Do alto de uma das torres ela assistia toda a movimentação no pátio do castelo e pelos arredores. Robb acompanhava o pai como se estivesse unido à ele por meio de uma coleira de aço, justamente no 'faça isso, Robb' ou 'não seja aquilo, Robb'. Era interessante o quanto 'fabricavam' o herdeiro de Winterfell, e que Arya não poderia ter opinião nenhuma quanto ao assunto por ser uma menina. Essas idiotices conseguiam irritá-la dia após dia, principalmente quando via que Bran, mesmo sendo dois anos mais novo que ela, já acompanhava Robb nos treinos pesados e nas missões que mal ela sabia do que se tratavam. Os Arryn estariam preste a chegar naquela bagunça organizada por Lady Catelyn e finalmente Sansa se despediria de todos, levando embora o seu perfume adocicado enjoativo e suas boas maneiras superficiais e vazias. Dentre toda aquele arsenal de diversidade, Arya não tinha a ninguém para recorrer, exceto o filho do melhor amigo do pai.
Gendry Baratheon era um rapaz desinteressado pela vida aristocrática e geralmente manifestava-se em seu complexo de inferioridade que a fazia perder todo o fascínio em qualquer um. Gostava de pessoas com um orgulho forte, decididas e que marcavam território facilmente. Não era esse rapaz que Arya gostaria para sua vida, embora...
...passar 'algum tempo' com ele sirva pra algo.
Arya não era virgem há alguns meses, para o escândalo interno dos Stark.
Faz duas semanas que eles descobriram.
Mesmo entre tantos sermões e caretas incrédulas, foi até divertido ver a elegante Catelyn Stark perder a pose por alguns momentos. A virginal Sansa só faltou abanar a fogueira com o seu lindo leque bordado em pedrarias apenas para aumentar a confusão para a irmã mais nova, fazendo com que a pequena Arya se tornasse cada vez mais revoltada pela irmã que tinha. Rezou muitos aos deuses antigos que ela fosse embora o mais rápido possível, e eles atenderam-na rapidamente.
Por ser uma menina um tanto quanto diferente do esperado, o pai não sabia direito o que fazer para educá-la. Sempre que começava a instruí-la, lembrava da Rainha Lyanna e do seu modo impulsivo tão característico que a fez abandonar tudo para fugir com Rhaegar Targaryen. Arya sentia pena do pai quando aqueles momentos chegavam, uma tristeza amenizada com o tempo logo surgia em sua face e o passado tão doído logo se tornava presente ao ver a filha mais nova que tinha. As semelhanças entre a Rainha e a nada convencional Arya eram enormes, tanto pela aparência quanto pelo modo qual se portava.
Isso fazia com que as pessoas em Winterfell ficassem nostálgicas demais, sentimentais demais quando, sem-querer, a chamavam de Lyanna. Não era tão incomum ver que muitos criados trocavam os nomes até hoje, alegando que o modo agressivo de Arya continuava sendo extremamente compatível com o da Rainha.
Mesmo não falando tal coisa em voz alta.
Afinal, seria traição caso alguém ofendesse Lyanna Targaryen. A tia de Arya construiu com o Rei uma nova política, mas bem ao modo Targaryen de ser. Cada um dos Príncipes tinham um apelido por toda Westeros, geralmente dado por conta de suas personalidades e talentos que tanto propiciaram a monopolização do poder na mão do Rei e da Rainha.
Aegon Targaryen, o 'Dragão de Dorne'.
Jon Targaryen, o 'Príncipe Lobo'.
Rickard e Brandon Targaryen, os 'Gêmeos de Fogo'.
Jaehaerys Targaryen, o 'Articulador'.
Elliot Targaryen, a 'Rosa de Inverno'.
Cada um deles tinha suas peculiaridades, e cada vez mais que cresciam, mais poder reuniam ao redor de si em Porto Real. Diziam que as aparências eram contrastantes e Sansa vivia atrás de alguém que algum dia fizera algum retrato deles, cultivando sua inocência e perigosa ingenuidade de acordo com os planos da própria mãe. Lady Catelyn sempre quis criar as filhas dentro das imponentes muralhas de Winterfell como se o sujo mundo lá fora fosse inexistente, algo que Sansa só aprendeu depois que conheceu os Lannister refugiados e escondidos no Norte.
Cersei Lannister a mostrou coisas... interessantes.
Mas como criada, é claro.
O orgulho de leão, do 'Ouça-me Rugir', desapareceu por completo.
Agora costumam fazer chacota ao falarem...
