Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são meus, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.

ESCUTE SEU CORAÇÃO

Chiisana Hana

Beta-reader: Nina Neviani

Capítulo XXXVII

A ceia de Natal do Condomínio Olympus está bem animada quando Dohko chega ao ginásio vestido de Papai Noel, com barba branca e tudo, e segue pelo salão, distribuindo lembrancinhas a todos. Na vez de Máscara da Morte receber seu presentinho...

(Dohko, mais alto que o necessário) Ho! Ho! Ho! Feliz Natal!

(Máscara da Morte) Hu! Hu! Hu! Vai tomar no...

(Dohko, interrompendo) Onde está seu espírito natalino?

(Máscara da Morte) Joguei no Yomotsu faz tempo.

(Dohko) Isso explica essa sua eterna cara de quem comeu e não gostou.

Nicoletta segura uma risada. Máscara da Morte levanta-se da cadeira.

(Máscara da Morte) Sabe que eu sempre sonhei quebrar a cara de um Papai Noel? Se for chinês então, melhor ainda.

(Dohko, rindo) Nossa! Como ele é bravinho! (agitando um pacote na mão) Criança malvada não ganha presente.

(Máscara) Pega essa merda e enfia no...

(Dohko, interrompendo) Olha o linguajar! Ainda mais à mesa! Coisa feia!

Nicoletta segura outra risada.

(Dohko) Agora vou continuar distribuindo os presentes. Não posso ficar dando atenção só ao menino mal comportado do Santuário. Ho! Ho! Ho! Tem presente para você também, Nicoletta!

(Nicoletta) Pra mim? Ai que emoção! (abraçando Dohko com empolgação maior que a necessária) Obrigada, mestrinho! (ao pé do ouvido) Se precisar de mim, é só chamar.

(Dohko, rindo) De nada! Ho! Ho! Ho!

(Máscara, sentando-se) A pior coisa que aconteceu na minha vida foi esse chinês virar mestre.

(Nicoletta) Ele é tão engraçado! E gato! E gentil! E que peitoral ele tem! Quando abracei ele, eu senti aquele peitoral no meu silicone! E ainda lembrou de mim! Que fofo!

(Máscara) Engraçado é o caralho.

(Nicoletta) Aiii! Relaxa, bofe! O que você ganhou?

(Máscara, jogando o presente para Nicoletta) Abre aí, não quero nem saber.

(Nicoletta, abrindo o pacote) Uau! (segurando uma risada) Você vai adorar! (rindo) Certeza.

Máscara da Morte olha o presente.

(Máscara) "As mais belas histórias da China". Caralho.

Nicoletta solta uma gargalhada.

(Nicoletta, rindo ) Ele sabe como irritar você!

(Máscara) Está vendo por que eu detesto chinês?

Celina está sentada do outro lado de Máscara da Morte e se manifesta.

(Celina) Então você e o cara perturbado das ideias não se entendem?

(Máscara) Nunca! (olhando para o decote dela) Já eu e você... você sabe...

(Celina) Eu sei. A mona aí é o quê sua?

(Máscara) Amiga. Era um amigo de infância e virou isso aí. Mas amigo é amigo, né?

(Nicoletta) Eu devia dizer "Como é que é? Isso aí? Eu sou simplesmente linda e loira!", mas vou deixar passar, Manu.

(Máscara) Ah, faz muito bem. Se começar a fazer cena, nunca mais pisa aqui.

(Nicoletta) Já fiquei quieta, bofe. Já fiquei! Perder essa boquinha? Nuncaaaa!

(Celina) Hum, você é legal. Me chamo Celina.

(Nicoletta) Estou sabendo. Nicoletta Madonna.

(Celina) Belo nome!

(Nicoletta) Obrigada. Ai, gostei do seu cabelo!

(Celina) Ah, valeu. O seu é bem bonito também, santa.

(Máscara, que está sentado entre as duas) Podem parar com essa conversa de mulherzinha! Não vou ficar aqui no meio ouvindo essa viadagem, não!

(Celina e Nicoletta, rindo) Calma, bofe.

