Oi, pessoal!

Mais uma vez: eu não morri! :) Estava apenas de férias, retornei agora.

Espero que gostem desse capítulo, estamos nos aproximando do fim do sexto ano.

Beijos,

Bella

Capítulo 35 – 8 PM


Quando acordaram, o sol já estava alto no céu, embora não houvesse como eles saberem disso. Ginny pusera uma cortina na janela da sala que não deixava passar nem um feixe de luz, para que eles pusessem dormir até a hora que quisessem.

- Que horas você acha que são? - perguntou ela, espreguiçando-se como uma gata.

- Não tenho ideia, e não me importo. - respondeu ele, virando-se e ficando por cima dela, passando a beijá-la nos lábios, no pescoço…

- Draco… - o nome dele saiu dos lábios dela quase como um gemido, e ela puxou-o para um beijo, dessa vez menos carinhoso e mais sensual, que ele correspondeu com avidez.

E dessa vez a urgência e paixão que havia nos beijos e carícias não era mais proveniente da sensação de que podia ser a última vez. Dessa vez, era apenas uma manifestação da saudade que sentiam de estar juntos sem angústia, sem medo, sem reservas.

Quando estavam a ponto de se livrarem das roupas, porém, Draco parou, de súbito.

- Não… - fez ela, tentando puxá-lo de volta.

- Amor… - disse ele, se livrando gentilmente dos braços dela – Você não quer correr o risco de ter que fazer outra visita a Magala, quer?

- Ah, é… - disse ela, emburrada.

Ele riu e a beijou com carinho novamente:

- Não se preocupe. A partir de agora, teremos muitas chances.

Mas Ginny não se deu por satisfeita, e, repentinamente, subiu em cima dele.

- Existem muitas formas de fazer amor. Nós só não podemos fazer uma delas.

- O que…

Mas Draco sequer completou a frase, pois ela começou a beijá-lo, boca, pescoço, descendo pelo peito… até descer onde realmente queria, percebendo satisfeita o quanto o desejo dele era notório. Ele estremeceu de prazer quando sentiu a boca de Ginny tocando-o. Sim, havia muito o que poderiam fazer…

O resultado foi que eles só conseguiram sair da Sala Precisa quando os roncos de seus estômagos denunciaram que o horário do almoço já devia estar chegando. Eles tomaram banho (Ginny, afinal, realmente fizera um trabalho bem completo na configuração da sala) e se vestiram para sair. Draco foi o primeiro a falar:

- Agora, meu próximo passo é me acertar com Blaise.

- Acho uma ótima ideia.

De fato, todos os alunos já se dirigiam ao Salão Principal para o almoço, Draco percebeu quando, já separado de Ginny, desceu as escadas até o andar térreo do castelo. Ele procurou Blaise com os olhos, e rapidamente avistou o amigo caminhando até a mesa da Sonserina, com um olhar cansado. Antes que o garoto pudesse se sentar, porém, Draco o abordou.

- Posso falar com você?

Blaise se assustou quando ouviu a voz de Draco e o sentiu tocando seu ombro. Ele se virou, com cara de poucos amigos, mas estacou de repente antes que a resposta mal-humorada saísse de sua boca. Parecia, de repente, intrigado, e não mais irritado.

- O que você quer? - perguntou, incerto, olhando Draco com certa curiosidade.

- Pagar uma cerveja amanteigada pra você no Cabeça de Javali.

- Oi?

- Um almoço diferente, vai.

- Draco, você está bem?

Draco riu.

- Cara, você é realmente muito mais do que eu mereço. Depois de tudo, ainda está preocupado se eu estou bem. Mas eu estou, Blaise, é justamente essa a questão. Eu finalmente estou bem.

Blaise deu um meio sorriso incerto, e disse:

- Bom. Não é todo dia que a gente ganha cerveja amanteigada de graça. Vamos lá então. Dedosdemel ou Casa dos Gritos? - perguntou ele, referindo-se às passagens que levavam a Hogsmeade.

- Dedosdemel, com certeza. - respondeu Draco – Não sei se a situação na Casa dos Gritos já normalizou.

- Normalizou…?

- Você vai entender. Hoje você vai entender tudo.

Aberforth, como de costume, não fez perguntas quando os dois garotos entraram no bar. Naturalmente, ele sabia da comoção ocorrida na noite anterior por causa de Draco, mas não se interessava realmente com o que tinha acontecido ao garoto, desde que ele pagasse pelo que consumisse. Justamente por isso Draco escolheu lá, e não o Três Vassouras, para sua conversa com Blaise, assim como fez questão de andar o caminho todo até o estabelecimento com o capuz de sua capa cobrindo a cabeça, para que seus cabelos loiros muito claros não chamassem atenção.

Quando estavam devidamente instalados em uma mesa num canto do bar, com duas cervejas amanteigadas, Blaise disse:

- Você não voltou com o grupo ontem.

- Não, não voltei.

- Organizaram uma operação de busca por sua causa.

- Sim, eu estou ciente disso.

- E suponho que vai me explicar isso também.

- Claro que sim, Blaise. Como eu disse, hoje você vai entender tudo o que vem acontecendo nesses últimos meses.

