Nenhum personagem da Saga me pertence.


- Primeiro de tudo: ABAIXEM AS ARMAS E OBJETOS PONTIAGUDOS! Preciso me desculpar por essas semanas sem postar. O problema é que eu fiquei de cama por mais de uma semana; estava muito ruim mesmo, e quando melhorei tive uma notícia magnífica! Estava sem internet! ¬¬' Me perdoem *-* Ah, e o Flashback está em narrador-observador. Vamos por os "pingos nos i's" com o casal BlackWell antes de seguir com Beward, Ok? Boa leitura *-*

Entrando nos Eixos


Como você costumava dizer, precisamos por um ponto final nisso tudo.

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{K_POV}

Quando eu disse isso, Robert me olhou no fundo dos olhos com uma intensidade quase impossível de suportar. Quis baixar a cabeça para escapar do seu olhar, mas eu também estava hipnotizada por ele. Se alguma vez eu disse que podia agir racionalmente perto dele, eu, com certeza, estava errada.

- Nós precisamos conversar, eu concordo. – ele murmurou. – Mas... Ponto final? Por quê?

- Primeiro me escute, está bem? – mesmo pedindo isso e ele concordando com um aceno de cabeça, eu sabia que ele ia tentar me interromper. – Eu só quero dizer que realmente fiquei muito decepcionada com o que ouvi mais cedo e...

- Essa eu vou ter que interromper! – ele protestou, levantando uma das mãos no ar.

Fechei os olhos e fingi que ele não tinha dito nada.

- Sim, eu sabia de tudo ou quase tudo o que você fizera antes. Aliás, Forks inteira sabia. Mas eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer.

Será? Será que eu nunca martelei uma hipótese dessas? Será que no fundo eu não sabia que isso pudesse acontecer? Eu devia ter imaginado, até porque é horrivelmente comum que mulheres desesperadas se apeguem a uma gravidez – real ou não – como um último recurso para "segurar" um homem.

- Porém, eu só tenho uma única coisa para te dizer, Robert. – suspirei e abri os olhos. Claro que ele estava com a mão no alto, pedindo para falar e, claro, eu o ignorei. – Eu não tive tempo para pensar direito nisso, mas eu sei que não preciso. Eu já me decidi.

- Kate...

- Eu quero terminar. – respirei fundo e ele arregalou os olhos verdes, estupefato. – Terminar com toda essa confusão entre nós... Decidi que não importa o que aconteça, eu quero muito ficar ao seu lado, Cullen.

Ele ficou confuso com o que eu dissera, e eu deixei que ele pensasse sobre o que eu estava falando.

- Mas... Terminar com o quê, então? – sua voz estava baixinha.

- Com os segredos. – dei de ombros. – Não sei se aguento uma outra bomba dessas quando menos esperar. Quero estar preparada para o que der e vier, e só... Contanto que eu esteja com você, não faz diferença. Eu vou ficar.

Robert não respondeu de imediato, ele estava tão perplexo quanto eu achei que iria ficar. Ele levantou e veio andando em minha direção; a cada passo dado, o aparelho de frequência cardíaca apitava com mais rapidez e ele sorriu com isso... O sorriso que eu tinha visto antes de desmaiar.

- Robert...? – chamei, incerta.

Ele continuava parado ao meu lado, com os olhos cravados nos meus. De repente, eu vi lágrimas se acumularem em seus olhos antes de percorrem uma fina trilha em seu rosto tomado de alívio. Agora era eu quem estava perplexa.

- Eu não mereço você, Kate. – sua conclusão me fez engolir em seco, pois sempre pensara ser o contrário. – Quando eu te vi daquele jeito, no carro, achei que não estivesse respirando e pensei em todas as piores coisas que podia. Eu fiquei desesperado ao pensar que, talvez, pudesse te perder...

Eu também já estava a ponto de chorar junto com ele. Nunca imaginara antes que Robert Black Cullen fosse capaz de tal feito.

- Sei que é muita viadagem da minha parte, mas eu chorei lá, do mesmo jeito que estou fazendo agora. – ele secou as lágrimas com os punhos fechados. – Porcaria de lágrimas...!

Sorri; esse sim era o Robert que eu conhecia.

