Snape acordou depois de muito tempo inconsciente. Seus olhos estavam meio colados e doeram com a luz forte que vinha da janela. O quarto branco era muito bem arejado e fazia uma corrente de ar que batia de leve no seu rosto. Ele olhou em volta meio grogue, estava em St. Mungos, ele imaginara, ou em um hospital qualquer. Seu pescoço ainda doía muito, mas parecia que seu corpo não tinha outras lesões. Logo sua mente se encheu de lembranças do que mais tarde seria chamada de A Batalha de Hogwarts, ele precisava saber se Melvina estava bem, pois mesmo sem ter estado lá, ele sabia que Harry Potter havia derrotado Voldemort, senão, ele não estaria em um hospital e sim em uma cova. Em uma vã e ansiosa tentativa, ele tentou se levantar, mas deitou novamente, tonto e sentindo fisgadas onde a cobra havia lhe mordido. Procurou no lado da cama, sem se mexer muito, o botãozinho que chamava o medibruxo.

Enquanto esperava que alguém fosse atender seu chamado, ele tentava lembrar de tudo que aconteceu consigo nos últimos dias. Snape ansiava por saber se Melvina estava bem, sua garganta doía só de pensar na possibilidade de ter perdido sua amada.

Alguns minutos depois, a porta do quarto se abriu vagarosamente, dando passagem a um medibruxo de meia idade, que se aproximou de Snape cuprimentando-o.

- Boa tarde, senhor Snape – adiantou o medibruxo. – Eu sou Arthus, estou acompanhando o seu quadro desde que chegou aqui. Como você se sente?

- Angustiado, - Snape respondeu com a voz fraca, um pouco falhando, sentindo muita dor para falar.- você sabe sobre Melvina, minha esposa?

- Infelizmente, eu não tenho informações, senhor Snape, mas Minerva McGonagall pediu que eu a chamasse assim que você acordasse.

Snape apenas murmurou algo ininteligivel e fechou os olhos, enquanto o medibruxo checava o soro que entrava em sua mão esquerda.

- Provavelmente você sairá logo daqui. – Snape abriu os olhos ao ouvir o medibruxo. – Estou dando a você essas poções para dor, mas, como você deve saber, não vão mais deixar você sedado.

- Há quanto tempo estou aqui?

- Há dois dias.

- Obrigado. – foi a única coisa que Snape disse, desviando o olhar do homem a sua frente.

- Devo avisar McGonagall?- ele perguntou.

- Que assim seja. – Snape respondeu, e quando o medibruxo saiu do quarto ele e respirou fundo, deixando algumas lágrimas rolarem pelos cantos dos olhos equanto ele fitava o teto.

Do lado de fora de St. Mungus, dezenas de repórters e mensageiros de jornais se amontoavem na esperança de ouvir mais sobre Harry Potter e seus amigos.

Minerva McGonagal estava um pouco irritada com todo aquele tumulto, o fato de se preocuparem com o sensacionalismo a irritava profundamente. Ela, que já estava no hospital por causa do estado de alguns alunos, murmurava alguma coisa para si mesma quando Arthus chamou pelo seu nome. Imediatamente, ela esqueceu o tumulto lá fora e focou sua atenção no medibruxo.

- Severus Snape está acordado, Senhora McGonagal. – ele informou e sorriu minimamente para a professora. – Ele concordou em vê-la.

- Ótimo. – Minerva respondeu ansiosa, levantando da poltrona da sala de espera. – Leve-me até ele.

A professora percorreu todo o caminho até o quarto onde Snape estava em silêncio, pela primeira vez na vida estava com e receio e não sabia o que dizer ao Mestre de Poções. Parou em frente à porta que Arthus indicou e respidou fundo, girando a maçaneta.

Ao ouvir a maçaneta girando, Snape voltou seu olhar à porta.

- Olá, Severus. – Minerva falou com calma, se aproximando dele. – Como você se sente?

- Fisicamente, bem. – ele respondeu com a voz muito fraca, mas ainda assim recuperando um pouco do sarcásmo usual destinado à Minerva. – Eu preciso saber, Minerva, se Melvina está bem.

Minerva se comoveu com o a preocupação e medo que exalavam dos olhos dele e os seus próprios se enxeram de lágrima.

