35 – Ponto de onde não tem mais volta
— Edward? – chorei no telefone quando ele atendeu.
— Bella, o que aconteceu? Onde você está?
— Eu... Eu não sei. Edward, ela foi tão má comigo... – e não consegui dizer mais nada, apenas chorei.
— Eu estou indo te buscar, ouviu? Não sai daí. Calma. Eu já estou chegando. Em dez minutos estarei do seu lado, Bella.
E ele continuou falando essas coisas enquanto eu chorava. Quando começou a dirigir, ao invés de encerrar a ligação, ele apenas colocou no viva-voz e prosseguiu com suas tentativas de me acalmar.
Graças aos deuses e deusas, dez minutos depois lá estava ele me abraçando com força. Os soluços voltaram com força maior ainda, e eu lutei para continuar de pé.
— Vem, vamos pro carro.
Ele carregou minhas malas para dentro e me colocou no banco da frente com cuidado. Durante o caminho todo ele segurou a minha mão e tentou fazer com que eu parasse de chorar. Eventualmente funcionou, e quando ele parou o carro na frente de uma enorme e linda casa branca, eu só fungava de vez em quando.
— Onde estamos? – perguntei baixinho.
— Na minha casa. – respondeu, saindo de dando a volta para abrir a porta pra mim.
— Isso é ótimo, mas eu acho que o que eu quero agora é que você me empreste o que falta para comprar uma viagem de avião pra casa. – murmurei.
— Não, Bella. Escuta, você pode ficar aqui comigo. E então depois de amanhã eu volto com você.
Balancei a cabeça.
— Não posso ficar na sua casa, Edward. Nem fui convidada! E eu não vou te fazer perder metade da sua semana com a família porque foi me levar de volta.
— Bella, eu estou convidando você. Mas vamos resolver isso lá dentro, ok? Vem, daqui a pouco pegamos suas malas. Vou te apresentar minha família.
Sem me deixar escolher, ele me puxou para a entrada da casa e me guiou para dentro.
— Mãe? Voltei. Pai? Ela não teve um ataque cardíaco, né? – brincou, indo para a copa.
A primeira coisa que eu vi foi uma mulher em seus quarenta, inacreditavelmente chique, batendo no peito de Edward com uma expressão ao mesmo tempo raivosa e divertida.
— Você que me matar, menino? Como você sai correndo de casa sem dar nenhuma explicação?
Eu me encolhi, sabendo que a culpa era minha por ele ter saído com tanta pressa. Então a mulher finalmente reparou em mim.
— Oh, quem é essa linda mulher ao seu lado, Edward? – perguntou com um sorriso. Eu corei.
— Bem, eu ia apresentá-la, mas uma louca começou a me bater antes mesmo que eu chegasse à sala. – novamente, ele estava brincando com a mãe. Meu coração apertou, porque eu sabia que nunca teria algo assim.
— Esme, deixe os dois respirarem. Muito prazer, jovem dama. Meu nome é Carlisle Cullen, e você é...?
Eu nem tinha notado o homem ali, mas ele com certeza tinha me visto. Ele era loiro e absolutamente lindo. O que tinha com esse DNA Cullen?!
— Essa é Isabella. Bella, esse é o meu charmoso e exibido pai que já se apresentou, e aquela louca agressiva é minha mãe. – fez Edward, sorrindo.
— Muito prazer, senhor e senhora Cullen. – murmurei respeitosamente. Os dois fizeram um som de nojo ao mesmo tempo.
— Nada disso. Eu sou Esme e meu marido é Carlisle. Somos jovens demais para esse tipo de formalidade, não acha? Então... Ela é sua namorada, filho?
— Mãe! – Edward falou, envergonhado. – Somos amigos.
— Só amigos? – insistiu Carlisle, rindo do embaraçado de nós dois.
— Só amigos. – garanti. – E talvez amigos já seja um exagero.
— Nós nos conhecemos. – finalizou Edward. E então ele respirou fundo. – Eu convidei Bella para passar o feriado aqui, e depois vou levá-la de volta.
— O quê? Você não vai ficar para o ano novo? – Esme desacreditou.
— Eu a trouxe e prometi ao pai dela que a levaria de volta. – explicou.
— Mas... por que ela não pode ficar aqui até o ano novo? Seu trabalho não terá recesso?