- Eu não te interrompi antes...

- Você bem que tentou. - suspirei.

- Então agora é sua vez. – ele ignorou meu comentário. – Já que precisamos começar a esclarecer tudo, é bom começar com o que você ouviu no corredor.

- Me faz um favor? Dá para pedir que alguém desligue essa droga? – pedi, me referindo ao aparelho de frequência que estava apitando mais rápido.

- Não, esse é o melhor barulho que eu já ouvi em minha vida. – ele riu. – Significa que você está viva.

- Eu estou falando com você. – rolei os olhos. – Já não é o suficiente?

Robert voltou a se sentar na poltrona e a arrastou até chegar mais perto da cama. Pegou minha mão que não estava enfaixada e começou a brincar com cada um dos meus dedos.

- O nome dela é Clarisse... Clarisse Black.

Levou alguns instantes até que eu me importasse com o sobrenome dela.

- Black...?

- Ela é minha prima, Kate. – ele sorriu de lado.

- Oh, meu Deus! – sufoquei um gritinho, estava atordoada com tudo aquilo. – Você e sua prima...! Cruzes!

- Você é absurda, às vezes. – Robert sacudiu a cabeça e voltou a falar: - Ela estava desesperada e veio me procurar.


[Flash Back: On]

A garota de cabelos compridos e negros chegou em frente à mansão Cullen e tentou, inutilmente, secar as lágrimas copiosas que derramava.

- Senhorita Clarisse? – era Bernard, o mordomo.

- Chame o Rob para mim, Bern. Por favor. – ela pediu com desespero na voz.

- Sabe que desde a briga entre vocês dois, ele não quer ver a senhorita.

- Não diga que sou eu, fale outro nome. É urgente, Bernard.

Ela observou enquanto o mordomo, que alguns anos antes também cuidara dela, ligava para o celular do primo e dizia que uma garota o esperava na sala.

- Ele está vindo, mas não sei se vem sozinho. – o mordomo falou.

- O que quer dizer com isso?

- Ele está com a senhorita Kate no quarto. – aquilo soou muito estranho. A garota sabia que o primo tinha aversão a levar mulheres para a casa, quanto mais se trancar com uma em seu "santuário sagrado".

O tempo que ela precisou esperar foi curto, mas seu coração martelava dolorosamente enquanto ela se preocupava com os próprios problemas.

- Clarisse, o que você está fazendo aqui? – ele parou na porta da sala e não parecia muito feliz em ver a prima. – Você me causou uma boa dor de cabeça já!

- Eu não sei mais o que fazer, Rob! – a garota colocou a mão na frente do rosto e tentou controlar o choro. – Estou desesperada!

Mesmo tendo tido uma briga feia com sua prima, ela continuava sendo sua parente preferida. Apesar de ter perdido um amigo por causa dela, vê-la em prantos amoleceu o desgosto em encontrá-la ali.

- O que aconteceu dessa vez, Clarisse?

- Eu não sei como... – ela gaguejou. – Quero dizer, eu sei como foi, mas...

- Diga logo. – ele deu mais alguns passos para perto dela.

- Eu estou grávida, Robert! Meus pais vão me matar! – ela se lançou nos braços dele.

Robert não conseguia assimilar o que ela estava falando. Clarisse sempre foi a mais certinha de todos os Black e sua tia, Rebecca, se gabava disso todas as vezes que ele aprontava alguma coisa.

- Não me diga que foi com aquele... – ele rosnou, relembrando do velho 'colega'.

Clarisse contou que quando tinha ido para ficar uma semana em Hoquiam, acabou encontrando com John por acaso e os dois ficaram mais próximos.

- Vocês já eram bem próximos quando paramos de conversar. – ele ironizou, mas desejou ter ficado calado ao ver o estado deplorável em que a garota se encontrava.

Ela continuou lhe contando tudo o que acontecera entre os dois e, apenas para tentar escapar um pouco dos seus problemas, perguntou sobre a garota que estava em seu quarto.

- Kate Wellington. – o primo respondeu, já prevendo a reação que ela teria.

- Oh, meu Deus! Diga que isto não é verdade...!

- É sim, Clarisse.

- Jonathan ainda não te degolou? – ela estranhou.

