Olá, pessoal!

Eu ia postar o capítulo no domingo passado, mas estava chovendo muito e eu fiquei cerca de 24h sem internet... aí resolvi postar logo hoje, depois de ter dado uma incrementada nele ^^.

Como vocês puderam notar, as narrações sobre o que está acontecendo com o Kakashi estão numa linha temporal um pouquinho atrasada, mas a partir do fim do capítulo, tudo vai acontecer no tempo presente.

Ah, é tão bom poder escrever algo que foi imaginado há quatro anos! Tudo bem que nem tudo está exatamente igual ao pensado tanto tempo atrás, mas a essência foi mantida S2. Até o título eu consegui colocar o mesmo que havia imaginado, isso é muito bom para mim, enfim... desejo a todos uma ótima leitura.

Nos vemos nas notas finais ;).


"Assim como o caos tumultuado de uma tempestade traz uma chuva nutritiva que permite à vida florir, assim também nas coisas humanas tempos de progresso são precedidos por tempos de desordem. O sucesso vem para aqueles que conseguem sobreviver à crise."

I Ching nº3


O Sol começava a surgir, dando aspectos mais distintos aos rochedos que apareciam de forma quase abrupta; as sombras que os atemorizavam durante a madrugada iam se mostrando inofensivas, o que os relaxava consideravelmente. Ao longe um pássaro gorjeava uma melodia triste, quebrando o silêncio no qual estavam submersos. As raras árvores que encontravam ao adentrarem a região pedregosa serviam de abrigo a várias espécies de aves migratórias, que piavam ao se assustarem com suas presenças. Sorte a deles que elas decidiram não sair em revoada, o que poderia custar-lhes a discrição que tanto custavam manter.

Pakkun ia à frente, farejando os últimos resquícios de sinais dos raptores. O clima da Vila também era seco, assim como Suna, mas podia-se notar uma certa umidade no ar, o que havia colaborado para a preservação das pistas que seguiam. Caminhavam rumo ao desconhecido, não tendo certeza alguma do que os aguardava, pois levavam em conta o fato de Orochimaru poder recepcioná-los com uma emboscada; entretanto, o renegado poderia abrir mão dessa linha de ação, optando por esperá-los dentro do seu covil, o que não lhe seria uma atitude estranha.

Apesar da tensão, todos mantinham-se focados, atentos, desconfiando até de um vento que porventura pudesse zunir um pouco mais forte; as respirações sustentavam-se, rasas, para não correr o risco de quebrar-lhes a concentração. Até Pakkun se continha, farejando o mais silenciosamente que podia, sempre sinalizando para o pelotão segui-lo em determinada direção. Entre as alterações na rota, Kakashi se pegou refletindo pela enésima vez e questionou-se sobre algo extremamente importante e que vinha incomodando-o assim que a madrugada se iniciara: quanto tempo demoraria para que Gaara enviasse reforços?

Tinha um péssimo pressentimento e gostaria de ter certeza de que seriam auxiliados, assim estariam munidos de mais informações, pois os ninjas capturados nas distribuidoras de água certamente dariam esclarecimentos acerca da situação. Outra questão que o inquietava era o que teria motivado a ação relativamente rápida do Sannin. O que teria acontecido para que ele atacasse tão subitamente? E como ele descobrira seu paradeiro? Estariam sendo espionados há algum tempo, ou tudo não passava de uma infeliz coincidência?

As dúvidas retumbavam em sua mente, porém, se desviou delas um pouco ao notar que seu ninken sinalizava uma caverna suspeita. Durante o percurso, a equipe havia passado por diversas aberturas similares àquelas, mas havia algo de especial nesta formação rochosa: um símbolo discreto fora esculpido numa das laterais. Se não tivesse observado com atenção redobrada, jamais teria percebido aquele detalhe. Aparentemente, ele era como uma marcação, um sinal para que os capangas que não tinham muitas habilidades retornassem para a caverna correta.

Como que se rebelando, o coração do Hatake saltou no peito, deixando-o pronto, contudo, nervoso. Imaginava que estivesse preparado o suficiente para enfrentar um de seus piores inimigos, mas se enganara. O medo de que algo muito ruim acontecesse a Konohamaru o paralisou momentaneamente, mas ao ver um dos homens tomando a frente, disposto a descobrir se alguma armadilha havia sido montada, a gravidade e importância da situação retornaram à sua mente. Auxiliou-o na tarefa, vendo uma das criaturas de areia feita pelo shinobi ser queimada após adentrar apenas alguns centímetros do local.

Os sons produzidos pela armadilha não foram tão altos, o que poderia dar-lhes a falsa sensação de segurança e de que não seriam pegos, mas isso só os deu ciência da possibilidade de já estarem sendo esperados. Se algo havia caído no primeiro obstáculo, era sinal de que mais ciladas deveriam ter sido preparadas; certamente, todos os "soldados" do Sannin estavam a postos, escondidos e prontos para atacá-los.