Trabalho. Oh, Deus, eles achavam que eu era muito mais velha do que minha idade.
— Não é isso, só não quero incomodar. – murmurei, constrangida.
— Não é incomodo nenhum. Depois que esses dois saíram de casa, esse lugar ficou deserto. Será muito bem vinda para ficar aqui, Bella.
Olhei para Edward, tentando pedir ajuda, mas ele não estava do meu lado na discussão. É claro que não – ele queria passar tempo com a família. Me senti egoísta por sequer ter considerado fazer com que ele dirigisse de volta pra Forks.
— Tudo bem. – concordei, assentindo. Talvez Allie pudesse me emprestar o dinheiro para a passagem de avião...
— Fome? – perguntou Edward, sorrindo.
— Não, obrigada. – respondi educadamente.
— Sinta-se em casa, Bella. Se precisar de qualquer coisa, pode nos chamar. – garantiu Carlisle, e Esme assentiu. Os dois nos deixaram a sós e eu encarei meus sapatos timidamente.
— Ahn, sinto muito por... por atrapalhar seu feriado. – sussurrei.
— Não sinta. Você está tornando-o melhor. – garantiu, afagando meu ombro amistosamente. Lágrimas encheram meus olhos, mas me segurei.
— Obrigada. – murmurei. Ele piscou pra mim, sem dar importância.
Os eventos que se seguiram foram uma mistura de acontecimentos que não me dei ao trabalho de me ater. Estava muito triste pra prestar atenção em coisas como o fato de que o quarto que Edward arrumou pra mim era porta com porta com o dele, ou ter me animado por Esme ter cozinhado macarrão com queijo, uma das minhas comidas favoritas. À noite, antes de dormir, Edward bateu educadamente na porta do quarto que eu estava ocupando.
— Bella? – chamou baixinho. Ele parecia com medo que eu estivesse dormindo. Respirei fundo e abri a porta, colocando um sorriso no rosto. – Vim ver se está tudo bem.
Soltei um riso frouxo, agradecendo baixo.
— Se você quiser conversar, saiba que sou todo ouvidos. Mas se não quiser, tudo bem. Quer dizer, fique à vontade. Mas se quiser, eu estou aqui.
Não pude não sorrir de verdade ao vê-lo se atrapalhando com as palavras. O abracei, beijando seu ombro carinhosamente.
— Eu quero conversar, mas não hoje, okay? – murmurei. Ele assentiu e beijou meu cabelo.
— Eu vou esperar, minha pequena. – sussurrou.
xXx
Acordei com meu celular tocando e demorei alguns segundos para me situar. As lembranças do dia anterior me assaltaram duma vez, trazendo lágrimas para meu rosto. Peguei o aparelho, que registrava uma chamada perdida de Alice. Oh, Alice. Eu teria que explicar pra ela o que aconteceu e ela ficaria puta. Já passava das onze, mas decidi deixar isso pra depois. O que era prioridade agora era um bom banho.
Saí do chuveiro me sentindo mais humana do que eu achava possível, e quando fui de volta para o quarto me vestir, dei de cara com Edward sentado na minha cama que, diga-se de passagem, estava feita.
— Você arrumou minha cama? – perguntei, surpresa. Ele me encarou, distraído com minha toalha.
Cruzeis os braços protetoramente, embora por dentro eu quisesse jogar aquilo longe e me lançar nos braços dele.
— Desculpe invadir. Eu... sim. Desculpe. Vou esperar você lá fora. – garantiu, assentindo vigorosamente. O encarei, esperando, mas ele continuou sentado.
— Edward? Eu preciso me vestir. – falei, rindo.
Ele sorriu, meio bobo.
— É verdade, me desculpe.
E então me deixou a sós, com um sorriso no rosto. Me vesti rapidamente e estava prestes a ir procura-lo pela casa quando ouvi a batida suave na porta.
— Bella? Desculpa, não quero te apressar, mas só avisando: o almoço está pronto.
— Obrigada, Edward. Já estou saindo. – agradeci, pegando meu celular e colocando para carregar em uma tomada. Alice teria que aguardar.
Abri a porta e meu professor encarou meus cabelos molhados com um interesse clínico.
— Tudo certo? – perguntou, hesitando de leve.