- Já tentou. – ele admitiu, tranquilamente. - O que me lembra de uma coisa: você já contou para ele?

- Não. – a garota negou. – Eu ainda não sei como dizer que esse bebê é dele...

Robert, mais uma vez, sacudiu a cabeça em descrença. Não conseguia e não queria acreditar que aquilo era verdade. Sua prima estava grávida do seu "pior amigo" e, agora, cunhado.

- Você já foi ao médico para ter certeza? Sabe que esses testes de farmácia não são totalmente confiáveis. – era sua última esperança: de que sua prima estivesse redondamente enganada com relação à gravidez.

- Já fiz três testes e todos deram positivo. – ela voltou a chorar como uma criança. – E também já fui ao médico.

- E aí?

- Positivo, também.

- Isso não pode ser possível! – ele quase deu um grito alto, irado com aquela situação toda.

- Mas por que eu mentiria sobre isso, Robert? – ela perguntou, numa voz chorosa.

- Não é possível...

- Eu estou grávida, então é possível, sim.

[Flash Back: Off]


Eu estava ainda mais atordoada depois de ouvir toda sua explicação. Eu estava errada nesse tempo todo e, como castigo por ouvir a conversa dos outros, ainda me acidentei, deixando todos preocupados comigo. Como eu fui estúpida!

- É como as pessoas dizem: quer pegar o bonde andando e sentar na janelinha... – ele sorriu. – Me desculpe.

- Pelo quê? – se havia alguém ali que tinha de pedir desculpas, esse alguém era eu.

- Por ter te deixado sair de casa naquele estado. Você estava uma pilha de nervos e, mesmo assim, deixei que pegasse a estrada.

- A culpa é minha. – chacoalhei a cabeça, o que me causou uma tontura e uma dor latejante, a cabeça ficando ainda mais dolorida. – Ai!

Nós discutimos mais um pouco para saber de quem era a culpa e entramos num consenso: os dois estavam errados, no fim das contas.

O doutor Scott Clyde apareceu logo depois dizendo que eu precisava descansar e levou Robert para fora. Apesar de ainda não ter anoitecido, parecia que o quarto tinha ficado muito mais escuro quando fecharam a porta, me deixando sozinha com meus pensamentos.

Eu merecia um prêmio por toda minha burrice! Estava frustrada comigo mesma.


{R_POV}

Assim que saí do quarto de Kate e fechando a porta atrás de mim, meus ombros caíram com o peso. Todo o cansaço daquele dia louco recaiu sobre mim e me senti instantaneamente exausto física e emocionalmente. No fim, acabamos nos acertando. Sem términos e sem lágrimas... Ruins.

Chegando em casa, vi que Clarisse ainda estava lá. Meus pais estavam comendo em silêncio e, só em ver seus rostos, percebi que ela já tinha contado a 'boa nova'. Ia ser um inferno contar para minha tia Rebecca.

- Como Kate está? – mamãe perguntou, evitando o assunto de Clarisse.

- Bem, nós conversamos e eu expliquei para ela que foi tudo um grande mal entendido.

- Você se importa com ela. – Clarisse franziu o cenho em minha direção, como se constatasse esse fato apenas agora.

- Ao contrário de Jonathan Wellington, que não parece se importar com você... – era óbvio que meu pai ia retomar esse assunto sem a menor delicadeza.

- Tio, podemos falar disso amanhã, por favor?

- Quer que eu ligue para Rebecca e diga que você vai dormir aqui?

- Melhor não. – Clarisse discordou. – Ela e minha irmã estão sozinhas em casa, meu pai foi viajar. O senhor sabe como elas detestam ficar sozinhas. Além de que mamãe ainda acha que eu e Robert nos odiamos ainda mais.

Eu tive que rir. Toda a família tinha tomado partido em nossa briga e, claro, Clarisse tinha uma maior quantidade de 'seguidores'.

- E já deixamos de nos odiar? – perguntei, ainda rindo.

- Não abuse, Cullen. Bom, eu acho melhor ir e esquecer essa confusão por um tempo. Mande melhoras para sua namoradinha.

Beijei sua bochecha e subi as escadas, precisava tomar um banho quente e cair na minha cama macia. Amanhã teria muita gente para enfrentar.

