Edward's POV

Assim que chegamos no hospital, me deparei com a difícil tarefa de parecer normal. Eu havia prometido acatar ao pedido de Isabella, repetido exaustivamente durante todos os 15 minutos de viagem (que, em condições normais, deveriam ser feitos em meia hora).

"Não faça um escândalo".

"Seja normal".

"Nervosismo é uma coisa. Pânico é outra".

- Boa noite. Minha mulher entrou em trabalho de parto e precisa ser atendida. - Comecei, tentando engolir o grito para as três mulheres da recepção. Como imaginei que elas não me levariam a sério, me apressei em adicionar: - O obstetra mandou que ela viesse o mais rápido possível.

Uma das mulheres, talvez notando a força que eu fazia para não explodir (ou talvez notando que Isabella estava mesmo em trabalho de parto) se apressou em conseguir uma cadeira de rodas em algum canto ali perto da recepção. Ajudei-a a se sentar com cuidado, e uma nova onda de contrações a atingiu. E cada vez que seu rosto se contorcia eu tinha vontade de socar alguém ao meu lado por não fazer nada para que a dor dela passasse.

- Vocês têm que preencher alguns dados desse formulário... - Uma delas começou, claramente não entendendo a situação.

- Eu preencho o que você quiser, mas coloque a minha mulher em um quarto primeiro!

- Vocês são o casal do Dr. Lewis? - Uma outra mulher perguntou.

- Somos.

- Ele já está esperando. Vou levá-los até lá.

Tudo que tivemos que fazer foi andar por um longo corredor - Isabella na cadeira de rodas, eu (com um formulário nas mãos) e a recepcionista caminhando -, entrar em um elevador e chegar a uma sala verde-bebê enjoativo. E mesmo sendo tudo o que tivemos que fazer, a coisa toda pareceu demorar mais do que tinha que demorar.

Isabella não deixou escapar nenhum som. Ela parecia querer manter suas dores em silêncio, mesmo que suas contrações ficassem mais constantes e aparentemente mais fortes a cada minuto. Sem saber o que fazer para ajudá-la, e tendo certeza que nada do que eu tentasse surtiria efeito, apenas fiquei ao lado dela o tempo todo, repetindo coisas como "tudo vai dar certo" e "já estamos chegando".

Eu estava angustiado. Angustiado porque não podia fazer com que sua dor passasse. E porque minha filha queria sair dela à força. E era claro que eu sabia que isso aconteceria algum dia, mas vê-la se contorcendo daquela forma só tornava tudo um pouco mais desesperante.

- Boa noite! - O Dr. Lewis disse assim que entramos na sala de pré-parto. Havia mais duas mulheres lá dentro, parecendo serem suas auxiliares de parto, que o ajudaram com a tarefa de levantar Isabella da cadeira e sentá-la em uma cama alta.

- Doutor, ela está com muita dor! - Me apresei em falar, não lembrando de retribuir o "boa noite" dado - O senhor não pode dar algum remédio...

- Edward, ela está em trabalho de parto. Não há muita coisa que possa ser feita. A única coisa que vai fazer com que a dor passe é o nascimento do bebê.

O rosto dela se contorceu outra vez, e outra vez me contorci também, por instinto.

- Ei, já preencheu o formulário?

Percebi que ele estava falando comigo.

- Quê? Não...

- Ótima hora pra fazer isso. Volte daqui a uns quinze minutos, ok?

- Quê? - Exclamei, surpreso - Não! Não vou deixá-la sozinha...

- Edward, nós temos que seguir alguns procedimentos aqui. - Ele se voltou para mim, falando com uma autoridade de médico e, ao mesmo tempo, de pai - Eu tenho que fazer alguns exames nela, e você não tem que ficar grudado à sua mulher o tempo todo. Não se preocupe, você vai estar presente no parto. Mas não precisa estar presente na tricotomia.

- Mas...

- Nós só vamos mudar a roupa dela e checar se está tudo bem. Não tem porquê se preocupar, ok? Vá preencher seu formulário, ligue pra quem tem que ligar e tome um calmante antes que eu mesmo injete um em você à força.

Respirei fundo tentando me controlar. Encarei Isabella outra vez e notei que ela estava no breve período de trégua entre uma contração e outra.

- Amor... - Comecei, me aproximando dela e sentindo uma enorme vontade de me desculpar: Mesmo que não fosse por vontade própria, eu tinha que sair. Antes que me tirassem de lá à pontapés.

- Vai. - Ela falou em um tom de voz baixo, e eu sabia que Isabella não estava sendo rude, mas apenas evitando falar demais e deixar escapar algum gemido de dor.

Me aproximei do seu rosto e a beijei apaixonadamente, empregando intensidade suficiente para que ela entendesse que eu voltaria e que estava odiando ter que deixá-la naquele momento.

- Estou de volta em quinze minutos. - Falei contra o seu rosto, encarando-a nos olhos - Eu vou voltar. E quando voltar, não vou sair do seu lado.

Ela assentiu com a cabeça de forma simples.

Me forçando a dar meia volta e caminhar para fora da sala, eu saí.

E então tudo começou a desmoronar.

Depois de responder a todas aquelas malditas perguntas no formulário e esperar pacientemente pelos quinze minutos estipulados pelo Dr. Lewis, voltei para o corredor que daria para a sala de pré-parto e, para minha surpresa, fui impedido de prosseguir até a porta.

- Sr. Cullen? - O homem falou, parado à minha frente parecendo não querer se mover.

- Sim?

- O Dr. Lewis pediu para mantê-lo por mais algum tempo aqui fora.

Continuei encarando o homem desconhecido, tentando entender o motivo daquilo.

- Por quê? - Perguntei secamente.

- Ele ainda não terminou de fazer os exames necessários na sua esposa.

O rapaz parecia algum tipo de enfermeiro ou auxiliar. E, talvez coincidentemente - embora eu achasse ser proposital -, ele tinha quase o dobro do meu tamanho. Talvez o Dr. Lewis já me conhecesse o suficiente para saber que eu tentaria entrar naquela sala caso um armário não estivesse me impedindo.

- Ele disse "quinze minutos". - Falei ainda frio, começando a caminhar para a porta.

- Mas ele ainda não acabou. - O homem repetiu, se colocando à minha frente da maneira mais educada que conseguia.

"Seja normal". - A voz de Isabella ecoou pela minha cabeça - "Seja normal".

Respirei profundamente uma vez. E depois, outra. E outra logo em seguida.

- Por que ele ainda não acabou? O que está havendo?

- Às vezes os exames demoram...

- Mas ele disse "quinze minutos"! - Eu sabia que aquilo já não era mais um argumento, mas mesmo assim me agarrava a ele.

- O senhor precisa se acalmar...

Aquilo definitivamente não era a coisa certa para se dizer a alguém que precisava se acalmar.

- Não vou me acalmar até conseguir ver minha mulher e me certificar de que está tudo bem! - Falei com uma voz baixa e forçada, tentando por tudo no mundo acatar ao pedido de Isabella e não fazer nenhum escândalo.

- O senhor tem que se acalmar se não quiser deixar sua esposa nervosa também. Ela precisa da sua calma, precisa da sua força.

Pela primeira vez, o que aquele homem dizia estava fazendo algum sentido. Mas aquilo indicava que não estava tudo bem.

Não estava tudo bem.

- O que está acontecendo? - Repeti, agora sem fazer menção de correr para a porta e mandá-la abaixo.

