Lock 37: Kureshima VS Kureshima
O céu escureceu em pleno dia. Sonozaki Ryuube tirou a vida de seu filho sem piedade, e com isso, conectou as memórias da Terra com a órbita da Lua, fazendo com que ela encobrisse o sol perdendo seu brilho logo em seguida, trazendo a escuridão para o planeta Terra. Todos os humanos observaram aquele fenômeno assustados. Ninguém fazia ideia do que estava acontecendo. Ryuuji recolheu o que restou do cinto de Raito e foi para a torre da Yggdrasill a fim de pesquisar algo que pudesse consertar o objeto e possivelmente trazer o Rider de volta. Shinji e Akiko permaneciam no Mundo dos Espelhos e Ren seguia sua busca pela irmã, ainda sem sucesso. A falta de informações era angustiante e ele estava tão desesperado que nem conseguia pensar. Akira observava tudo do lado de fora de sua casa. Ela estava preocupada com Takatora, que havia acabado de voltar de outro coma, e às vezes ela suspirava o nome dele em voz baixa. O Príncipe, por sua vez, corria mata adentro cortando tudo o que via pela frente com sua espada. Ele estava cada vez mais próximo da antiga casa de seu pai que agora era de propriedade sua.
Enquanto isso, Mitsuzane concretizava lentamente seus desejos libidinosos sobre o corpo de Hana, mas a Princesa mantinha-se firme, pois sabia que algo, ou alguém, a salvaria daquele monstro. Quando ele beijava sua boca, ela sentia nojo e olhava para ele com ódio. Tal comportamento estava deixando o insano Kureshima ainda mais irritado e ele desferiu vários tapas pelo corpo dela, mais uma vez sem obter nenhuma reação por parte da garota. Era claro o fato de Mitsuzane estar completamente louco. Ele não media as consequências de seus atos.
- Então esse é o seu jogo? Vai fazer de conta que nada te afeta, vadia? Então vamos ver como você lida com isso! – Gritou louco.
Mitsuzane estava prestes a arrancar violentamente a calcinha de Hana quando Takatora colocou a porta abaixo com um único chute e ao ver o que estava prestes a acontecer, ele pegou o irmão pelos cabelos e o empurrou para longe, fazendo-o bater em cheio contra a parede do quarto, caindo sentado em seguida. Os irmãos compartilharam um olhar mortal um pelo outro, e Hana não conseguia crer no que estava vendo. Por um lado, pensava que o mais provável seria que seu irmão viesse salvá-la, mas nunca pensou que seu amado Príncipe o faria. Seu coração se encheu de uma alegria sem tamanho, ao mesmo tempo em que o ódio do Kureshima mais novo só fazia aumentar.
- Takatora... Nii-san...
- Mitsuzane...
Um apenas disse o nome do outro. Nenhum dos dois acreditava no que estava acontecendo. O tom de Takatora era de decepção e revolta por tudo de ruim que seu irmão fez e continua fazendo contra ele. Sua tristeza já era suficiente antes, ao lembrar-se que ele tentou matá-lo, mas o que ele presenciou naqueles segundos foi demais para ele. Fazer mal a sua amada era algo que ele jamais perdoaria. Por sua vez, o Kureshima mais novo pronunciou o nome do irmão rangendo os dentes de ódio. Ele estava a ponto de explodir, pois achava que seus problemas estavam resolvidos ao se livrar de seu irmão, e de repente dá de cara com o mesmo vivo bem à sua frente.
Takatora ignorou seu irmão por enquanto. Ele desamarrou Hana e os dois se abraçaram. Um abraço caloroso e cheio de amor, que depois de muito tempo eles finalmente podiam compartilhar.
- Meu amor. Não posso acreditar que você esteja vivo. Parece um sonho poder sentir você de novo. Tocar seus cabelos, te beijar... – disse a Princesa, chorando de felicidade.