E Draco falou. Falou tanto que sua boca secou e ele precisou pedir uma segunda cerveja amanteigada. Contou tudo, desde o primeiro sonho que tivera, até o encontro com Voldemort, em que tudo ficara esclarecido. Quando, porém, ele mencionou o que o salvara (a corrente escondida nas vestes), com um sorriso de quem sabia que o outro entenderia do que estava falando, foi interrompido por Blaise:

- Espera aí. Que corrente é essa?

- O que… você não sabe? - espantou-se Draco.

- Como eu poderia saber? Você nunca me disse nada sobre isso.

- Mas… - Draco estava confuso – Eu tinha tanta certeza que tinha sido você.

- Que tinha sido eu o quê?

- Que colocou ela nas minhas vestes. Eu não estava usando mais.

- Draco, eu não tenho ideia do que você está falando.

Ainda sem entender, Draco contou ao amigo sobre o feitiço Iunctus Amore, que ele fizera logo após o incidente ocorrido com Ginny na partida de quadribol.

- O quê? Seu traidor, você nunca me contou isso!

Mas o tom dele era descontraído ao dizer isso, e Draco deu um pequeno suspiro de alívio antes de responder:

- Você ia tentar me impedir.

- Mas é claro que ia. Esse feitiço é muito sério. Tenho certeza que adolescente nenhum nunca fez algo assim.

- Eu sei. Mas eu estava desesperado. Eu queria ser capaz de protegê-la de alguma forma. Mal sabia que ia ser o contrário. Sabe a noite na masmorra da minha casa?

- O que é que tem? - Blaise perguntou, mas logo depois pareceu compreender: - Ah! Por Salazar, a Ginny soube.

- Sim. Foi assim que o Dumbledore conseguiu me salvar.

- E ela tinha me dito que era coisa do Snape!

- É, nós não contamos pra ninguém sobre isso. A Granger também não sabe.

- É, ela realmente não parecia saber muita coisa quando eu fui perguntar a ela, no dia seguinte, quando você não apareceu.

- Eu só… não entendo. Se não foi você, quem?

- Talvez seja parte do encantamento. A corrente voltar pra você.

- Eu disse isso ao Dumbledore, mas ele deu a entender que alguém que se importa comigo teria feito isso. Eu concluí que era você.

- Dessa vez não, companheiro. E quando você viu Dumbledore?

- Ele foi a primeira pessoa que eu encontrei quando voltei.

- Aliás, como você conseguiu voltar? Não acredito que Voldemort simplesmente deixaria…

- Ah não, ele não deixaria. Eu tenho certeza que as opções pra mim ontem eram Marca Negra ou morte. Mas… eu consegui romper a barreira anti-aparatação que ele criou.

- Como? - espantou-se Blaise.

- As habilidades, lembra? Elas estavam apagadas nesses últimos meses que eu estava conectado ao Voldemort. Mas elas voltaram agora. E eu finalmente sei do que se tratam.

E ele deu um grande gole na cerveja amanteigada para contar a Blaise sobre a conversa com Dumbledore e tudo o que o diretor havia mostrado a ele sobre Regulus Black e o Anima Bellator. Como era de se esperar, ao final, Blaise estava impressionado, e pediu também uma segunda cerveja amanteigada.

- Por Salazar, Draco. - ele disse, depois de tomar também um grande gole da sua bebida – Que história… acho que nenhum de nós poderia ter imaginado algo assim.

- Nunca. Minha mãe nunca me falou sobre ele.

- Ela não teria muito o que falar, não é? Até onde ela soube, ele morreu pouco tempo depois de desertar. Teria sido seu padrinho por uns poucos dias.

- Dumbledore disse algo assim também. De qualquer forma, ele está com o medalhão. E foi assim que ele soube, quando eu voltei, que tudo estava bem comigo. O medalhão brilha quando o feitiço se manifesta. E escurece quando… bem, nos últimos meses ele me disse que andou bem escurecido. - completou Draco, baixinho.

- Cara. Eu… eu sabia que alguma coisa estava acontecendo, mas eu não tinha ideia do que era. Eu queria te ajudar, mas não conseguia.

- Ninguém conseguiria, Blaise. Não quando eu estupidamente decidi passar por tudo aquilo sozinho, afastando todo mundo que importava.

- Eu… cheguei a ir ao professor Dumbledore. - confessou Blaise, parecendo um pouco constrangido – Eu não queria te trair ou algo assim, mas tinha alguma coisa agindo em você e eu não sabia mais o que fazer.

- Você não me traiu, cara. Se tem uma coisa que você não fez nesse tempo todo foi me trair. Você foi o melhor amigo que eu poderia pedir, especialmente por estar lá pra Ginevra quando eu não estava. Eu nunca vou conseguir retribuir.

- Ela é minha amiga também, Draco. O que eu fiz faria de novo a qualquer hora.

- Eu sei. Por isso, e por todo o resto… muito obrigado, Blaise. E me perdoa pela pessoa que eu fui nesses últimos meses. Eu sinto muito, de verdade.

Blaise tocou o ombro do amigo e apertou-o de leve, antes de dizer:

- Eu sei. Agora eu sei. E não era exatamente você nesses últimos tempos, então não há muito o que perdoar. Eu estou apenas orgulhoso e aliviado por você ter conseguido escapar dessa.

