Disclaimer: Por muito que adore a história e as personagens do anime Shingeki no Kyojin, estas obviamente não me pertencem e todo o crédito vai para a criatividade e talento do Isayama Hajime.

Muito obrigada pelas reviews *-*

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Momentos

Armin não podia pedir melhor. Desde de abrir-lhe a porta sempre que ia entrar no carro, até à caixa de chocolates que lhe comprou sem qualquer razão em especial, sentia-se afortunado por ter alguém que o tratasse assim. E mais do que nunca, precisava daquele tipo de carinho e atenção, pois a qualquer instante, podia ver-se invadido pela vontade de enrolar-se debaixo dos lençóis e chorar por ter perdido a única família de sangue que ainda lhe restava.

Nem sempre era fácil ser forte. Seguir em frente quando chegava a casa e esperava ver o avô para lhe contar como foi o dia ou então, escutar a quantidade infinita de histórias que o Sr. Arlert contava. A memória dele sempre tinha sido uma característica invejável, pois sabia imensos contos na ponta da língua.

Agora, não teria mais esses contos antes de dormir, as conversas ao jantar ou simplesmente, as discussões sobre algum tema que fosse apaixonante para ambos.

Os momentos na sala com Eren, Mikasa e o seu avô a jogar cartas ou algum velho jogo de tabuleiro também não iriam voltar. Tal como aquelas noites em que o melhor amigo cantava acompanhado por uma velha guitarra, oferecida pelo seu avô. Por vezes, cantavam todos juntos, outras apenas se deliciavam por algumas horas, escutando os acordes, a voz afinada e dedicada a fazer todos os presentes esquecerem o mundo lá fora.

Esses momentos faziam parte do passado e lá permaneceriam.

Vendo dessa perspetiva, passar aqueles dias na casa do professor Levi tinha sido uma situação inesperada, mas preferível. Assim, escapava à nostalgia que cada divisão daquela casa guardava. Por enquanto, essa era a melhor terapia do momento, ainda que soubesse que teria que regressar na próxima semana e ser forte, não só por ele, mas também pela Mikasa e acima de tudo, pelo Eren a quem não queria ver tão perdido e culpado pelo que tinha acontecido.

Olhou para o seu lado e encontrou mais um sorriso de Jean que lhe falava com entusiasmo do lugar, onde o ia levar. Tratava-se de um restaurante bastante cobiçado pelos seus pratos exóticos e ambiente à base de uma iluminação fraca, incensos e velas que se espalhavam pelo local.

- Não será um pouco caro? – Indagou Armin, curioso ao sair do carro e ver que as pessoas que acabavam de chegar, ostentavam roupas quase de gala.

- Mereces isto e muito mais. – Foi a resposta que obteve.

Se mesmo antes de entrar, estava demasiado consciente acerca da roupa que levava, no interior tornou-se tudo mais evidente. As calças pretas eram as melhores que tinha, mas escapavam ao estilo clássico e de novo, só tinha mesmo a camisa oferecida por Catherine, a qual ele combinou com um pequeno colete preto com botões cinza.

- Menos mal que tenho esta roupa que a mãe do professor Levi comprou porque senão acho que estariam todos a olhar para mim.

- Já disse que podemos ir comprar qualquer coisa para ti, sempre que quiseres.

- Não devias gastar o teu dinheiro assim. – Falou o rapaz loiro. – Sobretudo quando tens trabalhos cansativos para manter conseguir o que queres.

- É… tens razão. – Deixou escapar um sorriso amarelo.

Somente o trabalho como segurança à noite não explicaria tudo, portanto acabou por cair na tentação de mais uma mentira. Trabalhava também num call center e recebia comissões pelas vendas que conseguia fazer. Essas e outras pequenas mentiras para não se poderem encontrar algumas vezes, eram coisas cada vez mais habituais e ainda assim, cada vez mais difíceis de contar sempre que recebia um sorriso sincero do outro lado. Esse quando se fazia acompanhar de palavras de ânimo e conforto pelo esforço que fazia, só acentuava os sentimentos de culpa.