Aproveitando a deixa dos presentes de Dohko, os demais começam a trocar seus presentes também. Shiryu e Shunrei ganham roupinhas de bebê de vários amigos, mesmo caso de Mu e Eiri. Hyoga traz para a filha uma cruz do norte igual à que sua mãe lhe dera, além de uma caixa com diversos pares de sapatinhos. June dá a Shun uma camisa verde, com estampa do Keroppi(1), e ganha uma bolsa dourada. Saga dá a Agatha um pingente de ouro em forma de trevo de quatro folhas, para dar sorte, e ela lhe dá um livro. Angélica presenteia Shura com um disco de música mexicana e ele retribui dando-lhe um porta-joias, com um belo par de brincos dentro. Aldebaran dá a Violet um kit de cosméticos com essências da Amazônia e ganha um relógio. Camus presenteia Elli com um livro de culinária, e ganha uma caixinha com temperos finos. Aiolia mostra a Marin passagens para Paris, onde pretende levá-la para uma espécie de lua-de-mel, o que deixa a guerreira bastante emocionada. Ela o presenteia com uma bela camisa. Lithos oferece um novo tabuleiro de gamão a Orfeu, e recebe em troca um urso de pelúcia.

Depois da troca de presentes, na ponta direita da mesa, Milo e Camus conversam, aproveitando que Elli está fofocando com Shunrei.

(Milo, na cabeceira) Então, qual é o lance com a moça?

(Camus) A Elli? Estamos nos conhecendo.

(Milo, irônico) Ah, sei, conhecendo, né?

(Camus) Ela é uma boa amiga.

(Milo) Que ela é boa estou vendo.

(Camus) Em vez de ficar reparando nela, devia começar logo a investir na sua pretendente.

(Milo) Acha que eu não penso nisso o tempo inteiro?

(Camus) Você admitiu!?

(Milo) É. Do que adianta esconder se toda vez que você me vê acaba tocando nesse assunto?

(Camus) É porque eu acho que seria bom para você...

(Milo, interrompendo) Eu sei. Você é um bom amigo.

(Camus) Você também é, apesar de ser destrambelhado.

(Milo, rindo) Gelinho, sabe o que eu decidi? Vai ser hoje.

(Camus) Hoje o quê?

(Milo) Hoje eu vou resolver essa coisa aí com a Lily.

(Camus) Hum, encheu-se de coragem! Muito bem!

(Milo) É. Vai ser agora ou nunca.

(Camus) Assim que se fala. Boa sorte.

(Milo) Valeu.

Ao lado de Milo, Seika e Shaka tentam não brigar durante o jantar por causa do presente que ela dera ao rapaz.

(Shaka, olhando indignado para a caixa plástica, com portinhola gradeada) Um... um... um... animal?

Ele fala tão alto que chama a atenção dos que estão próximos.

(Milo, Camus e Shura, juntos) Um animal?

(Seika, sorridente) Pois é!

(Milo) Que doida!

(Shura) Dar um bicho ao Shaka não é exatamente uma boa ideia.

(Camus) Que bicho é?

(Shaka, com cara de poucos amigos) Não sei. Não olhei direito, nem abri a caixa.

(Milo) Então abre, ué! Não deve ser nada que morda.

(Seika) É, amor, abre!!

(Shaka, abrindo a portinhola e tirando o bichinho da caixa) Um gato!?

(Seika) Aham!! Bom, na verdade é uma gata! Uma gatinha novinha. Na loja disseram que tem três meses.

(Shaka, sem jeito) E o que eu vou fazer com isso?

(Seika) Cuidar dela, ser um bom dono. Vai lhe fazer bem!

(Shaka) Eu não sei cuidar de bicho!

(Seika) Então vai aprender! Cuidar de um ser vivo requer muito carinho. E você precisa aprender a ter isso!

(Milo) Ela tirou uma onda com a sua cara!

(Shaka) Era só o que me faltava, uma gata na minha casa!

(Seika) Acho bom começar a escolher o nome dela...

(Shaka) Eu vou é escolher um bom abrigo de animais.

(Seika) Você teria coragem de dar o meu presente?

(Shaka) Mas é claro que sim! Não vou ficar com essa gata em casa.

(Seika, gritando) Você é realmente muito insensível!

(Shaka, falando baixo) É, eu sou! Que bom que percebeu.

(Seika, levantando-se irritada) Ah, para mim já chega! Não quero mais saber de você.Adeus!

(Shaka, tranquilo) Adeus.

(Seika, indignada) E sabe o que mais? Você nem beija bem!

(Milo) Ai, ai, foi o melhor fora que eu já vi! Parabéns!!

(Shaka, recolocando a gata na caixa) Estou pouco me importando.

Enquanto isso, do outro lado da mesa...

(Pandora) Você está estranho desde cedo. O que foi?