― Orochimaru tem uma maneira peculiar de agir. Ele é traiçoeiro, ardiloso e provavelmente tem armadilhas espalhadas por todo seu covil, por isso desconfiem até da própria sombra assim que entrarem. –Orientou Kakashi em tom baixo, obtendo a atenção dos homens.

Traçou um plano rápido e em forma de códigos previamente combinados, orientando a cada um deles e com coragem e determinação, todos seguiram caverna adentro. Separaram-se, a maioria deles a fim de servirem de distração, deixando Kakashi no comando, sendo aquele que salvaria o garoto. Perguntas sobre a origem do menino não foram proferidas, assim como o real objetivo do Sannin... Apenas a missão de resgate importava. O Hatake era seguido por Pakkun e um shinobi considerado veterano da última Grande Guerra Ninja. Eles entravam em corredores infindáveis, sempre sendo guiados pelo ninken que se esquivava das armadilhas montadas no solo e na parte baixa da parede com maestria.

Como Kakashi previra, havia muitas outras armas disparando ou queimando nos corredores, mas conforme chegavam mais longe, elas iam diminuindo e após vários minutos, elas já não existiam. Enquanto corriam, seus passos ecoavam pelas paredes amarronzadas, o que deixava uma sensação esquisita no ar. O ambiente amedrontava, e causava uma ligeira sensação claustrofóbica. Fora num lugar como aquele que seus alunos sofreram uma grande desilusão: a descoberta de que Sasuke não era mais o mesmo, literalmente.

Ele não estava presente no dia, mas o estado físico – e principalmente emocional – de seus "pupilos" não deixava dúvidas do quão traumatizante havia sido. Só de lembrar tudo o que se sucedera após o fatídico dia, um ligeiro arrepio percorreu sua espinha e buscando concentração, varreu as lembranças de sua mente, focando em seu objetivo atual.

―X―

Pakkun saltava e farejava, porém, seu pequeno corpo começava a demonstrar sinais de cansaço. Fora convocado há algumas horas e por sua rotina ainda não estar equilibrada, sentia-se meio "enferrujado". Suas unhas arranhavam o chão produzindo um ruído característico e isso o incomodava; não queria evidenciar sua presença, mas tinha necessidade de fazer algo para ajudar o Hatake, afinal, seu coração ficara apertado ao saber do sequestro do Sarutobi. Apesar de ser um garoto abusado, Konohamaru se tornara muito especial para o ninken, mesmo que a convivência que tiveram recentemente havia sido relativamente escassa.

Rugas de preocupação se formavam em sua testa, vincando-a ainda mais. Viu em Kakashi as mesmas linhas profundas, além da frieza e raiva em seus olhos; se o deixasse sozinho, o jounin corria o risco de perder o controle e acabar estragando aquela missão. Até onde sabia, Orochimaru não precisava ser morto, pois Konoha ficaria extremamente satisfeita em mantê-lo preso e submetido às torturas de Ibiki. Manteria um olho fixo no Sannin e o outro no Hatake, afinal, era um pug e ser estrábico sempre consistiria numa sina de sua raça.

―X―

Seu rosto estava banhado, o líquido o percorria como se fosse grossas lágrimas e àquela altura, ele já não sabia o que provinha de seu pranto e o que era fruto de seu esforço. Tentava inutilmente se livrar da mordaça, da venda que cobria seus olhos e dos braceletes que o mantinham preso a uma espécie de maca. O aperto do metal contra a pele nua dos pulsos e braços começava a causar lacerações, que ardiam em contato com a superfície gélida. Há muito desistira de pedir por socorro, principalmente quando Orochimaru e seu assistente sumiram, deixando-o à própria sorte.

Quando despertara, já estava preso à maca e as garras do medo se fincaram em suas entranhas quando escutou vagamente que aquele monstro pretendia higienizar seu sangue. Segundo ele, o pessoal de Konoha havia estragado seu precioso receptáculo e agora, além de limpar a merda que eles fizeram, ainda teria de esperar que o processo de desintoxicação fosse concluído, atrasando seu ritual de transferência de corpos.

A droga que fora injetada ainda circulava por seu sangue, pois sentia a cabeça girar, além de um leve zumbido incomodar seus ouvidos. Perdeu-se no tempo, não sabia desde quando estivera desacordado e muito menos, poderia palpitar sobre sua localização; desconhecia qual dia marcava no calendário, pior ainda, que horas eram, só queria que seu tormento acabasse logo para enfim, voltar para casa. Precisava saber o que tinha acontecido com Sakura, com Hana... com Kakashi! Precisava voltar para casa, para seus pais.

A dolorosa lembrança de um dos raptores confessando a morte de seus progenitores se manifestou, arrancando-lhe um arquejo. Sem que pudesse controlar, seus olhos verteram lágrimas sofridas, angustiadas e o coração deu um salto no peito. Ofegante, Konohamaru buscou controlar-se, pois ceder ao desespero não ajudaria em nada, mas diabos... A pior coisa que poderia acontecer em toda aquela confusão havia sido consumada: seus pais estavam mortos. A dor que sentia era lancinante, seu cérebro enviava pulsos elétricos fortes e ele temia entrar em colapso a qualquer instante.

