Olá. Espero que estejam todos bem.
Primeiro queria agradecer as reviews. É tão bom saber o quão gentis são as pessoas com as quais eu me correspondo e me identifico. Fico feliz que, apesar das controvérsias em relação ao discurso do Glorfindel, vocês estejam satisfeitos com o rumo da história (claro que não estão tão satisfeitos... mas não custa dizer...)
Esse provavelmente é o antipenúltimo capítulo. Se eu tiver sorte.
Não vou me estender agora. A lista de agradecimentos está grande (e isso me deixa muito feliz) e vocês têm muito que ler. Não consigo mais escrever capítulos curtos. Mas estou tentando com as outras duas... Mais uma vez super obrigada.
Agradecimentos:
Lady-Liebe –Liebe a fic está acabando... quem diria... E foi de você que ouvi o meu primeiro incentivo. Nunca vou esquecer. Obrigada. Super escritora, Liebe, grande amiga. Saudades suas. Beijos.
Misao-dono – "COMO UM PÁSSARO" Obrigada pelo email e pelo apoio realmente importante que você me dá, Ray. Nossa grande Misao já está com um capítulo novo prontinho para sair, o qual já tive oportunidade de ler uma boa parte. Como ela consegue melhorar mais a cada dia é a doce dúvida que tenho toda vez que leio um novo capítulo de COMO UM PÁSSARO. Talentosíssima. Genial Misao-dono!
Myriara – "A PAIXÃO DOS EDAIN" arrasou em seu mais recente capítulo. O vulcão Haldir explodiu, a lavra incandescente caiu por toda a terra e quando a gente imaginava que o fim estava próximo surgiu um oásis de águas límpidas que rompeu com todo aquele calor. A voz de um menino, a mais genial e apaixonante idéia da talentosa e intrigante Myri. Ler reler e reler... reler a PAIXÃO várias vezes... Esse é o meu conselho número um. E o meu conselho número dois e esperar e ler também a próxima fic da Myri. Quem achou A PAIXÃO provocante e intrigante, vai se deliciar com a super bem trabalhada fic que a Myri está escrevendo. Parabéns, amiga.
Nimrodel Lorellin – Fenomenais "CRÔNICAS ARAGORNIANAS". Minha fic de cabeceira. Mal saiu o capítulo mais recente e já estou doente pela continuação. Culpa da incrível irmãzinha de coração que tenho e que já me garantiu que tem novas idéias para o depois, o que me deixou super feliz. Mas mesmo assim continuo pensando em como vão ser meus dias sem as minhas crônicas... tomara que demorem a acabar!!! Beijos Nim!!!
Vicky Weasley: "BITTERSWEET" Vicky? Alguém sabe da Vicky?
Elfa Ju Bloom: "ROSAS, ARMAS, AMOR E SANGUE" – Nossa corajosa Ju continua arrebatando fãs com seu mais novo projeto. Mas para os que se dedicam integralmente aos contos SdA continuo recomendando o ROSAS... Obra prima de verdade. Beijos, amiga!
Dark Lali: "NARN VENDENIEL". Lali amiga!! Atualiza, por favor!
Kika-Sama: Obrigada pela review, Kika. Gostei muito de seus comentários sobre o tão polêmico "discurso" do mestre Glorfindel (esse louro elfo é pior do que o Thranduil quando aparece... nunca vi alguém levantar tanta polêmica... Quer saber? Acho que o danado até gosta de uma confusão... hehe). Não se esqueçam de visitar a página da Kika e ler os maravilhosos contos que ela escreve. Fico aguardando a continuação de APRENDENDO, amiga. Promessa é dívida. Beijos.
Chell1: "MEMORIAS DE UM PASSADO DISTANTE" Chell, que bom que você apareceu! Adoro suas reviews e senti sua falta. Que bom que as rememorações te agradaram. Fico feliz. Ah, eu preciso de sua autorização para continuar meu projeto. Estou pensando em lançar as duas fics juntas. Você me permite?? Está caminhando tão diferente da sua que eu acho que não vamos sentir problema em lançarmos as duas. O que você acha? Estive tentando falar com você, mas não consegui. Escreva-me quando puder, please!!
Erualmarë Elessar(Perséphone Pendragon) – "NA ETERNIDADE DOS SEUS OLHOS". Obrigada pela review. Você quase me matou de susto com suas ameaças hehehe... Se bem que fui tão ameaçada depois do capítulo 36... Por que será?? (ar totalmente inocente...) Lamento o que houve com seu computador. Espero que possa atualizar logo a fic. Beijos!!
Kiannah – "A ESTRELA SILENCIOSA". Super Kiannah apareceu. Os estudos e o trabalho estão matando essas meninas! Obrigada pela review, é sempre especial para mim. Beijos. (obs: Não leia a última parte primeiro!! Vai acabar com a surpresa melhor do capítulo) :-)
Soi – "IDRIL NÚMENESSË". Essa atualização está demorando, Soi!!! Estou amando sua fic. Obrigada pela review. Beijos. Ah, eu também adoro a palavra "elfinho".
IamAGreekLeaf – "RÚNYA" – Fic novinha em folha que acabo de descobrir. Não conheço a autora, mas o trabalho está fantástico. Uma idéia criativa e intrigante. Aproveitem que ainda está no capítulo 5. E para quem me cobra um Legolas apaixonado eu aconselho essa fic também.
Nanda –A Nanda vai ficar com seu nome aqui agora... entre as escritoras. Gente! Eu li um texto desse talento de pessoa que se ela não publicar eu vou fazer em nome dela. Já ameacei!! Nanda, super escritora. Seu texto está genial!! Aguardo ansiosamente por ele e pelo seu desfecho. Obrigada pela confiança em me permitir lê-lo.
Amigas...
Syn, the time keeper. Adorei sua review (que não tinha nada de infantil não... muito pelo contrário). Espere para ver os dois próximos capítulos. Tudo vai se resolver. Você vai ver.
Regina – Regina cadê você?
Botori – Obrigada pelo email! Todo mundo vai sofrer um pouco até o final. Mas agora está perto. Que bom que você ainda está acompanhando. Beijos.
Leka – Obrigada por ler meu capítulo tão rápido só para poder comentar comigo no MSN. Você é uma pessoa adorável, bem como sua irmã. Super obrigada.
Lali-chan – A fã do poço louro se entristeceu com meu capítulo 36. Amiga, não se preocupe, promessa é dívida... Dê-me mais tempo e verá as coisas mudarem para melhor. Obrigada pela review. Beijos.
Veleth – A facilidade com que as palavras lhe favorecem é admirável amiga. Não sei o que dizer nem como agradecer os momentos que você para e dedica um pouco dessa inspiração divina a mim e a minha fic. Obrigados eternos.
Pink na – FIC FIC FIC??
Roberta – Agradecimentos, sempre. Beijos!
Pitybe – Agradecimentos de todo o coração. Uma das minhas primeiras leitoras, mas que só agora está dando as caras por aqui. Beijos carinhosos.