...Ouça-me Fugir.
Voltando ao assunto da família real, era natural a curiosidade embora Arya nunca tivesse dado uma real importância para todos eles, exceto quando a comparavam com a Rainha, acontecendo diariamente.
Aegon tem a aparência tipicamente valiriana.
Jon já aparenta um Stark de Winterfell.
Rickard e Brandon compartilhavam do mesmo tom de cabelo prateado, mas olhos cinza-claro.
Jaehaerys também assumia a aparência da antiga Valíria
Elliot possuía os olhos do pai e o cabelo da mãe.
Pelo menos era assim que o pai descrevia a aparência de cada um deles quando ia até a capital, o que fazia uma vez a cada dois anos. Era um lugar triste para qualquer um que presenciou aqueles tempos de guerra, principalmente para os nortenhos. Já sua mãe falava certas coisas a respeito do modo que a Rainha criava os filhos, criticando-a quando o marido ou tio Benjen não estavam por perto.
Mamãe acha que todo mundo deve criar os filhos dentro de muralhas.
Parecia ser exatamente o oposto com que ela fazia com Arya e Sansa, não inserindo-as no jogo dos tronos. Mas esta era uma peculiaridade de Lady Catelyn, que também cometera tal erro com Robb e só foi consertado após visitarem a Fortaleza Vermelha, presenciando como se fazia política séria e impiedosa com os dragões.
Robb costuma falar que Jon é a cara do nosso pai.
Independente de qualquer fator, não parecia que a família real iria visitá-los no Norte tão cedo.
Ou nunca, se quer minha sincera opinião.
O pai costumava recusar os pedidos de visita que a Rainha sempre mandava, havia um certo acordo entre eles que Arya não sabia direito do que se tratava... mas obviamente tinha a ver com a situação com que o Rei e a Rainha se conheceram. Era uma história bastante nebulosa para quem não a viveu assim, tão de perto quanto eles, mas as complicações...
...ahh, essas complicações...
Tudo isso acabava juntando o ideal da Lady Stark de preservar suas filhas dentro de muralhas até que se casem, o que acontecerá mais rápido do que Arya realmente gostaria. O problema era saber qual garganta que ela teria que cortar pois este assunto nunca parava perto de seus ouvidos. Olhou ao redor, a imensidão era espetacular e a sensação de estar acima daquilo tudo era prazerosa, de fato.
Será que é assim que minha tia se sente?
Olhando, analisando, controlando e articulando tudo de cima?
Do alto do Trono de Ferro?
Rhaegar poderia ser o Rei, mas, como as mais velhas dizem...
...o homem pode ser a cabeça de um casamento, mas a mulher é o pescoço que gira a cabeça para onde quiser.
Bem, o segredo não era exatamente o pescoço. Cersei Lannister que o diga, conseguiu virar criada no Norte usando seus talentos práticos e até mesmo... admiráveis. A lobinha sempre gostou de atormentar a acabada leoa, diferentemente da burra e ingênua da Sansa. Mas essa era outra história, o noivo da irmã rapidamente chegaria em Winterfell e aí ela iria embora para nunca mais voltar.
Arya sonhava com esse dia mais que tudo, as comparações com a ruivinha mais linda e egocêntrica de Westeros não eram nada agradáveis. Tinha consciência de que a irmã era a favorita da mãe porque se encaixa perfeitamente nos padrões sulistas (ou até mesmo nortenhos) de como se criar garotinhas perfeitas para um bom casamento, honrando a família até a morte depois de dar mil herdeiros ao marido. Sansa sabia costurar, bordar, cozinhar, fazer vestidos, etiqueta, boas maneiras e até mesmo conseguia cavalgar decentemente, sendo seduzida pelo menor toque de galanteios e glamour. Como não se irritar com alguém tão perfeito ao seu lado?
A verdade era que a lobinha se sentia um fracasso perante todas as exigências que faziam-lhe diariamente. Não adiantava tentar não se importar, eram coisas que a perseguiriam por resto da vida enquanto continuasse com o sobrenome 'Stark' após seu primeiro nome. Robb conseguiu se casar por amor com a ajuda da mãe adorável que tinha, mesmo levando vários sermões antes de dormir no primeiro mês de casado.
Localizou a cunhada no pátio, ela caminhava lentamente com Sansa enquanto conversavam provavelmente banalidades, rindo de qualquer coisa. Jeyne Westerling, uma refugiada Lannister, ostentava um barrigão de sete meses que era exibido por todo o Norte com orgulho. Arya não sabia aonde o irmão mais velho a conheceu, mas foi uma aventura que lembrou ligeiramente a Rainha...