Sendo assim, optou por conduzir a conversa. Bastou fazer algumas perguntas sobre como tinha sido o dia de aulas para que Armin se distraísse a falar, não só das aulas, mas acima de tudo de como estava feliz por ver a escola como nova. O entusiasmo e a atenção especial aos pormenores eram o suficiente para que Jean caísse na tentação de observá-lo, quase sem dizer uma só palavra. Dizia o essencial para alimentar a conversação, mas passava grande parte do tempo a acrescentar mais razões pelas quais se tinha interessado pela pessoa por detrás daqueles olhos azuis que entretanto tinha rido de algo sobre um comentário do Connie à hora do almoço.

Depois do jantar, sugeriu que fossem ao cinema e Armin inicialmente, mostrou-se um pouco hesitante, pois ainda estava inconformado porque o namorado não o tinha deixado ver a conta final da refeição. Insistiu em pagar, sem nunca referir qualquer valor.

No entanto, a vontade a aproveitar o tempo junto de Jean a quem não via tantas vezes como gostaria, fez com que acabasse por aceitar a ida ao cinema. Deixou também que escolhesse o filme e jovem de cabelos loiros, anuiu e seguiu-o para uma sala de cinema que se mostrou demasiado grande para tão pouca assistência.

Além de eles os dois, só havia mais dois casais mais para a frente e meio do cinema e um velho que devia rondar a casa dos cinquenta anos que adormeceu nos primeiros dez minutos do filme. Este que também se mostrou pouco interessante para Armin que entendia o porquê da escolha, mas tinha dificuldades em fingir algum interesse.

- Não gostas do filme? – Perguntou Jean a certa altura.

- Sei que escolheste isto porque já disse que gosto de ler romances, mas acho que teria preferido algo com ação e mistério. – Comentou o rapaz loiro, encostando a cabeça ao ombro do outro. – Mas já pagámos o bilhete por isso, é melhor fazermos um esforço para não adormecer.

Jean riu um pouco e voltou a dar atenção ao ecrã.

"E eu que escolhi este filme porque pensava que era do género dele… nunca acerto na porcaria dos filmes que escolho", pensava para si mesmo, quando os seus pensamentos foram interrompidos por uma mão na sua coxa.

O corpo ficou tenso e por instinto, olhou para as poucas pessoas que se encontravam no cinema, como se alguma delas pudesse a qualquer momento ver o que estava a acontecer. A mão massajava a sua coxa, aproximando-se de uma zona que o estava a deixar inquieto na cadeira.

- Armin… - Murmurou.

- Hum? – Balbuciou distraidamente.

- Estamos no meio do cinema. – Relembrou-o com um tom de voz bem baixo.

- Eu sei. – Respondeu, deixando claro que não entendia o porquê daquela constatação e sem perder mais tempo, abriu o zíper das calças sob o olhar cada vez mais nervoso. – Uma vez que o filme não vale a pena… - Acariciou-o e Jean teve que morder o lábio ao sentir aquela mão, deixá-lo exposto e continuar com movimentos provocantes. – Deixa-me aproveitar o tempo de outra forma.

- Alguém pod…ngh…

- Achas que escolhi estes lugares cá detrás porque realmente, queria ver o filme? – Perguntou o loiro com um meio sorriso e em seguida, envolveu o membro do outro com a sua boca.

Nesse instante, o outro adolescente teve que levar uma das mãos à boca para que ninguém o ouvisse e não atraísse atenções desnecessárias. Sabia que mesmo que só estivessem ali aquelas pessoas e os casaizinhos também não estivessem propriamente interessados no filme, a verdade é que nenhum deles estava a ir tão longe.

Estava quente. Cada vez mais quente.

Aquela língua brincava com movimentos circulares, o que o fazia quase ter que morder a própria mão para não deixar qualquer ruído escapar. A certa altura, queria que fosse mais longe, que engolisse mais e agarrou os fios de cabelo loiros ao mesmo tempo que moveu os quadris. A dada altura, ainda pensou que o fosse engasgar, mas em vez disso, ele deixou escapar um gemido abafado que alterou ainda mais a sua respiração.