- Minha Princesa, não se preocupe. Eu estive muito mal, mas agora está tudo bem. – Respondeu com carinho. – Está machucada? Fiquei tranquila. Eu vou te curar.
- Perdão, Kureshima-san. Morro de vergonha por você ter que me ver neste estado. – Hana disse envergonhada por estar quase nua.
- Isso não é nada. Eu nem reparei. – Comentou sincero. – Você tem algo mais grave além desses hematomas? Eu sinto como se tivesse algo dentro de você.
- Sim, querido. Aquele demônio do Mitsuzane inseriu um Gaia Memory dentro do meu corpo, por isso meus poderes foram selados. – Respondeu triste.
- Minha amada... como você sofreu. Meus poderes irão curá-la. Apenas relaxe. – Disse calmo.
O Príncipe abraçou a Princesa, e sua energia brilhante rapidamente curou os machucados dela. Um Gaia Memory saiu de seu corpo, flutuando sobre sua cabeça. Takatora pegou o objeto e o quebrou com suas mãos. Na mesma hora Hana recuperou seus poderes e se transformou em sua forma de Princesa. Ela estava mais linda do que nunca com seus longos cabelos azuis e seus olhos dourados, e seu vestido reluzia como nunca. O Príncipe a olhava fascinado e seu olhar transmitia um imenso amor para com ela. Eles se abraçaram e se beijaram. Mitsuzane observava tudo com um ódio tremendo. Sua vontade era de vomitar, pois ele não suportava ver aquilo.
Ainda no Mundo dos Espelhos, Shinji se recuperava em seu quarto. Inconsciente, ele teve os ferimentos tratados por Akiko, que não saiu do lado dele o tempo todo. A garota não tirava os olhos dele nem por um momento. Nunca admitiria, mas ela gostava dele, e muito. A camisa aberta, o tronco enfaixado, ela colocou sua mão na altura do cinto dele e a deslizou suavemente pelo seu corpo até pousar em seus cabelos. Aquelas madeixas douradas, lisas e brilhantes... Narumi Akiko tinha verdadeira adoração por elas. Ela acarinhou por um bom tempo o cabelo macio do Ryuki enquanto o olhava fixamente. De alguma forma, Shinji conseguia atraí-la significativamente, mas naquele momento em especial, ele pareceu seduzi-la apenas por estar daquele jeito, tão imóvel e indefeso, sem poder expressar reação alguma... Akiko apenas pensava que ele estava ainda mais lindo. Ela também não tirava os olhos da boca entreaberta do rapaz. Narumi Akiko nunca pensava. Ela sempre fazia tudo na base do impulso, e foi justamente no impulso que ela foi se aproximando lentamente até que ficasse perto o bastante para beijá-lo. Assim ela o fez. Beijou-o. Não sabia se estava certo o que ela estava fazendo, mas tocou o foda-se e o beijou assim mesmo. Claro que ela não esperava uma resposta, já que ele estava desmaiado, mas pelo menos ela pôde concretizar seu desejo de beijar Shinji como ela sempre quis desde que ele a salvou em seus braços quando se conheceram. Akiko colou seus lábios quentes ao dele, aparentemente frios enquanto alisava os cabelos que caíam sobre a lateral de seu rosto. Ela já estava prestes a se afastar, temendo que ele pudesse acordar, quando sentiu uma mão quente pousar sobre sua nuca e os dedos se perderem em seus cabelos escuros quando ela sendo puxada para mais perto dele. O coração da garota tremeu. Shinji não apenas acordara, como também estava correspondendo ao gesto dela num doce e profundo beijo que ela jamais sonharia na vida. Shinji sugava os lábios de Akiko suavemente como se degustasse um chá quente de tamanho cuidado. Ela respondia da mesma forma, e com a mesma doçura. Pouco tempo depois, Shinji se afasta, por que, afinal, ele precisava de ar. Ele passou a olhá-la sorrindo com uma expressão carinhosa e olhar doce. Akiko, por outro lado, não tinha onde enfiar a cara de tanta vergonha. Ela ficou surpresa, pois nunca tinha visto Shinji daquele jeito. Aquela expressão calma e sorriso gentil que ele direcionou para ela a deixou tonta. A garota ficou vermelha como um pimentão maduro de tanta vergonha.
