Aimi estava deitada em sua cama, observando a serenidade do sono de suas duas amigas concubinas como o sol estava aparecendo lentamente no horizonte, iluminando o quarto aos poucos .Ela não conseguiu dormir ou mesmo tirar uma soneca durante essa noite, uma vez que estava preocupada. A aliança com o capitão dos piratas do Chapéu de Palha e os do Trafalgar Law, com o plano para derrubar Doflamingo, já era assunto em todo o palácio, mais que na cidade. Ela sentia que tudo terminaria em uma guerra séria. Temia pelo país e pela mãe que vivia sozinha.
Lembrava-se da promessa de Doflamingo, a qual lhe trazia certo conforto. Nada aconteceria a ela e nem as outras concubinas. Os olhos iam se fechando por si mesmos, deixando a escuridão das pálpebras fechadas invadir sua mente e a sonolência atrai-lo para dormir novamente. Acordou duas horas depois, com uma sacudida leve de Sora.
– Aimi... levanta-se! Já passou da hora de ficar dormindo na cama... – disse.
– Sora... eu nem consegui dormir direito... – a ruiva falou quase dormindo ainda.
– Ah, então é por isso! – ela ajudou a ruiva a ficar sentada na cama.
– Doflamingo quer alguma coisa comigo?
– Hein?! Não, amiga! Estamos de manhã e ele está ocupado com os Agentes Oficiais. Ele pediu para que as concubinas ficassem aqui quietas.
– Humm... então, ele não quer nada comigo agora... deixa-me dormir mais um pouco.
Sora a deixou sentada e, sentando-se ao lado, abraçou-a.
– Vamos, depois você não dorme a noite. Tem um café bem caprichado à nossa mesa, vamos comer?
– Hmmm... está bem. – Aimi esfregou os olhos e deu uns tapinhas para se acordar.
– Hahahaha não precisa disso, melhor lavar o rosto... vem. – Sora a levantou e ajudou a se trocar.
...
– Jovem Mestre... onde vai?
– Vou me retirar agora, não quero ser incomodado. – disse ele, escondendo suas reais intenções.
Foi até o quarto e pegou uma de suas pistolas. Foi até a janela e desapareceu entre os mares, usando seu poder da Ito Ito no Mi para poder voar até onde estava Law. Aquele seria o primeiro a finalizar. Ao avistar o homem que queria acabar de longe, lançou um fio com a potência de uma flecha em direção ao homem encapuzado, que recuou brevemente até olhar para cima e ver quem se punha diante dele.
– Doflamingo... – pronunciou o moreno de olhos profundamente cinzas.
– Heh... há quanto tempo não nos vemos pessoalmente... Law. – disse o loiro enorme, colocando as mãos no bolso.
Law sentia tremer por dentro, mas não era por medo. Era por ódio, acabaria com ele ali mesmo, mas não poderia tomar rápidas decisões. Ele havia crescido e se desenvolvido muito bem como um pirata, mas o outro era mais experiente e devia ter tido um progresso também. E a ponto de se tornar rei de um país tão rico.
– Acredito que tenha alguns planos em mente para vir até aqui, não?
Trafalgar manteve-se silencioso, apelas ouvindo a voz do outro que lhe parecia irritante. Apertou sua mão na espada que trazia ao ombro.
– Foi bem meticuloso em me fazer abrir mão de ser Shichibukai... mas aviso que não fiz por medo de você e nem daquele outro pirralho...
– Kaido. Foi por causa dele mesmo, eu sei. – e curvou os lábios em um sorriso provocador – sabe que não é páreo o suficiente para lidar com ele.
Doflamingo fechou o sorriso costumeiro que trazia na face.
– E vocês ainda tem um negócio, não? As Smiles... mas creio que isso não durará muito tempo.
– Parece que alguém está cheio de si achando que vai me parar... – ele moveu os dedos freneticamente, estalando-os.
Law sacou a espada.
– Heh... quer começar assim mesmo? – e Doflamingo pulou em direção a ele, atacando-o. Law contra-atacou, começando uma luta ainda desigual. Em menos de 15 segundos, Doflamingo acertou ele perto de órgãos vitais, fazendo-o cair no chão – é, Law... não é porque se desenvolveu com o passar dos tempos que se tornou mais forte que eu. À propósito... como passou esse tempo todo? Como sobreviveu aquele dia escapando da "gaiola"?
