Julian: Por um coincidência não planejada, o meu aniversário foi logo depois da minha primeira aparição na fic, no dia 9 de março. Sorte, não? n.n

Takashi: Mais ou menos. Como você só apareceu em um capítulo, o Jamie não teve outra alternativa se não fazer mais um AU.. u.u

AnnUm AU com inspirações ridículas.. ¬¬''

William: Eu não achei! O que tem de ridículo em cinco crianças vestidas de zorros coloridos lutando contra o mal em nome do amor e da justiça? O.õ

Ken: É, eu não vejo nada ridículo nas coreografias, poses e músicas de fundo que esse tipo de herói tem que fazer pra derrotar monstros de aparência ridícula.. XDD

Takashi: Quem foi que deixou você aparecer aqui, Chrisóphyta Queimada?

Ken: Ora, eu tinha que aparecer! As fãs estão com saudades, já que o Jamie não posta nada desde o aniversário do Shinji..

(Explosão)

(Nuvem de fumaça)

(Aparece o Jamie vestido de monstro-privada)

James: Argh! (Olhando pra própria fantasia) Não culpo os monstros por serem monstros e quererem destruir tudo por aí.. com uma roupa ridícula dessas até eu..

(James começa a destruir uma maquete de cenário de cidade-cenográfica só pra chamar atenção)

Julian: Ah.. James-san, eu achei que você tinha aparecido no off-talk para fazer alguma coisa útil..

John: Útil, o Jamie? Nah, você ainda tem muito o que aprender, caro amigo Julian..

Ann: Jamie não faz nada de útil e fica três semana sem postar nada! Como ele espera terminar a fic principal em um ano se ele atrasa 3 capítulos em uma sentada? ò.ó

James: Oh, não tema, minha personagem esquentadinha! (Pára de destruir a maquete de cidade cenográfica pra poder argumentar com a Ann) Agora que eu FINALMENTE terminei os trabalhos do semestre e agora que temos um feriado inteiro pela frente (Massa de beybladers no fundo comemorando e comendo chocolate liderados pelo Yoshiyuki), eu prentendo até semana que vem ter os próximos quatro capítulos da fic postados, mais a fic de aniversário da Lhana o que significa que eu vou passar o feriado inteiro na frente do laptop escrevendo feito um condenado pra que a gente possa voltar ao ritmo normal o mais rápido possível. Viu como eu me importo com vocês, viu? U.ú

Beybladers: (banhados em lágrimas de crocodilo) Oh, Jamie, estamos tão tocados pelas suas palavras e os seus esforços! (Beybladers correndo na direção do Jamie pra tentar abraçar a fantasia de privada)

(James soterrado em baixo de todos os persongens)

Ann: E assim, o monstro privada foi derrotado, graças aos esforços unidos dos guerreiros da justiça! (Fazendo pose de super-heroína)

Takashi: OWARI!!

(Silêncio)

(Silêncio)

(Beybladers susurrando no fundo)

William: Peraí, esse off-talk foi muito curto..

Julian: É que o James-san precisa começar logo a escrever os capítulos atrasados. Se for pelo bem do grande grupo, eu não me importo em ficar sem um grande off-talk cheio de besteiras para a fic do meu dia especial que por muito pouco não teve que ser ignorado..

Personagem que ainda não apareceu e que vai ter que ter o aniversário ignorado esse ano: Rabudo.. ¬¬''

Jing Mei: Ara, ara, (musiquinha feliz de Sailor Moon tocando no fundo)-kun, veja o lado bom: a sua fic de aniversário do ano que vem vai encerrar a série de fics das duas primeiras fases! n.n

Personagem que ainda não apareceu e que vai ter que ter o aniversário ignorado esse ano: Humpf.. que seja.. ò.ó Dia 12 de abril do ano que vem eu vou fazer vinte anos e virar maior de idade, acho que não vai ser uma má idéia ganhar uma fic de presente..