Ele suspirou.

- Ela não tem dilatação suficiente. E as contrações estão ficando cada vez mais frequentes.

- E o que isso significa? - Perguntei com uma voz já esganiçada.

- Isso não significa nada... - Ele começou, dando uma ênfase esquisita na palavra "isso", mas quando ia pedi-lo para desembuchar logo tudo que eu sabia que ele estava escondendo de mim, fui interrompido por uma voz conhecida.

- O que está acontecendo? - Minha mãe falou do outro canto do corredor, andando apressadamente ao meu encontro. Meu pai vinha logo atrás dela.

- Ela não tem dilatação suficiente, seja lá o que isso signifique... - Comecei, e minha mãe agora encarou o enfermeiro, ou auxiliar, ou o que quer que ele fosse.

- É só esperar até que ela tenha, não é? - Ela perguntou, com a pouca experiência que tinha naquele assunto - Qual o problema nisso?

O homem encarou-a de volta, parecendo escolher as palavras certas.

- Houve uma complicação. O Dr. Lewis está tentando ver se é possível realizarmos o parto normal logo. O feto está recebendo oxigênio insuficiente...

- QUÊ? - Falei, agora completamente em pânico.

Nesse exato momento, a porta que eu queria derrubar há alguns minutos atrás se abriu e uma maca passou por ela, com quatro pessoas em volta. Deitada nela, estava a minha esposa.

- O QUE ESTÁ ACONTECENDO? - Gritei para o médico, já seguindo-o enquanto ele empurrava a maca para uma outra sala mais ao fundo do corredor. Isabella estava, para variar, com sua expressão de dor, e eu corri para segurar sua mão ou ficar ao lado dela de alguma forma. Mas assim que a maca entrou em uma das portas, pela segunda vez, fui impedido de acompanhá-la. Dessa vez, pelo Dr. Lewis, que se colocou à minha frente antes que nós dois pudéssemos entrar.

- Está acontecendo uma coisa que nós chamamos de Sofrimento Fetal. - Ele começou sem nenhuma preparação, bastante sério e frio, e só de ouvir aquela expressão senti meu estômago afundar - Isso não quer dizer que sua filha esteja sofrendo ou sentindo dor. O fato é que o cordão umbilical está sendo pressionado e o oxigênio que está chegando ao feto não está sendo suficiente. Nós vamos ter que fazer uma cesariana. Você autoriza a operação?

Continuei estático, me mantendo de pé só Deus sabia como. Ele parecia com pressa, e aquilo fez com que eu não tivesse tempo de pensar sequer no que tinha acabado de ouvir.

- Não tem outro jeito...? - Comecei completamente atordoado, mas fui interrompido pela voz grave do médico outra vez.

- Não, não tem. Temos que fazer logo pra que sua filha sobreviva.

Sobreviver. Minha filha sequer tinha nascido ainda, e já estávamos falando da sua sobrevivência.

- É óbvio... Óbvio que autorizo... Faça tudo o possível...

Minha voz saiu abafada, quase baixa demais para ser ouvida. Eu estava incrédulo, incapaz de aceitar que aquilo tivesse se transformado em um pesadelo daquela magnitude. Tudo estava acontecendo rápido demais, e minha cabeça, ainda trabalhando de forma lenta, não conseguia acompanhar. Meu peito começou a doer, uma dor abstrata mas muito real. O medo de perder minha filha sem sequer tê-la visto uma única vez estava me corroendo, me matando. E, somado a isso, a minha impotência diante daquela situação era esmagadora.

Eu não podia fazer nada - absolutamente nada - para ajudar.

- Você ainda quer entrar? Quer estar presente no parto? - A voz do médico soou outra vez, me tirando do meu poço de tristeza e desespero.

- É lóg... É lógico!

- Então, a partir de agora, recomponha-se. Sua esposa não pode ficar mais nervosa. Você precisa estar calmo ao lado dela, precisa tranquilizá-la. Ela não sabe o que está acontecendo.

Respirei fundo, desejando ter mais tempo para me preparar. Eu não podia fazer nada para ajudar no problema de fato, mas se a única coisa que me restava consistia em ficar do lado dela e apoiá-la naquele momento, mesmo que ela não soubesse de tudo que estava acontecendo, era exatamente isso que eu faria.

Nem que eu mesmo não confiasse no meu autocontrole ou na minha capacidade de lidar com aquele pesadelo.

- Você pode fazer isso? - Ele me perguntou, já abrindo novamente a porta atrás de si. Parecendo muito mais confiante do que realmente estava, respondi de imediato:

- Sim.

- Ok. - Ele pontuou, segurando no meu ombro de uma maneira firme - Vai dar tudo certo.

Não falei nada, rezando silenciosamente para que aquelas palavras fossem uma certeza, e não apenas otimismo. Me dei conta pela primeira vez em muito tempo de que meus pais ainda estavam ali, atrás de mim, e por mais que eu quisesse ser consolado por eles, não queria parecer fraco. Não naquele momento.

- Nós vamos ficar aqui. - Meu pai disse - Vai dar tudo certo.

Assenti com a cabeça firmemente, ignorando a dor na garganta pelo choro preso e disfarçado. Sem dizer mais nada - porque eu sabia que se ficasse para ouvir mais palavras doces da minha mãe, acabaria desmoronando -, entrei na porta pela qual o Dr. Lewis já havia passado.

Me dei conta então de que o que eu achava ser uma sala era, na verdade, um outro corredor. Um corredor menos comprido e mais fino, com apenas duas portas à direita e uma à esquerda. Quando estava pronto para me dar como perdido ali, o homem que antes havia me impedido de ver Isabella saiu de uma das portas à direita e me entregou roupas verdes, dobradas e limpas.

- Vista isso. Troque-se naquela sala. Quando estiver pronto, entre na sala de parto. - Ele pontuou, sem se preocupar em me dar maiores explicações. No segundo seguinte, o homem puxou o pano verde que lhe cobria o queixo e tampou a área da boca e do nariz, entrando na sala à esquerda logo em seguida e me deixando sozinho ali.

Um pouco apressado - porque não havia tempo para raciocinar -, corri para a porta que ele tinha apontado e me troquei lá dentro, em um banheiro muito claro e um pouco apertado. Ao vestir todo o conjunto, me dei conta de que estava exatamente como aquele homem agora: Camisa e calças verdes, uma touca e uma máscara. Estava vestido como algum cirurgião, com o uniforme próprio para entrar na sala de parto.

Deixei minhas roupas ali mesmo, incapaz de pensar. Tudo parecia acontecer muito rápido, e não havia nenhum sentimento em mim além de um medo esmagador. Mas não importava o tamanho do meu medo ou o quão frágil eu estava, tudo teria que ser deixado de lado para dar lugar a uma coragem que eu não possuía.

A coragem e a certeza que Isabella precisava de mim, de que tudo daria certo.

Havia seis ou sete pessoas na sala quando entrei. Ela estava deitada em uma cama alta, um foco de luz muito forte e grande logo acima da sua barriga. Em volta dela, o obstetra - que seria o responsável pela cesariana -, uma mulher ao seu lado, mais outra perto de uma bandeja cheia de pequenos objetos metálicos e cortantes, um homem que parecia checar sua pressão e outras pessoas que não me dei ao trabalho de analisar.

A sala era clara e espaçosa, mas o ausência de casualidade e de vozes despreocupadas me fazia sufocar.

