Olá, leitoraas
Desculpem pela demora... Mas, sinceramente, eu estava esperando mais reviews :)
Boa leituraaaa ;*
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Capítulo XXXIV (Bella)
- Está bem? – alguém pergunta. Alguém realmente infantil, com sua voz extremamente preocupada.
- Claro que está. – responde o outro sem ao menos dá um intervalo de uma respiração entre a pergunta feita e a resposta – Deu tudo certo, enfim.
Eu os conheço?
Dedos. Sinto meus dedos, e as mãos que as ligam aos braços. Sinto meu corpo como um todo. Porém de uma maneira diferente. Sinto um peso profundo no coração. Falta de algum sentimento. Ou ganho de algum sentimento. Por fim, consigo definir que são sentimentos.
Pisco. E o branco se mistura com o azul, até que outra pisca os faz separar um pouco. Um tom de amarele surge entre essas duas cores. E começo a distingui-las em coisas que me cercam.
- Veja, Nate. Está acordando. – alguém pula na minha frente, os cabelos loiros e enrolados me lembram vagamente os de outra pessoa.
- Vai me chamar por esse apelido ridículo até aqui? – pergunta um alto, moreno, familiar.
Afundo minha cabeça no travesseiro. Onde estou mesmo? Volto a abrir os olhos.
- Sejamos razoáveis, o aqui é muito indefinido. – diz o menor com um ar muito mais velho do que aparenta.
- Você sempre me pega com essas afirmações. – o moreno cruza os braços e lança um olhar em minha direção, momentaneamente lembrando que estou presente.
- Será que se esqueceu? – a voz angelical pergunta preocupada.
- Provável, um julgamento não tem sequelas definidas.
- Sim, isso porque ninguém nunca saiu propriamente vivo de um. – o loiro termina a frase abafando um sorrisinho.
- Julgamento? – consigo dizer, enfim. A garganta muito seca, custa-me um pouco falar.
- Não se lembra de nada, Bella? – pergunta o maior, seriamente preocupado. Aproxima-se mais e me parece mais familiar ainda.
Bella?
- Não.
Os dois se olham por uma fração de segundo, como se travassem uma conversa mentalmente, ou através do olhar. Não sei.
- Quem sabe eu ajude.
O menor se aproxima me olhando intensamente, como seus olhos profundamente azuis. Seu ar contraditoriamente maduro. Suas ações firmes. Toca-me na testa com seus dedos pequenos e macios. E sinto um sono.
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Tudo passando muito rápido. Movimentos, cores.
Caio de uma árvore. Tudo escuro. De repente olhos verdes me perseguem. Continuo a me movimentar. Passo por um casa, em meio a uma floresta, branca e com suas enormes janelas de vidro. Tenho a sensação de estar me escondendo de algo. Mas o quê? Volta a correr. E sou atingida por bolas que me atingem, são de várias cores, e no momento em que ela tocam a minha pele sinto coisas diferentes. Medo, angustia, solidão, confusão, alívio, enjoo. Amor. Amor? Estou cercada de pessoas. Todas andando em um corredor, entrando em portas. Um barulho alto. Rapidamente a cena muda e estou em uma procura incessante por alguém. Mas quem? Acho. Toco nela. E desapareço.
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A verdade cai em cima de mim como um balde de água fria.
Estou em um hospital. Humano. Perdi minhas asas. Perdi minha posição de anjo. Fui descartada à Terra.
Sou humana. Sou humana?
Volto a abrir os olhos. Os dois ainda estão lá.
- Gabriel! – emprenho-me em falar com um tom alegre, mas um dor me impede, não sei onde é, na verdade, nunca havia sentido dor antes como anjo – Nate!
Natanael estende seu braço e acaricia calorosamente meus cabelos enquanto seus olhos refletem o mais profundo alívio. Gabriel apenas me olha com seu sorriso mais radiante.
- Você conseguiu, Bella. – Nate diz.
- Consegui?
- Sim, é livre agora. – ele fala como se só houve percebido agora que eu não era mais o bebê que lhe fora confiado – É livre para ser o que quiser ser.
- Com responsabilidade. – Gabriel completa – Acabou de sofrer um acidente.
O choque foi grande.
- Acidente?
- Sim, não tinha outra maneira de fazê-la chegar à Terra. – começou o anjinho.
- Estávamos sem ideias. – tentou se desculpar o maior.
- Forjaram um acidente? – perguntei a ponto de rir.
Os dois assentiram como crianças pegas fazendo algo errado.
- Não faz mal, tenho que encontrar o Edward, e tudo ficará bem. – suspirei.
Os dois anjos voltaram a se olhar como se armassem um plano, muito bem traçado.
- O quê? – perguntei curiosa.
- Na verdade, já temos tudo resolvido. – Gabriel falou orgulhoso, voltando a ser a criança que aparentava ser, fisicamente falando.
Um segundo se passou e a porta da sala de emergência se abriu. Ninguém, além de mim, conseguia ver os dois anjos. Suspirei aliviada por não terem me tirado, pelo menos, esse dom.
O alívio foi ainda maior quando percebi quem era o médico que entrava na sala com uma ficha nas mãos e caminhando na minha direção.
- Obrigada. – sussurrei para os dois anjos que desapareciam gradualmente.
