Soaring Black Bird - Chapter 35
Old enough for nature's call? - Velha o suficiente para o Chamado da Natureza?
"Lupin
A história é comprida e eu pretendo contá-la a você nos mínimos detalhes, mas agora terei de ser breve. Encontrei um velho amigo do vovô e ele parece ainda se lembrar das antigas pendências. Talvez meus avós recebam uma visita dele logo.
Rayvenne Goldenwing."
Rayvenne largou a pena de qualquer jeito em cima da escrivaninha, enrolou o pergaminho e deu-lhe um laço mal feito com a primeira fita que encontrou, prendendo-o. Eram sete horas da manhã e o dia estava tão cinzento e nebuloso quanto uma poção da feracidade, neve caia levemente do céu. A loira sonserina corria escadaria a baixo. As aulas do dia começariam em breve, marcando o ultimo dia letivo antes das férias de inverno, e Rayvenne saíra cedo das masmorras para poder levar sua carta ao corujal, sem que corresse o risco de se deparar com galinheirenses curiosos perguntando-a a razão pela qual o Lorde das Trevas a conhecia.
Em passos largos, a menina colocou os pés para fora dos grandes portões do castelo e sentiu um calafrio subir-lhe o corpo. Por um segundo, a preguiça de caminhar até o corujal na neve a fez hesitar, mas ela seguiu em frente mesmo assim. Precisava despachar aquela carta a Lupin o mais rápido possível. Flashes da noite anterior ainda brotavam na mente de Rayvennem – quem sabe se seus avós ainda estavam vivos?
Ela entrou no corujal com cuidado – o chão de pedra estava duplamente escorregadio devido à neve. Rayvenne procurou por alguma coruja disponível, alguma que Lupin logo reconheceria mas que pudesse se camuflar com a neve. A loira olhou para cima e viu Edwiges encarapitada em um dos poleiros presos à parede, ela dormia com as penas arrepiadas para se aquecer. Rayvenne tirou o pergaminho do bolso e rapidamente pôs-se a amarrá-lo na pata da coruja, que logo acordou com o toque da garota e não parecia nada feliz por ter sido despertada em uma manhã tão gelada.
Antes que Rayvenne despacha-se a ave, um certo remorso a acometeu. Estava mandando uma carta apenas para Lupin, talvez devesse mandar outra também para seu avô, afinal, era ele quem corria perigo.
-Só um momento! – Rayvenne disse à Edwiges, que apenas a olhou de soslaio com um toque de desdém. A loira pôs-se a procurar algum pedaço de pergaminho nas vestes, qualquer coisa que servisse de superfície para um bilhete rápido. Mas antes que pudesse acha-lo, uma bolinha de penas acertou em cheio a cabeça da sonserina, que teve de se esforçar ao máximo para não cair no chão de pedras abarrotado de titica de coruja.
Massageando o local onde foi atingida, Rayvenne olhou para a direção onde a coisa que a atacou caiu, só para ver uma corujinha minúscula e tremendo de frio e cansaço, com um pergaminho duas vezes maior que ela amarrado à patinha.
-Píchi! – Rayvenne exclamou, correndo para socorrer a corujinha de Ron. A loira apressou-se a desamarrar o pergaminho da coruja que piou em agradecimento e pulou direto para o bolso das vestes da sonserina, ainda tremendo.
-Edwiges, entregue esse carta à Remus Lupin – ela disso à coruja branca que, muito de mau humor, assentiu abrindo as enormes asas brancas e decolando. Rayvenne se sentiu um pouco mal por não ter mandado à carta ao avô, mas punha fé de que Lupin poderia cuidar disso. No momento, ela precisava correr para o castelo com uma corujinha hipotérmica.
-Sua coruja e a carta que veio com ela – Rayvenne disse libertando Pichitinho de seu bolso e entregando o pergaminho que veio com ela a Ron que a tomou surpresa, e sentando ao lado de Hannah na mesa da Grifinória. O Salão Principal estava mais agitado do que o de costume. Todos tomavam seu café da manhã, se preparando para o ultimo dia letivo.
Rayvenne percebeu os vários olhares que alguns galinheirenses lançavam-na, provavelmente curiosos em perguntar sobre o Lorde das Trevas, mas parece que ninguém tinha essa coragem.
-Bom dia, Rayvenne. Será que dá pra esclarecer o que foi aquela conversa com aquele que não deve ser nomeado?
Ninguém tinha essa coragem, exceto por Hannah.
-Ah, bem... – Rayvenne começou olhando para os lados – O Vovô foi meio que amigo do Voldemort quando eles estudavam em Hogwarts e tal...