Draco sorriu, e respondeu:

- Você não tem ideia de como é a sensação de voltar a si… de estar inteiro novamente, de ter domínio dos meus pensamentos. Voldemort tem uma alma e uma mente imundas. Compartilhar só uma pequena parte delas foi a pior coisa que eu já senti, depois… depois da Cruciatus.

- Acabou agora, companheiro. Você está de volta, e isso é o que importa. - disse Blaise, sorrindo também e pedindo mais duas cervejas amanteigadas.

- Acho que a gente devia comer alguma coisa. Eu não quero ficar bêbado de novo. - riu Draco.

- De novo? - Blaise ergueu as sobrancelhas.

E Draco contou a ele sobre a noite no Cabeça de Javali, quando ele bebera mais da metade de uma garrafa de firewhisky antes de ser resgatado por Ginny na Casa dos Gritos.

- A minha dívida com ela é impagável. Ela me salvou de todas as formas que uma pessoa pode ser salva.

- Ela é incrível, Draco. Você tem muita sorte de tê-la ao seu lado.

- Eu tenho mesmo. E dessa vez eu vou fazer tudo certo. Eu não vou magoá-la desse jeito nunca mais.

- Eu estou deduzindo então que vocês já se acertaram, é isso?

- Eu não teria conseguido dormir ontem sem falar com ela. E ela é tão maravilhosa que me entendeu e perdoou.

- Como eu disse, Draco. Não há muito o que perdoar. Voldemort estava manipulando a sua mente, ele é o maior bruxo das trevas de todos os tempos, e você, bem…

- Eu tenho 16 anos, eu sei. Dumbledore já me disse isso.

- E você deveria ouvi-lo. Toda essa culpa não combina com você. - sorriu Blaise, dando mais um gole na sua cerveja.

Draco sorriu de volta, pensando que havia coisas, como a amizade de Blaise, que simplesmente não tinham preço. E era o tipo de coisa impossível de se conseguir se aliando a um ser sórdido como Voldemort.

Quando voltaram a Hogwarts, já era fim de tarde. Draco estava mais que disposto a tirar um cochilo em seu quarto antes de jantar, e ia dizer isso a Blaise, quando o surgimento de uma criaturinha dando pulos em sua frente varreu esse pensamento de sua mente.

- Mestre Draco! O senhor está de volta!

- Dobby? - ele olhou o elfo sem entender, mas não conseguindo deixar de se divertir com a atitude dele – O que…

Mas Dobby, depois de olhar para o rosto tranquilo e descontraído de Draco, não conseguiu deixá-lo terminar a frase, abraçando-o pelas pernas.

- O senhor está realmente de volta! Ah, Dobby está tão feliz!

Em seguida, ele soltou Draco, constrangido, parecendo somente então ter se dado conta do que fizera. Draco simplesmente ficou grudado no mesmo lugar, surpreso.

- Dobby pede desculpas pelo atrevimento, mestre. É que Dobby está muito muito feliz de ter o senhor de volta.

- De volta… de onde exatamente, Dobby?

Mas antes que Dobby pudesse responder, Blaise se adiantou:

- Ahn… Draco? Acho que aí está a resposta para a sua dúvida.

- O que… - Draco começou, mas de repente sua expressão confusa se transformou em espanto: - Não! Foi… foi você? Foi você! - ele repetiu, agora em tom de afirmação – Você colocou a corrente nas minhas vestes!

- Dobby não queria se intrometer, mestre Draco – disse o elfo, baixando a cabeça mas sem conseguir deixar de sorrir – Mas achava que era a única forma de fazer o senhor ver a realidade.

- Você… eu não acredito, Dobby! - disse Draco, a expressão se desanuviando completamente – Sua criaturinha furtiva!

Dobby riu, sem saber exatamente o que responder, quando, para seu espanto, Draco se agachou, ficando no nível dele.

- Você salvou a minha vida ao fazer isso, Dobby.

- Eu… salvou? - disse o elfo, com um sorriso vacilante, confundindo a concordância devido ao espanto. Mas Draco ainda não tinha acabado.

- Salvou sim. - e ele apertou levemente o ombro do elfo – Se Potter não tivesse te libertado há tantos anos, eu faria isso agora. Muito obrigado mesmo.

Dobby desmanchou-se em lágrimas, dizendo palavras desconexas de gratidão, fazendo Draco e Blaise rirem. Quando o elfo se afastou, ainda chorando de emoção, Draco sentiu um puxão em seu braço, e deu de cara com um Harry Potter olhando-o enraivecido.

Era impressionante o quanto a visão do grifinório, que o faria ferver de ódio há menos de 24 horas, agora simplesmente não trazia mais sentimento nenhum.

- Posso ajudá-lo em alguma coisa? - perguntou Draco, olhando Potter com desdém e libertando o braço.

- Qual é o seu jogo, Malfoy?

- O meu jogo? Bem, obrigado por perguntar, mas achei que era bastante óbvio que é o quadribol.

- Não banque o espertinho, Malfoy. – Potter praticamente cuspiu, com raiva – O que foi essa sua conversinha com o Dobby?

- Eu poderia jurar que não é da sua conta.

- Que joguinho é esse que você está fazendo? - repetiu ele – Até ontem você mal era visto nesse castelo, e quando era, estava sempre com cara de que ia matar alguém, estava claramente tramando alguma coisa, desapareceu em Hogsmeade e ninguém sabe pra onde você foi, e agora de repente é o melhor amigo do Dobby?

