36-Capitulo 36: Let it be

N/A: Oi oi! Voltei com dois caps na manga! Não esqueci de vocês e estou vivinha. Não! Nenhum comensal atacou minha casa, nenhum desabamento me fez ficar offline, masss a minha vida de universitária me tirou do ar por uns tempos. Meus amores, tenho um telejornal, uma revista, e um site pra estudar e montar até outubro então sintam-se felizes por eu ter conseguido editar dois caps quando ainda tenho que trabalhar (muito), dar atenção pro meu namorado e cuidar de minha pessoinha. Isso não é nada fácil! Mass estou aqui para compensá-las. Espero que tenham a compaixão de recompensar a fictiwer esforçada de vocês com comentários e Recs! Sério galera, vcs n sabem o esforço que estou fazendo pra postar.

Bjs e espero que apreciem! P.S: Sem betagem, desculpem pelos erros.

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Deixe estar...(Beatles)

A cabine do trem estava silenciosa. Nenhuns dos jovens, antes tão falantes e brincalhões, estavam dispostos a tecer qualquer tipo de comentário. Falar parecia tocar a ferida com sal e fazer arder. Lílian tinha a cabeça deitada no ombro de James. O rapaz dormia e ela observava a janela. Dorcas também dormia e Remus lhe dispensava um carinho nos cabelos. Foram tantas lágrimas e tanta revolta. James gritou inconformado no enterro simbólico do pai. Dorcas não queria ir, recusando-se a acreditar que a irmã tinha lhe deixado. Peter apareceu na cerimonia e foi tão gentil e companheiro com todos que ganhou um espaço no coração de Lílian. Ela observou que o jovem gordinho, agora um pouco distante da turma por causa do namoro, sabia exatamente como distrair James dos sentimentos ruins e o sentimento de agradecimento por ele tomou conta dela. O senhor Grant também apareceu e consolou Margaret, já que Mellani não o deixou chegar perto, foi um enterro conturbado e difícil, mas todos enfrentaram. O pai de Dorcas estava inconformado, mas ficou o tempo todo ao lado da filha.

Ela olhou novamente em volta, até alguns minutos Peter estava na cabine, mas Matilda o chamou e ele foi ter com a namorada respeitando a dor dos amigos. Mellani fingia dormir, mas estava tensa de mais para conseguir descansar. Lílian sentia tanto pela amiga que era como se tivesse passado pelo mesmo. Lembrar que por questão de segundos estariam na mesma situação fez à ruiva ficar mais depressiva. A porta do compartimento abriu e Sirius entrou. Remus fechou os olhos fingindo dormir. Lílian voltou seu olhar para a janela, mas podia ver o reflexo. Primeiro Sirius sentou de frente para a loira, depois se ajoelhou na frente dela e segurou-lhe as mãos:

-Eu sei que não está dormindo.- Sussurrou e ela abriu os olhos encarando-o. Ele fazia um carinho nas mãos delicadas dela- C-como você está?- Ela o olhou com dor e se levantou.

-Vou ao banheiro.- Saiu da cabine. O rapaz sentou no lugar dela e engoliu em seco. Uma lágrima caiu de seu olho e ele limpou rapidamente. Lílian virou lentamente encarando-o. Ele sentiu vergonha. Foi a ruiva que o encontrou em estado deplorável no chão do corredor. Naquele dia ela sentou ao lado dele e Sirius não conseguiu entender por que, mas deitou a cabeça no ombro dela e chorou. Ela não disse uma palavra, nada, apenas ficou ali ao lado dele esperando que ele se acalmasse e não fizesse nenhuma besteira e quando ele voltou a si abraçou-a brevemente, sentindo-se um tremendo idiota, e saiu de lá sem ao menos agradecer.

-Nós precisamos ser fortes Sirius.- Sussurrou- Se quebrarmos junto eles não aguentam.

-Por que acha que eu quero estar ao lado dela?- Respondeu de maneira idiota, apenas por responder. Por não conseguir se refrear

-Por que você a ama.- Devolveu firme e virou a cabeça para a janela. Sirius saiu da cabine meio desnorteado. Remus abriu os olhos e encarou Lílian

-Como vamos seguir?- Sussurrou preocupado e deixou algumas lágrimas escaparem

-Você são os Marotos, sempre dão um jeitinho pra tudo.- E sorriu fracamente. Remus sorriu de volta. Era algo difícil de crer. Que conseguiriam seguir.

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Mellani olhou-se no espelho do banheiro. O balanço do trem fazia o lavatório tremer de leve num barulho irritante. Encarou por longos minutos o próprio reflexo perguntando-se o que tinha de errado, o que estava errado para que toda aquela merda caísse sobre sua cabeça. Seus olhos correram até uma pichação no canto "Deus está aqui". Ela bufou, não conhecia muito ao tal deus que os trouxas tanto diziam, mas de uma coisa ela sabia, ele não estava presente quando aqueles monstros invadiram sua casa e muito menos quando Amanda e seu tio morreram. Lembrava vagamente da mãe de Lílian explicando-lhe sobre carma, vidas passadas e conseqüências do que tinha feito. Olhou-se novamente no espelho. Se aquele era o preço que pagava por ser uma garota difícil alguma coisa estava errada porque Voldemort, Avery e tantos outros não estavam pagando pelos próprios erros. Engoliu em seco sentindo raiva da própria aparência e da pessoa que era. Enquanto olhava para o próprio reflexo sentia uma pressão no peito como se pudesse morrer. A ideia de deixar de existir lhe foi tentadora. Na mesma velocidade que o pensamento de se matar lhe veio à mente ele passou, não podia fazer aquilo com James e sua tia. Seria egoísmo de mais fazê-los passar por mais dor quando já tinham que lidar com a ausência de Harry. Engoliu em seco e não conseguiu mais encarar o espelho. Deu um soco forte no reflexo. Sua beleza parecia zombar do que aconteceu. Ela não podia continuar bonita depois de tudo aquilo. Sentiu os cacos do espelho entrarem em sua pele e gemeu. A dor física aliviou a dor interna.

-Onde você está?- Sussurrou para o nada sentando no chão do banheiro- Se você é onipresente, se você nos ama e se você realmente é nosso pai como dizem por aí... Por que essa guerra está acontecendo?- Segurou a mão que sangrava e retirou os cacos sentindo dor.- Você parece mais um sádico do que um pai... Um único sinal... Uma única luz...- Deixou algumas lágrimas escaparem- Ou eu não vou pensar duas vezes em acabar com tudo isso.- E abraçou os próprios joelhos enquanto sentia a mão latejar.

O balanço do trem parou fazendo Sirius despertar. Ele se levantou espreguiçando-se e todos fizeram o mesmo

-Onde está a Mel?- Perguntou olhando para Lílian. James arqueou uma sobrancelha surpreso com a pergunta do amigo

-Não voltou até agora.- Remus murmurou- É melhor alguém ir atrás dela que não seja...-Sirius já tinha saído da cabine- Você.

-Ele está muito preocupado com ela- Dorcas sussurrou- E acho que não sabe lidar com isso.

