Episódio 15- O Curioso Caso de Benjamin Linus

Sinopse: Depois de quase três anos vivendo na ilha, os sobreviventes do vôo 815 voltam a ter esperanças de retorno á civilização. Uma mulher misteriosa caída do céu chega ao acampamento dizendo ter sido enviada para resgatá-los, mas John Locke tem suas dúvidas sobre as intenções da suposta equipe de resgate.

Censura: M.

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Nos episódios anteriores:

- Charlie, me conte como isso aconteceu?- disse Jack.

Encontramos uma mulher na selva, ela caiu de pára-quedas e está muito ferida.

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Sawyer ouviu um barulho estranho dentro de sua cabana.

- Quem está aí?- ele indagou no escuro, desconfiado.

Pedro sentiu o sangue gelar nas veias.

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- Acho que já conheço esse seu olhar, Eko. No que está pensando?

- Tem algo errado acontecendo em nossa comunidade, Juliet. E eu vou descobrir o que é.

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- Ontem eu tive um sonho estranho.- Shannon comentou. - Sonhei que alguém entrava na minha tenda e tirava o meu sangue. E eu queria gritar mas não podia porque estava dopada ou algo assim.

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Sayid ouviu um barulho de folhas sendo pisadas perto deles e resolveu investigar. Ele caminhou devagar por entre as árvores até que a visão sobrenatural do homem com o tapa-olho apareceu diante de si.

- Você aí, pare!- disse Sayid e foi ao encalço do homem.

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Kate chegou até a igreja e encontrou a porta entreaberta.

Kate então foi abrir a janela, mas ao tentar fazer isso tropeçou em um corpo no chão.

- Tina... – murmurou.

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De repente, ela se voltou para a mesa de madeira e viu um copo de suco de manga sobre ela. Ana estava com muita sede.

Suas pálpebras ficaram pesadas e sem perceber ela se deitou na cama sentindo o sono tomá-la.

Pedro agachou-se ao lado de Ana e calmamente retirou-lhe o sangue. Mais um nome que poderia riscar de sua lista.

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- Eu estava com sede...e ele tinha um copo de suco e eu...

Tina abriu os olhos nesse exato momento, estava arfante.

- Foi o Pedro! – Ele me ofereceu o suco de manga, eu tomei e senti muito sono...

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- Eu não o deixarei fugir dessa vez!- gritou Sayid.

- Precisamos sair daqui, Sayid!- gritou Desmond.

Sem ter escolha, Sayid e Desmond correram na direção contrária à criatura deixando Mikail para trás.

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- Esta fita cassete que o Eko encontrou escondida na estação médica que fica a poucos quilômetros daqui vai dar as respostas de que precisam.

"São nove horas da manhã."- disse uma voz masculina desconhecida na fita. "Os exames com as amostras que já foram entregues estão concluídos. As mulheres grávidas são a Rutherford e a Lewis. As demais não estão prenhes..."

"Precisamos das amostras das mulheres que estão faltando, principalmente a Cortez. Benjamin está muito interessado no exame dela. Estamos esperando essas amostras ainda esta noite, Pedro Brito. È melhor não falhar ou não sairá nunca dessa ilha."

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Luke cruzou os braços diante do peito e encarou Pedro.

- Como pôde passar todo esse tempo mentindo para nós?

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- Aceita o meu conselho, amigo.- disse Sawyer com ironia na voz. – Não vai querer que soltemos o nosso iraquiano em você, vai? È melhor contar tudo sobre os planos do esbugalhado e quem sabe a gente possa te perdoar.

- Não há perdão pra mim! Não mais!- Pedro disse com pesar. – Só posso dizer que não importam o que façam, eles são os donos da ilha e vocês não podem contra eles!

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- Michael? Luke?- ele chamou, mas não obteve resposta.

Um homem entrou na cabana semi-escura. Pedro o reconheceu.