Coisa que não melhorou ao ver que Armin sem nunca parar o que estava a fazer, passou a servir-se das mãos para desapertar e baixar as próprias calças.

A temperatura estava definitivamente a subir.

Jean não queria acreditar que estava a pensar ir tão longe. Estavam no meio do cinema! Era isso que tentava dizer a si mesmo, mas os seus pensamentos estavam no mínimo a ficar baralhados, sobretudo quando outro gemido mais alto escapou da boca de Armin. Ainda era abafado, mas tinha sido mais audível e tudo porque começava a preparar-se, usando os próprios dedos.

Bastava um olhar. Apenas um olhar na direção deles e não havia como negar o que estava a acontecer por detrás dos bancos, no fundo de uma sala de cinema praticamente vazia. A única coisa que os ajudava no momento era a música que parecia acompanhar várias partes do filme e que com eco de uma sala praticamente vazia, ajudava a disfarçar os sons que escapavam de ambos.

- Armin… ah…algué…ah…alguém vai ver…

- E? – Perguntou e deixou a postura inclinada para desta vez, se sentar sobre as pernas de Jean. – Não gostas da ideia? – Aproximou a boca da orelha do outro. – Saber que podemos ser apanhados a qualquer momento… não gostas? Para quem se diz contra, estás bem duro…

- Como queres que fique com o que estás a fazer? – Perguntou num tom defensivo para logo ter que morder novamente o lábio ao sentir que Armin se posicionava melhor sobre ele. – Armin… alg….ah…hum…

- Se alguém nos apanhar que seja contigo dentro de mim… - Provocou e assim que se sentou novamente, ambos gemeram. Não esperou muito mais para iniciar um ritmo lento que arrancava mais suspiros. – Ah…Jean…

Como resposta, o outro agarrou no queixo dele e beijou-o. Entreabriram os lábios em sintonia e as línguas entrelaçaram-se por longos instantes, num beijo demorado.

Apenas quando o rapaz loiro começou a movimentar-se um pouco mais rápido, tornou-se mais complicado manter aquele beijo. Jean acariciava as coxas do namorado que o enlaçava pelo pescoço ao passo que começava a impôr um ritmo diferente do inicial.

Mais rápido e forte, de tal forma, que o beijo teve que ser interrompido e era cada vez mais difícil manter os sons controlados. Posicionou as mãos sobre os ombros de Jean que entre a preocupação em ser apanhado e a visão completamente excitante não sabia ao certo no que se devia concentrar. Sentiu sangue no lábio e isso era porque estava a mordê-lo com tal força, que até chegava a magoar-se. Queria deixar a voz escapar e chamar pelo nome do loiro que estava pouco ou nada, preocupado com a ideia de ser visto por alguém.

- Jean… não me deixes fazer tudo sozinho. – Falou, voltando a envolvê-lo num abraço, sem deixar de mexer os seus quadris.

Era mais fácil dizer do que fazer. Mexer-se naquela cadeira com Armin em cima dele seria no mínimo uma proeza. A respiração acelerada perto da sua orelha a que se juntava o seu nome pronunciado numa voz carregada de desejo, também já fazia com que se sentisse perto do seu limite.

Assim, levou uma das mãos ao membro de Armin, pois era a única coisa que podia fazer naquele momento, uma vez que tentar movimentar-se ali estava fora de questão. Não só porque não julgava ter força para isso, mas também porque a tentativa poderia definitivamente, chamar a atenção das poucas pessoas no cinema que aparentemente, estavam demasiado focadas nelas próprias para repararem no que acontecia ao fundo da sala de cinema.

- Ngh… bate-me, Jean…

- Huh?

- Ah…ouvist…ouviste perfeitamente o que eu disse. – Falou, gemendo diretamente contra a orelha do outro que sentiu mais um arrepio intenso percorrer-lhe o corpo.

- Vão…ouv…alguém…ah…vai olhar… - Disse enquanto tentava não desiludir o outro, ainda que o seu orgasmo fosse algo eminente.

