Capítulo Trinta e Sete – No Meu Sonho

Tradutoras: Ju Martinhão & Bruna Brito

Bella

Sangue revestia cada superfície em torno de mim. Abaixo de todo o vermelho, o ambiente era irreconhecível. Onde eu estava? Um escritório, talvez? Minha mão tremia quando eu a trouxe aos meus lábios, numa tentativa fútil de evitar gritar. Quando o gosto de cobre do sangue atingiu os meus sentidos, meu estômago se agitou.

Olhei para as minhas mãos, horrorizada ao ver manchas de sangue sobre elas. Uma parte de mim queria gritar, mas a parte mais dominante me impediu de fazê-lo. Se eu o fizesse eu despertaria Edward e assim a minha dor seria dele também. Eu não podia fazer isso com ele.

Sem mais dor, eu recitava silenciosamente.

Lutei para manter a picada de lágrimas na baía. Maldição, não! Não havia cair aos pedaços para mim, não agora, não então. O toque da mão dela pousou no meu ombro e, mesmo que o quarto estivesse mal iluminado, eu podia ver o seu perfil.

"Brianna." Eu sussurrei. Uma dor antiga floresceu em meu peito quando o nome da minha melhor amiga morta ressoou por todo o cômodo sangrento.

"Não havia nada que você poderia ter feito, amor." Ela disse. Seu toque era tão frio e nada como o calor que a sua amizade tinha me dado quando ela era viva.

"Eu estava ocupada demais depois daquela noite em que peguei você com Jordan." Eu disse, olhando para a destruição do ambiente que se transformou em minha velha sala de estar. "Talvez se eu tivesse tido tempo para encontrá-la, você não teria-"

Os cachos brilhantes de Brianna moveram quando ela balançou sua cabeça para mim e cobriu meu rosto. "Eu não retornava suas ligações e eu não queria falar com ninguém depois do que aconteceu com Jordan".

Eu não podia continuar assistindo seus pálidos olhos verdes sem quebrar e soluçar, então eu deixei cair meu queixo ao meu peito. "Eu não tentei o suficiente".

"Você tentou." Ela sussurrou. Foi tão suave, mas ecoou pela sala. "A escolha foi minha, não sua, nunca sua".

"Eu deveria ter sido capaz de falar com você sobre isso." Eu pensava, olhando para cima para vê-la sorrir suavemente.

"Talvez." Ela sussurrou. "Mas eu nunca dei a você a chance porque eu não queria. Você não pode viver sempre pensando nos 'e se'. Não vai mudar nada".

"É tudo que eu tenho." Eu disse baixinho. "Algo para me agarrar, para que eu pudesse continuar a fazer o que faço".

Ela puxou meu queixo e seus olhos disseram-me para reexaminar o que eu disse.

"Uma desculpa?" Perguntei a mim mesma.

"Uma de muitas." Ela respondeu enquanto sua mão gesticulou em direção a um grupo de rostos invisíveis.

Silenciosamente, eu entrei lá para ver Julian, Jacob e o resto dos meus ex-assuntos. Eles estavam conversando como se já se conhecessem há anos, e rindo e sorrindo sobre algo que Jacob estava dizendo.

"Eu disse a ela o que ela queria fodidamente ouvir." Jacob continuou enquanto sacudiu sua cabeça. "Se eu não tivesse, ela estaria na minha bunda tentando," ele usou os dedos para citar aspas, "corrigir-me para sempre".

Eu estava entorpecida pelas palavras dele, ele nunca me disse nada. Por que ele diria essas coisas? Era assim que ele realmente se sente? Olhando para os outros homens do meu passado, eu poderia vê-los todos balançando a cabeça, concordando com ele.

"Sim, homem." Disse um deles.

"Pregando para o fodido coro, mano." Disse outro.

Que diabos isso significa?

"Deixe ir, Bella." Brianna disse suavemente enquanto ela estava atrás de mim.

"Deixe ir o quê?" Eu perguntei enquanto Brianna tentava me levar embora. Balancei a cabeça, dando mais um passo em direção aos homens. Eu queria ouvir mais.

"Como diabos eu deveria dizer a ela que o que ela fez foi foder tudo?" Mike disse aos outros caras. "Isso é uma coisa sobre ela, ela é estupidamente fraca e ela nem sequer sabe disso. Você dá uma olhada naqueles bebês marrons e você não pode dizer a ela a merda porque ela nunca realmente escuta".

Reese correu a mão pelo seu cabelo preto, seu sorriso tão vibrante como eu já o tinha visto. "Eu estava nisso apenas porque ela tinha toda aquela inocência, aquela vulnerabilidade que a tornava irresistível. Eu a quebrei".

"Ah." Mike disse e riu. "Somos os únicos que fizeram dela a especialista em sexo que seus livros alegam que ela é." Todos os caras gargalharam quando ele puxou uma tira de couro no bolso de trás e bateu contra a sua coxa. As risadas continuaram, mas suas palavras foram perdidas quando as luzes diminuíram em torno deles.

Brianna pegou minha mão, puxando-me para longe das vozes do meu passado. Eu soluçava e balançava minha cabeça, "Eu não entendo".

"Bella, você precisa deixar ir." Brianna repetia, acariciando meus cabelos.

"Eu não acho que posso." Um soluço embargado escapou-me. Sua mão escorregou da minha e eu tentei desesperadamente pegá-la de volta. "Por favor, não me deixe".

"Você não precisa mais de mim." Ela sussurrou quando deu um passo para trás. "Você nunca realmente precisou." Sem pensar eu tentei fechar a distância entre nós, ela balançou sua cabeça. "Você tem tudo que você precisa. Deixe ir, Bella".

Brianna, seu rosto angelical, cabelos vermelhos e sorriso, desapareceram nas sombras da sala. Tudo ao meu redor, eu ouvi os murmúrios dos que eu tentei salvar depois que eu tinha falhado com Brianna. Todos os meus assuntos, pacientes, até mesmo as famílias dos meus antigos assuntos, todos tinham uma coisa a dizer.

"Deixe ir".

Engoli em seco enquanto eles continuaram, as vozes rodando e terminando com uma série de rostos mudando. Rostos daqueles que eu ajudei e feri, Daniel, Brianna, Edward e meu irmão entre eles.

Eu gritei quando o sangue começou a escorrer do abdômen de Jordan.

"Você me salvou." Ele disse. "Agora salve a si mesma".

"Deixe ir, amor." Edward sussurrou, envolvendo seus braços em volta da minha cintura por trás. Eu suspirei e derreti contra o plano duro do seu peito. "Por você, deixe ir. Eu estou aqui com você, sempre".

Engoli em seco quando balancei acordada para encontrar-me sentada na minha cama. O suor escorria pela maior parte do meu corpo. O cheiro de cobre do sangue já não invadia meus sentidos. Minhas mãos estavam macias e secas enquanto eu olhava para ver que elas já não estavam cobertas com o sangue do meu passado.