O coração bombeava o sangue muito rapidamente, suas têmporas latejavam e supunha que boa parte da intensidade das sensações se deviam aos resquícios da droga em seu corpo. Num último esforço, tentou reunir chakra em um dos punhos, apenas como um teste e fracassou vergonhosamente. Soluçou, desesperado, já começando a relembrar todas as orações que conhecia e iniciando o ritual de repetição, como se fosse um mantra.

Rezava pelas almas de seus pais, pela segurança das pessoas que aprendera a amar e por si mesmo, pois embora estivesse envolto em um véu de sofrimento com mais um luto, pretendia continuar vivendo. Não queria ceder aos caprichos de Orochimaru, aquele que fora responsável pela morte de seu avô e agora também, pela de seus pais. Por mais que não tivesse sido ele a executá-los – o que não diminuía o ódio que sentia –, as ordens haviam partido dele e essa realidade o incitava a buscar vingança. Mas primeiro, tinha que se ver livre daquelas amarras.

Como escapar de algo tão apertado e forte quando nem mesmo o controle sobre a própria energia vital não existia? Novamente, Konohamaru se viu cedendo a um choro desesperado, entretanto, suas esperanças permaneciam – talvez um pouco abaladas, mas elas eram reais. Ouviu vozes ao longe e estacou, refreando o choro e controlando a respiração, pedindo aos céus que fosse alguém chegando para resgatá-lo. Uma voz conhecida pôde ser ouvida e ele sentiu uma pontada de alegria inundá-lo, mas tão logo ela surgiu, desapareceu. Havia imaginado ter escutado a voz de Pakkun?

Antes de romper em um novo lamento, voltou a escutar a voz e dessa vez, passos firmes seguiram-na. No momento em que ele se deu conta de que sim, eles foram resgatá-lo, a porta se abriu com força, denunciando a invasão do ninken e do Hatake, aparentemente. Talvez houvesse mais alguém, mas dadas as suas condições atuais, Konohamaru não saberia precisar. Em sua opinião, a chegada até a sua localização estava demorando uma eternidade e ao ouvir a porta voltar a ser fechada, dessa vez ainda mais alto que a abertura, um gelo tomou conta de suas veias.

― Então você achava que nós deixaríamos o garoto assim, desprotegido, ao seu dispor e não estaríamos esperando-o, Hatake Kakashi? –A odiosa voz de Orochimaru soou debochada, seguida de um ruído seco, parecido com o acionar de uma alavanca. ― Você já foi melhor estrategista e mais inteligente, meu camarada.

Uma risada sarcástica acompanhou a sentença, bem como um riso tímido do assistente do Sannin, este que ele não recordava o nome. Pakkun rosnou e provavelmente, tencionou atacá-los, mas foi repelido e pareceu ter sumido em uma nuvem de fumaça. Konohamaru queria ver o que acontecia, ansiava por poder ajudar de alguma forma, mas mesmo se conseguisse se libertar, estava muito debilitado, o que só atrapalharia. Sobrava-lhe apenas enviar energias positivas para o Hatake e quem mais o estivesse acompanhando, além do pug.

Escutou o som de uma espécie de motor e só tardiamente percebeu que a maca em que estava começava a se mexer, e julgava que ela estivesse subindo. Sentiu uma espécie de vácuo no estômago, uma dor angustiante devido à retirada abrupta de ar dos pulmões e a alteração na gravidade. Pretendia gritar, mas a voz já o abandonara há tempos. Além da mordaça atrapalhá-lo, o cansaço exacerbado não permitia muitas alternativas, apenas deixou-se levar pela estrutura metálica. Quando a maca parou de subir, reparou que possivelmente, estava muito próximo ao teto do esconderijo, pois o odor de terra poderia ser distinguido.

Da altura em que estava, não dava para escutar muita coisa que acontecia lá embaixo, apenas conseguia deduzir que os ruídos eram provenientes do choque entre kunais e senbons, dentre eles, alguns golpes de Taijutsu. As vozes soavam abafadas, não permitindo sua total compreensão, mas o pouco que entendia dava-lhe a certeza de que Kakashi e seu companheiro estavam em desvantagem.

As provocações eram constantes, pois Orochimaru não conseguia lutar quieto; sabia disso por sempre ouvir uma ou outra gargalhada, o que o enfurecia. Após alguns minutos tensos, um forte baque em uma superfície metálica – supostamente causado por uma porta em outro extremo do lugar em que estavam – o fez desconfiar que reforços de ambos os lados foram chamados, pois alguns gritos furiosos puderam ser escutados.

A batalha durava infindáveis minutos, ou seriam horas? Em sua posição, não dava para dizer quem vencia ou quem perdia, porém, ele guardava a esperança de que pudesse sair dali vivo. Em uma última oração, pediu aos deuses que algo inesperado acontecesse e ele fosse liberto; desejava também que toda aquela sujeira promovida por Orochimaru chegasse ao fim e que ele tivesse o fim merecido, fosse ele a morte ou uma condenação à prisão perpétua.