- John Locke?- fazia muito tempo que Locke estava desaparecido da comunidade, desde a última missão de resgate na vila dos Outros.

Locke não disse uma palavra a ele, apenas lhe apontou uma arma e atirou a sangue frio. Pedro morreu na hora, junto com seus sonhos de grandeza. Uma vida inteira de mentiras tinha se esvaído sem ter valido a pena.

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(Flashback)

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O menino acordou de súbito de seu sono tranqüilo no meio da noite. Tateou pela cama em busca de seu brinquedo preferido até encontrar seu boneco soldado. Segurou-o entre as mãos e sentiu-se mais calmo.

A luz do abajur dentro do quarto estava acesa. O pequeno Benjamin tinha medo do escuro. No quarto ao lado, seus pais discutiam. Isso tinha sido o motivo dele ter acordado. Vinha acontecendo com freqüência ultimamente. Roger e Emily Linus brigavam o tempo todo, sobre coisas que Ben ainda não tinha idade para compreender.

Sem sono e querendo um pouco de atenção, Benjamin levantou-se de sua cama e segurando seu soldado, deixou o quarto.

- Emily, eu não vou mais discutir esse assunto com você!- bradou Roger. – Eu estou desempregado há mais de um ano, estamos vivendo do seguro desemprego, entenda isso!

- Roger, eu posso sustentar a família com o meu trabalho!- retrucou a mulher.

- Costurando, Emily? Não quero mais ver você se matando de tanto costurar.

Ben aproximou-se do quarto dos pais e ficou ouvindo perto da porta em silêncio, mas não entrou no quarto. Seus pais pareciam muito zangados, se ele entrasse no quarto poderia deixá-los mais furiosos.

- Emily, a proposta que Horace me ofereceu é única! Vamos poder pagar nossas dívidas, viver muito bem!

- Isolados em um uma ilha no meio do nada. Roger, eu estou com medo! Como você quer que eu aceite levar o nosso filho para um lugar que nem está no mapa?

- Se não formos, nunca saberemos se irá valer a pena.- Roger insistiu. – Além do mais, se não der certo nós podemos voltar, Emily. Eu prometo que voltaremos se as coisas não derem certo. Por favor, confie em mim!

- Roger, eu não sei...

Nesse momento, Roger percebeu que seu filho estava à porta, espreitando. Zangado, ele gritou com o menino:

- Benjamin, volte agora mesmo para a cama!

- Mas eu não consigo dormir, papai!

- Que besteira é essa? Quero que volte agora para a cama!

- Eu vou levá-lo de volta.- disse Emily caminhando até o filho e o pegando no colo. – Pronto, querido. Vou levá-lo de volta para a cama.

- Emily nós ainda não terminamos...

- Ah, terminamos sim, por agora!- ela respondeu decidida, deixando-o sozinho no quarto.

(Fim do flashback)

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O dia estava nascendo. Benjamin Linus observou o alvorecer e então seguiu a trilha rumo ao norte da ilha. John Locke vinha logo atrás dele, pensativo.

- Não devia se sentir assim, John.- comentou Ben. – Eu estou orgulhoso de você. Tem feito muitos progressos e cumprir à risca as ordens de Jacob foi o maior progresso de todos. Pedro Brito era um ser impuro enviado pelo inimigo para contaminar a ilha. Mas agora você livrou a todos nós deste mal.

- Eu fiz isso porque segundo você era a única maneira de Jacob falar comigo!- disse Locke.

- Por isso estou levando você para vê-lo. Agora mesmo. Mas a cabana de Jacob não é fácil de ser encontrada, você terá que ter paciência, John.

- E como você sabe que iremos encontrá-la? Eu ouvi Richard dizendo que você jamais levou alguém para falar com Jacob na cabana.

- Porque Jacob nunca quis falar com ninguém além de mim. Mas agora ele pediu uma coisa a você e você, John Locke e você a cumpriu. Portanto, ele falará com você.