-Então é melhor ele cair fora antes que a machuque mais.- James murmurou com pesar e Lílian meneou a cabeça negativamente.

O primeiro lugar que o Maroto procurou foi no bagageiro, Mellani sempre ficava por lá, mas estava vazio. Decidiu ir até o banheiro e forçou a porta. Tentou de novo. Estava trancada. Uma garota saiu do banheiro ao lado

-Isso é um banheiro feminino Sirius.- Ele não conhecia aquela menina, mas era normal para o Maroto, pessoas saberem quem ele era.

-O dos meninos está cheio.

-Então vai nesse, alguém entrou nesse aí tem horas e não saiu mais.- O coração dele apertou e com um feitiço simples abriu a porta. Viu Mellani encolhida no chão e fechou a porta atrás de si. Ela estava chorando, com a mão cortada e os cacos de espelho ao redor.

-Saí daqui Sirius.- Murmurou quase sem forças. Ele ficou surpreso por ela saber que era ele sem ao menos levantar a cabeça. Ele chutou os pedaços de espelho e sentou ao lado dela. Puxou-a pra si e a loira se deixou abraçar enquanto chorava cada vez mais sentida. Sirius começou a arfar enquanto a abraçava mais forte. Estava completamente confuso e desolado. Ele beijou o topo da cabeça dela com preocupação e continuou abraçando-a enquanto ela chorava cada vez mais sem controle. Para ele era novo, estranho e completamente sem sentido ter aquela preocupação em relação a ela. Ficou em silencio apenas abraçando-a enquanto pensava no quanto eram iguais. Foi aí que entendeu mais ou menos o que sentia, pensou que seu sentimento era porque não queria perder uma pessoa tão parecida com ele. Saber que Mellani era tão impulsiva, maluca e livre feito ele era um conforto. Sirius quis acreditar que suas atitudes eram movidas por um sentimento de empatia gerado por suas personalidades quase idênticas. Ele se recusava a acreditar no que Lílian disse, ele não conhecia o amor romântico, ele não conhecia a paixão ao ponto de ficar feito James. Ele não sabia como era. Ele não tinha ideia que para cada pessoa aquilo vinha de uma maneira diferente e por isso não se identificava nessa situação. Não conseguia ver que estava quebrado por dentro e o motivo era que Mellani sofria. Mesmo em completa ignorância de seu estado emocional Sirius era uma pessoa inteligente e lá no fundo, abaixo de todo orgulho e teimosia, ele desconfiava de que Lílian estava certa.- Eu não quero a sua pena.- Ela sussurrou- Não tem que ser legal comigo porque eu gostava de você.- Sussurrou sem coragem de se afastar dele. Sirius continuou calado, sem forças para responder o que queria, sem vontade de deixá-la saber.

-Eu estou aqui. Isso não é o suficiente?

-Por enquanto...- Sussurrou agarrando-se mais a ele e fechando os olhos. A porta do banheiro abriu e Lílian apareceu. Os dois se separaram e Mellani limpou a mão e o rosto. Sirius se levantou e passou por ela de cabeça baixa. As amigas se encararam longamente e Lílian sorriu fracamente. Antigamente a loira teria forças para inventar alguma desculpa, mas seu orgulho foi deixado de lado no momento em que Avery fez o que fez. Mellani saiu andando e deixou a amiga para trás. Precisava encarar os dias que viriam, como ela faria isso, não tinha nem ideia.

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-Nossa.- Cortney murmurou durante o jantar pós recesso.

-O que foi?- Gabriel questionou curioso

-Eles estão acabados.- Comentou olhando diretamente para Sirius. Os Marotos estavam calados. Lílian, Camila e Dorcas no meio deles. Peter parecia um tanto quando deslocado, mas mesmo assim tão sério quanto os outros rapazes. Todos repararam no silêncio. Todos repararam na tristeza e na depressão coletiva do grupo. Ninguém nunca pensou que veria qualquer um dos Marotos calado. Remus talvez, como sempre ficava em certa época do mês, mas nunca s quatro. Nunca James e Sirius, principalmente no salão principal onde podiam falar a vontade. Era bizarro

-Nossa...-Gabriel ficou impressionado- Realmente. Bom, devem estar pagando por algo que aprontaram.- Naquele instante Lucas sentou ao lado de James e eles trocaram poucas palavras. Minutos depois os membros do time pareceram ficar mais calados e Cortney queria muito saber o que estava acontecendo. Se levantou e foi até Lucas. Gabriel observou a garota trocar palavras apressadas com o membro do time e voltar para sua direção completamente pálida. – O que aconteceu? Foi algo com a Lily?

-Você não esquece essa garota não é? Até parece que gostou dela.

-Ela era legal no fim das contas.

-Sim.- Cortney sentiu-se um pouco culpada- Ela e Dorcas... A Dorcas não merecia isso.

-O que aconteceu?

-Lembra que ela perdeu a mãe em South Hampton?- Gabriel assentiu- A irmã dela estava vivendo com os pais do James... Houve um ataque na mansão Potter... O senhor Potter e a irmã da Dorcas morreram.- Gabriel levou a mão a boca sem acreditar. Cortney falou um tanto quanto alto e muitos ouviram. Logo um burburinho se formou

-Eles estão machucados.-Gabriel comentou- Até o Potter, olha só, com o olho meio roxo.

-Deve ter sido pesado.- Cortney estava arrasada-Queria falar com a Dorcas, mas não sei se ela vai me receber bem.

-Depois de tudo que a gente fez? Duvido. Eles estão sofrendo, mas... Não precisa se preocupar. Esqueceu que são os queridinhos?

-Não está ao menos abalado?

-Não.- Mentiu. Ele estava morrendo de medo da sua família ser a próxima ou qualquer coisa do tipo- E é melhor não ficar muito perto de mim se quer Lucas de volta.- Cortney sorriu de lado

-Quero os dois.- Gabriel sorriu de lado e levou seu olhar a mesa da corvinal. O jeito que Peterson olhava para Lílian significava que a noticia já tinha se espalhado. Um burburinho intenso se fez quando Mellani entrou no salão principal. Ela estava com a mão enfaixada, um corte no canto do lábio e um roxo do lado esquerdo do rosto próximo ao olho. O que mais impressionava era o jeito dela. Não tinha a atual arrogância rodeando sua pessoa, pelo contrário, um ar pesado de derrota a dominava, os olhos inchados indicando choro, a cabeça baixa. Nada lembrava a Mellani que todos conheciam e odiavam. Aquela garota era outra. Ela caminhou até os Marotos e Sirius pulou uma cadeira fazendo-a sentar ao lado dele. A loira não se importou, mas todos perceberam com surpresa o silencio entre os dois, sem brigas ou provocações, estavam jantando lado a lado e nenhum feitiço foi lançado, nenhum reboliço começou. De um jeito estranho o silêncio se abateu na mesa da Grifinória e todos comiam calados.

