Capítulo 37: O fim de semana – Parte IV

"Oi, Hyoga! Olha só, eu acredito que você não imaginava receber notícias minhas agora, mas eu não resisti. Acabei de chegar à casa do senhor Kimura – em cima da hora, para dizer a verdade. Mas é que precisei passar no nosso apartamento para pegar todo o meu equipamento, já que não há nada aqui que eu possa usar para fazer as fotos. De todo modo, está tudo certo agora, os Murakami ainda não chegaram, então eu vou começar a organizar as coisas por aqui. A casa do senhor Kimura é boa, bem ampla e tem uma sala ótima, bastante luminosa. E tem um jardim que eu acho que também poderá ser usado para algumas fotos, se o pessoal curtir a ideia. Enfim... Vou começar a organizar tudo agora e tenho até que correr, mas, sei lá, senti uma vontade enorme de compartilhar isso com você, sabe? Hoje era para ser um dia nosso, e eu não queria ficar longe. Sei que você disse que esse pode ser um importante momento na minha carreira, e eu concordo, mas... Eu queria muito que você estivesse aqui, porque é um momento em que eu queria você presente. Aliás, eu queria também estar aí com você. Não que eu goste de arrumações para festa; na verdade, você sabe que eu odeio isso. Porém, ficar com você é sempre tudo o que mais me importa. Você sabe disso, não é? Eu não sou de falar muito, mas olha só... você sabe que, escrevendo, eu sempre fico mais solto e mais falador. rs! Bom, vou terminar por aqui, porque o senhor Kimura apareceu. Ele tá com cara de que estava me procurando e eu tinha me escondido aqui na cozinha da casa dele; primeiro porque estava procurando café e segundo porque eu queria te mandar este sms. Mas agora ele me achou... e está com aquela cara de impaciente dele. Deve ter dado algum problema e provavelmente vou ter que resolver. Vou indo lá então. Te amo!

PS: Esse aplicativo que você baixou para o meu celular é ótimo! Realmente, não parece ter limite de caracteres e eu posso escrever o quanto eu quiser, sem que a mensagem fique cortada – o que é ótimo, porque eu odeio escrever usando internetês."

"Oi, frango! Que surpresa boa receber uma mensagem sua em meio a toda essa loucura! Queria que você estivesse aqui, sabia? Além de eu já estar com saudades, talvez a sua presença mantivesse o Dite sob controle. Estou tentando convencê-lo de que nós queremos algo bem simples, mas está difícil. Rsrs! A cada vez que digo isso, ele discursa que esse é um momento especial demais para uma cerimônia chinfrim e diz pra eu ficar quieto que ele vai cuidar de tudo. Desde que nos despedimos, Afrodite está me arrastando de um lado a outro, sempre se lembrando de um novo detalhe para incrementar a festa de casamento. A essa altura, eu já degustei uma quantidade considerável de salgados e doces em uns três buffets diferentes e estamos, neste exato momento, partindo para o quarto e último existente pelos arredores. Eu não gostei do primeiro e só pela fachada já vi que não vou aprovar este último; pomposo demais. Ah, eu sei que nem conversamos sobre isso, mas não quero deixar Camus e Milo bancarem tudo da cerimônia… Essa é uma das razões para eu não querer coisas sofisticadas demais; não podemos ficar esbanjando, não é, amor? Beijo! Te amo!

PS: Quero ser atualizado sobre as expressões faciais desse seu chefe aloprado!"

"Por Athena! Não deixe que o Afrodite tome as decisões, Pato! Por favor, se a festa for toda direcionada pelo gosto dele, eu tenho certeza de que não vou gostar! Eu realmente não gosto de nada muito pomposo, mas assim, tem uma coisa que esse cara aloprado falou com que eu concordo. É um momento especial para a gente e eu quero que seja algo muito legal para você. Então, embora eu tenha esse meu jeito meio de bicho-do-mato, como o Seiya vive dizendo, eu não quero que seja assim tão simples. Se concordamos com essa ideia de festa, é porque não é para ser passado em branco. Ontem, você ficou empolgado com algumas coisas que o Milo disse. Nem adianta negar; eu vi. Então, não tente simplificar demais, ok? É claro que vamos ajudar a pagar; na verdade, eu estava pensando em custear tudo, para o Camus não ficar me enchendo depois. Não se preocupe com a grana, isso está sob controle. Já falei que tenho uma boa poupança? Além disso, hoje eu vou embolsar uma boa quantia, o senhor Kimura já me disse isso. Ele estava estressado com a demora dos Murakami, achando que eles tinham desistido, porque estavam atrasados, mas os dois acabaram de chegar. Já deixei todo o equipamento montado, eles agora estão sendo maquiados. Enquanto espero, estou fazendo uma boquinha, então não é só você que está provando uma boa quantidade de doces e salgados, rs! A esposa do senhor Kimura é uma cozinheira de mão cheia e prometeu que ficará nos servindo diversos lanches ao longo do dia para nos manter alimentados. Opa, agora preciso ir, a Nina já está quase me arrastando para o set improvisado.