- Hum…tento ser a tua puta, mas… no fim, sempre acabas…ah… por desapontar-me…ngh… - Mordeu o pescoço de Jean que deixou um gemido mais alto escapar e o corpo ficou tenso quase de imediato, esperando algum olhar na direção deles. – Mas… ah…se és assim, então serei eu a marcar-te… ngh… aqui e quando formos para casa e eu…ah…ah…Jean…

- Armin… não posso ma… - Foi interrompido por um beijo que fez com que os últimos gemidos de ambos fossem abafados.

Alguns minutos depois, quando se sentiu mais calmo, Armin levantou-se e começou por pegar nas roupas que tinha tirado, sobretudo da cintura para baixo. Vestiu-se com despreocupação, lançando um olhar aos presentes no cinema e vendo a razão para que ninguém se tenha apercebido. O senhor de idade continuava a dormir e os dois casais precisavam apenas de um pequeno incentivo para deixarem as roupas caírem no chão.

- Queres que vá até à casa de banho arranjar qualquer coisa para limpares a camisa? – Perguntou Armin.

- Visto o casaco por cima e em casa mudo de roupa. – Respondeu Jean.

- Provavelmente, não deverias mudar logo. – Respondeu, encostando novamente a cabeça ao ombro do outro.

- Ainda queres mais?

- Tens uma estamina que deixa muito a desejar. – Comentou Armin, encarando-o com curiosidade. – Isto para ti já chega? Não fizeste quase nada. É a mim que me dói as pernas.

"Não lhe posso dizer a razão para o meu cansaço. Além disso, tendo em conta, as marcas recentes não é uma boa ideia que me veja sem camisa. Terei que arranjar energia suficiente para assim que chegar a casa, encosta-lo à parede e fazer exatamente como ele quer…deixá-lo tão exausto como eu".

Quando chegaram ao apartamento, Armin ficou surpreso com a iniciativa por parte de Jean e não se queixou, apesar de essa não ser a ideia que tinha mente. Aliás, ao contrário de outras noites, também não colocou tantos entraves aos pedidos dele. O que o levou a pensar se tudo aquilo seria só porque realmente, o queria fazer sentir-se bem e esquecer os recentes acontecimentos ou havia mais qualquer coisa que lhe estaria a escapar.

No fim, não teve muito tempo para pensar nesse assunto, acabou por adormecer causado pelo cansaço.


Levi que não costumava ter problemas para se levantar cedo, praguejou naquela manhã ao escutar o som do despertador. Ter Eren doente, ainda que estivesse a recuperar e a carga de trabalho redobrada estava a prejudicar o seu descanso.

Mais uma vez, ao passar pelo quarto para se despedir da mãe e ver o adolescente, este último estava a dormir. Era um tanto frustrante, tê-lo em casa e não poder falar com ele ou mesmo tocá-lo como gostaria. E não era somente, a presença da mãe que dificultava as coisas, era sobretudo a carga excessiva de trabalho que Irvin colocava sobre os seus ombros que estava a tirar-lhe todo o tempo livre.

Além disso, também lhe faltava tempo para organizar e ver com atenção a informação contida no pequeno baú deixado pelo Sr. Arlert. Esperava que ao menos depois dessa primeira semana de aulas, as coisas se acalmassem o suficiente para poder organizar melhor o seu tempo. Até lá, iria continuar a sentir o peso do cansaço pelas horas de sono que andava a perder.

Nessa manhã, saiu acompanhado de Mikasa já que Armin iria diretamente para a escola de boleia com o Jean, na casa de quem tinha passado a noite. Deixou o carro em casa e optou pelo transporte público que o recordou o porquê de odiar tanto as pessoas em geral. Mais concretamente, a falta de higiene e senso comum para perceber quando estavam excessivamente perto, quase a respirar em cima dele.

A chegada à escola Maria não melhorou muito o dia, uma vez que antes de entrar no edifício, teve que separar dois alunos. Sendo que um deles teve a brilhante a ideia de dirigir-se a ele de forma desrespeitosa e acabou por ir para o gabinete de Irvin, juntamente com o outro envolvido na confusão. Praticamente, empurrou os dois alunos lá para dentro sem qualquer paciência para lidar com indisciplina.