Foi tudo um sonho. Alguns dedos ofuscantes da luz do banheiro caíam sobre a cama, iluminando as costas nuas de Edward. Aliviada, eu respirei profundamente, pela primeira vez desde que o sonho virou um pesadelo.

Empurrando alguns fios de cabelo do meu rosto, virei-me para ver que era apenas seis horas da manhã. Edward tinha mencionado algo à minha forma pouco consciente na noite anterior, de que ele não iria para o trabalho. Permitindo que a minha cabeça voltasse a cair no travesseiro, eu olhei para o teto acima de mim. O pesadelo, não sonho, reproduzido com total clareza em minha mente.

Desde que eu tinha tido 19 anos de idade, eu tinha permitido que eventos passados guiassem a vida que eu vivia. Desculpa após desculpa levou-me através das escolhas que eu tinha feito. No entanto, essas escolhas me levaram a Edward.

Isso era apenas mais uma desculpa? Não, eu sei em meu coração que, de alguma forma, nós teríamos acabado juntos.

Quando me virei para ficar de frente para Edward, seu braço estendeu para mim. Uma vez que sua mão encontrou a minha coxa, ele puxou até que eu estivesse pressionada contra ele. Sua mão automaticamente alisou por cima do meu quadril e do estômago, suspirando. Isso continuou por alguns instantes até que sua respiração voltou ao normal.

Mesmo em seu sono, ele me tranqüilizava. Escovei os cabelos da sua testa e a vi franzir por um momento.

"Bella." Ele murmurou. Sua cabeça procurou a dobra do meu pescoço, aninhando-se ali. "Minha Bella".

"Sua." Sussurrei suavemente. Ele me queria até mesmo em seu sono. Havia uma outra decisão que eu me arrependia. A escolha de não ligar para ele um dia antes quando eu estava na sala de emergência.

Os pensamentos giravam na minha cabeça, tornando difícil ficar na cama por mais tempo. Eu tinha mais escolhas a fazer e eu esperava que eu fizesse as corretas. Mais tarde, quando ambos estivéssemos acordados, teríamos outras para fazer juntos.

Com um toque suave dos meus lábios sobre os seus, deixei-me ter um momento para mim. Maldição, o controle da bexiga era uma porra inexistente na gravidez de seis meses de gêmeos. Depois de ficar limpa, verifiquei Edward mais uma vez antes de fazer o meu caminho para o nosso escritório. Olhei nos meus cd's de música e tirei os nove que eu precisava. Com uma verificação através das coisas de Edward encontrei o seu processo que levou à sua descoberta da verdade.

Depois de fechar a porta do escritório, puxei o nosso picador de papéis de debaixo da mesa e o liguei. Tirando o disco de Jacob da sua capinha, dei a ele um último olhar antes de deixá-lo cair dentro da máquina. O zumbido silencioso que foi produzido foi quase mais alto do que um secador de cabelo, enquanto eu continuava para o próximo disco de arquivos. Uma vez que eu tinha terminado, deixei as capinhas caírem no lixo. A primeira etapa foi concluída. O que diabos eu faço agora?

Entrei na sala de estar, notando que eu mal usei uma meia hora no escritório. Lá, na mesa do café, estava o arquivo que Ângela tinha pedido. Ângela.

Como eu poderia não ter visto que ela tinha fixação em mim? Então, novamente, eu não tinha ignorado as mesmas dicas de Daniel?

Eu estava tão envolvida em todo o drama da minha vida que eu não tinha dado um segundo pensamento a Ângela desde a festa. Claro, ela tinha ligado, tinha enviado e-mail e pedido para almoçar comigo. No entanto, eu tinha falhado completamente em vê-la como uma ameaça, quanto mais em alguém que precisasse de terapia séria. Eu havia sabido há algum tempo que ela costumava cortar-se na faculdade. Ben e eu tínhamos chegado a ela com a ajuda que ela precisava quando tínhamos notado feridas frescas em uma festa.

Foi outra coisa que me disse que a opção de não pegar novos pacientes foi uma boa. Agora, a pergunta era, o que eu devo fazer sobre mim mesma? Edward e eu já estávamos vendo um terapeuta juntos e tínhamos discutido sobre eu ir para um sozinha.

Eu estava preparada para purgar a verdade à porra de um completo estranho? Maldição, eu sou uma puta desbocada quando estou em privação de sono. Não só eu tinha uma necessidade de dizer a alguém fora da família, fora do círculo de pessoas que conheciam a verdade, mas também eu precisava deixar ir.

Eu tinha sido tão independente por tanto tempo que eu tinha estragado o dia anterior. Eu só esperava que Edward me perdoasse pelos meus erros. Foda-se, perdoar-me por ser uma burra teimosa.

~ Edward

O calor com o qual eu tinha uma vez mais me acostumado na noite anterior se foi quando eu acordei. Depois de colocar Bella na cama, eu tinha ligado para a minha família e deixado todos saberem que eu estaria fora do escritório pelo resto da semana. Eles sabiam que eu tomaria algum tempo fora uma vez que Bella retornasse.

Eu não tinha contado a eles sobre Ângela, não era algo que eu queria compartilhar com ninguém. Grunhindo, eu corri minhas mãos sobre o meu rosto. Porra do inferno. Toda essa merda realmente aconteceu?

Onde diabos estava Bella? O chuveiro não estava funcionando, mas eu era capaz de compreender a batida lenta de uma música do Maroon 5 vindo de fora do nosso quarto. Ela já estava de pé e fazendo o café da manhã. Maldição, por que ela não poderia me deixar cuidar dela? Ela não acreditava em dormir? Bella estava em desesperada necessidade de aprender a relaxar.

Puxei um par de calças de dormir. Bella odiava quando eu usava roupas de dormir, considerando que ela odiava usá-las. Não que eu me importasse. Era mesmo mais uma exigência, já que tudo a deixava desconfortável em sua gravidez.

Depois de uma rápida ida ao banheiro, fiz meu caminho em direção à cozinha. Apenas para encontrá-la no telefone, andando de um lado para o outro – o que era fodidamente não natural.

Eu a tinha visto fazer isso apenas uma vez, no dia em que ela descobriu que tínhamos visitado a casa de praia para que eu pudesse recuperar o anel da minha mãe. Então ela estava nervosa, sem dúvida por causa do segredo que se estabeleceu entre nós. Isso foi totalmente diferente.

O café da manhã estava colocado na mesa de café na frente do sofá, quente, e um lembrete das manhãs passadas. Eu deveria estar grato, mas eu estava mais preocupado sobre por que ela estava ao telefone.

"Obrigada." Ela terminou a ligação enquanto esfregava seu estômago. De repente, seu corpo se acalmou e após um momento virou para ver-me parado perto do corredor. Seu sorriso de resposta foi tímido e nada do que eu esperava. Eu não tinha a porra da idéia do por que. Apesar disso, sua mão se estendeu para mim.