Locke estava tentando ser paciente desde que se juntara a Benjamin Linus e seu grupo durante a missão de resgate na antiga vila onde viveram os integrantes da Dharma Initiative. Mas agora que chegara ao extremo de matar um ser humano para descobrir os segredos ocultos da ilha, Locke precisava de respostas e as teria de qualquer jeito.

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A cena dentro da cabana onde tinham aprisionado Pedro era terrível. Ao ver aquilo, Sawyer lembrou-se da morte sem explicação de Dylan que ocorrera há dois anos atrás. Ele também havia sido encontrado morto em sua tenda.

Pedro ainda estava amarrado lá dentro, na mesma posição em que o tinham deixado, mas seu corpo pendia para frente encurvado por causa do tiro fatal que ele levara no peito. O sangue que escorria de seu corpo destruído encharcava o chão e o cheiro era de causar náuseas.

Foi isso o que Ana-Lucia sentiu ao adentrar a cabana junto com Sawyer para ver o corpo de Pedro. Sua memória vinha retornando numa velocidade constante e quando Luke foi à cabana deles contar sobre o que tinha acontecido, ela sentiu seu instinto de policial voltar com força total e disse a Sawyer que o acompanharia. Então ela pediu a Rose que ficasse com o bebê enquanto ela acompanhava Sawyer, porém, ao chegar lá e ver aquela cena grotesca somada ao cheiro forte de sangue coagulado, Ana sentiu o estômago embrulhar seguido de uma forte ânsia de vômito. Ela saiu da cabana de repente, mas Sawyer estava tão distraído e chocado com o que tinha acontecido que não percebeu que ela não estava bem.

Assim que se viu lá fora e sentiu a brisa do mar sobre seu rosto, Ana sentiu-se um pouco melhor e conseguiu conter a vontade de vomitar. Sawyer saiu poucos minutos após ela e conversou com Luke, Michael e Jin que estavam do lado de fora da cabana.

- Eu não posso acreditar no que aconteceu aqui!- disse ele, balançando a cabeça negativamente. – O cara não se suicidou, isso é impossível! Ele não tinha uma arma, droga! A não ser que ele estivesse escondendo uma no estômago e tenha atirado de dentro para fora.

Ana sentiu a ânsia de vômito voltar ao ouvir as palavras de Sawyer e começou a imaginar a cena em sua mente, Pedro com uma arma dentro do estômago e atirando de dentro para fora.

- Ana, você está bem?- Sawyer perguntou notando que ela ficara um pouco pálida.

Ela balançou a cabeça afirmando que estava bem e a conversa voltou a girar a respeito da morte de Pedro.

- Nós ficamos vigiando o cara o tempo todo, eu só saí por cinco minutos!- explicou-se Michael. – Quando eu voltei, o Pedro estava morto.

Sawyer franziu o cenho e indagou:

- Mike, por acaso os Outros não te ofereceram propina de novo pra você bandear pro lado deles de novo não né?

- Do que é que você está falando, cara?- retrucou Michael, irritado.

- Gente, vamos nos concentrar no que está acontecendo aqui!- pediu Luke. – É óbvio que algum dos Outros veio aqui nos desafiar usando esse pobre coitado para nos atingir. Alguém sabe que descobrimos sobre os planos deles, que já sabemos quem é o espião que esteve escondido em nosso acampamento durante tanto tempo. Sabe lá quanta informação esse cara já não passou para os Outros, talvez haja até outro espião.

- Juliet?- indagou Jin.

Sawyer balançou a cabeça e disse:

- Não acredito que a loira esteja por trás disso. Seria muito arriscado para ela, além do mais, ela tem andado muito com o homem do cajado, se ela fosse uma espiã, o Sr. Eco-logia saberia disso.