- Posso?

- Não. – Respondeu secamente ao fim da manhã enquanto via Irvin a rir-se, entrar no gabinete, ignorando a resposta negativa. – Com muito trabalho?

O professor parou, apenas para dirigir um olhar assassino.

- Vieste até aqui para fazer perguntas estúpidas? Se é assim, podes sair. Há quem trabalhe por aqui. – Voltou a olhar para as folhas à sua frente.

- Preciso de um favor.

- Não quero ouvir.

- A escola primária, a que fica mais adiante, sabes? – Perguntou e mesmo com a ausência de resposta, prosseguiu. – Os professores acharam que seria interessante que visitassem as nossas novas instalações, até porque quando saírem daquela escola é para aqui que a maioria deles virá. É preciso que alguns professores estejam dispostos a recebê-los e a passar algum tempo com eles.

- Nem pensar.

- A Petra já aceitou.

- Ela, a Hanji, tu e outro otário que vá aturar crianças! – Disse irritado. – Não quero ter nada a ver com isso.

- Não fazias isso por mim? – Perguntou Irvin, apoiando uma das mãos na secretária e olhando diretamente para o professor que o encarou, arqueando uma sobrancelha.

- Estás a tentar convencer-me através de sedução? Esquece, oxigenado. Não és o meu tipo. – Falou e Irvin riu.

- Nem por curiosidade?

Levi estranhou a insistência e repentinamente, uma teoria passou pela sua cabeça. Existia uma probabilidade muito grande daquela conversa ter origem numa certa pessoa desequilibrada que não se encontrava presente nesse momento.

- A Hanji falou-te da ménage à trois. – Concluiu. – Se bem que o que mais me surpreende não é ela ter falado disso e sim, tu estares a considerar essa hipótese. Estás assim com tanta vontade de ficar de quatro para mim, Irvin?

O amigo riu novamente.

- Não, não. Concordaria apenas mediante algumas condições, entre as quais quem é que fica de quatro e quem toca em quem.

- Imagino, queres foder-me, mas eu não posso fazer isso contigo ou com a Hanji. – Falou, revirando os olhos. – Parece-me um bom plano para um fim de tarde. – Fingiu, consultar a agenda. – Deixa-me marcar um dia. 31 de fevereiro parece-te bem?

- Já pensaste em ser comediante, Levi? – Perguntou Irvin a rir-se.

- És a única pessoa, além da Hanji que diz que tenho algum sentido de humor e como sou perfeitamente capaz de concluir que não possuo tal habilidade, só posso deduzir que os dois não têm categoria suficiente para avaliar o que é humor. – Suspirou, fechando a agenda. – Acho que algures na nossa entrevista de trabalho, lembro-me de ter referido que uma das razões para me ter despedido das outras escolas em que estive foi acima de tudo por não querer lidar com ofertas sexuais.

- Mas não estou a ameaçar despedir-te, nem nada do que se pareça. – Disse Irvin ainda divertido. – Estou apenas como amigo, a perguntar-te se querias explorar o que é sexo a três. Devias sentir-te lisonjeado por estar a reconsiderar.

- Lisonjeado? – Repetiu a palavra. – E esquece, já sei o que é sexo a três ou orgias e provavelmente, muito mais do que possas imaginar.

- Ui, quanta experiência.

- Melhor do que a tua relação de longa duração com a tua mão. – Rebateu Levi.

- Oh, é isso que pensas? – Perguntou num tom falsamente ofendido. – Sempre fui bastante popular.

- Tch, não quero saber. Não há mínima hipótese de isso vir a acontecer. – Continuou a olhar para Irvin. – Mais alguma coisa ou posso continuar a trabalhar?

- Hum. – Irvin sentou-se na cadeira diante da secretária de Levi. – Andei a conversar com a Petra e a Hanji sobre os treinos dos miúdos para a competição com o Colégio Sina que está marcada para meados de abril. Acho que desta vez, não vou deixar tudo nas tuas mãos.