Bella me deu um meio sorriso e abraçou minha cintura. "Bom dia." Ela sussurrou, aconchegando-se ao meu peito.

"Por que você já levantou?" Eu perguntei, passando meus braços em volta dos seus ombros. Beijando o alto da sua cabeça, fiquei lá para sentir seu cheiro suave.

"Não consegui dormir." Ela murmurou. Ela suspirou e apertou-me por um segundo a mais. "Vamos tomar café da manhã, estou morrendo de fome".

Eu ri e sentei-me no sofá, puxando-a para perto de mim. "São os bebês tendo desejos?"

Um lindo rubor cobriu seu rosto enquanto ela arrancou uma fatia de bacon do seu prato. "Não, só eu. Eu acho." Dando uma mordida, ela corou de novo. "Eu não podia decidir o que fazer. Eu estava perto de fazer cada item de café da manhã no apartamento." Rindo, eu pressionei meus lábios contra os dela, incapaz de resistir.

"É uma coisa boa que eu tive os mantimentos entregues anteontem." Eu disse, sorrindo. Diante de mim na mesa do café estava um prato cheio de pão francês, bacon, ovos mexidos e salsichas. Eu me virei para olhar para a cozinha, certo o bastante cada superfície estava brilhantemente limpa. Ela estava, obviamente, cuidando da sua ninhada, algo que eu tinha lido em nossos livros sobre a gravidez. Há quanto tempo ela estava acordada?

No entanto, faltava alguma coisa sobre este café da manhã. Levou um momento para eu perceber e, quando eu o fiz, puxei Bella no meu colo. Ela riu suavemente, puxando ao redor de modo que ela pudesse me beijar. "Assim é melhor." Ela sussurrou em meus lábios. Eu balancei a cabeça, sentindo que o sentimento era mútuo.

Comemos, alimentando um ao outro. Desfrutando a paz e tranqüilidade que se instalou sobre nós, considerando o que tinha acontecido na noite anterior, era só o que precisávamos. Com o último pedaço de pão francês do meu prato, eu o pressionei contra a boca macia de Bella. Ela cantarolou quando pegou o último pedaço.

"Estou cheia." Ela disse, esfregando sua barriga. "Eu acho que isso deve mantê-los quietos por algum tempo".

Preocupado, eu pressionei minhas mãos sobre o seu ventre. "Eles não estão deixando você dormir?"

Ela encolheu os ombros. "Eu não tenho dormido bem e isso nada tem a ver com a minha gravidez".

"Porque você estava longe?" Eu ofereci. Ela assentiu e fez um meio encolher de ombros.

"Isso e ontem foi uma experiência de abrir os olhos." Ela saiu do meu colo e estabeleceu suas costas contra um canto do sofá. Peguei suas pernas e trouxe para apoiar em meu colo. "Você está realmente bem, Edward?" Ela perguntou. "Você pode me dizer, e se você não puder, tenho certeza que você pode conseguir uma consulta sozinho com um terapeuta".

Balancei minha cabeça, pegando um dos seus pés em minhas mãos. Os próximos momentos aconteceram tão rapidamente que levou vários outros para descobrir o que tinha acabado de acontecer.

Bella gritou fodidamente como uma assassina sangrenta, arrebatando seus pés das minhas mãos e atravessando a sala em poucos segundos. Alimentos e nossas bebidas estavam pingando em cima da mesa de café, sofá e até de mim. Eu podia vê-la apertando seu abdômen protetoramente.

Puta merda, eu a tinha machucado? Maldição, eu não tinha a maldita idéia do que eu estava fazendo mais. Especialmente quando se tratava da saúde e gravidez de Bella. Desde que eu a tinha deixado sozinha no hospital, eu sempre tinha pensado que eu estragaria isso de novo. Eu faria algum erro horrível e machucaria a ela, nossos bebês, ou nós.

"Bella." Eu disse enquanto me levantei do sofá. Seu corpo inteiro tremia quando me aproximei, após algumas respirações profundas ela relaxou. "Por favor, me diga o que eu fiz." Até mesmo eu podia ouvir o desespero em minhas palavras. Eu tinha que saber.

"Sinto muito." Ela disse, suavizando mais suas feições. "Você não pode esfregar meus pés nem minhas pernas. Pode provocar contrações".

"Tudo bem." Eu sussurrei, estendendo a mão para a dela. "Isso explica por que você removeu os pés das minhas mãos, mas não a sua reação." Ela balançou a cabeça na minha mão e eu ignorei a pontada de sua rejeição. "Diga-me o que está errado".

"Meu irmão e eu fomos bebês prematuros." Porra, eu não sabia disso, isso só acrescentou ao meu medo sobre o parto próximo. Por que eu não tinha pensado em perguntar sobre isso, ela é a porra de uma gêmea. Ela correu as mãos sobre o seu rosto rudemente, finalmente chegando à minha mão. "Sinto muito por assustar você, mas eu me apavorei por causa de ontem".

Meu corpo enrijeceu imediatamente. "Há algo errado com os bebês, com você?" Eu não tinha percebido que eu tinha tirado a minha mão, apenas para agarrá-la pelos ombros.

"Edward." Ela sussurrou. "Você está naquela mentalidade de 'grr'* novamente e segurando um pouco apertado".

*Grr: uma onomatopéia para rosnar, também escrito 'grrr'.

Afrouxei o meu aperto. "Desculpe." Estremeci. "É o pensamento de você e nossos filhos em perigo-" Eu tremi de novo, puxando-a para mais perto, precisando que a distância entre nós fosse eliminada.

"Eu preciso contar a você uma coisa." Ela murmurou. "Eu percebi uma coisa sobre ontem." Sua testa franziu e ela parecia em uma perda de palavras.

Pegando a sua mão na minha, sentei no sofá, puxando-a para perto de mim. "Você pode me dizer".

"Eu percebi que se eu não tivesse entrado para a situação com Ângela." Ela disse, mordendo o lábio nervosamente. Eu não tinha idéia para onde ela estava indo com isso. "Que você teria prontamente chutado a bunda dela para fora".

Eu bufei e resmunguei, "Porra, sim".

Ela me deu um pequeno sorriso antes de continuar. "E você me contaria o que aconteceu".

"Claro." Eu disse. "Eu não mentiria para você sobre algo assim. Não seria justo eu esconder esse tipo de informação de você." Ela se encolheu e eu entendi a expressão em seu rosto.

Culpa. Fodidamente culpa.

Ela suspirou e acenou com a cabeça. "Eu sei disso agora. E eu realmente sinto muito, eu não estava pensando quando isso aconteceu".

"Quando o que aconteceu, Bella?"

"Tive algumas dores ontem de manhã bem cedo." Minhas mãos agarraram as duas dela, agarrando-se a elas enquanto ela continuou. Imediatamente, vários cenários diferentes passaram pela minha mente, todos igualmente assustadores ao anterior. "Não há nada de errado. Eu fui verificada por um médico do P.S. e tudo parece muito bem".

