Minha decisão já estava tomada. Mesmo sabendo que meu irmão jamais se lembraria de mim ou teria qualquer recordação de sua vida como demônio, bem... Exceto Sakura que tinha toda a minha gratidão e merecia, assim como Sasuke, ser feliz.
Naquele mesmo dia em que Sasuke voltou á ser um humano, os comuniquei sobre o que faria. Ficaram meio desconfiados: "e se algum demônio ou qualquer outra criatura nos atacarem? Não saberemos nos defender, pois nem ao menos teremos conhecimento de suas existências". –era o maior medo deles, mas prometemos que tanto eu, quanto Naruto e Hinata sempre estaríamos observando-os do Céu para protegê-los.
– Será melhor assim Sasuke, poderemos ter juntos a vida que nunca pudemos ter... –Sakura argumentava com ele.
– Não quero ficar sem meu melhor amigo, mas se for para o seu bem me contento Sasuke! –Naruto ia de magoado para otimista, queria mesmo que o amigo continuasse melhorando, ainda mais agora que estava finalmente se libertando dos fantasmas do Inferno.
– Tudo bem se é o que você quer, de qualquer forma, serei um humano, é justo que possa viver como um. –consentiu mesmo temendo voltar á levar uma vida comum depois de tanto tempo.
– Ótimo, podemos apagar suas memórias o quanto antes. –Hinata informou satisfeita por eles terem aceitado, já que torcia muito pelo bem do casal.
– Nos deem então um momento de despedida! –Naruto exclamou com seu jeito dramático espremendo meu irmão em seus braços, com certeza o Céu não seria mais o mesmo com aquele loiro por lá.
– Seu idiota! Será que não pode ser menos grudento?
– Esse é praticamente o fim de nossa grande amizade Sasuke... Como posso me comportar friamente como você num momento como esse? –questionou-o e meu caçula soube que o loiro tinha razão.
– Está certo... Na verdade sempre esteve. Com esse coração mole sempre conseguiu ver á minha frente. –reconheceu dando seu típico e pequeno sorriso.
– Assim vai me fazer chorar! –Naruto lutava para segurar as lágrimas quando o puxou para mais um abraço de urso.
Ao meu lado, Sakura se despedia:
– Vocês desempenharam um papel melhor do que os cupidos nessa história toda. Foi um caminho espinhoso, mas agradeço por terem me colocado de volta na direção do grande amor da minha vida. –assim abraçou á mim e a Hinata ao mesmo tempo, agora sim ela estava parecendo uma adolescente apaixonada, mas ela tinha todo o direito de agir como tal depois de tudo.
Após a Haruno se despedir também de Naruto, com o qual parecia ter criado algum tipo de vínculo enquanto esteve no Inferno, Sasuke parou diante de mim como se quisesse dizer algo, porém não permiti, pois o abracei e aos poucos sua barreira foi cedendo. Só depois de tudo isso que Sakura interveio:
– Estamos prontos.
Pedimos então que eles ficassem de frente um para o outro enquanto nós três os cercávamos. Segurei as mãos de Naruto e Hinata, a anja me ajudaria com o processo enquanto o loiro apenas nos cederia um pouco de sua energia, já que ainda não tinha o conhecimento necessário para auxiliar de outra forma.
Um último olhar para meu amado irmãozinho e no momento seguinte, uma luz branca surgiu e desapareceu, levando o casal junto.
...
E isso já tinha cinco anos terrestres. No Céu muita coisa havia mudado, outras continuavam as mesmas, Naruto estava se saindo muito bem como um anjo, de fato aquele era o lugar certo para sua natureza bondosa, sem falar o quanto ele fazia bem para Hinata, que havia superado a perda de seu irmão graças aquele loiro atrapalhado.
Kakashi continuava o mesmo, havia finalmente me contado que a Arcanja Rin tinha assumido o Inferno, o que era um absurdo, mas ao menos até agora ela estava cumprindo com sua promessa e os conflitos com demônios praticamente zeraram.
Obito permanecia trancado em sua cela perpétua e se depender do Hatake será assim para todo o sempre.
Hoje visitarei a Terra para rever meu irmão, Sakura e também... O pequeno Yushi, filho de quatro anos do casal, ou seja, meu sobrinho.
Ele era uma criança esperta e desinquieta, tinha os cabelos negros do pai e os olhos verdes da mãe. Os pais pareciam cada vez mais radiantes, não carregavam consigo a menor sombra do passado.
Sakura servia uma travessa de lasanha enquanto Sasuke e o filho aguardavam ansiosos para prová-la.
– Querido eu me esqueci do cortador, pode pegá-lo, por favor?
Sasuke bufou, mas ainda assim levantou e foi buscar o objeto. Quando voltou, ele fez questão de plantar um pequeno beijo nos lábios da esposa.
Enquanto Sakura partia a refeição, me senti sendo observado. Vi então que o pequeno Yushi não tirava os olhos da direção onde me encontrava. Sorri diante daquilo e para a minha total surpresa, a criança abriu um grande sorriso em resposta. Isso significava então que... Ele podia me ver?
– Yushi! Filho, estamos te chamando, venha pegar seu prato. –Sakura gritava para chamar sua atenção e conseguiu.
A criança correu até ela e me lembrei com nostalgia de quando Sasuke era aquele pequeno menininho sorridente que corria pela casa toda.
E aquele era o retrato de uma família perfeita, nem mesmo os próprios ou qualquer um dos vizinhos poderiam imaginar os obstáculos enfrentados pelos dois para que aquela cena enfim se consolidasse.
Sasuke e Sakura eram as provas vivas de que barreiras naturais, inimigos e nem mesmo o Céu e o Inferno poderiam impedir que um amor verdadeiro acontecesse.
Fim...
Gostaria de agradecer ás leitoras do pelo apoio, espero que tenham gostado, até á próxima! ;)