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(Gabriel)
- Você acha que ele conseguiu?
- Você sabe que sim. – respondeu Nate, andando de um lado para o outro com uma mão no queixo.
- Porque ainda está preocupado, Nate? – perguntou me sentando na raiz de uma árvore que brotava do chão e se retorcia na horizontal – Está tudo resolvido. Ninguém precisa mais da gente.
- Você acha mesmo?
- Tenho certeza. – falei categórico – E se não, você sabe que podemos dar um jeito...
Paramos por um momento, ponderando até onde iria nossas forças e começava nossas limitações. Tenho medo, medo não, receio de pensar nesse assunto e acredito que Nate tem total recusa a pensar que possamos ter algumas limitações.
Nate parou de andar, encostou-se a uma árvore, os braços cruzados na frete do corpo e o pé apoiado no tronco. As sobrancelhas franzidas delatavam seu estado de preocupação.
- Eu te entendo. É uma situação bem complica de resolver.
Natanael levantou a cabeça bruscamente, assustado.
- Mas não acabamos de dizer que está tudo resolvido. – o anjo maior tentou desviar.
- Você sabe que já não estamos mais falando do mesmo assunto. – disfarcei um doce sorriso. O Nate às vezes era difícil de si entender.
Ele nega tudo. E nega mais ainda si mesmo.
- Gabriel, - ele falou respirando fundo – do que você está falando?
Deixei a pergunta no ar por um momento, esperando que ele mesmo procurasse uma resposta para ela. Mas em certo ponto comecei a ficar desesperado, porque ele não queria assumir. Será que ela tão cego assim?
- Não vê?
- Claro que não. – ele se desencostou da parede e voltou a andar de um lado para o outro – Como posso adivinha o que se passa nessa sua cabecinha curiosa.
- Não quer nem tentar dar uma olhada?
- Pensei que havíamos concordado em não mais xeretar o pensamento um do outro. – ee falou com um pouco de desdém.
Sorri.
- Está fazendo.
- O quê? – perguntou sem me olhar nos olhos.
Levantei-me de onde estava sentado, caminhei até ficar mais próximo dele. Não me aproximei demais, ele intimidado ficar muito perto dele.
- Negando.
- Não tivemos uma conversa assim? – ele levou a mão até o queixo, imitando uma expressão de dúvida.
- Já. – comecei levantando uma sobrancelha frente a sua expressão – Mas parece que você não aprendeu nada com ela.
- Assim você me agride.
- Nate, você e eu sabemos que eu não teria altura para tal.
Depois de um breve silêncio, caímos os dois na gargalhada. Fazia um bom tempo que não ríamos assim. Sem nenhuma preocupação, toda a história da Bella havia levado boa parte do nosso já tão comprometido tempo livre.
- Então. – tentei voltar ao assunto principal – Você vai virar humano também?
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(Natanael)
Ele me pegou de surpresa. Fiquei em choque.
VIRAR HUMANA?
Nunca. Nunca?
Eu amo ser anjo. Amo os benefícios que isso trás. Amo o poder de tal posição. Não deixaria isso por nada.
O que está se passando na cabeça dele.
- O QUÊ? – gritei fazendo o anjinho cair no chão de tanto rir.
- Você deveria ver sua cara, Nate. – ele conseguiu dizer no meio de uma crise de riso – Deveria mesmo. Nem você iria conter o riso.
- Muito maduro da sua parte, Gabriel.
- Não vê? Sou uma criança. – ele apelou, apontando para si enquanto se levantava do chão.
Porque ele não fala o que queria e pronto? Ele sempre tinha que fazer todo um suspense.
- Então. Vai ou não?
- A resposta é Não. Não. Não. E não. – falei aos pulos – Sou anjo e vou seguir sendo.
Cruzei os braços fortemente na frente do corpo e o anjinho reprimiu um riso.
Irritante.
- Então vai transformá-la em anjo? – perguntou finalmente.
Um frio tomou corta do meu corpo. Não era fácil. Não era nem um pouco fácil. Não sei se valeria a pena. Não sei se ela iria querer.
Agora eu entendi. Voltei a olhá-lo e ele estava com um ar de triunfo. Com aquele ar de menino prodígio.
Ah não.
Toda essa conversa. Todo esse arrodeio era para chegar a essa pergunta. A essa [não] tão simples pergunta.
Então vai transformá-la em anjo?
- Não sei.
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Então, o que acharam do capítulo? Quem quer que Nate vire humano?
Ainda não sei o desfecho da história Nate x Jan... Mas posso afirmar que vai ser chocante.
Obrigada as leitoras que deixaram reviews no capítulo passado: Daia Matos, Agome Chan.
Respostas as reviews:
Daia Matos: Hey, Daia.. Bem provável, não? Renata está mais para Renée do que qualquer outra pessoa... Bom saber que gostou do capítulo passado, sweet.. Beijos e até o próximo.
Agome chan: Nuss, reconheci você pelo pergaminho, porque saiu anônima o review hehehe :) Saudades do pergaminhooo \o/ Perguntas ótimas como sempre, e como sempre, vamos ver o que os próximos capítulos nos reservam _" beijos, flor, até o próximo \o/
Então, por hoje é só isso... Estamos na reta final, espero que vocês comentem *-*
Beijos e até o próximo capítulo,
BibiAlbano.