Logo que acordei, comecei a revirar todas as gavetas que existiam no meu quarto.

- Droga, nada aqui!

- Disse alguma coisa, bambino?

- Bern, você sabe onde está aquele anel do meu pai? – ele me olhou confuso. – O anel de compromisso da família Black.

- Ah, esse anel! Deve estar no escritório do seu pai ou nas coisas da sua mãe...

- Que coisas? – resmunguei. – Ela tem um monte de coisas!

Continuei a busca com Bernard me ajudando. Ronnie, uma das empregadas, disse que tinha visto o bendito anel na penteadeira de minha mãe e, de fato, quando fui procurar lá, o encontrei em sua típica caixinha de veludo negro.

Meu avô, Billy, havia me contado que aquele anel estava na família há muitas gerações. Claro que a história de como ele foi parar nela ou quem foi o primeiro Black a dá-lo para uma 'futura' esposa – já que naquela época não tinham namoradas ou ficantes – não me interessara nem um pouco. Essas historinhas não eram diferentes das contadas nos filmes melosos e eu não fiz questão de ouvi-la; era apenas um monte de blá, blá, blá.

Kate já tinha recebido alta do hospital e já devia estar chegando em casa.

- Vou rezar por ti, ragazzo.

- Por quê? – estranhei.

- Primeiro para que aquele irmão gorila dela não acabe com a vida do senhor. – rolei os olhos para seu tom dramático, como se ele estivesse escolhendo meu caixão e as flores. – E segundo para que sua mãe não tenha a mesma ideia e resolva enforcá-lo por pegar o anel dela sem pedir, isso se o senhor sobreviver ao troglodita, é claro.

- O anel só foi dela até o momento em que o trocou pela aliança. Então, ele passa para o primeiro filho homem para que ele continue com essa brincadeira.

- Então acha que é uma brincadeira? – ele pareceu ofendido.

- Não enche, Bern.

Ao chegar em frente à casa dos Wellington, minha mão começou a ficar escorregadia com o suor frio e eu voltei a sentir o estômago revirar. Toquei a campainha e esperei que a sra. Wellington abrisse e que Barry pulasse em mim, sujando minha camisa com as patas.

Silêncio.

Toquei mais uma vez e nada.

- Oh, Lílian não está em casa! – o vizinho que morava ao lado dos Wellington estava aparando a grama. – Ela aproveitou que a filha saiu do hospital para levar ela e o cachorro ao parque.

Suspirei aliviado, ao menos o parque ficava do outro lado da rua. Atravessei a rua com as mãos no bolso, a mão direita girava o anel entre os dedos escorregadios. Eu bem que podia ter treinado algum discurso bonitinho e emocionante. Não teria custado nada...

- Robert, que surpresa boa! – a sra. Wellington estava sentada em um banquinho de armar e lendo algumas páginas soltas do que um dia fora o livro preferido de minha avó.

Kate estava sentada mais à frente em um toco de árvore, enquanto dava alguma coisa para Barry comer; estava de costas para nós e a uma boa distância para conseguir ouvir minha voz. Exceto pela mão direita na tipoia, qualquer um diria que ela estava muito bem.

- Ela parece estar bem feliz e eu achei isso bem estranho, considerando tudo o que aconteceu ontem... – Lílian murmurou com os olhos grudados em Kate. – Aconteceu alguma coisa que vocês acharam importante demais para me contar?

Cedo ou tarde eu iria ter que contar tudo para ela, melhor mesmo é que Kate não estivesse por perto. Quando terminei de abrir o jogo, sua reação não foi nem um pouco parecida com o que eu estava esperando. Ela ficou... Feliz, de certa forma.

- Você está meio pálido ou é impressão minha?

- Achei que a senhora fosse querer me ver longe de Kate. – expliquei.

- Não seja tolo! Eu nunca a vi tão feliz desde que chegamos à Forks e só porque ela saiu correndo daquela maneira sem te ouvir, não quer dizer que você seja uma má influência para ela, ou o que quer que você esteja pensando, garoto.

- Mas... O acidente poderia ter sido muito pior! – protestei. Não que eu não estivesse feliz que ela não tenha brigado comigo, mas algo me dizia que essa não era a reação que uma mãe normal teria.