Enquanto isso, no quarto de Ren, a calopsita Luz estava cheia de energia. Por fim, Takatora havia voltado ao normal, então a ave estava feliz da vida. Ela voou em direção ao espelho do quarto de Ren e conseguiu entrar no Mundo dos Espelhos não se sabe como. Luz foi até a sacada do quarto de Shinji e o viu com Akiko. A ave resolveu ficar quieta. Enquanto os dois dialogavam.
- Há quanto tempo está aqui? Você parece exausta. – Perguntou gentil.
- Ah... eu não sei. Acho que dormi ao mesmo tempo que você. Desculpe se eu te incomodei. Devo estar toda despenteada. – Ela disse, ainda com a cabeça apoiada na cama, envergonhada.
- Não se preocupe. Você está linda. – Shinji respondeu, deslizando sua mão pelo cabelo dela. – Obrigado por ter cuidado de mim.
O rosto de Akiko ferveu de vergonha. Tantas informações ao mesmo tempo em um único gesto dele. Ele agradeceu, a chamou de linda e ainda fez um carinho, e tudo aquilo depois daquele super beijo. Aquilo era demais para ela. Sua vontade era agarrá-lo e beijá-lo de novo, mas não teria coragem suficiente para isso.
- Li-linda? Está falando sério?
- Claro. Por que eu mentiria?
- Sei lá. Você está diferente. Não tem nada a ver com aquele cara chato com quem eu sempre briguei. Não sabia que você podia ser tão agradável. – Confessou.
- Equivoca-se. Não estou diferente. O que você vê agora é meu verdadeiro eu.
- O que quer dizer com isso? – Akiko perguntou com cara de besta.
- Eu sou um cara gentil, brincalhão e até fofo, mas como você sempre se dirigiu a mim de forma agressiva, isso a impediu de me enxergar como eu realmente sou. – explicou.
Shinji fez uma declaração chocante. Aquilo tocou ainda mais o coração de Akiko. Claro que ela sabia que sempre fora injusta com Shinji, e naquele momento ela percebeu o quanto ela tinha sido estúpida com o homem por quem se apaixonou desde a primeira vez que encontrou seus olhos claros, mas jamais ousou admitir. Talvez seja isso que a fazia ser tão agressiva. O fato de simplesmente... amá-lo e não aceita o que estava sentindo. Ela acabou lembrando do dia em que foi grossa com ele pela última vez e ele quase a beijou, então ela resolveu perguntar...
- Da última vez que brigamos... por que você não me beijou? – Perguntou direta.
- Por que essa pergunta de repente? Aliás, 'brigamos' é muita gente. É você que sempre briga comigo sem motivo. – Respondeu seco.
- Eu sei. Mas é que para mim é muito importante saber o motivo. Por favor, me diga.
- É simples. Não se pode beijar alguém de quem temos raiva. E naquele momento, você me deixou irritado e eu odeio me sentir assim. Isso é tudo.
Akiko se sentiu a mais imbecil das mulheres. Ela tinha sido estúpida esse tempo todo como uma criança quando era muito mais fácil assumir o que sentia. Naquela hora, sentia que o mínimo que ela poderia fazer era pedir as mais humildes e sinceras desculpas a ele. Ela não entendia por que ele nunca revidava. A maioria de suas agressões eram engolidas a seco por ele. De alguma forma, aquilo não poderia ser normal.
- Aconteceu alguma coisa? Por que ficou calada tão de repente? – Shinji perguntou, quebrando o silêncio.
- É que... eu estou muito envergonhada. Sério mesmo. – Declarou.