Tudo aconteceu de repente. Uma explosão forte foi causada e com ela, o teto se partiu. Soube disso quando uma lufada de ar fresco passou por seu corpo, além de alguns destroços o atingirem. Suspendeu a respiração, procurando escutar algo – já que um silêncio repentino se seguiu – e teve um sobressalto quando outra explosão ocorreu, ensurdecendo-o. A poeira invadiu suas narinas, dificultando sua respiração e mesmo com a mordaça em sua boca, forçou uma tosse, procurando desobstruir as vias aéreas.

― Orochimaru! Seu maldito! –Uma voz muito conhecida por Konohamaru rasgou o ar, causando-lhe uma onda incontrolável de alegria.

― Naruto, eu disse para tomar cuidado! Você quase acertou o Konohamaru-chan. –Mesmo odiando a forma de tratamento imposta por Jiraiya, ele não conteve um fraco sorriso, imperceptível por conta do tecido.

― Ne, Konohamaru... Foi mal. –Até sem vê-lo, o Sarutobi poderia imaginar as feições que o amigo e mestre exibia. ― Logo vamos tirá-lo daí, precisamos capturar o Orochimaru.

― Eu e Kankuro cuidamos dele, Naruto. Vá com Jiraiya, essa luta é de vocês.

Reconheceu a voz de Gaara e enrijeceu automaticamente. Não sabia o que estava acontecendo quando fora capturado, mas o Kazekage tivera certa culpa para que o sequestro se concretizasse. Mesmo que estivessem em Suna "de favor", cabia a ele mantê-los em segurança, o que não fora feito. As coisas ficariam tensas entre as duas Vilas, certamente.

― Kankuro, ajude-me aqui. –A voz soou novamente e um toque firme, porém gentil, pôde ser sentido em seu pé esquerdo.

― Vou remover a venda e a mordaça dele primeiro. Coitado, deve ser angustiante ficar sem poder falar e enxergar nada por tanto tempo.

Ao se ver livre do tecido que lhe cobria a boca, automaticamente umedeceu os lábios que estavam ressequidos, apesar da saliva que havia escapado por conta da posição em que estivera. Quando o titereiro removeu a venda de seus olhos, o Sarutobi não conteve um grito surpreso, que assustou aos dois irmãos.

― Kankuroooo! Custava você mesmo ter removido? Tinha que colocar uma de suas marionetes feias para fazer o serviço? –O grito fez sua voz reaparecer milagrosamente, o que não lhe passou despercebido.

― Desculpe-me, mas não queria forçar a maca, é mais seguro aqui, na nuvem de areia do meu irmão. –Explicou, mesmo que Konohamaru não pudesse vê-lo, ainda.

― Nós vamos soltá-lo e levá-lo daqui em segurança. –Informou Gaara com voz calma.

― Não! Eu quero esperar por eles. Além de companheiros de Vila, nós somos amigos... Somos uma família. –Murmurou, sentindo os olhos marejarem.

― Não, você não pode. Se Orochimaru vier atrás...

― Deixe, irmão. –Interrompeu Kankuro, sucinto. ― Nós faremos o que você quiser, Konohamaru. Mas primeiro, vamos libertá-lo.

Anuindo, mesmo não tendo certeza de que o titereiro havia notado seu gesto, Konohamaru suspirou pesadamente, sentindo o primeiro obstáculo ser removido. Moveu o pé experimentalmente e percebeu que ele estava inchado e dolorido, além de identificar uma sensação estranha de dormência dominando-o. Por Kami, que ele não estivesse com início de gangrena, ou seria seu fim. Engraçado que numa hora como essa apenas desgraças vinham à sua mente e não situações felizes, como a certeza da vitória de seus companheiros.

― Está tudo bem com meus pés, Kankuro? –Questionou, temeroso.

― Hm... Eles só estão inchados, não se preocupe. –Acalmou-o, notando a tensão que dominava o pequeno corpo.

― Certo.

No momento em que o segundo pé foi liberto, a mesma sensação de dormência continuou, instigando-o a se mover com urgência, porém, por ainda estar preso a mais três pares de "braceletes", um deles em seus joelhos, controlou-se; pouco a pouco, os irmãos iam deixando-o livre e conforme suas amarras diminuíam, o ritmo da batalha também reduzia, ao menos era o que parecia. Foi com alívio que ele percebeu que poderia se mover novamente, mas devido à falta de circulação, demorou um pouco a sentir os membros outra vez. Por fim, quando conseguiu ter o domínio sobre o próprio corpo, girou na maca, a fim de ver o que acontecia abaixo de si e uma visão nada agradável se descortinou diante de seus olhos.