Sirius sentiu-se aliviado quando Mellani entrou no salão principal e mais calmo ainda quando ela sentou ao seu lado. De maneira discreta sem que ninguém reparasse ele entrelaçou sua mão a dela por baixo da mesa. Mellani o olhou seriamente, mas não quebrou o contato. Passaram o jantar inteiro de mãos dadas. Ela gostou de sentir os afagos ocasionais que ele lhe fazia. Ninguém notou, mas Sirius sentiu o coração mais acelerado e as bochechas quentes todo o tempo que teve a mão dela junto a sua.

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-Está sendo muito difícil acalmar Dorcas?- Camila perguntou a Remus. Tinham voltado do jantar a pouco tempo e ele esperava a loira descer do dormitório para ficar um tempo junto dela. A palavra namoro não foi dita entre eles, mas todo mundo percebeu a maneira possessiva que Remus ficava em torno dela.

-Ela foi tomar um banho agora, mas... Ela está muito calada. Chorou muito a noite e tem problemas para dormir, mas depois do que vimos... Todos nós estamos com problemas.- Camila assentiu

-Carter conversou muito comigo de uns tempos pra cá.

-Não sabia que eram amigos.

-Depois daquele baile nos aproximamos.- Remus corou. O baile parecia uma lembrança tão distante e feliz. O ataque tirou muito deles, inclusive a noção de tempo. Voltar para escola, para o meio das pessoas que não tiveram suas vidas mutiladas, era muito estranho. Nem parecia que fazia mais parte do grupo de jovens, sua dor, novamente, o fez amadurecer mais rápido e dessa vez ele sabia que, entre os presentes naquele fatídico natal, o mesmo acontecia.

-Eu realmente sinto muito por tudo. Principalmente por Mandy.- Camila sentiu os olhos marejarem- Ela não merecia isso.- Remus assentiu. Queria mudar de assunto

-Tem conversado com Carter hã?- Brincou tentando sair daquele clima

-Sim. Ele me chamou para o seu grupo de treinamento. Pra parte dos estrategistas, junto com você, Alice e Mellani.

-Oh... Isso é ótimo. Se preparar é ótimo.

-Eu queria tomar parte do projeto para ajudá-los.

-Bom, quando fizermos a próxima reunião, com o Carter presente.- Ela assentiu e encarou-o longamente- Podemos te apresentar o que estamos montando. Vai nos ajudar muito. –Um silencio constrangedor pairou entre eles- Camila eu... Camila...- Suspirou- Eu sinto muito por tudo que aconteceu. Sinto mesmo. Eu não queria te machucar. Não queria te fazer sofrer.

-Só percebeu tarde de mais a quem seu coração realmente pertence.- Ele assentiu sem jeito e ela o abraçou

-Eu sinto muito... Sabe que se não fosse Dorcas seria você!- Murmurou triste por ter feito uma garota tão incrível como Camila sofrer

-Mas ela existe e você a amava antes mesmo de perceber que ela era sua companheira. Sempre foram amigos, sempre apoiaram um ao outro. Eu só... Cheguei depois.- Ela não aguentou e deixou algumas lágrimas escaparem- Você não tem culpa de ser tão incrível.

-Você também o é. – Ele murmurou se afastando da metamorfoga- É tão incrível que... Merece alguém bem melhor que eu.

-Não se preocupe Remus.- Sorriu sem jeito- Eu vou superar. Além do que...- Sorriu sem jeito- A Lily me disse uma vez que nós nunca ficamos com o nosso primeiro amor.- Remus parou para pensar um pouco e assentiu sorrindo sem jeito- Eles vem, as vezes acontecem, as vezes só nos deixam na vontade, mas...Sobra só a lembrança.- O rapaz assentiu, pensou nele e Mellani, em Dorcas e Sirius.

-Eu não sabia que... Era o seu primeiro amor.

-Ainda o é.- Sussurrou- Mas vai passar. Relaxa.- Beijou o rosto do Maroto demoradamente- Boa noite Remus.

-Boa noite.- Ele ficou sentado no sofá olhando longamente para o tapete. Um tempo depois Dorcas chegou e aconchegou-se a ele. Mesmo com tudo que houve seu coração sentiu-se em paz. Tê-la segura em seus braços era o suficiente para seguir em frente. Remus deu razão a Lílian, eles dariam um jeitinho, eram os Marotos.

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-Sirius.- James chamou de sua cama

-Sim?- A voz dele respondeu quebrando os roncos de Peter. A escuridão predominava no dormitório.

-Como você descobriu o que estava acontecendo? Como...-Engoliu em seco- Como escapou da sua casa?

-Eu estava irritado com a presença do Malfoy... Ele e a Narcisa casaram, mas...-Revirou os olhos- Mas continuam indo lá visitar minha tia. A Bellatrix também estava lá, mas o marido dela não, e aquela cachorra estava bem agitada e esquisita. Ela nunca fica ansiosa, é uma pedra de gelo. Eu achei tudo muito estranho e subi pra falar com você. Peguei o espelho e ouvi vozes estranhas no seu quarto e barulhos de feitiços. Estranhei pra caramba, você não respondia. Aí um deles gritou que tinha conseguido abrir a biblioteca e o que estava no quarto... Tinha a mesma voz do marido da minha prima. Eu fiquei realmente preocupado e desci. Quando o fiz meu tio Alphard tinha acabado de chegar e estava gritando com a Bellatrix exigindo saber dos seus pais. Juntei dois mais dois e me intrometi. Foi uma briga e tanto. –Deu uma pausa e estalou os lábios- Aparatei com meu tio diretamente lá e ele mandou uma mensagem para Dumbledore.

-O que você viu?

-Quando eu cheguei a Lily estava no chão com aquele cara em cima dela e o Avery...- A voz de Sirius travou e ele suspirou- Você sabe muito bem o que eu vi.- James também suspirou e virou na cama. Pode ver os contornos de Remus e Dorcas por uma fresta da cortina do amigo.- Meu tio foi expulso da família e antes que perdesse o direito da herança e rata da Walburga desse um jeito de roubar o dinheiro dele... Passou tudo pra mim. Desde propriedades até a pequena fortuna do banco. Fez todo o tramite com moeda trouxa pra minha mãe não saber e não controlar até que eu faça 17. Eu vou poder sair de casa finalmente.

-Você sempre foi bem vindo na minha.- James sussurrou e o outro sorriu fracamente

-Não queria que seus pais fossem acusados de seqüestro.

-Acho que isso nem importa mais. Minha mãe vai perder a guarda da Lily.

-Mas isso também não importa agora. Vocês estão sob proteção ministerial.

-De que vale? Tem tanta gente infiltrada naquela merda que está mais seguro não ser protegido deles.

-A ordem os protegem. Hogwarts também. Além do mais, podem ficar na casa do Carter até sua mãe arrumar um local seguro.

-Eu não queria deixá-la sozinha. Está muito depressiva. Mandy a ajudava, mas ela perdeu os dois de uma vez e está em choque com o que aconteceu a Mellani. Tenho medo que faça alguma besteira.

-Ela é mais forte do que imagina Pontas. É uma característica das mulheres da sua família.

-As mulheres da minha família sabem mentir de maneira extraordinária.- Murmurou encerrando o assunto e cobrindo-se até a cabeça. Dizem que para meio entendedor meia palavra basta. Sirius não conseguiu dormir aquela noite.

