Aredhel – Vai ver o Shaka aplicando o tesouro do céu, o Ali simplesmente mexeu com a pessoa errada e como mexeu

Aredhel – Vai ver o Shaka aplicando o tesouro do céu, o Ali simplesmente mexeu com a pessoa errada e como mexeu! Não só com eles com os outros também.

Flor – O Mask tinha que se redimir, assim como o Kamus. Aguarde novos salvamentos emocionantes.

Andarilho – A vida não é só sofrimento. Rsrsrsrs

Tenshi – Os dois torrões confessaram suas paixões e vão salva-las em grande estilo.

Danda – Shaka vai detonar!

Margarida – Infelizmente o Deba não vai aparecer, ele ainda ta de férias, mas eu acho que os nossos dourados dão conta do recado srsrs.

Mila – Foi só a primeira parte, agora vem os verdadeiros em ação.

X.x.X.x.X.x.X

Capitulo 36: Reencontro I

Os primeiros a saírem foram Aioria e Íris.

- Fomos os primeiros.

- Será que elas estão bem? Principalmente a Hat.

- O que tem ela?

- Está mal.

-- Farah--

Farah tentava se esquivar das investidas de Ali, mas seu corpo estava parcialmente paralisado.

A porta abriu de maneira brusca.

- Estamos sendo invadidos. A ordem é para tirá-la daqui. – disse um homem.

- Que pena... – Ali lhe sorriu. – vamos.

A afegã era arrastada pelos corredores, sofria pela paralisação e pela dor no peito. Sabia que sua saúde há muito não estava bem e que a qualquer minuto... sentido uma dor forte, foi ao chão.

- Farah?

Não respondeu.

- Acorda garota! Não vou ser pego aqui. – a sacudiu.

- Ai..

Ali pegou Farah pelo braço arrastando-a. A garota conseguiu dá apenas mais alguns passos indo ao chão novamente.

- Já sei do que precisa.

O afegão a levantou colocando-a próxima a uma parede. Farah tentava se manter de pé, mas as forças lhe fugiam. Tinha a plena certeza que a qualquer momento tombaria. Ali tirou do bolso um papelote.

- Isso é ópio, vai te fazer bem.

Farah olhou o pó na mão dele, não queria mais se drogar, contudo seu corpo gritava pela droga.

- Não...

- É o mais puro. Cheire. – aproximou do rosto dela.

Uma leve brisa bateu no papelote, a droga foi a chão.

- Sua idiota! – gritou Ali. – como teve coragem de jogar fora?

Abaixou para apanhar. A afegã sentia-se cada vez mais fraca, aos poucos foi escorregando sentado no chão.

- Isso custa dinheiro sabia? Muito!

Ela o fitou. Ali estava tão dependente quanto ela, mas talvez ele duraria um pouco mais. Segurou o rosário com uma das mãos. Não queria morrer sem ao menos ver o rosto dele.

Foi fechando os olhos...

- "Shaka..."

As narinas foram invadidas pelo cheiro forte de incenso. Foi abrindo os olhos lentamente e com dificuldade virou um pouco o rosto...

- "Shaka..."

Seus olhos não acreditavam no que viam. Ele estava parado a pouco metros, mesmo com os olhos fechados ela sabia que ele a encarava. O tempo parou para os dois. A respiração estava mais difícil parecendo que a qualquer momento poderia falhar, mas nada importava, ele estava ali, diante dela.

- Pronto, deu para salvar alguma coisa.

Ali a fitou, vendo que ela olhava um ponto qualquer dirigiu o olhar. Viu uma figura vestido de dourado, mas o que chamou sua atenção foram seus olhos fechados.

- "Um cego?" O que faz aqui?

Não houve resposta.

- Alem de cego é surdo. – tirou da cintura uma arma.

- Se tem amor por sua vida, vá embora. – a voz do virginiano saiu seca.

- Então você fala. – sorriu apontando a arma para ele, mas lembrou que ele era cego – nem vale a pena. Vamos Farah. – quando foi tocá-la... – ai! – levou um choque.

Sua mão nem aproximou dela, parecia que o ar ao redor estava eletrizado.

- Mas o que... – tentou novamente tendo o mesmo resultado. – ai. O que você fez?

Farah que continuava de olhos fixos em Shaka voltou à atenção para Ali. O afegão estava armado e poderia fazer algo a Shaka.

- Vou com você, mas deixe-o em paz, Ali.

Shaka abriu os olhos imediatamente, ele não poderia ser o mesmo...

Nenhum dos dois entendeu o que se sucedeu, Farah olhou para o outro lado onde Ali estava caído. Tudo fora muito rápido.

- Qual o seu nome?

Ali que limpava a boca, ergueu o olhar. Ficou surpreso ao vê-lo de olhos abertos.

- Responda.

- Meu nome é Ali. – levantou.

Os olhos azuis estreitaram.

- Foi ele Farah? – ele a olhou. – foi ele que te viciou no ópio e te usou?

Ficou pasma, como ele sabia de sua historia.

- Andou contando nossa vida intima para os outros Farah? – Ali a olhava de maneira perigosa.

- Responda Farah! – gritou o virginiano assustando-a.

Farah continuava estática, aquilo só poderia ser castigo, os dois principais homens de sua vida frente a frente.

- Responda! – insistiu.

- É, é ele. – temeu, sabia que Shaka era explosivo.

Shaka o fitou com ódio. Ali olhou para a afegã, mas precisamente para o colar que ela usava.

- "É dele..." – concluiu. – Qual o seu nome?

- Shaka.

- Shaka... – sorriu. – não me importo quem você seja, mas ninguém vai tirá-la de mim. Ninguém. – sua voz saiu fria, ao mesmo tempo determinada. – Farah é minha.

- Não tem noção do perigo ao dizer isso. – o virginiano deu um leve sorriso.

- Digo o mesmo. – apontou a arma para o virginiano.

- Shaka, por favor. – disse num sussurro. – vai embora. Ali o deixe em paz. – com dificuldades ela levantava.

O virginiano deu um passo caminhando ate ela.

- Você está bem? – a segurou pela cintura.

- Sim... – não conseguiu desviar daqueles olhos azuis. – por favor... me deixe.

- Não vou cometer o mesmo erro.

Sentiu as pernas bambas.

- Descanse.

Ele a ajudou a se sentar. Ali que assistia a cena com ódio, partiu para cima dele.

- Tire as mãos dela.

Farah o olhava chocada. Shaka estava parado na mesma posição com o punho de Ali no meio de seu rosto.

- Suma.

Novamente ele foi arrastado, batendo de forma violenta na parede.

- Shaka...

- Descanse. – viu que ela estava com seu rosário. – estava com você. – apontou para o objeto.

- Sim... me...

Não terminou a frase, o virginiano estava de pé de olhos fixos no afegão que também tinha levantado e apontava a arma para ele.

- Vai se arrepender por ter cruzado meu caminho.

- Veremos. – Ali preparou a arma.

A principio Shaka não tinha a intenção de ferir o "homem" que levava Farah, era um cavaleiro e era contra usar os poderes em pessoas normais, mas depois de saber quem ele era, e se lembrar de toda historia dela, todas as suas considerações caíram por terra. Acabaria com o homem que a fez sofrer, sem dó e piedade. (n/a: tenho que falar... coitado do Ali, com a mulher de quem foi mexer... .)

- Privação do primeiro sentido: olfato.

O silencio de pouco segundos foi quebrado pelo terrível grito de Ali, o afegão foi de joelhos ao chão, sentindo o nariz latejar.

- Privação do segundo sentindo: audição.