- Oi, amor... - Falei perto do rosto dela, fazendo-a se virar para mim e me encarar ali. Ela sorriu em resposta, soltando uma leve lufada de ar, como se estivesse mais tranquila por me ver ali. Mas não falou nada. Ela parecia sonolenta, e eu imaginava que tinha algo a ver com a anestesia.

- Tudo bem? - Ouvi a voz do Dr. Lewis soar abafada por debaixo da máscara, e ao encará-lo, notei que a pergunta não havia sido direcionada a mim, mas sim a uma das pessoas ali perto.

- Tudo bem. - O homem do outro lado da cabeça de Isabella respondeu.

E então, as pessoas ali começaram a se comunicar entre si, passando e repassado objetos enquanto cortavam com cuidado a pele da barriga dela. Segurei uma das suas mãos com firmeza, agoniado por ter a impressão de que ela sentia dor. Mas ela não reclamava. Tudo que fazia era permanecer calada e neutra, olhando para o vazio no teto da sala.

Eu não queria assistir o que eles faziam com a pele da barriga dela. Não porque passaria mal de alguma forma, mas porque, sinceramente, tudo que eu queria ver saindo dali era a minha filha: Bem, saudável e chorando alto. Estava mais concentrado no semblante completamente neutro dela, porque mesmo que aquilo fosse normal, eu não conseguia me convencer de que estava tudo bem.

Ela parecia calma demais.

- Está tudo bem? - Falei muito baixo, perto do seu ouvido. Ela apenas sorriu e piscou, muito lentamente, assentindo vagamente com a cabeça.

Os médicos se mexiam para lá e para cá. O homem ao lado dela continuava monitorando os sinais vitais. O tempo parecia não passar, talvez porque estivéssemos com pressa em retirar minha filha de dentro da barriga dela.

- Vai ficar tudo bem. Já já vai acabar. - Falei aleatoriamente, segurando sua mão com força enquanto tentava empregar um tom de casualidade na voz. Ela piscou mais duas vezes. - E nós ainda temos que escolher um nome pra ela, sabe?

- Você pode escolher. - Ela respondeu baixo.

- Não, vamos escolher juntos.

Ela deu um sorriso calmo, e só. Parecendo cansada de manter os olhos abertos, ela os fechou e ficou daquela maneira por algum tempo. O aperto que sua mão fazia na minha afrouxou um pouco.

- Meus pais estão aí fora. - Soltei de repente, apenas com o intuito de mantê-la distraída - Eles vieram assim que souberam...

- Tenho que cortar agora. - Ouvi o médico falar, parecendo mais distante do que realmente estava. A mulher próxima à bandeja com os objetos se mexeu com um pouco de pressa, e três outras pessoas começaram a se agitar por ali.

Respirei fundo, tentando não transparecer a preocupação. A sala estava quente demais para mim. Levei minha mão livre à testa de Isabella e brinquei com alguns fios que estavam ali, grudados no suor dela também. Eu não via nada que acontecia na cirurgia, porque havia um lençol estrategicamente colocado entre nós e os médicos que cuidavam da operação. Era um pouco angustiante supor o que estava acontecendo apenas pelas reações que eram verbalizadas.

- Vamos logo... - Ouvi o Dr. Lewis dizer outra vez, e sua voz tinha um tom de urgência. Não era pressa, mas sim algo mais, em um tom bastante baixo. Talvez propositalmente baixo. - Está sangrando muito...

Respirei fundo outra vez. Meu coração não estava bem. Eu não estava bem. Queria que aquilo terminasse logo, mas cada segundo parecia se arrastar por horas. Isabella havia aberto os olhos novamente, mas eles piscavam tão devagar que, a cada piscada, pareciam não ter forças para se abrirem outra vez.

A energia do outro lado do pano começou a aumentar. Eu não sabia o que estava acontecendo, mas não parecia estar tudo como deveria estar.

Sem pensar direito, puxei a máscara para baixo e livrei minha boca para poder falar em um tom baixo ao pé do seu ouvido.

- Você lembra no dia do seu aniversário? Que eu te levei naquele lugar e nós passamos a tarde inteira ali? - Comecei, sem saber exatamente o porquê de estar falando e lembrando daquilo - Eu acho que foi um dos melhores dias da minha vida.

Ela sorriu em câmera lenta, mas de forma verdadeira. Seus dedos se afrouxaram um pouco mais em volta dos meus. Ela não respondeu nada, fechando outra vez os olhos e mantendo-os fechados por um bom tempo até abri-los outra vez, me encarando com doçura, com amor. Me encarando como se quisesse olhar para mim, e nada mais.

- Agora! - O médico falou, suficientemente alto para que nós dois escutássemos. Mas Isabella continuou sonolenta, completamente dopada.

Recomecei a falar sem rodeios, sem pensar que talvez fosse melhor ficar calado. Eu queria dizer alguma coisa, nem que fosse para não prestar atenção no que estava acontecendo. Nem que fosse para distrair Isabella de tudo aquilo. E, inesperadamente, tudo que eu falava acabava soando como confissões, como verdades guardadas que precisavam ser reveladas naquele momento. Por algum motivo.

- E você lembra quando eu te dei os parabéns? Só Deus sabe o quanto eu queria te abraçar naquela hora, mas tinha que me segurar pra não acabar...

Fui interrompido por um choro. Um choro baixo, agudo, esganiçado. O som pelo qual eu esperava ouvir. Minha filha havia nascido, e agora chorava à plenos pulmões, exercitando-os com oxigênio, alto, freneticamente. E por uma fração de segundos eu me senti leve. Por uma fração de segundos eu me senti feliz, completo. Senti que tinha tudo que precisava naquela fração de segundos: Minha mulher e minha filha ali, comigo. Tudo estava bem.

Mas só por uma fração de segundos. Porque, depois disso, tudo começou a acontecer rápido demais.

- Rápido!

- A pressão dela!

- Vamos rápido!

- Não estou conseguindo! Não estou conseguindo!

O choro continuava alto e estridente. Parecia um choro normal.

- Eu não consigo estancar... Está sangrando muito!

- A pressão dela está despencando! - O homem do outro lado falou, e então me dei conta de que "ela" de quem estavam falando não se tratava da minha filha.

Se tratava de Isabella.

- Agora! Vamos agora!

Agarrei a mão dela por instinto, com toda a força que tinha, sem me preocupar se a estaria machucando. Seus dedos não se fecharam nos meus como eu esperava: Não havia força ali. Ela estava se apagando.

- Amor... - Falei, agora completamente desesperado. Encarei seu rosto e constatei que, surpreendentemente, seus olhos estavam abertos, me encarando como se só pudessem fazer isso mesmo. Ela ainda mantinha um sorriso fraco nos lábios, um sorriso quase apagado, mas genuíno. Isabella parecia sonolenta, mas, ao mesmo tempo, cansada. Sua respiração estava acelerada demais...

- Senhor, precisamos fazer um procedimento... - Uma voz apressada começou ao meu lado, e mãos vindas de sabe-se lá onde começaram a me empurrar com cuidado - O senhor tem que ir. Por favor...

Eu não estava ouvindo direito. Meus olhos ainda estavam nos dela, implorando para que o que quer que estivesse errado desaparecesse. Apertei outra vez sua mão, tentando fazer com que ela reagisse, mas era inútil. Tudo que recebia dela era aquele olhar complacente e aquele sorriso simples, quase morto.