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-Se controla Regulus!- Severus quase gritou sacudindo o rapaz pelos ombros. O jovem Black limpou as lágrimas com a costa da mão e andou desnorteado pela torre de astronomia. Não sabia como Severus tinha lhe encontrado, mas ele chegou no momento certo. Quando precisava de respostas e que estava praticamente surtando

-Eu não vou me controlar- Disse num sussurro agressivo- Como pode estar tão calmo...?- Olhou para o mais velho com tanto ódio que foi preocupante

-As coisas saíram do controle Regulus! Você não pode sair também!

-As coisas saíram do controle? Isso foi muito mais do que sair do controle!- Arfou e saiu de perto do amigo. A presença de Severus o sufocava- Sirius tinha razão quanto a tudo... Ela... Como pode estar tão calmo? Lily estava lá, ela apanhou! Além do que...-Mordeu o punho fechado e voltou a andar de um lado para o outro. - Se não fosse o meu irmão ela teria o mesmo destino que Mellani!- Sentiu uma dor forte no peito ao lembrar da loira. Ainda se preocupava muito com ela. O Black era a imagem do desespero

-As pessoas se machucam no percurso.- O jovem se aproximou de Severus e o olhou nos olhos

-Você não está sentindo absolutamente nada? Não está nem com nojo? Você não está sentindo nenhum pouco de culpa? Por saber que a mulher que amou a vida inteira sofreu uma violência desse tipo? A mulher que ainda ama!

-Eu...

-Não adianta mentir.- Regulus murmurou- Dá pra ver, pela sua dor o quanto sente falta dela.- Ele engoliu em seco- Nós temos destinos parecidos Severus... A diferença é que estou disposto a fazer algo quanto a isso. Nenhuma magoa vai me inundar!

-É melhor ser inteligente ou vai acabar numa cova.

-É o preço por se influenciar com o que não presta.

-Eles estão pagando. Nem era para aquele grupo ficar com uma missão daquele calibre. Aquele natal foi uma sucessão de erros.

-Não Severus! Não foi!- Falou com raiva- Sabe quem estava no comando? Lestrange. Ele planejou tudo e ele mandou aqueles porcos da linha de frente pra lá propositalmente. Sabe por quê? Porque a Bellatrix tem ódio de Margaret! -Aquela informação fez o coração de Severus parar- E toda aquela missão, inclusive a brutalidade com a qual foi executada, toda ela foi passada antecipadamente e aprovada pelo próprio lorde das trevas. Sabe por quê? Para demonstrar poder, para dar lições a quem quer que esteja contra ele. O estupro foi a única coisa não planejada da missão, ou melhor, não comentada, porque tanto Lestrange quanto o Lorde sabiam exatamente das inclinações do comandante quanto das de Avery. Principalmente as de Avery! Então não venha me dizer que foi uma sucessão de erros e querer defender essa merda de organização porque não foi. Eles matam, estupram, mutilam, acabam com as pessoas para os próprios interesses e se você tiver o mínimo de decência vai sair dessa e pedir perdão a Lily!- Severus ficou em silêncio. Regulus deu as costas para ele e andou até o parapeito. Ouviu os passos do amigo saindo dali e quando se viu sozinho mais lágrimas caíram de seus olhos.

Regulus pensou que podia ser como um câncer, acabando com eles por dentro. Estava Determinado a descobrir as fraquezas do lorde das trevas. Descobriria os segredos de Voldemort sendo o melhor comensal de todos e quando a hora chegasse findaria aquele maldito inferno. Por Mellani, mas principalmente por Sirius. Eles eram irmãos, foram os melhores amigos e esperava ser perdoado, um dia.

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Lílian acordou assustada ao ouvir um grito. Sentou com a varinha em punho e quando olhou em volta pode ver Mary e Camila assustadas sentadas em suas camas. Correu até o leito de Mellani e viu a amiga acordada com os olhos arregalados, ela olhava fixamente para algum ponto do quarto e apertava o travesseiro com força

-Desculpa.- Sussurrou deixando uma lágrima escapar. Lílian passou a mão pelo rosto dela e suspirou

-Dá um espaço.

-Não precisa Lily.

-Não estou pedindo. - Mellani foi para o lado e Lílian deitou ao lado dela segurando-lhe a mão- James costumava fazer isso comigo.- Ela sussurrou e a loira sorriu fracamente. Mary e Camila voltaram para suas camas

-Ele fazia isso quando éramos pequenos.- Mellani murmurou- Mas agora ele tem a própria dor pra aguentar e... Você devia estar lá com ele.

-Você é minha melhor amiga.- Sussurrou- E está mais machucada que ele.- Mellani fechou os olhos sentindo vergonha. Tentou dormir, mas não conseguiu, cada vez que caia no sono a imagem de Avery vinha em sua mente. A violência que sofreu se repetia e a imagem de seu tio tomando aquele raio verde no peito atormentava cada segundo de seu descanso. Acordou tantas vezes chorando que parou de tentar dormir. O dia amanheceu frio e ela se levantou. Deixaria Lílian dormir até o limite da hora já que a ruiva dormiu mal devido aos seus surtos. Tomou um banho escaldante e quase arrancou a pele de tanto se esfregar. Com sorte não teve tempo para Avery lhe marcar com mordidas e arranhões, mas ela parecia sentir o cheiro dele por toda a parte e aquilo a desesperava. Vestiu-se sem nenhum esmero e prendeu o cabelo num coque relaxado. Pretendia fumar um cigarro para relaxar, tentar esquecer tudo que aconteceu. Saiu do dormitório silenciosamente e quando chegou ao salão principal viu Sirius jogado numa poltrona dando risada de algo que Emilly Vance lhe dizia. A menina estava sentada no braço da poltrona e sussurrava algo no ouvido dele. O rapaz empertigou-se jogando charme e deslizando a mão casualmente pelo joelho dela. Assim que a viu ele levantou e a encarou preocupado, como se fizesse algo errado. O coração dela bateu mais fraco. Odiou-se por sentir-se bem na noite anterior quando ele lhe deu atenção. Sentiu-se mais idiota ainda por ter gostado de sentir a mão dele contra a sua. Ela pensou o mais obvio que as ações dele eram movidas por pena ou puro impulso. Impulso criado pela vaidade de saber que ela gostava dele. Mellani percebeu que nada mais fazia sentido depois do que houve, nem seu ódio, orgulho ou auto preservação. Tudo se foi, inclusive a raiva que tinha sentido segundos atrás. Ela o encarou sem uma emoção específica e assentiu levemente com a cabeça. Sirius sentiu um gelo no estomago quando a viu sair com um ar de derrota e sem demonstrar qualquer reação que fosse quanto ao seu flerte com Emilly Vance. Ele estava odiando sentir-se idiota por aparentemente ter machucado Mellani. Ela não sentia nada além de conformismo.