"Por que você não me ligou?" Eu podia ouvir em minha própria voz a mágoa por trás da minha pergunta. Não só eu estava machucado que ela não tinha me ligado, mas eu estava com medo.

Eu tinha realmente destruído toda a sua confiança em mim quando se trata da sua saúde e dos nossos filhos? De repente, a imagem indesejável do seu rosto devastado quando eu a deixei meses antes, me assombrou. Eu a deixei para decidir o que era melhor para ela e nossos bebês - sozinha. Mesmo depois que ela pediu a minha ajuda, eu a tinha deixado.

As mensagens do correio de voz que eu tinha recebido logo depois também eram muito inesquecíveis.

"Edward." Jacob disse com um rosnado profundo. Atrás da sua voz havia soluços e alguém gritando. "Como diabos você pode fazer isso com ela?" Ele tinha tomado uma respiração profunda antes de continuar. "Olha, eu sei que você está ferido, acredite em mim, eu sei como é. Quando eu descobri a verdade, eu queria torcer o pequeno pescoço dela. Mas, maldito seja, Edward, esta é Bella, pelo amor de Deus e seu bebê!"

Outra de Esme. "Edward." Ela chorou. "Por favor, volte. Eu conheço você o suficiente para saber que você nunca se perdoaria por ir embora. Vocês dois se amam, isso não deve ser razão suficiente para ficar, para conversar? Você tem medo?"

Eu estive com medo, naquele dia. Apesar da raiva e mágoa que eu sentia naquela noite, a noite em que eu tinha me afastado de Bella, do nosso bebê, o medo foi uma das emoções mais marcantes. Depois que eu tinha ouvido aquelas duas mensagens, elas me fizeram solidificar a minha decisão de ir embora no momento.

Depois que meus pais morreram, o sentimento de abandono, a perda, a raiva, tinham me rasgado em pedaços. Eu tinha feito uma escolha naquela época, com a tenra idade de 14 anos, de nunca me permitir ter uma família. Pois eu nunca desejaria a dor que eu sentia ao meu pior inimigo, muito menos para alguém que eu amava. Em minha esposa, meus filhos. Desde aquele dia eu tinha sido diligente sobre controle de natalidade, não perdendo a minha virgindade até os 18 anos, embora tenha havido amplas oportunidades. E uma vez que eu comecei a ter relações sexuais, eu sempre tinha utilizado um preservativo. Até Bella.

No final, uma criança disse-me para ouvir o meu coração, e eu tinha retornado para casa para recuperá-lo. Ele tinha sido colocado nas mãos de Bella desde o dia em que ela havia mostrado que me amava. Minha deserção naquele momento parecia ter tido outro efeito sobre nosso relacionamento. Ela não confiava em mim o suficiente para confidenciar a mim, para instantaneamente me querer ao seu lado se algo acontecesse com ela.

Eu não tenho estado lá para ela desde então? Puxei as rédeas da minha ira porque Bella não precisava de outra coisa para se preocupar. Ela deveria ter me ligado, no entanto.

"Você não me ligou." Eu disse tão categoricamente quanto eu podia, desviando meu olhar do dela. A memória disparando depois de Ângela na noite anterior foi bastante assustadora. Se eu soubesse que Bella tinha estado no P.S. horas mais cedo a minha pressão arterial teria ido através do telhado.

"Eu sei." Seus dedos agarraram firmemente em torno dos meus, como uma tábua de salvação.

"Por quê?" Eu olhei para ela então, e pude ver a desculpa toda sobre o seu rosto.

"Edward, eu estava com cólicas e eu estava preocupada. Meu único pensamento era fazer a verificação. Eu não pensei." Ela arrastou-se pela frase rapidamente, como se ela não pudesse encontrar as palavras para me dizer.

"O que você quer dizer?"

"Eu apenas agi. No momento que me ocorreu ligar para você, estava tudo acabado. Eu não queria assustá-lo." Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, eu senti que havia algo mais que ela queria dizer. Com um aperto suave na mão dela, eu a incentivei a continuar.

Ela suspirou e olhou para o seu colo. "Eu nunca tive que responder a ninguém antes, o que pode ser parte da razão pela qual eu não tinha ligado. Percebi na noite passada que isso era tão errado da minha parte".

Tomei algumas respirações profundas em um esforço para me acalmar. Uma parte de mim queria agarrá-la pelos ombros e sacudi-la. Dizer a ela que ela era minha vida, que nossos filhos eram a minha vida, e que eu tinha todo o direito de saber. Mas eu sabia que não podia falar com ela daquela maneira. Ela ainda estava incrivelmente frágil.

"Eu sei que não poderia ter estado lá quando isso estava acontecendo." Comecei, colocando meu dedo em seu queixo. Com um pequeno empurrão eu tinha os olhos dela encontrando os meus. "Mas você deveria ter, pelo menos, me ligado logo em seguida." Fiquei surpreso com o quão fácil foi esconder a mágoa da minha voz. No entanto, quando ela olhou para mim, seu rosto caiu.

Seus dedos apertaram ao redor dos meus. Em um esforço para mostrar a ela que tudo ficaria bem, levei sua mão à minha boca para colocar um beijo nela. Eu sabia que era difícil para ela admitir que estava errada.

"Edward, eu só queria chegar em casa para você. Depois que consegui esclarecer tudo com o médico, é o que eu fiz".

"E eles estão certos que tudo está bem com você e com os bebês?"

"Eles concluíram que era a dor da cicatrização dos tecidos da minha cirurgia anterior. Eles estão constantemente sendo esticados, causando as pontadas".

Internamente, eu me encolhi ao pensamento dela em qualquer mesa de operação, apenas solidificando o meu medo do parto próximo. Tanta coisa poderia dar errado.

"No momento em que você teve esse susto e ligou para alguém, a próxima ligação deveria ter sido para mim." Eu disse. "Eu quero ser uma parte de tudo o que acontece com a sua gravidez. Eu não posso fazer isso se você está me excluindo".

"Eu sei disso, agora. Havia tanta coisa acontecendo e eu fiquei aliviada. Eu também não queria te dizer porque eu sabia que você se preocuparia. Depois do que aconteceu ontem, eu sabia que você me diria a verdade sobre Ângela. Agora eu sei que eu deveria ter lhe contado também".

"Certíssima." Eu disse. "E não é só sobre os bebês que eu quero saber. Se alguma coisa está acontecendo com você, referente à sua saúde, ou qualquer coisa desse assunto, eu tenho o direito de saber. Você é minha vida, tanto quanto nossos filhos".

"Sinto muito." Ela murmurou, subindo no meu colo. Ela acariciou minha nuca, envolvendo os braços ao redor dos meus ombros. "Eu te amo tanto." Pressionei meus lábios em sua têmpora. Embora eu ainda estivesse com raiva, eu a amava tanto como no dia anterior. Isso era algo que eu sabia que nunca mudaria.