-E você não contou isso pra gente? – Hannah a desafiou.
-Porque não é exatamente algo de que eu me orgulho, talvez? – Rayvenne rebateu – Nem o vovô deve ser orgulhar disso, mas aconteceu!
-Então seu avô foi um comensal da morte? – Harry perguntou encarando Rayvenne. Ela fechou a cara.
- Não, Potter. Ele largou de falar com o Voldemort quando ele começou com essa palhaçada de magia das trevas! – Rayvenne disse – Por isso que ele está atrás do meu avô hoje em dia!
-Dava pra você não esconder essas coisas da gente? – Hannah disse rispidamente – Até parece que a gente vai implicar com você sobre isso, Rayvenne! Você acha mesmo que vamos te tratar de um jeito diferente só porque o seu avô foi coleguinha de escola do Lorde das Trevas? Deixa de ser idiota!
Rayvene abriu a boca para responder, mas nada disse. Hannah tinha um ponto , um bom ponto. O jeito como Hannah falara fez a loira sentir-se como uma tonta sobre ter medo de mencionar essa verdade de seu avô para os amigos. A sonserina suspirou pesadamente.
-Tem razão, Hannah... Me desculpe – ela disse afundando no banco – Essa história é bem nova pra mim também... Entrei em choque quando soube... Não que eu não confiasse em vocês, é só que essa coisa toda parecia mais uma história inventada do que algo real! Eu... – Ela suspirou profundamente – Eu mesma me recusava a acreditar...
O silêncio se instaurou nos presentes. Ninguém sabia direito o que responder – todos sabiam que Rayvenne, apesar de não parecer, não se orgulhava muito de ser sonserina e gostava de acreditar que tudo não havia passado de um ato de vingança do Chapéu Seletor. Entretanto, com toda essa nova história sobre seu avô e o Lorde das Trevas, a razão por ser sonserina mudou e ganhou fundamento. Logo a história se espalharia por todos os alunos.
-SERÁ QUE NINGUÉM NUNCA ENSINOU ESSE MENINO A NÃO ABRIR A CORRESPONDÊNCIA DOS OUTROS, FRED?
-PARECE QUE NÃO, GEORGE. MAMÃE ESTÁ PRECISANDO DAR UMAS BOAS PALMADAS NELE!
De repente a atenção de todo o Salão Comunal virou-se para Ron. Em sua frente, dois berradores idênticos de cor laranja discutiam entre si. Berradores claramente mandados pelos gêmeos Weasley. Rayvenne sorriu, somente os dois conseguiam salvá-la de um silencio constrangedor mesmo nem estando fisicamente presentes no recinto.
-DE QUALQUER FORMA, RONIQUINHO. MELHOR IRMOS DIRETO AO ASSUNTO! – disse o berrador de George.
-RAY E HANNAH. NATAL N'A TOCA. SUBAM NO TREM AMANHÃ. SEM MAS. – o berrador de Fred disse, virando-se na direção das duas garotas – RAY, MINHA CAMA TE ESPERA SUA LINDA – e com isso, o berrador de Fred se desmanchou em mil pedacinhos, seguido pelo de George. O Salão Comunal logo se encheu de gargalhadas e Rayvenne não sabia onde enfiar a cara. Até mesmo alguns professores cobriam a boca com as mãos para abafar suas risadinhas. Mas lá no fundo, Rayvenne sorriu. Fred acabara de transformar Rayvenne, a neta do amigo mais intimo do Lorde das Trevas para Rayvenne, a esperada pela cama de Fred Weasley.
-Chamando em cima da hora desse jeito, é óbvio que eu não vou poder ir! – Hannah esbravejava ao lado de Rayvenne. As duas seguiam até a sala de Defesa Contra a Artes das Trevas, em que Grifinória e Sonserina tinham aula juntas. – Com a minha mãe tem que ser tudo organizado! Até parece que o George não sabe disso...
-Bem... Eu preciso sair falar com o Lupin de qualquer forma... – Rayvenne comentou – Vou ter que ir. Além do mais, não tenho mesmo onde ficar além daqui...
-Hannah! Ray! – uma voz atrás das duas chamou. Era Sadie Cottonwealth que vinha a passos largos com seus livros de Herbologia em mãos. A loira mais alta parou para recuperar o fôlego em frente as duas e depois as encarou sorrindo – Vocês vão, não é?
Rayvenne e Hannah se entreolharam confusas.
-Vamos aonde? – Rayvenne perguntou com uma sobrancelha erguida.
-Ué... Ao Baile de Natal do Galinheiro, é claro! – Sadie respondeu como se aquilo fosse a coisa mais natural do mundo.