"Eu te amo", seus lábios conseguiram se mover em silêncio, como se emitir som àquela confissão fosse difícil demais. O sorriso ainda estava lá, quase morto, mas ainda lá. Ela piscou mais uma vez, e eu esperei para que seus olhos se abrissem novamente. Mas eles permaneceram fechados.

E de repente, aquele "eu te amo" pareceu soar como uma despedida.

- Agora, senhor! - Ouvi a voz ao meu lado, mas ainda assim, tão distante. Minhas mãos foram rudemente soltas da mão dela, e depois de algum tempo que eu não saberia precisar - porque o pânico já havia me tirado a noção de realidade -, me encontrei, de repente, no corredor do lado de fora da sala de parto.

Alguém tinha me tirado de lá.

O que estava acontecendo?

- O que... O que... - Gaguejei, tentando parar de tremer, enquanto recuperava a força e os pensamentos.

- Sua filha está bem, senhor...

Meus olhos entraram em foco novamente, e notei que o homem com quem eu falava era o mesmo homem que antes não havia me deixado entrar na sala de pré-parto. Inconscientemente, eu já estava relacionando a cara daquele maldito enfermeiro a algo ruim.

- Minha filha está bem... - Repeti, tentando digerir aquela verdade. Ela estava bem. Mas eu não havia conseguido sequer vê-la, porque tinha sido expulso da sala de parto - Minha mulher...

- Sua mulher estava sangrando muito. Nós...

- O que aconteceu? - Perguntei, ainda completamente desnorteado.

- Ela teve uma hemorragia. A pressão dela caiu. Tínhamos que agir rápido...

- Senão? - Perguntei, querendo saber exatamente qual era a dimensão do problema.

Ele suspirou, e o maldito suspiro demorou tanto que eu estava a ponto de segurá-lo pela gola e prensá-lo contra uma parede para que ele cuspisse o que eu queria saber.

- O coração dela pode parar. Nós temos que controlar a hemorragia antes que seja tarde...

O coração dela pode parar.

O coração dela pode parar...

Comecei a cair em um abismo. Silenciosamente.

- O coração dela... O coração...

- Ela perdeu muito sangue. Nós temos que tentar...

Eu não estava ouvindo. Meus ouvidos estavam tomados por um zumbido estranho e incômodo. Minha boca estava incrivelmente seca, minhas mãos tremiam. Minha garganta parecia se fechar aos poucos, como se a onda de pânico que me atingisse não desse sinais de trégua: Era aquilo. Um nervosismo crescente, paredes se fechando ao meu redor e nada que pudesse ser feito para empurrá-las de volta.

- Eu preciso voltar... - Consegui falar enquanto não olhava para lugar nenhum em particular. Me desvencilhei das mãos do homem e caminhei novamente para a porta, completamente perdido, completamente em choque, quase não notando que ele próprio formava um obstáculo bastante difícil de ser passado. O homem era muito forte, e conseguia lidar facilmente comigo naquele estado.

- Senhor...

- Eu tenho que voltar... - Continuei, ignorando a força contrária aos meus passos. Era possível que eu sequer estivesse me mexendo, mas minha decisão cega e minha vontade de ir eram o suficiente.

- O senhor não pode voltar.

- Me larga... - Minha voz começou a adquirir um novo tom. O tom da impaciência, cobrindo até mesmo meu próprio desespero.

- Não posso. Não vou soltá-lo. O senhor atrapalharia...

- EU TENHO QUE VOLTAR! - Explodi, e o sangue quente pareceu voltar a correr nas minhas veias, me tirando do estado quase letárgico em que o pânico havia me colocado - EU PROMETI A ELA QUE ESTARIA LÁ! EU PROMETI A ELA! EU TENHO QUE ESTAR DO LADO DELA! EU FALEI QUE ESTARIA!

- O senhor só vai atrapalhar lá dentro! - O homem respondeu, não no mesmo tom, mas se forçando a falar mais alto e com maior autoridade - Precisamos salvá-la! Deixe que os médicos trabalhem!

Tentei afastar suas mãos outra vez, mas por mais desesperado que eu estivesse, não seria o suficiente para passar pelo homem. "Você não entende! Você não entende!", eu repetia, rezando para que ele subitamente entendesse sem que eu precisasse explicar. Sem que eu precisasse dizer, e lembrar, que já havia a decepcionado uma vez. Que já havia faltado com a minha palavra antes, e que não cumprir a promessa de estar ao lado dela a havia feito sofrer no passado.

Eu precisava estar ao lado dela. Porque eu devia isso a ela muito mais do que o normal. E porque eu disse que estaria lá. E não estava.

E aquele homem não entendia a dimensão do meu desespero.

- Se o senhor não se acalmar, terá que esperar no corredor de fora!

Sacudi suas mãos para longe outra vez e dei meia volta, indo para o outro lado do corredor. Eu não podia fazer nada para voltar, mas se aquela era a menor distância que eu teria da minha mulher, eu aceitaria.

Sentei no chão, ao lado da porta da sala onde minhas roupas originais ainda estavam, encostado na parede e, sem saber o que fazer, abaixando a cabeça. Talvez daquela forma, encolhido a um canto, fosse mais fácil lidar com a dor e com o pânico. Talvez eu pudesse ao menos respirar.

Não a tire de mim.

Eu não era religioso, mas sabia que a vida dela pertencia a algo maior. E fosse o que fosse esse "algo", eu imploraria para que Ele permitisse que ela ficasse comigo. Porque eu não podia perdê-la. Eu não estava pronto sequer para começar a pensar nisso. Nossas vidas haviam se entrelaçado há muito pouco tempo, e perdê-la não era justo.

Não era justo.

Por favor, não a tire de mim.

Ouvi passos apressados entrando pela porta que dava para o corredor externo e me virei. Eram mais dois médicos, vestidos exatamente como o Dr. Lewis, e sem sequer reparar na minha presença ali, no chão, ou do homem ao meu lado, de pé, eles seguiram correndo para dentro da sala de parto.

O silêncio deu algumas toneladas extras ao ar naquele ambiente. A tonalidade verde-bebê me enjoava. O cheiro de produtos farmacêuticos misturados com ar-condicionado provocava uma sensação horrível. Era como esperar pela morte. Era como esperar para sempre.

Não a tire de mim.

Meus lábios se moveram dessa vez. As palavras tomavam forma a medida que o meu desespero aumentava. Eu não podia perdê-la. Eu não podia sequer cogitar essa possibilidade. Ela era importante demais. Era necessária. Como infernos eu viveria sem ela, amando-a daquele jeito doentio? Como infernos eu tomaria conta da nossa filha sozinho? Eu não tinha essa competência, não tinha essa segurança.

Eu precisava dela, em todos os sentidos. Precisava dela como mãe, como amante, como amiga. Era necessário que ela saísse daquela sala viva. Bem. Saudável.

Por favor, por favor...

Mais passos apressados entraram pela mesma porta, seguindo o mesmo caminho dos passos anteriores. Dessa vez, não me virei. Continuei com a cabeça baixa, minhas mãos atrás do pescoço puxando com violência os fios ali. Todos aqueles profissionais estavam correndo contra o tempo para salvarem Isabella. Todos eles sabiam da urgência. Ou parte dela.