Olhei ao meu redor e vi as bebidas e pratos espalhados pelo chão. "Precisamos limpar nossa bagunça." Ela disse.

"Sim, precisamos." Eu disse, agarrando um prato caído no chão e levantando. "Você pega uma toalha. Vou pegar isso".

Ela pegou minha mão. "Nós vamos fazer isso juntos." Ela sorriu e pressionou seus lábios contra a minha bochecha.

Após a limpeza, nós nos sentamos juntos por um tempo, o relógio na sala evidenciando nove da manhã. "Já que eu não vou trabalhar hoje, o que você quer fazer?"

"Temos um dia atarefado hoje." Ela disse. "Marquei uma consulta com um terapeuta. Nós temos uma consulta com o obstetra algumas horas mais tarde." Ela esfregou seus ombros, rolando seu pescoço várias vezes.

"Permita-me." Eu sussurrei. "Eu posso não ser capaz de massagear seus pés, mas pelo menos eu posso massagear suas costas e ombros." Ela concordou, estabelecendo-se entre minhas coxas e contra o meu peito.

"Detetive Gomez estará aqui mais tarde hoje para tomar o seu depoimento." Eu disse, preocupado que tudo isso fosse demais para ela. "Eu posso ligar para ele para adiar até hoje à noite." Murmurei, esfregando onde seu pescoço encontrava seu ombro. Fiquei feliz em proporcionar algum conforto. Sua saúde e suas necessidades vinham primeiro, especialmente agora. Era a minha vez de cuidar dela. Teimosa ou não, ela me deixaria.

"Sobre Ângela." Eu sussurrei, desejando que eu não tivesse que interromper a paz e tranqüilidade que nós tínhamos estabelecido novamente. "Você não achou que eu trairia você?"

Ela balançou a cabeça. "Você pensou que eu acharia?" Ela perguntou.

"Com o meu passado, não seria difícil pular para essa conclusão. Eu nunca dei a você uma razão para acreditar no contrário".

"Você me deu uma razão, você me ama. Eu confio em você".

Eu deixei as palavras dela se estabelecerem, era a última peça que faltava no nosso relacionamento. Nossa confiança ainda estava em um penhasco proverbial depois que eu tinha aprendido a verdade. Depois que eu a tinha deixado quando ela mais precisava de mim.

Até que ela disse isso, eu não tinha idéia de quanto eu precisava saber que ela confiava em mim. Eu me senti mais leve, ainda mais quando eu olhei para ver isso em seus olhos, para ver que ela me amava de verdade. Havia ainda coisas para trabalharmos, e tenho certeza que coisas novas surgiriam a todo instante, mas nós lidaríamos com elas juntos.

"Como você a conhece?"

"Nós participamos de algumas aulas em Los Angeles, mas perdi contato com ela. Então Reese levou-me a uma de suas festas. Isso é realmente onde eu conheci Mike. Fizemos uma cena lá e Ângela foi a outra submissa".

"Ela tinha mencionado uma cena." Eu disse. Maldição, eu estava curioso. Eu não queria ouvir sobre uma cena com outro homem, mas eu estava curioso sobre o que provocou a obsessão óbvia de Ângela com Bella.

Bella hesitou, virando a cabeça para olhar para mim. "Quando você me perguntou se eu tinha estado com uma mulher, eu menti".

Eu assenti. Eu tinha a sensação de que isso estava vindo. "Suas mãos estavam amarradas por causa do NDA*." Sorri ao meu próprio trocadilho, fazendo-a bater no meu braço. Foi uma tentativa para aliviar a tensão que havia surgido. "Eu não a culpo por isso. Você não poderia dizer nada. Entendo que não era o seu direito".

*NDA (Non Disclosure Agreement): acordo de não revelação (obriga potenciais proprietários a não revelar detalhes sobre novos produtos que estão para sair no mercado).

"Não, não era. Eu tinha concordado em ser uma submissa por uma cena. Reese tomou vantagem disso. No final foi o catalisador para acabar com o nosso relacionamento".

"Ele não pediu a sua opinião sobre o assunto." Concluí.

"De certa forma, sim. Isso, e eu não gostei da perda de controle".

Eu bufei. "Não me diga." Nós dois sabíamos que ela odiava ceder o controle em praticamente todas as situações. Era bom saber que ela parecia estar vindo ao redor. O suficiente para permitir-me cuidar dela.

"Eu marquei uma consulta para a minha própria sessão. Hoje, na verdade." Havia um fio de voz dela enquanto ela continuava. "Eu vou dizer a ela sobre o que eu tinha feito, com meus assuntos, quero dizer".

"Você pode perder sua licença para praticar." Eu sussurrei. "E a sua credibilidade como uma especialista em sexo".

Ela assentiu, sua cabeça caindo para a frente, olhando para o seu colo. "Eu nunca aleguei que eu era uma especialista em meus livros, ou mesmo nas minhas entrevistas. Meus leitores foram aqueles que me deram o título de doutora. Você já leu meus livros, eles são mais histórias do que manuais de instrução. Quanto à minha licença, eu não acho que posso praticar mais. Pelo menos não agora, não serei capaz, de qualquer maneira. Meus assuntos nunca foram clientes pagantes, então eu acho que não preciso me preocupar com isso".

"Por quê?"

"Eu sempre soube, desde o início, que o que eu estava fazendo era errado. Foi a razão pela qual eu era tão cautelosa sobre os meus assuntos. Eu sempre tentava justificar isso, com a forma como se eu não tivesse ajudado, eles seriam piores, ou alguém faria algo drástico. Como Brianna fez. Houve sempre uma parte de mim que sabia, no entanto".

"E agora isso não pode ser tão facilmente descartado?"

Ela balançou sua cabeça e chorou. "Não".

Cuidadosamente, movendo-a ao redor para que ela estivesse deitada confortavelmente, arrastei-me sobre ela. Eu a puxei de volta ao meu peito. Murmurei para ela, "Eu te amo tanto. Eu odeio te ver assim." No entanto, poderia ser a coisa que ela mais precisava. Não era certo o que ela tinha feito, então eu me recusava a dizer a ela que estava tudo bem.

A sorte estava do lado dela, sorte que eles todos vieram do que ela tinha feito para se tornarem pessoas melhores. No entanto, havia tanto risco que poderia ter ficado feio. Ângela e Daniel são, eram exemplos perfeitos de quão ruim as coisas poderiam ter ficado com seus ex-assuntos.

Suas lágrimas foram acompanhadas por pequenos gemidos, soluços e dedos apertados em volta dos meus. Lentamente, empurrei-me para os meus pés para pegá-la em meus braços. Seus braços envolveram ao meu redor e, pela segunda vez em menos de 12 horas, ela chorou contra a minha pele.

Com lentos passos medidos eu andei em direção ao nosso quarto para colocá-la na nossa cama, seu corpo imediatamente se afastando de mim.

"Shh." Eu disse, apertando meus lábios em seu templo. "Eu vou preparar um banho para você." Ela não havia me confirmado de nenhuma forma.