Takashi: (cortando o momento do Persongem que ainda não apareceu e que vai ter que ter o aniversário ignorado esse ano) Se nos dão licença, esse é o off-talk já encerrado do Julian, seres despresíveis como vocês não precisam aparecer aqui! ò.ó

Jing Mei: Ara, ara, eu estou na fic, caro colega baixinho e nanico, eu tenho os meus direitos!

(Takashi e Jing Mei começam um concurso de encarar)

John: (Olhando pro concurso de encarar tentando não mostrar que está se sentindo desconfortável) Bem, com eles ocupados, acho que a gente vai ter que fazer os últimos comentários antes de começar a fic pra valer..

William: Quais eram mesmo os comentários?O.õ

Ann: Na verdade, disclaimer. O Jamie criou essa história depois de passar um dia inteiro revendo todos os capítulos dos Combo Rangers na internet, o que significa que a fic de aniversário do Julian é uma paródia da paródia dos Power Rangers.

William: Sente só o nível..

Emy: Paródia da paródia? Tá bom.. O.õ

Julian: Se alguém não conhece, faz uma pesquisa em "Combo Rangers" e Fábio Yabu, porque a gente não é pago pra ficar fazendo propaganda. u.ú

Ann: Agora nós podemos começar a fic.

Emy: Podemos? O.õ

Ann: Se eu digo que podemos, é porque podemos, oras! ò.ó (olhar ameaçador da Ann)

Emy: Então tá..

Julian: (Imitando apresentador de programa de auditório) Então, finalmente, depois de muita espera..

EM NOME DO AMOR E DA JUSTIÇA!

(Beybladers sentandos comendo pipoca enquanto passa a fic)


EM NOME DO AMOR E DA JUSTIÇA!

- Parado aí, Cabeça de Privada! – Exclamou uma voz aguda e determinada.

- Quem disse isso? – Perguntou o monstro, parando por um momento de destruir os prédios do centro da cidade.

- Se aliviar depois de saborear um banquete é um direito de todo o cidadão!

- O conforto de um banheiro privado é a alegria de toda a família!

- Não permitiremos que criaturas asquerosas como você destruam esses momentos sagrados!

- Somos os Justiceiros Mascarados!

- E vamos te mandar pro ralo!

O monstro ficou paralisado por alguns segundos observando o desenrolar da cena a sua frente. Ele estava realmente tendo um dia muito bom causando caos na cidade, assustando criancinhas e sendo chamado de "indecente" pelos velhinhos até as cinco figurinhas mais bizarras que ele já vira – incluindo aí ele mesmo e seus companheiros no exército de monstros-lacaios-de-super-vilão – aparecerem para atrapalhar. Ao julgar pelas suas vozes e altura, os cinco "Justiceiros Mascarados" não passavam de crianças fantasiadas, e com um péssimo senso de moda. Todos usavam uma máscara cobrindo os olhos e um uniforme estranho que imitava o Zorro da época de glória da tv preto-e-branco. Havia um Zorro azul, um amarelo, um vermelho, um rosa e um verde. Para piorar, todos faziam poses e gestos ridículos enquanto falavam, chamando mais atenção do que qualquer monstro-toilet.

- Hey, como se atrevem a roubar a minha atenção? Ainda mais agora que os repórters estavam a caminho para me entrevistar! – Exclamou o monstro, irritado porque todas as pessoas idiotas o suficiente para permanecerem em um zona atacada por um monstro em forma de sanitário gritavam e torciam para as cinco aberrações como se eles fossem alguma tipo de super-heróis escolhidos por um mestre poderosíssimo para salvar o planeta de ataques de monstros feios e bizarros de super-vilões malvados – o que na verdade eles eram.