- Ela...Melvina está um pouco machucada, Ponfrey conversou com ela no pouco em que esteve acordada e, bom, ela vai vai ficar bem. – Snape começou a chorar ao ouvir Minerva. Ela se aproximou da cama e segurou a mão dele, consolando-o de uma forma quase maternal. – Ela vai ficar bem.

- Onde ela está?

- Ela está aqui, mas ainda sob o efeito de poções boa parte do tempo.

- E Anthony?

- Eu não sei, Severus, eu...

- Melvina deve tê-lo escondido.

- Acredito que sim. – Minerva respondeu, realmente querendo acreditar que a criança estava bem.

Snape ficou calado, tentando não pensar no quanto Melvina havia sofrido e onde estava o filho deles. Depois de algum tempo, Minerva quebrou o silêncio.

- Eu queria me desculpar, Severus. Por tudo, e dizer que nunca estive tão grata à você. Harry nos contou seu papel em toda a batalha, em todos esses anos. Nos devemos muito à você.

- Você não precisa se desculpar,- Snape ficou um pouco carrancudo ao ter esse assunto trazido à tona.- vocês tinham todas as provas para não acreditarem em mim.

- Eu fiquei muito chocada, quando Harry me contou.

- Eu estou feliz que Potter tenha finalmente se livrado desse fardo na vida dele. – a sinceridade estava explícita nas palavras de Snape.

- E na vida de todos nós, também. O mundo bruxo estava um caos. Aliás, Harry está arrumando tudo para a sua defesa.

Snape demorou alguns segundos para processar a informação.

- Ah, claro.

- Você vai sair dessa, com certeza, temos Harry como prova, Melvina também pode testemunhar. – Minerva falou em um tom confiante, mas Snape parecia apático à situação. Ele sabia que seria julgado como todos os comensais, assim como ele já havia sido julgado na primeira queda de Voldemort. Mas muito maior do que sua preocupação com sua liberdade ou não, era com a sua família. Ele queria levantar logo e abraçar Melvina e nunca mais soltar, se fosse possível.

- Eu posso ver Melvina? - ele interrompeu Minerva.

- Isso você tem que ver com os medibruxos, Severus. Sinto muito.

Snape ficou em silêncio novamente.

- Você precisa de algo? - Minerva solicitou a ajudá-lo.

Snape deu um de seus olhares irônicos que fez Minerva sorrir.

- Um pescoço novo não é uma má ideia.

- Bem vindo de volta, Snape. – Minerva sair sorrindo, deixando-o sozinho novamente. Snape logo chamou pelo medibruxo que chegou logo em seguida.

O medibruxo veio atender ao chamado de Snape e se defrontou com o Mestre de poções sentado na cama, tentando se levantar.

- Calma, Senhor Snape, se levantar de supetão pode ficar tonto e cair. – o medibruxo correu pra perto dele.

- McGonagall disse que minha esposa está aqui em St. Mungus e eu quero muito vê-la.

- Infelizmente não vai ser possivel, eu me informei com o medibruxo responsável por ela, e ela tomou medicação há pouco tempo e já deve estar dormindo novamente. Mas quando ela acordar, posso avisar o senhor.

- Por favor, nem que seja preciso me acordar.

Arthus assentiu com a cabeça.

- Como o senhor se sente?

- Me sinto um pouco cansado, os músculos cansados, e um pouco de dor no pescoço.

- A poção que o senhor tomou foi muito eficaz em neutralizar o veneno, mas um pouco ainda restou e atingiu a corrente sanguínea, por isso a fadiga muscular. Mas nós já eliminamos praticamente toda a intoxicação pelo veneno, sobre o pescoço, sinto dizer que o que podemos fazer é lhe dar poçoes contra dor enquanto o ferimento ainda está em processo de cicatrização.

- Certo, obrigado.

- Se precisar de mim, é só chamar.

O medibruxo já ia se retirando, quando Snape chamou sua atenção.

- Eu não poderia simplesmente vê-la? Nem que seja por uns minutos.

Arthus encarou Snape, seu olhar estava suplicando por uma resposta positiva.

- Eu vou falar com o medibruxo responsável e, se ele concordar, eu busco o senhor.

- Obrigado, Arthus.

Olá queridos leitores, mais um capítulo dessa fic que aos pouquinhos (bem pouquinho mesmo) eu vou conseguindo escrever. Espero que gostem e me deixem um review (se não gostar também deixa, por favor haha). Até o próximo capítulo 3