- Muitas coisas já foram bem ruins para ela, e não sou eu quem vai tirar você da vida dela. - ao dizer isso, lembrei-me do troglodita.

- John vai querer me estrangular...

- É bem provável. – ela concordou com tranquilidade. – Mas quer saber? Seja paciente e, com o tempo, você vai conquistar a confiança dele.

- Eu acho bem difícil, sra. Wellington...

- Por que diz isso, menino?

Expliquei para ela tudo o que tinha acontecido entre nós para resultar em nossa inimizade e ela ouviu em silêncio. Não disse nada para proteger o filho ou condená-lo, apenas disse que eu devia logo entregar o anel para Kate. Tentei criar coragem e pedir que ela intervisse entre nós dois, mas... Desde quando eu era tão covarde assim?

Na metade do caminho, Barry percebeu minha aproximação e como eu previra, pulou em cima de mim, me marcando com suas patas enormes. Seus latidos escandalosos chamaram a atenção de metade das pessoas que passavam perto de nós e Kate virou para me olhar. O enorme sorriso em seu rosto fez, pela primeira vez, meu coração adormecido acelerar e eu tive certeza:

Eu estava fazendo a coisa certa.


{K_POV}

Quando você está sentada em um parque, após uma experiência que te faz acreditar que vai morrer, olhando todos aqueles detalhes lindos dos quais a natureza se encarregara de criar, você se sente maravilhada com cada cor, cada movimento... Com tudo. Forks não era apenas um gigante tapete úmido e mofado como eu imaginara, havia uma gama infinita de coisas belas.

Barry correu, latindo como o louco que ele sempre fora, e procurei olhar o que ele achara tão interessante. E eu tinha que concordar com o bom gosto do meu filhote babão e com cor de sujeira.

- Bom dia. - ele estava começando a ficar mais educado? Nunca foi de me dar bom dia ou algo do tipo...

- Ótimo dia. - sorri ao receber seu beijo.

- Como está se sentindo?

- Muito melhor do que acreditei ser possível. Tirando a tipoia, nem eu mesma acreditaria no que aconteceu ontem.

- Mas o pulso não está doendo e nem nada assim? Como está a cabeça? Já parou de doer? E que tipo de conversa foi aquela com o doutor Scott?

Eu fechei os olhos enquanto pensava qual das perguntas que ele metralhara eu responderia primeiro.

- Eu perguntei para ele por que tive dificuldade em reconhecer os rostos, mas ele respondeu que como tinha batido muito forte com a cabeça, eu teria uma dificuldade temporária em assimilar os rostos com os nomes, nada demais. Meu pulso não dói, mas esse gesso faz com que eu queria coçá-lo a todo instante! - reclamei e ele riu. - E a cabeça só dói se eu toco no galo. Mas você viu esses arranhões horríveis? E eu estou com um olho meio roxo e um pouco inchado!

Ele me encarou por um momento, com um sorriso enviesado nos lábios.

- Onde está a Kate Wellington que eu conheço? - ele perguntou. - Aquela que não se importa tanto com a aparência?

- Está me chamando de desleixada?

- Você só não é vaidosa ao extremo, como todas as outras são. Eu gosto disso.

- Você está me elogiando? Agora sou eu quem deve perguntar: Onde está o Robert Black que eu conheço? Aliás, você está meio inquieto, qual é o problema?

Ele mirou em cada pessoa que estava andando ou brincando no parque antes de contemplar o horizonte. Suspirou e se sentou ao meu lado, o tronco era pequeno, mas dava para dividirmos sem problemas. Robert pegou os ossinhos que estavam em minha mão e começou a dá-los na boca de Barry.

- Eu tenho uma coisa para te dar... - murmurou sem me olhar.

Fiz uns barulhos meio desagradáveis e ele riu com minha relutância em receber presentes. Na verdade, eu adorava ganhar presentes, mas apenas quando eu podia dar algo em troca. E o que eu daria à um garoto que poderia ter tudo o que desejasse?

- E confesso que vou fazer algo bem parecido com o que meu avô fez há mais de cinquenta anos atrás... - sua voz era um pouco vacilante.