- Pelo que? Um beijo é algo completamente comum.
- Não é isso. Me refiro a tudo que fiz a você antes. Eu... sinto muito de verdade. Você apenas salvou a minha vida e eu fui tão idiota... Será que você pode me perdoar? – Perguntou envergonhada, esfregando o rosto sobre a cama.
A garota sentiu um medo percorrer sua alma e um arrepio subir por sua espinha. Qual seria a resposta de Shinji depois de tudo aquilo? Ele poderia mandá-la para o inferno depois de todas as grosserias que ele recebeu por parte dela, ou ele poderia ignorar e fingir que aquele beijo nunca aconteceu e as coisas continuariam como antes. Ou ele poderia, quem sabe, até aceitar seus sentimentos e reconhece-la como namorada. Claro que, de todas as hipóteses, Akiko nem sequer chegou a pensar nesta terceira opção. Sua batalha mental terminou quando sentiu a mão de Shinji pousar suavemente sobre sua cabeça e afagar seus cabelos com ternura. Tal gesto significaria que ele teria aceitado suas desculpas? Era apenas isso que ela pensava.
- Mas como você é boba. Eu não tenho nada para perdoar. Eu não dei importância ao seu comportamento a partir do momento em que percebi como você é. E pude ver isso desde o primeiro momento. Você usa uma máscara para esconder seus verdadeiros sentimentos, por isso não posso culpá-la. – Shinji disse sério, porém gentil.
No mesmo instante, sem que Shinji pudesse manifestar qualquer reação, Akiko avançou sobre ele e o beijou. Ela parecia um vulcão prestes a explodir, tamanha sua empolgação, mas Shinji conseguiu acalmá-la com seu ritmo. O beijo dele era quente, mas não um calor carregado de luxúria ou desejo, era um calor reconfortante, acolhedor. Tal sensação fez com que a garota se sentisse completamente protegida ao lado dele. Talvez sejam seus poderes de Rider ligados ao fogo, mas o fato é que o beijo calmo e caloroso de Shinji conseguia acalmar toda a ansiedade e os impulsos de Akiko. Ela não podia negar que adorava aquilo, e sentiu-se uma idiota por nunca ter feito isso antes. Ao abrir os olhos, pôde contemplar aqueles olhos claros e doces como o mais puro mel e sentir os vestígios dos cabelos dourados dele ainda entre seus dedos.
- Eu... acho que te amo. – Ela confessou em voz baixa.
- Pois eu já sabia disso desde o primeiro momento. – Concordou fechando os olhos.
Ao observar tanta rasgação de seda, Luz, que estava na janela, voou em direção dos dois e deu várias bicadas na cabeça de Akiko, que não entendia nada.
- Já chega disso, sua aproveitadora! Pode tirar as mãos e essa boca suja de cima do Shin-chan! – Exclamou a ave, continuando a bicar a cabeça da garota.
- Como se atreve a fazer isso, sua ave mequetrefe?! Eu vou transformá-la em um punhado de penas para encher meu travesseiro! – Akiko respondeu nervosa.
- Cale a boca, sua pervertida! Como se você fosse capaz de me pegar. Quanto a você, Shin-chan, não tem vergonha? Quanto tempo pretende ficar aí deitado? As coisas estão piorando e o Taka-chan vai precisar da sua ajuda. – Disse o pássaro.
- Takatora? Entendo... agora que você falou... eu já estou me sentindo muito melhor. Acho até que...
Shinji retirou as faixas que cobriam seu corpo ferido e ficou pasmo ao perceber que estava totalmente curado.
- Então é isso. O Takatora está bem. Por fim ele voltou ao normal. Graças a Deus o meu amigo está de volta. Agora vamos voltar para o mundo real.