(Ikki) Nada. Vê se não me enche o saco.

(Pandora) Eu não fiz nada para você me tratar assim!

(Ikki) Então faz o favor de ficar quieta que eu não estou de bom humor.

(Pandora) Ah, já sei... Está pensando na Esmeralda.

(Ikki) Não me provoque...

(Pandora) Oh, como seria o meu Natal se a Esmeraldinha estivesse aqui?

(Ikki) Vai começar? Porque se for começar eu me mando!

(Pandora) Ah, claro, esqueci que a verdade sempre deixa você irritado.

(Ikki) Cala essa boca.

(Pandora) Agora eu não calo mesmo. Vai negar que estava pensando nela? Vai?

(Shun) Vocês vão brigar no meio da ceia de Natal?

(Ikki) Se ela continuar me provocando, vamos.

(Pandora) Não tenho culpa se você não sabe ouvir a verdade.

Ikki faz menção de deixar a mesa, mas Shun o detém.

(Shun) Calma, Ikki. Deixa isso para lá.

(Ikki) Deixa nada! Ela está me provocando!

(Pandora) Sinto muito se você se incomoda com a verdade.

(Shun) Para, Pandora!

(June) Hum, essa aí não vai parar não. Ela é gente ruim!

(Pandora, pausadamente e em tom baixo, com um sorrisinho falso) Cala a boca, sua loira vagaba!

(June, também em tom baixo) Vampira! Piranha!

(Shun, realmente irritado, apertando o braço de June) Já chega, June.

(June, surpresa com a reação dele) Certo. Já parei!

(Shun) Ótimo!

(June) Mas que ela é piranha isso é.

(Shun) June!

(Pandora) Eu vou embora. Essa maldita ceia já não tinha graça... agora então...

Ela se levanta e deixa o ginásio. Ikki vai embora pouco depois.

S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A

Nicoletta senta-se ao lado de Afrodite.

(Nicoletta) E aí, mona?

(Afrodite, seco, fazendo um bico de insatisfação) Oi.

(Nicoletta, irônica) Ah, eu sempre esqueço. Não é mona, não! Liga não, bicha! Ops! Desculpa! Recomeçando! E aí, tudo bom, cara?

(Afrodite) Sim. E você?

(Nicoletta) Estou ótima!

(Afrodite) Agora você praticamente vive aqui, não é?

(Nicoletta) Um pouco. É que aqui eu me sinto ma-ra-vi-lho-sa! Condomínio de luxo, cheio de bofes gatos! É praticamente a visão do paraíso!

(Afrodite) Estou vendo sua empolgação.

(Nicoletta) Pois é. São todos tão lindos! É realmente uma pena que não sobre nenhum para mim.

(Afrodite) Acho melhor você procurar em outra freguesia.

(Nicoletta) Eu sei, meu bem, mas é que olhar não arranca pedaço.

(Afrodite) Ainda bem, pois caso contrário já teria muita gente aqui com diversos pedaços faltando. Principalmente aquelas partes mais sensíveis, não é?

(Nicoletta) Ah, não vou negar que dou uma conferida nessa região. É importante, não é?

(Afrodite) Não sei de nada.

(Nicoletta) Tá... pensa que eu não vi você de olho nos bofinhos de Asg-não-sei-o-quê? Eu sei que você e o Mine estão namorando.

(Afrodite) Isso não é da sua conta! E não é Mine, é Mime.

(Nicoletta) Aham! Mime! Aliás, onde é que ele está agora?

(Afrodite) Também não é da sua conta!

(Nicoletta) Ah, também não precisa ficar ofendida!

Afrodite destina seu olhar mais malévolo a Nicoletta, que se levanta da cadeira...

(Nicoletta, antes de ir para longe de Afrodite) Ih, pesou o ar. Tchau, mona!

S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A

Noutro ponto da mesa...

(Eiri, sussurrando) Soube que você está de namorada nova.

(Hyoga) É, eu estou.

(Eiri) E por que ela não veio?

(Hyoga) Não consegui passagem para ela.

(Eiri, rindo sarcástica) Mais uma boba que vai ser enrolada por você.

(Hyoga) Eu não enrolo ninguém. Não tenho culpa se as pessoas se iludem.

(Eiri) Você bem que gosta que elas se iludam, não é mesmo?

(Hyoga) Não vou discutir isso com você.

(Eiri) Não há o que discutir. Você é assim e ponto final.