...mas como ele é homem, as coisas aconteceram bem diferente.
Se fosse Arya a fazer algo semelhante, estaria trancada em uma masmorra.
Pelo menos é o que meu pai fala que deveria ter feito com a irmã.
A lobinha mataria quem colocasse as mãos nela, de fato.
Escutou alguns passos pesados se aproximando rapidamente, mas ela nem precisou se virar para ver quem era.
- Vai sentir falta da sua irmã? – perguntou Lorde Stark sério, mas beijando-lhe a testa. A lobinha deu de ombros – Será bem difícil uma visita dela, tem certeza que não sentirá falta?
- Vou sentir falta dos momentos que Sansa monopolizava Lady Catelyn Stark enquanto eu procurava um meio de ir caçar com os meninos – respondeu simplesmente, tão delicada quanto um coice de mula.
O que deveria ser um olhar de censura, se transformou era uma risada contida do pai. Sabia o que aqueles olhos misteriosos tão característicos dos Stark pensavam no momento.
- Sua tia não teve uma mãe presente para ajudá-la nos preparativos para a vida adulta... – ele coçou a barba pensativo - ...e deu no que deu. Nosso pai não era muito bom em estabelecer limites à ela, assim como eu sou péssimo nisto com você.
- Tia Lyanna virou Rainha, talvez ela tenha feito algo certo – argumentou orgulhosa da comparação, mesmo as palavras 'irresponsável' e 'impulsiva' estejam bem presentes naquela observação.
Agora foi a vez do pai dar de ombros.
- Mas ela teve muitas dificuldades quando chegou na Fortaleza Vermelha, reinar é algo complicado e que eu não desejava para minha própria irmã – começou o pai em um mar de divagações, o que era sempre muito interessante já que seu temperamento era mais recolhido e introvertido, sendo de difícil acesso suas memórias mais profundas – Lya fez certo quando resolveu criar os filhos da maneira que os dragões criam, sempre com liberdade demais para saber que qualquer um pode estar tramando a morte deles. Isso fez o instinto de sobrevivência de todos evoluir rapidamente, principalmente depois que assumiu o papel de mãe do herdeiro do Trono de Ferro. O Príncipe Aegon a chama de mãe, o que foi bem estranho presenciar.
- Como eu disse... – Arya soltou o longo cabelo da trança elaborada que a criada fez antes de sair do seu quarto, jogando várias flores no chão, pisando nelas. Era um movimento instintivo, aquelas pétalas despedaçadas eram mil Sansas que a faziam se sentir um imenso fracasso diante do pai - ...tia Lyanna deve ter feito algo muito, mas muito certo.
- Não deixe sua mãe escutar isto, filha – aconselhou-a sabiamente – Lady Stark tem uma ideia muito diferente do que é maternidade, sabe que ela nunca deixaria suas crianças soltas por aí sem informar aonde vão, como vão, se vão e quando podem ir.
Arya revirou os olhos impacientemente.
- Eu não sou uma criança.
O pai sorriu divertidamente, passando a mão no cabelo dela para propositalmente bagunçá-lo. Gostava dos momentos em que ela e o Lorde Stark ficavam sozinhos, era como se o pai voltasse a agir jovialmente ao vê-la e lembrar dos dias felizes em que os lobinhos, e a lobinha, Stark brincavam pelos arredores de Winterfell. Era uma face que até mesmo Robb não conhecia, para a felicidade, orgulho e vaidade da mais nova lobinha nortenha.
- Será sempre uma criança aos olhos dos pais – falou ainda sorrindo – Mas infelizmente o tempo passa muito rápido, já ouviu o ditado que ninguém conhece o futuro e que ele fala por si próprio? – ela assentiu, era um ditado dos contos da Velha Ama – Nunca pensei que viraria Protetor do Norte, este posto sempre foi de Brandon, e também jamais passara por minha cabeça de jovem que minha irmãzinha viraria Rainha... e mãe de dragões e lobos. O tempo fala por si, Arya.
Tá filosofando bonito, Lorde Stark.
- Só espero que o tempo não seja cúmplice da minha mãe – confessou de forma trágica e cômica ao mesmo tempo – Se depender de Lady Catelyn, é possível que meu casamento seja ainda hoje.
O pai deu de ombros, ele também não gostava da ideia de ver sua filhinha se casando e indo para longe dali.