- Sabe, Potter, o fato de você não saber alguma coisa não quer dizer que ninguém sabe. Aliás, posso te falar uma coisa sobre esse seu trabalho de herói? Você é péssimo nisso! Se eu estivesse realmente, como você diz, tramando alguma coisa, devo te dizer que você não estaria nem perto de descobrir. Então se você realmente quer salvar a escola, o mundo, seja lá o que for, um conselho: melhore.

Ele disse isso e virou as costas, se afastando com Blaise e deixando Harry plantado no chão, aturdido. Na verdade, o que deixou o grifinório sem resposta não foram exatamente as palavras de Draco. Foi o olhar no rosto dele, tranquilo, sereno, tão diferente da última vez em que se confrontaram no banheiro, e o tom em que ele o criticara: por mais que as palavras fossem depreciativas, ele não as tinha dito com o desdém costumeiro, e sim com uma seriedade quase enraivecida. Como se ele estivesse realmente preocupado com o destino da escola ou do mundo bruxo. Parecia outro Draco Malfoy, foi a constatação que Harry fez mentalmente enquanto se afastava em direção à Torre da Grifinória, confuso e pensativo.


Severus Snape não sabia exatamente o que estava acontecendo. Mas estava longe de ser um imbecil. Naturalmente, captara os sinais de que algo sério ocorrera, ainda que, por algum motivo, Dumbledore tivesse preferido não contar tudo a ele. Draco desaparecera no último passeio em Hogsmeade. E depois reaparecera. E o diretor lidara com ele, sem dar maiores detalhes, apenas dizendo que estava tudo bem com o aluno.

De repente, ocorreu a ele o motivo de Dumbledore. O diretor provavelmente queria que Snape obtivesse informações do próprio Voldemort, e se, dessa vez, escolhera ter o mínimo de interação com ele, era porque o que havia para ser descoberto era extremamente importante. A ponto de Dumbledore não querer arriscar passar qualquer informação antes que ele encontrasse o Lord das Trevas.

Bom, certamente havia um motivo plausível para que ele procurasse o Lord: o súbito desaparecimento e reaparecimento de Draco em circunstâncias misteriosas. Apesar de ter quase certeza de que Voldemort sabia sobre isso bem mais que ele, imaginava que o Lord gostaria que Snape dividisse o (pouco) que sabia com ele.

Com esse pensamento, ele chegou ao quartel-general. Era um dos poucos que tinha o privilégio de saber onde Voldemort provavelmente estaria se não fosse encontrado em nenhum dos lugares óbvios, assim como o de procurá-lo se assim fosse. Felizmente, a outra pessoa que também possuía os mesmos privilégios, Bellatrix Lestrange, não estava visível, assim evitaria mais um confronto desgastante com ela.

Ele se aproximou com passos silenciosos da masmorra, e o que ouviu o assustou. Fracos gemidos de dor femininos, e uma respiração ofegante e murmúrios inaudíveis masculinos. Ele reconheceu facilmente as vozes: Lucius e Narcissa. O que quer que tivesse acontecido com Draco, o Lord das Trevas certamente culpava os dois.

Ousadamente, ele entrou na masmorra, agindo como se nada tivesse ouvido, e mostrando-se convincentemente surpreso com a cena que encontrou.

- Meu Lord, me perdoe. Eu posso voltar mais tarde… - hesitou ele.

- Não, Severus. Por favor, entre. - disse o Lord, a voz impregnada de raiva – Entre e veja o que acontece com quem tem ideias medíocres que me fazem perder meu precioso tempo.

- Meu Lord…? - agora o choque no rosto de Snape era real, ao ver Narcissa jogada a um canto praticamente desmaiada, os traços distorcidos de dor, o rosto banhado em lágrimas e sujo de sangue. Lucius não estava em um estado muito melhor, embora não chorasse. Em seu rosto, apenas uma dor intensa que parecia ter múltiplos significados.

- Me conte, Severus. O garoto está em Hogwarts, não está? Sob a proteção de Albus Dumbledore? - ele cuspiu o nome com ódio.

- Sim, está, meu Lord. Depois de um dia inteiro desaparecido e buscas que adentraram a noite, ele reapareceu, aparentemente encontrado pelo próprio Dumbledore. Que não quis me dar mais detalhes sobre o que aconteceu.

- Ele sabe que você seria obrigado a me reportar. O tolo acredita que eu não sei o que houve.

- Bem, eu não sei. O que aconteceu?

- O que aconteceu? - a voz enraivecida outra vez – O que aconteceu foi que esses dois inúteis me convenceram de que tinham um plano válido para trazer o garoto. E eu investi minhas energias e meu tempo nisso, e pra quê? Para ser vencido mais uma vez pelo feitiço do traidor.

- Perdão, meu Lord. Ainda não compreendo completamente.

- Uma pena, Severus. Uma pena que eu tenha preferido não envolver você e tenha confiado nesses dois. Você talvez tivesse sido mais competente do que duas pessoas que amam o garoto e baseiam seus planos e expectativas nesse sentimento tolo.

