CAPÍTULO 37
NARRADO POR DRACO MALFOY
Já fazia quase um mês desde que eu tinha voltado a trabalhar. Inicialmente, parecia que eu e Harry tínhamos uma vida tranquila, cheia de bons momentos com nossos amigos e de incríveis momentos a dois. Mas com o passar dos dias ele foi se mostrando cada vez mais incomodado.
Harry tinha sido convidado a retornar aos aurores e eu o tinha incentivado, afinal com as novas políticas, eles pareciam estar começando a se aproximar mais do que Harry sempre tinha esperado da profissão. Mas ele tinha sido categórico em sua negativa. Então eu tinha sugerido que ele pensasse em outra coisa que pudesse fazer, algum outro trabalho de que gostasse, que o fizesse feliz; mas Harry tinha me dado uma resposta evasiva, dizendo que ainda estava pensando em suas alternativas.
Eu sabia com o que ele estava atormentado: Philip não tinha sido pego. Um mês e meio desde e batalha contra os Purificadores e nem sinal dele.
Eu tinha dito a Harry para esquecer. Que aquele garoto tinha percebido que estava sendo procurado em dois países e para não passar o resto da vida em Azkaban por traição, tortura e tentativa de assassinato, era muito provável que ele já tivesse bem longe. Mas Harry insistia que não. Tínhamos chegado a discutir algumas vezes por causa disso. Se Philip não aparecesse nunca, ele ia passar a vida em função disso? Não faria mais nada? Iriamos ficar pra sempre sob a sombra daquele fantasma?
Então, naquele dia, quando estava no trabalho eu vi uma coisa se mexer. Uma coisa que não deveria se mover em nenhuma hipótese. Era um livro muito grosso para se mover sozinho, alguém precisaria ter encostado nele. Passei as horas seguintes muito atento a pequenos sons que não deveriam estar ali, pequenos movimentos.
E ao final do dia eu estava convencido: Harry estava me seguindo sob a capa da invisibilidade.
Ele já tinha feito isso antes, no passado, quando eu estava sendo ameaçado por Mehothewn; era assim que ele tinha me salvado de um ataque. Eu também sabia que ele não estava ficando em casa durante o dia, porque Kim (nas tardes livres) e os Elfos não se encontravam com ele; mas ele me dissera que estava procurando pistas da localização de Philip, o que tinha me aborrecido e nosso assunto tinha se encerrado ali.
Mas eu deveria saber... ele não estaria procurando Philip enquanto eu estava indo todos os dias trabalhar tranquilamente sem qualquer proteção. Ele estava me vigiando. E estava fazendo aquilo pelas minhas costas, porque sabia que eu não concordava. Eu estava louco para chegar em casa e confrontá-lo, assim que ele tirasse a capa fingindo vir de algum lugar.
Mas minha vontade de incomodá-lo era maior, saí dali e não fui pra casa, como combinado. O fiz me seguir com aquela porcaria de capa por uma infinidade de lojas, comprando várias peças de roupas, chegando em casa já perto de 20:30. Quando abri a porta da Mansão Malfoy, no entanto, quatro pessoas estavam sentadas desconfortavelmente na sala de estar: Neville, Marcus, Kim e Jorge.
Droga, eu tinha me esquecido que havia convidado Neville e Marcus para jantar. Estava atrasado. Me adiantei para cumprimenta-los.
- Me desculpem pelo atraso, tive um problema no trabalho. – eu disse.
- Eles chegaram há 15 minutos, e nem você nem Harry estavam em casa. – Jorge Weasley me olhava acusadoramente, como se quisesse me esgoelar por obriga-lo a fazer sala para Marcus.
- Esperamos um pouco, mas eu e Jorge já estávamos de saída. – Kim comentou. Ele tinha combinado de sair com o namorado justamente pra não se encontrar com o ex, eu lhe devia um monte de desculpas. – Fizemos uma reserva em um restaurante... se demorarmos mais iremos perde-la.
- Claro, podem ir, me desculpe atrapalhar a programação de vocês. – eu disse, cordialmente, antes de me virar para meus convidados. – Aceitam uma bebida? Tenho certeza que Harry já deve estar chegando.
Como em um passe de mágica, Harry entrou em casa dois segundos depois, me irritando profundamente com aquele teatro. Ele cumprimentou Neville e Marcus e se sentou ao meu lado. Ficamos um bom tempo conversando amenidades. Fingi que tudo estava bem, não ia discutir na frente dos outros. Se Harry podia mentir, eu também podia, e melhor. Eu tinha crescido na sonserina, com certeza podia jogar aquele jogo.