Alice (amiga da Soi) – Oi! Só agradecendo pelo trabalho que tem em ler a minha fic. Super obrigada. Sobre suas perguntas: Se o Las vai ficar bom. Bem, sim e não... Essa fic tem final feliz, mas sempre existem as outras. Mas não se preocupe, sou a maior fã de finais felizes, por isso você pode ler todos os textos horríveis que eu escrevo que eu lhe garanto que pelo menos um final agradável você vai ter. Se ele vai encontrar uma namorada... Bem... na minha fic não... mas em outras por aí as elfas e mulheres de outras raças andam brigando por ele. É só dar uma pesquisada. Eu até gosto de ler romances, mas não levo o menor jeito para escrevê-los. Super obrigada!!
Lilith (amiga da Nim)- Agradecimentos também por ler a minha fic. Super gentileza sua. Deixe ao menos uma review até o final da história, ta? Beijos.
Letícia (amiga da Leka) – Agradecimentos também por ler. Faço o mesmo pedido, deixe uma "reviewzinha" pelo menos até o último capítulo. Obrigado mesmo!! Beijos.
37
Mal Glorfindel o puxara de volta a encosta do grande precipício Thranduil colocou-se de pé voltando a olhar para a grande distância da qual o filho caíra. Glorfindel colocou uma mão em seu ombro com receio de que o rei estivesse fora de si e fosse tentar qualquer loucura, mas o líder de Mirkwood apenas sacudiu o ombro e correu alguns metros apanhando o primeiro cavalo que vira e fazendo o animal disparar de forma incrível mata a dentro.
"Louco!" Gritou o guerreiro louro sacudindo a cabeça inconformado. "Onde ele vai nesse breu todo?"
Mas ao olhar ao redor percebeu os filhos de Elrond e o próprio lorde de Imladris apanhando outros animais quaisquer e seguindo o rei de Mirkwood."Por Mandos! Onde pensam que vão? Não podem enfrentar essa floresta escura sozinhos!"
Ele não obteve resposta, apenas teve tempo o bastante para apanhar a mão que lhe fora estendida e saltar no cavalo de Elrond enquanto todos saiam em disparada. O lorde louro de Gondolin sabia para onde a esperança estava levando aquele grupo. Eles iam descer a encosta mais adiante e tentar ver se, por um milagre, havia algum sinal do jovem príncipe de Mirkwood.
"Isso é loucura." Disse Elrohir segurando na cintura do gêmeo com o qual compartilhava o mesmo cavalo. "Não enxergo nada, nem a um palmo diante de mim."
"Não precisamos enxergar." Comentou o mais velho segurando a crina do animal com um pouco mais de força. "O cavalo no qual estamos é daqui dessa região e parece se importar tanto em seguir seu rei quanto qualquer soldado que preste serviço a Thranduil."
"Eu queria muito saber o que move esse afeto todo que parece não ser uma particularidade de Legolas." Elrohir disse quase para si mesmo, enquanto encostava a testa nas costas do irmão. Ele tentava ao máximo usar da ira, do sarcasmo e da ironia para afastar de sua mente a cena que vira, mas não conseguia. A luz do amigo desaparecendo por aquele abismo escuro parecia estar gravada em sua memória de tal forma que era impossível simplesmente apagá-la.
Elladan respirou fundo, sacudindo levemente a cabeça sentindo o irmão tremer atrás dele.
"Ele está vivo, Ro." Disse então.
"Eu queria ter a sua certeza." Respondeu o outro em uma voz hesitante.
O primogênito então apertou uma das mãos que se seguravam em sua cintura agora enquanto abaixava-se para desviar de um galho que passara muito perto de sua cabeça.
"A floresta está bem mais densa aqui." Disse abaixando mais uma vez a cabeça e obrigando o irmão a fazer o mesmo. "Espero que o rei saiba que caminho está fazendo."
Elrohir não respondeu. Ele não queria que o irmão percebesse que o pranto o havia dominado. Mas entre vento e mata como eram, não havia o que pudesse ser escondido. Elladan voltou a apertar a mão do gêmeo, mas as palavras não lhe favoreceram mais, as lágrimas vieram silenciá-lo também.
Estel estava à frente sob o veloz corcel que conseguira apanhar. Ele gritava os comandos no mais perfeito sindarim e o animal o obedecia como se ali estivesse seu próprio mestre. Cavalgava agora a poucos metros do rei e seguia a luz daquela cabeleira loura como se fosse a única luz que restasse por sobre a terra.
Logo estavam em um descampado de onde o grande rio já era a paisagem que se fazia presente ao fundo. Uma presença certa porém não vista. A escuridão roubava-lhe a forma, mas as águas rápidas e zangadas não se deixavam esconder, gritando a vida que tinham em sons impressionantes de força e liberdade.
Thranduil parecia alucinado, ele atirou o cavalo rio a dentro e continuou cavalgando por toda a encosta. Estel não se aventurou a segui-lo cavalgando agora pela orla e acompanhando a figura luminosa cujo rosto contorcia-se olhando para todos os lugares. Logo o grupo recebeu o reforço dos recém chegados. Elrohir saltou do cavalo do irmão e começou a percorrer um longo pedaço a pé, com a água pelos joelhos e o olhar distante na vastidão daquela negritude vazia. Glorfindel fez o mesmo, aproximando-se do filho de Elrond o suficiente para auxiliá-lo se algo de ruim viesse a abordá-los. Estel, Elladan e Elrond continuaram em seus cavalos. O líder de Imladris entrou na água assim como fizera o rei e só então os filhos resolveram fazer o mesmo.
A correnteza pareceu acalmar-se paulatinamente conforme as nuvens negras se dissiparam no céu. Era uma paz estranha, fora de hora. Elrond olhou para cima e avistou sua amada estrela, porém, contrariando a lógica de todos os seus dias, ela não parecia oferecer-lhe o conforto do qual precisava. Ele fechou os olhos e procurou consultar seu coração, olhar dentro das imagens que sua alma lhe cantava, tentar sentir o que teria acontecido com o príncipe. Mas não lhe vinham respostas à mente, apenas aquelas mesmas imagens terríveis que vira, apenas a imagem do corpo do rapaz a quem tanto amava percorrendo aquela água fria e escorregando cascata abaixo. O destino traçava-se sem dó ou piedade, traçava-se de forma cruel.
&&&
A fogueira acesa não oferecia calor algum, mas o rei permanecia sentado à frente dela encarando as chamas como quem enfrenta um grande inimigo. Ninguém ousara se aproximar dele desde que montaram acampamento já passada a madrugada. Tinham ido tão longe o quanto era possível sem que se arriscassem em uma investida perigosa.
Elrond agora cuidava do ferimento da cabeça de Alagos. O jovem elfo mantinha seus olhos no chão e lágrimas escorriam pelo seu rosto alvo. Elrond sabia que o que as movia não era a dor do ferimento ou de suas mãos administrando as ervas de cura, mas sim o sentimento de perda absoluta que o acampamento todo parecia agora compartilhar.
"Poderíamos ter tentado mais um pouco." Lamentou-se o rapaz tentando se recompor.
"Não havia caminho, meu jovem amigo." Lamentou-se também o curador, erguendo os olhos em direção a água negra e deixando o rumo do grande rio levar suas esperanças com ele. "A escuridão parece ser tranca fechada para qualquer de nossos destinos agora. Nada mais podemos fazer nesse dia fatídico".
Alagos voltou a apertar os olhos.
"O príncipe..." Disse então "O príncipe cumpriu o destino que era do pai."
Elrond franziu os olhos.
"Não sei se compreendo..."