- De fato, o senhor não dividiu muita coisa sobre isso comigo. Eu sequer sei exatamente o que aconteceu na noite em que Dumbledore precisou salvá-lo no antigo quartel-general.

Voldemort agora parara de torturar Lucius e Narcissa, e apenas andava de um lado para o outro, dominado pela raiva.

- Naquela noite, Lucius trouxe o garoto para conversar comigo, para que eu o convencesse a se tornar um Comensal da Morte. Até eu reconheci que foi um ato impulsivo. Draco Malfoy não estava nem um pouco receptivo à ideia e me disse coisas que eu não poderia ignorar sem uma punição severa. Foi aí, porém, que aconteceu o que acreditei ser o princípio de uma vitória. O garoto resistiu de uma forma impossível, o que me deixou ainda mais interessado em cooptá-lo. Lucius aqui me convenceu que havia um jeito de utilizar o feitiço a nosso favor.

- Que feitiço, meu Lord?

- Anima Bellator. Providenciado pelo traidor Regulus Black há muitos anos, para proteger Draco Malfoy e prepará-lo para lutar contra mim.

- O quê? - fingiu espantar-se Snape. - Eu nunca…

- Eu sei que você nunca soube. Mais uma vez Dumbledore parece ter escondido coisas de você por medo de você me contar.

- Mas… não compreendo. Se Regulus Black fez isso… e não vejo como poderia ter feito, o feitiço é muito complicado e ele morreu tão pouco tempo depois de deixá-lo, meu Lord…

- Ele devia estar tramando contra mim há muito tempo, o desgraçado. E não existe se Regulus Black fez. Eu sei que ele fez. Eu obtive a prova, pelo elfo desprezível que o servia.

- Mas… ah! - finalmente pareceu compreender Snape – Kreacher. Por isso o elfo se matou. Por culpa de ter revelado ao senhor.

- Felizmente, ele já tinha me revelado o suficiente.

- Então foi por isso que Dumbledore foi procurar Narcissa aquela noite. Eu nunca consegui arrancar nada dele sobre isso.

- Acabou não sendo necessário, Severus. Pois bem, quando eu soube de tudo, quis que o garoto morresse. Afinal de contas, você conhece o feitiço e quantos poderes pode conferir ao seu portador. E antes eu tivesse mesmo providenciado a morte dele. Mas não… não, eu cometi a estupidez de ouvir os pais do garoto. As pessoas que menos seriam capazes de raciocinar decentemente. Foi quando, como eu disse, Lucius me convenceu a tentar reverter o feitiço a nosso favor, manipulando a realidade de forma que parecesse que, ao vir, Draco estaria servindo a um bem maior.

- Eu nunca li nada sobre isso. - pareceu admirar-se Snape – Mas suponho que faça sentido. O bem e o mal são conceitos instáveis e sutis.

- E, por também acreditar nisso, eu gastei meus esforços. Fiz um feitiço de conexão de sangue, que me enfraqueceu profundamente, por duas vezes, para poder entrar na mente do garoto, entender sua essência e inserir as visões que o convenceriam.

- Um feitiço de conexão de sangue? - espantou-se ele – Mas… como? Se o senhor e ele não são parentes…

- Na noite em que eu o submeti à maldição, Draco manteve como sequela uma conexão à minha mente. Suponho que foi o preço a pagar por tanta resistência. Você bem sabe, Severus, feitiços de proteção nem sempre cumprem seu intento sem efeitos colaterais.

- Sim, eu sei. - disse Snape, lembrando-se de Harry Potter.

- Isso, aliado a pedaços do próprio Draco, como um dente guardado como uma tola lembrança infantil trazido pelo Lucius aqui e alguns fios de cabelo que consegui com meu contato em Hogwarts, permitiram que eu completasse o feitiço. E eu consegui ver do que o garoto necessitava com uma precisão incrível. Parecia infalível.

- Foi por isso que o senhor me pediu todos aqueles frascos de poção revigorante.

- Naturalmente, Severus. E agora vejo que gastei os seus e os meus esforços para nada.

- Como… como falhou? Esse feitiço já é extremamente poderoso por si só, e executado pelo senhor então…

- Aparentemente, não foi o suficiente para superar o feitiço do traidor. Ele estava vindo, Severus, estava vindo estender o braço para receber a Marca… e então estacou. E eu olhei em seus olhos e vi a conexão indo embora, de um segundo para outro. Não bastasse isso, ele conseguiu quebrar minha barreira de aparatação e fugir daqui. Levando esses dois imprestáveis junto. - disse Voldemort, apontando vagamente Lucius e Narcissa.

- Ele desistiu de ser um Comensal e queria que os dois desistissem também. - deduziu Snape.

- Sim, e o fato de terem voltado quase que imediatamente é o único motivo pelo qual estão vivos agora.

- Eu… nunca imaginei nada disso.

- É, eu preferi, infelizmente, contar com Lucius do que com você para isso. Não queria dividir essas informações com alguém que está debaixo do nariz de Dumbledore o tempo todo.

- O que faço cumprindo suas ordens, meu Lord.

- Não precisa me dizer o que já sei. Como eu disse, não foi uma boa ideia.

- E agora, naturalmente, o garoto está perdido.

- Ah, mas ele está. Em todos os sentidos possíveis dessa palavra. Vou preparar algo muito especial para ele, Severus. Só espero que Nagini não tenha uma indigestão. – disse o Lord, maldosamente.