Depois do jantar, que tinha tudo pra ser muito agradável em outras circunstâncias, Marcus me pediu para ir com ele até a Biblioteca ver alguns livros de poções antigos, dos meus antepassados, que ele queria emprestado pra usar em suas pesquisas. Nós deixamos Harry com Neville na sala de jantar, e fomos para a Biblioteca. Enquanto eu procurava os livros e empilhava para entregar a ele, perguntei:
- Tem algo que você queira me dizer em particular?
Devia ter alguma razão para ele ter me chamado ali no meio de um jantar.
- Na verdade tem. – ele falou, me olhando. – É Neville... sabe... eu gosto dele demais. Mas muitas vezes acho que ele me esconde coisas.
Talvez fosse um mal de grifinórios.
- Em relação a que? A vida dele? – eu perguntei, me identificando. – Você acha que ele mente? Que te diz que vai fazer uma coisa, ou ir a algum lugar e vai a outro?
- Não! Nada nesse sentido. – Marcus exclamou. – Acho que temos uma relação de muita confiança quanto a isso, até eu me sinto à vontade pra falar do meu passado, dos meus defeitos com ele. Ele também se abre comigo, fala dos pais, da vida que teve com a avó, do trabalho dele em Hogwarts. É mais em relação a sexualidade... é como se ele tivesse um bloqueio para falar desse assunto.
- Achei que você tinha me dito que tinha acontecido uma boa conversa no início. Sobre limites, ser passivo e ativo... – eu comentei, franzindo a testa.
- Foi uma boa conversa. – Marcus assentiu. – Mas depois daquilo nunca mais falamos a respeito. Eu disse que saberia esperar o tempo dele... e eu não estava mentindo. Mas parece que ele não me dá abertura pra falar de outras possibilidades...
- Outras possibilidades é você voltar a ser ativo algumas vezes. – eu resumi. – E fazer algumas das coisas BDSM de que gosta.
Marcus me olhou, parecendo se sentir culpado.
- Olha, sim, eu gostaria de voltar a ser ativo algumas vezes. E há algumas coisas BDSM que eu gostaria de fazer, como uma brincadeira. Sei que com ele não rolaria essa questão de dominação mesmo, olhar pra baixo, chamar de senhor, obedecer e tal. – ele falou. – E eu nem desejo isso dele.
- E se ele nunca quiser as coisas que você quer? – eu perguntei.
- Eu vou abrir mão de tudo por ele, Draco. Mas queria que ele fosse sincero comigo. – ele falou, preocupado. – Até porque não é só isso. Ultimamente, as vezes, depois do sexo ele parece chateado...eu pergunto o que houve, mas parece que ele não consegue conversar comigo.
- Qual é o seu receio? – eu quis saber. – Do que você desconfia?
- Penso que talvez ele esteja se arrependendo de ficar comigo. – Marcus falou, parecendo perdido. – E se ele tiver concluindo que gosta mesmo é de mulher? Que isso foi um erro?
- Você acha que existe essa possibilidade? – eu questionei, ponderando sobre a hipótese. – Ele me parece gostar tanto de você...
- Eu não posso afirmar que ele gosta de mulher. O que eu sei é que já estou praticamente transando como uma. – Marcus falou, com aflição. – Nem peço mais pra ele me chupar... só transo de costas pra ele nem olhar pro meu pau... e nem sei se isso está sendo o suficiente.
- Marcus, você não acha que está meio paranoico? – eu falei, trazendo-o pra realidade. – Você é um homem enorme, não tem traços finos. Você não tem jeito afeminado... não é nem mesmo delicado. Eu parado do seu lado eu pareço uma Veela. Acho que quando Neville Longbottom resolveu namorar você sabia muito bem onde estava se metendo.
- De uma semana pra cá, nem consigo mais gozar, Draco. – ele confessou. – Estou obcecado com esses pensamentos.
- Você precisa conversar com Neville. – eu disse. – Ele querendo falar sobre isso ou não. Não dá pra continuar assim, Marcus...
Marcus me olhou sem saber o que dizer, apenas concordou com a cabeça. Eu terminei de empilhar os livros em suas mãos e nós saímos da biblioteca, quando chegamos perto da sala de jantar, escutamos Neville e Harry conversando. Assim que Marcus escutou Neville dizer seu nome, ele me puxou de modo abrupto, forçando-me a ficar parado para ouvir, sem entrar no cômodo. Normalmente eu me oporia a ouvir escondido, mas Marcus estava desesperado, e Harry bem que estava merecendo. Então me calei.