"Eu ouvi aquela criatura desprezível ameaçando o rei." Confidenciou o jovem capitão. "Desci da árvore e tentei seguí-los." Admitiu então balançando a cabeça em total reprovação para consigo mesmo. "Mas minha cabeça.... meus ferimentos me traíram... Porém eu ouvi... ouvi aquele ser amaldiçoado dizer que o rei ia cumprir as previsões do pai..."
"Previsões?"
"Descer o rio... permitir que a correnteza fosse o caminho de sua morte..." Esclareceu o rapaz contorcendo o rosto levemente. "Cumprir o que o nome que seu pai lhe dera indicava." Ele baixou os olhos. "Mas Legolas surgiu... e levou em seus ombros o destino do pai..."
"Ninguém pode cumprir o destino de um outro alguém, Alagos." Informou Elrond com seriedade, enquanto olhava agora para a figura sentada em frente à fogueira. Thranduil sequer arcara suas costas ou relaxara os músculos. Seu corpo parecia amarrado àquele chão enquanto sua alma queria fugir, queria sair de onde estava em busca de algo, ou quem sabe, em busca de alguém. "Mesmo porque..." ele completou. "Não creio que, ao oferecer ao filho nome tão forte, Oropher intentava preveni-lo contra qualquer força da natureza, haja vista que a floresta e seus dons sempre foram aliados dos elfos silvestres."
"Eu não queria que fosse assim..." Disse o rapaz deixando novamente o pranto lhe tomar.
Elrond apoiou a mão em seu ombro trêmulo oferecendo-lhe algum apoio. "Legolas e eu nos criamos juntos..." Contou o capitão entre soluços. "Sou um pouco mais velho, mas tive o prazer de vê-lo menino, correr pelo jardim, cantar canções com os pássaros..." Alagos cobriu o rosto com as mãos. "Ele era diferente de todas as outras crianças."
"A luz o favorecia..." Disse o lorde elfo pensativo, enquanto terminava o curativo que fazia.
"Ele era diferente... sempre foi..." Balançava a cabeça agora o capitão sentindo o cansaço finalmente abater-lhe. Elrond ajudou-o a deitar-se e cobriu-o com uma manta leve.
"Precisa descansar." Atestou lutando também contra as lágrimas que batiam ferozmente em sua alma, como uma torrente que inundaria uma cidade inteira. Seu coração estava submerso na dor da perda irreparável e ele, mais uma vez, percebeu o quanto Glorfindel estava certo. Ele se sentia tão pai do jovem Legolas quanto o rei de Mirkwood.
"Todos o amavam... sempre o amaram..." Continuou o capitão em um desabafo, enquanto olhava o céu acima. "Durante todos esses anos, lorde Elrond." Prosseguiu o rapaz. Sua voz subitamente ganhava um tom solene. "Nosso povo jamais cantou uma canção sobre o exílio do príncipe, jamais ousou imortalizar em versos aquele fato triste que se dera." Ele engoliu a saliva e continuou encarando o brilho das estrelas que teimosamente superava o céu semi-encoberto. "E enquanto o rei se ausentava, se encontrava longe das vistas da cidade, nós inconscientemente cantávamos as canções que de fato escrevemos." Ele então riu um riso triste. "Eu sabia que era do conhecimento dele, nada lhe passava desapercebido, mas ele nunca se mostrou ciente daquilo. Sempre fingiu ignorância... Até que..."
"Até quê...?"
Alagos balançou a cabeça.
"Até que um dia o grupo do rei encontrou com o meu na floresta." Ele riu. "Então ele se sentou comigo... e... me pediu para cantar as tais canções sobre o príncipe." Completou balançando a cabeça e rindo um riso nervoso. "Eu sabia... sempre soube que as canções eram do conhecimento dele."
"E você as cantou?" Indagou o curador sem conseguir esconder um leve sorriso. Aquela era uma cena que ele gostaria de ter visto.
Alagos olhou para o rei mais uma vez e acenou levemente com a cabeça. O mesmo sorriso de Elrond espelhava em seu rosto. Aquele tinha sido um momento que ele jamais se esqueceria.
"Sobre o que falavam?" Indagou o curador despertando o jovem elfo de seus devaneios. "Quais eram as palavras dessas canções?"
O capitão soltou um suspiro cansado. Seus olhos ainda divagavam, correndo o céu estrelado.
"Falavam sobre um elfo solitário, que se abrigava nos mais altos galhos e conversava com as árvores e os animais..." Ele contou apertando depois os lábios uma vez mais para que a música toda que estava em seu coração não escapasse deles. "Cujos cabelos tinham o brilho do sol do meio dia e a voz ecoava por toda a floresta."
Elrond fechou novamente os olhos.
"E... que jamais deixaria esse chão enquanto algum dos seus por aqui vivesse." Completou o capitão fechando ele também os olhos muito claros.
&&&
A fogueira que ardia oscilou devido à brisa que a atingiu levemente. Thranduil ergueu os olhos para a figura que agora estava parada ao lado dele. Os olhos escuros de Elrohir o encaravam corajosamente. O rei sabia o que o jovem elfo queria. Ele queria respostas, queria o porquê do trágico fato que ainda era impossível de ser mencionado.
"Doeu muito?" Indagou finalmente o filho de Elrond. A luz do fogo lhe emprestava um brilho estranho fazendo-o parecer mais irado do que na verdade estava. Thranduil fixou seus olhos nele e franziu as sobrancelhas sem compreender inteiramente o que o rapaz queria.
"Doeu?" Ele repetiu.
Elrohir suspirou. Ele de fato queria se zangar, mas não era capaz.
"Perdoá-lo..."
O rei apertou o maxilar e as mãos cujos dedos estavam entrelaçados como se nunca mais pudessem ser separados. "Doeu." Declarou para a surpresa do jovem elfo. "Quase tanto quanto perdê-lo".
"Por que?"
Thranduil voltou a encarar a batalha entre o fogo e as cinzas, o sério ar do rei da Floresta Negra estava de volta. "Um perdão roubado, cedo ou tarde não é encarado como perdão."
"O que quer dizer?" Indignou-se o rapaz dando um passo para trás. Sua paciência tinha sido tamanha, mas se o rei negasse naquele momento, naquele instante, o perdão que oferecera ao filho, ele mesmo puxaria de sua espada, ali naquele lugar, diante de quantos elfos de Mirkwood estivessem por perto e eles resolveriam aquilo da forma mais antiga e tradicional que existia e que o seu pai provavelmente abominaria.
Mas Thranduil respirou fundo e seus olhos brilharam. Elrohir desprendeu os lábios confuso.
"Menino tolo, desconhece muito de que move a alma de um dirigente..." Ele disse sem olhar o rapaz. "Eu queria tê-lo colocado diante de nosso povo, como fiz quando o condenei. Deixar claro que os deslizes são punidos, mas os acertos recompensados." Ele ergueu-se então. O sol despontava levemente agora. O acampamento tinha sido inútil, ninguém comera ou dormira.
"Acertos?" Indagou o jovem elfo mais confuso ainda.
Thranduil balançou a cabeça e o rapaz não conseguiu perceber se aquilo indicava indignação para com a ignorância do filho de Elrond ou para com as dúvidas que ainda restavam ao próprio rei.
"Ele me salvou." Admitiu o líder de Mirkwood. "Salvou minha vida. Ganhou a redenção."