Duas lágrimas escorreram simultaneamente pelo meu rosto, uma de cada olho. Não me importei. Sabia que eram raros os momentos que me deixavam daquela forma, mas se simples medo não era o suficiente para me fazer chorar, pânico era. Um desespero tão esmagador e dominante que temi não conseguir voltar à superfície da minha própria fé, temi não conseguir respirar outra vez.

Por favor... - Balbuciei - Por tudo quanto é mais sagrado. Não a tire de mim...

Fechei os olhos e me deixei ser engolido pelo medo, mas sem nunca deixar de repetir aquelas mesmas palavras, em voz baixa, quase como uma oração.

Não a tire de mim... Eu não posso perdê-la...

Aquilo era repetido como mantra. Meus lábios já trabalhavam automaticamente, cuspindo devagar meu desespero. Minhas preces. Não sabia se havia alguém perto de mim. Não sabia quanto tempo havia se passado. Não sabia se estava frio ou quente. Em certo ponto, eu não sabia sequer onde estava. Mas sabia que não deixaria de pedir e implorar para que Isabella ficasse bem até que alguém me informasse que não era mais necessário. De uma forma ou de outra.

Por favor... Por favor...

Não a tire de mim.

Eu PRECISO dela.

- Edward...

Antes mesmo de conseguir associar aquela voz à figura do Dr. Lewis, eu já estava de pé, mas não sem dificuldades. Eu tremia tanto que meus joelhos pareciam a ponto de ceder, me fazendo cair de volta no chão. Me apoiei na parede atrás de mim com o intuito de permanecer de pé, tentando não me desesperar enquanto o encarava.

- Ela vai ficar bem, não vai? - Perguntei de maneira automática, desesperado por uma confirmação. Era óbvio que ela ficaria bem. Não havia outra opção. E se a resposta fosse diferente disso, tudo não passaria de uma brincadeira de muito mau gosto - Vocês conseguiram... Não é...?

Ele suspirou audivelmente e depositou uma das mãos no meu ombro, e aquilo se arrastou por uma eternidade. Sua expressão era neutra: eu sequer podia conjecturar sobre sua resposta. Mas não importava. Eu ainda estava ocupado demais, rezando silenciosamente. Ele só precisava confirmar o que eu tinha que ouvir. Ele PRECISAVA confirmar.

- Nós conseguimos. - Ele finalmente falou - Ela vai ficar bem.

O peso esmagador que comprimia meus pulmões se dissolveu em um estalo, quase doloroso, e então eu senti que podia respirar outra vez. Mais do que isso, o alívio que senti foi tão grande que, possivelmente, me desequilibrei. Ao sentir os braços do Dr. Lewis se firmarem nos meus, fiz a primeira e única coisa que achei certa, por mais que soasse até um pouco patético.

- Obrigado! - Falei, abraçando-o com desespero, como se ele tivesse acabado de salvar minha própria vida. - Muito, muito obrigado!

- Não há de quê... - Ouvi-o dizer, e quis respondê-lo que havia muito, MUITO pelo que agradecer. Mas ele não entendia. E eu não fazia questão de explicá-lo.

- Como ela está?

- Sedada. - Ele respondeu de maneira simples - Ela perdeu muito sangue, nós tivemos que correr. É o que chamamos de choque hipovolêmico. O coração dela não estava distribuindo sangue suficiente para os outros órgãos, mas nós conseguimos controlar a hemorragia. Está tudo bem agora.

Está tudo bem agora.

- Eu tenho que vê-la. - Falei de repente, me livrando dos braços do médico e já caminhando, um pouco bambo, pelo corredor.

- Edward, ela está sedada. - Ele repetiu, segurando meu ombro e me impedindo de prosseguir.

- Não importa. Eu tenho que...

- Tem muitos médicos lá dentro terminando o procedimento. - Ele insistiu. - Você não pode entrar...

Encarei-o de maneira séria, mesmo ainda estando um pouco atordoado. É claro que ele não entendia tudo que eu estava sentindo, mas ao menos uma coisa ele tinha que entender:

- Eu PRECISO vê-la.

Ele suspirou, largando o meu ombro logo em seguida.

- Ok, Edward. - Ele finalizou, derrotado - Só espere mais um pouco. Troque de roupa e espere lá fora. Quando ela já estiver em um quarto, eu te aviso. Tudo bem?

"Bem" não estava. Mas era melhor do que ficar sem vê-la.

Por isso, tirando forças unicamente da minha vontade em estar ao lado dela outra vez, fiz como ele pediu, voltando a vestir minhas roupas de antes, secando as lágrimas e saindo para o corredor onde, para minha surpresa (porque eu tinha esquecido do resto do mundo), meus pais ainda me esperavam.

- Graças a Deus! - Minha mãe exclamou assim que me viu, correndo até mim e me abraçando. Senti um nó apertando minha garganta, mas o ignorei. Por causa daquela ligação estranha que tínhamos, ela sabia que algo muito ruim tinha acontecido, mas sabia também que, agora, tudo estava bem - O que houve?

Tentei explicar tudo que o Dr. Lewis e o enfermeiro haviam me dito, fazendo força para lembrar dos detalhes mas, ao mesmo tempo, esquecer. Porque eu queria esquecer o pânico que tomou conta daqueles últimos minutos. Do desespero, da sensação de sufocamento, do medo e da tristeza esmagadora. Eu quase tinha perdido Isabella, mas aquilo havia passado. E eu queria deixar essa lembrança para lá.

E eu queria vê-la. Desesperadamente. Queria ficar perto dela outra vez. Tocá-la outra vez. Ter certeza de que ela estava bem, que estava tranquila, que não estava sentindo dor ou sofrendo. Eu precisava vê-la. Precisava estar com ela.

E pacientemente, eu esperei. Informei meus pais de que passaria aquela noite no hospital, porque sabia que Isabella teria que ficar. Ao reconhecer dezoito chamadas não atendidas de Alice no meu celular, pedi para que eles dessem notícias à ela e ao Emmet, porque obviamente não estava em condições de fazer isso eu mesmo. Eles me fizeram companhia durante todo o tempo de espera, e fiquei feliz por isso: Eu estava estranhamente sensível. O perigo já tinha passado, mas eu ainda me sentia frágil, com um certo medo.

Me despedi dos meus pais de qualquer jeito quando fui avisado de que já podia subir. Desejei intimamente saber dar mais valor à atenção que eles tinham por mim, mas naquele momento era impossível. De qualquer forma, eles entendiam, e eu sabia disso.

- Ela está dormindo. Só vai acordar amanhã. Você não vai poder falar com ela ainda... - O Dr. Lewis começou, caminhando comigo pelo corredor.

- Não importa. - Respondi prontamente. Era óbvio que eu queria falar com ela, mas poder estar ao seu lado já era o suficiente.

- É aqui. - Ele disse, parando à frente de uma das portas do corredor - Pro conforto dela, nós a trouxemos pra um quarto melhor, mais amplo. Isso não estava nos nossos planos, por isso você vai ter que resolver algumas pendências...

- Tudo bem. Faço isso amanhã. - Respondi automaticamente. Não me importava quanto a mais eu teria que pagar, não me importava nada. Nada era importante o suficiente naquele momento. Talvez eu me comprometesse a pagar o triplo de qualquer diferença em dinheiro para que simplesmente me deixassem em paz.

- Tudo bem.

- Como está a minha filha? - Perguntei, antes de deixá-lo ir.

- Dormindo, provavelmente. Mas ela está bem, não se preocupe. Parece uma menina bastante saudável. Amanhã vocês dois a verão.