Luz pousou abusadamente no ombro de Shinji, e Akiko envolveu seu braço possessivamente no braço dele, trocando olhares competitivos com a calopsita. O Ryuki fez cara de quem não entendia nada com coisa nenhuma, afinal, ele estava mesmo sendo disputado por uma garota... e uma ave? Ao saírem do Mundo dos Espelhos, Shinji e Luz foram embora atrás de Takatora e Akiko teve que ficar na mansão Kureshima para sua própria segurança, aturando o olhar vitorioso da calopsita sobre ela.
- Vamos logo, Shin-chan. O Taka-chan deve estar precisando de nós.
- Eu sei, Luz. E também sei exatamente onde ele deve estar.
E os dois saíram à procura do Príncipe. Shinji encontrou Yuuto no meio do caminho, e ambos seguiram juntos.
Enojado, Mitsuzane olhava a forma como o Príncipe e a Princesa se abraçavam apaixonados depois de tanto sofrimento. Ele serrou os punhos de ódio, e transferiu esse ódio para seu Budou Lock Seed, transformando -se em Ryugen, pronto para atacar seu irmão pelas costas como ele gostava de fazer covardemente. Ele girou a faca da fivela de seu cinto três vezes e invocou um ataque devastador para acabar com os dois de uma vez.
BUDOU SPARKING
Uma enorme rajada de energia surgiu em direção de Takatora e Hana, mas o ataque foi habilmente percebido pelo Soberano da Lua.
- Nível 81: Kekkai¹
Ao dizer essas simples palavras, uma enorme parede transparente levemente esverdeada surgiu atrás de Takatora, defendendo-os do ataque covarde de Mitsuzane.
- Ora, ora... Não deveria se descuidar desse jeito, sabia, Nii-san? Pode acabar morto numa dessas. – Observou cínico.
- Está enganado Mitsuzane. Eu não me descuidei. E se pensa que seus ataques covardes me pegarão de surpresa novamente, está muito enganado. Seus ataques soam ridículos. Ainda te falta muito para ser um Rider de verdade. – Rebateu.
- Desgraçado! Como se atreve?! – Gritou.
- Não sabe o quanto sua atitude me entristece, Mitsuzane. Por que tanto ódio contra mim? O que eu te fiz? Qual foi o meu erro, se durante todos esses amos eu dei o meu melhor para te proteger e cuidar bem de você. É isso que eu recebo em troca? – Takatora perguntou sentido.
Mitsuzane não respondeu à pergunta de Takatora. Ele apenas apontou sua arma para o irmão, e ambos ficaram se encarando por longos cinco minutos. Este tempo foi suficiente para que Takatora entendesse toda a situação. Ele tirou o Melon Lock Seed de seu bolso, e com isso, o Sengoku Driver apareceu em sua cintura.
- O que foi, Mitsuzane? Por que não me ataca? Já entendi. Não me ataca por que estamos frente-a-frente. Sua covardia apenas opera a política de atacar pelas costas. Agora entendo qual foi o meu erro. Meu erro foi cuidar de você demais a ponto de fechar meus olhos e não perceber quem você é de verdade. Mas isso acaba aqui. Se antes eu não pude corrigi-lo, farei isso agora não importa como. – Disse.
- Belas palavras. Era exatamente isso que eu estava esperando. – Mitsuzane respondeu sem um pingo de remorso.
HENSHIN
MELON
LOCK ON
SOIYA
MELON ARMS
TENKA GOMEN
Takatora se transformou em Zangetsu, e com o Melon Defender em mãos, ele sacou sua espada. O acerto de contas dos irmãos estava prestes a começar. Takatora orientou Hana a ficar longe, mas uma batalha dentro de uma casa não parecia ser uma boa ideia. O Príncipe defendia-se facilmente dos tiros disparados pelo Ryugen, e lançou o Melon Defender no irmão. Tal ataque o atingiu em cheio, e ele foi lançado contra a parede que desmoronou, fazendo-o cair mata adentro, tática suficiente para mudar o local da luta. Zangetsu caminhou a passos lentos em direção ao Ryugen, que ainda tentava se recompor do último ataque, enquanto xingava todos os nomes possíveis em mente.