Robert começou a remexer nos bolsos e, curioso como só ele era, Barry tentava enfiar seu pequeno focinho à espera de mais ossinhos.

- Se você engolir o que eu tenho aqui, juro que faço um tapete com seu pelo! - ele ameaçou sorrindo.

- Não presta nem para isso, não é, Barry? - assoviei, fazendo com que ele viesse para o meu lado. - Você quer mais ossinho? Fala que a mamãe te dá mais! [N/A: Ah, quem é que nunca falou assim com o cachorro? Ela não é a única louca ^^]

- Mamãe...? - ele ergueu uma sobrancelha.

- Olha o tio Robert com ciúmes! Você também quer ossinho? - ri alto enquanto oferecia o último osso para ele.

- Sobre o osso eu deixo passar, mas... "Tio" Robert? - ele fez uma careta engraçada. - Você é a mãe e eu sou apenas o tio?

- Não espera que eu diga papai, não é? Jared pediu para ser o pai do Barry antes... - provoquei.

- Vou ignorar isso. - eu adorava sua carinha enciumada.

Continuamos em silêncio por mais alguns instantes e eu já estava começando a ficar curiosa sobre o que ele tinha para me dar.

- E então? Vou ganhar presente ou não? - sorri.

- Depende. Tem sido uma boa garotinha?

- Me diga você, oras!

Ele mordeu o lábio inferior e chegou bem pertinho do meu rosto. Sua voz saiu meio rouca pelo volume baixo:

- Tem sido a melhor. - pegou a ponta dos meus dedos da mão que estava na tipoia. - Isso vai ser um problema...

- O que vai ser um problema?

- Vai parecer que... - ele sacudiu a cabeça, espantando o que quer que estivesse pensando. Quando voltou a erguer os olhos para mim, aquele brilho em seu olhar me fez perder o fôlego. De alguma maneira, eu sabia o que ele estava pretendendo.

E eu estava gostando dessa ideia.


{R_POV}

- Vai parecer que... - sacudi a cabeça quando a palavra "casamento" cruzou minha mente. Isso era assustador. - Eu realmente devia ter treinado algumas frases bonitinhas que te fariam suspirar, se derreter toda, derrubar algumas lágrimas e aceitar meu presente.

- Quer parar de prever minhas reações? Isso é chato! - ela riu baixinho.

- Sou péssimo com discursos bonitinhos.

- Existe Google para quê?

- Nem tudo tem no google! - protestei, rolando os olhos: se tivesse dito algo com as palavras de outra pessoa, não seria a mesma coisa. - E não me venha dizer que se não tem no google, não existe. Mas eu queria dizer algo com as minhas próprias palavras e eu estou tão nervoso agora que...

Para falar a verdade, eu estava me sentindo tão mal que era incapaz de encontrar as palavras adequadas! Por favor, onde estavam minha coragem e minha confiança agora? Droga!

- Para ser especial... - ela aproximou nossos rostos ainda mais, passando a mão boa pela minha nuca. - Para ser especial, você não precisa engolir um dicionário e cuspir um monte de palavras a esmo.

Decidi aceitar o que ela dizia. Mesmo que eu quisesse, não conseguia falar nada que prestasse ou que fosse romântico o bastante quanto eu havia planejado mais cedo. Coloquei a caixinha aberta em seu colo e levou alguns segundos antes que ela abaixasse o olhar. O anel era de ouro branco e dentro tinha gravado em letras floreadas o sobrenome Black; em cima haviam duas pedras de diamante pequeninas e uma safira, também pequena, no meio. Era bem delicado e duas linhas entalhadas no ouro adornavam as três pedras. Não era o tipo de anel que e dá para sua namorada, mas e eu com isso?

- Não me diga que... - seus olhos verdes pareciam duas esmeraldas cintilantes.

- Eu quero poder dizer para todo mundo, incluindo o Jared - e não me importa se ele só te vê como amiga! -, que você é minha. - sussurrei bem perto do seu ouvido. - Aceita ser minha namorada?

- Se eu dissesse 'não'... - ela sorriu de lado. - Eu seria uma louca! Poderia colocar a camisa de força em mim agora mesmo!