(Hyoga, contendo-se) Certo, Eiri. Você deve ter razão para ter mágoa de mim, mas não fique especulando sobre a minha vida amorosa.

(Eiri) Não preciso especular. Sei bem quem você é.

Irritado, Hyoga deixa a mesa e vai para perto de Camus, ocasião em que aproveitam para colocar a conversa em dia.

S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A

Mais tarde.

O convidado que faltava chega ao ginásio com grande estardalhaço, numa moto muito barulhenta. Todos os olhares voltam-se para a porta: a deusa Athena acaba de entrar. Seu vestido está amassado e seus cabelos, assanhados.

(Saori) Boa noite, pessoal! (ao perceber os olhares atônitos) O que foi, gente? É que eu devia ter vindo de limusine, mas o que arranjei foi uma moto velha.

(Dohko, rindo) Ah, sim, muito arrojado. Bom, estou muito feliz com sua presença! Já estava achando que não viria.

(Saori) Achou errado, meu caro! Eu não perderia essa festa por nada nesse mundo!

(Dohko, puxando a cadeira na cabeceira esquerda da mesa) Sente-se, por gentileza. Lugar de honra para a nossa deusa.

(Saori) Ah, por favor! Cabeceira não! Eu vou sentar no meio, entre os meus cavaleiros de bronze.

(Dohko) Claro, como a senhorita quiser.

Assim, os convidados rearrumam-se, abrindo um lugar para ela entre Seiya e Shiryu.

(Saori, ao sentar-se) Olá, Seiya.

(Seiya) Olá, Saori. Cadê o idiota do seu noivo?

(Saori) Não pôde vir.

(Seiya) Não pôde ou não quis?

(Saori) Aí é com ele.

(Seiya) E esse cabelo, hein? Você veio voando?

(Saori) Vim de moto. E sem capacete.

(Seiya) Sozinha?

(Saori) Aham!

(Seiya) Está brincando, não é?

(Saori) Não! A moto está lá fora. Além do mais, é impossível que vocês não tenham ouvido o barulho.

(Seiya) É, ouvimos. Mas você é mais louca do que parece!!

(Saori, sussurrando) É, sou! Eu fugi.

(Seiya) De quê?

(Saori) De um jantar chatíssimo com a nata da high society ateniense.

(Seiya) Incrível! Você deixou os amigos ricos do seu noivo mala para passar o Natal conosco?

(Saori) Exatamente. E sabe, Seiya, me senti ótima ao roubar uma moto e fugir!

(Seiya) Imagino. Mas você perdeu Dohko, vestido de Papai Noel, distribuindo presentes. Agora ele já trocou de roupa.

(Saori) Jura que ele fez isso?

(Seiya) Juro.

(Saori) Dohko é uma pessoa surpreendente.

(Seiya) É.

(Dohko, aproximando-se de surpresa) Já tirei a roupa vermelha, mas o espírito natalino ainda está em mim. Um presentinho para a nossa deusa.

(Saori, rindo comovida) Obrigada. (abrindo o pacote) Oh, uma caixinha de música em forma de piano! Que linda!

(Dohko) Para você se lembrar das coisas que gosta.

(Saori) Verdade. Há tempos que eu não toco piano... realmente não tenho feito as coisas de que gosto.

(Dohko) Eu sei, mas tente fazê-las.

(Saori) Não é fácil. O tempo anda um pouco curto demais.

(Dohko) Não disse que era fácil, mas sempre é possível dar um jeito.

(Saori) Vou tentar. Obrigada, Dohko.

(Dohko, afastando-se) De nada. Com licença.

(Seiya) Eu nunca entendo tudo que ele fala. Mas então você fugiu da festa do seu noivo?

(Saori) É, mais ou menos. Estava bem chato lá.

(Seiya) Claro, conosco é sempre mais divertido.

(Saori) Com certeza. Por isso eu vim.

(Shina, interrompendo) Seiya, não vai me mostrar o que Dohko lhe deu de presente?

(Seiya, fazendo-se de desentendido e voltando-se para Shina) Ah, claro. Mostro sim.

(Shina, sussurrando) Acho bom lembrar que sua namorada sou eu.

(Seiya) Eu não esqueci disso.

(Shina) Não é o que parece.

Saori então volta-se para o outro lado, onde estão Shiryu e Shunrei.

(Saori) Shunrei, foi ótimo falar com você mais cedo. Me deixou com ainda mais vontade de vir.

(Shunrei) Que bom! Mas e o Julian? Não vem?