– Isso não te interessa! – ele respondeu áspero, criando seu "Room" e quebrando peças da ponte onde estavam, fazendo-as trocar de posição com Doflamingo para confundi-lo e acertá-lo. O outro ria constantemente, se desviando facilmente daqueles golpes.
– Acho que alguém ainda tem muito que aprender! – comentou o loiro – e sozinho acha que vai acabar comigo e com a família?
– Não, por isso mesmo que não estou sozinho. – disse o moreno – e pelo visto a família continua sendo a mesma ridícula de sempre, não é?
– Cala a boca... se não fosse por nós, você nem sobreviveria! – e lançou um fio contra ele, que se esquivou. Logo, Doflamingo lançou outro, e ele ia se esquivando.
– ...desse meio, somente uma pessoa era de caráter... aliás, duas delas...
Doflamingo não queria ouvir provocações que ofendessem Melissa, e evitou que ele continuasse a falar acertando bruscamente na perna esquerda, fazendo-o cair no chão.
– Melhor acabar com isso logo!
Com isso, continuaram lutando até pararem em Acacia, quando Law foi arremessado brutalmente até lá. Doflamingo foi atrás, já segurando sua pistola. Onde Law estava jogado, todos que passavam perto circundavam (sendo que alguns fugiram). Ele foi direto e impiedoso – mas não queria mata-lo diretamente. Acertou dois tiros para imobilizá-lo totalmente. A correria ficou maior.
...
Acacia estava em um rebuliço, principalmente perto do Coliseu, onde Doflamingo havia atirado em Law. Antes de sair dali, pegou o corpo de Law inconsciente e levou consigo junto a Fujitora, um dos Almirantes Oficiais da Marinha. Law ficou preso no salão principal do castelo, ferido e inconsciente. Havia outras batalhas por toda a Dressrosa. Todo o bando do Luffy estava enfrentando diversos membros do bando do loiro.
Aimi estava curiosa e assustada ao mesmo tempo, junto com as outras presas em uma parte do castelo onde estavam resguardadas. Aproveitando uma brecha onde ninguém estava olhando, observou uma das janelas que poderia ter acesso se passasse o corredor próximo. Sabia que fugir dali seria um problema, mas algo dentro de si lhe forçava a arriscar. E com muito cuidado, foi até ao corredor e viu todas as janelas fechadas. Tentou ver qual abria. Parecia que estavam todas trancadas, até que a quarta janela abriu. Com esforço devido ao peso da janela, Aimi abriu só um pouco e subiu nela. Por sorte, não tinha altura perigosa na qual ela não pudesse evitar o pulo.
Ela saiu correndo pelos salões e corredores. Perto do salão principal, ouviu vozes e resolveu se aproximar. Olhando para os lados, sentiu um pequeno aperto dentro de si. Era como se algo não estivesse bem. Será que havia acontecido algo com Doflamingo?
Aproximando-se de uma das entradas, viu a cena: Doflamingo, um outro homem enorme que usava a capa de um almirante, um senhor de aparente idade avançada perto da grande janela do local e um rapaz ensanguentado no chão. O loiro parecia bem e falava tranquilamente com o tal almirante.
– Fico feliz que tenha tomado a decisão certa, Fujitora. – prosseguia Doflamingo – até mesmo porque sou muito útil para a Marinha, não é?
– Mas... isso não significa que estou exatamente ao seu lado, Doflamingo. – respondeu Fujitora, ficando mais ao lado do Rei Riku, que observava tudo calado – tem mais suspeitos agindo nesse país além do Luffy do Chapéu de Palha. E o papel da Marinha aqui é minimizar os danos aos civis. Se ele tem a intenção de mata-lo, vai causar uma destruição em massa para realiza-la.
Fujitora foi até ele, caminhando com sua bengala à frente. Aimi observava tudo sem entender direito o que estava acontecendo de fato. Talvez, Doflamingo estivesse negociando com a Marinha para uma possível ajuda contra os piratas invasores. Será que eram aqueles outros dois?
– E eu terei que evitar isso de qualquer jeito... Donquixote Doflamingo. – disse o outro, convicto diante dele.