Snape conteve um estremecimento, e silenciosamente agradeceu que Narcissa já tivesse perdido completamente os sentidos.

- Naturalmente, essas informações você não irá compartilhar com Dumbledore. - ordenou Voldemort – Deixe que ele… o que é? - ele se interrompeu, ao ver Lucius tentar murmurar alguma coisa.

Snape se assustou. Não achou que ele estivesse consciente.

- Se tentar dizer alguma palavra em favor de seu filho outra vez, Lucius, eu juro que mudo de ideia quanto aos planos que fiz pra você.

- Há… mais… um motivo, meu Lord.

- Motivo para quê? Do que você está falando?

- Além… do feitiço… de Black. - disse Lucius, e cada palavra parecia custar um esforço enorme – Há mais… um motivo.

- E o que é? - disse Voldemort, impaciente.

- Uma… garota. Ele… tem… uma garota.

Agora o Lord parecia vagamente interessado.

- Uma garota… quem é ela?

- Ele... não… me deixou ver. Eu tentei… mas… bloqueado. Vi… que era verdade. Vi… que ela… existe. Mas… não consegui… ver o rosto… nome… dela.

- Eu não posso acreditar. É pior que eu imaginava. Por causa de uma sangue ruim imunda qualquer… ou uma amante de trouxas…

- É… isso mesmo. Uma… traidora qualquer… ele está… apaixonado.

Voldemort virou-se abruptamente para Snape:

- Draco tem uma namorada em Hogwarts e você nunca me disse isso?

Ele fechou sua mente com maestria e mais uma vez mostrou-se convincentemente espantado:

- Eu nunca soube. Ele nunca me disse, e eu nunca o vi com ninguém.

- Claro… imagino que seja alguém que desgraçaria a família Malfoy. Como se precisasse de mais um motivo… - disse ele, olhando Lucius com desprezo. - Descubra isso para mim, Severus. Quero saber quem é essa garota. Vou ter prazer em dar cada pedacinho dela para Nagini comer, na frente dele.

Snape assentiu, com uma expressão grave.

- E leve esses dois daqui antes que eu mude de ideia quanto ao destino que merecem.

Ele assentiu mais uma vez, e, fazendo Narcissa e Lucius flutuarem, levou-os dali, enquanto pensava em como agir a partir de agora.


Naturalmente, acostumado como estava a fechar sua mente para Voldemort, assim que retornou a Hogwarts ele contou a Dumbledore todo o diálogo que havia travado com o Lord no quartel-general. Dumbledore mostrou-se preocupado com essas informações.

- Ele está próximo de descobrir sobre Ginny. Essa informação estava completamente fechada na sua mente, certo, Severus?

- Como sempre, diretor. Mas agora ele me incumbiu de descobrir isso. Fico pensando o que pensará sobre mim se eu me mostrar incapaz de descobrir um segredo adolescente.

- Essa é somente uma das minhas preocupações. Creio que, sem os esforços em cooptar Draco para tomar o tempo dele, e com o ódio adicional que ele certamente tem ao garoto agora, ele vai se esforçar mais para tomar a escola.

- O que não faço ideia de como está tentando fazer. Sei que ele tem um contato aqui, mas nunca me disse qual é e nem como essa pessoa está agindo no sentido de tentar tomar a escola para ele.

- Eu tenho colocado proteções adicionais ultimamente. Sei que ele não sabe das passagens secretas do Mapa do Maroto, que também estão protegidas contra os intentos dele. Me deixa extremamente perturbado não ter ideia de como ele pretende entrar aqui.

- Ele não divide isso comigo. Deu a entender que é porque eu estou sempre com o senhor.

- Sim, deve ser isso mesmo. Mas Severus… isso tem que acabar.

- Nós vamos ter essa discussão outra vez?

- Espero que não. Da última vez, você já me deu sua palavra.

- Eu posso mudar de ideia.

- Eu realmente espero que não mude. Especialmente se Voldemort for capaz de descobrir um jeito de entrar em Hogwarts sem que eu saiba, e, pior, se eu não estiver aqui para tentar impedir.

- Como assim? Onde o senhor está indo?

- Não sei ainda exatamente. Ou quando. Mas surgiu uma pista… algo que está ficando difícil ignorar.

- Sobre uma das horcruxes?

- Sim. Eu não gostaria de me ausentar tanto mais da escola, não com a ameaça de Voldemort iminente, mas isso é importante demais para que eu deixe para lá. E eu preciso de você, Severus, preciso que você cumpra o papel que espero de você na minha ausência.

- O que eu preciso é que o senhor esteja aqui caso Comensais entrem, diretor. Porque caso contrário, minha única opção pode ser me revelar.

- Você sabe os meios de me contatar em qualquer lugar que eu esteja se isso acontecer.

- Isso se o senhor não estiver impedido de vir por algum motivo.

- Eu não estarei sozinho.

- O senhor… pretende mesmo levar Potter.

- Sim, e nós também não precisamos voltar nesse assunto.

Snape ficou calado por um instante. Quando voltou a falar, foi num tom grave.

- Sinto que estamos ficando sem tempo, diretor.

- Eu também sinto isso, Severus.