- Definitivamente não o estou satisfazendo... Marcus nem tem mais orgasmos. Ele fica escondendo o pênis para que eu não veja, mas eu sei. – Era a voz de Neville, irritada e constrangida. – Desculpe estar te dizendo isso Harry... mas diante das circunstâncias você é o único amigo com quem eu me sinto à vontade pra falar sobre esse assunto.
- Eu entendo. Eu também namoro um homem, isso te deixa mais confortável pra conversar comigo. – Harry falou, oferendo apoio. – Você já tentou falar com ele sobre esse assunto?
- Eu não consigo, Harry. Eu travo. Me sinto um idiota, mas eu simplesmente travo. Eu penso um monte de coisas, mas na hora de falar elas não saem. Ele chega até a me perguntar o que há comigo, mas eu não consigo responder. – Neville estava muito insatisfeito consigo mesmo. – Marcus foi muito compreensivo comigo desde o início. Disse que ia esperar meu tempo para a gente experimentar coisas novas. Mas como vamos fazer isso se eu não consigo falar sobre o assunto?
- Você quer experimentar com ele? – Harry perguntou. – Até essas coisas da submissão?
- Não sou submisso, também não acho que seja um dominador. – Neville ponderou. – Mas eu gostaria de experimentar algumas coisas... fantasias sexuais sabe? Dele e minhas também. Existem coisas que eu imagino fazer com ele... mesmo não tendo experiência com homens. O fato é que eu morro de tesão nele, e não sou um eunuco.
Quando olhei pra Marcus, meu amigo exibia um sorriso de orelha a orelha. Me permiti sorrir também, ficando feliz por ele.
- Eu entendo. E você está sendo sempre ativo? – Harry perguntou.
- Essa é outra questão. – Neville falou. – Sim estou sendo sempre ativo, e ele obviamente não quer isso. E na verdade nem eu... eu gostei de ser passivo Harry... eu só fiquei apavorado.
- Com o que? Com a dor? – Harry perguntou. – Você sabe que com o tempo isso melhora não é?
- Não é a dor. – Neville explicou. – Naquele dia me apavorei de gostar de ter ele me tomando, de me sentir como se eu fosse dele. Me assustei por ter me sentido tão dominado... como se ele tivesse o poder de conseguir tudo de mim.
- Você acha que sentiu medo disso por ele ter sido um dominador nas relações anteriores? – eu perguntei. – Ou acha que se sentiria assim com qualquer pessoa?
- Não sei, acho que a segunda opção. – ele respondeu. – Você nunca se sentiu assim com Draco?
Nesse momento, eu e Marcus já tínhamos os ouvidos colados na parede, quase não respirávamos, completamente atentos a conversa. Marcus estava evidentemente preocupado com as coisas que ouvia.
- Sim... mas não me assusta me sentir assim. – Harry explicou. – Eu gosto.
- Você acha que seria diferente se você fosse ativo também? – Neville perguntou.
- Eu não sei. Nunca pensei nisso. – ele respondeu. – Minha relação é diferente da sua.
- Por que? Marcus e Draco não são dois dominadores? – Neville contrapôs. – Eles não gostam das mesmas coisas?
- Bom, sim, mas quando Marcus começou a namorar você, parece que ele se transformou. Ele se dispôs a abrir mão do BDSM, a ser passivo por você. – Harry refletiu. – No meu caso, eu procurei Draco sabendo que eu seria passivo e submisso. E eu desejei isso.
- E você nunca quis experimentar o contrário? – Neville estava curioso.
- Acho que isso é tão inconcebível pra Draco que eu nunca nem me permiti considerar essa hipótese. – Harry explicou. – Acho que seria algo que o faria se sentir mal. E eu não tenho a menor vontade de fazer uma coisa que vai deixar Draco mal.
- Acho que Marcus se sente exatamente assim. Ele não propõe que eu seja passivo de novo, porque acha que vou me sentir mal. – Neville falou. – Talvez eu esteja um pouco inseguro, realmente... mas eu quero. Queria poder falar com ele sobre isso... sobre o medo que eu senti, sobre o fato de eu não conseguir me expressar bem. E se ele não propor as coisas pra mim muito claramente, nunca vamos fazer nada, porque eu não vou conseguir propor nunca.