- Ninguém pode forçar um casamento quando se tem o nome 'Arya Stark' envolvido – começou sorrindo para a filha, fazendo-a pensar o quanto era sortuda pelo pai que tinha – Nenhum Lorde ou Lady gostariam de ter o filho morto tão cedo.
- Não é assim que os Baratheon pensam – comentou já tocando no assunto complicado, Arya nunca foi de aliviar as coisas pra ninguém. As coisas eram escritas no preto e branco para ela – Se eles continuarem insistindo...
- Deixe que com insistem, sua tia Lyanna ficará decepcionada caso eu aceite a oferta deles - ...e se tem algo que Ned Stark tem medo, é a irmã... – Mesmo sendo bastante tentadora ver meu grande amigo finalmente vendo que pode misturar veados e lobos-gigantes.
Já misturei com um veado, pai.
Mas não de forma oficial, e seu pai procurava ignorar tudo a respeito.
- Isto não acontecerá, pode ter certeza – assegurou firmemente.
Os olhos acinzentados do pai pareciam contentes em ver que a sua filhinha tinha mais de Stark do que Tully no sangue.
Sansa nunca agiria assim.
Mas o pai inesperadamente tirou uma carta do bolso. O selo rompido era do dragão de três cabeças, e o olhar dele era pensativo demais para sugerir alguma brincadeira. Arya não se atreveu cortar aquele momento de melancolia do homem, mesmo odiando ver seu próprio pai perdido em lembranças desagradáveis.
- Recebi esta carta do Rei hoje mais cedo, eles virão para o casamento de sua irmã... mesmo não sendo convidados – revelou pouco a pouco, como se ainda estivesse absorvendo a informação – Letra de Rhaegar Targaryen, palavras de Lyanna Stark.
A lobinha arregalou os olhos, não daria tempo para eles saírem de Porto Real e chegarem até Winterfell em poucos dias. De qualquer forma, foi uma carta que ninguém esperava...
...e eu pareço a primeira a saber disto.
Mas qual era a intenção?
Papai deveria conversar sobre tal assunto com Meistre Luwin, mamãe ou até mesmo Robb.
- Eles só querem nos assustar – falou incerta – Não dará tempo.
Ele a analisou atentamente, e assim ela se sentiu uma completa idiota por sua ingenuidade.
- Eles já adentraram o Norte rapidamente, nem tivemos notícias deles de tão cuidadosos que são - ...então quer dizer que... – Mandaram esta carta quando estavam passando pelas Gêmeas. Sei que deve estar se perguntando do motivo de eu estar te contando tudo isto antes de qualquer pessoa – Arya assentiu imediatamente – Me prometa uma coisa, Arya: você não se envolverá em qualquer tipo de confusão com nenhum deles, nem mesmo com a pequena Princesa Elliot. De todos eles, o que você menos precisa se preocupar é com Jon, ele não fará nada inesperado ou desagradável para ninguém pois é um Stark legítimo. Mas não garanto quanto aos outros, está bem?
Ela ergueu uma sobrancelha, ele estava sugerindo que ela poderia bancar a idiota romântica?
Este lugar em particular está reservado para minha patética irmã.
- Por que o senhor pensa que... – ela se calou após receber um olhar feio - ...está bem, eu prometo não me envolver com nenhum deles, nem sequer acertar uma paulada na canela daqueles dragõeszinhos.
- Se quiser conversar sobre qualquer coisa Targaryen, vá até sua tia – aconselhou-a – Sei como é curiosa, não me esqueço de quando decepou a mão de Jaime Lannister... por engano.
Por engano?
Não foi bem assim que aconteceu.
- Foi o presente de aniversário que demos para o Rei, oras – deu de ombros como se todo dia arrancassem membros de nobres fugitivos alheios – Ele gostou muito, quero dizer, o Rei.
Agora foi a vez de ele revirar os olhos.
- Mas deu confusão, então...
- ...prometo ficar quieta no meu canto – completou cruzando os braços enquanto o pai assentia, mesmo duvidando do que a lobinha poderia ter em mente.
Não entendo porque acham que sou tão previsível a ponto de repetir algo que minha tia fez.
Arya era famosa por sua imprevisibilidade.
(...)
O clima da mesa não estava lá muito descontraído. Depois que Lorde Arryn, ou melhor, o que restou do Lorde Arryn, chegou e se acomodou com sua esposa histérica, Lorde Stark foi obrigado a contar o que as novidades nada boas. Era por isso que o jantar estava tenso, Arya não poderia mover um dedo que alguém já a analisava como se fosse algum indício perigoso à la Lyanna Stark no Torneio de Harrenhal.