Ali soltou um novo grito de dor, seus ouvidos pareciam estourar. Farah olhava para os dois aterrorizada, o que estava acontecendo? Por que Ali soltava esses gritos terríveis e Shaka continuava parado sem dizer nada.

- Eu não sei que feitiço está usando... mas não vai tira-la de mim.

- "Feitiços?" – Farah fitou o virginiano assustada.

- Admiro a sua persistência, mas é um pouco tarde. Privação do terceiro sentido: ta...

- Pare Shaka. – pediu num sussurro. – por favor, não suje suas mãos com ele. Eu não sei o que está fazendo, mas pare, por favor.

Ele a fitou sem entender.

- Ele destruiu sua vida!

- Ela já estava destruída desde a morte de minha família.

- Farah...

- Eu não entendo sua religião, mas não cometa esse ato.

- Se está dependente do ópio foi graças a ele! Se entrou nessa vida, foi por causa dele! Por que o defende? – vociferou, ele não entendia, não entendia porque ela não permitia que ele o matasse.

- Porque não quero que se suje por mim. – sentiu uma forte dor no peito, mas não transpareceu. – não quero que seja julgado por seu deus por causa de mim. Deixe-o ser preso e responder por seus atos.

- Queria ser como você. – disse com os olhos fixos no rapaz que se contorcia de dor. – está bem, farei como deseja.

Ela sorriu. Não queria trazer mais problemas a ele, já era muito, ele ter vindo atrás dela. Não de um homem como ele, não do seu "Gabriel". Fechou os olhos, estava cansada e tudo que queria era dormir.

Shaka olhou uma ultima vez para Ali, o afegão estava ajoelhado com o rosto pregado no chão. Voltou o olhar para Farah caminhando até ela.

- Farah. – ajoelhou em frente. – Farah.

Ela não respondeu.

- Farah. – chamou mais uma vez com um pouco de nervosismo. – Farah.

Nada. Ele tocou a face dela, estava gélida, pegou em seu pulso não o sentiu.

- Farah? – os olhos ficaram marejados.

- Está morta. – disse Ali fitando-os. – e você é o culpado.

Shaka o olhou estreitando o olhar.

- Se não tivesse aparecido há essas horas ela estaria viva. Eu teria dado ópio a ela e estaria viva.

- Você é o culpado. – cerrou o punho. – desde que surgiu na vida dela, só lhe trouxe sofrimento. – levantou, os cabelos dele tremulavam levemente. – eu não sou um santo e por isso não terei dó de te matar.

Shaka avançou num debilitado Ali. Apoderou-se do pescoço dele com toda fúria.

- Eu vou te matar.

- Ela está morta. – sorriu. – você a perdeu.

Ele apertou com mais força, estava com ódio. Ódio de Ali, ódio de Farah, ódio do mundo, ódio dele mesmo por ser tão fraco. Se aquilo tudo estava acontecendo ele era o culpado. Ele...

- Droga...droga...- as primeiras lagrimas rolavam. – droga...

- Me sol-ta... – Ali já estava ficando sem ar.

- Eu falhei... eu não a salvei... perdi a mulher que amo por causa desse orgulho idiota...Farah me desculpe... – apertava o pescoço mais forte. – a nossa noite... ela... foi perfeita...me desculpe. – abaixou o rosto entregando as lagrimas. – me desculpe... agora é tarde... e eu não pude falar o quanto eu amo você...

Mesmo de olhos fechados, as lagrimas rolaram, Farah ouvia tudo estarrecida. Não era possível que ele a amava. Não era possível que ele estava chorando por ela, que ele tinha achado a noite perfeita. Que tinha se apaixonado por ela.

- Shaka... – murmurou.

Ao escutar o nome, Shaka a fitou imediatamente, sem perceber soltou Ali que foi ao chão respirando ofegante.

- Farah...? – ajoelhou diante dela.

Aos poucos a afegã foi abrindo os olhos.

- É verdade? É verdade que não me odeia? Que não sou um encosto para você?

- Sim. Fui um idiota todo esse tempo, não percebi a mulher maravilhosa que você é. Se for possível pode me perdoar?

Shaka pegou nas mãos dela beijando-as.

- Eu te perdôo Shaka.

O virginiano sorriu.

- Vamos voltar para casa.

Ela que sorria parou.

- Eu não tenho salvação, estou muito doente, meu corpo não agüentara por mais tempo. Eu sinto muito, não poder viver com você. – soltou um gemido.

- Não vou deixar que morra, será salva.

Os dois estavam entretidos na conversa que nem notaram a movimentação lenta de Ali. O rapaz os olhava com um ódio terrível. Nenhum dos dois sobreviveriam, principalmente ele. Shaka nunca ficaria com a "sua" Farah. Mesmo sentindo uma dor terrível ele retirou algo do bolso, tirou a proteção revelando uma agulha finíssima. Ele sempre carregava aquela seringa por precaução, caso algo desse errado.

- "Vão para o inferno, os dois."

Reunindo forças, talvez do ódio que sentia, levantou cambaleante.

- Vai voltar comigo para Grécia e vou te salvar. – o virginiano com delicadeza a ajudou a levantar.

Farah arregalou os olhos ao ver Ali atrás do virginiano. Tamanho foi o seu pavor que nem conseguiu gritar. Shaka virou-se rapidamente, mas não a tempo de receber uma picada no braço, justamente onde não tinha proteção da armadura.

Ali se afastou, caindo sentado. Não ouviu o grito aterrorizado de Farah, mas a julgar pelo rosto dela...

- Já ouviu falar de Sarin? – sorriu. – é um veneno, uma boa arma. - Desde que entrara para um grupo terrorista andava com esse composto do bolso. Ele era extremamente letal e numa hora de emergência... – vai morrer em minutos. (n/a: Sarin, encontrado em estado liquido ou gasoso, altamente letal, atua no sistema nervoso central. Se não tratado a tempo ocasiona graves problemas de saúde levando ao óbito)

- Não...

Shaka caiu de joelhos, olhando para o braço acertado retirou a seringa, seu rosto estava banhado por suor, os músculos começaram a falhar e a respiração depreciar.

- Shaka... – Farah o amparou.

Os olhos custavam a ficar abertos.

- Farah... – virando o rosto, vomitou um liquido estranho, misturado a sangue.

- Por Alá... você precisa de um medico.

- Ele não precisa de nada. – Ali parou ao lado de Farah. – tenha uma boa morte.

O afegão a puxou pelo braço arrastando-a.

- Me solta! Me solta! Shaka! – rebatia. – me solta desgraçado!

O virginiano continuava de joelhos, sua visão já estava critica e sentia que estava perdendo a consciência, a respiração cada vez mais escassa.

- Idiota... não sabe com quem está lidando.

Eles não viram, mas o cosmo de Shaka queimava ao redor. Ali que a segurava sentiu uma forte descarga elétrica soltando-a na hora.

- Me perdoe Farah. – o virginiano olhou para o afegão. – privação de todos os sentidos.

Ali soltou um grito aterrorizador para depois cair inerte no chão.

- Vai passar o resto da sua vida na prisão como um vegetal. – sentiu os braços fraquejarem, mesmo usando o cosmo para parar o veneno ainda sentia seus efeitos.

Farah fitava o corpo inerte de Ali, tudo aquilo era horrível, não tinha idéia de como Shaka fizera aquilo, mas estava aliviada, o pesadelo havia acabado.

- Farah...

- Você está bem? – ajoelhou ao lado dele. – precisa de um medico, nem sei como está falando. Vem, eu te ajudo.

Shaka a fitou. Realmente ela era melhor do que ele, realmente ele precisava dela. Mesmo com todas as palavras duras, os atos horríveis ela estava ali preocupada com ele.