Tão rápido quanto pude, enchi nossa banheira. Tomando o tempo para estabelecer uma toalha quente ao lado da banheira, eu a senti antes de vê-la. Surpreendeu-me que ela puxou-se para fora do seu estado sem mim, mas também me deu um pouco de paz de espírito. Seus episódios eram poucos e distantes entre eles. Os pesadelos tinham sido o único obstáculo, ou assim eu pensava. Agora tínhamos culpa e dúvida com o que trabalhar.

Eu virei para vê-la encostada no batente da porta, parecendo um pouco divertida enquanto eu colocava uma tampa cheia de algo efervescente na água da banheira. "O que você está fazendo?" Ela perguntou, seus olhos brilhantes das lágrimas.

"Cuidando de você." Eu respondi. Estendendo a mão, ela a pegou sem hesitação. A pergunta em seus olhos permanecia, surpreendida pelas minhas ações. "Por que você está tão surpresa sobre eu preparando-lhe um banho?"

"Não estou surpresa." Ela respondeu suavemente. "É só que ninguém nunca fez isso por mim antes".

"Estou contente por eu ser o primeiro." Eu disse e dei um sorriso presunçoso. "E o último".

Os cantos da sua boca levantaram. "E o último." Ela repetiu. Lentamente, ela me permitiu tirar todo o seu roupão e a camisa que ela usava. Toques e o roçar dos lábios eram castos e reconfortantes.

Segurei a mão dela enquanto ela subia na banheira, observando seu rosto suavizando-se ao prazer. Ela gemeu quando se estabeleceu dentro e corou quando percebeu o que ela tinha feito. Pegando uma pequena tampa, eu a joguei sobre o seu cabelo.

"Tem sido um tempo desde que eu lavei seu cabelo." Eu disse, derramando um pouco de shampoo na minha mão. "Mas eu acho que me lembro o que fazer".

Ela riu suavemente, fechando os olhos quando comecei a esfregar meus dedos sobre sua cabeça. "Isso é surpreendente, pois na maioria das vezes que você o fez, você estava preocupado com outras partes de mim".

Eu gemi, "Provocadora." Balancei as memórias lascivas da minha mente, evitando olhar para o resto dela. "Até chegarmos à aprovação do médico, estamos mantendo as coisas estritamente sob orientação parental".

Ela amuou enquanto eu continuei a lavar seus cabelos e enxaguá-los. "Nenhuma perna amarrada é permitida?" Ela perguntou, fechando os olhos enquanto a água corria em seu rosto um pouco. Internamente, eu gemi novamente. Ela tinha alguma idéia de como é difícil não tocá-la?

"Nada de perna amarrada." Eu disse. "Vamos perguntar se podemos na consulta ao médico".

Ela sorriu e acenou com a cabeça. "Você sabe que há uma chance de que vamos conseguir vê-los novamente. Você quer saber o que nós teremos?"

"De certa forma eu sei." Peguei uma bucha e comecei a ensaboá-la com sabonete. "Eu gostaria de saber o que fazer com o quarto de bebês na casa".

"Sim." Ela disse pensativamente. "Eu gostaria de um desenho na parede oeste".

"Isso é exatamente o que eu estava pensando também".

"Mas eu não posso pintá-la até depois que eles nascerem." Ela disse, fazendo uma careta. "O cheiro me dá nauseas".

"Sim, eu imaginei que provavelmente não é uma boa idéia. Podemos sempre ter os bebês em berços no nosso quarto até que o quarto deles esteja pronto".

"Podemos, mas não deve demorar muito se você me ajudar".

Entreguei-lhe a bucha, limpando a minha garganta. "Acho que, para o bem de nós dois, você deve lavar-se sozinha." Ela riu e tirou a bucha da minha mão, sacudindo alguma espuma em mim. Limpei a garganta novamente e fiz força para não vê-la deslizar a bucha sobre ela. Porra, eu sou um homem, mas isso é tortura.

"Você está disposta a deixar-me ajudá-la a pintar." Eu disse, um pouco surpreso. "Você não é um daqueles tipos de artista sensível que enlouqueceria se alguém toca suas coisas".

"Claro que sim, eu sou." Ela começou, inclinando-se para agradavelmente lavar suas pernas e pés. "Mas eu gostaria que você me ajudasse a criar algo para os nossos bebês".

"Eu sou terrível em pintura." Resmunguei. No entanto, eu fiquei encantado que ela queria isso e pelo quanto eu queria isso também. "Mas eu estou disposto a aprender".

"Você acha que podemos ir esta semana?" Ela perguntou, jogando a pequena bucha para o cesto. "Para a casa, eu quero dizer".

"Claro que sim." Eu disse. "Descobri quanto tempo nós estaremos lá, na casa temporária. Com as limitações de tempo e o fato de que eu quero a equipe de Emmett trabalhando nisso, eu acho que pelo menos dois anos, talvez três".

Ela se encolheu. "Isso é muito tempo, até então estaremos presos à casa".

"Eu sei." Eu disse, puxando a tampa da banheira. "Mas você tem que admitir que a casa que eu planejei é impressionante".

"Sim, ela é. Quando você me enviou os projetos eu fiquei impressionada. Você tem algumas idéias surpreendentes." Eu sorri, satisfeito com o seu elogio para mim em um projeto importante como a nossa casa do sonho. "Eu também gosto da idéia de ser algo nosso, só nosso".

"Será." Eu disse enquanto me levantei. "Nossa casa em nossa propriedade com a nossa família vivendo dentro. Mas não importa onde vivemos, minha casa é com você e onde quer que você esteja".

Seu lábio inferior tremeu enquanto eu a ajudei a ficar em seus pés. Beijei seu nariz e peguei seu rosto em minhas mãos.

"Shh." Eu murmurei. "Não chore, amor." Então eu beijei as lágrimas antes que elas pudessem descer pelo seu rosto, e enrolei uma toalha em volta dela.

"Malditos hormônios. Desculpe, eu sou uma bagunça do caralho." Ela sussurrou. "Este último mês foi um pouco estressante e agora você está sendo tão doce." Peguei a mão dela na minha, ajudando-a a sair da banheira. Lentamente, esfreguei a toalha para secá-la. "Ninguém nunca fez isso por mim. Eu nunca deixei".

"Bem, eu estou feliz que posso ser o primeiro." Eu disse. "E, novamente, o último. Deixe-me ir buscar alguma coisa para você se trocar. Eu esqueci".

"Claro que você esqueceu." Ela brincou. Eu sorri porque ela estava certa, era apenas uma desculpa para vê-la nua. Quando voltei com um par de boxer e uma das minhas camisas, eu a encontrei parada na frente do espelho de corpo inteiro.

"Eu não posso ver meus dedos dos pés." Ela disse, olhando para mim através do espelho. Ela olhou para baixo e mexeu os dedos dos seus pés. "Eu aposto que minha unha está lascada".

