar uns minutos até se recuperarem. Depois encararam-se com faces de adoração. Naruto beijou Sasuke e este abraçou-lhe o pescoço enquanto as suas línguas se enrolavam numa dança quase vitoriosa.

– Eu amo-te muito. – Declarou apaixonadamente Naruto. – Feliz aniversário.

– Eu também te amo. – Correspondeu também ardentemente Sasuke.

As suas bocas juntaram-se mais uma vez, lá fora o pôr-do-sol desaparecia dando lugar a uma noite estrelada. Mas lá ao fundo, havia algumas nuvens cor-de-rosa, e ouviam-se trovões, provavelmente alguma tempestade de verão. Um vento frio entrava pela porta da varanda aberta. Provavelmente alguém os teria ouvido, mas nenhum dos dois realmente pensou ou se importou com o assunto.

O beijou terminou e Naruto aconchegou a sua cabeça contra o peito do moreno. Suspiraram os dois. Sentiram-se completos, embalados pelo barco e na dormência da sonolência que tinha permanecido depois do amor. As safiras olharam para a noite do lado de fora. Os ónix miravam o teto enquanto os seus dedos inconscientemente se enrolavam nos fios de cabelos louros. Então, nos lábios de Sasuke cruzou-se um sorriso.

– Doí-me o traseiro… - Queixou-se quebrando o silêncio. Em resposta Naruto gargalhou alto.

– A mim também, afinal, acabamos de perder a virgindade. - As gargalhadas suaram mais alto e desta vez entre os dois.

– E pela segunda vez, não à muita gente que se possa gabar de perder a virgindade duas vezes. – E os dois homens em corpos de adolescentes continuaram nas suas gargalhadas entre beijos e carícias. Até que um trovão os fez perceber que a tempestade que estivera afastada estava agora mais perto.

– Parece que vai haver uma tempestade! – Conclui o óbvio o louro.

– Não faz mal, é da maneira que podemos aproveitar bem este camarote tão luxuoso. – A proposta estava nas entrelinhas.

– E não eras tu que tinhas o traseiro a doer. – Brincou Naruto.

– Para ti Naruto eu perderia a minha virgindade 15 mil vezes.

– É por isso que eu te amo Uchiha Sasuke.

– Também te amo muito Uchiha Naruto.

–-

Like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

Oh like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

Like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

Oh like we're dying

(Como se estivéssemos a morrer)

We only got 86 400 seconds in the day

(Só temos 86 400 segundos por dia)

To turn it all around or throw all away

(Para mudar tudo ou deitar tudo fora)

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(Temos que lhes dizer que os amamos enquanto temos essa oportunidade)

Gotta live like we're dying

(Temos que viver como se estivéssemos a morrer)

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"A vida somos nós que a fazemos. A maneira como desfrutamos a vida somos nós que decidimos. Nós escolhemos os nossos caminhos. Não faz mal fazermos erros, pior é quando não aprendemos com eles. O que interessa é viver como se não houvesse amanhã e amar como se não pudéssemos amar mais ninguém. Viver, sentir, compreender, respeitar, falar, escutar, aprender e ensinar o que aprendemos, e claro Amar, mas o amor sem tudo o resto é destrutivo e fica incompleto. Por isso, não ames só, usa todos os sentimentos que tens dentro do peito.

A paz pode não ser eterna, mas os sentimentos puros são, por isso, podemos sempre pensar que depois de uma guerra haverá paz, e que tanto na paz como na guerra existe esperança. Se esquecermos que somos humanos por um momento, se ficarmos cegos e esquecermos todas as nossas diferenças, veremos apenas que somos todos seres vivos ligados pela mesma existência terrena e mortal. O que nos distingue em corpo, não nos distingue em mente. Não interessa quem amamos, pois podemos amar-nos todos uns aos outros, pois sem o corpo já não temos aquilo que nos faz diferentes. Não conhecemos o amanhã, mas conhecemos o hoje. Não sabemos o passo seguinte, mas sabemos o passo que queremos dar. Portanto, não sejamos hoje aquilo que nos envergonharemos amanhã.

No entanto, as diferenças do corpo são boas. Torna a vida mais interessante. Torna a vida divertida, mas isso se apenas virmos as diferenças como coisas naturais da vida e não como um ponto de nojo e um objeto para justificar a nossa violência.

Portanto, a máxima é: Viver a porra da vida' tebaiyou!"

Retirado da autobiografia: Livro de Ensinamentos do Sexto Hokage, por Uchiha Naruto.

FIM

Obrigada e um pedido enorme de desculpa aqueles que me acompanhavam aqui no FF e os quais ficaram sem poder acompanhar esta fic porque alguns a gozaram desmedidamente e eu fui fraca para os combater. Por isso peço desculpas. Espero que tenham gostado da fic, indepentemente de qualquer coisa.

Beijos, abraços e muitos palhaços!