Apesar da relativa escuridão – esta que se devia à altitude que estava e às rochas que haviam sobrado no teto –, notou que muito sangue banhava o chão e vários corpos jaziam na superfície suja, enjoando-o de imediato. Forçou a vista e viu uma espécie de gosma avermelhada presa à parede sumir aos poucos, dando lugar à presença de Kakashi, Naruto, Jiraiya e um sapo esquisito de tamanho médio. O Sannin estava de joelhos e mesmo radiante, sua expressão traía cansaço. Observou o Hatake atentamente e quando percebeu o ferimento que ele exibia em seu tórax, gelou. Não, ele não poderia perder mais uma pessoa que lhe era muito importante. Sua vida se resumiria a perdas e mais dor?

― Acabou, Konohamaru! –Naruto anunciou exultante, enquanto o jutsu continuava se dissipando. ― O Orochimaru foi pego na Prisão da Boca do Sapo do Ero Sennin e capturado pela Prisão do Sapo Cabaça.

― Eu quero descer daqui, por favor?! –Pediu aos irmãos Sabaku, sendo prontamente auxiliado por Kankuro a subir na nuvem de areia de Gaara.

Ao chegar ao chão, teve que ser sustentado pelo titereiro e após receber um abraço apertado do Uzumaki, se aproximou do Hatake. Não sabia o que dizer, muito menos o que perguntar, mas sabia que não poderia ficar calado, quieto. Era nítida a palidez do jounin e preocupando-se genuinamente com a quantidade de sangue que escapava da ferida aberta, soltou:

― Sensei, vamos embora. A Sakura vai cuidar desse seu ferimento.

― A Sakura-chan está internada, Konohamaru. Ela foi envenenada e perdeu o bebê. –Naruto informou, recebendo olhares zangados provenientes dos irmãos e do mestre Jiraiya, que agora se levantava. ― O que foi? Eles não sabiam que ela estava grávida? –Perguntou para ninguém em específico.

― Bebê? Como assim? Eu... Não sabia de nada. –Konohamaru balbuciou, embasbacado.

― É uma longa história. Vamos saber de tudo direitinho quando chegarmos à Suna. –O tom de voz de Kankuro rompeu o silêncio constrangedor que se formou após a fala do garoto.

Kakashi que havia entrado numa espécie de transe após a informação de Naruto, cedeu ao peso das pernas, caindo de joelhos no chão ensanguentado. Apesar da máscara cobrir boa parte do seu rosto, a dor era visível a qualquer um dos que ali estavam; a testa estava franzida em descrédito, os olhos apertados, contendo a onda de sofrimento que o abateu. Ninguém se moveu para ajudá-lo, sabendo que o que quer que dissessem ou fizessem, não seria de grande valia. Após o choque inicial passar, puderam notar as lágrimas brotarem nos olhos bicolores e Konohamaru teve certeza de que jamais tinha visto o Hatake tão destruído.

―X―

― Ino! –Repetiu Sakura, tomada pela emoção.

Os olhos verdes se inundaram e em questão de segundos, a Haruno foi acometida por um choro convulsivo. A Yamanaka se aproximou da maca rapidamente e mal se aproximou, foi puxada para os braços da amiga. O abraço que compartilharam foi demorado, forte, sofrido e também, consolador. Sakura isolou os sons ao redor, ignorou a possibilidade de se machucar com a agulha do escalpe... Esqueceu-se de tudo; para ela só havia Ino, o cheiro de flores que lhe era característico e acima de tudo, o toque gentil daqueles braços acolhedores. Quanta falta aquele abraço lhe fizera! Quantas saudades sentira!

Após notar que a amiga se acalmava, Ino se afastou parcialmente, acariciando os cabelos rosados. O rosto que encarou exibia cansaço, sofrimento, angústia e confusão. Havia muito a ser esclarecido, mas diferentemente de Masumi, ela se esforçaria para não chocá-la, pois em sua concepção, a situação em que ela se encontrava já era traumática o suficiente. Quando por fim, Sakura suspirou e afrouxou os braços em torno de seus ombros, ela se sentou na maca, ao lado dela.

― Ino, eu estou tão feliz por você estar aqui. –Murmurou Sakura, secando os últimos resquícios de lágrimas que insistiam em se fixar em seu rosto.

― Eu também fico feliz por estar aqui contigo, Sakura. Mesmo com essa situação tensa e complicada acontecendo. –Confessou, suspirando com pesar.

― Kami-sama... Você... Eu... São tantas coisas para entender. –Sakura desabafou passando ambas as mãos pelo couro cabeludo, mostrando-se frustrada.

― Realmente, amiga. O seu fardo está muito pesado, mas nós duas, juntas, vamos tentar aliviá-lo. –Tocou a mão livre de Sakura, acariciando-a de leve e entrelaçando seus dedos nos dela.

Desde que tivera detalhes que tinha acontecido, Ino ficara perturbada. Como melhor amiga que era, sempre desejava o bem da Haruno, constantemente pedia que acontecesse tudo de melhor em sua vida, mas a sucessão de fatos que se desenrolaram minou seu otimismo. Apesar de tê-la incentivado – tanto pessoalmente, quanto por meio de cartas – a se envolver com Kakashi, ela não imaginava que aquilo trouxesse tanta confusão. Ele não era culpado de nada, pelo menos não diretamente, mas aquele "relacionamento" não fora produtivo, como um todo.

