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Harry sempre achou que comprar uma casa seria uma grande confusão, e que um apartamento não ficaria muito atrás. Mas então naqueles três dias pegara seu dinheiro, comprara o apartamento da Sra. Beeker e ainda lhe ficara algum dinheiro para comprar os móveis. Estava na casa de Remus, o homem parecia mais feliz que ele com a compra do apartamento. E estava ainda mais feliz, pois naquele mesmo dia ele e Harry conversaram e o ex-Professor do moreno lhe oferecera um emprego.

Nada que ele precisasse ficar do lado de fora da própria casa, ou que lhe empregasse algum tipo de perigo. Na verdade, Hermione amaria esse emprego. Alguns meses antes uma escavação em alguma parte do Egito achara vários livros e pergaminhos em uma sala escondida em um prédio que estava protegido por feitiços antigos. O Ministério ainda queria que esses achados ficassem em segredo, pelo menos até terem idéia do que se continham nesses artefatos.

Várias pessoas de confiança do Ministério ficaram encarregadas, e Remus dissera ao Ministro que conseguiria segurar Harry em Londres se ele tivesse algo para fazer. Algo importante e que não atraísse atenção para ele. O Ministro logo concordou, e Remus não contou a Harry que as pessoas questionavam o Ministério, e principalmente o Ministro, sobre esse repentino desaparecimento de Harry Potter.

O Ministro sem ter explicações, recorreu aos amigos do rapaz, achando Remus Lupin em Hogwarts e pedindo para que o achasse. Remus achava que se Harry soubesse disso, poderia recusar o emprego, então ficaria sem lhe contar aquilo. E sabia que com a quantidade de coisas que acharam naquela escavação, Harry e as outras pessoas que pesquisariam sobre os livros e pergaminhos ficariam ocupadas por muitos anos.

E continha a vantagem de que ele logo voltaria para Hogwarts e Harry ficaria praticamente sozinho no próprio apartamento. Ele poderia convidar os amigos, retomar a vida, ter seu próprio espaço, e Remus sabia o quão importante isso era para o rapaz que sempre tivera que usar as coisas de outras pessoas.

Harry estava sentado no sofá de Remus apenas pensando em como sua vida mudara em tão pouco tempo. Tomara uma decisão de ir embora de Hogwarts e então tudo mudara, tudo se tornara um novo caminho. Mas ele sentia que ainda não chegara ao fim do capítulo, ainda precisava estar dentro de sua casa para poder iniciar esse novo capítulo.

Porque sentia que ali, e somente ali, começaria uma nova fase, um novo jeito de viver. E ele estava certo. Oito dias depois, quando a Sra. Beeker lhe entregou as chaves do apartamento, Harry sentiu-se extremamente feliz. Parecia que nada mais poderia dar errado. Ele estava acostumando-se a sentir tudo outra vez, e a felicidade que sentira ao entrar em sua casa, era quase demais.

Lupin saiu do apartamento deixando Harry experimentar aquele momento sozinho, aproveitar agora que ele realmente teria a noção de que tinha uma casa só dele. O moreno ouviu a porta da sala se fechar e respirou fundo, o apartamento estava vazio, sem móveis, sem ninguém, apenas ele e o chão de madeira que parecia pegar fogo.

Olhou ao seu redor, aquele definitivamente era o fim de um capítulo e o começo do próximo. Queria demais sentir-se menos feliz, mas não conseguia. As coisas aconteceram e ele não conseguia se conter nessa felicidade. Sabia que era bobo, que as pessoas viviam a comprar um lugar só para si, mas era a primeira vez que Harry tinha a certeza de que aquele lugar era só dele, que não era usado e descartado como se antes de ir para o lixo poderia ficar com ele.

Não, ele comprara aquilo com o próprio dinheiro, usaria aquilo sozinho, e poderia fazer o que bem entendesse ali, sem ordens de ninguém, sem ninguém para lhe atormentar sobre nada. Sorriu e não consegui não pensar em como gostaria que seus pais vissem isso. E então, respirou fundo, era hora de ligar para Hermione e pedir para que ela fosse consigo comprar alguns móveis.


-Branco é horrível para limpar. – Harry sorriu amarelo e olhou o próximo. – Preto deixa a casa escura. – partiu para o próximo. – Amarelo parece um canário. – seguiu para o seguinte. – Vermelho parece hemorragia.

-Não vou comprar então. – Harry disse para Hermione que não achava nenhuma cor de sofá boa o suficiente para se ter, e aquilo deixou Harry cansado de tentar.

-Não, Harry, aquele seria perfeito. – Hermione sorriu e segurou o braço de Harry, mostrando um sofá azul escuro, muito bonito.

-Ótimo, é aquele mesmo.

Hermione não conseguiu falar mais nada, Harry saiu andando na direção da vendedora e pediu que entregassem o sofá. O moreno já estava cansado das opiniões da amiga, ela não lhe deixara comprar várias coisas, e ele estava cansado, queria ir para casa e aproveitar o seu canto.

Ao saírem da loja de móveis, com a garantia de que seriam entregues ainda hoje, Hermione disse a Harry que ele só havia comprado algumas coisas, e que deveriam comprar mais. Harry entrou em desespero, queria ir embora, e disse para a amiga que outro dia terminariam de comprar, que no momento ele tinha tudo que precisava.

Depois de vários minutos o moreno conseguiu convencer a morena a irem embora. Harry parecia realmente satisfeito em ter comprado apenas algumas coisas, como: colchão, alguns utensílios para a cozinha, fogão, sofá e uma cômoda. Hermione achava que ele deveria ter pego mais algumas coisas, mas ele já não mais agüentava ficar com ela e as opiniões, naquele dia. Quem sabe no dia seguinte eles voltassem as compras e todo o resto fosse comprado.

Tomaram um café antes de irem para o prédio, para poder dar um certo tempo para conseguirem entregar os poucos móveis. Andaram conversando sobre essa mudança repentina na vida do moreno, e Harry sentia que Hermione estava feliz com isso. E ele se sentia bem com isso também. Poderia realmente escrever esse novo capítulo com toda a certeza de que seria totalmente diferente de todos os outros.

Ao chegarem na frente do prédio, Hermione desapartou e Harry ainda estava sorrindo quando olhou mais a frente no beco, vendo Malfoy parado há alguns metros de distância. O loiro estava usando um casaco de frio bem fechado ao redor do corpo, os cabelos balançavam com força conforme o vento parecia crescer ao redor dele. E os fios pareciam ainda mais brancos com a luz fria da rua. Estavam ainda maiores do que Harry se lembrava, e estavam soltos.

Draco viu Potter parado perto da porta de um prédio, e seus olhos semicerrados para que pudesse observá-lo, o vento começando a atrapalhar. Os cabelos do moreno estavam presos, maiores, seu rosto era de espanto por vê-lo ali. E na verdade, Draco estava surpreso por ter ido até ali. Perguntara para fontes seguras e que sabiam de quase tudo, onde Potter estava, e descobrira que ele comprara aquele apartamento.

Era estranho vê-lo e não poder nem ao menos dizer nada. Não sabia qual seria a reação dele. E muito menos qual seria sua reação. Respirou fundo, e com certo esforço, fechou as mãos em punhos para se impedir de respirar com mais rapidez, se virou e foi embora.