— Sim, maravilhoso. – menti. Ele viu através do meu sarcasmo e levantou uma sobrancelha. – Achei que era a hora de comer?
— Claro. Meus pais estão lá embaixo, eles querem se despedir. – fez ele, indicando o caminho e me mandando na frente.
— Despedir? – ecoei, confusa
— Ah, é só um dia fora, eles são exagerados. Carlisle está indo para a casa da mãe dele e Esme vai acompanha-lo. – explicou. – Amanhã estarão de volta para o almoço. Espero que não se importem de ficarmos sozinhos na casa?
— Oh. – murmurei, analisando a afirmação-pergunta. – Tudo bem, sem problemas.
Sentamos para comer e Esme foi me dizendo onde estava tudo na casa, tentando me fazer ficar à vontade para cozinhar, ou brincar com os jogos que ele tinham, ou inflar a casa de bolinhas, ou talvez eu quisesse fazer um churrasco? De qualquer forma, ela me ensinou como lidar com tudo enquanto almoçávamos, e ela e Carlisle saíram em seguida.
Edward cuidou a da louça enquanto eu mandava uma mensagem para Alice – ela já tinha me mandado 6 – dizendo que conversaria com ela depois. Jasper também tinha tentado me ligar, o que eu achei ligeiramente aterrorizante.
— Você quer assistir um filme ou algo? – fez Edward, e então arregalou os olhos. – Eu não quis dizer o que você disse hm, antes de ontem, podemos assistir um filme de verdade, se você não quiser, você sabe. Podemos fazer o que você quiser, ou não fazer nada também...
Um riso escapou dos meus lábios e eu tapei a boca.
— Ah, Edward, você é tão fofo. – falei, sem conseguir segurar. Ele corou de leve.
— Fico feliz que você ache isso. Do meu ponto de vista, estou parecendo um adolescente babão.
Ri de novo, balançando a cabeça.
— Será que podemos... passear? – perguntei, hesitando. – Eu não vi nada da cidade ainda.
— Oh. Oh. Claro, claro. Você precisa colocar mais roupa, e eu também. Na sala em meia hora?
— É um encontro. – garanti, e então o encarei, fazendo uma careta. Ele só sorriu e foi se arrumar.
Vinte e dois minutos depois, eu estava quicando de ansiedade no sofá com meu casaco na mão e morrendo de calor.
— Eu sei que aqui não é como Forks, mas eu juro que não vai se arrepender de colocar tanta...
Ele me encarou de boca aberta, analisando-me da bota ao gorro estilo boina.
— Roupa. – terminou, depois de engolir.
— Tudo bem, parece bem frio lá fora. – garanti. O que não me impedia de estar começando a ficar vermelha de calor do lado de dentro. Ou talvez fosse por causa do olhar dele, insistindo em subir e descer pelo meu corpo.
— Tudo bem. – ele ecoou, e então balançou as chaves do carro. – Vamos?
xXx
Parecia um encontro.
Ele me mostrou a faculdade onde tinha estudado, o parque que gostava de passear, a praça que ele costumava jogar xadrez, e então acabamos no shopping preferido dele. Era pequeno, simples, e de um andar só. Jantamos em um restaurante italiano lá dentro e depois fomos ver uma exposição sobre dinossauros que vergonhosamente só tinha crianças.
Voltamos para casa nos sentindo felizes. Bom, pelo menos eu estava.
— O que você acha daquele filme agora? – sugeri, me sentando no sofá. Ele me olhou seriamente.
— O que você acha daquela conversa agora? – pediu. Respirei fundo e encarei o chão ao assentir.
— Eu sempre quis conhecer minha mãe, sabe? Eu tinha todas essas fantasias de criança de que um dia ela voltaria e me levaria embora. E nos meus sonhos ela era bonita e rica, e tão fofa comigo... Brincava comigo e nossa casa era enorme e meu quarto tinha uma cama de princesa. – contei, rindo de leve da minha bobagem.
— Crianças tendem a ter uma história perfeita na cabeça.
— Não foi nada disso. Nada como eu imaginei. Eu queria tanto conhece-la, mas ela não se deu ao trabalho de passar três horas comigo. Eu só... pedi pra que ela passasse um tempo ao meu lado. Eu só queria conhecer essa mulher que é uma lenda pra mim... Ela disse que nunca quis que eu viesse atrapalhar a vida dela, que nunca quis ser uma mãe e que... e que eu não tinha nem ao menos sido convidada... E é verdade. Eu me impus. Talvez se eu esperasse ela me convidar pra cá, eu...