– E?
– Mas você não está "afastado" nesse caso todo... depois, terei que lidar com você.
– Como assim? – ele cruzou os braços – o que quer dizer com isso, Fujitora?
– ...desde que fui nomeado Almirante, tem algo que quero fazer.
– E o que é? – perguntou o loiro, abrindo um sorriso típico dele.
– Eu quero... o fim do sistema dos Shichibukais. – disse o homem, abrindo um pouco as pálpebras dos olhos cegos.
Aimi sabia que Doflamingo era um Shichibukai... mas ela ainda não sabia que ele havia aberto a mão dessa posição.
– Ouvi falar de um pirata que havia tomado um reino há mais de dez anos atrás. Se ele tivesse conseguido, esta terra poderia se tornar um lugar tão suspeito quando aqui.
– Mas afinal... onde quer chegar?
– Se continuar com esse reino de terror... terei que...
Doflamingo o ataca com uma das pernas que é travada facilmente pela bengala de Fujitora, que na verdade era uma espada e ele a usou segurando-a como a arma que era. Aimi arregalou os olhos, colocando a mão no peito. Um tremor no local fez com que ela perdesse a firmeza nos pés, mas se segurou na beira da entrada, fazendo todo o silêncio possível.
– ...aumentar a recompensa pela as cabeça, "Demônio Celestial"!
– Fufufufu... isso me parece um alerta.
– Alerta?
– Que me diz que devo mata-lo e agora mesmo.
– Não se apresse... por hora, somos ainda e apenas aliados. – e abaixou sua bengala – mas lembra-se disso: eu ainda estou aqui para proteger o país e os civis. Sou apenas um simples cego... que não está vendo as "falhas" que estão sendo reveladas nesse momento em que vivemos.
– Huhh...
– O Conselho Mundial acontecerá ainda nesse ano. E muitas coisas mudarão... quer você queira ou não... se é que me entende. – e deu as costas ao loiro, dirigindo-se para a porta principal do local.
– ...como fala... – disse o loiro, pegando Law e jogando-o em uma das cadeiras dos Quatro Oficiais. Jogou-o na do às de Copas. Fitou-o ali com cara de ódio. Muitas coisas se passavam na cabeça do loiro.
Aimi encostou-se a parede, ainda alerta em volta de si. Não poderiam descobrir que ela estava ali.O den den mushi do loiro tocou e ele atendeu.
– Sim? ...o que... o quê?! Como? Quero saber disso melhor... ah, invasores aqui? Mas onde estão? Não deixem que se aproximem da área de cima... vou ver isso imediatamente, já que vocês por si não conseguem fazer nada! – e desligou zangado o aparelho.
Ele pareceu que se aproximava para a entrada onde Aimi estava perto, e ela percebei isso pelo ruído dos passos. A ruiva correu e ficou atrás de um enorme vaso onde tinha plantada uma pequena árvore. De fato, se ela estivesse ainda onde estava, ele a veria e ficaria mais irritado. Após Doflamingo sair da vista dela, ela saiu detrás do vaso e o seguiu com bastante cuidado.
...
Luffy, junto com o imediato dele e Violet, conseguiram invadir o castelo. Com o auxílio de um dos Quatro Agentes Oficiais, Pica, houve uma alteração na construção do castelo e todas as áreas tremeram. As concubinas gritaram ao sentir algo similar a terremoto.
– Onde está Aimi? – perguntou Sora.
– Não sei... quero dizer, ele está aqui, não está?
As outras olharam ao redor para ver se a achavam, mas nada. Eimi foi até a área das janelas e as outras foram atrás. Examinando cada uma delas, viu a quarta um pouco só aberta.
– Para quê ela foi fugir?
Outra tremedeira forte fizeram todas se jogarem no chão. As janelas trancadas estavam ameaçando quebrarem-se com o impacto daquele movimento e a quarta janela teve a porta mais aberta, entrando um vento forte e acompanhado de poeira. Sora e Eimi se olharam, preocupadas.
– Como vamos recuperar a Aimi? – perguntou Sora, quase chorando.
– ...talvez eu consiga. – disse Eimi, firmemente.
– Não, por favor, não nos deixe sozinhas, líder! – pediu uma concubina.