O tempo também começou a preocupar Draco, à medida que as semanas foram passando e ele não tinha notícias de sua mãe. Não achava que ela estivesse morta, isso não. Ele certamente saberia se estivesse. Voldemort faria questão que assim fosse.

Mas, sob a vigilância constante do Ministério em que ela se encontrava desde a noite em que Dumbledore descobrira a Mansão Malfoy como quartel-general dos Comensais, ele esperava que ela estaria mais distante do Lord, podendo, assim, se comunicar com o filho. O que o fazia ter quase certeza que ela recebera alguma punição severa que a impedia de entrar em contato com ele.

Seria alguma praga? Alguma maldição? Ou ela estava simplesmente debilitada demais… esse simples pensamento o fazia ter um assomo quase incontrolável de ódio por Voldemort. Ele tinha que aprender novamente a não se importar mais com o que acontecia a Lucius, uma vez que ele agora o negava como filho, mas sua mãe… sua mãe era o único elo que restava àquele mundo do qual ele agora queria distância, e doía quase fisicamente não poder fazer nada por ela.

E então, veio e passou o primeiro cinco de junho da vida de Draco em que ele não recebera sequer uma mensagem de Narcissa. E ele teve a confirmação final de que sua mãe estava em apuros.

Ginny também estava desolada. Pretendia que Draco passasse seu aniversário de 17 anos mais feliz, especialmente agora que estavam juntos outra vez. Mas compreendia perfeitamente o estado de preocupação em que ele se encontrava, sabendo que, se fosse com ela, provavelmente estaria ainda menos calma que ele. Ainda assim, tentava animá-lo.

- Se houvesse acontecido algo grave, você saberia, Draco. – disse ela, não pela primeira vez, quando já haviam passado duas semanas do aniversário dele.

- Eu não sei se confio mais nisso. Sem contar que as definições de grave certamente variam de mim para Voldemort. Eu tenho certeza que ele fez alguma coisa com ela.

Era fim de tarde e eles se encaminhavam juntos ao corujal, embora Ginny não tivesse certeza do que Draco pretendia indo lá. Ele não sabia onde a mãe estava. Não conseguiria mandar uma mensagem para ela, conseguiria?

- Eu preciso arriscar. – disse ele, quando chegaram.

- Mas como?

- Mandando a mensagem cifrada da família Malfoy. Preciso confiar que ela não estará com Voldemort o tempo todo. Preciso fazer alguma coisa. – ele disse, num tom quase suplicante.

- Mas a questão não é essa. – disse Ginny, franzindo a testa – Como você vai saber onde ela está?

- Se eu pudesse mandar Pandora, ela certamente descobriria. Mas não posso correr tanto risco. Ela chama muito a atenção. Então vou mandar uma das corujas daqui mesmo, esperando que seja competente o suficiente.

- Draco... você sabe que não é um plano muito bom, não sabe?

- Sei! – disse ele, agitando os braços – Mas eu não sei mais o que fazer, Ginevra! Eu não...

E ele foi subitamente interrompido pela chegada de uma coruja marrom, que deixou cair suavemente um pequeno pedaço de pergaminho no ombro dele. Draco o pegou, sem acreditar. Não era possível. Era coincidência demais.

- O que é isso? – perguntou ela.

- Eu não acredito. – disse ele, com uma voz meio rouca, que não parecia a dele.

- O quê, Draco?

- É... é um pergaminho vazio. Exatamente como o que eu iria mandar para ela. Só falta... está aqui, o ponto preto, olha! Não pode ser, é coincidência demais.

E Draco já estava pegando a varinha para realizar o feitiço Engorgio, quando Ginny praticamente gritou, assustando-o:

- Espera!

- O que foi?

- Pode ser uma armadilha, Draco. Pode ser coisa do seu pai. Ele sabe que você tentaria esse feitiço em primeiro lugar. Pode ter alguma maldição, alguma...

- Claro, claro. Você tem razão. – respondeu Draco, nervoso – Vamos testar primeiro.

E eles fizeram todos os contrafeitiços e testes de que conseguiram se lembrar (o conhecimento dele, no caso, bastante superior ao dela), mas nada foi detectado.

- Não é possível. – dizia Ginny, ainda examinando o pergaminho por todos os ângulos. – Será que existe alguma forma de acionar algo especificamente pelo feitiço Engo... pelo feitiço que você ia tentar? – disse ela, receosa até mesmo em falar o nome em voz alta.

De repente, ocorreu a Draco uma coisa.

- Ginevra... quando meu pai me escreveu, pela última vez, Dumbledore disse que se ele quisesse me ferir de alguma forma a carta não teria chegado até mim.

- O quê? Como assim?

- Ele adicionou proteções extras à escola depois do que aconteceu comigo, lembra? Essa carta... essa carta não pode me fazer mal, ou eu não estaria com ela agora.

- Draco... nós não podemos ter certeza disso.

- É da minha mãe, Ginevra! Eu sei que é dela!

Ginny lançou a ele um olhar assustado.

- Por que não levamos a Dumble...?

- Engorgio.

- Draco!

E, de fato, a fina caligrafia de Narcissa começou a surgir no papel, trazendo um sorriso ao rosto de Draco.

- Eu sabia! Eu sabia!