(Saori) Não. Ele prefere as festas chatas com os amigos chatos e aqueles empregados chatos e aquela governanta chata.

(Shunrei, segurando uma risada) Imagino que sim! Ele também é um pouco... chato.

(Saori, rindo) Às vezes ele é. Mas e vocês, como estão?

(Shunrei) Estamos ótimos, muito felizes.

(Saori) Isso mesmo. Assim que eu gosto de ver todos vocês.

(Shunrei) Sim, mas não devia esquecer de si mesma.

(Saori) Confesso que tenho esquecido, mas vou tentar melhorar.

(Shunrei) Isso mesmo. Assim é que se fala.

Shina não deixa abertura para Seiya voltar a conversar com Saori. Assim, a deusa se levanta de onde está e cumprimenta todos, um a um. Depois, deixa o ginásio para dar uma volta pelo condomínio. Ela observa as casas, cada uma com o estilo de seu dono, e se imagina morando ali, perto de seus cavaleiros. Seria bom, embora isso significasse também ficar longe de Seiya.

(Saori, pensando) Talvez isso não fosse de todo mau, pois longe dele seria mais fácil esquecê-lo.

Ela se aproxima da piscina e senta em um dos bancos. Saori se perde em seus pensamentos, até ser despertada pelo toque da mão de Seiya em seu ombro.

(Seiya) O que faz aqui?

(Saori) Penso.

(Seiya) E no que tanto pensa?

(Saori) Nas coisas que tenho de fazer.

(Seiya) Coisas de que tipo?

(Saori, rindo) Do tipo que não é da sua conta.

Ele então senta-se ao lado dela e, ternamente, abraça-a.

(Saori, desvencilhando-se dele) Acho melhor você voltar para o ginásio. A Shina pode sentir sua falta.

(Seiya, ignorando o comentário) Acho que está bem frio aqui.

(Saori) Não estou com frio.

(Seiya) Bom, nem eu.

(Saori) Então...?

(Seiya) Então o quê?

(Saori) Eu não sei o que dizer. Não tenho assunto.

(Seiya) Mas eu tenho.

Ele aproxima o rosto do dela e a beija. Ela corresponde. Há muito desejava beijá-lo outra vez. Assim, entrega-se ao beijo, mas logo cai em si e para.

(Saori) Seiya, não podemos... Você tem namorada e eu estou noiva.

(Seiya) Eu sei disso. Mas também sei que nos amamos, e que nunca vamos deixar de nos amar.

(Saori) Para com isso, Seiya. Nós terminamos nosso namoro. Não temos mais nada um com o outro.

(Seiya) Terminamos, mas está bem claro que ainda nos amamos.

(Saori, hesitante) Não é verdade.

(Seiya) É verdade sim.

(Saori) Já disse para parar com isso!

(Seiya) Ainda não entendi por que você está com aquele babaca.

(Saori) Como não? Você está com Shina não está?

(Seiya) Estou, mas eu não tenho mais certeza se é isso que eu quero. Na verdade, eu nunca soube direito se queria ficar com ela ou com você.

(Saori) Então o mestre tem mesmo razão. Você precisa se decidir. Só não se decida por mim, pois já sou comprometida.

(Seiya) Manda aquele babaca passear! Eu sei que você me ama.

(Saori) Sabe nada!

(Seiya) Sei, sim!

E ele torna a beijá-la. Agora ela reluta um pouco, mas ceder é inevitável. O beijo logo se transforma em carícias intensas, até que uma das mãos dele ergue parcialmente o vestido dela e aperta a coxa com força.

(Saori) Para, Seiya. Estamos na beira da piscina, qualquer um que sair do ginásio poderá nos ver.

(Seiya, com expressão maliciosa) Quer dizer que se formos a um lugar mais tranquilo poderemos continuar?

(Saori, hesitante) Não! Eu... eu não quis dizer isso!

(Seiya) E quis dizer o quê?

(Saori) Quis dizer que não devemos continuar de jeito nenhum!

(Seiya, puxando-a) Vem comigo!

(Saori) Eu não quero ir a lugar nenhum!

(Seiya) Mas vai assim mesmo! Eu tive uma ideia.

Ele a leva até a entrada dos fundos de uma das casas do condomínio...

(Saori) É a casa da Shina!!

(Seiya) É. Isso mesmo.

(Saori) Já está tudo errado, e eu não vou tornar as coisas mais erradas ainda! Não vou entrar na casa da Shina.