Primeiro de tudo, eu nunca imaginara que fosse pedir alguém de Forks em namoro, pois sempre havia imaginado que todas elas eram iguais e que eu só encontraria alguém especial se saísse daquele lugar. Segundo, se eu chegasse a fazer isso, sempre imaginei um jantar com velas e uma musiquinha de fundo romântica, bem ao estilo de filmes Hollywoodianos e que elas adoravam. Mas, mesmo assim, passar o anel dos Black adiante nunca cruzara minha mente até... Até esta manhã.

- Para você ver como as pessoas podem mudar... - ela murmurou enquanto eu colocava o anel em seu dedo.

- Nunca é tarde para mudar, certo? - sorri ao notar que não precisaria ajustá-lo. - Até tirar esse gesso, as pessoas vão achar que você está noiva, mas eu não estou nem aí!

- Ele é lindo! Obrigada.

- Obrigado você, por me fazer enxergar o que existia além do carro do ano e as roupas de marca... - ela corou e tentou dizer algo, mas eu fiz questão de calá-la com um beijo abrasador. - E... Caso não saiba, eu amo você, Wellington.

Ela riu contra minha boca.

- Eu sabia que você não iria resistir aos meus encantos... Os muitos que possuo...!

Nunca pensei que "pertencer" a uma pessoa pudesse ser tão bom assim.

- Quero colocar tudo nos eixos. - abracei sua cintura e a puxei para que ficasse ainda mais perto de mim.

- O que quer dizer com "colocar tudo nos eixos"?

- Preciso me resolver com Jared e John, conhecer essa minha tia-avó, Alice, e colocar meus pais contra a parede: quero saber o porquê deles nunca me contarem sobre a existência dos meus avós e o que levou minha mãe a se separar deles dessa maneira.

- Certas coisas é melhor não saber.

- Eu preciso saber da verdade. Já disse que quero a versão sem cortes e sem censura...

E, por tudo que era mais importante para mim, eu iria descobrir toda a verdade.


Pronto, pronto, abaixem as armas! Eles já "entraram nos eixos", minha internet voltou, eu não estou mais dodói e ainda consegui escrever alguns extras que vou postar só quando a história acabar!

Próximo capítulo... O Grande Dia ;)

Drik's: Oh, Gosh! Uma alma penada que resolve dar as caras! =O Deve estar engolindo um livro após o outro nesse pique todo... Surpresa é melhor, não acha? ;)

GabiBarbosa: Calma, calma, flor! Eles já estão no maior love, mas eu quase cogitei uma separação temporária =x Beijinhos.

Vitoria: Eita povo doido! haha O grampo quase salva a tia dele das algemas... kkk Eu acho o branco lindo, mas já tive vontade de me casar de preto (para demonstrar luto, sou louca, eu sei). Hm, nem uma dica, mas independente do que ele planejar eu não contaria muito com a execução dos planos... Kisses =)

Lyka: Hum, resolveu aparecer, mal amada? kkkk Flor, eu já estava com saudades T.T Eu imagino suas reações, você é bem exagerada hahaha' Beijo perva ;*

Lorrane: Sabe que eu acredito ser essa a razão das pessoas gostarem tanto de BlackWell? Eu nunca poderia imaginar que personagens *originais* fossem ser tão bem recebidos! :D

Lu Bass: Olá, flor! Quanto tempo (: Eu estou bem e você? Como foi a viagem? Pois é, o acidente me ocorreu quando eu estava vendo um filme, aí já viu! Resolvi escrever algo parecido. Beijinhos.

Nanny: Tive de responder por aqui: NÃO ME MATE! Já está tudo resolvido da melhor maneira possível, não acha?

Criis: Não estou conseguindo mandar mensagem privada para sua conta, por que será? Esse Fanfiction me estressa, às vezes... Beijo.

Krool's: Pois é, minha filha, eu acho que dramatizei muito, não? o.o Me superei dessa vez! kkk Beijinho.

Não estou conseguindo responder aos pm's, alguém aí sabe o que acontece? Eu sou meio desligada quando se trata do FF =x

Enfim, me perdoem por essa demora de quase quinze dias (se é que não foi mais) e até quinta ou sexta-feira que vem.

Beijos =*