Enquanto eles conversavam, tentando entender o que tinha acontecido com Pedro, Ana-Lucia se afastou um pouco deles, pois não conseguia mais conter a vontade de vomitar. Ela andou depressa até as árvores que ficavam próximas à cabana onde o corpo estava e abaixou a cabeça, sentindo uma sensação horrível no estômago enquanto uma pequena quantidade de líquido levemente pastoso ardia em sua garganta, fazendo com que seu corpo expulsasse aquilo.

Quando ela ergueu novamente a cabeça, sentindo o gosto amargo em sua boca, ela viu Libby parada diante dela com uma mão em sua enorme barriga e a outra mão apoiada nas costas.

- Vomitando de novo, Ana?- ela perguntou com o semblante preocupado.

- Está tudo bem.- disse Ana, tentando não ficar irritada pois já sabia o que a amiga iria dizer.

- Já falou com o Sawyer sobre isso?

- Sobre o quê, Libby? Pelo amor de Deus!

- Que você está grávida de novo!- Libby sussurrou.

- Eu não...

- Ana, olha só pra você!- Libby insistiu. – Quando chegou a esse acampamento estava tão magra que dava para ver suas costelas aparecendo sob as roupas, agora você parece muito mais saudável e as roupas estão nitidamente mais apertadas, e esta não é a primeira vez que a pego vomitando, como na sua primeira gravidez. Não consegue reconhecer os sintomas?

- Libby, por favor, eu não quero falar sobre isso...

- Pessoal, o Jack e os outros estão chegando!- anunciou Neil a plenos pulmões ao avistar Jack entrando no acampamento com Sayid, Desmond, Hurley e Charlie. Eles carregavam uma maca que trazia a mulher ferida que eles encontraram na floresta.

- Meu Hugo está volta... – disse Libby deixando Ana sozinha e caminhando com dificuldade pela areia fofa da praia em direção à Hurley.

Kate também avistou Jack de longe. Lilly estava dormindo em seu bercinho e ela aproveitou para correr até ele. Jack ainda segurava um pedaço da maca que carregava a mulher quando Kate praticamente se atirou sobre ele e o beijou na boca.

- Hey, baby!- disse ele quando ela se afastou. – Também senti sua falta!

As pessoas se aproximaram curiosas do grupo, olhando com desconfiança para a mulher deitada na maca. Cansados, eles pousaram a maca no chão por alguns instantes. Kate abraçou Jack por trás e perguntou:

- Já descobriu quem ela é?

- Não faço a menor idéia ainda. Ela ainda não acordou nenhuma vez. Nós vamos levá-la para a enfermaria agora. Como estão as coisas por aqui? Como está o Craig?

- O Craig vai ficar bem.- Kate respondeu. – Juliet está cuidando dele. Mas nós temos um problema. Um problema enorme na verdade.

- Que problema?- ele indagou.

Libby finalmente conseguiu chegar até Hurley. Ele sorriu ao vê-la e a abraçou com força, levantando-a do chão mesmo com todo o peso dela.

- Você recebeu os morangos que te mandei?

- Sim, meu amor. Eu recebi, obrigada!- ela o beijou na boca. – Estávamos com saudades.- Libby acrescentou, colocando a mão dele sobre sua enorme barriga. Hurley riu e se abaixou para plantar um pequeno beijo sobre a barriga dela.

- Jack, nós vamos levar a moça para a enfermaria.- anunciou Sayid, ansioso para cumprir seu dever e ir falar com Shannon. Charlie também queria ver Claire e Aaron.

- Certo, levem ela para lá. Eu só vou trocar duas palavras com o Sawyer.- disse Jack segurando na mão de Kate e caminhando com ela até onde estavam Sawyer e os outros.

- Doutor!- disse Sawyer ao vê-lo. – Você está horrível!

- Obrigado.- Jack disse, ignorando o comentário provocativo de Sawyer. – Kate disse que temos um problema.

- Veja você mesmo.- disse Ana-Lucia apontando para a cabana onde estava o corpo de Pedro.