(Seiya) O que é que tem?

(Saori) Tem que não está certo. Nada disso está certo.

(Seiya) Então vamos para onde?

(Saori) Vamos voltar ao ginásio.

(Seiya) Não vamos, não! Tive outra ideia! Cadê a chave da moto?

(Saori) Está lá. Seiya... não!

(Seiya, erguendo as sobrancelhas, e puxando Saori para perto da moto) Sim!

(Saori) Não podemos!

(Seiya) Podemos, sim!

(Saori) Não!

Seiya e Saori sobem na moto e, com ele pilotando, saem. Saori segura firme na cintura do cavaleiro.

(Saori) Agora você piorou as coisas. Menor de idade, com outra menor de idade, pilotando moto roubada, sem capacete. Está ótimo, realmente ótimo.

(Seiya) A Fundação GRAAD resolve as coisas se rolar algum problema.

(Saori) Até parece que a Fundação resolve tudo.

(Seiya) E não resolve?

(Saori, rindo) Bom, resolve quase tudo.

Os dois continuam o caminho em direção à autoestrada, afastando-se do condomínio. Seiya para a moto num motel decrépito, vazio àquela hora, ainda mais por ser noite de Natal. Apenas um recepcionista solitário e meio bêbado está lá, vendo um programa de TV.

(Seiya) Queremos um quarto.

(Recepcionista, olhando Seiya e Saori de cima a baixo) Vocês são menores de idade, não são?

(Seiya, pouco convincente) Claro que não! Imagina!

(Recepcionista) São, sim!

(Seiya, com dinheiro na mão) Vamos pagar! Além do mais, não tem polícia por perto para fiscalizar, então relaxa e libera.

(Recepcionista) Tá, tá, presente de Natal para você, guri. (jogando a chave) Quarto número dois.

(Seiya) Beleza!! Valeu, cara!

Seiya anda pelo corredor, puxando Saori pela mão. Ela parece se divertir com a cena mais que improvável: descabelada, com o vestido amassado, andando pelo motel mais sem classe que poderia existir, em plena noite de Natal, e na companhia de Seiya. Ele abre a porta do quarto. Os dois entram.

(Saori, examinando o interior) Até que é menos sujo do que eu esperava!

(Seiya) Pois é, não é tão ruim.

(Saori) Acha mesmo que isso está certo?

(Seiya) Mais certo impossível.

(Saori) É um lugar bem pouco romântico.

(Seiya) O que importa é que nos amamos.

(Saori) Ainda acho que não é certo.

(Seiya) Eu sei, mas eu gostaria que a minha primeira vez fosse com você.

(Saori, surpresa) Primeira...? Você e a Shina ainda não...?

(Seiya, fazendo cara de coitado) Não. (pausa longa) No final das contas, acho que tinha de ser com você.

(Saori) E o que você vai dizer quando ela souber?

(Seiya) Não sei. Depois resolvo.

(Saori) Isso é uma atitude bem inconsequente, para não chamar de sacana.

(Seiya) Que seja. Mas é a única oportunidade que eu tenho, e eu não vou desperdiçá-la.

Ele torna a beijar Saori. Depois, os dois despem-se apressadamente e trocam carícias igualmente apressadas. Deitam-se na cama, que faz um rangido choroso, e param. Ela deixa que ele desfrute da visão de seu corpo pronto para recebê-lo. Ele deita-se sobre ela e delicia-se com a sensação jamais experimentada. Está acostumada com a experiência de Julian, com sua personalidade dúbia, ora um poço de delicadeza, e outras vezes incompreensíveis arroubos de brutalidade, que ela costuma chamar de "momentos Ikki", pois imagina que seu cavaleiro seja assim na cama. Mas naquele momento, a inexperiência de Seiya é o que menos conta para ela. Fazer amor com ele vale mais que qualquer outra coisa em sua vida.

Assim que acabam, mais rápido do que esperavam, os dois ficam abraçados por alguns minutos.

(Seiya, sorrindo de orelha a orelha) Foi como eu esperava, com a mulher que eu amo. Agora sabe o que eu vou fazer?

(Saori, um pouco tensa) Não tenho a menor ideia.

(Seiya) Assim que a ceia acabar, vou conversar com a Shina e resolver minha situação com ela.

(Saori, desvencilhando-se do abraço) Seiya, se você acha que vai fazer a coisa certa, tudo bem, mas não espere que fiquemos juntos.

(Seiya, confuso) Como não?