Suspirei, feliz com a sensação leve do oxigênio nos meus pulmões. Podia parecer algo banal, mas respirar, há pouco tempo atrás, não era uma tarefa assim tão fácil.

- Ok. Obrigado...

- Espero que você consiga dormir. Sei que o dia não foi fácil. Claro que cadeiras de hospitais não são muito confortáveis, mas...

- Não tem problema. Contanto que eu fique com ela, está tudo bem.

Ele sorriu, e seu sorriso leve fez com que eu me sentisse melhor. Ele estava calmo, porque não havia mais com o que se preocupar. E se não havia mais com o que se preocupar, eu estaria calmo também.

- Boa noite, Edward.

- Boa noite... E obrigado por tudo...

Ele se afastou com um simples aceno de mãos, mas eu não esperei perdê-lo de vista para girar a maçaneta e entrar no quarto em que minha mulher estava.

Como havia sido dito, ela estava dormindo. A cama era larga e parecia confortável, até onde me era possível presumir. Isabella parecia calma, em um sonho tranquilo. Seus batimentos e sua respiração estavam sendo monitorados por aparelhos quase silenciosos atrás da cama, e aquilo fez com que ela parecesse mais frágil do que nunca.

Ela tinha tubos finos no nariz e nas costas das mãos, e eu sabia que era melhor não tocá-la. Mesmo assim, uma enorme vontade de abraçá-la me atingiu como um soco, mas me contive. Tudo que fiz então foi observá-la nos seus mínimos detalhes, das suas pálpebras imóveis à intensidade da sua respiração. Ela estava bem. Ela ficaria bem, e isso era o suficiente.

Toquei com cuidado no seu braço esquerdo, com o único intuito de senti-la. Sentir que ela estava ali. Que eu não a tinha perdido. Que ela acordaria de manhã e abriria aqueles olhos que eu tanto amava.

E, de repente, me dei conta de que estava chorando outra vez.

- Senhor?

Fui retomando a consciência aos poucos, um pouco desnorteado. Ou talvez eu estivesse sonhando. A voz era feminina, bastante paciente. Mas desconhecida, até onde eu lembrava.

- Senhor? - A voz insistiu, com um toque leve no meu ombro. A sensação era boa, mas vinha de algum outro lugar. Da minha nuca, talvez. Como se meus cabelos ali estivessem sendo remexidos delicadamente.

- Ele não pode ficar aí?

Aquela voz era diferente da anterior. Era mais fraca, mais bonita, um pouco mais rouca. E era conhecida.

Abri os olhos imediatamente com o som, ainda completamente perdido. Minha visão estava turva. Pisquei algumas vezes, insistentemente, e isso ajudou. A sensação boa na minha nunca continuava.

- Hmppffff...

Eu não sabia direito para onde estava olhando, mas sabia que o lugar era claro. Fiz uma força quase sobre-humana para virar a cabeça, enfiando o rosto nos lençóis e quase sufocando sem querer. Tinha um leve cheiro de farmácia.

Pisquei mais algumas vezes e encontrei Isabella me encarando com um sorriso simples. A lembrança de tudo que vivi no que provavelmente foram as últimas horas vieram rapidamente, e eu levantei a cabeça de uma vez.

Eu tinha trocado a cadeira de acompanhante, aparentemente confortável, por uma cadeira qualquer, que deixasse minha cabeça à altura da cama dela. Depois de algumas horas de insônia, quase no nascer do sol, eu finalmente havia adormecido ali, curvado ao lado dela, na altura da sua barriga.

Os dedos dela brincavam nos fios da minha nuca. Ela ainda estava recebendo soro, mas os tubos finos que antes estavam abaixo do seu nariz haviam sido removidos. Ela não parecia doente: Apenas frágil.

- Bom dia. - Isabella falou, e sua voz saiu baixa em meio a um sorriso.

Aquele era, sem a menor sombra de dúvidas, o melhor "bom dia" que eu já havia recebido em toda a minha vida.

Tirei sua mão dos meus cabelos e a trouxe até minha boca, beijando sua palma com cuidado, feliz demais para fazer qualquer outra coisa por um longo tempo.

- Está tudo bem? - Ela perguntou de repente, e a simples menção de responder "sim" já trouxe um nó à minha garganta, me impossibilitando de falar. Como saída, apenas sacudi a cabeça positivamente, tocando com meus próprios dedos cada pequeno pedaço da pele do braço dela que conseguia alcançar.

- Por favor, por favor, nunca mais me assuste desse jeito... - Comecei com uma voz estrangulada.

- Eu sinto muito...

O tom da sua voz mostrava que ela realmente sentia. Mas não devia: A culpa não era dela. E eu não queria que ela se sentisse culpada, ou triste, ou qualquer coisa que destoasse muito de uma sensação boa.

- Desculpa por não estar do seu lado o tempo todo... - Voltei a falar - Eu tentei...

- Não tem problema...

- Mas me expulsaram... Eu tentei voltar... - Continuei me explicando da melhor maneira que podia, mas ela não pareceu se importar.

- Não tem problema. - Ela repetiu, trazendo sua mão até o meu rosto e me tocando com leveza. Fechei os olhos e quase me perdi no toque dela.

- Como você está? - Perguntei um pouco extasiado por aquele simples ato.

- Estou bem. Um pouco fraca, mas bem.

Suspirei, trazendo sua palma outra vez contra minha boca e deixando-a ali. Eu já sabia que, se é que era possível, passaria a tratá-la com mais zelo do que antes. Talvez isso me tornasse um pouco insuportável, mas era inevitável: Passar pela possibilidade de perdê-la havia mexido demais comigo.

- O corte da operação está doendo?

- Um pouco. Mas eu aguento.

- Você quer algum analgésico? - Uma voz perguntou em algum canto, e só então me dei conta de que não estávamos sozinhos. Me lembrei então de que era a mesma voz que tinha tentado me acordar havia alguns minutos: Uma enfermeira muito pequena e nova, parada ao pé da cama.

- Bom, talvez não seja uma má idéia. - Isabella pontuou, fazendo uma careta para ela.

- Senhor... - A mulher começou outra vez - Pode nos dar alguns minutos?

Eu não queria sair. Era irritante a mania que aquelas pessoas tinham de me mandar ir embora o tempo todo. Por que infernos eu nunca podia ficar perto dela?

- Por quê? - Perguntei, já meio seco.

- Nós vamos ajudar sua esposa com o banho e os curativos...

- Eu posso ajudar também.

- Mas são quatro enfermeiras ao todo, não há necessidade...

- Tudo bem, eu não tenho lugar nenhum pra ir mesmo.

- Edward... - Isabella começou com a mesma voz fraca, e eu bufei contrariado.

- Em quanto tempo eu posso voltar? Vão me deixar entrar dessa vez? - Perguntei sem me preocupar se estava sendo grosseiro.

- Volte em meia hora, senhor. - A enfermeira respondeu, sem se deixar abalar - E o senhor vai poder entrar, não se preocupe.

- "Não se preocupe"... - Resmunguei bedochado enquanto me levantava e me dava conta da dor aguda nas costas por ficar algumas horas curvado na mesma posição.

- Talvez você também queira um analgésico. - Isabella falou, rindo da careta de dor que eu sabia estar fazendo.