- Você que é a pessoa mais próxima de Deus. – disse.

- O que...? – não entendeu.

Shaka não quis explicar, tomou os lábios dela.

- Eu te amo. – sussurrou lhe no ouvido.

--Alexia--

Alexia tentava se soltar, mas o homem a puxava com força.

- Me solta! Me solta!

- Anda logo vadia!

- Me solta! – Nik tentou chutá-lo, mas foi em vão.

- Idiota! – a empurrou.

A garota foi ao chão.

- Eu vou te matar.

- Então mata! – o olhava desafiadora. – mata e acabe logo com isso.

- Cretina. – sacou a arma. – vadia.

Alexia piscou os olhos algumas vezes. No segundo anterior, seu algoz estava parado na sua frente, e agora não estava mais. Ergueu o olhar deparando com uma pessoa parada a sua frente. O brilho dourado era intenso, não sabia que tipo de roupa ele trajava, mas asas pareciam de um anjo. A pessoa virou, olhando-a para em seguida sorrir.

- Aio...los... – deixou uma lagrima escapar.

- Você está bem? – estendeu a mão a ela.

Ainda incrédula, ela aceitou.

- É você mesmo? – ele estava diferente naquela roupa.

- Sim.

- Aiolos... Aiolos... – o abraçou chorando.

- Está tudo bem agora. – a aconchegou nos braços.

- Que bom, que bom que está aqui.

Ela o fitou, vendo algo se mexer desviou o olhar assustando.

O homem estava em pé a poucos metros com a arma apontada.

- Aiolos!

Ele efetuou o disparo. Nik tentou empurrar o sagitariano, mas ele não se moveu, tudo que viu foi o homem ser acertado por alguma coisa e atingir a parede provocando um buraco.

- O que... – ela o olhou. – o que houve?

- Não importa. Está bem mesmo?

- Sim.

- Me perdoa? Fui rude com você. Te disse coisas...

- Shiii. – tampou a boca dele. – eu tenho um gênio difícil, sou falsa e manipuladora. Eu mereci tudo que eu fiz. A culpada sou eu. Eu sinto muito pelos problemas que lhe causei.

- Volta comigo para a Grécia?

- Quer que eu volte com você? – o olhou surpresa.

- Muito. Eu te amo Alexia e quero você ao meu lado. – sorriu. – claro se não se importar de ficar com um cara desajeitado.

- Um cara gentil, inteligente, carinhoso... o que mais uma garota desejaria?

Alexia aproximou beijando-o, Aiolos passou sua mão pela cintura dela trazendo-a para si.

--Birget--

Birget seguia arrastada. Estava sem forças e sentia uma forte dor no estomago.

- Ande sua lesma! Temos que sair daqui.

- Não consigo mais andar.

- Não quero saber! – a puxou. – ande!

Tentaram dá um passo, mas não se moveram.

- O que...

- Por que não consigo me mexer?

Ficaram ainda mais surpresos ao serem separados. Birget foi levada, suspensa no ar.

- O que?

- Como fez isso?? – o homem a olhava desnorteado.

E a garota apavorada. Foi deixada próximo uma parede, quando tentou dá dois passos, sentiu que batia em algo.

- O que? – encostou a mão no possível objeto. – o que é isso?

- Ficará protegida. – uma voz se fez presente.

- Co-mo?! – exclamaram os dois.

Arregalaram os olhos ao verem algo brilhando, ela aparecia e sumia e a cada movimento uma luz dourada resplandecia acompanhado de um som.

- Uma parede...? – Birget a tocou.

- É chamada parede de cristal, vai te proteger por enquanto.

- Não pode ser... – ficou atordoada. – essa voz...

Os dois olharam para onde ela vinha, sendo Birget totalmente incrédula. O homem que fez presente usava algo em tons dourados, algumas mechas lilases desciam pela frente e da altura do pescoço chifres.

- Mu?

Ele não disse nada parando na frente dela. Reparou que ela estava com vários machucados.

- Já volto.

Ela apenas concordou, atordoada demais, o olhar dele estava diferente, sempre fora gentil e agora...

- "Esses... chifres... onde os vi?"

O ariano deu meia volta, andando lentamente para perto do homem, que o fitava assustado. Mu dificilmente agia com violência, mas ao ver Birget naquele estado, toda a sua gentileza desaparecera.

Levantou a mão direita, tanto o homem quanto Ash ficaram sem entender o brilho dourado que saia dela.

- Serei rápido, não sentirá dor.

Formou-se um grande buraco na parede, o homem tinha desaparecido completamente.

Birget piscou os olhos algumas vezes.

- O que você fez? – deu um passo, mas a parede a impediu.

- Nada. – disse seco. - Está livre.

Como se numa mágica o objeto transparente sumiu. Birget estava livre.

- Como você está? – sua voz saiu doce.

- Bem... o que você fez?

- Na hora certa saberá. – tocou lhe no ombro. - Tem algum machucado?

- Não...

Sem que ela esperasse, Mu a carregou.

- Fiquei com medo de perdê-la.

- Se importa tanto assim comigo? – os olhos marejaram.

- Muito.

Sorrindo encostou a cabeça no peito dele, finalmente achara alguém que se importava com ela.

X.x.X.x.X.x.X

Quando Kamus saiu na companhia de Alais, Lay, Chiara, Angelina e Gabrielle já se encontravam.

- Graças a Deus. – Lay abraçou Ani.

- Estou tão feliz por vê-la.

A festa foi completada pela chegada de Birget, Hathor e Alexia.

- Hat! – Chiara pulou no pescoço da garota.

- Está tudo bem. – a abraçou. – e a Ariel?

- Ainda não saiu.

- Estou aqui.

A afegã chegava à companhia de Shaka, ambos estavam escorados um no outro.

- Você está bem? – as garotas aproximaram.

- Sim – sorriu. - e vocês?

- Inteiras. – disse Hathor.

- E as outras?

- Ainda não apareceram.

- Vamos esperá-las.

A garota seguiu com o virginiano, ajudou-o a sentar embaixo de uma arvore, ele ainda suava muito.

- Tem certeza que está bem?

- Tenho.

- Está tudo bem? – Mu aproximou.

- Está Mu. – disse Shaka. – não se preocupe. Quem ainda falta?

- Shion, Shura e MM.

X.x.X.x.X.x.X

--Camila--

Camila caminhava sem reclamar, não tinha mais animo para se rebater, sua única preocupação era com as meninas.

- Anda logo! – Abin a arrastou.

Ela por pouco não caiu.

- Solte-a.

Os dois pararam ao ouvir a voz. A garota reconheceu-a na hora, mas preferiu ignorar.

- Quem está aí?

- Já mandei solta-la.

- Apareça!

Do meio das sombras surgiu um homem, ele usava uma vestimenta dourada, os cabelos verdes desciam por entre dois chifres que saiam do pescoço. Sua expressão era austera, quase divina. Camila a principio deu um leve sorriso que desapareceu segundos depois;

- Quem é você?

Ele não respondeu, os olhos violetas estavam fixos na garota.

- Vou repetir só mais vez, solte-a.

- Vai me obrigar?

- O que está fazendo aqui? – indagou fria, seu olhar era de indiferença.

- Te levar de voltar para a Grécia. – disse seco.

- Eu não vou voltar, alias nem pedi sua ajuda.

Shion engoliu seco.

- Disse que não queria vê-lo nunca mais. Vá embora Shion.

- É melhor fazer o que a mocinha quer. – Abin sorriu com desdenho. – sua presença é desnecessária.

- Já mandei solta-la! – gritou estreitando o olhar.

Para a perplexidade do mestre, Camila escondeu atrás de Abin.