(Saori) Não. Não posso.

(Seiya) O que é que lhe prende ao Julian? Você acabou de provar que me ama. Por que vai ficar com ele, se estou dizendo que quero ficar com você?

(Saori) Porque é o que devo fazer.

(Seiya) Não acredito nisso! Você... eu... achei que ficaríamos...

(Saori, tentando não chorar) Eu não posso. Juro que não posso.

(Seiya) O que ele fez com você?

(Saori) Não é ele. Sou eu. E eu não posso ficar com você.

(Seiya, irritado, chorando, levantando-se da cama) Tá. Vista-se. Vamos embora.

(Saori, resignada) Certo.

Os dois se vestem e saem do quarto. O recepcionista olha para eles com um olhar malicioso, mas ao ver as expressões de desagrado de ambos, ele logo desvia o olhar. Seiya paga, enquanto Saori se apressa em ir para o lado de fora. Sobem na moto e vão embora em silêncio.

S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A

Condomínio Olympus

Dentro do ginásio, a festa continua. Todos se divertem, o clima é amistoso e, de certa forma, romântico. Camus e Elli conversam animadamente sobre culinária e a cada minuto descobrem que têm mais coisas em comum do que pensavam. Aldebaran e Violet já planejam uma viagem para visitar o país de origem do cavaleiro. Saga tenta convencer Agatha a ficar na Grécia, mas ela continua relutando. Celina e Máscara da Morte acabam de deixar a festa. Shura e Angélica estão entre os poucos casais que se arriscam a dançar, mesmo caso de Dohko e Fatma. Depois de entregar os presentes, ele sentara-se perto de Shiryu de Shunrei, mas logo puxara a enfermeira para a pista. Kanon flerta com a empregada de Ikki e Pandora. Tímida, a moça apenas sorri e desvia o olhar. Aiolia e Marin também tentam dançar, enquanto Lithos e Orfeu trocam carinhos discretos à mesa. Shaka já deixara o ginásio, levando a gata. Afrodite também já tinha ido para casa.

Milo está sentado à mesa, tomando o último gole do vinho em sua taça. Depois de fazê-lo, ele respira fundo, levanta-se e vai até Lily, que está ao lado de Rose.

(Milo) Ehr... não gostaria de dançar?

(Lily, sem olhar para ele) Não, obrigada.

(Milo, puxando uma cadeira) Então eu posso ficar aqui com você?

(Lily) Se quiser...

(Milo) Legal a festa, né?

(Lily) Sim.

(Milo) Pois é.

(Lily) É.

Os dois ficam assim, sentados lado a lado, sem nada dizer. Ele pensa um jeito de mostrar a ela que está apaixonado, ela pensa que tem de parar de achar que ele está apaixonado. Milo segura a mão direita da moça, que se sobressalta, mas não tira a mão. Está gostando de sentir o calor da pele dele.

(Milo) Lily, eu... nós... será que poderíamos dançar? Eu... queria... muito...

(Lily) Acho melhor não.

(Rose) Ok. Já percebi que você quer falar com ela e eu estou atrapalhando. (levantando-se) Com licença, eu já vou. Preciso mesmo descansar...

(Lily) Tá. Boa noite.

(Rose) Boa noite, Lily-Ana.

Lily baixa o olhar ao ouvir o apelido. Há muito Rose não a chamava assim. Milo não percebe que o gesto magoara Lily, e continua a falar.

(Milo) Eu acho que você pode ter ouvido falar muita coisa de mim, provavelmente muita coisa ruim...

(Lily, olhando rapidamente para ele) Um pouco.

(Milo) É, eu imaginava. E não vou negar que a maioria dessas coisas deve ser verdade. Mas se eu estou aqui do seu lado é porque eu... (respira fundo) Eu estou gostando sinceramente de você.

A moça olha para ele ainda mais assustada, levanta-se, e deixa o ginásio. Milo fica parado, ponderando se fizera a coisa certa.

(Milo, indo atrás de Lily) Nenhuma mulher vai me deixar falando sozinho, ainda mais quando é a primeira vez que eu digo a uma delas que estou apaixonado e isso é verdade! (do lado de fora) Espera! Eu falei sério! Estou mesmo apaixonado por você.

(Lily) Para! Eu não gosto dessas brincadeiras!

(Milo) Não estou brincando! Juro que não estou! Eu me apaixonei por você.

(Lily) Você só quer me magoar.