Primeiro havia o fato de Sakura ter sido humilhada no trabalho – o descrédito em sua profissão também contava como uma humilhação –, depois vinha a dificuldade com Gaara, o preconceito dos habitantes de Suna por ela estar "casada" com um homem bem mais velho e logo após, a perda do feto que era gerado de forma errada. Como poderia ajudá-la? Faria o seu melhor, essa era a única certeza que tinha.

― Apesar da dor física, que obviamente você ainda está sentindo, como... Você está? Sei que pode ser uma pergunta boba, mas eu quero saber. –Mesmo tendo uma vaga percepção do que seria dito, Ino questionou. Precisava saber como abordá-la, como acalmá-la e prepará-la para uma missão nada fácil que fora designada a cumprir.

― Eu estou arrasada, Ino. Destruída. –Ao fim da sentença, os olhos verdes voltaram a marejar e instintivamente, Sakura os secou com a mão livre.

― Bem, eu posso imaginar. –Suspirando novamente, ela apertou os dedos da amiga. Tomou fôlego e questionou novamente: ― Você quer desabafar? Eu sou toda ouvidos e estarei aqui para o que precisar.

― Eu... Na verdade, eu gostaria de tomar um copo d'água. Você pegaria para mim, por favor?

― É claro. –Desfazendo o enlace das mãos, Ino se levantou e foi em direção à porta da sala, saindo para o corredor; logo retornou com um copo descartável grande, cheio de água gelada. Ela sabia bem os gostos de Sakura, por isso fez questão de agradá-la.

Entregou-o à Sakura e observou-a sorver o líquido com calma, como que buscando forças no fluído. Os olhos dela não se desviavam da amiga, pois a qualquer momento ela poderia sucumbir ao estresse provocado pelo excesso de emoções, além dos efeitos restantes do veneno recém extraído de seu corpo. Deixaria claro que a substância tóxica fora o principal causador do aborto, mas também esclareceria que cedo ou tarde, ela teria sido submetida a uma cirurgia para a interrupção da gravidez.

― Sakura, antes que você comece a falar, o que eu nem sei se você pretendia fazer... Bem, eu quero que você saiba que estou a par de tudo. Tanto de seu quadro clínico quanto dos acontecimentos que se sucederam. –Inspirando longamente, Ino voltou a entrelaçar os dedos da Haruno aos seus.

― Como...? –Começou, mas logo foi interrompida.

― Vou resumir o que aconteceu contigo enquanto esteve desacordada. –Disse em tom de reprimenda, notando Sakura se encolher brevemente. ― Masumi me passou todas as informações e eu vou dizê-las da melhor forma que eu conseguir, tudo bem?

Anuindo com a cabeça, Sakura bebericou mais um pouco de água, depositou o copo próximo ao monitor cardíaco e aguardou, seu semblante não revelando muito à Yamanaka. Por um instante, Ino sentiu um ligeiro tremor percorrer a mão que envolvia a da amiga e não soube dizer se ele partira dela ou de si mesma. Tomando fôlego, retomou o diálogo.

― Depois que os raptores foram embora, Masumi chegou e encontrou você e a outra moça, ambas caídas no chão do quarto. Aparentemente, Hana conseguiu arrastá-la para perto da porta do quarto do Konohamaru-kun, mas logo desmaiou também. Devo confessar, ela foi forte... Um ferimento como aquele no abdômen e conseguir arrastar outra adulta... Isso foi um milagre!

Ino interrompeu a narrativa ao perceber as lágrimas silenciosas de Sakura. Seu rosto expressava um misto de tristeza e orgulho, além de algo mais, que ela não sabia identificar. Ao que parecia, a jovem era muito especial para a Haruno e sem que pudesse conter, uma fisgadinha de ciúme a atingiu.

― Continuando... Masumi chegou ao prédio alguns minutos após os inimigos terem ido embora, pois ela queria entregar o resultado do exame e já solicitar um exame de ultrassonografia, pois seus sintomas estavam muito intensos e com isso, as encontrou. Ela ligou rapidamente para alguns auxiliares e eles ajudaram a socorrê-las. Logo foi constatada sua hemorragia, assim como o envenenamento e algumas de suas alunas vieram ajudá-la. Olha, você soube ensiná-los direitinho, Sakura. Meus parabéns!

Um fraco riso orgulhoso brotou nos lábios da Haruno e Ino ampliou o próprio sorriso, pois sentia que estava no caminho certo. Apertou novamente a mão da companheira, como que consolando-a e transmitindo-lhe boas vibrações. Queria a melhora dela, mas também almejava que tudo fosse esclarecido.