Elladan se aproximava cautelosamente. O mais velho dos gêmeos temeu quando viu o irmão conversando com o rei de Mirkwood e veio garantir que nada mais de trágico viesse a ocorrer.
"Por isso o perdoou?" Indagou atraindo agora a atenção do rei para si, em sua voz um tempero de indignação que ele não conseguia esconder. "Não o teria perdoado se ele simplesmente lhe tivesse pedido em uma situação daquelas?"
Um momento de silêncio se deu.
"Não sei..." Admitiu o louro elfo. "Como rei, não..."
"E como pai?" Ofereceu Elrohir.
Thranduil pisou as brasas da fogueira, parecendo dessa vez querer extinguir algo mais do que aquele resto de chamas.
"Não me lembro mais como é ser pai." Declarou com seriedade e uma certa frieza. Ele parecia estar se preparando para um combate mortal, trancando novamente as emoções dentro de um peito praticamente vazio. Os gêmeos quase puderam senti-lo tentando ao máximo apagar a imagem do filho, como fazia aos poucos com as brasas da fogueira noturna. Ele precisava tirar de sua vida o que não lhe era mais útil."
"O senhor se lembra de seu pai, majestade?" Indagou então o jovem Elladan aproximando-se e fazendo o rei contrair as sobrancelhas em total estranhamento. Indagando-se o porquê de tão estranha pergunta.
"Por que me faz essa indagação sem propósito?" Perguntou.
"Lembra-se?"
"Sim."
"E o senhor o chamava de ada?"
Thranduil inclinou levemente a cabeça intrigadíssimo, sentindo-se como um animal acuado que está prestes a cair em uma armadilha evidente, mas não tem como evitar.
"Adar." Ele informou. A memória do pai tornando-se retrato fiel de uma infância que não se dera em tempos de tanta paz, mas durante a qual o grande Oropher fizera todo o possível para que belas árvores florescessem.
"Então o senhor se lembra... como é ter um pai?" Indagou o primogênito de Elrond.
Thranduil não respondeu. Tentando agora trilhar o caminho obscuro do raciocínio que movia o rapaz.
"Se se lembrar de como é ter um pai... lembrar-se-á de como é ser um filho..." Informou o primogênito do curador. "E conseqüentemente..."
"De como é ter um..." Completou Elrohir.
"De como é ser pai..." Adicionou o irmão.
O rei suspirou.
"Talvez..." Defendeu-se, colocando cuidadosamente todas aquelas imagens que o rapaz despertara de volta no canto escuro de sua mente. "Mas isso não mais importa."
"Importa." Adiantou-se Elrohir.
"E por que?"
"Porque pode ajudá-lo a encontrar a resposta da pergunta que fizemos."
Thranduil apertou os olhos.
"Pergunta..."
"Se o senhor o teria perdoado mesmo se ele não tivesse salvado sua vida."
"Talvez." Repetiu o rei.
"Talvez?" Indagou Elrohir.
"Talvez ajude... talvez até responda." Disse o rei enfim, apanhando o manto surrado e atirando-o por sobre as costas. "Mas de qualquer forma, essa é uma das questões que o ontem levou consigo." Ele completou intentando afastar-se, mas parecendo se lembrar subitamente de algo. "Como..." Ele voltou a se aproximar. "Como derrotaram os novos oponentes que surgiram?"
Os gêmeos se entreolharam. O rei parecia não ter olhado a sua volta ainda.
"Humanos..." Disse Elrond se aproximando agora. O curador parecia já estar preparado para saírem do abrigo noturno. "Os dunedain das terras do norte. Halbarad havia ido de Rivendell até o ponto de encontro de seus homens quando nos direcionamos para cá. Felizmente ele conseguiu juntar um contingente considerável de bons amigos e soldados e sua adesão à batalha se deu em um momento deveras crucial." Ele esclareceu.
Thranduil voltou-se para o acampamento e só então percebeu a presença dos homens de Halbarad, cujo líder estava agora sentado em um grande tronco, trocando palavras com Aragorn que parecia totalmente perdido apoiando a mão em uma das árvores.. Ele acenou com a cabeça então, mas nada respondeu.
"Noldorianos, sindarinos, silvestres e numenorianos..." Riu-se o elfo curador. "Podemos dizer que fomos ajudados por todos os cantos possíveis e soubemos trabalhar em equipe perfeitamente bem." Concluiu olhando para os restos do céu estrelado. A tempestade desaparecera ironicamente.
"Por que será que nos dias de sol e lua isso não é possível?" Indagou-se Elrohir repetindo o ato do pai. Os restos do céu noturno brindados pelo vermelho da nova manhã eram de um fascínio indescritível.
Thranduil riu um riso triste.
"Você melhor do que ninguém deveria saber, jovem Elrohir." Ele disse enchendo o peito de ar, fechando de vez as couraças de sua alma. "Como bons irmãos, discutimos à mesa, mas nos aliamos se necessário."
Elrond olhou-o com admiração, mas nada comentou. Thranduil colocou a mão no peito e fez uma breve reverência que indicava uma indiscutível despedida. Em seguida juntou-se a seus elfos e o grupo partiu para Mirkwood.
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O sol ardia em seu rosto mas ele sentia muito frio. Um frio intenso que o corroia por dentro e por fora. Abriu os olhos devagar. Acima dele o céu ganhava um azul dourado pelo sol que nascia e despertava um novo dia. Sacudiu ligeiramente a cabeça, para se arrepender em poucos instantes. Uma dor muito forte o incomodava. Onde estava? O que teria acontecido?
"Acordou?" Disse uma voz triste. "Achei que nunca mais o faria."
A amargura daquelas palavras parecia indica-lhe que, diferentemente do que ele imaginava e até ansiava, seu pesadelo ainda não havia terminado. Ele tentou se levantar, mas outra dor muito pior do que a de sua cabeça fisgou-lhe toda a lateral do tronco e o fez voltar para a posição original.
"Não faça isso." Repreendeu a voz aproximando-se. "Está com duas costelas quebradas no mínimo, e sua perna e seu ombro esquerdo não estão com um aspecto muito bom também."
"Hawk..." Disse o príncipe em um suspiro.
O arqueiro aproximou-se mais, ajoelhando-se e rindo um riso forçado para o rapaz.
"Bem vindo ao pesadelo eterno, meu brinquedo."
Legolas franziu as sobrancelhas e voltou a olhar a sua volta. O brilho recente do sol ainda cegava-lhe os olhos para os detalhes a sua volta. Ou seria a fraqueza?
"Onde... onde estamos?" Ele indagou confuso. "Como... Por que estamos aqui?"
O arqueiro riu uma vez mais, trazendo um gosto amargo à boca do príncipe. O tempero do descaso e da desesperança.
"Porque somos maus..." Ele disse abrindo muito os olhos cor de mel, fazendo seu rosto ganhar um ar assustador. "Os maus não são aceitos em Mandos."
Legolas arregalou seus grandes olhos.
"Onde estamos então?" Ele indagou preocupado voltando a olhar a sua volta.
Hawk riu da ingenuidade do rapaz.
"Onde ficam os condenados, meu brinquedo?" Ele indagou então. "Estamos no lugar do qual nunca saímos. No reino escuro de trevas e dor chamado Terra Média."