PS: Ei, me mantém informado do que você estiver fazendo? O Milo tá com vocês? Ele tá aceitando numa boa não ser mais o principal organizador da festa?"

"O Milo está com a gente sim. Meio emburrado, na verdade... Acho que ele não esperava que o Dite tomasse as rédeas como tomou. Agora eu quero que você me imagine no meio desses dois, um mais acelerado que o outro, abertamente competindo pelo título de "Organizador principal" do nosso casamento! Temo pela minha saúde mental! Rsrs! Não se preocupe, eu tenho o pulso firme, nossa cerimônia será do jeitinho que EU planejar, você sabe como eu sou, nem preciso te lembrar. E agora com o seu aval e apoio, ficará ainda melhor. Nem pomposa nem simples demais, será perfeita (Deu pra perceber que estou me empolgando de novo?)! Nós estamos degustando uns salgados esquisitos com nomes estrangeiros que eu sequer consegui gravar. O Dite está com a corda toda, disse que no céu devem servir esse tipo de comida, o que me provocou uma baita gargalhada. A falta de noção dele é simplesmente adorável. Milo está sendo um poço de sensatez, concordou comigo que isso não tem nada a ver com a gente. Estamos discutindo se optamos pelo segundo ou terceiro buffet, depois daqui iremos ver os smokings. Os Murakami não sabem a sorte que têm. Estão prestes a serem fotografados pelo melhor fotógrafo do mundo (Sim, eu sou um esposo muito coruja!)!

PS: O que a Nina está fazendo aí mesmo, além de babar em você?"

"Por mais que eu não goste desses preparativos, admito que gostaria de estar aí, acompanhando de perto essa batalha entre o Milo e o Afrodite. Parece divertido! rs! Fico feliz que esteja animado, eu quero mais é que seja assim mesmo. Você precisa se divertir, estava trabalhando muito nos últimos dias e desperdiçando tempo com clientes que nem sabem o que querem da vida. Quanto aos smokings, eu confio no seu gosto, mas não custa nada lembrar: Para mim, o mais importante é que seja confortável, ok? Nada de algo espalhafatoso e que limite meus movimentos. Ah, olha só! Tirei a minha primeira bateria de fotos! Começamos na sala, onde há um espaço mais familiar. Modéstia à parte, eu acho que ficou ótimo. Não ficou parecendo foto de revista, sabe? Estou seguindo uma linha mais intimista, quase como se fossem fotos para um porta-retrato, que ficam nas prateleiras de uma sala, enfeitando a casa com imagens de pessoas e momentos felizes. E adivinha em quem eu me inspirei para fazer isso? Exato, pato metido: em você. Essa sua mania de encher nossa sala de porta-retratos com fotos de pessoas queridas está sendo bem útil para mim agora. Obrigado por isso.

PS: A Nina tá aqui porque é secretária do senhor Kimura, então, teoricamente, ela precisa estar aqui... Se bem que ela tá sobrando mesmo. A Green não é de se mancar, então eu fico cortando a garota o tempo todo. Se você visse o jeito como falo com ela, nem ficaria dando alfinetadas na coitada. E perceberia que jamais precisaria ter ciúmes dela. Ao contrário de mim, que só posso imaginar você agora experimentando essas roupas de gala e virando alvo de um bando de macho que, na loja, vai ficar dando em cima de você, eu garanto. A começar pelo vendedor, certamente... Por sinal, se o cara começar a te apalpar demais para tomar as medidas, dá um chega-pra-lá nele, ok? Fala que seu marido é ciumento. E meio louco. Pode botar medo mesmo."