- Não, tudo bem. Eu vou resolver algumas pendências com o hospital e volto em trinta minutos. - Falei pontualmente, olhando sério para a mocinha que ainda nos assistia.

- Ok. Não vou a lugar nenhum. - Ela riu outra vez, deixando claro que aquilo era uma tentativa de piada. E mesmo que fosse uma piada sobre seu estado de saúde, o que a tornava bastante sem graça, eu ri. Porque vê-la bem era maravilhoso.

Beijei sua testa, me segurando ao máximo para não tomá-la em um abraço efusivo, e saí.

Passei na farmácia quase ao lado do hospital, comprando pasta e escova de dentes para que pelo menos me sentisse mais limpo. Depois de lavar o rosto rapidamente no banheiro, corri até o carro no estacionamento e peguei a enorme bolsa esquecida com roupas para Isabella e para nossa filha, tentando resolver tudo que tinha que ser resolvido com a recepção nesse meio tempo.

- Como ela está? - Minha mãe me perguntou enquanto me acompanhava pelo corredor, a caminho do quarto dela. Ela havia chegado naquele mesmo momento, carregando um buquê enorme de flores.

- Bem. Mas acho que está com dor...

- Cesarianas são dolorosas mesmo.

- Só espero que dêem um remédio pra ela que faça efeito...

- E a minha neta? - Ela sorriu como uma menininha feliz.

- Eu ainda não vi... - Falei, já me sentindo um péssimo pai. Eu ainda não tinha visto minha filha, que havia nascido na noite anterior! Claro que as circunstâncias ajudaram a tornar tudo mais difícil, mas ainda assim...

- Quando a trouxerem pro quarto... - Minha mãe começou enquanto eu abria a porta, mas parou de falar no segundo seguinte. Ou isso, ou meus ouvidos simplesmente bloquearam a voz dela.

O Dr. Lewis estava ali, de pé ao lado da cama, com mais uma enfermeira. Isabella estava encostada na cabeceira, segurando o que parecia ser uma trouxinha de roupa e olhando para ela com amor. E eu sabia o porquê: Aquela "trouxinha" era a nossa filha.

- Eu achei que você estivesse aqui... - Ouvi uma voz falar em um tom baixo, mas ignorei. Provavelmente pertencia ao doutor, já que a voz era muito rouca para ser da mulher desconhecida, e ele era a única presença masculina ali.

Andei devagar até o lado de Isabella e vi um bebê minúsculo e faminto mamando em um dos seios inchados pela produção de leite. Ela mantinha os grandes olhos azul-acinzentados abertos o tempo todo, encarando um ponto qualquer à sua frente como se estivesse hipnotizada com o momento. Suas bochechas eram redondas e rosadas, e a boca era muito vermelha.

Ela era incrivelmente linda.

Isabella desviou os olhos dela por um ou dois segundos, apenas para me encarar e sorrir. Notei isso pela minha visão periférica, porque eu mesmo não conseguia tirar os olhos dela. Ela sugava com tanto empenho que quase me perguntei se Isabella não estava sentindo dor. Uma de suas mãozinhas estava descansando no seio, completamente alheia a tudo à sua volta.

Acho que fiquei naquela posição durante muito, muito tempo, olhando para ela completamente embasbacado. Senti minha boca ressecar, e me dei conta de que talvez fosse melhor fechá-la. Ninguém falou nada durante todo aquele tempo, e se falou, meu cérebro se empenhou em não registrar. Quando ela pareceu satisfeita, sua pequena boca começou a desacelerar os movimentos de sucção e seus olhos começaram a piscar como se estivessem pesados.

Isabella levou uma das mãos à sua cabecinha e passou com cuidado os dedos ali. Isso pareceu chamar sua atenção, que imediatamente encontrou os olhos da mãe a observando.

- Está com sono? - Ela perguntou em uma voz muito baixa, falando diretamente com a coisinha minúscula, como se seus tímpanos fossem muito sensíveis ao som.

A pequena ficou encarando-a imóvel, como se o som daquela voz fosse muito, muito importante. E isso fez meu coração derreter até a última gota.

- Acho que você está com sono. - Ela falou outra vez, não conseguindo conter o largo sorriso no próprio rosto.

Era provável que eu estivesse pulando no mesmo lugar como um idiota. Eu era um homem crescido, mas a visão da minha mulher e da minha filha recém-nascida trocando sorrisos e olhares estava atingindo um grau de fofura muito pouco adequado para a minha masculinidade.

- E você sabe quem é esse? - Ela continuou, inclinando um pouco os braços e deixando nossa filha de frente para mim. Seus olhos encontraram os meus, mas não pareceram se interessar por mim - Esse é o homem que, não importa quantos namorados você tiver, ele vai sempre te amar mais.

Sorri com aquilo, pensando na palavra "namorados" e já traçando planos em como assassinar anonimamente todos eles.

- Oi... - Falei meio sem jeito, fazendo força para não engasgar, e mesmo baixo, o som da minha voz pareceu transformá-la. Seu desinteresse se transformou em uma expressão de curiosidade e total atenção, como se, naquele momento, ela tivesse me reconhecido. Ela mudou tão completamente que era como se nos conhecêssemos havia uma vida inteira, e embora fosse bobo pensar isso, eu quase podia ouvir seus pensamentos dizendo "Ah, mas esse é o meu pai!".

- Ah, então você sabe quem ele é! - Isabella falou outra vez, e ouvi um risinho animado atrás de mim. Provavelmente da minha mãe - Você quer ir pro colo dele?

Ela continuou me encarando como se eu fosse alguém muito importante.

- Eu posso? - Perguntei de repente, olhando de Isabella para o médico, um pouco incerto de como prosseguir.

- Até onde eu sei, ela é sua filha. - Ela respondeu, debochada - É claro que você pode.

O olhar de curiosidade e interesse não sumia do pequeno rosto dela, e eu estava começando a ficar realmente hipnotizado com aquilo.

- Mas... Ela é frágil...

- Tenho certeza que você não vai jogá-la no chão.

Era óbvio que eu não faria isso! Era mais fácil atear fogo nos meus próprios olhos do que deixar que minha filha caísse. Mas, e se ela se sentisse desconfortável no meu colo?

Sem esperar que eu me preparasse, Isabella me ofereceu cuidadosamente a nossa filha, que parecia estar se divertindo com a minha total falta de experiência. Aceitei-a um pouco descoordenado no início, mas logo a ajeitando nos braços e a deixando confortável ali. Ela era tão incrivelmente pequena que eu poderia segurá-la com uma única mão.

Fiquei encarando-a hipnotizado, pensando em como alguém tão pequeno podia ter quase feito um estrago tão grande na noite anterior. Mas não havia como não amá-la: O fato de Isabella quase me deixar não era culpa dela. Foi uma eventualidade, uma coisa que não era culpa de ninguém realmente. E agora, tendo as duas ali comigo, sem a impressão de que ficando com uma eu teria que perder a outra, praticamente nada poderia acabar com aquela felicidade.

- Acho que ela prefere o seu colo...

Ela continuou se mexendo em câmera lenta, agora finalmente cansada de me encarar e contorcendo sua expressão em um mini-bocejo, fechando os olhinhos com força e abrindo completamente a boca em um "o" tão minúsculo e lindo que me fez sentir uma vontade quase inumana de agarrá-la até quase asfixiá-la.

E então, cinco segundos depois, ela dormiu.

- Meu Deus... - Ouvi a voz da minha mãe ao meu lado, quase sussurrando - Ela é tão linda...