― A substância que injetaram em você era altamente tóxica, com ingredientes incomuns aqui em Suna, mas por sorte, os médicos encontraram algo sobre ele nos antigos arquivos de guerra e formularam o antídoto. O processo de remoção do veneno do seu corpo e estabilização de suas hemácias e plaquetas durou cerca de dez horas; enquanto uns cuidavam de limpá-la, digamos assim, outros cuidavam de estancar a hemorragia, dando um tempo para repor o sangue perdido. –Engolindo em seco, Ino se preparou para o que estava prestes a dizer. A partir daqui as coisas ficariam complicadas.

― Oh, agora eu entendo. A paralisação que ele causou foi praticamente instantânea. Eu não conhecia um veneno com tal poder. –Recordou-se. Por fim, ela olhou em direção ao antebraço – do mesmo membro que sustentava o equipo – e notou uma marca arroxeada, provavelmente causada pela transfusão.

― Sim, ele poderia tê-la matado se Masumi não tivesse agido com prontidão. Assim que seu corpo ficou livre do veneno, ele começou a se recuperar lentamente, o que poupou ao hospital algumas bolsas de sangue. –Ino admitiu, vendo o olhar de Sakura se desviar para a junção de suas mãos. ― Mas Sakura... Sobre o aborto... Ela ia pedir os exames porque já suspeitava que algo estivesse errado. Seus sintomas denunciavam a gravidez, mas eram intensos demais, por isso a desconfiança.

Agora a Haruno desviou o olhar para longe, para um ponto além da cabeça da Yamanaka. Os olhos ficaram vidrados, opacos e temendo que ela sucumbisse, a loira dirigiu a mão livre para o rosto pálido, acariciando-o com um pouco mais de força; logo Sakura voltava à realidade, os orbes verdes nublando com lágrimas e a respiração se alterando. Mais uma vez, ela cedeu ao choro, mas um pranto comedido, menos desesperado, para alívio de Ino.

― O veneno foi o causador da hemorragia, mas como a própria doutora lhe disse, era uma questão de tempo até que descobrissem o que estava acontecendo. Provavelmente você seria submetida a uma cirurgia para a retirada do feto, pois seria impossível mantê-lo, você sabe. Por isso, minha amiga, não se culpe pelo que aconteceu. Nenhuma mulher está livre disso e você não foi a primeira nem será a última, infelizmente. –Voltando a erguer a mão, secou as lágrimas remanescentes no rosto à sua frente e apertou a bochecha macia de leve.

― Bem, isso eu já entendi. –O semblante de Sakura voltou a ficar carregado, exprimindo dor e tristeza. ― Agora eu quero saber... Por que você está aqui e como chegou tão rápido? E Hana, como está? Ela sobreviveu?

"É agora!" Ino pensou, desesperada. Direcionou os olhos azuis para o monitor cardíaco e rezou interiormente para que nada de ruim acontecesse naquela sala. Não era portadora de boas notícias, por isso tomou fôlego e rememorou o texto que estivera formando em sua mente.

― Respondendo às suas perguntas... Eu estou aqui a pedido de Tsunade-sama. Aliás, comigo vieram o Naruto e o Jiraiya-sama. –Após ver a surpresa se apossar do rosto de Sakura, Ino sorriu de leve. Apesar das circunstâncias trágicas, quando tudo aquilo acabasse, seria bom para a rósea ter o loiro hiperativo por perto. ― Bem, são muitas coisas para esclarecer, mas vou resumir novamente.

― O Naruto! Eu... Não acredito. –De surpresa, Sakura agora passara a iluminada, feliz.

― Pois é. Voltando às respostas... Nós viemos aqui por meio do jutsu de teleporte que ele desenvolveu, acredita? Esse rapazinho aprendeu vários truques com o Jiraiya-sama e ao que parece, eles andaram estudando alguns jutsus do Yondaime. A viagem que geralmente dura três dias foi feita em menos de um.

― Como isso foi possível? Sei que o Yondaime tinha selos que demarcavam a área que ele podia se mover, mas e no caso do Naruto? –Sakura questionou, pois julgava se tratar de uma dúvida pertinente.

― Quando Shikamaru e Temari vieram para Suna, alguns meses atrás, eles espalharam alguns selos pelo caminho, o que tornou possível a nossa vinda. –Explicou Ino, começando a ficar tensa.

― Oh, compreendo!

― Sakura... Nós viemos porque a Vila... Konoha foi invadida, atacada. –Soltou uma das más notícias, percebendo o corpo da amiga enrijecer. O bip no monitor cardíaco alterou sua frequência, denunciando a ansiedade que começava a brotar no âmago da Haruno. ― Estávamos nos preparando para a inauguração das antenas e redes de transmissão telefônica quando o caos começou. Shinobis da Vila da Pedra e alguns outros com Sharingans implantados conseguiram penetrar a nossa barreira e começaram a destruir tudo o que estava recém instalado; enquanto tentávamos conter a destruição, pois imaginávamos que o objetivo deles era eliminar a nossa fonte de tecnologia, outros homens foram até a região em que os Sarutobi moram e bem... Eles estavam à procura do Konohamaru e quando não o encontraram... Mataram os pais dele.