"Ok, o segundo buffet foi o vencedor. O vendedor que está nos atendendo na loja de smokings é a simpatia em pessoa (e tem um traseiro lindo)! Estou brincando, é um senhor com idade para ser meu avô, acho. Desculpa minha cisma com a Nina, é mais por implicância mesmo. A queda gigantesca que ela tem por você me incomoda bastante, só isso. Não tem a ver com confiar ou não em você... O Dite está tentando me convencer a usar um smoking branco (como eu queria poder congelá-lo agora)! Milo acha que devemos usar cinza, mas eu optei pelo grafite. Escolhi os mais confortáveis, você vai adorar! Ah, você pode ligar para o Shun? Acho mais adequado você mesmo convidar o seu irmão, não acha? Até porque você ainda precisa escolher um padrinho, certo?"

"Não brinca com essas coisas, Pato. Quando você falou do vendedor, eu quase larguei tudo aqui e voei para onde vocês estão. Quanto ao smoking, você fica lindo de qualquer jeito. E confio no seu bom gosto, sempre. E em relação ao meu irmão... Eu ia mesmo ligar para ele, mas não tinha pensado em fazer dele meu padrinho. Na verdade, não sabia que faríamos isso também. Seremos bem tradicionais mesmo, não? O Afrodite vai te convencer que teremos de escrever nossos votos também? rs! Ah, se o Shun vai ser meu padrinho, quem será o seu?

PS: O senhor Kimura tem dois labradores, já te contei isso? Eles não largam do meu pé! Para onde vou, os dois vêm atrás e já estragaram algumas fotos por isso, porque ficam pulando em cima de mim. Ainda bem que os Murakami são compreensivos. Bem mais do que eu esperava, na verdade."

"Seremos tradicionais, pelo menos no quesito padrinhos e votos. Você se importa? Sei que já fizemos nossos votos em nossa cerimônia particular, mas todos aqui concordamos que seria muito bonito se trocássemos votos novamente. Mas apenas se você ficar a vontade com isso, não quero forçar a barra, tá? Meus padrinhos serão Milo e Camus.

PS: Eu amo labradores."

"Sejamos tradicionais, então. Na verdade, eu não me importo. Você sabe que, para mim, não é sacrifício algum repetir meus votos para você. Eu pretendo fazer isso até o fim da minha vida, portanto falar na frente de pessoas que são importantes para a gente não deve ser nada de mais. Quanto aos padrinhos, se você vai chamar o Milo e o Camus, eu pensei em chamar o Shiryu para padrinho também, além do Shun. O Dragão sempre foi um bom conselheiro e uma das poucas pessoas que teve paciência comigo em certos momentos. Enfim... o Seiya fica sobrando, mas deixa quieto. Com ele, eu me entendo depois.

PS: Eu sei que você gosta de labradores. Por isso mesmo, acho bom te avisar que vou levar um presentinho hoje. Os labradores do senhor Kimura tiveram filhotes recentemente. Aí o senhor Kimura e a esposa insistiram que eu deveria ficar com um e... Bom... Você topa?"

"Sério mesmo?! Nós teremos um cachorro? Isso é ótimo, frango, você não sabe o quanto me deixou feliz com essa notícia! Nossa família está crescendo... Já escolheu um nome para o nosso filhotinho?

O Milo está perguntando se você vai pedir para algum amigo seu fotografar ou se ele deve ligar para alguém.."

"Não pensei em nenhum nome; sou péssimo com essas coisas. Vamos fazer assim, você escolhe. Até porque, eu escolhi o filhote, então dividimos as responsabilidades (se bem que preciso te alertar: quando a esposa do senhor Kimura me levou para ver os filhotes, me dizendo para escolher um, antes mesmo que eu pudesse dar uma olhada em todos, um deles pulou em cima de mim, bastante animado. Eu sei que sempre dizem para nunca escolher o filhotinho que avança em cima de você, porque provavelmente esse é o mais agitado, mas... Não posso fazer nada, ele me ganhou rápido, de primeira. Exatamente como você). E sobre o fotógrafo, não precisa chamar ninguém. Prefiro eu mesmo fotografar. Quando não tiver jeito e eu precisar aparecer na foto, alguém faz isso por mim.

PS: Já começaram a ver a decoração da festa? Por favor, não deixe o Afrodite exagerar nas flores, ok? "

"Obrigado, você me ajudou a ganhar a aposta que fiz com Milo. Eu disse a ele que você não iria querer um fotógrafo concorrente de jeito nenhum! Rsrs! Sem contar que não faz sentido escolhermos outro cara qualquer quando temos o melhor fotógrafo do mundo por perto, não é? Já estamos olhando a decoração. Pode ficar tranquilo, eu não vou deixar o Dite exagerar nas flores. E nem o Milo com as velas. Deseje-me sorte, preciso convencer esses dois a chegar a um equilíbrio entre as duas coisas. Eu quero um violinista tocando. Você acha exagerado? Diga agora ou cale-se para sempre. Rsrs!