- Eu não tenho por que te dizer nada, Nii-san. Meu único objetivo na vida é acabar de vez com a sua existência irritante. – Disse o garoto, levantando-se e voltando a apontar sua arma ferozmente para o irmão.
- Seu monstro! Como tem coragem de falar tal crueldade para seu próprio irmão? Como pode ter tanto ódio de uma pessoa que só fez cuidar de você?! – Hana exclamou revoltada.
- Cale essa boca, vadia dos infernos! Você também tem sua parcela de culpa. Se tivesse aceitado o meu amor antes, talvez eu não quisesse tanto matar esse desgraçado. – Gritou insano.
- Isso nunca! Você não passa de um demônio incapaz de amar qualquer um que não seja você mesmo. Jamais poderia se comparar ao Kureshima-san.
- Você está louco, Mitsuzane. Não encontro outra explicação para seu comportamento.
- É, Nii-san! Eu estou louco mesmo! Você é o culpado! Aliás, por que não conta a sua linda Princesa um pequeno detalhe do seu passado? Aposto que ela ficaria feliz em saber!
- Um detalhe do seu passado? Kureshima-san, o que ele quer dizer com isso?
- Eu também não sei com clareza do que ele está falando.
- Não se faça de inocente! Vai, conta para ela! Conta para a sua querida noiva que você era casado! – Revelou.
- Casado?! Como assim casado?! – Hana exclamou chocada.
- Eu não tenho por que negar. É verdade. Eu era casado. Mas isso aconteceu antes de nos conhecermos, Hana.
- "Era"? Mas o que aconteceu com a sua esposa?
- Ela... morreu. – Takatora respondeu, baixando o olhar.
- Morreu? Mas... como? – Hana perguntou surpresa.
- Subitamente ela ficou muito doente e morreu. Eu também nunca entendi como ela ficou tão doente do nada, e mesmo tentando de tudo, não conseguimos salvá-la.
- Agora entendo. É por isso que quando nos conhecemos o seu olhar era tão triste. Na verdade, foram aqueles olhos tristes que me encantaram e eu nunca os esqueci.
- Hahahahahahaha! Como você é imbecil, Kureshima Takatora! Já que estamos acertando nossas contas, acho justo que saiba a verdadeira razão da morte de sua esposa.
- O que foi que você disse? Repita isso agora mesmo. – Takatora disse sério.
- É isso mesmo que você ouviu. Quer saber? Sua esposa não morreu. Fui eu quem a matou. – Mitsuzane revelou sem pena.
- Você o que? – Takatora perguntou cerrando os dentes e sua mão tremia segurando firmemente o cabo do Musou Saber, controlando-se ao máximo para não partir para o ataque.
- Está surdo? Eu matei a Azuka envenenada. Um poderoso veneno em doses homeopáticas sem que ninguém percebesse.
- Azuka... então ela... foi morta. Você... Mitsuzane... como você...? – Takatora disse pausadamente com a voz marejada.
- Quer saber o porquê? Eu tinha nojo da sua felicidade. O fato de te ver feliz me dava vontade de vomitar. Mas depois você se apaixonou de novo por essa cretina aí, e para piorar, eu também acabei gostando dela, e toda essa recusa só fez aumentar o meu ódio. – Explicou.
- Compreendo. Como você disse há pouco, eu sou o culpado pelo seu desvio de caráter, certo? Então ouça com atenção, meu irmão, você está certo. O único culpado disso tudo... sou eu.
- Meu querido, como pode dizer isso? Não seja injusto consigo mesmo. Esse garoto já nasceu cretino. Quem nasce para ser safado nunca será uma pessoa boa, não importa o quanto seja guiado pelo caminho do bem.
- Hahaha brilhantes palavras, mas não acha tal linguajar impróprio para uma Princesa? – Mitsuzane dizia às gargalhadas.