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-Bom, que bom que estão todos aqui...- Carter murmurou com um certo peso no coração.-Acredito que a maioria de vocês sabe o que houve na semana do natal.- Os membros do grupo de treinamento assentiram- O que faz termos a obrigação de ser mais cautelosos e perspicazes. Eu preciso que os infiltrados.- Encarou Amus e Marlene- Consigam realmente entrar no grupo. Ter confiança. Nós precisamos estar sempre um passo a frente.- Os jovens estavam sentados num longo tronco e Carter andando de um lado para o outro na frente deles- Tenho mais duas coisas para explicar. Eu saí do curso de aurores. O ministério está podre, muitas pessoas infiltradas e muitos fingindo não ver o que acontece para se preservar. Eu, Ted Tonks e muitos outros resolvemos sair, isso obviamente torna minha presença no castelo ilegal. Eu não devia estar aqui porque o estágio a qual fazia ao lado da senhora Sawyer acabou. Outro aprendiz vai entrar no meu lugar e eu espero que vocês fiquem atentos. Dumbledore e Sawyer estão cientes do controle que alguns departamentos corruptos do ministério querem ter sob a escola. Principalmente no meio dos Aurores e dos secretários da justiça. O que muito me preocupa porque eles estão manipulando o ministro a tal ponto que o velho ficou cego. Quando alguém tem medo no nível que o velho está... Fica tão fácil que chega a ser triste.- Mellani deitou a cabeça no ombro de James que estava sentado entre ela e Lílian. Carter a encarou longamente e continuou- Por isso hoje, eu estou nomeando James como o líder do grupo.

-O que?- Ele se levantou meio tonto e todos começaram a cochichar em aprovação- Você está louco?

-Não. Eu não estou. Você tem um perfil de liderança natural, foi você quem deu a ideia desse grupo e você escolheu praticamente todas as pessoas que entraram. Você conhece cada um dos seus colegas presentes. Não tem problemas de relacionamento com ninguém. Não escolheria outra pessoa.

-Mas...Eu não... É muita responsabilidade.

-E você aguenta.- Lílian incentivou levantando e colocando a mão no ombro dele- Confie no que vai dentro de você.- Ele assentiu meio aturdido

-Bem...-Carter continuou e o casal sentou novamente- A partir do próximo treino vocês estão nas mãos de James. Outra coisa muito importante. Mellani, Remus e Alice levantem-se, por favor.- Eles assim fizeram- Está na hora de apresentar o projeto de vocês e inserir Camila aos estrategistas.- Mellani enfiou a mão numa bolsinha pequena que levava a tira colo e de lá retirou várias pulseiras delicadas com pingentes pequenos. Cada um era a representação de uma coisa.

-Bom...- A loira começou um tanto quanto insegura- Passamos meses trabalhando em cima disso até chegarmos a um resultado satisfatório. Não era a ideia inicial, mas devido as circunstancias e a nossa urgência de deixar isso pronto foi o que saiu. Digamos que é algo mais radical.

-Os ataques...-Remus continuou- Estão cada vez mais freqüentes e nos veremos em breve em mais confrontos do que realmente gostaríamos. Isso aqui.- Levantou uma das pulseiras- É o nosso meio de identificação. Cada pingente, após a coleta que acontece hoje, terá uma ligação com as pessoas do grupo. Sirius tinha levantado uma questão importante depois do ataque a Hogsmead. Disse que muitas vezes se perdiam do grupo e não sabiam se estavam bem ou não, isso acabava tirando o foco da batalha. Essa pulseira... É bem mais que isso. Ela... Vem cá Lily.- Remus estendeu a mão e ruiva aceitou levantando- O walk talk é um aparelho trouxa que nos permite conversar a longa distancia e tentamos fazer algo parecido. Isso aqui.- Tirou uma coisa pequena da cor da pele do bolso. Todos ficaram muito curiosos- É um protetor de ouvido. Alice, você se importa de continuar? Essa ideia foi basicamente sua.- A garota assentiu

-Bem. Você se importa de colocar um Lily?- A ruiva deu de ombros e pegou o protetor colocando-o no ouvido. Alice afastou o cabelo da menina da orelha e mostrou aos outros- Estão vendo? Praticamente invisível. Agora isso aqui...-Apontou para um colar de pingente prateado na roupa, era o brasão de Hogwarts -É um microfone, encolhido e de aparência modificada, mas ainda operando em suas funções.

-Eu ouvi sua voz.- A ruiva exclamou- Só que... Au... pode falar mais baixo?

-Desculpa.- A jovem sorriu- Pode retirar.- Ela assim o fez, todos os presentes estavam curiosos e confusos. Carter ostentava um sorriso de orgulho- Bem, temos o microfone e algo para ouvi-lo. Mas ainda estão confusos não é? Mellani, pequena gênio, explique aos nossos colegas, por favor.

- Essa pulseira está integrada ao sistema de som. Estão vendo esse pomo de ouro? Quando olham para o pomo de ouro de quem se lembram?

-James.- Todos responderam e o rapaz sorriu discretamente- Exato! Agora olhem só. Mellani apertou o pomo de ouro- Se eu apertar o pomo de ouro vou fazer uma espécie de ligação para James, ele me responde na mesma hora, igual um telefone trouxa e quando quiser falar comigo é só apertar meu símbolo. Olha... Cada sinalizador tem a inicial de vocês e não podem trocar.- Entregou um para cada junto com pulseiras- Coloquem numa da orelhas e usem a pulseira.- Todos assim o fizeram. Sirius estava embasbacado- Agora, a vassoura é meu símbolo, o do Remus, por um apelido obvio, é uma meia lua. O da Lily um lírio, o seu.- Apontou para Carter- Um capelo.

-Um capelo?

-Achou que nos ensinando assim te daríamos o que?- Remus debochou

-Qual o meu?- Frank perguntou empolgado olhando a pulseira e Remus respondeu entusiasmado

-Uma verbena, porque gosta de herbologia. O da Alice é um livro, porque é da corvinal. Do Amus é um texugo, porque é o único Lufo. Marlene ficou com a serpente porque está infiltrada.- A morena torceu o nariz fazendo todos darem risada- O da Camila é uma sapatilha de balé, o da Dorcas uma nota musical e o do Sirius.- Remus sorriu de canto- A Mellani que escolheu.- O rapaz ficou tenso e tentou disfarçar rindo de lado- É uma pata de cachorro.- Todos romperam numa gargalhada e o Black revirou os olhos- Ainda temos o do Ted que está sempre em missões conosco e pode nos ajudar muito com informações. O dele é uma varinha, por ser nosso soldado em campo.

-Isso é sensacional.- Sirius murmurou observando o artefato no pulso. Era delicado e os pingentes discretos

-A parte mais importante.- Alice chamou a atenção de todos- É interessante estarem com isso o tempo todo. Não sabemos quando seremos atacados e ele tem um dispositivo aqui.- Apontou para uma espécie de trava minúscula perto do fecho. Todos viraram o braço para ver a dispositivo- Vai funcionar quando estiver para baixo. Ou seja. Só vão usar essa merda pra "trabalho" entenderam? Quando um é ligado todos são e automaticamente o sinalizador da um aviso sonoro. Isso significa que algum membro do grupo está em ação. Aé, o dispositivo todo, desde o microfone até o foninho de ouvido é a prova da água. E mais. Eu coloquei um cordão em cada microfone para ficar o tempo todo no pescoço de vocês. Mesmo que lhe tirem as roupas não lhe tiram nosso comunicador.