Ino sentiu a mão que sustentava escapar por entre seus dedos e imediatamente a viu cobrir a boca de Sakura. O choque foi tão grande que ela sequer conseguia chorar, apenas a olhava, aflita, sem conseguir acreditar no que fora dito. O coração já agitado continuou a pulsar, mas não em níveis alarmantes.

― Foi tudo muito rápido. Quando nós percebemos que aquele estardalhaço não passava de uma distração, eles já estavam mortos. –Informou Ino com desgosto. ― Já era noite e por temer uma emboscada nos arredores da Vila, ou até mesmo uma perseguição, Tsunade-sama achou prudente que viajássemos para cá apenas ao raiar do dia. Logicamente, ninguém conseguiu dormir e nós partimos um pouco antes do previsto, sem o consentimento dela, é claro. Ela enviou um pergaminho por um dos falcões assim que soube da morte dos Sarutobi, mas só quando chegamos aqui é que ele foi recebido.

― Diabos! Eu... Não entendo! – Sakura exclamou, esfregando a testa com força, evitando uma nova onda de lágrimas.

― Resumindo: nós partimos antes do amanhecer, fomos teleportados pelo jutsu do Naruto e chegamos aqui quase no final do dia de ontem. Ele teve que repor as energias com algumas pílulas do soldado, por isso atrasamos um pouco. Mas bem... dada a hora, ele e o Jiraiya-sama já devem ter se encontrado com o Kakashi e o time de busca; o Kazekage e Kankuro também servirão de reforços, pois os ninjas capturados deram informações valiosíssimas. –Completou Ino, deixando Sakura confusa.

― Ninjas capturados? Eu não estou entendendo nada, Ino! –A respiração alterada tornava a voz ligeiramente falha, por isso a Yamanaka esperou que ela se acalmasse.

― Já vou explicar tudo. Agora, termine a sua água e se acalme, por favor.

Quando Sakura o fez, Ino respirou fundo e narrou detalhada e pausadamente os fatos que se sucederam após a chegada dela à Suna, inclusive sobre a distração feita nas distribuidoras de água. Contou-lhe que Naruto e Jiraiya partiram munidos de pouquíssimas informações sobre o estado de saúde dela e ignoravam o fato de que a própria Sakura desconhecia a gravidez; salientou que, talvez, uma pequena confusão fosse armada quando eles chegassem, o que demandaria certo jogo de cintura de todos. Ao fim das atualizações, a Yamanaka já estava exausta, o que não passou despercebido aos olhos perspicazes da Haruno.

― Oh, Kami-sama! Quanta coisa ruim aconteceu! –Sakura lamentou, pousando a mão livre no peito. ― Mas Ino... Você não respondeu à minha última pergunta. –Viu que a loira empalideceu e desviou o olhar para o chão, evitando a pauta. ― E Hana, como ela está?

Criando coragem para encará-la, Ino reergueu os olhos claros, ainda com relutância e piscou, contendo uma onda de lágrimas que ameaçou surgir. Suspirou, umedeceu os lábios com a ponta da língua e tão logo, limpou a garganta, buscando forças para dar a resposta tão aguardada.

― Sakura...

Uma comoção ocorreu no corredor do hospital, interrompendo a conversa e ambas desviaram o olhar para a porta entreaberta, tentando entender o que sucedia lá fora; Sakura tinha mais dificuldade em fazê-lo, por conta da posição em que estava, por isso pouco viu. Puderam ouvir uma voz grave ordenando uma equipe de enfermeiros e auxiliares a direcionar uma maca para a sala de cirurgia. Mesmo em meio à confusão, escutaram claramente as palavras "pneumotórax", "hemotórax" e "pode morrer". Ao ver o vulto alto de Jiraiya passar, caminhando atrás da comitiva médica, a Yamanaka sentiu o sangue gelar nas veias e o coração afundar no peito; um pressentimento ruim revirou seu estômago, dando-lhe a certeza de que aquilo estava longe de terminar.


Bom, quem me acompanha sabe que cenas de ação não são o meu forte, por isso optei por mostrar a visão do Konohamaru... Mas não foi só por isso que eu quis mostrar o ponto de vista dele, mas por outro motivo, que é bem simples: ao vermos a ação, sabemos o que é feito para salvar alguém, mas e a vítima, como fica? Quis mostrar um poucos dos pensamentos e sentimentos dele nesse momento tão tenso.

O que não for entendido, que tenha ficado vago, etc;, eu vou explicar no próximo capítulo. Ainda temos mais emoções para rolar, mas relembro, há apenas 4 (no máximo 5) capítulos até a fic ser finalizada.

Bem, explicações à parte, quero agradecer a todos pelo apoio, pelos comentários, pelas recomendações e por não desistirem de mim; muitos desistiram, cada qual com seu motivo, mas eu agradeço de coração àqueles que se mantém aqui, me incentivando. Sou muito grata a vocês S2.

Kissus, até breve! :*