– ...nesse momento, Sora passará ser quem tomará conta de vocês. Eu tenho que procurar Aimi! – respirando fundo, foi até a janela e subiu nela. Olhou para trás, para as outras.
– Torçam por mim e por Aimi! – gritou em forma de encorajamento.
E as outras responderam aprovando. A loira seguiu adiante, tentando ver se a ruiva estava por perto. Sora pediu para que nenhuma ali saísse até que Eimi voltasse, com ou sem Aimi.
Enquanto isso, em um lugar fora do castelo...
Fábrica dos Brinquedos.
Onde muitos brinquedos trabalhavam forçadamente foram vítimas da habilidade de Sugar. Pessoas civis, piratas, marinheiros e até animais estavam ali, como Tess, irmão de Aimi, era atualmente.
Algo inédito e inacreditável estava acontecendo. Começando pela fábrica. Sugar havia sido derrotada, de forma inusitada, por Usopp, quando já estava praticamente imobilizado por Trebol. Todos os brinquedos começaram a virar as pessoas que eram antes de serem transformadas. Uma por uma.
Por um telão, Doflamingo viu o que acontecia no coliseu. Como Trebol havia confirmado. Os brinquedos voltavam a ser as pessoas de antes. Toda a cidade estava em rebuliço. Sempre às escondidas, Aimi escutava os bravejos do loiro, que amaldiçoou até dos seus por causa disso. Aos poucos, compreendia quem era Doflamingo de verdade. Ou aquela era apenas uma face diante de uma possível perda.
– Era você quem estava por trás disso tudo? – perguntou Aimi, para si mesma.
Toda a cidade estava conturbada. Na casa de Aimi, sua mãe foi até a janela.
– Mas que barulheira é essa lá fora? – resmungou a velha, seguida de uma tosse.
Uma vizinha apareceu à janela, para lhe contar os fatos.
– Está acontecendo algo terrível! Os brinquedos estão se transformando em pessoas e até animais perigosos!
– Como?!
Dentro do antigo quarto de Aimi, aquele cachorro de lata adquiria novamente sua forma de antes. Tess olhava incrédulo para seus braços e pernas, e correu até o espelho da penteadeira. Lágrimas começaram a brotar dos olhos daquele garoto que, apesar do tempo q passou, mantinha-se em seus traços e corpo do adolescente de anos atrás, quando foi transformado em um brinquedo.
– DROOOOGAAAA! – gritou Tess, segurando a cabeça a sacudindo-a perturbado. Todas as lembranças dos últimos momentos em que viu o pai morrer por causa do Doflamingo, quando este atacou a cidade para toma-la de Riku.
A mãe ouviu o grito e a voz que... conhecia há muito bem e que nunca mais achava que ouviria novamente.
– Que grito foi esse? – perguntou a vizinha.
– Céus!... – e ela subiu à janela da casa que não era alta, querendo sair de casa.
– O que está fazendo? Se quiser sair, saia pela porta! Vai se machucar assim!
E mesmo assim, a pobre mulher pulou da janela baixa e caiu aos pés da vizinha, chorando.
– Estou tendo... alucinações.
– Alucinações? Não se preocupe, estou aqui!
– O que está havendo?! – apareceu outra vizinha, saindo da casa dela. Uma pessoa apareceu na frente das três ali, saindo da casa da mãe de Aimi. Um jovem rapaz, com uma arma na mão, olhava furiosamente para todos os lados. A velha senhora arregalou os olhos e algo lhe veio à cabeça. "Estão todos virando humanos..." ...e aquele cachorro de brinquedo que parecia ter vida própria? Ela tinha que entrar para conferir se o brinquedo estava lá. E aquele em sua frente era a alucinação que tinha. Mas não. Era o filho mais velho que havia perdido há anos atrás, sem ter visto ou falado com ele pela última vez.
– Doflamingo! Eu vou vingar meu pai pela minha família! – ajeitou a pistola que era do falecido pai que havia pegado no baú que havia em casa, e partiu em direção ao castelo.
– Mas... aquele menino... – reconheceu uma das vizinhas, deixando cair o véu que cobria a cabeça.
A mãe ainda estendeu uma das mãos, como se quisesse tocá-lo, antes de cair desmaiada no braço de uma delas.