- Oh, os repórters já estão vindo, é? Desculpe, não queríamos atrapalhar o seu momento. Quando a entrevista terminar, nos avise. – Respondeu o Zorro vermelho, provavelmente o líder. Os cinco então escolheram um banco ainda não demolido para se acomodar, conversando e contando piadas entre eles para passar o tempo enquanto o monstro-toilet retocava a maquiagem e arrumava o penteado para encarar as câmeras.

Em meia hora a entrevista terminou, o monstro teve seus quinze minutos de fama e os Justiceiros Mascarados se prepararam para o confronto. Em mais meia hora os cinco estava de volta a sua base secreta de operações embaixo da escola após cumprirem com êxito mais uma missão.


- Muito bem, meus alunos, muito bem! Estou realmente orgulhosa de vocês! – Exclamou a mulher de não mais do que trinta anos, cabelos castanhos trançados e óculos de lentes tão grossas que impediam a visão de seus olhos.

- Ora, mestra, não foi nada.. Aquele monstro privada não era páreo para o nosso impecável trabalho em equipe e o nosso discurso de amor e justiça!

Agora que não estavam mais usando as estranhas fantasias, os Justiceiros Mascarados voltaram a ser apenas cinco crianças entre onze e quatorze anos de coração puro e espírito guerreiro que sabem ser gentis com as outras pessoas. Pelo menos na teoria. Julian, o líder do grupo, era o que mais se encaixava no ideal Justiceiro-Mascaradista, por isso seu posto. Vestia-se sempre de vermelho, refletindo a cor de seu uniforme, e sua carinha bonitinha e ainda um pouco infantil e sua voz suave lhe garantiam certa popularidade com a população feminina, para desespero de seus outros companheiros. William, o Justiceiro Verde, era mais atraente enfiado em seu uniforme esquisito e chamativo do que em suas roupas normais (também todas verdes). Seu rosto sofria com constantes ataques de espinhas nojentas e sua visão era tão torta que somente óculos de aros muito grossos e chamativos conseguiam segurar as lentes recomendadas pelo oculista. John, o Justiceiro Azul, não era exatamente feio. Na verdade, ele poderia ser tão popular quando Julian caso não tivesse fama de covarde entre seus conhecidos. A irmã gêmea do garoto, Ann, a Justiceira Rosa, tinha o pavio mais curto da escola, não tolerava oposições e tinha a força necessária para reforçar seu ponto de vista, com ou sem o uniforme. John estava entre as mais freqüentes vítimas da garota. Emy, a Justiceira Amarela, era a mais nova e mais inteligente do grupo. Na verdade, sua única função na história era pensar em planos absurdos para tirar seus amigos das situações perigosas.

A mestra Keiko encarou cada um de seus discípulos, orgulhosa de sua escolha. A cada nova geração, seu dever como detentora de grande super-poderes era escolher cinco crianças especias que deveriam defender o mundo das ameças inter-planetárias que por alguma razão se viam atraídos para a Terra na hora de realizar seus planos de dominação universal. Isso porque ela tinha grandes poderes, mas não podia usá-los em seu corpo, apenas transferi-los. Ao longo dos anos, seus Justiceiros Mascarados já haviam derrotado muitos grandes vilões, e agora preparavam-se para a batalha final contra seu novo inimigo misterioso, conhecido apenas como Chefão.

- O inimigo de hoje era fraco. Eu temo que a partir de agora o Chefão não vá mais nos subestimar. – Declarou a mestra, guiando seus alunos pelos corredores da base até uma sala cheia de computadores e outras parafernálias eletrônicas de última geração que só ela e Emy conseguiam usar. – Ele inclusive já mandou um de seus generais para lutar. – Em um monitor de vinte e nove polegadas com tela plana apareceu a imagem de uma garota baixinha, de cabelos negros presos em um penteado caprichado vestindo roupas muito curtas que deixavam evidente seu corpo de mulher adulta. Havia uma marca de lua negra em sua testa, o que indicava que ela era de fato uma das serventes do Chefão.