Legolas baixou os olhos confuso e abanou levemente a cabeça. Então ele não conseguira? Não fora competente o suficiente para dar um fim a sua vida? Ou seria mesmo verdade que Mandos não o receberia?
"Como... como..." Ele tentou indagar olhando as águas do Anduin correrem a poucos metros dele."
Hawk riu novamente, mas depois a seriedade ganhou seu rosto.
"Você me impulsionou com muita agilidade, eu atingi a água sem sequer tocar as pedras, já você não teve a mesma sorte, meu brinquedo." Ele disse colocando a mão no ferimento da cabeça do rapaz. "Já está dormindo há alguns dias, mas os ferimentos parecem não ter melhorado muito."
Legolas partiu os lábios surpreso e ganhou um olhar intrigado de Hawk como resposta.
"O que foi?" Indagou o arqueiro elfo franzindo o rosto.
"Então você me salvou, Hawk?"
O arqueiro franziu mais ainda seu rosto cansado. Sim, ele havia se arriscado muito para puxar o rapaz da dura correnteza que o carregava para a morte certa e ainda se questionava sobre porquê havia se preocupado com o assassino de seu irmão e seu próprio se tivesse tido menos sorte.
"Salvou, Hawk?" Repetiu o menino.
"Sim." Respondeu o outro com amargura.
"Por que?"
"Porque você é meu." Respondeu o elfo depois de um breve momento de silêncio e frisando muito a última palavra. "Meu e de mais ninguém e eu não deixaria o meu brinquedo se quebrar."
Mas o rosto de Legolas carregava as cores doces de uma estranha paz a qual Hawk não compreendia. O príncipe então ergueu uma mão e segurou a do arqueiro. Hawk estranhou o ato e estremeceu como nunca estremecera antes. A mão de Legolas estava muito fria, provavelmente porque ele não pudera trocar a roupa do rapaz que secara no próprio corpo e parecia ainda estar meio úmida.
"Tem medo da morte, Hawk?" Indagou o príncipe. "Por isso me salvou?"
Hawk engoliu a saliva e sentiu que aquele era um momento bom para começar a odiar aquele elfo causador de todos os seus problemas, mas ele simplesmente não conseguia. Legolas apertou sua mão e ele acabou se vendo retribuindo o gesto de amizade.
"Tenho." Ele admitiu.
O príncipe ofereceu um sorriso amável e fechou os olhos ainda segurando a mão do elfo que se ajoelhara a seu lado. Hawk ficou analisando os traços do rosto dele. O rapaz não o temia mais, nem ao que podia vir a lhe acontecer. Toda aquela dor parecia não pesar agora. Algo havia de fato acontecido. O menino realmente estava em uma grande paz.
"Ele te perdoou, não é mesmo?" Indagou.
Legolas reabriu os olhos e lançou-lhe um olhar intrigado.
"Você teve febre, delírios..." Ele esclareceu. "E disse qualquer coisa sobre isso."
"Ele me perdou..." Confirmou o príncipe com uma ponta de tristeza no olhar. "E como tudo que consegui dele na vida, foi um perdão roubado..." E a cena se refez em sua mente, os grandes olhos esmeralda do pai fixos finalmente nele, fora uma das poucas vezes em que conseguira total atenção do rei de Mirkwood e se dera como nas outras poucas, envolvendo um ato extremo, que contrariou a lógica e razão de ser da vida que os dois levavam. Fora exatamente como das outras vezes...
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"Estou de saída, senhor." Ele informou, segurando ainda a maçaneta da porta que acabara de abrir.
"Certo." Respondeu o rei sem se voltar. Seus olhos vasculhavam como sempre o grande mapa verde a sua frente.
Legolas umedeceu os lábios e suspirou baixando a cabeça. Por que viera se despedir afinal? Era a pergunta que lhe incomodava o coração, mas cuja resposta nunca recebera. Era um instinto, ele simplesmente não conseguia cruzar aqueles portões sem olhar para o pai uma última vez, nem que fosse de muito longe, nem que fosse para as costas dele, como tinha acontecido todas as últimas vezes.
"Volto quando as folhas começarem a cair." Ele informou; mas por trás daquela informação sua intenção era lembrar ao pai de que dessa vez o tempo era-lhe favorável e o grupo se ausentaria durante mais do que uma estação. Era a época do ano na qual Legolas mais se entristecia, apesar do verão e do outono favorecerem os restos de beleza de Mirkwood ele sentia-se incomodado por deixar o pai durante tanto tempo.
Um leve aceno de cabeça foi a resposta que recebeu da ocupada figura sentada a poucos passos dele. Legolas apertou o maxilar, mas sentiu como se estivesse de fato tentando apertar as portas de seu coração. Por que essas portas não se fechavam de vez? Seria tão mais fácil. Por que não agir como ele? Por que não acabar de vez com aquela expectativa toda que ele sabia que não ia gerar fruto algum?
Mas elas jamais se fechariam. Ele sabia. Havia algo dentro dele que era tão grande que extrapolava o lugar onde estava, dominava-lhe não só o coração, mas o corpo todo, sua mente e seu espírito.
"Ada." Ele sentiu a palavra escapar-lhe dos lábios.
Thranduil ergueu a cabeça no mesmo instante como se estivesse surpreso. De fato há muito tempo o filho não o chamava assim. Há muito tempo mesmo. Legolas estremeceu ao sentir o rosto de seu pai voltar-se para ele. O rei o encarou por alguns instantes, mas seu rosto logo readquiriu sua seriedade natural e ele franziu as sobrancelhas.
"Diga." Disse simplesmente.
"Dizer?" Indagou o rapaz confuso.
"Sim." Respondeu o pai demonstrando sua impaciência habitual. "O que ainda quer aqui? Por que me chamou?"
Legolas baixou a cabeça e girou levemente o corpo dando a clara intenção de que ia sair do gabinete. Seu pai apoiou as mãos na mesa e voltou-se para o mapa, balançando a cabeça contrariado. Mas Legolas não saiu. Ele não pôde. Sentia-se amarrado ali.
"O senhor..." Ele disse de costas agora, a mão ainda segurando a maçaneta fria.
Thranduil voltou-se outra vez e franziu mais a testa ao ver que o filho ainda estava parado na porta, entre o ir e vir, exatamente embaixo do enorme batente de madeira maciça. Por que aquele menino ainda estava ali? O grupo da fronteira ao qual eles iam substituir precisava de descanso, seus elfos haviam enfrentado um inverno rigoroso e Thranduil temia que talvez estivessem enfraquecidos demais para continuarem mais tempo guardando um local tão importante. E enquanto isso tudo acontecia, lá estava o rapaz perdido em divagações tolas parecendo completamente esquecido de suas obrigações.
"Diga logo o que tem que dizer, capitão!" Ele ordenou. "Vai atrasar o seu grupo."
Legolas apertou os olhos atingido pela frieza das palavras do pai. Ele suspirou uma vez mais, os dedos apertados contra a maçaneta já não tão fria. Dizer... para quê? Por quê? Por que aquela maldita esperança ainda lhe incomodava a alma de forma tão cruel? Por que sempre uma nova tentativa parecia querer escapar-lhe, fazendo o caminho direto do coração até os lábios sem sequer consultar-lhe a razão?
"O senhor... ainda me ama, ada?" Ele indagou sem se voltar, mas com os olhos apertados pela espera do pior.