- Vá embora Shion! Eu não preciso de sua ajuda! Volte para seu mundinho, oh poderoso chefão.

A garota, deixando os dois surpresos, pegou o braço de Abin conduzindo-o para o outro lado.

O mestre olhava tudo estático.

- Camila!

Apressou o passo.

- Acho que ela se apaixonou por mim. – gritou Abin com um sorriso nos lábios. – o nosso encontro deve ter sido ótimo.

- Encontro?

- Eu e ela transamos.

Shion cerrou o pulso.

- Eu te mato desgraçado!

Tudo que Camila viu, foram as madeixas de Shion balançarem rapidamente, o punho cerrado brilhava em dourado. Só se deu conta de como as coisas aconteceram quando viu seu algoz sendo lançado longe e antes de bater na parede, desaparecer. Piscou os olhos algumas vezes na tentativa de entender o que tinha ocorrido.

- O que você fez...?

- O que ele merecia. – caminhava na direção dela. – está morto.

- Você o matou?

- Sim. Agora vamos embora. – pegou no braço dela puxando-a.

- Me solta! – se soltou, empurrando-o. – já disse que não pedi sua ajuda!

- Deixe de ser ingrata, seria morta.

- Antes fosse! Não falei que não queria vê-lo mais! Não sei por que veio! Volte para a Grécia e me deixe em paz!

- Não discuta comigo. – disse sério. – ou...

- Ou que?! – berrou. – vai me bater? Vai me estuprar como ele fez? Vai me matar?

Shion recuou.

- O que ele fez com você?

- O mesmo que você faria! Não é muito diferente dele, Shion.

- Não me compare!

- Comparo sim! Estou farta da sua arrogância, da sua petulância em achar que é melhor que todos, que sua palavra é lei. Com que direito retirou a vida dele? Com que direito expulsou Giovanni? Quem você pensa que é? Deus?

Ouvia calado.

- Acha só porque a garota lhe conferiu algum poder, pensa que é dono de tudo e de todos? Que pode falar o que bem quiser da pessoa? Você é tão mesquinho quanto esses bandidos aqui. Você é desprezível.

Shion sentia um ódio crescente, não dela, mas de si mesmo, pois tudo o que ela dizia era verdade. O fato de ser o grande mestre o cegara completamente, achava-se superior aos 87 cavaleiros, por ter enfrentado duas guerras santas, que era o melhor, no entanto... e não agiu diferente com ela.

- Camila. – tentou tocá-la.

- Não se aproxime! Não chegue perto de mim!

- Me escute.

- Não temos mais nada para conversar. Me esqueça!

- Eu preciso conversar com você. – puxou o braço dela.

- Me solta!

- Não até me escutar!

- Não estou falando? Acha que tem o poder sobre as pessoas.

Ele a soltou, passando a se olharem. Camila tentava permanecer indiferente, mas a aproximação dele a desnorteava, mesmo com o temperamento egoísta dele, não deixara de amá-lo. Shion não conseguia se mover, e a presença dela na sua frente só confirmava o que já tinha certeza: que sempre a amara. E que se não abandonasse seu lado orgulhoso a perderia para sempre. Não querendo perder talvez sua única chance, ajoelhou diante dela.

- Por favor, me escute.

- Nunca me ouviu por que eu deveria?

Engoliu a seco.

- Porque... minha vida depende disso. Prometo que não te procuro mais.

- Diga.

- Desde que foi levada para o santuário te tratei mal. Muito mal. Fui um carrasco com você.

- Ainda bem que admite.

- Pensava que uma pessoa como você, não merecia a não ser desprezo.

- Era isso que tinha para me dizer? – o cortou. – falou tudo.

- Eu não acabei. – aumentou a voz ao ser interrompido.

- Não temos mais nada para falar, tudo já fora dito. Por favor, me deixa em paz!

- Não sem o seu perdão.

- O que...?

- Sei que fui desprezível com você e as coisas horríveis que lhe disse... sei que não mereço seu perdão, mas eu não tenho paz. Minha consciência me tortura a todo minuto, o remorso me consome.

Camila que permanecia irredutível, mas diante das palavras dele compadeceu. Shion estava em prantos. E a julgar pelo temperamento orgulhoso dele sabia o quanto lhe era penoso reconhecer um erro.

- Me escute, por favor. Em nome do amor que tenho por você.

- "Amor?" – recuou surpresa.

- Sabe que sou extremamente orgulhoso e me submeter às ordens de Atena sem ser consultado foi como uma traição, ainda mais sabendo dos problemas que poderiam acontecer. Senti muita raiva, mas não poderia levantar a voz contra ela, então dirigi meu ódio todo a você.

- Eu senti seu ódio.

- Não poderia aceitar cuidar de... – hesitou.

- Fala. Já me jogou tantas vezes na cara, porque hesita agora? Cuidar de uma prostituta, de alguém que roda bolsa na beira da estrada. – tentou segurar as lagrimas ao maximo, mas ao se lembrar daquele dia... – cuidar de alguém que só abra e fecha as pernas...

A cada palavra dela sentia-se mal.

- Pois essa pessoa que roda a bolsa, tem coração, tem sonhos, tem desejos. É um ser humano... – limpou o rosto. – suas ofensas foram piores que ser forçada a fazer sexo, ou ser torturada. Isso pode ser esquecido, afinal esse tipo de cicatriz rapidamente some. Mas não a que você fez aqui. – colocou a mão no peito. – adeus Shion. – disse saindo.

Shion levantou desesperado, não queria acreditar que a perdera. Caiu de joelhos, vendo-a se afastar, o rosto estava banhado em lagrimas.

- Camila...tenha compaixão de mim... sei que fui um cafajeste, mas acredite em mim... pelo menos no meu amor por você. Quando te beijei na cozinha estava sendo sincero. Não sabe o pavor que senti quando a tirei daquele lago...medo que estivesse morta... sempre fui sozinho, todos me viam como alguém intocável e só aproximavam por medo ou interesse, você foi a única que me tratou como um homem e não como mestre do santuário.. – a voz dele era amargurada. – se a perder, não terei mais ninguém. Sei que não posso pedi-la que volte comigo, mas que pelo menos me perdoe.

Camila virada de costas não parava de chorar.

- Eu... eu... te amo.

A garota, o olhou surpresa. Ele continuava de joelhos com o rosto encostado no chão. Ela aproximou ajoelhando ao lado dele.

- Shion.

Ergueu o rosto fitando-a.

- Tudo o que disse é verdade?

- Sim...

- Vamos... esquecer tudo e recomeçar?

- Me perdoa então?

- Sim.

Chorou, mas desta vez lagrimas de felicidade. Ela o abraçou aconchegando-se no peito dele.

- Também te amo. Por mais que tentasse odiá-lo não consegui.

- Você... – a olhou surpreso.

- Eu amo você, general carrancudo. – sorriu. – muito.

--Ingrid--

Ingrid seguia arrastada, num dado momento sentiu a arma na cintura, o homem tinha parado e olhava fixamente para a frente. A garota acompanhou o olhar ficando estarrecida com o que via.

- Shu-ra...??

O capricorniano estava parado a frente deles. Ela o fitava confusa, a roupa que ele usava era estranha.

- Vou dizer apenas uma vez. Solte-a.

- Será apenas uma vez.

O homem disparou contra Shura, Annya ainda tentou segura-lo, mas o espanhol recebeu todos os tiros.

- Para! Shura! – gritou desesperada.

- Um idiota a menos.

Quando voltou o olhar ficou perplexo.

- Já acabou? – Shura sorria.

- Co-mo??... – o homem ficou perturbado. - ah... já entendi, essa coisa amarela que está usando é um colete a prova de balas.