- Nós vamos ter que lutar de novo? Achei que essas histórias de super-heróis funcionavam na regra de um inimigo por dia.. – Reclamou William, desapontado. Seus olhos então cruzaram com os da garota no monitor, causando uma incrível mudança de atitude. – Hey, essa é a nossa inimiga? Será que se eu usar o meu charme invencível eu posso convertê-la para a nossa causa e ainda arranjar um encontro?

- Vai sonhando, William, vai sonhando.. Ainda está pra nascer a garota louca o suficiente para querer sair com você.. – Exclamou Ann, sorrindo marotamente para o amigo. Todos sabiam da obsessão do Justiceiro Verde em querer arranjar uma namorada, assim como sabiam de todas as 476 rejeições que ele sofrera até o momento.

- Isso foi maldade..


- MWHIHIHIHIHIHIHI, agora eu só preciso causar uma grande confusão para atrair os Juticeiros Mascarados e fazê-los caírem na minha armadilha! MWHIHIHIHIHIHIHI!

A garota mostrada no monitor encontrava-se em uma área convenientemente deserta no centro da cidade. Em suas mãos havia um dispositivo detonador de longa distância pronto para ser acionado. Em poucos segundos, uma grande explosão foi ouvida a poucos metros de distância, acionando sirenes de bombeiros e policiais e chamando a atenção de um grupo muito especial de crianças que andava pelas proximidades.

- Vocês ouviram isso? – Perguntou Julian aos demais, tentando rastrear a origem da explosão.

- Sim, ouvimos. Acho que a gostosona já está em ação! – Respondeu William, imitando o gesto de seu líder. Em resposta ao seu comentário, uma mão fechada chocou-se com força contra seu rosto, derrubando-o. – Hey, Ann, pra que isso? Não se bate em pessoas de óculos, viu? E o que houve com aquela história de que os Justiceiros Mascarados era pessoas de coração puro e espírito guerreiro e que sabem ser gentis com as outras pessoas?

- Ora, William, você sabia que isso estava vindo. Ela pode ser nossa inimiga, mas eu não aprovo essa linguagem pejorativa saindo da boca de um dos meus companheiros. Meu coração é tão puro que eu luto para acabar com as desigualdades sexistas e a sociedade maxista opressora. Fora que, quando eu quero, eu sei ser bem gentil, não é culpa minha se vocês me obrigam a expôr as outras facetas menos agradáveis da minha personalidade. – Enquando Ann falava, uma chuva de pétalas de rosa caía sobre ela, espalhando-se com a ajuda de uma brisa até então inexistente, destacando-a em meio à paisagem fria e sem graça do interior da cidade. Nenhum de seus companheiros sabia explicar como exatamente esse fenômeno acontecia cada vez que ela fazia um discurso. Provavelmente isso se devia aos seus poderes de Justiceira.

- A conversa está muito boa, mas agora nós temos trabalho a fazer. – Julian cortou a discussão, encarando Ann e William com um olhar sério e determinado. A Justiceira Rosa deu de ombros, por alguma razão não conseguia se irritar e gritar com Julian do mesmo jeito que fazia com seu irmão e seus outros amigos. O líder tinha um ar inocente e sincero, mas ainda corajoso, e um coração puro totalmente comprometido com a justiça. Todos os Justiceiros encaravam como óbvia a escolha do garoto como líder, e por isso o respeitavam, mesmo quando ele começava um de seus longos discursos sobre a verdadeira coragem, a verdadeira justiça e a verdadeira lição de moral. – Está na hora de nos transformarmos.

Ao sinal do líder, os cinco guerreiros apanharam seus broches-transformadores guardados em seus bolsos e, fazendo uma coreografia ensaiada um tanto besta, gritaram as palavras mágicas: Em nome da Justiça eu vou lutar! Em uma questão de segundos (e mais coreografias), as cinco crianças tornaram-se cinco guerreiros defensores do amor, da justiça e de todas as coisas boas da vida. Milagrosamente nenhum pedestre desavisado estava passando pela rua quando os heróis gritaram as palavras mágicas e começaram o show de som e luzes que era sua transformação. Por mais exibidos que fossem, suas identidades deveriam permanecer em segredo do resto do mundo, afinal.