- Você vai ter começar a aprender a falar como se sente, Neville. – Harry respondeu, e de repente ouvi o barulho da cadeira se arrastar. – Acho que talvez seja melhor eu ir ver porque eles estão demorando tanto na biblioteca.
Marcus e eu nos apressamos para dentro da sala de jantar, fingindo um assunto sobre os livros de poções. O resto da noite correu tranquilamente, mas eu não conseguia tirar aquilo da cabeça. Será que Harry estava descontente com nossa vida sexual? Queria experimentar algo diferente? Queria que eu fizesse com ele o que Marcus estava fazendo com Neville?
Tudo aquilo era muito confuso.
Fui dormir aquela noite sem nem conseguir olhar pra Harry direito. Era a história de Philip, a capa da invisibilidade, essa questão do sexo... Me virei pro lado sem dizer nada, sentindo o olhar dele sobre mim. Ele percebeu que tinha algo errado, mas não forçou uma conversa. Nós andávamos discutindo muito nos últimos dias, por causa da sua paranoia com Philip.
Ele não se aproximou, não me abraçou, não se aconchegou em mim na cama. Talvez porque sentisse meu afastamento, ou porque ele mesmo não quisesse. Ele só murmurou baixinho:
- Não pense que não sei que estou te magoando. Ou que não me importo.
- Eu sei. – eu respondi.
Porque no fundo sabia que ele se importava. E sabia também que eu e ele íamos passar por cima daquilo. Tínhamos enfrentado coisas demais juntos para que eu deixasse que a gente se perdesse um do outro. Harry estava tentando cuidar de mim, porque me amava; mas estava fazendo isso de um jeito equivocado, porque não tinha sido sincero comigo. E eu tinha muito medo que ele acabasse fazendo aquilo pro resto da vida, esperando um ataque de Philip que nunca chegaria, e se esquecesse de ser feliz.
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Feliz ou infelizmente, eu não saberia dizer ao certo, eu estava errado. No dia seguinte, ao sair de um almoço com um cliente, marcado em um restaurante trouxa de Londres, eu senti minha varinha ser tomada antes que eu pudesse reagir, e quando eu percebi estava pressionado na parede com uma varinha cutucando a minha garganta.
Olhei para o rosto do meu agressor, lá estava ele. Philip. O rosto mais magro do que eu me lembrava, a barba por fazer, a aparência mais suja, e os olhos muito mais desvairados.
- Não reaja se não quiser morrer. – ele ameaçou, agarrando meu braço esquerdo.
Percebi que ia aparatar comigo. Mas antes que o fizesse, senti um aperto firme em meu braço direito. Era Harry, é claro, que continuava a me seguir. Meu coração se aqueceu, eu estava com ele, não tinha medo de nada. Senti meu corpo ser levado dali, puxando Harry junto comigo.
Quando abri os olhos, me vi em um casebre sujo, de uma peça só. Philip não perdeu tempo em fazer os feitiços para imobilizar o meu braço e me por de joelhos. Eu sabia que Harry estava afoito para saber suas intenções. Aquela era nossa chance de descobrir, e eu sentia que devia isso a Harry depois de tê-lo criticado tanto no último mês.
- O que você quer? – questionei. – Achei que a essa altura já estivesse muito longe, escondido em algum buraco como o rato imundo que você é.
Ele sorriu, com desdém.
- Vou desaparecer, sim. Mas não sem antes me vingar do homem que me tirou tudo. – ele respondeu, se referindo a mim.
- Me satisfaça uma curiosidade, Philip. Se você desejava tanto Harry, porque não fez com que ele fosse seu? Ele gostou de você por anos. – eu fiz a pergunta que sempre tinha me inquietado. – Porque só agora, depois que ele já tinha outra pessoa?
- Foi um erro de cálculo, sem dúvida. – ele retorceu os lábios. – Mas veja o meu lado. Em Hogwarts eu era um lufa lufa, de uma família trouxa, sem importância, que ninguém conhecia, enquanto Harry era famoso. Ele nunca me olhou duas vezes naquele tempo. Quando entramos para o treinamento de aurores juntos, ficou muito claro que as atenções eram sempre pra ele. Ele era considerado o melhor da turma, o mais respeitado, o queridinho de Kingsley... mas isso só acontecia porque ele era o Eleito.
- Acho que era porque ele era talentoso. – eu respondi, vendo-o espumar de raiva.