- Quieto, imbecil! Para você está bom demais.
- Mas Mitsuzane está certo. O culpado por ele estar assim agora sou eu. Desde o princípio, eu sempre me preocupei em te ensinar tudo de melhor e guia-lo pelo caminho do bem. Te ensinei bons valores, honestidade e a se orgulhar de si mesmo por estar em uma posição onde é capaz de ajudar outras pessoas. Mas minha maneira de te educar teve um grave erro. Eu fechei meus olhos e não prestei atenção em suas ações, assim não pude perceber o tipo de pessoa que você é na realidade. Meus parabéns. Sua atuação de menino bonzinho conseguiu enganar a todos com perfeição. Merece meus comprimentos. – Takatora explicou.
- Até que enfim percebeu a realidade, mas agora já é muito tarde para isso. Além do mais, eu não tenho interesse em ser elogiado por você a essa altura dos acontecimentos. Meu único interesse é acabar com a sua vida. – Mitsuzane respondeu cinicamente.
- É por isso que você nunca vai deixar de ser a minha sombra. Esse é o seu erro. Você sempre esteve mais preocupado em me destruir que nunca se empenhou em ser você mesmo e possuir seu brilho próprio. – Rebateu.
- Maldito! É por isso que eu te odeio! Por que você tem que ter tanto talento? Por que você sempre tem que brilhar mais? Por que tudo tem que ser você?!
- Eu sinto muito, Mitsuzane, mas eu não tenho culpa por ter um bom coração. Você, por outro lado, tem culpa por ter deixado que a inveja e a maldade dominassem você. Eu nunca te fiz nada de mal, pelo contrário, eu cuidei de você como se fosse um pai, e olha quantas coisas terríveis você me fez.
- Chega de conversa! Estamos aqui para lutar ou para conversar?
Gritando, Mitsuzane retomou a luta. Sendo um Rider atirador, sua única maneira de lutar era a longa distância, disparando vários tiros contra o irmão, que desviava ou se defendia facilmente com seu Melon Defender. Zangetsu, por outro lado, possuía o estilo oposto, sendo um lutador de curta distância. Ele apenas se aproximou do Ryugen o bastante para atacá-lo e desferiu vários golpes de espada contra Mitsuzane. O mesmo nem sequer conseguia se defender. Takatora era forte demais para ele. O garoto atirava, mas o Zangetsu desviava com facilidade, saltando sobre as árvores e pousando no chão. O Ryugen apelou para o Budou Squash e para o Budou Sparking sem sucesso, enquanto Zangetsu não fez nenhum movimento de finalização. Takatora raramente usava movimentos de finalização em lutas, e também, ele não queria ferir seu irmão fatalmente. Ele apenas se defendia com perfeição de cada ataque carregado de ódio e inveja e revidava à altura.
Percebendo que estava em total desvantagem, Mitsuzane saltou por cima de Takatora e agarrou Hana por trás, a fim de usa-la como refém, mais uma vez provando o quão perverso ele é capaz de ser. O Príncipe, porém, ao perceber o movimento do irmão, lançou o Melon Defender em sua direção oposta.
- Parece que o jogo virou, Nii-san. O que vai fazer agora?
- O que eu farei? Nada. Suas atitudes apenas me provam o quanto você é baixo. Nem parece o irmão que eu criei.
- Ainda dizendo isso? Não cansa de dar sermão? Chega de conversa. Agora solte a espada e desfaça a transformação se não quiser ver sua queridinha morta.
- Hana, não faça nada. O Mitsuzane está cada vez mais louco. Ele seria capaz de matá-la se você reagisse. – Takatora pediu.
- Kureshima-san... e agora? O que faremos? Estamos mesmo nas mãos desse louco? Como isso pode ser possível? Como esses dois podem ser irmãos e ao mesmo tempo serem tão diferentes? É como estar diante de um Anjo e um Demônio ao mesmo tempo. – Hana perguntou-se em pensamento.