Ingrid o fitou, aquilo não poderia ser um simples colete, tinha formas e o brilho era muito intenso, alem da capa alva que usava.

- Estou bem protegido. – ergueu o braço. – uma simples arma não pode fazer nada contra essa armadura. – abaixou o braço.

- "O que? Armadura?? – ficou alarmada. – a historia do livro...não pode ser que..."

- Hum armadura, belo nome, mas está parecendo um palhaço.

Quando o homem levantou o punho viu a arma se partir em duas.

- Co-mo?? – exclamaram os dois.

Antes que ele pudesse esboçar reação alguma, Shura surgiu ao lado dele.

- Giovanni vai me matar por isso.

Fez alguns movimentos com o braço abrindo um buraco na parede, pegou o rapaz jogando-o. Annya estava com os olhos arregalados.

- O que? O que você fez? Como você fez? O que é isso que está usando?

- Uma pergunta de cada vez. – sorriu. – como você está? – tocou no ombro dela.

- Bem... mas... Shura como...

- Graças a Zeus. – a abraçou com força. – tive tanto medo.

Deixou-se levar pelo toque dele, as perguntas poderiam ficar para depois o importante é que estava com ele.

--Hathor--

Sentia que estava andando, os membros porem continuavam dormentes e o frio insuportável. Abriu lentamente os olhos, piscando algumas vezes. Viu que um homem de longos cabelos azuis a carregava.

- "Kanon...?"

Fixou o olhar, não era Kanon, nem a cor do cabelo era igual.

- Estou vendo que já acordou, já pode caminhar. – o homem a soltou.

Hat foi ao chão, estava debilitada.

- Eu não consigo andar.

- Pois vai.

Ele a puxou pelo braço, arrastando-a. Hathor conseguiu dá uns passos, mas foi ao chão novamente.

- Anda logo sua vadia.

Hathor que estava de quatro, desviou o rosto. Piscou os olhos algumas vezes achando se tratar de alguma alucinação. Havia um par de botas douradas ao lado dela. Aos poucos foi erguendo o rosto...

- Kanon?

O geminiano estava parado de braços cruzados, olhando fixamente o rapaz, que tinha sido atingido, ele trajava a armadura do dragão marinho.

- Kanon? O que está fazendo aqui?

- O que todo súdito faz quando sua rainha é seqüestrada. – não a olhou.

- E quem te pediu ajuda?

- Não quer? – a olhou. – tudo bem. – deu meia volta. - Ate mais.

Hathor abaixou o rosto, por que o havia mandando embora? Já que tudo que queria era que ele aparecesse como ele fez?

Kanon estava saindo.

- "Droga..." – a egípcia derramou algumas lagrimas.

Pensou que tudo estava perdido, quando sentiu que era erguida do chão.

- Só saio daqui com você. Querendo ou não. – não a fitou.

Ela o olhou surpresa, sempre fora um grosso e a tratava pior que um animal, por que ele estava ali? Ainda por cima usando aquelas roupas estranhas.

- Por quê? Você me odeia.

- Eu não te odeio. – a olhou, reparou que ela trazia vários ferimentos, que o rosto estava mais pálido que o normal e que seu corpo estava frio. – o que aconteceu?

- Nada... – desviou o olhar.

- O que fez a ela? – indagou ao homem que estava escorado na parede.

- Cretino. – tirou a arma da cintura apontando para eles. – vão para o inferno.

Atirou.

- Kanon!

Ele deu um passo para lado. A bala passou direto.

- Co-mo?! – exclamaram os dois totalmente estarrecidos.

- Vai me contar. - disse olhando-o fixamente.

O homem deu um passo, mas parou. Seus olhos arregalaram.

Através do golpe "Satã Imperial", Kanon viu tudo que aconteceu com Hathor. A egípcia olhava para os dois sem entender. Ao final o homem soltou um terrível grito.

- Agora entendo porque está nesse estado. – a olhou. – fez tudo aquilo para defender a Chiara?

- Como... como sabe?

- Me desculpe pelas coisas que te disse. Agi feito um menino com você. Eu sinto muito.

- Por que está pedindo desculpas? Por que veio atrás de mim?

- Por que eu amo a rainha de Sabá. Desde a primeira vez que a vi.(n/a: para quem não sabe, a Rainha de Sabá foi uma soberana do reino de Sabá (atual Etiópia), cuja riqueza era incalculável. (Ver Wikipedia) Kanon a chama assim porque ela parece e tem hábitos de alguém da nobreza e uma forma de ironizar, rainha/prostituta)

Hathor o olhou surpresa.

- Me ama? Eu? Mas sempre me tratou mal.

- Por que tinha medo de não ser correspondido. Medo de tão ter o amor de uma simples prostituta. Fui um crápula me desculpe.

- Kanon...

- Seus malditos. – o homem levantou com o rosto aterrorizado. – seu demônio, feiticeiro, o que fez comigo.

- E salvamos a Terra por tipinhos como você. – deu um suspiro. – some.

Tudo que Hathor viu foi o cabelo de Kanon tremular, o homem sendo atingido por algo e a parede ruindo.

- Giovanni vai da "peti". – deu alguns passos colocando a garota no chão. – está sentido alguma coisa?

- Não... – o fitava assustada. – o que...

- Não tente entender.

Concordou, tudo aquilo era surreal, deveria ser por causa do frio que sentia, abraçou os braços na tentativa de se aquecer.

- Está com frio?

- Um pouco. – esfregava as mãos.

- Nesses casos não se pode aquecer rapidamente. – ele a abraçou, começando a liberar seu cosmo.

Hat sentia seu corpo aquecer, ao mesmo tempo que suas feridas saravam.

- "O que...?" – ficou sem compreender a luz dourada que envolvia tanto a si como a ele, e o calor que emanava do corpo.

- Pode me perdoar? – indagou no ouvido dela.

- Tudo bem. Passou.

- Prometo que não a deixarei mais sozinha. Não vai sofrer a ausência do seu irmão e da sua mãe.

Ficou surpresa.

- Terá uma família. – a olhou sorrindo. – você, eu, Chiara e meu irmão.

- Está falando serio? – ainda não acreditava.

Kanon a convenceu com um beijo apaixonado.

- Eu te amo. – sussurrou no ouvido dela.

--Hikari--

Hikari tinha ouvido a explosão, tinha certeza que era a Interpol e nessa confusão tinha que fugir de qualquer maneira. Puxava as mãos na tentativa de se livrar das algemas, mas tudo que conseguiu foi ferir ainda mais seu pulso.

A porta abriu de maneira brusca.

- Fabrizzio?

- Vamos. – ele aproximou retirou as algemas das mãos e dos pés.

- Para onde vai me levar?

- Um lugar longe, muito longe. Ninguém mais vai achá-la. Vamos.

- Não...

O italiano a segurou firme arrastando-a pelo corredor. Alcançaram uma sala fortemente vigiada e por uma porta falsa subiram uma escada. Hikari teve que fechar os olhos por causa da claridade em seus olhos, quando os abriu notou que estava sobre o castelo. Ali era um heliporto e um helicóptero estava parado. O lugar estava cheio de seguranças fortemente armados.

- Para onde vai me levar? – insistiu estava apavorada.

- Para uma cidadezinha no interior do Nepal, te disse, nunca mais será vista.

Hikari estremeceu, se ele realmente cumprisse nunca mais veria Giovanni.

- Senhor Romanelli, está tudo pronto. – um homem todo de negro aproximou.

- E as demais?

- Indo para Siracusa.

- Sim. Vamos.

- Não! – Hikari tentava se soltar. – eu não vou com você! Me solte!