- MWIHIHIHIHIHIHIHI! Logo, logo eu terei os Justiceiros Mascarados em minhas mãos!

- Parada aí, Baranga Exibida! – Exclamou uma voz aguda e determinada enquanto uma música emocionante começava a tocar vinda de lugar nenhum.

- Quem disse isso? – Perguntou o mons.. digo, a baranga (que na verdade significa o mesmo que monstro, mas enfim.. parando por um momento de rir feito maníaca e planejar a destruição de seus rivais.

- Toda a mulher é pressionada a ter o corpo ideal!

- Mas são poucas que realmente entendem o significado da verdadeira beleza!

- Seu corpo pode ser bonito, mas a sua mente com certeza é podre!

- Somos os Justiceiros Mascarados!

- E você vai se ferrar legal!

A garota ficou paralisada alguns segundos observando o desenrolar da cena a sua frente. Sem dúvida estavam todos lá, a Justiceira Amarela, a Justiceira Rosa, o Justiceiro Vermelho, o Justiceiro Azul e o Justiceiro Verde. Seu plano estava indo de acordo com o planejado, embora ela não tivesse contado com o fato de ter que assistir também o show de coreografias e poses ridículas que acompanhavam cada entrada dos heróis, sem falar na música de fundo. Aliás, de onde vinha a música de fundo? Provavelmente era parte de seus poderes como Justiceiros.

Em algum lugar não muito longe dali, um pacato morador da zona de permanente perigo de invasão interplanetária desligou o aparelho de som que tocava Naruto OST II, na mesma hora em que os Justiceiros Mascarados terminavam sua coreografia e a música de fundo emocionante e familiar silenciava.

- Ara, ara, se não são os famosos Justiceiros Mascarados? Eu estava esperando vocês, sabiam? Eu e meu chefe finalmente descobrimos um jeito de acabar com vocês de uma vez por todas!

Com um movimento de sua mão, a vilã fez quatro cordas de aço se materializarem no ar, prendendo todos os Justiceiros menos o vermelho em uma questão de segundos.

- Pessoal! Pessoal! – Exclamou Julian, tentando socorrer seus amigos, sendo obrigado a se afastar quando um campo de força se ergueu entre eles, eletrocutando-o cada vez que ele tentava se aproximar.

- Julian! – Exclamou Emy, sentindo as cordas pressionarem seus braços, pernas e cintura. Suas energias, assim como as de seus amigos, estavam sendo pouco a pouco sugadas, o que a impedia de pensar em um plano para contra-atacar. – Julian! Nós.. dependemos de você..

Em menos de um minuto, os quatro Justiceiros haviam perdido a consciência.

- O que você está planejando? O que você quer de mim? – Perguntou Julian, tentando ignorar a sensação ruim em seu peito sobre os rumos da situação.

- Ara, ara, eu e meu chefe, depois de pensarmos muito, chegamos à conclusão de que os Justiceiros Mascarados só são quem são porque eles têm um líder perfeito que segue todos os ensinamentos do mestre! Assim sendo, quando eu me livrar do líder, eu vou me livrar de todo o grupo junto.. – A vilã, com o típico sorriso de criatura malvada em seu momento de triunfo, trouxe os quatro guerreiros caídos para seu lado, erguendo-os por mágica para que ficassem em pé.

- Vocês são muito maus! – Exclamou Julian, apontando seu dedo indicador para a vilã em um gesto de ameaça.