— Não, Bella. Sério. Não tem porque você se culpar agora. Ela claramente não sabe o que está perdendo porque não se deu ao trabalho de conhecer a maravilhosa filha que tem, e eu sinto muito por isso, mas não é sua culpa, minha pequena.
Assenti, embora eu ainda me sentisse como se eu estivesse errada. Edward colocou a mão no meu ombro e me puxou, me fazendo apoiar nele. Segurei as lágrimas, mas não ousei abrir a boca, sabendo que elas iam escapar a qualquer momento se eu tentasse dizer alguma coisa.
— Você pode ficar aqui quanto tempo quiser, eu prometo. Não precisa voltar pra casa. Você pode dizer ao seu pai que deu tudo certo e nós fingiremos que isso nunca aconteceu. – garantiu ele, beijando minha testa carinhosamente. Assenti, grata pela saída que ele estava me oferecendo. Eu não tinha certeza se sabia lidar com meu pai decepcionado junto comigo.
— Alice está me perseguindo, não sei por quanto tempo vou poder esconder dela. – murmurei, suspirando.
— Você não precisa contar pra ela. Quer dizer, não é como se ela fosse descobrir de outro modo. – ponderou. Suspirei e dei de ombros, indecisa. Embora eu gostasse demais da minha amiga, os surtos que ela teria ao saber que eu estava hospedada com Edward me fez hesitar ao ser sincera.
Balancei a cabeça e tentei pensar em outras coisas que fossem mais fáceis de lidar do que minha amizade intrusiva com Alice. O que me lembrou Rosalie.
— Emmett! – ofeguei, me afastando dele. Em choque, comecei a andar de costas. – Ai meu Deus, por que eu não pensei nisso antes? Agh, eu tenho que ir embora, Edward.
— O quê? Por quê? – perguntou, confuso com meu desespero. Desespero era pouco pra definir o quanto minha cabeça estava rodando.
— Emmett! Ele é a porra do seu irmão ou primo ou que se foda! Ele vai vir passar as festas aqui! – gritei, passando a mão freneticamente pelo cabelo. Ah meu Deus, eu vou passar mal.
— Calma, Bella. – pediu ele, mas podia ver em seus olhos que ele não estava tão relaxado quanto queria que eu acreditasse. – Nós vamos dar um jeito.
— Um jeito? Agh. – gemi, tapando o rosto. – E se Rosalie vir também? Quer dizer, eles são quase um só, pelo amor de Deus. Como vou encará-la?
— Eu vou conversar com ele. – garantiu, tentando me fazer relaxar. Não funcionou.
— E dizer o que? Hey, Emm, tenho uma visita em casa e você talvez a reconheça!
— É exatamente o que vou falar. – admitiu, mas não parecia envergonhado pelo plano falho. – Bella, nós não estamos fazendo nada de errado.
E não estávamos mesmo. Desde dois dias atrás, ele mal tinha encostado em mim, a não ser para me consolar. Respirei com força, pensando sobre os últimos dias e tentando iluminá-los com essa perspectiva: nós não estávamos fazendo absolutamente nada de errado.
— Me desculpe. – pedi, suspirando. – Estou muito nervosa.
— Não tem problema.
A garantia dele me relaxou um pouco mais, e eu pude sentar de volta. Tudo bem, ele iria falar com Emmett. Tudo bem, eu iria falar com Alice e Rosalie também. Okay. Eu iria sobreviver.
Eu acho.
xXx
— Edward, deve ser seu irmão chegando, vá abrir a porta. – chamou Esme do outro lado da casa. Ele beijou meu templo rapidamente e se levantou para atender o pedido da mãe.
Tentei manter minha respiração o mais estável possível, sabendo que entre nós quatro era eu quem tinha a maior probabilidade de estragar tudo com minha péssima atuação. Assenti pra mim mesma, me reafirmando como uma atriz terrível, porém uma boa mentirosa. Quantas vezes eu não tinha mentido até pra mim mesma? Ou escondido de Alice que os pais dela me humilharam sem saber? Eu conseguiria passar por isso, moleza.