- Calada! – Fabrizzio deu um tapa nela. – calada!

Caminhavam em direção ao helicóptero, porem...

...Houve uma grande explosão, as pessoas que estavam perto foram atingidas. Fabrizzio e Hikari foram ao chão. O que antes era um meio de transporte, não passava de sucata.

- Isso foi por ter batido nela.

Uma voz saiu do meio da fumaça e do fogo. Os homens correram para proteger o mafioso e com as armas em punho miraram na fumaça.

- Quem está aí? – indagou o italiano levantando e arrastando a japonesa junto dele.

- Esqueceu minha voz? Está ficando velho.

Hikari estremeceu.

- "Não pode ser..."

- Apareça maledito! – gritou o italiano.

A fumaça aos poucos foi desaparecendo, do meio do fogo uma figura vestido de dourado surgiu, seu rosto trazia um sorriso debochado.

- Ola Fabrizzio.

- Giovanni?! – disseram Hikari e Fabrizzio ao mesmo tempo.

- O único.

- Atirem! Atirem! Descarreguem toda munição nele! – berrou, mas sabia que não adiantaria, o sobrinho tinha um poder oculto e era imune a isso.

- Idiotas. – MM sorriu de maneira cruel.

A japonesa o fitou temerosa, ele iria ser morto, mesmo usando aquela coisa amarela, não adiantaria, seria morto. Queria ajudá-lo, mas não teve tempo, Fabrizzio a pegou pelo braço puxando-a, estavam fugindo.

As armas dispararam ao mesmo tempo, o barulho foi ensurdecedor.

- Giovanni!

- Vamos logo idiota, não temos tempo.

- Me solta! Ele vai morrer!

- Vaso ruim não quebra, ele não vai ser morto. – o rosto de Fabrizzio estava sombrio e preocupante.

Ela o fitava sem entender, como assim ele não vai ser morto?

Munido de quatro seguranças, o mafioso entrou pela escada secreta.

Os homens continuavam a atirar. Munido do seu melhor sorriso, o canceriano ergueu o braço direito, com o dedo indicador apontado para o alto.

- Adeus, Ondas do Inferno.

O mesmo terror que acontecera na entrada, acontecia ali. Os homens saíram correndo apavorados, muitos se jogaram lá de cima, outros acabaram caindo no Yomotsu.

- Eu adoro fazer isso. – sorriu. – de volta aos velhos tempos. – olhou o pátio que estava vazio. – vamos caçar um rato.

Hikari tentava se equilibrar na escada e por pouco não caiu. Os dois atravessaram a sala, alcançando um corredor.

- Vamos sair, pelo subterrâneo.

- Sim senhor.

Os quatro seguranças que seguiam na frente pararam.

- O que foi? – Fabrizzio indagou a um deles.

- Mascherina. – disse.

Voltaram o olhar para onde ele apontava. O canceriano estava parado do outro lado do corredor.

- Que desfeita. Vim lá da Grécia para visitá-lo e vai saindo de fininho?

- O que você quer? Que eu saiba, não tem mais vinculo. Qual o seu interesse?

- Nenhum. – ele olhou para Hikari que estava atrás do tio.

A garota o olhava surpresa, ele estava diferente ainda mais com aquela roupa esquisita.

- Vim para me divertir.

- Vejo que ainda usa essa roupa estranha. Giancarlo fez sua cabeça.

- O titio fez muito por mim. Pena que ele morreu jovem.

- Os vasos ruins da família continuam. – sorriam. – você, seu pai e eu.

- "Como? – Hikari o olhou. – então Fabrizzio era parente dele, mas se não era pai era..."

- É uma pena que não está mais no ramo, seria um bom sucessor.

- Me cansei disso tio. – ironizou. – tenho obrigações mais nobres.

- "Tio?? Eles eram sobrinho e tio? Eu dormi com os dois?"

- Não gosto de intrusos. – apontou o indicador para os seguranças. – vamos resolver tudo em família.

Quatro feixes luz saíram do dedo dele acertando no peito os quatro homens. Hikari ficou perplexa.

- Você tem pacto com o diabo. – disse Fabrizzio sombrio. – não é um ser humano.

- E digamos que já fui ao inferno. Já dei algumas voltas por lá. – sorriu. – serei rápido. Solte-a. – seu rosto ficou grave.

- Você não viria atrás de mim por nada. – deu um largo sorriso. – a garota te interessa.

- Solte-a Fabrizzio, não me obrigue a matá-lo.

- Por que tanto interesse na japonesa? – ele puxou Hikari para si. – ela é minha amante, há alguns anos.

O canceriano estreitou o olhar.

- Como?

- Luna é a minha boneca de luxo, desde os tempos que ela morava aqui na Itália.

MM a olhou imediatamente.

- Isso é verdade?

- Sim. Assim que cheguei à Itália fui levada a ele, tudo permaneceu igual mesmo eu estando em Vilnius.

- Safadinha. – brincou Fabrizzio. – dava para mim e para ele. Tudo em família... já entendi. Queria dá o golpe. Sairia no lucro se fosse o tio ou o sobrinho.

- Eu não sabia que eram parentes! – gritou.

- Que diferença isso faz. – o italiano mais velho deu nos ombro. – não passa de uma prostituta e seu plano iria falhar.

- Solte-a.

- Ela já foi usada por mim, muito bem usada.

O canceriano estreitou o olhar, ainda estava relutante em matar o tio, por causa do pai, mas não sabia ate quando iria agüentar.

- Não me faça matá-lo. Solte-a.

- Está hesitando em me matar? Está tendo preocupação para com os parentes? Está sendo covarde igual seu pai.

- Estou avisando... – cerrou o punho.

- Para ficar nervosinho assim é porque se importa muito com ela não é? Não me diga que está apaixonado? O grande Mascara da Morte apaixonado por uma meretriz! O líder da maior máfia do mundo está apaixonado por uma prostituta de beira de estrada.

Hikari ouvia tudo estarrecida, olhou para o canceriano, só poderia ser provocação de Fabrizzio. E por mais que ele fosse forte e usasse os "tais poderes", o mafioso poderia matá-lo.

- Não aceite a provocação Giovanni.

- Que decepcionante... sua mãe deve está revirando na tumba. O filho queridinho dela está atrás de uma vadia.

- Não coloque minha mãe no meio!

- Não vou colocá-la no meio. Vou deixar que as duas conversem no outro mundo.

Fabrizzio sacou a arma apontando para a cintura de Hikari.

- Pensei em continuar fazendo-a de amante, mas tirá-la de você será mais divertido. Vai perdê-la como seu pai perdeu sua mãe. – sorriu de forma cruel.

- Não se atreva. – o cosmo dele estava inflado.

Ele atirou, Hikari fitava o italiano aterrorizada, aos poucos foi escorrendo até cair sentada, colocou a mão na cintura e olhando-a viu sangue.

- Fim da linha Hikari.

Quando voltou o olhar, Fabrizzio ficou com medo. Não estava no castelo e sim numa montanha. Um vento frio soprava de maneira cortante. Olhando ao redor viu uma fila formada por gente morta.

- O que...

Não teve tempo de completar a frase, MM o pegou pelos cabelos arrastando-o.

- Me solte! Me solte!

- Disse que eu tenho pacto com o diabo, vou te levar até ele.

- O que...

Hikari que continuava sentada olhava ao redor, aquilo só poderia ser alucinação, parecia que estava na porta do inferno, havia varias almas e o cenário era horroroso. Estava com medo, muito medo. Fitou o canceriano. O que era ele? Realmente ele tinha pacto com o demônio? Ele sempre tivera um olhar maldoso, mas agora estava sádico.