-Que Baile? – Hannah perguntou, soando um tanto revoltada. Essa história toda de passar natal nos gêmeos de ultima hora realmente havia deixado-a brava.
-Ah... Não contaram pra vocês... Bem. O Galinheiro promove festas regularmente. Desta vez, vai ser um Baile de Natal para aqueles que forem ficar no Castelo! – Sadie disse ainda sorrindo.
-Por quê nunca me avisam nada de antemão? – Hannah perguntou fechando a cara – Bom, pelo menos terei algo pra fazer por aqui...
-E você, Ray? – Sadie disse se virando à colega sonserina.
-Nah, eu passo desta vez... Vou pr'A Toca! – Rayvenne respondeu, soando um pouco mais entusiasmada do que queria. Isso vez Sadie abrir um sorriso maroto.
-Chamado da Natureza? – Sadie disse num tom brincalhão – De qualquer forma... Não se esqueça de comprar proteção! Bem... Vou indo pra minha aula que eu já estou atrasada!
E com isso ela acenou um tchau, deixando uma Rayvenne com a mão sobre a testa e uma Hannah um pouco confusa.
-Comprar proteção? – Hannah perguntou.
-É, Hannah... – Rayvenne disse ainda com a mão na testa – Você sabe... Aquela parte do berrador do Fred sobre a cama dele e tal...
-Sim, eu entendi... Mas comprar proteção? Existem feitiços simples pra isso! – Hannah disse cruzando os braços. Isso só fez Rayvenne meter a outra mão na testa com força.
-Argh! DEFESA CONTRA AS ARTES DAS TREVAS! É. Estamos atrasadas! Vamos vamos vamos vamos! – Rayvenne exclamou apertando o passo para a sala de aula. Tudo o que ela pôde ouvir atrás dela foi uma Hannah morrendo de rir.
Aula de Defesa Contra as Artes das Trevas? Que aula de Defesa Contra as Artes das Trevas? Depois do comentário de Hannah e Sadie mais cedo, nenhuma outra aula da tarde importou para Rayvenne, pois, uma ficha importante caiu no cérebro de Rayvenne: Ela e Fred já estavam juntos há quase um ano. Fariam, inclusive, um ano uns dias após o Natal. E ela e Fred não haviam passado muito além de beijos. Ela não tinha muitos problemas em continuar como estava – era feliz assim. Tudo estava certinho... Mas, e pra ele?
Não importava o quão bom e gentil Fred era. Ele também era um homem. Um que já havia atingido a maioridade e logo mais completaria dezoito anos. É vero que os dois brincavam constantemente com o assunto – mas apenas brincavam. Rayvenne nunca havia refletido seriamente sobre o isso. O que se passava na cabeça do gêmeo? Será que agora que não mais passavam o dia inteiro juntos na escola, algum sentimento maior de necessidade crescia dentro dele?
Rayvenne atingiria a maioridade em seis meses. Ela já não era mais uma simples criancinha. Não se considerava adulta – bem longe disso. Mas será que já era hora de... Será que já devia... Será que era isso mesmo? Quanto mais Rayvenne pensava, mas perguntas e algumas inseguranças surgiam em sua mente. Algumas que até lhe pareceriam muito idiotas, caso a situação toda não estivesse ocorrendo consigo própria.
Logo, a sineta avisando o término da ultima aula da tarde tocou. Rayvenne juntou seu material o mais rápido que pode, e recolheu-se para as masmorras para assim começar a preparar suas malas. Resolveu evitar olhares ou conversas alheias de seus colegas – sua mente já estava cheia demais para isso.
Sem prestar atenção em seu caminho, ela alcançou as masmorras. Subindo ao dormitório feminino do sexto ano, a loira pegou seu malão e jogou-o na cama, enfiando suas coisas uma a uma malão adentro. Ela teve de revisar o conteúdo de sua bagagem ao menos três vezes para garantir que não estava esquecendo-se de nada, tamanha era sua falta de atenção. Em uma dessas revisadas, ela se deu conta que estava esquecendo de levar suas roupas de baixo...
Roupas de baixo... ARGH!
Ela fechou o malão de qualquer jeito, colocou-o no chão e atirou-se na cama, tentando concentrar-se em outra coisa. Até o momento em que finalmente conseguiu pegar no sono.
N/A: NÃO ME JULGUEM PELA RAYVENNE E SEUS CHILIQUINHOS TEEN. Vou falar heim: Eu até pensei numa Rayvenne mais de boa com essa história toda. Uma Rayvenne decidida, corajosa e até mesmo provocante. Mas tenha dó, ela só tem 16 anos... Não a achei old enough pra isso e acabei optando por uma messy teenager mind.