Thranduil sentiu o queixo cair, totalmente surpreso pela pergunta inesperada e completamente fora de hora.
"Que tolice é essa rapaz?" Ele indagou erguendo-se e dando alguns passos em direção ao filho.
"Eu só quero uma resposta." Voltou-se finalmente o príncipe, o medo da reação do pai roubava-lhe a pouca cor do rosto, mas a pergunta havia sido feita e agora não havia mais nada a não ser a triste espera pela resposta.
Thranduil estalou os lábios e balançou a cabeça com veemência. Legolas estremeceu, mas permaneceu imóvel, seus olhos cintilantes de dor e dúvida.
"Não... não me ama mais, não é mesmo, ada?" Indagou por fim baixando a cabeça.
Thranduil sacudiu a cabeça com mais violência. Quando aquele menino ia crescer? Tanto a se fazer, soldados morrendo, o mal se alastrando, a ameaça rompendo as portas de todos e ele ali fazendo a mesmas indagações que fazia quando era um elfinho.
"Sabe do amor que me move todos os dias, elfo tolo." Declarou com seriedade. "Por isso ainda estamos aqui."
Legolas baixou os olhos vencido. Lá estava o pai colocando novamente Mirkwood entre eles. Dividindo-se em milhares de pedaços e reservando-lhe a mais insignificante das porções. Ele suspirou. Talvez fosse a parte que lhe coubesse então. A parte que fizera por merecer. Ele resignou-se e já retomava seu caminho pela porta entreaberta quando ouviu novamente a voz do pai.
"Você tem o meu amor."
Legolas voltou-se uma vez mais, acreditando ter ouvido mal. O pai apertou os lábios e as mãos. As palavras não tinham para ele o mesmo significado que pareciam ter para o filho, mas não era conveniente ver o rapaz sair do reino amargurado.
"Tem meu amor, menino tolo." Ele repetiu. "Agora vá e traga meus soldados de volta vivos."
Legolas partiu os lábios e seus olhos brilharam de uma forma que o rei não tinha ainda presenciado. Thranduil baixou a cabeça subitamente constrangido. Por que o menino fazia aquilo com ele, por que o enfraquecia de tal forma, fazia seu coração doer? Ele ergueu mais uma vez o olhar para chamar a atenção do rapaz, dizer que agora ele precisava ir. Sim, ele precisava ir e dar-lhe paz por algum tempo, por um bom tempo. Mas que ironia! Ele nunca teria paz. A mera existência daquele menino lhe roubava toda a paz. Estivesse onde estivesse, seu coração sempre estaria atado ao dele e ele nunca conheceria o significado de uma luta sem o temor da perda.
Mas não houve tempo para uma repreenda. Aquele parecia ser o instante fadado às surpresas. Quando Thranduil deu por si o filho estava abraçado a ele, o rosto desaparecido em seu robe verde e as mãos agarradas em suas costas.
"Legolas!" Ele indignou-se abrindo os braços.
"Só um instante, ada." Surgiu a voz abafada do rapaz. "Pode me colocar daqui para fora depois."
Thranduil esvaziou o peito dolorosamente e permaneceu com os braços ligeiramente erguidos, sentindo o calor do filho o envolver, sentindo uma estranha sensação que há muito tempo não sentia. Uma sensação indefinível, inclassificável. Quando mesmo tinha sido a última vez que fora abraçado?
"A porta está aberta, Legolas." Ele disse em um tom irritado, querendo esquecer o conflito que se armava em seu interior uma vez mais, porém o rapaz parecia não querer ouvi-lo. "Legolas! Se alguém entrar aqui eu vou me sentir incrivelmente embaraçado!"
Mais uma vez o silêncio da figura praticamente imóvel foi a resposta que o rei recebeu. Thranduil voltou a encher os pulmões e apoiou ambas as mãos nos braços do menino para afastá-lo de si, mas o silêncio lhe fez uma revelação. Perdido naquele instante vazio ouvia-se um abafado soluçar do corpo que agora estremecia com a possibilidade do que estava por vir. Thranduil balançou novamente a cabeça, ainda com as mãos segurando os braços do filho.
"Vou realmente ficar embaraçado." Ele repetiu em um tom mais leve agora, quase um sussurro "Pare de chorar, menino... O que seus elfos vão pensar do capitão que têm?"
"Que ele tem um pai a quem ama..." Surgiu finalmente a voz embargada do príncipe.
Thranduil voltou a sentir-se completamente perdido, como se enfrentasse um exército inteiro com apenas um leve punhal. Ele esvaziou mais uma vez o peito e finalmente deslizou suas mãos pelos ombros do rapaz pousando-as nas costas do filho, retribuindo enfim ao abraço recebido.
"Elfinho tolo." Ele apenas disse balançando mais uma vez a cabeça e tentando não sorrir. "Você ainda vai ser a minha ruína."
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Legolas suspirou levemente, enternecido pela lembrança.
"Um perdão roubado..." Ele repetiu. "Como tudo o que consegui até hoje..."
Hawk baixou os olhos.
"Mesmo roubado..." Ele disse. "Eu daria graças a Iluvatar se meu pai também me dissesse tal palavra encantada."
Legolas sorriu.
"Como é o seu nome?"
Hawk apertou os lábios.
"Sou apenas Hawk."
"Não, não é." Retorquiu o príncipe muito sério. "Uma pessoa a quem eu quero todo o bem do mundo uma vez me ensinou uma lição muito importante. Nunca devemos esquecer de quem somos."
"Às vezes é melhor esquecermos." Lamentou-se o arqueiro.
"Nunca... esquecer de si mesmo é aceitar que o destino é dono de sua alma. E isso não é verdade... nossa alma nos pertence e a mais ninguém."
"Nem sei se ainda tenho uma alma. Nada me garante que aquele desgraçado não a tenha tomado de mim como tomou tudo o que eu tinha."
"Quem?"
Hawk apertou os lábios. Ele sentia-se diferente agora depois do que acontecera, como se a esperança que sentira ao cair naquela água fria lhe tivesse proporcionado uma consciência maior do que o rodeava. Porém ele ainda percebia a droga caminhar em seu sangue, infiltrar-se em sua carne, roubar-lhe a paz.
"Não sei seu nome. Nunca soube."
"Quem? Seu mestre?"
"Sim."
"E como ele é?"
"Velho... muito velho... mas esconde seu rosto em um grande manto branco. Nunca vi sua face, sei que a idade o desfavorece pelo tom de sua voz e a habilidade que tem com as palavras."
Legolas fechou os olhos. A dor dos ferimentos estava realmente incomodando-o além dos limites do tolerável. Hawk condoeu-se por ele.
"Se você comer mais dela... da erva... vai se sentir melhor."
"Não!" Disse o rapaz em um sobressalto, querendo levantar-se, Hawk segurou-o onde estava, de costas para aquele chão frio. "Não Hawk, por favor, não me dê mais dessa planta das trevas."
Hawk acenou positivamente.
"Nada mais farei contra você, meu brinquedo. Tem minha palavra." Disse percebendo o corpo do príncipe voltar a relaxar no chão duro. "Mas infelizmente acho que é tarde para nós dois."
Legolas abriu muito os olhos e seu queixo fraquejou.
"Acha que estamos condenados?" Ele indagou.