- Ara, mas é claro que somos! Somos os vilões, esqueceu? Ou você espera que eu me torne o Papai Noel e passa a distribuir presentes para crianças carentes no meio da páscoa? – Com outro movimento de sua mão, a garota despertou os guerreiros, fazendo-os encarar diretamente Julian. Impressionado, o garoto não percebeu o brilho assassino nos olhos vermelhos de seus companheiros, visíveis mesmo com a máscara dos uniformes coloridos.

- Hey, pessoal, o que vocês..

Os quatro avançaram contra Julian, jogando-o contra o chão. O garoto gritou ao sentir o impacto dolorido de suas costas contra o concreto, relutante em enfrentar os amigos mesmo naquela situação.

- Vamos lá, meus soldados, destruam esta peste em vermelho! – Ordenou a vilã, no que seus novos soldados prontamente obedeceram.

- Não! Amigos, por que? Por que? – Julian não fez nada para contra-atacar, já percebendo que se tratava de uma daquelas situações em que os mocinhos perdem o controle de suas mentes para as forças do mal e seu retorno ao lado da luz depende das palavras e sentimentos do herói da história.

- Poupe os sermões. Antes de começar o seu monólogo chato de heroizinho metido, eu tenho o meu próprio monólogo interessante para apresentar! – As nuvens que até então deixavam o dia nublado se abriram bem embaixo da vilã, deixando que a luz do sol a iluminasse e destacasse dos demais. Julian, ainda preso no chão por seus amigos, não pode fazer nada a não ser observar. – Malditos Justiceiros Mascarados! Vocês se acham os donos da verdade, dizem que lutam pela justiça, mas eu duvido que até hoje tenham alguma vez parado para pensar sobre seus atos, preocupados em entender as necessidades de seus inimigos e entender todos os lados da justiça antes de sair atacando sem piedade destruindo monstros inocentes frustrados com suas aparências esdrúxulas! Qual é a justiça que vocês representam? Em nome de que justiça lutam, se não são capazes de ver o outro lado dos fatos antes de julgar-nos?

- Do que você está falando? – Perguntou Julian, intrigado com o discurso da garota. Seu cérebro estava começando a dar voltas, e esse era ainda o começo do falatório.

- Justiça! JUSTIÇA! Nós , antes de sermos os vilões malvados que somos hoje, vivíamos em paz em nossos planetas de origem, até sermos atacados por um grupo de vilões impiedosos! Infelizmente, nosso planeta não podia contar com defensores habilidosos e de coração puro como os Justiceiros Mascarados, e nós fomos aniquilados! Desde então, temos que vagar de planeta em planeta em busca de um lugar para ficar.. porque nós somos malvados, mas tudo que nós queremos é fazer justiça e vingar o nosso povo.. dar a eles um novo lugar para crescer e prosperar, e é por isso que quremos a Terra! Entendeu agora? Vocês não podem se chamar de justos quando aqueles que chamam de vilões malvados também lutam pela justiça! Seus amiguinhos já entenderam, agora só falta você..

Julian ficou imóvel, perplexo. Seus olhos estavam marejados, a história narrada pela vilã o comovera profundamente. Suas palavras faziam sentido, ela e seu chefe estavam buscando a justiça tanto quanto eles. Não caberia aos Justiceiros Mascarados impedir alguém que defendia os mesmos valores e acreditava na justiça acima de tudo. Nesta situaçaõ havia penas uma coisa a ser feita:

- Você está certa. Eu não posso, como um guerreiro da justiça, desafiar outros que lutam pela mesma causa. Por favor, liberte os meus amigos, e eu vou ajudar vocês a realizar seus ideais.