-Alie.- Frank chamou e todos o encaram- Não é arriscado? Comensais verem dois ou três estudantes com a mesma pulseira e o mesmo colar... Isso seria obvio não é? Que somos um grupo, organizado e consequentemente perigoso para eles.

-Aí que está.- Mellani tomou a palavra- Remus pensou nisso também. Colocamos um filtro de percepção neles. Apenas os membros do grupo conseguem ver porque sabem da existência deles. Se forem discretos em seus movimentos na hora de manipular essa pulseira ninguém vai ver. Por isso vai à dica. Coloquem no braço que não duelam. Ele costuma receber bem menos atenção.

-E se a pessoa tocar no nosso pulso?- Dorcas perguntou preocupada

-Vai ver, mas vai passar despercebido. Não é que o comunicador está invisível como num feitiço de desilusão, ele só passa despercebido, a pessoa vê e não dá atenção, como se ele não estivesse ali.

-Não é perigoso?- Lílian questionou- Uma mente mais atenta pode perceber não?

-Até pode, mas é muito raro e se acontecer, o que vai ver além de uma pessoa usando um colar e uma pulseira?- Alice respondeu empolgada- É a comunicação perfeita. Praticamente a prova de falhas.

-Praticamente?- Amus ficou meio tonto com tantas explicações- E quanto à queda do ladrão? Ou um fitinitte?

-O finitte pode danificar alguns feitiços, mas não todos. A comunicação continua, mas pode ser que a água passe a danificar ou o filtro de percepção se perca e rezemos para que não tenhamos de passar por uma queda do ladrão, caso contrário vão ver.- Alice explicou- Além do que, só vai chamar atenção se todos nós estivermos juntos com três pessoas ou mais. Se por exemplo, você e Marlene forem pegos pode usar a desculpa de casal apaixonado que usa a mesma pulseira. É bem típico de adolescentes.

-Então nosso grupo está mais seguro?- Sirius perguntou

-Sim. Outra coisa. Remus disse que isso atrapalharia, mas eu achei essencial. Quem morrer... O pingente some.- Um silêncio drástico assolou a todos depois que Mellani falou aquilo- Se você perder tempo tentando se comunicar com alguém que está morto pode morrer também, ou seja. Sem pingente, a pessoa já era. É ruim? Não, é frieza da guerra. Acostumem-se.- O jeito que ela falou foi pesado, mas a maioria deles entendia os motivos. A maioria ali sabia que tinha acontecido algo tão ruim a ela quanto à morte do tio.- Agora preciso que todos coloquem o dedo em seu pingente enquanto Remus faz um feitiço.- Todos assim o fizeram e sentiram um choque na ponta do dedo quando o licantropo executou o feitiço.

-Isso é pra nosso comunicador só funcionar com membros do grupo.- Remus murmurou- E para o pingente de quem morrer sumir.- Todos sentiram um nó na garganta e Carter murmurou

-Bem... Acho que é isso. Vamos dividir o grupo e treinar ataques. Aproveitem e usem o comunicador.- Após a ordem todos se espalharam.

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-Você viu?- Marlene murmurou enquanto andava ao lado de Amus para dentro do castelo- A Mellani estava feroz com os feitiços.

-Eu vi. Ela destruiu dois alvos que o Carter conjurou com um único feitiço. Teve uma hora que o Sirius teve que sacudi-la pra ela parar de atacar.

-Ela estava bem transtornada. Também, não queremos que no terceiro dia de aula ela já tenha se recuperado do que aconteceu com o tio não é?

-A Dorcas não estava igual a ela e viu a irmã morrer também.

-Cada um reage de um jeito as dores que sente. A Mellani sempre foi mais revoltada.

-Mas hoje parecia que tinha um demônio no lugar dela. - Ambos estremeceram- E Sirius tem razão, se ela ficar assim numa batalha pode morrer.

-Ela está se recuperando. Precisa de pessoas em volta tanto quanto James, Dorcas e Lily.

-Desde quando admira a Mellani?

-Eu não a admiro, eu passei a respeitá-la depois dos treinos. Ela é muito inteligente e alguém que desenvolveu um artefato desses...-Tocou a pulseira- Tem que ser no mínimo respeitada.- Amus assentiu pensando que a morena tinha certa razão- Deixa eu preparar meu estomago pra ser simpática com o Dolohov.

-Boa sorte.

-Você também vai ter que aturá-lo.

-Mas ele não dá em cima de mim.- Encararam-se atentamente e riram- Olha só, o Regulus está sozinho. Por que não vai falar com ele?

-Ele é desconfiado por natureza. Sei lá.

-Vai logo.- Empurrou a menina pelo ombro e ela andou até a fonte do pátio onde o Sonserino estava sentado lendo um livro

-Hey Regulus.

-MacKinon. Eu sei do seu jogo. Vê se caí fora antes que resolva te denunciar.

-Pelo o que?

-Pelo seu jogo duplo.- Murmurou tentando parecer irritado

-Não sei do que está falando.

-Tenho provas suficientes contra você. Quer pagar pra ver?- Finalmente retirou os olhos do livro

-Você parece tenso.- Ela murmurou sentando ao lado dele

-E você se importa?

-Talvez sim.- Ela sussurrou tentando ganhar a confiança dele

-Olha, eu estou sabendo que faz algum trabalho sujo pro Carter. Também sei que ele está envolvido com a ordem mais do que o bom senso deixaria.- Marlene sentiu as bochechas corarem e odiou por ser tão transparente- E Dolohov está cansando do seu cú doce. Palavras dele. Ou você arruma uma boa desculpa ou vai ser expulsa do nosso grupo.

-Por que está me avisando de tudo isso? Desde quando confia em mim?

-Confio em mim. É melhor ter uma ótima desculpa.

-Você.- Ela pensou rápido.- Você será minha desculpa.

-Do que está falando MacKinon?

-Vamos Regulus, sei que está puto da vida com o que aconteceu com a Mellani. Que custa me ajudar?

-Você está confessando seu jogo duplo?

-Não tenho jogo duplo- Mentiu porcamente- Só não quero ficar com o Dolohov. E você...-Se aproximou dele sorrindo e o rapaz franziu o cenho- Pode me ajudar.

-O que eu ganho?

-O que você está querendo.- Ela blefou e ele arqueou uma sobrancelha

-Que seria?

-Mudanças.- Sussurrou se aproximando mais. Regulus não entendeu porque aquela garota atraente que até uns dias atrás corria atrás de seu irmão, estava se jogando pra cima dele. – Agora não me empurra que o Dolohov ta vindo aí.- O Black só processou a frase quando a menina estava beijando-o de maneira empolgada. Ele mal conseguiu reagir e ouviu-a murmurar com os lábios colados ao seu- Abre a boca- Ele assim o fez sem raciocinar direito e ficou zonzo com o beijo que recebia.

