O dia havia sido agradável. Ler um livro, passear pelo campo, conversar com Henry. Sim, havia sido muito proveitoso. Desde que ela vira a casa pela primeira vez, ela se sentira realmente bem nela, mas agora ela podia até sentir que fazia parte dela quando estava, ou com Andy, ou com Henry. Eles eram as melhores pessoas daquela casa.
"Você acha isso mesmo, Amy?" a pergunta surgiu na sua cabeça porque ela não incluíra uma certa pessoa que ela sabia bem quem era. Ian.
Outra pergunta surgiu na sua mente "Vai ser sempre assim?" Sempre se lembrar dele, sempre pensar nele? Em cada coisa que ela sentia, em cada coisa que ela ouvia, em cada coisa que ela via, ter sempre a lembrança de uma pessoa que só merecia seu ódio?
E agora Amy estava em seu quarto vazio e escuro. Ela rapidamente acendeu as luzes. Sempre teve medo de escuro. Olhou em volta. Tudo estava em seu devido lugar. Também não havia ninguém lá dentro, ao menos não parecia ter. Ela soltou um suspiro aliviado. Ela se sentia segura ali, em seu quarto.
Torceu para não ter pesadelos naquela noite como na passada. Havia sido horrível! Sem falar que todos foram ver o que havia acontecido. Ela se sentiu uma retardada. Parecia uma criança apavorada com os monstros embaixo da cama. Só por prevenção, Amy olhou para ver se havia algo embaixo da cama. Não havia nada. Óbvio! "O que você esperava encontrar, sua idiota?" ela perguntou, se repreendendo, mas no mesmo instante deteve os seus pensamentos.
Assim como no quarto, fez a inspeção no banheiro para ver se encontrava algo 'estranho'. Não havia nada 'estranho'.
Por fim - depois da inspeção completa -, tomou um banho e deitou-se. Sabia que não conseguiria dormir tão rápido, por isso resolveu checar seus e-mails antes. Nada. A caixa estava vazia. Estava mais que claro que Hamilton não iria mais lhe mandar e-mails. Amy sentiu um aperto súbito atingir seu coração. Nunca mais. "Que bela amiga, você é, né Amy?" ela pensou.
Então se sentiu fraca, sozinha e com medo, de novo.
Pegou o livro para ler um pouco e ver se relaxava. Acabou ficando mais tensa com o assassinato recente no livro e parou de ler, ainda que uma frase no livro ainda detivesse seus pensamentos...
"Os moinhos de Deus moem lentamente, mas moem bem pequenininho..."
Deitou na cama procurando relaxar, mas estava apreensiva. Lá fora uma chuva forte caía.
Pensou em como se sentia segura com Henry. Teve um impulso de sair do quarto e ir para a casinha dos empregados onde Henry deveria estar dormindo tranquilamente, ao contrário dela. Pensou em pedir-lhe um abrigo e dormir junto com ele.
Amy estava quase decidida a fazer isso, mas quando se deu conta que o resto dos empregados também dormiam lá e o que achariam dela dormir na mesma cama que Henry, acabou desistindo e repreendeu-se por sua ideia imbecil dando tapas na própria testa por uns bons segundos.
O que o próprio Henry acharia? Que ela era um sem vergonha. Claro que ela não tinha segundas intenções com ele. Imaginava-o como um amigo ou até como um irmão mais velho. Mas os adultos nunca achavam que os atos dessa nova geração eram isentos de malícia ou genuinamente ingênuos.
Ela voltou a deitar na cama.
A luz de um relâmpago invadiu seu quarto e logo depois ela ouviu o som pavoroso do trovão. Ela tapou os ouvidos como uma criança. Um arrepio atravessou a sua espinha. Estava com medo. Ela sempre teve medo de tempestades. Como ela odiava aquilo. O barulho das gotas de chuva nas árvores, o silvo do vento que balançava os galhos, o estrondo repentino do trovão, a luz trêmula e espectral do relâmpago, tudo aquilo lhe dava medo, muito medo.
" – Mamãe! Mamãe! Estou com medo! Eu odeio tempestades.
– Está tudo bem querida. A mamãe está aqui com você"
Amy se lembrava que a mãe lhe dava um abraço forte e ao mesmo tempo delicado e ela se esquecia porquê estava preocupada ou com medo de quê. Ela lhe deitava na cama e lhe cobria com o hededrom lilás de fadinhas e cantava uma música francesa, uma canção de ninar. Amy ainda se lembrava de uma parte da melodia... Tentou cantarolá-la um pouco alto para dispersar o medo.
Por fim acabou dormindo embalada pela melodia suave da sua mãe. Quase podia sentir seus braços em volta dela lhe protegendo...
Gente! Tudo bom? Pois é, mais um capítulo...
E esse Ian que não deixa a pobre da Amy em paz? Tadinha dela...
Gostaram do capítulo? Na verdade, esse capítulo foi meio que as reflexões da Amy, da sofrida e frágil Amy.
Ah, e se eu não me engano aquela frase lá em cima, "Os moinhos de Deus moem lentamente, mas moem bem pequenininho...", é de Shakespeare, o grande mestre da literatura, pelo menos o meu! :)
Depois que eu coloquei, fiquei achando que ficou bem legal, né? Tipo, vingança..., ops! ou como a Amy diz, "justiça"...
Beijinhos e até mais! ...