Os quatro Justiceiros se afastaram do líder, recobrando sua consciência instantes depois. Não estava mais amarrados, e a primeira coisa que viram ao voltar foi Julian caminhando em direção ao inimigo, triste, porém determinado. Os quatro tentaram chamá-lo de volta, desesperados, ainda tentando entender o que se passava. Julian, no entanto, não olhou para trás, decido a permanecer fiel ao seu ideial de justiça, não importa o preço. Estava a poucos metros de distância da vilã quando uma rosa branca vinda de algum lugar acima deles cravou-se no chão entre o líder dos mocinhos e a vilã ao mesmo tempo em que um cidadão inocente colocava o CD com as músicas de Sailor Moon para tocar, fazendo o tema de Tuxedo Mask ecoar pelo cenário da batalha.

- O que é isso? – Perguntou a vilã, procurando pela criatura que se atrevera a estragar seu momento de triunfo.

- Eu sou um guerreiro! E luto pelo amor e a justiça! Sou Justiceiro Mascarado Branco e vou punir você em nome da minha mãe!

As expressões de assombro eram idênticas tanto na vilã malvada quanto em seu quase novo aliado e nos outros Justiceiros. A criatura que pulara de um prédio de cinco andares direto para o chão fazendo poses e acrobacias era muito menor do que qualquer um dos presentes, devia ter pouco mais de um metro de altura. Seu uniforme era semelhante aos dos Justiceiros, porém totalmente branco e um pouco menos agressivo aos olhos. Mesmo sem poder ver seus olhos, o seu sorriso maroto e sua (falta de) altura logo tornaram-no reconhecível para os Justiceiros Mascarados como sendo Takashi, o único filho de sua mestra, um garoto arteiro e muito bom para criar desculpas esfarrapadas usando palavras complicadas que somente Emy podia entender. Nenhum deles sabia da existência de um sexto Justiceiro, por isso suas expressões de choque demoraram para desaparecer.

- Tá, eu já fiz a minha entrada triunfal e todas as coreografias possíveis. A música também já acabou. Podem voltar ao normal ou a gente não termina essa história em menos de dez páginas. – Exclamou o recém-chegado, caminhando em direção a Julian e colocando-se entre ele e a vilã, ao lado da rosa que atirara. – Minha missão aqui é acabar com a confusão da sua cabeça e te fortalecer para que você possa derrotar a vilã.

- Mas eu não posso lutar contra ela, Takashi! Ela.. ela.. – Exclamou Julian, sentindo-se nervoso ao ser encarado por um garotinho que era meio metro menor do que ele. Takashi sabia intimidar quando queria.

- Ela está se aproveitando do seu coração puro para te confundir, te corromper e te trazer para o lado negro da força!

- Lado negro não, lado rosa! Negro é muito sem graça e definitivamente não fica bem em mim.. – Interrompeu a vilã, fazendo uma pose sexy para reforçar seu ponto de vista. Takashi revirou os olhos, se perguntando se algum dia se deixaria levar por esses truques baratos de sedução. Aos quase nove anos de idade a idéia lhe parecia repugnante.

- O que seja! Julian, ela está tentando te confundir, não vê? Ela quer contorcer o conceito de justiça que existe dentro de você se aproveitando que você é puro demais e bonzinho demais para contra-atacar!

- Mas.. mas..

- Tudo bem que o planeta dela foi exterminado, mas se ela agora quer fazer o mesmo com a Terra, então ela não é melhor do que aqueles que invadiram o planeta dela em primeiro lugar! Se eles não tinham meios para se defender, não é justo fazer inocentes pagarem!

Vendo que Julian estava ficando confuso novamente, a vilã voltou a falar:

- Mas é claro que nossa causa é justa! Onde estaõ seus valores de igualdade e fraternidade? Direitos iguais.. Nós também queremos um planeta para vivermos, um planeta onde seremos felizes e prosperaremos sem nenhum conquistador barato! Nós queremos liberdade e prosperidade pro nosso povo, não é justo querer uma coisa assim?