Jack ficou apreensivo, mas entrou na cabana, sozinho. Os outros ficaram lá fora, esperando. Alguns segundos depois dele ter entrado, ouviram-no gritar:

- Son of a bitch!

Sawyer trocou um olhar com Ana.

- Como isso aconteceu?- Jack perguntou saindo lá de dentro com uma expressão chocada no rosto.

- Nós não sabemos.- disse Michael.

- Ele levou um tiro!- Jack gritou exasperado. – Portanto, alguém atirou nele! Pelo amor de Deus, é só eu sair daqui por algumas horas que essa comunidade vira uma bagunça?

Sawyer olhou feio para o médico.

- Alto lá, Jacko! Você por acaso está duvidando de nossas habilidades administrativas? Só pra você ficar sabendo, o sujeito morto dentro dessa cabana não será canonizado pelo Sr. Eko.

- Do que está falando?- Jack indagou.

- Ele era um espião, Jack.- disse Kate.

- Como o Ethan.- acrescentou Luke. – Ele estava retirando amostras de sangue das mulheres da comunidade para entregar aos Outros.

- E por que ele estava fazendo isso?- Jack perguntou, ficando cada vez mais abismado.

- Porque ele queria saber quais mulheres do acampamento estavam grávidas.

- Como é que é?

- Juliet e Eko possuem uma fita que pode provar tudo.- falou Kate.

- Isso tudo é absurdo!- disse Jack. – Mas não explica por que ele está morto. Quem foi que atirou nele?- indagou Jack olhando suspeito para Sawyer.

- Eu não tive essa honra, doutor.- respondeu ele colocando um braço protetor ao redor da cintura de Ana-Lucia. – Esse filho da mãe tirou sangue da minha morena, mas não conseguiu entregar pro esbugalhado.

- Jack, nós o colocamos nessa cabana para que ele nos contasse toda a verdade.- explicou Michael. – Mas cometemos o erro de deixá-lo sozinho por alguns minutos. Quando voltamos, ele estava morto.

- Nós não ouvimos nenhum tiro, nada!- disse Luke. – Foi como a morte do Dylan. Totalmente sem explicação.

Jack balançou a cabeça negativamente e disse:

- Esta noite eu quero todo mundo na praia. Faremos uma reunião e eu vou descobrir quem matou o Pedro!

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Depois de deixar a moça ferida na enfermaria aos cuidados de Juliet e deixando as explicações por conta de Charlie e Desmond, Sayid foi procurar Shannon na cabana deles. Ao chegar lá, ele surpreendeu-se a ouvindo cantar lá dentro. Ela parecia muito feliz.

- Shannon!- ele chamou.

Ao ouvir a voz dele, ela pareceu vibrar ainda mais e largou a cesta de palha que estava fazendo para ir ao encontro do marido.

- Yd!- Shannon gritou, se atirando nos braços dele.

- Baby!- murmurou ele abraçando-a junto ao peito e segurando-lhe a nuca para beijá-la.

Eles trocaram um longo e apaixonado beijo. Quando se separaram, ele disse:

- Senti muito a sua falta, minha loura.

- Eu também!- disse ela, acariciando o rosto dele. – Como foi na floresta em mais uma das suas missões chatas?- Shannon comentou enchendo um copo com água fresca para ele.

Sayid bebeu de um só gole, estava sedento.

- Aconteceu muita coisa, amor.- disse ele. – Trouxemos uma mulher da floresta...

- Eu ouvi dizer.- Shannon comentou, mas não parecia realmente interessada naquilo, na verdade ela parecia impaciente para contar algo importante a ele.

- Shannon, seus olhos estão brilhando.- falou Sayid, curioso. – O que aconteceu enquanto estive fora?

Ela mordeu o lábio inferior e sorrindo, pegou a mão dele e pôs sobre sua barriga. Sayid alargou os olhos.