PS: Amei saber que nosso filhote dará trabalho! Cães assim são sempre os melhores. Se for indomável, então, será perfeito!"

"Você massageia muito o meu ego, loiro. Depois, meu lado leonino vai vir à tona com força total e a culpa será inteiramente sua. rs! Olha, que o filhote vai dar trabalho, não tenho dúvidas. O que me espanta é saber que você gosta dos indomáveis. Qualquer semelhança será mera coincidência? rs! E vai ter velas também, é? Esses dois estão animados demais... Onde está o Camus numa hora dessas, Pato? Pelo menos, ele serviria para lançar aquele olhar cheio de reprovação dele e, quem sabe, colocava juízo nos dois. Mas assim, se você curtir, por mim tá ótimo. Se você quer um violinista, então eu digo para chamar logo uns dez! Eu prometi fazer você feliz e sou um homem de palavra. Agora preciso ir, Hyoga. Vamos tirar umas últimas fotos e os Murakami vão embora. Ainda falta muito para você terminar sua jornada com os dois aí?"

"Bom, o que posso dizer? Acho que tenho uma queda pelos selvagens. E qualquer semelhança não será mera coincidência. Rsrs!

Camus ficou em casa cuidando de alguns detalhes. Disse que tem uma surpresa pra nós dois e, é claro, não quis me dizer o que é. Eu não quis insistir.

Terminamos por aqui. Estamos voltando para casa. Ufa! Sobrevivi! Te vejo daqui a pouco? Não quero fazer pressão nem nada, mas adoraria uma massagem nos pés..."

"Sim, praticamente terminei por aqui também. O senhor Kimura está muito satisfeito, mas também, eu nunca deixo a desejar. Estou voltando; é só o tempo de arrumar meu equipamento aqui. Pode deixar que, assim que eu chegar, cuido de você. Mas tudo tem seu preço. Também quero receber alguns cuidados. Lembra que fizemos uma aposta hoje cedo? Pois então..."

"Eu posso perfeitamente cuidar de você sem comprometer a nossa aposta, frango! Já se esqueceu de que eu costumava ser o cavaleiro de gelo? Sou um poço de autocontrole. Se eu quiser, posso ser totalmente imune tanto ao seu charme quanto aos seus atributos. Uma massagem é o que você ganhará de mim esta noite, nada mais! Dirija com cuidado, tá? Até daqui a pouco! Te amo!"

Li a última mensagem do loiro e ri discretamente, como tinha sido durante todo o dia. Embora as pessoas ao meu redor tivessem notado que eu mantinha meu celular à mão o tempo inteiro, eu tentava não deixar muito à mostra que estava fazendo algo tão pessoal. Mas não pude evitar; eu não queria estar longe do loiro e a ideia de ficarmos trocando sms o dia todo foi excelente, ajudou a fazer o tempo passar mais rápido, além de ter melhorado consideravelmente o meu humor, que não era dos melhores quando cheguei à casa do senhor Kimura. É claro que tive de ouvir algumas gracinhas irritantes da Nina, que obviamente percebeu o que eu fazia... E também algumas alfinetadas de Hayashi, que sempre dava um jeito de dizer que trabalho e lazer não deveriam se misturar. De todo modo, ignorei todos eles, fiz meu serviço com a qualidade de sempre e, uma vez mais, caí nas graças do senhor Kimura, já que os Murakami pareceram gostar muito do meu trabalho e da minha pessoa. Por sinal, a recíproca é verdadeira; eu também simpatizei bastante com eles. Apesar da fama, pareceram-me pessoas bem simples, tranquilas, que gostam da sua privacidade e que não querem ser vistas como mais do que são. Além disso, pude testemunhar um pouco da alegria dos dois, que estão começando uma família. Era bem visível que os dois são muito apaixonados e a chegada de um filho parece coroar esse sentimento. Eu me senti bem fotografando o casal e, engraçado, recordei-me de momentos em que já havia fotografado a felicidade alheia e amargurado um pouco de inveja, por acreditar que nunca passaria por algo semelhante. Entretanto, hoje, eu senti que compreendia o que estava à minha frente, por sentir o mesmo. A mesma felicidade, a mesma alegria, a mesma sensação de plenitude.