MM parou na beirada do Yomotsu, erguendo o tio. Este, ao olhar para baixo viu um enorme buraco sob si.

- Acho que é meu pai que vai assumir os negócios.

- Não!

- Dê lembranças a todos que já matei.

O soltou, Fabrizzio caiu.

As imagens sumiram, não estava mais naquele lugar mórbido e sim no corredor.

- Você está bem?

Hikari ergueu o olhar e assustada se afastou.

- O que você fez? Cadê o Fabrizzio? Que lugar era aquele? O que está vestindo?

- Está parecendo a Ingrid. – tocou na cintura dela, o ferimento tinha sido de raspão.

- Não toque em mim. – se afastou. – não me toque.

- O que deu em você? Me deu trabalho achá-la.

Ela não disse nada.

- Está com medo de mim? – começou a rir. – só você mesmo. Vamos embora, senhorita encrenca. – mesmo com os protestos a pegou no colo. – Hikari dá para parar?

- Me solta! Me solta!

MM a beijou. A garota aos poucos foi cedendo.

- Desculpe se a assustei. – disse no ouvido dela.

- Giovanni... – os olhos marejaram.

- Está tudo bem agora. Acabou. – a abraçou.

X.x.X.x.X.x.X

A investida tinha saído vitoriosa, aos poucos os últimos três pares chegaram. As treze ao se virem abraçaram e choraram sobre os olhares atentos dos dourados que pararam ao lado um do outro.

- Que tal irmos embora? Não gostei desse lugar. – disse Shura. – é sinistro.

- Sinistro é sua mãe. – disse MM. – respeite a morada dos outros, já brinquei muito aqui.

- Veja como fala da minha mãe!

- Não vão brigar agora. – disse Dohko entrando no meio.

- Não se meta! – disseram os dois.

- E por que o castelo está cheio de buracos?! Eu não mandei tomarem cuidado!!

- Não deu. – disse Mu.

- Não deu?! – MM faltava enfartar. – lutaram contra homens normais, não com os espectros!

Logo a briga generalizou, as meninas que conversavam pararam para ver o bate boca. Ingrid olhava Shura receber um pedala de Miro. Olhava atentamente... atentamente até demais...

- "A roupa deles... – arregalou os olhos. - ... Shura falou armadura...não pode ser... o livro... – contou-os, estavam em treze. – Kanon e Saga são gêmeos...doze signos, doze guardiões...homens que usam cosmo energia... sobre a regência de Atena..." Cavaleiros de Atena...?

Silencio. Olharam entre si assustados, na certa tinham ouvido muito.

- Shura, o livro. Ele conta a história da deusa Atena não é?

- Que livro? – Shion o olhou na hora.

- É mesmo.. que livro? – Shura fez de desentendido, queria sumir.

- O livro que você...

O capricorniano correu a tempo de tampar a boca dela.

- Livro.. – riu. – Ingrid está traumatizada.

- Emprestou o meu livro a ela? – berrou o aquariano, agora tudo fazia sentindo.

- Que livro? – indagaram Shaka e Saga.

- O que conta a história do santuário. Desde a ultima guerra até a ultima.

- Co-mo?! – Shion ficou vermelho.

- Shura me pediu esse livro emprestado, pensei que fosse para ele.

Todos olharam para o capricorniano.

- Eu não sabia o conteúdo... – abaixou o rosto.

- Então me enganou? – Annya o olhava torto. – só queria me fazer ficar calada.

- Não! Nada disso é que...

- De que maldito livro estão falando? – indagou Hathor.

- Que fala a historia dos cavaleiros de Atena, doze valorosos guerreiros que lutam pela justiça. A nossas casas são templos do zodíaco de Áries a Peixes. Estou certa?

Shura bateu com a mão na testa, o grande mestre jamais o perdoaria.

- Sou um homem morto...

- É mesmo Shura de Capricórnio! – vociferou o mestre. – quando Atena souber disso, vai para o cabo Shunion!

- É a prisão que fica perto do antigo palácio do Poseidon. – disse a garota complicando ainda mais a vida de seu guardião.

- Ingrid fique calada, por favor.

- Do que estão falando? – Chiara os olhava sem entender.

- Nada não Chiara. É melhor irmos embora. – disse Saga, puxando a fila.

O reforço que Klaus enviara, havia chegado. Foram transportados até Siracusa de onde tomaram um jatinho rumo a Grécia. Cada garota sentou ao lado de seu dourado e a viagem seguiu silenciosa. Elas ainda estavam meio assustadas devido aos dias confinados e mais ainda por vê-los usando roupas esquisitas.

Pouco tempo depois desembarcavam no aeroporto do santuário. Ingrid que tinha lido o livro, olhava as construções com outros olhos.

Decidiram que descansariam e depois iriam ter com Atena.

-- Casa de Áries--

Mu que carregava Birget a deitou no sofá.

- Confortável?

- Sim.

- Que bom. – sorriu, tirando a armadura, restando suas roupas tradicionais.

Birget o fitou, tudo deveria ser um sonho, passar o que passou e voltar para aquela casa, tão acolhedora.

- Obrigada.

A olhou sem entender.

- Por se preocupar comigo, por ter ido me buscar. Sempre fui meio sozinha e você... – derramou umas lagrimas. – obrigada por me acolher. – o abraçou chorando. – prometo que vou me esforçar e largar as drogas.

- Vai ficar tudo bem.

- Eu te amo Mu, muito.

- Vamos ficar juntos.

Ela o olhou.

- Vamos?

- Vai morar aqui. Vou cuidar de você.

Ela sorriu.

- Por enquanto, precisa descansar. – a pegou no colo e entrando pela casa a deixou na porta do banheiro. – quando terminar me avise, vou trazer roupas limpas.

- Sim.

Entrou, mas quando ia fechar a porta...

- Mu.

- Sim?

- Não quer tomar banho comigo? – sorriu de maneira duvidosa.

O ariano corou.

- Fica lindo todo vermelhinho. Só falei para vê-lo assim.

- Achei que estivesse me convidando mesmo.

Ficou surpresa. Afastou um pouco deixando-o entrar. Não disseram nada.

Mu a ajudou a tirar a roupa, havia algumas cicatrizes nos braços e pernas.

- Está doendo?

- Não...

- A água morna vai te fazer bem. – ligou o chuveiro.

Birget entrou sentindo o jato quente aliviar as dores. Mu estava parado na porta do box, tentava não pensar besteiras quando recebeu um "pequeno" banho, ela jogara água nele.

- Não vale. – fechou a cara.

- Precisa relaxar. – formou uma concha com as mãos jogando água nele.

- Birget. – repetiu o gesto dela.

Logo começaram a brincar e em segundos parecia que ele é que estava no banho.

- Estou todo molhado.

- Entra de uma vez!

A norueguesa o puxou para debaixo do jato.

- Agora sim. – sorriu.

O ariano a fitava de maneira intensa, aos poucos foi aproximando colando seus lábios nos dela. Birget deixou-se envolver aprofundando o beijo, sentiu o frio do azulejo nas costas, mas não se importou, o toque do ariano era quente. Mu aumentou as caricias fazendo-a suspirar. Mesmo com as roupas pregadas a garota conseguiu retira-las revelando o dorso e outras partes. Ele ate pensou em levá-la para o quarto, mas o desejo era maior...

...Birget soltou um pequeno gemido de prazer ao senti-lo dentro de si. Segurou-lhe pela nuca beijando-o. O único desejo que tinha, havia se realizado. Amava e era amada.

--Casa de Touro--

Camila entrava calmamente em casa. Estava cansada e nada que um bom banho não resolveria.

- Meu quarto é o mesmo?

- Sim.