Takashi rebateu. A essa altura da discussão, quatro entre seis Justiceiros encontravam-se sentados no chão observando as formigas em fila levarem comida para seu formigueiro, totalmente desligados do restante dos acontecimentos:

- Pois eu uso o mesmo argumento que você! Nós lutamos por direito iguais, sim, mais seus direitos terminam onde começam os dos outros! E com os direitos vêm também os deveres! Eu não tenho nada contra vocês quererem viver bem e prosperar, mas não posso permitir que para isso vocês impeçam outro povo de usufruir dos mesmos direitos! Você que primeiro falou em igualdade de direitos, mas suas ações revelam tudo menos isso!

Takashi e a garota malvada começaram a falar ao mesmo tempo, gritando e cuspindo seus argumentos. Ann, John, William e Emy não estavam mais prestando atenção na discussão, mais interessados na vida secreta dos pequenos animais da rua, enquanto Julian observava os dois cada vez mais confuso e atormentado.

- CHEGA! Chega, vocês dois! Eu estou confuso.. não sei mais o que pensar! – Exclamou ele, caindo de joelhos no chão, tentando não encarar a dupla a sua frente. – Eu entendo os argumentos de vocês, entendo seu lado da história, mas não consigo me decidir.. os dois parecem estar certos e errados de alguma maneira, eu não consigo ver a verdade e tomar uma decisão..

- Julian, você é um Justiceiro Mascarado, lembra? – Takashi se aproximou do garoto, colocando a mão em seu ombro agora que suas alturas estavam aproximadas. – Você luta pela justiça. Não a justiça da minha mãe ou a justiça da polícia e do governo. Você luta pela sua justiça, aquela comandada pelo seu coração. Só você pode decidir por quê e por quem lutar, seu coração sabe a resposta. Confie nele.

Tocado pelas palavras do amigo, Julian fechou os olhos, se concentrando em suas vontades e pensamentos em busca de respostas. Ele podia sentir a vontade se construindo, a decisão aos poucos tomando forma. Como Justiceiro, deveria defender sua própria justiça, Takashi estava certo. E essa justiça era..

- Desculpe-me, vilã-malvada-cujo-nome-ainda-não-foi-revelado, mas eu não posso permitir que as pessoas na Terra sejam dominadas para satisfazer suas vontades. – Takashi sorriu, feliz ao observar a expressão nada amistosa no rosto da vilã. – Entretanto, se você e seu povo querem apenas viver felizes e livres como antes de serem atacados, será que não podem fazer isso sem dominar outros povos, mas sim convivendo com eles amigavelmente? Nós podemos todos ser amigos e ajudar uns aos outros, não podemos? – Foi a vez de Takashi ficar impressionado, enquanto a vilã tornava-se pensativa.

- Eu.. não sei.. A sua oferta é.. Eu nunca ouvi nada assim antes. Porém meu papel nesta história é ser a antagonista, então por hora eu temo que tenha que cumprir este papel. Mas foi bom saber que ao menos um de meus rivais pensa assim.. quem sabe se essa história tivesse mais alguns capítulos nosso fim poderia ser diferente..

A vilã deu as costas aos mocinhos e começou a caminhar em direçãoa um portal dimensional recém-aberto. Antes de desaparecer completamente em outra dimensão, a garota virou-se, encarando o Justiceiro Vermelho com um sorriso quase verdadeiro:

- A propósito, meu nome é Jing Mei. Essa não vai ser a última vez que nos encontraremos, eu tenho certeza. – E sumiu.


Na nave espacial do grande vilão da história, a encarnação do mal supremo encontrava-se sentado em sua cadeira de couro confortável observando o desenrolar dos fatos na Terra e a oferta de seu arqui-inimigo. Uma parte dele realmente pensou em aceitar, acabar com o sofrimento de sua nação de um jeito simples e até interessante, porém o lado malvado resistiu, tomando o controle de um jeito mais agressivo e eficiente:

- Muito bem então, Justiceiros.. nós ainda nos encontraremos de novo, e quando isso acontecer, eu definitivamente terei você ao meu lado, Julian Ross..

OWARI