— Ouvi falar que você desencalhou, irmãozinho.
Oh, não. Não, não, não! Eu não podia acreditar que Emmett estava fazendo isso. Levantei o olhar e o vi me encarando de cima, uma expressão indecifrável em seus olhos. Rosalie parecia tranquila, ao contrário de Edward, que se remexeu no lugar como se tivesse levado um tapa.
— Não é assim, Emm. – garantiu. E não era mesmo, o que só tornava tudo pior.
— Ohh meu meninho!
Por uns segundos, eu achei que Esme só tivesse dito aquilo para encher o saco do filho, mas então percebi que era assim mesmo que ela agia com ele e suprimi um sorriso.
— Como está Forks? Seu irmão está te tratando direito? Onde está o seu boletim da escola? – fez a mãe, toda preocupada. Antes mesmo que ele pudesse responder, ela passou para Rosalie a abraçou calorosamente. – Oh, Rose, você tem cuidado tão bem do meu menininho que nem sei como te agradecer.
— Não é nada. – garantiu ela, tímida de um jeito que eu nunca tinha visto.
Parece que não era só eu que ficava desarmada perto de Esme Cullen.
— Dr. Cullen está em casa? – perguntou Emmett.
— Essa comoção toda na porta é por minha causa? – perguntou Carlisle, surgindo da escada. Emmett correu até ele e o abraçou com força, levantando-o do chão. Não pude não rir baixinho.
— Ah, Rose! Essa é Bella, amiga do Edward. – fez Esme, puxando-a para perto de mim. Rosalie sorriu, assentindo.
— Vocês se conhecem? – perguntou Carlisle, indo cumprimentar a nora. – Quer dizer, Forks não é supostamente uma cidade minúscula?
— Ah, nós já nos esbarramos, sim. – foi tudo o que Rose respondeu. Meu peito queimou com aquela sensação boa de ser amada e de ter alguém disposto a mentir por mim. Sorri para ela, concordando com sua afirmação.
— Bom, vocês devem estar com fome. Carl fez tacos para nós. – decretou Esme, nos guiando para a sala de jantar.
É. Até que tudo poderia dar certo.
xXx
Às três da manhã eu ainda estava me remexendo na cama. Era como se eu tivesse perdido a habilidade de dormir, já que nem sono ou cansaço eu sentia. Minha cabeça girava tanto que era impossível relaxar. Me levantei, indo até minha mala: talvez um banho morno me ajudasse.
Meu quarto tinha um banheiro conjunto, mas a banheira do dormitório de Edward me pareceu muito mais convidativa. Eu não queria uma chuveirada agora. Respirei fundo e me perguntei se eu deveria ser cara de pau e bater na porta dele como se fosse a coisa mais normal do mundo.
Hesitei na minha porta, toalha na mão e cabelo bagunçado, observando a minha luz acesa. Bufei, larguei a toalha e saí do quarto, indo bater delicadamente na porta ao meu lado. Eu não queria um banho, eu queria consolo, e esperançosamente Edward poderia me dar isso.
— Bella? – ele chamou, nem um pouco grogue, como eu achei que ele estaria. Abri a boca pra falar, mas apenas um soluço baixo escapou. Ele suspirou e me puxou para seus braços, me guiando para dentro de seu quarto.
Me sentei na cama ao lado dele, fungando leve e tentando não me desfazer completamente.
— Eu também não consegui dormir. – disse ele, afagando meu cabelo. – Eu vi que sua luz estava acesa, mas não tinha certeza se você se incomodaria se eu entrasse.
— Eu não teria me incomodado. – garanti, sussurrando. – Desculpa te perturbar a essas horas. É só que...
— Shhh. Tá tudo bem. – afirmou. – Vai ficar tudo bem.
Assim nos braços dele era impossível acreditar que eu tinha feito tanta coisa para afastá-lo de mim. Eu tinha dito a ele que não o amava, que estava com outra pessoa, eu tinha saído andando – ou talvez correndo – quando ele se declarou pra mim. Eu tinha tentado transar com ele simplesmente pelo prazer, embora eu soubesse o quanto devia dor para ele.
E agora eu estava aqui, destruída e o destruindo mais uma vez. Ele já tinha dito mais de uma vez que não me esperaria pra sempre. Eu sabia que tinha perdido minha chance...