Deixei a casa do senhor Kimura, tendo alguma dificuldade de me desvencilhar dos labradores – mas nem tanto dos filhos do meu chefe. É, acho que crianças não vão muito com a minha cara... talvez tenham medo de mim, o que não me admira. Contudo, uma coisa eu não sei explicar. Esse cachorrinho me adorou! Por todos os deuses, como ele é peralta! Foi uma dificuldade imensa conseguir dirigir, com ele demonstrando-se tão animado e travesso o tempo inteiro. Mais difícil ainda foi mantê-lo quieto enquanto estávamos na joalheria...

Porque é claro que eu passei em uma joalheria. Se havia algo que tinha ficado bem claro para mim hoje, é que Hyoga tinha embarcado com vontade nessa história de sermos tradicionais. Pelo que entendi, já não seria apenas a festa, mas a cerimônia do nosso casamento também. Afinal, se iríamos fazer nossos votos, então seria um casamento completo.

Inclusive, pensando nisso, concluí que seria boa ideia termos uma espécie de juiz de paz ou algo assim. Quando liguei para a mansão a fim de convidar Shun e Shiryu para serem meus padrinhos, fui atendido pelo Seiya e fiquei um pouco sem-jeito, porque o burro alado não teria grande participação na cerimônia. Mas então me recordei de um fato ocorrido há algum tempo, quando estávamos na mansão, vendo algum filme, e me lembro de que um cara como outro qualquer, para poder celebrar o casamento dos amigos nesse filme, fez uma espécie de "curso intensivo online" para pode ser uma espécie de juiz de paz. O Seiya, na ocasião, achou isso um barato e disse que se esse curso era tão simples quanto parecia, até ele faria algo do tipo, porque devia ser "algo divertido de se fazer", segundo palavras dele próprio. Resultado: fiz o convite a ele nesse mesmo telefonema e Seiya ficou tão feliz e agradecido que acredito ter tomado a decisão correta. Não sei se Hyoga, Milo ou Afrodite já tinham pensado a respeito de um celebrante para a ocasião, mas tenho certeza de que aprovarão a minha ideia.

De qualquer jeito, já que é para fazer o negócio direito, então resolvi ir até o fim com isso. Na noite em que Hyoga e eu nos comprometemos a ficar juntos pelo resto de nossas vidas, não houve troca de alianças. Não achávamos necessário; nosso amor era forte demais e todo o resto seria pura simbologia, nada tão importante. Porém, acho que um pouco de tradicionalismo não faz mal, então vamos fazer as coisas como devem ser.

Entrei em uma joalheria visivelmente cara, mas dei de ombros. Eu estava disposto a gastar.

Não poderia deixar o filhote no meu jipe, então levei-o comigo, e precisei carregá-lo no colo, simplesmente porque ele só parava quieto desse jeito.

Em um primeiro momento, não quiseram me deixar entrar por estar acompanhado de um animal de estimação. Mas foi só eu demonstrar interesse em fazer uma compra cara, que logo a situação mudou.

No final, fui muito bem atendido e comprei exatamente o que queria. Um par de alianças de ouro branco. Não sei; simplesmente me pareceram combinar com Hyoga. E era para ele que eu fazia tudo isso.

Em meu jipe, já no caminho de volta para a casa do Camus e do Milo, eu sorria cheio de contentamento. Mas não mostraria as alianças ao meu Cisne antes da hora. Seria uma surpresa.

Aliás, seria apenas uma das surpresas de amanhã...

Satisfeito com o andamento do dia, cheguei quando a tarde já estava morrendo. Tinha sido um dia interessante. Porém, eu estava animado para que ficasse mais interessante ainda a partir de agora.

Entrei na casa, tentando não fazer barulho. Não queria ser visto, porque, tenho certeza, se isso acontecesse, seria impedido de ir direto para o quarto ver o meu loiro. E, embora apreciasse a boa vontade dos antigos cavaleiros de ouro, eu preferia ficar com Hyoga agora, e somente com ele.

Com o filhote no colo, passei pela sala e percebi que a movimentação era grande na cozinha. Escutei diversas vozes e sem dificuldades percebi que eles discutiam alguns últimos detalhes do casamento de amanhã. Achei ótimo que estivessem ocupados ali, e melhor ainda foi notar que não ouvia a voz de Hyoga em meio à conversa da cozinha. Isso significava que ele devia estar no quarto; provavelmente deram a ele espaço para descansar. Perfeito. Eu queria mesmo ficar a sós com o meu russo...

Chego à porta do quarto, pé ante pé, silenciosamente. Não bato, abro a porta devagar e entro discretamente: – Hyoga...?


Continua...