"Estamos... você diferentemente de mim... mas estamos ambos condenados. A planta não está fazendo em você o efeito que faz em mim, mas está fazendo um efeito... criando sua maneira de dominá-lo.. ou matá-lo... Ela não oferece uma outra opção que não seja submissão ou morte. A primeira parece estar levando a mim como levou ao meu irmão. Mas a segunda parece estar querendo ser sua companheira."
Legolas fechou os olhos.
"Por que me salvou?" Ele lamentou-se.
"Tenho medo de ficar só." Foi a resposta imediata do arqueiro que desconcertou o príncipe. Legolas reabriu os olhos e voltou a apertar a mão daquele que um dia se fizera seu inimigo.
"Quem é você, Hawk?" Ele indagou uma vez mais.
"Por que quer saber meu nome?"
"Não me interessam as letras do seu nome..." Ele disse. "Um dos melhores amigos que tenho atende por vários nomes diferentes e eu mesmo já fiz uso de outros."
"Então..."
"Quero saber se você se lembra..."
"De meu nome?"
"De quem é..."
Hawk respirou fundo.
"Sou Rhunoir, filho de Maeoneth." Ele disse, sentindo um grande alívio por ter tido uma coragem que julgava lhe faltar. "Meu... meu... meu pai foi um grande conselheiro... Seu avô nunca tomava uma decisão sem antes consultá-lo."
Legolas sorriu uma vez mais.
"Ouvi belas canções sobre o sábio Maeoneth." Disse lembrando-se das doces conversas com seu mentor a beira da fogueira, onde os elfos mais velhos recitavam versos e cantavam canções para que os mais novos as aprendessem e a história não se resumisse só a letras rascunhadas em um livro que ninguém lê.
"Eu sei..." Disse o arqueiro com tristeza. "Seu pai me contou sobre essas canções... sobre o elfo que se entregou a Mandos por vergonha dos filhos que tinha"
"Nunca ouvi tal canção." Disse o rapaz com sinceridade.
Hawk franziu a testa.
"Nunca?"
"Não." Respondeu o príncipe.
"Mas... mas... O que diziam então tais canções?"
Legolas fechou os olhos, assolado por uma súbita emoção. Depois voltou a encarar o outro elfo.
"Eu me lembro bem delas... me serviram de conforto quando estava só."
"Por favor, Legolas." Disse o arqueiro fazendo o príncipe sentir uma estranha sensação ao ouvi-lo chamá-lo pelo próprio nome. "Sei que seu estado não permite que as cante para mim... mas... por favor... diga-me só algo sobre as palavras que as compõem"
Legolas respirou fundo.
"Elas... elas falavam sobre um elfo brilhante e bom, que se deixou levar pela tristeza."
"Eu sei..." Entristeceu-se novamente o outro. A esperança escapando-lhe pelas frestas das mãos. "Thranduil me contou..."
"Não... não, Rhunoir." Contestou Legolas despertando um sorriso involuntário no arqueiro ao seu lado, para quem ouvir o verdadeiro nome na boca do outro elfo também proporcionou uma emoção diferente, mas de igual valor. "A tristeza que o levou nada tinha a ver com vergonha." Ele completou apertando a mão do outro. "Tinha a ver com preocupação... e saudades..."
Os olhos de Hawk cobriram-se de lágrimas, dois cristais puros de brilho e luz.
"Ele... então ele... ele não me... Mas seu pai me disse..."
Legolas apertou os lábios constrangido. Ele conhecia bem o papel de senhor da guerra que seu pai sabia tão bem desempenhar.
"O rei Thranduil tem interpretações muito estranhas e particulares para tudo o que houve e diz..." Admitiu o príncipe baixando os olhos. "E faz uso delas com destreza quando a necessidade surge em um campo de batalha."
Hawk cobriu o rosto com ambas as mãos. Depois se ergueu dando alguns passos confusos pela margem do rio. Legolas o observava agora com o coração dividido. Sua cabeça criava idéias e as desfazia em seguida. Mais uma vez ele percebeu que a certeza que se tem sobre alguém se resume apenas ao que os olhos podem ver, o resto apenas o grande Iluvatar tem conhecimento. Lá estava Hawk, alguém a quem ele devia odiar, mas que, por um motivo que até agora não se fazia muito claro, ele estava começando a aprender a respeitar.
"Pai algum esquece ou deixa de amar a seus filhos." Disse o príncipe, a lição recém-aprendida.
Hawk voltou-se para ele. A contradição das lágrimas e do sorriso largo em seus lábios oferecia mais conforto do que dúvidas. Legolas também sorriu. Mas subitamente o sorriso de Hawk desapareceu.
"O que foi?" Indagou o príncipe preocupado vendo o outro elfo vir em sua direção a passadas largas.
"Eu sei porque meu mestre quer vê-lo morto ou dominado." Disse o elfo voltando para perto do novo amigo. "Eu sei..."
Legolas apertou os olhos.
"Não compreendo."
"Poikaer..." criatura puraEle disse ajoelhando-se e segurando uma das mãos do príncipe.
"O que..."
"Poikaer..." Repetiu Hawk. "Eu já o ouvi falar sobre ele... seu maior medo... seu maior inimigo."
"Rhunoir.... não compreendo..."
"É você Legolas... aquele que pode evitar um grande mal..."
"Eu... eu o quê?"
"Oh, Iluvatar. E eu fui instrumento na mão dessa criatura vil. Eu permiti... eu me deixei enganar... eu... oh, Legolas eu desejei... eu desejei que esse mal ocorresse."
"Mal? Que mal?"
"Eu não sei, meu príncipe." Admitiu Hawk. "Só sei que está começando... e que logo se fará grande, poderoso..."
"E eu posso evitá-lo?"
"Não o mal maior... mas você está destinado... e a chave para uma das saídas... uma das saídas... como o foi há muitos anos... Foi você, não foi?"
"Eu o quê?"
"Quem salvou Rivendell..."
Legolas balançou a cabeça confuso. O que uma história tinha de relação com a outra?
"Eu nada fiz... só trouxe algumas plantas e..."
"Como as encontrou?"
"Em um jardim distante, um tanto isolado... o caminho é árduo mas qualquer um chegaria lá."
"Mas como sabia?"
"Como assim?"
"Como sabia qual era a planta? Como sabia onde ficava tal jardim?"
Legolas abriu a boca para responder, mas sua voz lhe fugiu. Ele não se lembrava. Não se lembrava quem havia lhe falado sobre o atalho perdido e quem havia lhe descrito a planta. Hawk riu, colocando a palma por sobre o rosto do arqueiro.
"Poikaer..." Ele repetiu. Sua missão ainda será muito maior... e depois outra virá, na qual também terá um papel principal.
Legolas balançou a cabeça entristecido e confuso.
"Não sei do que está falando, Rhunoir." Ele admitiu. "Mas... sejam quais forem os planos que o destino a mim reservou, ele se esqueceu de reservar-me tempo para tal. Pelo que sei, se Mandos assim me permitir, estarei adentrando seus halls em breve e não acredito que o motivo pelo qual me desligarei desse mundo ainda me faça digno de tal título."
"Não!" Hawk gritou, como se ouvisse aquelas palavras pela primeira vez. "Não pode."
Legolas sorriu com simplicidade.
"Não temo a morte..." Ele disse voltando a encarar o céu azul.
"Mas você..." Desesperou-se o arqueiro. "Eles vão precisar de você..."