Mas eu não posso deixar as coisas como estão!
— Desculpe. – sussurrei.
— Eu já disse que não tem problema.
— Não, não estou falando sobre invadir seu quarto de madrugada pra choramingar. É que... O último mês foi estranho entre nós. – murmurei, corando. Ele hesitou. Nós evitávamos falar sobre isso, mesmo que estivesse bem ali toda a estranheza.
— Tudo bem. – respondeu, mesmo que fosse óbvio que não estava tudo bem.
— Não, não está tudo bem. – falei, frustrada. Como eu podia perguntar a ele o que eu queria se ele estava se esquivando?
— O que você quer que eu diga? Que eu nunca me senti tão miserável quanto no último mês? Que ver você desfilando com seu namoradinho pela escola me fez querer vomitar e chorar ao mesmo tempo? Sinceramente, Bella, eu não quero falar sobre isso. – reclamou. Eu soltei uma respiração forte.
Ficamos em silêncio por mais uns minutos até que eu finalmente criei coragem.
— É tudo culpa minha. – sussurrei. – Eu não fiz por mal, Edward, eu juro que não... Mas... Olha pra você. Você é... perfeito. E eu sou... nada. Desde a primeira vez que nos vimos, eu sabia que você nunca ia olhar pra mim duas vezes. Mas então nós... E...
Engoli em seco, me perdendo nas palavras.
— Do que você está falando? – Edward perguntou, confuso com minhas frases inacabadas.
— Eu estou falando sobre o quanto eu tinha certeza que você nunca iria gostar de mim do jeito que eu gostava de você. – chiei, minha voz saindo ridiculamente chorosa.
— Espera, o quê? – fez ele, levantando meu rosto para que eu o olhasse.
— Você é inteligente, e resolvido, e... Eu me esforcei tanto para não me apaixonar por você. Porque eu sabia que você nunca iria retribuir. Eu fiz de tudo para que nossos encontros fossem só uma diversão sem compromisso. Não queria me apegar a você. E então você me disse que... que... – gaguejei, sem conseguir falar. Respirei fundo, fungando. – O que você queria que eu pensasse? Eu achei que você estava... Bem, no começo eu achei que você tinha dito aquilo por uma ideia absurda de que as mulheres gostam de ouvir isso. E depois, quando eu percebi que você estava sendo sincero, já era tarde demais e eu estava...
— Namorando outro cara. – ele completou, sem nenhuma emoção na voz.
— Não! – quase gritei, nervosa. Ele me encarou, parecendo inocente e confuso. Respirei fundo mais uma vez. – Você terminou comigo. Jacob... Jacob nunca significou nada. Eu estava infeliz e solitária, e ele se aproximou de mim. E a cada dia que eu ficava longe eu só percebia o quanto realmente tinha falhado em não me apaixonar por você. Foi por isso que eu terminei com ele, não era justo.
Ele me encarou por um tempo sem dizer nada. As lágrimas voltaram com força total e escorreram por meu rosto contra a minha vontade.
— Eu sei que é tarde, e que eu te fiz sofrer, e eu nem sei porque estou te contando tudo isso agora, mas eu não consegui mais segurar. – chorei, fungando ridiculamente. Me arrastei para a borda da cama, constrangida por estar chorando na frente dele e tentando sair dali. Antes que eu alcançasse a porta, Edward tinha me segurado.
— O que você quer dizer com isso? – perguntou, atento à minha resposta. Eu resmunguei alguma coisa ininteligível em meu choro e ele franziu as sobrancelhas. – Desculpe, o que você disse?
Solucei, passando a mão pelo rosto para tentar ao menos enxerga-lo na minha frente.
— É muito tarde agora. – falei, balançando a cabeça.
— Não, não é tarde. Eu não estou com sono. – insistiu, e eu quase bufei.
— Não literalmente. – reclamei. – É tarde demais... pra nós. Eu devia ter feito tudo diferente, eu faria tudo diferente se soubesse no que ia dar agora.
— Não é tarde demais. – ele falou, ansioso, e pegou minhas mãos com carinho. –Toda aquela coisa confusa que você disse agora pouco... É verdade?
Assenti timidamente. Ele se aproximou mais de mim, apertando minhas mãos delicadamente.