- Claro, vais continuar a delegar tarefas e desta vez, até a Hanji e a Petra vão conhecer o regime de escravatura. – Comentou.

- A Petra disse que participou em competições regionais quando era mais nova e andava na escola com um grupo de amigos igualmente competitivos. – Prosseguiu, ignorando o comentário de antes. – Sugeri que seria interessante, fazê-los jogar com a nossa equipa para ajudar nos treinos. Estou interessado em ajudar na orientação desses treinos em equipa, porque sejamos honestos, pareces ser excecional a título individual, mas deixas muito a desejar quando se trata de trabalhar em equipa. – Irvin conseguiu ver o exato momento em que aquelas palavras caíram mal no professor.

- Estás a dizer que podíamos ter ganho mais facilmente ao Colégio Rose se fosse mais competente a orientar o trabalho de equipa?

- O jogo de andebol estava muito centrado nas capacidades individuais de cada um, mas suspeito que isso não irá funcionar no Colégio Sina por isso, vou ajudar nas orientações dos treinos e quem sabes, também possas aprender alguma coisa.

- Mal posso esperar… - Murmurou entre os dentes.

- Sabias que também tive um historial desportivo memorável? – Continuou o diretor. – Gostava de ver entre nós os dois, quem…

- Estás a desafiar-me, Irvin?

- E se estiver?

Levi sorriu de lado.

- Posso até ter um estilo individualista, mas sempre foi mais do que suficiente para derrubar qualquer um que viesse cantar de galo à minha frente.

- Hum, interessante. Então, fazemos assim. Faremos um treino de demonstração com os miúdos a assistir. Tenho a certeza que será divertido.

- Se és a favor da humilhação pública por mim, tudo bem. – Levi encolheu os ombros. – Mas estás a falar dos miúdos do infantário?

- Escola primária. – Corrigiu o diretor.

- É praticamente o mesmo. – Falou irritado. – Não vou aturar crianças. Quero férias na próxima semana, aliás acho que vou estar doente ou até fora do país.

Irvin riu.

- Isso é tudo desprezo por crianças ou medo de pedir contra mim à frente deles?

- Vou fazer-te engolir essas palavras, Irvin. Espero que os miúdos tragam câmeras para poder ter o gosto de ver vídeos e fotos da tua humilhação espalhadas pela net.

Irvin riu enquanto saía do gabinete satisfeito por ter conseguido convencer o professor com as provocações acerca da sua performance desportiva. Iria ser interessante.


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Preview:

« (...)

Não esperava encontrar o adolescente fora da cama com um ar preocupado enquanto apanhava alguns morangos que tinham caído no chão. Ao escutar que Levi tinha chegado e iria ficar sozinho com ele por algum tempo, a pequena taça com morangos que Catherine lhe tinha dado caiu das suas mãos e ali estava ele a tentar não ser assassinado por possivelmente, ter sujado o chão do quarto.

- O que estás a fazer fora da cama? – Perguntou Levi e aproximou-se. – Deixa que eu apanho isso.

- Des…desculpa… - Falou, sentindo o rosto cada vez mais corado.

- Tch, acho que manchaste o tapete. – Falou e levantou-se em seguida. – Vou à cozinha procurar um pano e um produto qualquer que salve o meu tapete. – E estava prestes a sair do quarto, quando Eren finalmente deixou escapar as palavras que queria dizer há duas noites atrás, mas falhou quando viu o professor de óculos na sala.

- Capitão Levi.

O professor parou de imediato sem se virar para trás. Não tinha entendido mal, aliás tinha sido absolutamente evidente o que lhe tinha chamado.

Depois daquela tentativa frustrada naquela noite, Eren andava cada vez mais ansioso e nervoso, mas sem qualquer oportunidade para poder falar sobre isso. Desde então, nunca mais tinha visto Levi sem ninguém por perto, por isso aquela era a oportunidade ideal e não queria adiar mais.

- Capitão Levi. – Repetiu mais receoso por não ter obtido qualquer resposta ou reação, além do homem de cabelos negros ter parado perto da porta e então, este sem olhar para ele, perguntou (...) »