A garota rumou para lá, parando na porta estática.

- Mas...

Sua bagagem estava toda lá e sobre a cama os livros de química e as partituras da mãe.

- Como...

- Eu guardei. – Shion chegou na porta. – estava na outra casa e eu as trouxe para cá.

- Guardou tudo?

- Sim, mas é melhor não desmanchar a mala, nós vamos mudar. – disse saindo.

- Mudar?

- É. – respondeu já do corredor. – para algumas casas a cima. Vá tomar seu banho.

Camila ficou sem entender. Como assim mudar? Para onde?

- Ele não esta no seu normal.

Pegou uma roupa limpa seguindo para o banheiro. Ficou por um longo tempo e só não foi para o quarto direto, pois sentiu cheiro de comida.

- "Só agora vejo o quanto estava com fome."

Rumou para a cozinha, na porta piscou algumas vezes não acreditando no que via: Shion estava cozinhando.

- "Isso não se vê todo dia." O que está fazendo?

- Surpresa. Vem, senta.

O mestre a conduziu ate a mesa.

- Deve está com fome e eu fiz algo para você.

- Está com febre? – colocou a mão na testa dele.

- Não. Por quê?

- Está bonzinho demais.

- Sempre fui assim. – fechou a cara.

- Eu é que sei. – sorriu. – o que preparou?

- Vou buscar.

Segundos depois Shion colocava algo a mesa. Camila olhava o prato tentando interpretar o que era.

- Coma tudo.

- O que é isso...?

- Estrogonofe. – disse todo orgulhoso.

- Está parecendo mais uma gororoba.

- Não reclama! Coma logo! – ficou nervoso.

- Isso vai me matar.

- Camila!

- Você disse que não sabia cozinhar, como quer que eu coma isso.

- Deu um trabalhão fazer! Fora que me queimei! Não sabe o perigo dessa coisa. – apontou para o fogão.

Suspirou entediada.

- Para onde vamos mudar tem cozinheira?

- Tem, mas ela não é boa.

- Claro, não atende os padrões Shion de exigência, - suspirou. – vai sobrar para mim. – pegou uma colher, tinha que comer, afinal estava com fome.

Pegou uma porção levando a boca, os olhos brilharam.

- "Não pode ser... – pegou mais um pouco e mais um pouco. – isso está ótimo!"

- Dá para engolir?

- É dá... – fez cara de pouco caso, mas por dentro... – "ele nem deve ter provado, ele nem deve saber que cozinha bem! É melhor nem contar, se não o ego vai lá em cima. – sorriu. – isso está bom demais!"

Rapidamente ela limpou o prato.

- Gostou, hein? – deu um sorriso vitorioso.

- Uma pessoa com fome, come qualquer coisa.

- Estava tão ruim assim...?

Ela o olhou, a cara que ele fez era de dá dó.

- Estava razoável, - o abraçou. – obrigada.

Shion a pegou pela cintura erguendo-a.

- Obrigado por ter me perdoado. – beijou-lhe.

--Casa de Gêmeos--

Kanon segurando Hathor nos braços passou direto levando-a para seu quarto. De forma delicada a deitou na cama.

- Como se sente?

- Melhor.

- Precisa ver um medico.

- Estou bem Kanon, nada que um bom descanso não resolva.

- Vai parar de tomar aquelas porcarias?

Ficou calada.

- Hathor...

- Vou pensar.

- Descanse, mas tarde te chamo.

- Sim.

Ele estava saindo...

- Kanon.

- Sim?

Ela pediu que ele voltasse. Sentou na cama ao lado dela.

- Tudo que me disse é verdade?

- Depende do que.

- Que me... – abaixou o rosto.

- Que eu te amo? É verdade.

Deu um sorriso tímido.

- Não se preocupe com nada. – beijou lhe a fronte. – descanse.

No quarto ao lado, Saga ajudava Chiara a se deitar.

- Está tudo bem mesmo?

- Está Saga.

- Se precisar de mim, grite.

- Ta. – sorriu. – te chamo.

- Estarei na sala.

- Saga.

- O que foi? – voltou depressa achando que algo a incomodava. – o que foi?

Surpreendendo-o Chiara o enlaçou beijando-o de maneira terna.

- Obrigada.

Ele não disse nada, apenas lhe sorriu.

-- Casa de Câncer--

Hikari deitou no sofá.

- Nada que um bom banho não sare.

Mal acabou de falar, MM a carregou em direção ao quarto dele. Com extrema delicadeza a deitou na cama.

- Já volto.

Entrou para o banheiro, voltando minutos depois. Ajoelhou ao lado da cama e sem cerimônia começou a abrir a blusa da japonesa.

- O que pensa que esta fazendo?! – puxou a blusa.

- Tirando sua roupa. – disse simplesmente.

- O que?!

- Não reclama.

Depois de despi-la, a carregou rumo ao banheiro.

- Você tem uma banheira?

- Tenho.

- E nem me falou.

- Não era de confiança.

Fechou a cara. Ele não se importou, com cuidado a colocou. A água estava morna.

- Vai se sentir melhor.

Balançou a cabeça concordando. O fitou, ele ainda usava aquele "troço" amarelo e pelo que pode perceber era de metal e parecia ser pesado. O que achou ser uma mascara veneziana encaixara perfeitamente nele.

- Por que está me olhando assim?

- Nada... – abaixou o rosto.

- Aishiteru.

- Como? – o olhou imediatamente.

- Aishiteru. Já sei o que significa e também sinto por você.

Ficou surpresa. MM aproximou um pouco mais colando sua testa a dela.

- Por um momento pensei que ia te perder... procure não se afastar mais de mim. Promete?

- Sim...

MM tomou lhe os lábios.

-- Casa de Leão--

Aioria deitou Íris na cama.

- Pena que eu não tenho uma banheira.

- Não tem importância, Oria. Estou feliz por está aqui.

- Fiquei muito preocupado com você. – a abraçou.

- Tem certeza que não se importa? – abaixou o rosto.

- Com o que?

- Fui estuprada. – escondeu o rosto nas mãos.

- Íris... – ergueu seu queixo de forma carinhosa. – o que eu sinto por você não mudou em nada. Nada.

- Sério?

- Sim. Agora descanse. – a cobriu. – quando for a hora te chamo.

--Casa de Virgem--

Shaka ajudou a afegã a deitar na cama.

- Obrigada.

Era estranho, depois de tudo que aconteceu voltar àquele quarto, onde aconteceram tantas coisas.

- Shaka...

- Sim.

- Isso é seu. – tirou o rosário. – desculpe tê-lo pego.

- Fique. – sentou ao lado dela.

- Mas é seu.

- Foi meu, - acariciou o rosto dela. - de agora em diante é seu.

Shaka pegou o objeto colocando-o no pescoço dela.

- Não é uma peça de família?

- Não exatamente. Não se preocupe. – sorriu.

Farah abaixou o rosto, ainda não acreditava que estava viva depois de tudo que aconteceu. De repente veio em sua mente o dia da morte de sua família, em seguida todo seu passado parecia ressurgir. O tempo que ficou aprisionada por Ali, a vida no Irã com o primo, a vida em Vilnius. Derramou algumas lagrimas.

- Shaka... Shaka... – tudo viera de repente e a muito retia o pranto. – Shaka... – ela o abraçou chorando.

- Tudo vai ficar bem. – aconchegou nos braços.

--

Continua...

As meninas foram salvas e finalmente podem desfrutar de uma relativa paz, mas o julgamento estava marcado e grandes surpresas as aguardavam, mas antes... qual será a reação delas quando souberem que seus homens são gloriosos guerreiros? A resposta no próximo capitulo.