— E agora? O que você sente agora por mim? – perguntou. Eu voltei a chorar escandalosamente, puxando minhas mãos para esconder meu rosto.
— Não me faz dizer, é tarde demais pra mim, eu sei que eu já perdi a minha chance... – choraminguei, mas pela expressão dele, duvido que tenha entendido. Só Alice decifrava meus discursos chorosos.
Contrariando o que eu esperava – Edward bufar e me deixar ir chorar sozinha no quarto que a mãe dele arrumou carinhosamente para mim –, ele me abraçou com força, apoiando o rosto no meu ombro.
— Você não sabe que nunca é tarde pra quem ama? – sussurrou em meu ouvido, numa voz suave. – Se seus sentimentos ainda são os mesmos que me revelou anteriormente, diga-me agora mesmo. Os meus afetos e desejos não mudaram, mas uma palavra sua me silenciará para sempre a este respeito.
Minha respiração ficou presa na garganta e por um segundo, meu equilíbrio vacilou. Ele estava citando Orgulho e Preconceito pra mim. Me segurei à ele como se pudesse me afogar e ele fosse minha única chance de salvação. Seus braços me apertaram numa prisão que eu nunca queria escapar. Uma última lágrima escapou dos meus olhos antes de eu me reestabelecer no chão e levantar o rosto para olhá-lo. Ele me encarava com expectativa, e tudo o que eu fiz foi ficar na ponta dos pés e beijá-lo.
E nem era o tipo de beijo cheio de fogo que costumávamos trocar – era doce, carinhoso e lento. Ele retribuiu aprofundando o beijo e me apertando ainda mais em seus braços. Eu estava ofegando depois de poucos segundos, e embora eu não quisesse, nos afastamos ligeiramente. Edward enterrou uma mão em meus cabelos, puxando um pouco os fios, e eu gemi. Ficamos nos olhando sem dizer nada – ele acariciando meu couro cabeludo e eu afagando sua nuca.
Então ele se afastou um pouco mais e estendeu a mão para mim. Entrelacei nossos dedos com um sorriso bobo. Ele me puxou para sua cama e eu fiz uma careta leve, mas deixei ele me guiar. Quando eu estava abrindo a boca, ele falou.
— Me conta. Me fala tudo o que eu perdi nesse tempo que nós não nos vimos. – pediu, animado como uma criança na manhã de Natal. Eu ri, sem conseguir evitar.
Nós nos deitamos de frente um para o outro e passamos horas falando banalidades um para o outro, trocando carícias inocentes e sorrisos. Eventualmente, fomos ficando sonolentos, então apenas nos acomodamos juntos e dormimos.
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Hallo! Het spijt mij! (Isso foi "oi, me desculpe" em Holandês. Estou estudando essa língua agora e estou super animada).
Recebi muitas reviews perguntando se eu morri ou larguei a fic. Nenhuma das duas coisas aconteceu. Eu tinha, sim, capítulos escritos. Porém comecei a achar todos eles uma bosta! As usual, bloqueio de escrita me trollando.
Outro problema que vinha me atacando era o seguinte: a futilidade de fanfics. Tenho vinte e um anos. Trabalho em 3 empregos diferentes para poder cursar a faculdade de Letras. Estou estudando para ser uma professora e especialista em literatura. Vocês entendem onde eu quero chegar?
Mas então essa semana, enquanto pensava e me debatia sobre a possibilidade de um intercâmbio, tive uma epifania: FODA-SE. Foda-se que fic era algo que eu fazia quando tinha 16 anos. Foda-se que o livro de Crepúsculo não é mais meu preferido como costumava ser. Escrever é algo que me faz bem e eu AMO fanfics. Leio várias até hoje, então qual é o problema em escrevê-las?
Daí superei essa vyadaje e estou aqui. Tentarei ao máximo voltar para minha rotina de posts aos sábados. Não tenho certeza se vou conseguir, mas certamente vou tentar.
Beijos e beijos e mais beijos
Jenny Morgan.
P.S.: Tô escrevendo um blog chamado "Fluindo chatice" (bem a minha cara). Se alguém quiser dar uma olhada, o link é fluindochatice (ponto) blogspot (ponto) com (ponto) br. Lá eu basicamente reclamo da vida e posto as poesias que eu escrevo no meu tempo livre.