- Não estou dizendo que não era. Mas eu sempre fui muito mais. – ele continuou, destilando inveja. – Quando notei que ele gostava de mim e que isso o deixava todo tímido e retardado, percebi que tinha encontrado uma maneira de me vingar. Eu seria gentil, o manteria apaixonado por mim, e nunca corresponderia seus sentimentos.
- Quanta maturidade. – eu revirei os olhos. – Parece até meus planos pra provoca-lo quando eu tinha 11 anos.
- Mas eu comecei a me sentir atraído por ele, a deseja-lo, a querer que ele fosse meu. – Philip falou.
Eu odiava ouvi-lo falar de Harry assim.
- E então fugiu pra França? – eu perguntei.
- Eu não queria um relacionamento com Harry Potter. Viver à sombra do Eleito. Pensei que dessa forma nunca seria reconhecido pelo meu talento, seria pra sempre considerado só o namorado dele, sempre em segundo plano. – ele respondeu, amargo. – Fui pra França que era onde a ação estava acontecendo. Onde eu poderia liderar missões. Onde eu poderia brilhar.
- Deixe-me adivinhar? Foi muito mais sujeira e morte do que honras e glórias? – eu debochei.
- De certa forma, sim. – ele me olhou, com raiva. – E enquanto isso, Harry estava aqui com você. E você só melhorou com essa relação, ganhou clientes, contatos, prestígio social que você já não tinha há muito tempo. Se antes as pessoas te olhavam torto pelo seu passado de comensal da morte, agora muita gente te olha por aí com respeito, você é o companheiro de Harry Potter.
- Eu não me envolvi com Harry por nenhuma dessas razões. – eu me indignei com o insulto.
- Ou você está mentindo ou é muito burro. – ele deu de ombros. – Mas o fato é que eu percebi o que eu poderia ganhar. As vantagens que eu tinha desperdiçado. E voltei da França decidido a tirá-lo de você. Eu poderia unir o útil ao agradável, tê-lo como eu desejava e ainda ascender socialmente usando-o.
- Você me dá nojo. – eu falei, impressionado que alguém pudesse ser tão imundo.
- É uma pena, porque você vai ter que me suportar muito antes que eu lhe conceda o direito de morrer. – ele disse, com crueldade.
- O que você quer dizer com isso? – eu questionei.
- Depois de tudo aquilo que Harry me falou, sobre te desejar, sobre o prazer que você dá pra ele... sobre eu ser um projeto de homem comparado a você. – ele falou, os olhos de um carrasco. – Eu decidi te destruir. Eu vou estuprar você, fazer de você meu submisso, submeter você às coisas mais horrendas, tirar toda a sua dignidade, até o homem que Harry Potter tanto deseja não existir mais.
Eu o encarava, seu rosto tirânico contorcido em um sorriso bizarro.
- Gostaria de parecer mais apavorado. – eu disse, fingindo um bocejo. – Mas o problema é que, na verdade, como eu já tinha te avisado, Harry é muito protetor.
Harry entendeu a minha deixa, atacando Philip ainda invisível, que lutava com ele sem saber ao certo de onde o feitiço vinha, obviamente entrando em pânico diante da surpresa daquele conflito. Ele era pior duelista que Harry, embora fosse bom, e em poucos segundos ficou evidente que Philip perderia.
Ao perceber que seria incapacitado, Philip decidiu lançar sua última magia na minha direção, ao invés de focar-se em Harry, com quem duelava. Eu o vi olhar pra mim e gritar, inclemente:
- Patiens Longus.
Aquilo era magia negra. Era um feitiço sexual extremamente cruel. A última vez que eu tinha visto aquilo, tinha sido durante uma cessão de tortura, na época em que Voldemort ainda era vivo, e um Comensal da Morte tinha capturado um menino nascido trouxa.
O feitiço me atingiu em ondas, sem nenhum efeito imediato. Mas eu sabia que era questão de tempo, logo o sofrimento viria, e duraria horas até que eu me sentisse eu mesmo outra vez.
Vi Harry o imobilizar, fazer um patrono, chamando os aurores, que apareceram em questão de segundos, levando o prisioneiro. Quando Harry correu até mim, segurando-me com força, me tirando dali, eu me sentia quase anestesiado. Aparatamos na Mansão Malfoy... diretamente dentro do meu quarto.
A única coisa que eu conseguia pensar, é que talvez Philip tivesse conseguido um pouco do que queria. Eu perderia algo importante nas horas seguintes. Algo da minha dignidade, do homem que eu sentia que era.