-Eu não acredito!- Ouviu a voz de Dolohov gritar irritado e Marlene se afastar. Ele estava tremendamente fodido agora que entendia o que tinha lhe atingindo- Era por ele? Era por causa desse pirralho que ficava de jogo duro comigo? Porra Regulus!- Gritou irado chamando a atenção de alguns transuentes- Por que é que você nunca disse nada?

-E-euuu eu não sabia... Eu... Ela acabou de me beijar feito uma louca.

-Reg.- Ela censurou e ele corou- Desculpa Hov. Mas eu avisei que meus motivos não eram sobre você.

-Ainda quer alguma coisa séria com a nossa causa?- Perguntou engolindo o orgulho e ela com a postura relaxada disse olhando para Regulus

-Eu vou onde ele for Hov. Entenda, por favor.

-O que esses Blacks tem?

-Tudo.- Respondeu apaixonadamente

-Vamos fazer uma reuniãozinha depois e vê se aparece.- Falou olhando para Regulus e saiu andando obviamente fulo da vida.

-Hov?- O Black questionou ainda meio tonto e Marlene jogou os cabelos daquele jeito casual de sempre

-Entendeu minha jogada?

-Não pode me usar assim. E quem disse que eu vou compactuar com isso?

-Seu irmão e a garota que gosta foram seriamente feridos. Acho que isso significa alguma coisa pra você.

-Está completamente louca.

-Se você quer realmente se infiltrar é melhor voltar a ser o que era e disfarçar seu nojo, caso contrário será o primeiro da lista de suspeitos.- O rapaz passou a mão pela nuca da garota e apertou com força. Ela franziu o cenho com a proximidade e frieza dele.

-Eu topo, mas... Você precisa me dar informações do estado deles. Principalmente do Sirius. Quero saber, sempre, como estão e mais... Para de ser uma megera com a Mel!- Ela sorriu de canto

-Ok... Se assim preferir. Vai me beijar é?- Ele a soltou e saiu de perto com certo nojo. Marlene sorriu de canto e deitou a cabeça no ombro dele- Ah Reg, seremos um casal tão apaixonado.- Debochou e ele revirou os olhos.

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-Mel...- James sentou ao lado dela sorrindo largamente- É verdade? A mãe deixou você voltar pro time.

-Sim.- O rapaz ajeitou-se melhor na cadeira da biblioteca e viu o grosso livro de transfiguração que a prima lia. Ela anotava algumas coisas na folha- Ainda está fazendo seu trabalho? É pra amanhã.

-Aparentemente eu e metade de Hogwarts deixamos as coisas pra ultima hora.- Disse sem emoção

-Por que você está sozinha aqui? E por que não está comemorando em cima de uma vassoura?

-Porque eu não vou voltar pro time.- Fechou o livro e começou a guardar as coisas na mochila

-O que?- James ajeitou os óculos- A primeira noticia boa que tenho desde o fim do ano e você me diz que não vai voltar pro time? Como assim?

-Não vou, não quero.

-Para com isso Mellani. Você está a um mês só jogada na cama ou jogada nos livros. Não pode desistir assim.

-Não foi com você que aconteceu.- Devolveu insegura- Eu vou pro quarto.

-Hoje é aniversário da sua amiga. Espero sinceramente que na hora do jantar vá para o salão comunal prestigiá-la já que ficou o sábado inteiro enfurnada aqui.

-Por que ainda estão comemorando as coisas?

-Porque o dia que eles nos tirarem a capacidade de apreciar esses momentos é melhor largarmos as varinhas e nos render.- Ele devolveu com certa amargura- A Lily está muito preocupada com você. Todos estão. Até Peter. Vê se dá um presente pra ela e saí da cama esse fim de semana.

-James.- Chamou dando esperanças ao primo- Preciso do mapa.

-Pra que?

-Estou com uns projetos pra ajudar Marlene com o jogo duplo, mas preciso ficar esse mês com o mapa.

-Podemos fazer um rodízio?

-Eu preciso dele principalmente à noite.

-Eu vou pensar.

-James! Isso é trabalho!

-Ok. Depois revezamos.-James se aproximou e beijou a testa da prima demoradamente. Ela fechou os olhos e sorriu fracamente. Levantaram e foram andando abraçados para fora da biblioteca. A garota jamais admitiria que estava extremamente envergonhada não só com o que aconteceu, mas também com o que sentia em relação a Sirius. Mal conseguia encarar o garoto por mais de dois segundos e odiava sentir o olhar dele sobre si.

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O som dos Beatles rolava por todo salão comunal. Slughorn e McGonagall tinham passado mais cedo para abraçar Lílian e logo deixaram o lugar para os jovens ficarem a vontade. Os alunos comiam docinhos e conversavam sem parar. Não tinha bebida alcoólica como na maioria das festas que os Marotos estavam envolvidos. Todos ainda estavam muito tristes e com medo para arriscar encher a cara. Lílian sentiu James puxá-la para dançar e sorriu deitando a cabeça no ombro do Maroto. Adorava as músicas românticas dos Beatles. Enquanto se movia devagar no centro do salão comunal pode ver Remus dançando com Dorcas mais ao canto, estavam com as testas coladas e sorrindo de leve. Os olhos fechados presos num mundo próprio. Sorriu feliz ao observá-los e pensou que estava realmente certo, os dois juntos era lindo. Seu sorriso murchou quando viu Camila perto da mesa de suco olhando para os dois. A metamorfoga tinha um sorriso de conformação nos lábios e os olhos marejados, ela queria fazer algo pela amiga. James a girou novamente e a fez se afastar quando o som de I need you começou a tocar. Lílian adorava aquela música. Ela sorriu com carinho quando viu o sorriso charmoso do rapaz enquanto a empurrava e girava nuns passos improvisados de rock dos anos 60. Ele piscou um olho para ela e quando a música estava acabando puxou-a para si e lhe beijou. Lílian suspirou e se afastou surpresa

-Jay.- Ela sussurrou com a testa colada a dele enquanto todos os alunos presentes batiam palmas e assoviavam. O rapaz sorriu apaixonado enquanto via as bochechas dela corarem- O processo.

-Não precisamos mais nos preocupar com isso.

-Como assim?

-Esqueceu como o ministério está?- Sussurrou- Isso não tem importância agora. De verdade... Só me deixa...-Se aproximou mais- Curtir você nesse dia.- Lílian inclinou-se e beijou-o. Suas mãos seguraram os cabelos dele com carinho e por instantes achou ouvir um coro de "finalmente" de toda a grifinória. Sirius assoprava uma corneta e pulava bagunçando com todos os alunos e incentivando as piadinhas. Quando se afastaram James saiu correndo puxando-a pelo pulso e a fez subir no sofá

-Vocês estão vendo essa ruiva linda aqui?- Gritou com as mãos estendidas na direção dela. A garota estava tão vermelha quanto à cor de seus cabelos. Todos estavam olhando-os- É bom saberem que ela é MINHA NAMORADA!- Puxou-a com força e lhe deu um beijo casto nos lábios. Lílian começou a rir entre o beijo e se afastou

-E essa pessoa super aparecida, é meu namorado.- Disse fazendo troça. James foi para o chão e ela pulou nos braços dele. Gabriel estava no canto de estudos do salão comunal com os braços cruzados e fitando o casal de longe, ao lado dele Mary ostentava uma carranca de inveja sem igual

-Era pra eu estar ali.- Murmurou irritada- Não aquela sonsa.- Gabriel passou o braço pelo ombro dela e murmurou

-Esquece isso.- Ficou incomodado quando viu a cara de deboche que Sirius lhe fitava.- Vamos subir?- Mary assentiu. Sirius meneou a cabeça negativamente e voltou sua atenção para o amigo. Remus fazia alguma piada e Peter estava rindo forçadamente, de um jeito que o irritou. Peter sempre conseguia irritá-lo.