- O que está esperando para fazer o que eu mandei? Quer que eu mate esta mulher do mesmo jeito que eu fiz com a sua esposa? – Mitsuzane perguntou alterado.
- Eu apenas estava pensando em uma palavra que pudesse definir no que você se transformou. Pensei em chamar de monstro, mas não quero ofender a categoria. Acho que nem um monstro agiria como você está agindo. – Takatora disse em seu habitual tom calmo e voz controlada.
- Você fala demais! Me obedeça agora!
Obedecendo as ordens de Mitsuzane, Takatora soltou sua espada de encontro ao chão e desfez a transformação. Sua expressão, porém, era calma, como se estivesse no controle da situação.
- Você nunca muda, não é, Nii-san? Por que essa expressão tão confiante? Ainda não percebeu a gravidade da situação? Sua querida noiva está sob o meu poder agora. Então eu vou acabar com a sua vida miserável de uma vez por todas, depois eu vou violentar essa cachorra e matá-la, caso ela se recuse a ser minha para sempre. – Ele comunicou.
Takatora não se afetou com as palavras de Mitsuzane. Seja qual fosse a situação, a maior qualidade do Príncipe era sanidade e autocontrole, mas isso não significava que ele cederia à chantagem do irmão.
- Que diabos está acontecendo, Kureshima Takatora?! Vai ficar aí parado sem dizer nada? Será que nada te afeta? Por que? Por que nada consegue te afetar?! – Mitsuzane gritou, ao ver que o irmão não estava caindo em sua provocação.
- Isso significaria perder a calma e fazer uma loucura? Então sinto muito, mas terei que desapontá-lo. – Respondeu calmo.
- Entendi. Está tão congelado de medo que nem consegue reagir.
- Como você é idiota, Mitsuzane. Se tivesse aprendido tudo o que eu te ensinei, neste momento você não estaria nesta situação.
- Do que está falando? Você é burro ou o que? Eu estou por cima! Tenho você em minhas mãos, ao passo que você está indefeso sem poder fazer nada.
- Tolo...
No instante seguinte, o Melon Defender que Takatora atirara voltou-se nas costas de Mitsuzane, atingindo-o violentamente. Tal impacto foi tão forte que seu Budou Lock Seed trincou. Hana correu e abraçou Takatora, enquanto Mitsuzane caia no chão ao mesmo tempo em que sua transformação em Rider se desfazia. Ferido, com sangue escorrendo pelo canto de sua boca, Mitsuzane tomou consciência do fracasso de sua ação.
- Pretende continuar com isso, Mitsuzane? Não creio que você esteja em condições. Pare com isso. Vai ser melhor para todos nós. – Takatora pediu.
Naquele momento, uma aura maligna pôde ser sentida, e de dentro de uma nuvem negra, Wakana surgiu no meio dos irmãos Kureshima e da Princesa, impressionando a todos.
- Eu estava me deliciando com a situação ocultando minha presença de todos vocês, mas como pensei, o Kureshima pirralho é um inútil. Torci para que ele acabasse com a vida dessa vagabunda, mas nem para isso ele serviu. Receio que terei que fazer isso pessoalmente. – Ela anunciou em sua chegada.
- Sonozaki... Wakana. – Takatora disse ao observá-la.
- E quem temos aqui? Se não é o Príncipe mais delicioso desse planeta. Não sabe como fiquei feliz ao ver que está vivo. Ainda podemos governar este mundo juntos para sempre, meu querido. – Disse cínica.
- Prefiro a morte ao permitir que você me toque. Sonozaki Wakana, nossas diferenças serão acertadas a partir deste momento.
O Soberano da Lua e a Princesa das Trevas se encararam ameaçadoramente, e mais um confronto estava prestes a começar...
つづく continua...
Nota¹ - Kekkai = Barreira