"Seus dedos estão tão bonitos como sempre." Eu provoquei e ofereci a ela a roupa que eu tinha trazido. "Eu posso pintá-las para você, se você quiser, um pouco de prática para mais tarde. Além disso, já que não posso chupá-las como eu adoraria, eu muito bem poderia pintá-las".

Ela gemeu suavemente, lamentando-se, "Quem é o provocador agora?"

Inclinei minha cabeça para o lado, notando o atraente rubor do banho, sua gravidez e, sim, excitação. "Você é a campeã do mundo, baby." Ela corou ainda mais e murmurou algo sob sua respiração que soou como "deve precisar dos seus óculos".

"Eu ouvi isso." Eu disse, escovando minha mão para baixo dos seus braços. "Eu posso ver perfeitamente bem. Você é linda, mesmo que você não possa ver seus dedos dos pés".

"Obrigada." Ela sussurrou. "Ajuda-me?" Entregando-me a camisa com um pouco de floreio, ela levantou seus braços e as sobrancelhas, ao mesmo tempo. Do canto do meu olho eu podia ver seu pequeno sorriso presunçoso quando ela percebeu meus olhos olhando fixamente para os seus seios.

Suspirei e resmunguei, "Se eu for obrigado, embora roupas devam ser ilegais para a próxima semana quando estivermos em casa".

Era um pequeno desvio agradável e doce lembrança que ainda podemos ser quem somos, apesar de toda a porcaria que nós passamos. O resto da manhã passou muito da mesma maneira, provocando, beijos castos e somente nós relaxando.

No entanto, uma hora antes da consulta de Bella com seu novo terapeuta, Bella estava novamente nervosa. No caminho para lá, eu podia sentir a tensão que rolava dela em ondas. Coloquei minha mão sobre a dela, esperando que ela olhasse para mim. Havia lágrimas ali, nos olhos dela, mas havia também uma determinação feroz. "Você está fazendo a coisa certa, amor".

Ela assentiu. "Eu sei, mas estou vendo meus últimos dez anos da minha vida de outra perspectiva e está realmente fodendo com a minha mente".

"Bem, você nunca esteve tão perto de um antigo assunto." Eu disse suavemente enquanto tirava minha mão da dela. "As emoções envolvidas com o meu caso eram muito diferentes. E você sabe exatamente o que a verdade fez para mim".

"O que me leva a questionar tudo antes de você." Ela disse quando puxei para dentro do estacionamento. Ficamos ali por alguns minutos. Eu não tinha idéia do que dizer sobre as dúvidas que ela estava tendo, mas eu tinha alguma inclinação do que essas dúvidas fariam com alguém como ela. Quanto mais eu pensava nisso, mais eu estava aliviado que ela decidiu procurar a terapia. Eu não poderia ajudá-la com isso, falar com ela sobre isso por causa do meu envolvimento com ela.

Peguei a mão dela outra vez, enquanto nós dois olhamos para o escritório em frente a nós. Era simples e indescritível em sua simplicidade. Enquanto eu vi esse lugar como um passo rumo à recuperação de Bella e à nossa, Bella tinha que tê-lo visto como algo ameaçador. Havia uma parte de mim que queria protegê-la deste lugar, de onde sua mente teria que ir uma vez que ela entrasse.

No entanto, ela precisava disso para realmente seguir em frente.

Com um profundo suspiro e um aperto de seus dedos, Bella olhou para mim. "Eu estou pronta." Ela disse com firmeza. Balancei minha cabeça porque, porra, eu não estava. Tomei algumas respirações profundas, os dedos de Bella curvando mais apertados ao redor dos meus. "Eu ficarei bem, Edward".

"Nós deveríamos ter ido para o obstetra primeiro." Eu disse, perguntando-me se era tarde demais para adiar a sessão. "Eu não posso suportar se algo acontecer a você e aos bebês".

"Se isto começar a ser demais, eu vou parar".

"Não é o suficiente".

"Você não pode entrar lá comigo." Ela sussurrou.

"Eu sei".

"Mas você pode sentar-se do lado de fora da porta." Ela disse. "Eu gostaria muito disso, saber que você está perto e vai estar lá no momento que eu caminhar de volta para fora".

"Tudo bem." Eu sussurrei. Com um olhar em direção ao escritório, eu assenti. Olhei para ver seu rosto cheio de tensão. Eu só estava fazendo isso pior. "Eu gostaria disso, de estar perto, só para o caso".

Ela me deu um sorriso. "Vamos." Saí do carro, fazendo meu caminho para o lado dela e ajudando-a a sair. Levando-a com a minha mão na parte inferior das suas costas, caminhamos para dentro do minúsculo escritório.

Havia apenas duas cadeiras e uma poltrona, junto com alguns vasos de plantas na simples sala. Atrás de uma meia parede de vidro estava uma velhinha, com grandes óculos digitando em um teclado. Ela sorriu quando entramos.

De mãos dadas nós nos aproximamos. Depois de um minuto, Bella recebeu uma prancheta para recolher alguma informação. Observei enquanto Bella preenchia todos os espaços em branco com sua escrita cursiva elegante. "Você nasceu no Arizona. Como no inferno isso aconteceu?"

"Minha mãe e meu pai estavam viajando para ver a família no Texas quando oops, Jordan decidiu que queria sair".

"Devemos nos preocupar?"

"Vamos conversar com o médico." Ela disse. "Não é preciso preocupar-se".

"É difícil não o fazer. Esta gravidez começou com complicações".

Bella acenou com a cabeça. "Sim, mas você não pode sempre pensar no pior. Ou, pelo menos, é isso o que eu estou tentando fazer".

"Desculpe".

"Não se desculpe." Ela respondeu, pegando a minha mão. "Eu sei que você está com medo, embora eu esteja me perguntando agora se a sua culpa é uma parte disso".

"Sim, eu acho que é. Que tal guardarmos isso para a nossa sessão mais tarde nesta semana?"

"Tudo bem." Ela disse. "Mas se isso está realmente incomodando você, simplesmente fale comigo".

"Eu vou." Ela tinha o suficiente em seu prato para o dia e eu também. Não havia necessidade de acrescentar mais conflitos e, se eu conhecia Bella, ela se sentiria culpada por eu me sentir culpado. E isso não era algo que ela precisava no momento.

Depois de alguns minutos, Bella voltou a papelada e prancheta para a secretária. "Senhorita Swan." A secretária disse quando abriu a porta. "Você pode entrar agora".

Bella suspirou e acenou com a cabeça. "Obrigada." Ela disse enquanto levantou-se. Bella se virou e pressionou seus lábios nos meus. "Te amo".

"Te amo, sempre".

Com isso dito, Bella andou até a porta. "Eu tenho que correr para o banco." A secretária na porta disse a alguém atrás dela. "Devo estar de volta antes da sua próxima consulta." Ouvi alguém dizer algo por trás dela enquanto Bella e a secretária se reuniram na porta. Com um sorriso, a mulher passou por Bella. "Entre, querida".