Sansa aparentemente gostara da informação, mesmo sendo a noiva do herdeiro, que nem era o legítimo herdeiro, de Jon Arryn. O jeitinho meigo e pomposo da irmã quase virara um tom de euforia quando soube que a família real iria prestigiá-la naquele evento. Robb pareceu ligeiramente nervoso, ele conhecia todos os Targaryen e tinha certeza de que não eram tão discretos quanto falavam do primogênito da tia.
Nem preciso descrever o quanto mamãe odiou a notícia.
Mas não havia nada a se fazer.
Quem tem juízo, obedece.
Essa nova geração de dragões estava absurdamente ameaçadora.
- Quando eles chegarão? – perguntou a histérica Lysa Arryn, sua tia por parte de mãe que se encantara (ou não) com Sansa.
Fazia quatro dias desde que a carta havia chegado, mas o pai só resolveu contar para todos a partir do momento que conseguiu escrever um discurso defendendo a irmã por sua inesperada sugestão de visitá-los sem serem convidados. Ele e tio Benjen poderiam reclamar da Rainha o quanto quiserem, mas nunca permitirão que outros façam o mesmo.
- Dentro de dois ou três dias, não se sabe exatamente – respondeu o pai firmemente, era nítido que ele evitava contato com a louca dos Tully após esta ameaçar suicidar por causa de um pudim de maça com bananas caramelizadas – Tenho certeza que estão com pressa, Lady Arryn.
- Os lobos-gigantes já foram mandados para nos alertar quando a família real chegará, tia Lysa – informou Robb com seu melhor tom de voz 'herdeiro de Winterfell', que agora costumava revirar o estômago da lobinha. A pompa Tully adentrava-o lentamente, mas pelo menos um forte braço Stark resistia dentro do rapaz – Vento Cinzento, Verão e Nymeria já estão em seus postos.
A mulher ergueu a sobrancelha em tom de dúvida.
- Tem certeza que essas... – não se atreva... - ...feras são confiáveis? Digo, nenhum de vocês estão na cabeça delas para saber como pensam.
Um silêncio profundo de acomodou no aposento.
Ela sabe dos boatos, por que insiste no assunto?
Não era um campo seguro para se comentar em Winterfell, até mesmo Sansa conseguia ativar seu lado warg com Lady enquanto sonhava. Todos tinham sua 'fera', até mesmo o primogênito da Rainha, Jon Targaryen, havia recebido um filhote de lobo-gigante albino na época por ser uma cópia exata dos Stark de Winterfell.
Só não sabiam se o Príncipe também tinha este talento em particular.
Lady Stark levantou o olhar desafiadoramente, detestava quando qualquer um que não pertencesse ao círculo íntimo familiar falasse de algo tão polêmico e íntimo publicamente. Nessas horas que todos temiam a truta que tinham no Norte, ela conseguia botar medo no mais feroz espadachim apenas com o olhar.
Mesmo com essa ameaça silenciosa, Lysa Arryn não se intimidou.
Briga de irmãs.
Só esperava que ela e Sansa não fossem assim futuramente.
Na parte de revelar fatos polêmicos.
No resto, até seria rotina.
- Como vai o pequeno Robert, irmã? – perguntou a mãe em um tom claramente desafiador – Ainda dorme em sua cama após estar crescido? Não espera, ele tem que ficar por perto... nunca se sabe quando o jovem Robert Arryn pode passar mal. O jovem senhor poderia até se casar com minha linda filha Sansa, mas de algum modo foi outro que o amável Lorde Arryn escolheu para herdar o Ninho da Águia.
Tão indefesa e delicada quanto um coisa de mula.
Essa era a Catelyn Stark que todo mundo conhecia, e temia.
N/A: A fic voltou a todo vapor, para glorificar de pé, igreja! Obrigada pelos comentários tão repentinos, é legal ver que mesmo após cinco meses (ou mais) ainda tem gente verificando se tem capítulo novo. Espero que estejam gostando deste rumo, fiquei pensando em fazer algo do tipo desde que comecei a escrever esta fic. Uma trollada linda para pensar que eu matei Lyanna, me julguem. Enfim, aqui está mais um capítulo e a postagem continuará, não se preocupem. Este foi o capítulo de Arya, mostrando como o núcleo de Winterfell se apresenta e os rumos da fic. Espero que estejam gostando, beijos e comentem/favoritem/sigam/seilá. Até a próxima, não demorarei a postar! Estejam aqui na quinta-feira, ok?