(Milo) Longe de mim! Eu quero o melhor para você. Como posso desejar o mal de alguém de quem gosto? E eu quero saber se você também sente o mesmo por mim.

(Lily, olhando para o chão) Eu... eu não sei.

(Milo) Não sente nada por mim?

(Lily) Eu não disse isso...

(Milo) Se você sente alguma coisa por mim, então podemos tentar?

(Lily) Tentar o quê?

(Milo) Namorar, ué!

(Lily, assustada) Eu e você?

(Milo) É. Você quer?

(Lily) Jura que não é uma brincadeira?

(Milo) Claro que não é. Por que seria?

(Lily) Eu... eu... preciso pensar.

(Milo) Certo. Então, me procure quando se decidir.

Milo vira-se de costas e dá dois passos como se fosse embora, mas logo se volta de novo para Lily, toma-a nos braços e a beija. Ela protesta, mas ele insiste até vencê-la e fazer com que corresponda ao beijo. Nunca beijara ninguém que realmente amasse e agora podia sentir a diferença entre todos os beijos anteriores, motivados apenas pelo impulso sexual ou pela vaidade de ter determinada mulher nos braços, e o beijo movido pelo amor. Este é infinitamente superior. Pela reação dela, Milo percebe que é seu primeiro beijo. O corpo da garota treme levemente entre os seus braços fortes e as mãos dela, antes frias, agora estão quentes. Lily não sabe direito o que fazer, mas mesmo assim, para ele, aquele é o melhor beijo de toda a sua vida. Milo para devagar, e dá beijinhos sobre os lábios dela, que ainda mantém os olhos fechados.

(Milo) Agora entendeu que estou mesmo apaixonado por você?

Ela nada responde. Está surpresa, extasiada, confusa, e a face vermelha comprova seu nervosismo.

(Milo) Não estou brincando. Quero mesmo ficar com você. Eu sei que tenho fama de mulherengo, e eu era mesmo, mas a partir de agora eu quero ficar só com você.

(Lily, finalmente dizendo algo) Mas eu não sou como as mulheres que você gosta... não sou como a minha irmã.

(Milo) Você não é, mas é de você que eu gosto. E é com você que eu quero ficar.

(Lily) Tem certeza?

(Milo) Isso é coisa que se pergunte? Claro que eu tenho certeza.

(Lily) Sei lá...

(Milo) Não seja boba. Estou sendo sincero. Mas se você precisar mesmo de um tempo, eu vou esperar.

(Lily) Milo... eu... eu também gosto de você. Eu quero namorar.

(Milo, abrindo um sorrisão) Assim que se fala. E você não vai se arrepender. Eu juro!

Ele a toma nos braços outra vez e torna a beijá-la. Depois, caminham juntos até a casa dele e sentam-se na soleira da porta de entrada. Ele põe o braço direito no ombro dela, ela encosta a cabeça no peito dele.

(Lily) Esse é o melhor dia da minha vida.

(Milo) Acho que da minha também. Eu quero fazer você feliz, Lily.

(Lily) Já está fazendo. Mas a Rose vai querer me matar.

(Milo) Ela que se meta com você. Vai ter que se ver comigo. Qualquer um que se meter com você, vai ter que se ver comigo!

(Lily, rindo) Você é bravo.

(Milo) É, quando se trata das coisas que amo, eu sou.

Continua...

S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A

(1) Mais um personagem da Sanrio. Aquele sapinho verde, sabe?

S - - - - A- - - - I - - - - N - - - - T -- S - - - - E - - - - I - - - - Y - - - - A

Genteee! Não teve capítulo mais enrolado que esse! Fiz e refiz mil vezes!

Eu tinha planejado que Dohko daria presentes com recadinhos a todos, mas pensem na confusão que isso causou!! Eu não conseguia deixar como eu queria de jeito nenhum! Até que resolvi cortar isso e mais um monte de outras coisas. Ficou pronto, mandei para a beta-reader, maaaaaaaas resolvi mexer de novo em tudo, cortar mais coisas, acrescentar outras. Aliás, postarei as cenas cortadas no blog.

E, depois de quase setenta capítulos, contando com "O Casamento", o Seiya perdeu a virgindade! Aleluiaaaaaaaaa!!

Povo, povo, acho que essa fic está chegando ao fim! É que como já está muito grande, é provável que eu a divida em duas. Já ando até pensando no nome da continuação...

É isso!

Beijos a todos e até já! (Ou não!)

Chiisana Hana