O príncipe balançou a cabeça.
"Tenha fé, Rhunoir." Disse o rapaz esvaziando os pulmões e deixando o cansaço da luta contra as dores finalmente o dominar. "A Terra Média não é amaldiçoada como você diz. Haverá outros que impedirão que o mal se propague. Iluvatar há de cuidar de seus primogênitos até seus caçulas. Há de cuidar de todos os seus filhos".
Hawk suspirou sentando-se sobre os calcanhares.
"Sim." Ele disse fixando seus olhos no azul intenso dos olhos do príncipe. "Eu acredito nisso... porque você é a prova. Se alguém como você ainda não tomou o navio para a eternidade é porque ainda deve haver alguma esperança."
Legolas desviou seu olhar e enrubesceu levemente. Hawk riu.
"Em pensar que intentei roubar-lhe isso."
"Roubar-me?" Indagou o príncipe instintivamente voltando a olhar para o arqueiro.
Hawk segurou o rosto de Legolas com ambas as mãos. O príncipe estremeceu. Completamente indefeso como estava nada poderia fazer se o arqueiro resolvesse investir contra ele.
"Roubar-lhe a pureza." Completou o elfo deslizando seus dedos pelo rosto do rapaz. Sim. Ele de fato gostava dele e o queria por perto para toda a eternidade, mas só agora percebera o porquê. "Poikaer" Ele repetiu. "Perdoe-me o mal que te fiz. Pelas minhas mãos você foi conduzido às portas da perdição e por minha culpa..."
"Não há o que perdoar, Rhunoir." Interrompeu o rapaz voltando a desviar seus olhos em constrangimento. "Eu sei melhor do que ninguém o quão difícil é tentar não ouvir essa voz que agora nos canta... que nos guia para a ruína... ou para a morte..."
Hawk fechou os olhos apreensivo. Seu coração se acelerava em uma mistura de ira e medo. Aquela era mais uma das culpas que ele teria que carregar e para a qual não sentia ter mais forças. Se Legolas morresse os planos de seu mestre estariam concretizados. Ele sabia.
"Não." Ele disse erguendo-se de imediato e sendo acompanhado pelo olhar confuso e preocupado do príncipe de Mirkwood. O arqueiro correu então para dentro da clareira e assoviou. Logo um antigo conhecido do filho de Thranduil surgiu com seu andar descompassado. Legolas esqueceu toda a tristeza e dúvidas que assolavam seu coração e estendeu a mão acariciando o focinho de seu bom amigo.
"Espírito." Ele se alegrou. "Que visão você sempre me proporciona."
Hawk tirou então seu manto e ajudou o rapaz a se sentar.
"Você vai enfrentar o desafio de sua vida, meu bom príncipe." Disse ele colocando o jovem elfo em pé e ignorando os lamentos e gemidos de dor que saiam de seus lábios.
"Rhunoir..." Ele clamava entre queixas de dor. "O que está fazendo?"
"Tem que ir." Insistiu o outro erguendo o príncipe e colocando-o por sobre o cavalo. "Melhor seria se fosse Rivendell, mas Mirkwood é mais próxima, quem sabe Faernestal seja melhor curador do que eu imagino que seja e a sorte lhe sorria."
Legolas agarrou-se a crina de Espírito, confuso, tonto pela dor.
"Não entendo... Não posso ir para Mirkwood... meu pai... o rei.. ele acha que estou..."
"Ele te perdoou."
"Não foi um perdão de fato... ele se viu obrigado..."
"Legolas... Legolas olhe para mim." Disse Hawk apoiando uma mão na perna do menino que agora voltava a parecer por demais assustado. "Vai dar tudo certo. Ele vai te receber."
Legolas balançou a cabeça e subitamente todas as dúvidas que sempre sentiu voltaram a perturbá-lo. E se o pai o prendesse como fizera da última vez? E se dissesse as coisas que sempre diz? E se... se o rejeitasse?
"Rhunoir." Ele suplicou com os olhos cheios de lágrimas. Ele não acreditava que preferisse no momento ficar com o antigo inimigo do que tentar a sorte em sua terra natal.
Hawk afastou-se e apoiou a mão no peito fazendo uma breve reverência.
"Majestade..." Ele disse sorrindo. "Grande Príncipe Legolas Thranduilion da eterna Greenwood. Meu coração jamais o esquecerá e lhe será eternamente grato."
Legolas sentiu seu peito se partir.
"Não... não vem comigo? Se eu posso enfrentar o meu passado, você também pode, mellon-nin."
Hawk baixou então os olhos. Duras eram suas lições. Difíceis de serem compreendidas. Aquele a quem ele fizera tanto mal, a quem atirara em um abismo sem volta, agora o chamava de amigo.
"É tarde demais para mim." Ele disse erguendo então levemente a túnica. Legolas empalideceu mais ao ver como a pele do amigo estava, seu peito cobria-se por estranhos vasos de uma cor repulsiva e um sangue escuro secava em uma ferida recém cicatrizada. "A batalha que tenho que enfrentar é outra." Ele disse.
Legolas engoliu sua dor e anseios. "E qual é, mellon-nin?"
Hawk olhou para trás. A alguns metros corria o poderoso Anduin. Suas águas revoltavam-se naquela manhã, refletindo um céu cinzento que agora se formava. Legolas demorou alguns instantes para entender, mas quando viu Hawk dando alguns passos em direção a margem do grande rio ele se apavorou.
"Rhunoir!" Ele chamou em seu desespero, a voz não passava de um mero gemido de dor, incapaz de descer do animal ou se mover mais rapidamente, devido aos ferimentos que tinha, ele só pode sentir a agonia lhe corroer.
Hawk voltou-se, seus pés já submersos, a água abençoando-lhe os joelhos.
"Na grande caverna, atrás do bosque das árvores tortas." Ele disse. "Há um esconderijo... E de lá surgirá o maior dos exércitos. Meu mestre os estava preservando para a batalha final que se dará em quinze luas. Você precisa se apressar. Não sei se Mirkwood com a ajuda de Rivendell ainda terá soldados o bastante para tal batalha."
Legolas preocupou-se.
"Mas... então..."
"Eles não podem sair... não podem..." Disse o outro fazendo nova reverência e entrando mais fundo no rio.
"Rhunoir, não... não vá..."
Já quase com a correnteza pela cintura ele ainda se voltou. Legolas tinha o rosto coberto pelo pranto agora.
"Poikaer..." Ele sorriu. "Acha que ele vai me perdoar?" Indagou com os olhos úmidos.
O príncipe tentou sorrir, mas uma revelação maior tornou tudo muito mais claro.
"Um pai... nunca deixa de amar a seu filho." Ele garantiu esticando o queixo e indicando o meio do rio para o amigo. Hawk voltou-se e a verdade se fez mais clara. Seu pai o esperava e, ao contrário do que Thranduil dizia, ele tinha os braços abertos para o filho a quem amava. Hawk sorriu e deixou que sua dor ficasse esquecida nas margens daquele rio. Ele deu alguns passos e os braços do pai o envolveram a tempo de uma grande onda de espuma muito branca fazer com que ambos desaparecessem. Legolas soltou o queixo em surpresa e ainda acompanhou o curso do rio com os olhos para ver se conseguia avistar o corpo de Hawk. Mas não havia nada, era como se ele nunca houvesse existido.