- É verdade. - A voz do doutor disse.

- Ela é perfeita... - Isabella falou.

- Acho que ela vai parecer com você... - Respondi, mas não a encarei. Meus olhos estavam fixos na nossa filha. Eu simplesmente não conseguia deixar de admirá-la.

O som de uma gargalhada debochada me trouxe de volta à realidade, e quando olhei em volta, todos riam abertamente.

- Que foi? - Perguntei confuso.

- Edward, ela é a sua cara!

- Não! - Respondi - Claro que não!

- Querido... - Minha mãe começou carinhosamente - Ela é igual a você.

- Ela é só um recém-nascido! Tem cara de... recém-nascido!

- Não, filho. Ela é uma cópia sua. Parece que estou vendo você recém-nascido.

- Vocês estão enganados... - Insisti. Eu não queria que ela se parecesse comigo.

- Não estamos não. - O Dr. Lewis falou, então entendi que todos naquele quarto estavam contra mim.

- Os olhos dela... De que cor vão ser? - Perguntei, querendo me agarrar à esperança de que minha filha teria alguma coisa de Isabella. Principalmente os olhos.

- Não podemos definir ainda. - O médico se prontificou em responder - Todos os bebês nascem com olhos azul-acinzentados. A cor só se define depois de alguns meses.

- Edward... - Senti uma mão firme no meu ombro e me dei conta de que meu pai tinha surgido de algum lugar, encarando agora a coisinha que eu carregava nos braços - Ela é uma cópia sua!

Bufei, olhando para baixo outra vez e vendo minha filha brincar inconscientemente com a pequena língua, trazendo-a para fora algumas vezes, como se estivesse constantemente fazendo careta. Não consegui deixar de sorrir com aquilo.

Encostei a ponta do indicador na sua mão e ela enrolou seus dedos gordinhos ali, quase não conseguindo fechá-los. Contei cinco deles e chequei se os outros cinco estavam do outro lado também. Apalpei delicadamente seus pés, sentindo dez dedos no total. Duas orelhinhas, dois bracinhos, duas perninhas e nada entre elas.

- Ela é perfeita...

Eu poderia ficar com ela nos braços para sempre, mas meus pais também queriam tirar uma casquinha. Concordei em ceder-lhes minha filha por alguns minutos, um pouco contrariado por possivelmente atrapalhar seu sono. Felizmente, ela não acordou. Tirei fotos deles para enviar à Alice (que, àquela altura, já havia me ligado mais de cinquenta vezes) e conversei com o médico mais uma vez sobre a saúde da minha filha e da minha mulher.

Fiquei um pouco triste ao anunciarem que era hora de levá-la de volta ao berçário. Meus pais aproveitaram a deixa para irem embora também, mas minha mãe prometeu voltar todos os dias para visitar Isabella, o que a deixou genuinamente feliz. Quando todos nos deixaram a sós no quarto, pude aproveitar o momento para desfrutar da companhia dela - e dela.

- Temos que decidir uma coisa... - Comecei, ainda na mesma posição na qual havia passado as últimas horas: Deitado naquela cama de hospital, agarrado a ela o máximo que seu frágil estado pós-cesariana permitia.

- O quê? - Ela perguntou, já quase adormecendo outra vez.

- O nome dela.

Isabella suspirou, se ajeitando um pouco na cama e virando o rosto para mim, parecendo repentinamente acordada.

- Eu andei pensando sobre isso... - Ela começou, corando um pouco, e eu tentei encorajá-la a prosseguir:

- E...?

- E... Eu gostaria de dar a ela o nome da pessoa que mais me ajudou e mais me fez sentir em casa desde o momento em que entrei pra essa família. A pessoa que me tratou como uma filha de verdade... Então, nada mais apropriado do que ela ter o nome da avó: Esme.

Sorri com a idéia. Eu sabia que minha mãe se sentiria eufórica com a pequena homenagem, e gostava disso. Gostava também da boa intenção de Isabella, provando a grande amizade que havia crescido entre as duas, as mulheres mais importantes da minha vida.

- Bom... Acho que também quero que a minha idéia valha...

Ela continuou me olhando com curiosidade, e eu tentei buscar as palavras certas para explicar o que me veio à cabeça:

- Um dia você me disse uma coisa sobre a sua mãe. Disse que ela era bonita por dentro e por fora. E que ela iluminava as pessoas. E eu te disse que você tinha a mesma característica. Você sempre me iluminou. Nem sempre com a mesma intensidade, mas sempre de alguma forma. E, sinceramente, isso deve ser hereditário, porque você acabou de passar a mesma coisa pra nossa filha. Então eu acho que devo muito à pessoa que começou com tudo isso: Renée. Embora eu nunca a tenha conhecido, não vejo como ela pode não ser homenageada também.

Isabella soltou um riso engasgado, e eu sabia que ela estava emocionada antes mesmo das lágrimas virem aos seus olhos. Me aproximei mais dela, passando o braço em volta da sua cabeça e beijando sua testa.

- Como ficamos então? - Perguntei bem próximo ao ouvido dela.

- Renesmee. - Ela soltou imediatamente, limpando uma lágrima - Ela vai se chamar Renesmee.

Fiquei em silêncio por algum tempo, testando a sonoridade da palavra. Era um nome incomum, exótico. Mas era bonito. Tinha seu charme, era único. E eu havia gostado muito daquilo.

- Renesmee. - Repeti, e o simples som do nome na minha voz conseguiu me deixar um pouquinho mais feliz, me fazendo sorrir involuntariamente - É. Perfeito.

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AVISO: Esse capítulo mudou. Sim, porque eu descobri que escrevi uma besteira nele (não, eu não entendo nada de recém-nascidos e parto e tudo isso. Acabei escrevendo algo impossível). Então, tive que reescrever uma parte dele. Infelizmente, foi uma das partes mais "fofas", mas como estava errada, preferi corrigi-la. Obrigada à Alexia Freitas pela correção!

Em primeiro lugar, tenho que agradecer à Luciana (lumichelutti) pelas dicas de obstetrícia. Sem ela esse capítulo provavelmente teria sido desastroso. :)

Em segundo lugar: Eu acho Renesmee um nome pavoroso. É sério. Hahahahahhahaha... Mas quero manter os nomes dos personagens fiéis ao livro, então, que seja Renesmee mesmo né (fazer o quê?).

Eu sei que demorei, como sempre, mas se vocês puxarem pela memória, vão ver que esses últimos capítulos foram recheados com assuntos específicos nos quais eu não tenho experiência. Então, além do tempo escasso, tenho que correr atrás de pesquisas pra fazer com que a história não soe ridícula. :\

(Só pra vocês terem uma idéia, algumas das coisas sobre as quais eu tive que pesquisar: Complicações no parto, parto normal X parto cesariana, frequência de contrações, anestesias, choque hipovolêmico, sofrimento fetal, etc)

Mas enfim, está aí o capítulo 37.

A fic está chegando na reta final. Creio que só restem mais dois capítulos, no máximo três. E como muita gente perguntou, vou responder logo: O Emmet NÃO vai ficar com a Rosalie, e a família do Edward NÃO vai descobrir sobre o passado da Bella. No final da fic eu explico o motivo.

É isso então. Obrigada pelas reviews, obrigada pelas indicações! Significam muito pra mim, de coração!

Espero que tenham gostado desse capítulo.

Beijos, Mel.