-Vamos cortar o bolo?- Dorcas pediu entusiasmada e Alice assoprou uma corneta ao som de parabéns para você.

-Esperem. A Mellani ainda não está aqui.- A ruiva lembrou. Frank se aproximou receoso e perguntou

-Você acha mesmo que ela vem?- Lílian assentiu

-Tem bastante doce e salgadinhos. Comam aí. Daqui a pouco cantamos parabéns.- Sirius sentiu-se incomodado com a conversa que ouviu. Sabia que Mellani estava evitando a todos e tinha certeza que parte disso era sua culpa. Ele só não tinha coragem de encará-la depois do que ela lhe disse. Era se envolver de mais e ele não sabia se conseguiria. Olhou para as escadas esperando que ela aparecesse e como se soubesse exatamente o que ele estava pensando a garota apareceu. Estava com uma calça jeans clara e a camisa dos Stones preta, que Sirius adorava tanto quanto a branca. No mesmo instante "Don't let me down" começou a tocar e ele franziu o cenho para a letra daquela música. "É por isso que não curto Beatles" pensou ao ouvir a letra tão significativa. A primeira pessoa que ela olhou foi para ele e o rapaz teve total consciência do que tinha feito. Era a primeira, e ele tinha certeza que a única, vez que estava se importando por ter decepcionado uma garota. Ela foi andando pelo salão sem olhar para ele e cada verso daquela canção lhe pegava como uma faca. Ele inventava desculpas para o que fez, mas nada justificava, nem o pedido dela para ele ir embora. O rapaz suspirou seguindo-a com os olhos. Vendo-a abraçar Lílian com carinho por longos minutos. Sentiu um nó na garganta. Estava confuso com o que sentia. Ele a queria tanto que chegava a doer por dentro. Queria estar perto dela e ser carinhoso e queria que isso fosse o suficiente para ela, mas não era e ele não tinha ideia do que fazer para ser mais do que conhecia e muito menos se queria ser mais. Ele estava completamente apavorado com os sentimentos que surgiam. Paquerar várias meninas e ser o gostosão da escola era sua zona de conforto, ele sabia os limites de ser um Maroto, o pegador do grupo, o que nunca se importa com absolutamente nada ou ninguém a não ser seu grupo de amigos. Ele não sabia nada sobre gostar de alguém e estava completamente apavorado. Se perguntou por que sairia de sua zona de conforto por alguém. "O que ela tem de mais?" "É igual a você" respondeu pra si mesmo quase imediatamente e sentiu um gosto amargo na boca

-Sirius!- Frank chamava o que parecia ser pela quinta vez- Você está bem?- Ele assentiu meio taciturno- Cara você está tendo muitos devaneios em. Até as amigas da Alie perceberam.- Sirius deu de ombros

-O que eu vi foi muito pesado.- Ele murmurou em resposta e Frank sentiu-se mal- O que foi em?

-Sabe a amiga da Alie, da corvinal?

-Qual delas?

-A Broke!

-A magrelinha?

-É. Mas ela é bem bonita.

-É.- Sirius deu de ombros ainda olhando para Mellani. A loira conversava com Lílian e Dorcas

-Ela disse que está a fim de você.

-Grande coisa.

-Desculpa aí irresistível. Mas ela disse. Por que não chama ela pra sair? Termina seu ano letivo bem.

-É acho que vou.

-Ela é bem legal. Engraçada...

-Onde ela está?

-Ali no meio da Alice e da Emily. Ela e a Lily sempre conversam então ela veio.

-Com quem a Lily não conversa?- Os dois riram e ele se aproximou da garota.

Mellani deixou de ouvir o que a amiga estava falando quando viu Sirius cumprimentar a amiga de Alice de maneira sorridente. Um tempo depois de conversa ele começou a dançar com ela. A loira engoliu em seco enquanto encarava Sirius com a morena mais a frente. Ele sussurrava no ouvido da menina de maneira sorridente. Ela sentiu um nó na garganta e sentiu os olhos molharem. Sentiu a mão de Lílian tocar seu ombro e encarou a amiga sem disfarçar a dor que estava sentindo.

-Deixe estar...- Mellani cantou baixinho e sorriu. Não por acaso Let it be estava tocando no momento em que ele dançava nos braços de outra pessoa. Lílian a encarou com preocupação.

_/_

N/A: Tipo esse capitulo me da tédio, mas serve pra mostrar os motivos do Sirius ser tão cuzão! Gente dêem um desconto, o garoto teve um pai ausente e uma mãe que não é lá um exemplo. Ok, ele tem os Marotos, mas convenhamos que uma pessoa criada desse jeito não vai ser aberta a sentimentos. Além do mais, ele tem 16 anos.

Nesses dois caps (36 e 37) o tempo vai passar mais rápido, vocês vão perceber pelas comemorações. Nesse por exemplo, estão comemorando o aniversário da Lily (30 de janeiro) no próximo a Mel e o James estão fazendo anos (março). É porque eu não gosto de me estender muito nessa questão da depressão. Acho que fica tedioso sei lá. 3 4 caps falando só da depressão pq fulano morreu. Tipo o luto pior passa e vai ficar só aquele peso. Também vão ver uma mudança em todo mundo. Afinal, traumas mudam as pessoas.

No fim a Lene sempre pega um Black. Mesmo que seja a força kkkk.

Que acharam do cap? Já to postando dois pra compensar minha falta então, por favor, sejam boazinhas e comentem! E QUEM DEU FAV E FLOOW COMENTA. Pensa que n estou vendo? FF e Nyah me contam tudoooo.

O que vocês estão fazendo aqui ainda? Bora pro cap 37 e JÁ

MP_Potter- Bem, um dos motivos disso ter acontecido é justificar a atitude do Régulos em destruir o medalhão, mas isso vc vai perceber ao longo da fic. Fiquei sem postar pq estou enrolada com a faculdade, fora esse cap tem mais um agora pra compensar a demora. Que bom que gostou e se chocou, foi a minha intensão e estou muito feliz que tenha acontecido. Obrigada pro comentar. Bjs

MBlcak- É, foi um cap pesado. Sim a Lily n aguentaria tanto justamente por Mellani ter apanhado a vida inteira. Sirius é um garoto confuso, com uma família fria, n sabe se expressar e n entende que a ama. Está aprendendo isso agora com os amigos. N está preparado para o que a vida está oferecendo a ele, masss uma hora todos crescem. Espero que tenha odiado esse cap acima tanto quanto eu e que goste do próximo (já online) Bjs té a prox att.