- Yd, finalmente aconteceu! Eu estou grávida! Vou ter um filho seu!

- Shannon...

- Não está feliz?

- Bem...eu... – ele parecia um pouco desnorteado.

- Sayid!- Shannon gritou irritada, tirando a mão dele de sua barriga.

- Amor, é claro que eu estou feliz! Mas você tem certeza? Não quero que fique decepcionada se...

- Eu tenho certeza, Sayid. Foi o Pedro, aquele maldito espião quem descobriu! Eu agradeceria a ele se não estivesse morto...

- Shannon, do que está falando? Pedro é um espião e está morto?

- Pelo menos foi o que eu ouvi as pessoas dizendo.

Sayid a trouxe para junto de si novamente e beijou o alto de sua cabeça.

- Se você está feliz, então eu estou feliz, meu amor. Eu vou cuidar de você e teremos o nosso bebê.

Ele a soltou e foi em direção à porta.

- Aonde vai?

- Eu preciso conversar com o Jack e entender essa história toda que você acabou de mencionar.

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A cabana onde Pedro havia sido morto foi lacrada para que ninguém tivesse acesso a ela. Jack decidiu que o enterro dele seria feito ao amanhecer sem nenhuma cerimônia especial. Todos no acampamento estavam zangados com o que ele tinha feito e muitos acreditavam que sua morte tinha sido um castigo divino.

Uma vez que a cabana foi lacrada, Jack dirigiu-se à enfermaria acompanhado por Kate, Sawyer e Ana-Lucia. Quando ele chegou lá, viu que Juliet estava examinando a mulher que eles tinham trazido. Craig estava deitado em uma cama improvisada ao lado dela, estava pálido, mas parecia bem melhor.

- Como está se sentindo?- Jack perguntou a ele.

- Dolorido, mas bem.- respondeu ele.

- A dor é um bom sinal.- disse Jack, voltando sua atenção para Juliet. – Ela acordou?

- Por alguns segundos.- respondeu ela. – Vocês a anestesiaram?- ela perguntou se referindo às ervas poderosas que tinham sido postas no ferimento dela. – Nem Charlie, nem Desmond foram capazes de me dizer que ervas são essas.

- Estas ervas foram dadas pra nós por um homem chamado Mikail, conhece ele?- Jack perguntou.

- Infelizmente sim.- respondeu Juliet. – Nunca gostei dele para te falar a verdade.

- Juliet, o que está acontecendo aqui? Eu volto e descubro que vocês encontraram um espião no acampamento e que ele foi morto!

- O Sawyer ainda não te contou o que aconteceu?

- Algumas coisas.

- Mostra a fita pra ele!- pediu Sawyer.

Juliet tocou a fita para Jack que chegou a ouvi-la duas vezes.

- Eu não posso acreditar! O que Benjamin Linus está planejando?

- Se bem o conheço, ele está planejando o pior possível. Sei muito bem sobre a obsessão dele por mulheres grávidas, foi por isso que fui trazida para esta ilha no primeiro momento.

- E quanto ao Pedro? Quem você acha que o matou?- perguntou Jack.

- Pra mim me parece muito óbvio que foi o próprio Linus.- comentou Ana. – Eu creio que ele sabia que nós íamos descobrir sobre o espião dele mais cedo ou mais tarde.

- Está dizendo que foi queima de arquivo?- perguntou Kate.

- Exato!- afirmou Ana.

- Eu concordo com ela.- disse Juliet. – E o fato do Pedro ter sido morto não significa que Benjamin não fará alguma coisa para pegar as mulheres grávidas.

Ana levou a mão à sua barriga inconscientemente, mas ninguém notou.

- Jack, o que vamos fazer? Isadora, Shannon e Liby estão grávidas, você ouviu na fita. Mas o Pedro não teve tempo de levar mais amostras de sangue, pode haver outras.