Uma mulher, na casa final dos cinqüenta anos, cumprimentou Bella na porta enquanto a secretária saiu pela porta em que Bella e eu tínhamos entrado. Ela se apresentou, "Samantha Giles, como você está hoje?"

"Muito bem, obrigada." Bella respondeu, ela olhou de volta para mim. "Este é Edward Cullen." Levantei-me e ofereci minha mão. Depois de um agito firme, voltei ao meu lugar. A mulher se virou para Bella.

Bella limpou a garganta e ofereceu sua mão. "Eu sou Isabella Swan e eu costumava partir corações para a vida".

As sobrancelhas da mulher se levantaram e ela olhou de volta para mim, mas manteve a compostura. Algo que Bella era capaz de fazer antes, mas agora ela lutava com isso. "Certo." Ela disse, abrindo a porta mais aberta. "Vamos conversar lá dentro." Bella me deu um pequeno sorriso e seguiu a mulher, a porta fechando suavemente por trás delas.

~oOo~

Cinqüenta e oito minutos, dois capítulos no meu e-book e um monte de passos de um lado ao outro mais tarde, observei quando Bella surgiu por trás da porta. Ela deu à Sra. Giles um pequeno sorriso, repetindo o horário para a próxima sessão da semana seguinte. Quando Bella se virou para olhar para mim, eu pude ver lágrimas nos seus olhos. Levantei-me e a tomei em meus braços.

"Diga-me o que fazer." Eu sussurrei, beijando-a no templo. "Eu odeio não saber o que fazer".

"Isso é perfeito." Ela murmurou. "Podemos sair daqui? Talvez dar uma caminhada".

"Qualquer coisa." Eu respondi enquanto a levei pela porta afora. Havia pequenas lojas e outros escritórios que ladeavam o edifício, mas ao atravessar a rua havia um aglomerado de árvores, bancos e um playground. "Parque?"

Bella acenou distraidamente e eu soube então que ela estava perdida em sua própria mente. Talvez, analisando a grande conversa que acabara de acontecer. Seus dedos envolvidos ao redor dos meus enquanto atravessamos a rua para entrar no parque. O tempo estava agradável, o sol apenas aquecendo as camadas mais externas das nossas roupas.

"Você está bem?" Eu perguntei, apertando meus dedos em torno dos dela. Ela suspirou profundamente e olhou para mim.

"Eu ficarei." Ela respondeu suavemente. "Tudo que eu fiz foi falar, ela não expressou uma palavra. Eu disse a ela que não estava vendo pacientes por mais tempo. Ela só balançou a cabeça. Eu já passei por terapia quando eu era mais jovem, depois que Brianna morreu. Entretanto, eu não me lembrava de como era a sensação de sentar-se no outro lado do sofá".

"Eu estive em ambos os lados daquele sofá." Ela murmurou. "Depois que eu fechei o seu arquivo, eu prometi a mim mesma que não analisaria tudo o que você fazia".

"Você ainda o fez".

"Sim." Ela sussurrou. "Como você pode ficar comigo?"

Eu suspirei, pensando a melhor forma de responder. Uma coisa eu tinha certeza, ela não estava perto o suficiente. Encontrei um lugar sombreado debaixo de uma árvore com um banco sob ela. "Vamos sentar".

Bella assentiu e sentou-se cautelosamente ao meu lado. "Eu não tenho certeza que estou pronta para ouvir isso".

"Eu vou te dizer uma coisa que você já sabe".

"Isso não faz sentido".

"Pense nisso, está na nossa natureza analisar com quem você está. Você era nova para a coisa toda de relacionamento como eu era. E eu posso te dizer que eu super analisei tudo, desde o início. Até mesmo agora, cada movimento que você faz eu levo em conta para que eu não diga, ou faça, algo que possa machucar você".

"Certo." Ela disse pensativamente. "Eu entendo o que você está dizendo, mas às vezes ainda é difícil compreender como você pode mesmo estar diante de mim".

"Isso é fácil, eu fodidamente amo você".

"Ainda não vejo o por quê." Ela murmurou.

"Tudo isso fez você duvidar dos meus sentimentos por você?"

Ela balançou a cabeça. "Não, o que você sente é óbvio. Eu só estou tentando ver o por que você o faz".

"Isso não é fácil de responder porque não foi apenas uma coisa. Foi o pacote global. Tudo de você. Você não é fodidamente perfeita, você nunca se esforçou para ser. E talvez porque você não tente ser, isso me atraiu de uma forma que ninguém antes de você já tinha".

"Eu sei que não sou. Estou longe disso. É impossível tentar alcançar a perfeição quando os pensamentos de todos sobre o que essa idéia é, são diferentes. Quanto mais eu penso, mais eu acredito que você viu algo em mim que ninguém tinha sido capaz de ver. Nem mesmo a minha família".

"Eu quebrei através do exterior." Murmurei. "Assim como você fez comigo".

"Deus, eu te amo." Ela disse, colocando a cabeça no meu ombro. Ela colocou um braço em volta da minha cintura. "Nós vamos passar por isso, exatamente como temos conseguido através de todo o resto".

"Juntos." Eu sussurrei.

~oOo~

Passamos a próxima hora percorrendo o parque e falando de algumas das coisas que vem acontecendo no trabalho. Paguei por um saco de pipoca de um vendedor e caminhamos até um banco que estava situado perto de um pequeno parque infantil. Discretamente, Bella e eu compartilhamos o lanche amanteigado, observando um grupo de crianças brincando.

Bella suspirou e eu olhei para baixo para ver um belo sorriso no seu rosto. O primeiro genuíno que eu tinha visto o dia todo. "O que é isso?" Eu perguntei, seguindo a sua linha de visão.

"A menininha com o cabelo vermelho." Ela disse suavemente, colocando a cabeça no meu ombro. "Ela tem a mesma cor de cabelo como Brianna quando éramos daquela idade. Mesma risada também." Observei a ruiva rir enquanto uma menininha com longos cabelos negros a perseguia ao redor de um balanço.

Envolvi meu braço em volta do seu ombro, dando-lhe um pequeno aperto. Parecia ser o que ela precisava.

Bella olhou para mim. "Isso é o que costumávamos fazer também".

A menina com cachos vermelhos virou de repente para a amiga e riu na cara da outra menina. Elas envolveram seus braços em volta uma da outra e riram enquanto caíam para a grama. O sol brilhando combinando com seus sorrisos, suas risadas enchendo o ar. Bella e eu rimos junto com elas.


Nota:

Bella teve que entender que o que ela fez era errado e agora ela pode seguir em frente… e que fofa essa cena com as crianças no final, eu adorei…

O próximo cap. ainda NÃO foi postado pela autora, mas ela disse que não vai demorar, então assim que ela postar, nós traduzimos e postamos aqui pra vc´s!

Deixem reviews!

Bjs,

Ju