Porém, o momento acabou rapidamente, pois apenas três caracteres podiam ser vistos no pergaminho: 8 PM.

Ginny olhou, confusa:

- 8 PM? O que ela quis dizer com isso? É um outro código de vocês?

Mas Draco parecia ainda mais confuso do que ela, virando várias vezes o pergaminho em busca de algo mais. Mas só havia aquilo.

- Eu... eu não tenho ideia. Não faz nenhum sentido.

- É um horário. – disse Ginny, de repente.

- Mas claro! Como eu não pensei nisso?

- Mas horário de quê?

- Talvez... talvez ela venha me ver! – disse Draco, entusiasmado.

- Draco... eu não sei. – disse Ginny, cautelosa. – Seria muito arriscado.

- Eu sei! Mas talvez tenha sido por isso que ela demorou tanto... pode ser que ela estivesse preparando o momento certo, para fazer com o maior cuidado possível.

- Mas... - Ginny procurava argumentos, por não estar nem um pouco convencida – Esse horário é bem no meio do jantar, o castelo vai estar movimentado, seria imprudente...

- Não, não seria! Todos jantando significa o Salão Comunal da Sonserina vazio, e a lareira...

- Draco, por favor, vamos pensar isso direito. Ainda pode ser uma armadilha.

- É a letra dela, Ginevra.

- Ela pode ter sido forçada.

- Com que intuito? Não é como se Voldemort fosse entrar aqui pela lareira!

- E provavelmente sua mãe também não conseguiria, Draco, raciocina! Eu sei que você está desesperado por notícias dela, mas isso não pode minar seus sentidos! – exaltou-se Ginny.

Draco olhou para ela, assustado e repentinamente aflito.

- O que... o que você acha que aconteceu?

- Eu não sei, amor. Eu realmente não sei. – ela disse, olhando novamente o pergaminho – Por isso acho que devemos ir ao Dumbledore... ah, meu Deus.

- O quê?

- Draco... – ela disse, sem tirar os olhos do papel – 8 PM.

- O que é que tem? – ele perguntou, quase em desespero.

- Isso... isso parece um recado.

- Como... como assim?

- Alguma coisa vai acontecer nesse horário. E sua mãe está tentando te avisar.

- Mas... – e ele arregalou os olhos de repente – Você acha... que é possível que Voldemort tenha descoberto uma nova forma de entrar aqui?

- Eu acho... eu acho que pode ser. Ou alguma coisa tão terrível quanto. – disse ela, com a mesma expressão de Draco no olhar – E ela está tentando te avisar. Não foi pra isso que você acha que ela resolveu ficar lá?

- Mas... não! Que horas são agora? – perguntou ele, desesperado.

- Eu não sei, mas pelo sol, já devem ser mais de 6!

- Por Salazar, Ginevra! Se você tiver razão, eles podem estar aqui em menos de duas horas!

- Nós precisamos ir ao Dumbledore. Agora.

Eles correram o mais rápido que suas pernas permitiram até o escritório do diretor, disseram a senha, subiram a escada em caracol e bateram desesperadamente na porta. Uma, duas, três vezes. Porém, não houve resposta.

- Não... – fez Ginny, horrorizada. – Ele não pode ter saído. Não agora.

- Snape. Precisamos do Snape. – Draco disse, ao mesmo tempo em que ela dizia:

- Precisamos falar com a professora Minerva.

Eles se olharam num silêncio aflito por alguns segundos, até que Ginny falou:

- Acho que podemos contar com os dois, Draco. Você procura o professor Snape. Eu procuro a professora Minerva.

- Nem pensar! Eu não vou deixar você sozinha.

- Quer parar de se comportar como se eu fosse uma bobinha indefesa? – irritou-se ela. – Nós não temos tempo. Precisamos do máximo de cooperação que conseguirmos.

- Droga! Eu… Está bem. Mas nós nos encontramos novamente em 20 minutos. Nem um a mais, Ginevra. Tendo conseguido ou não falar com um dos dois.

- Draco… se não conseguirmos por algum motivo…

- Então temos que alertar o máximo de gente que conseguirmos. Entre os nossos.

- Nós… eu posso estar errada. Pode não significar nada disso.

- Eu não acho que esteja. Não mais.

- Certo. Nós nos encontramos em 20 minutos. Aqui mesmo, em frente ao escritório do diretor. Ou onde um dos professores indicar, se estivermos com eles.

- Está bem.

E eles novamente correram como se suas vidas dependessem disso (e talvez dependessem), ele em direção ao escritório de Snape, ela ao de Minerva. E então, quando estava na metade do caminho, Ginny foi a primeira a perceber que era tarde demais.


N/A: Tretaaaa! Os comensais chegaram em Hogwarts. Estou elaborando aqui a minha versão para essa primeira batalha, e espero que vocês gostem.

Por favor, comentem.

Muitíssimo obrigada, sempre, à Kmile, que está comigo desde o início, já devidamente respondida no privado. E respondendo às reviews não logadas:

Ana: Muito obrigada pelo elogio, que bom que essa história causou em você o efeito maratona haha, fico lisonjeada. :)

Raphael: Certamente um dos melhores elogios que já recebi. Aguardo ansiosamente o comentário completo que você prometeu. Obrigada mesmo. :)

Beijos e até o próximo,

Bella