Jack fitou Kate com o semblante preocupado. Ela poderia ser uma dessas mulheres.

- Precisamos de um plano. Por isso vamos fazer uma reunião na praia esta noite.

- E quanto a essa mulher?- Sawyer indagou fitando a moça adormecida sobre a cama.

- Ela vai acordar e nós vamos descobrir exatamente como ela veio parar aqui.

- Eu só espero que ela não tenha sido teletransportada da civilização para cá como a Cassie.- Sawyer comentou, como sempre fazendo piada fora de hora.

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Quando a noite chegou, todos se reuniram na praia como Jack havia dito. Sayid o procurara antes da reunião para que ele lhe explicasse tudo sobre o que tinha acontecido, mas Jack lhe prometeu que esclareceria as coisas durante a conversa importante que ia ter com a comunidade.

Durante o jantar, antes que Jack começasse a falar, as pessoas já estavam reunidas em volta da fogueira comendo do último porco caçado por Desmond. Como Locke tinha desaparecido, o escocês assumira de vez a função de conseguir carne para a comunidade.

- Você está tenso!- Kate disse a Jack enquanto comia sua porção de carne de porco. Jack estava sentado ao lado dela, ninando a pequena Lilly.

- Estou preocupado. Sinto que os tempos difíceis estão retornando.

- Vai dar tudo certo desde que nós fiquemos juntos, Jack.

Ele deu um pequeno sorriso e se inclinou para beijá-la rapidamente nos lábios. Sawyer foi até a grande fogueira onde Andrew e Luke estavam assando o porco. Cortou um generoso pedaço de carne e o enrolou em uma folha comprida.

Ana estava sentada de frente para a outra fogueira que servia de aquecimento para as pessoas. James estava entre as pernas dela, sentado, brincando com seu patinho de borracha. Sawyer sentou-se ao lado dela e desdobrou a folha, retirando um pedaço de carne de porco e levando aos lábios de Ana. Ela fez um careta.

- Não quer comer?

Ela sentiu o estômago revirando-se.

- Agora não...

- Rambina, você não almoçou hoje.- disse ele.

- Eu não estou com fome.

- Estou começando a me preocupar com você...coma um pouco...

- E não quero!- disse ela, virando o rosto para o lado, para evitar em olhar o pedaço de carne que ele lhe oferecia.

- Ainda tem algumas mangas lá na cabana. Se eu for buscar uma você promete que vai comer, Lucy?

Embora estivesse enjoada, Ana acabou concordando, comovida com a preocupação dele.

- Está bem, cowboy. Prometo que como um ou dois pedaços de manga.

- Três!- disse ele, levantando-se.

- Dois e meio?- Ana barganhou.

- Ah, está bem! Dois e meio!

- Baaaaaaaa!- James gritou levantando seu bichinho.

- Eu volto já, lábios quentes.- falou Sawyer, se afastando.

De repente, Clementine correu na direção dele, gritando:

- Papai!

Sawyer sorriu para ela e a levantou no ar, brincando com a filha. Ana sorriu ao vê-los. Ele deu o pedaço de carne que Ana não quis para a criança e foi embora para a cabana deles comendo o restante que estava na folha.

Longe da fogueira, tudo era só silêncio, todas as pessoas estavam concentradas no meio da praia esperando pelas palavras de Jack. Sawyer estava entrando em sua cabana para pegar as mangas para Ana-Lucia quando ouviu um sussurro vindo da floresta.

- James! James!

Ele voltou-se devagar em estado de alerta, seguindo o som, sua mão estava posicionada estrategicamente no bolso da calça onde estava sua arma. Sawyer deu alguns passos e vislumbrou um vulto na escuridão.

- James!- a voz repetiu e Sawyer reconheceu o timbre daquela voz.

- Locke, é você?- indagou, surpreso.

- Venha comigo!- disse John. – Tem uma coisa que eu preciso te mostrar!

Continua...