EPÍLOGO
DUAS GRANDES LUZES
No capítulo anterior...
Ela segurou o medalhão em volta do pescoço mais uma vez, uma vida inteira de memórias ali. Suas memórias, Edward tinha lembrado, eram suas para decifrar.
O que continham ela não sabia, não mais do que sabia sobre para onde o Sr. Cole a estava levando. Mas tinha se sentido como parte de alguma coisa aquela manhã na capela, parada ao lado de Alice, Rose e Edward. Não perdida e com medo e complacente... mas como se pudesse ter importância, não apenas para Edward, mas para todos eles.
Ela olhou pelo para-brisa. Já teriam ultrapassado as salinas agora, e pela estrada que levava até aquele horrível bar onde encontrou Jacob, e o longo trecho de areia da praia onde beijara Edward pela primeira vez. Estavam agora sobre o mar aberto, que – em primeiro lugar – abrigava o novo destino de Bella.
Ninguém tinha chegado e contado a ela que haveria mais batalhas para serem travadas, mas Bella sentia a verdade dentro dela, de que estavam no principio de algo longo, significativo e difícil.
Juntos.
E quer fossem as batalhas pavorosas ou redentoras, ou as duas coisas, Bella não queria mais ser apenas um peão. Uma sensação estranha estava crescendo dentro dela – embebida por todas as suas vidas passadas, por todo o amor que ela sentia por Edward, que tinha sido extinguido vezes demais antes.
Isso fez Bella querer estar ao lado dele e lutar. Lutar para sobreviver por tempo o bastante para viver ao lado dele. Lutar pela única coisa que ela sabia que era boa o suficiente, nobre o suficiente, poderosa o suficiente para valer a penas arriscar tudo.
O amor.
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A noite toda ele a observou dormindo, encaixada na estreita cama de lona. Uma única lanterna verde oliva pendurada de uma das baixas vigas de madeira na cabana iluminava sua silhueta. O brilho suave acentuava o cabelo lustroso espalhado sobre o travesseiro, as bochechas ainda macias e rosadas do banho.
Toda vez que o mar batia contra a praia deserta, ela virava para o outro lado. A regata agarrava seu corpo de modo que, quando o cobertor fino se amontoava em volta dela, ele podia distinguir aquela pequena covinha marcando seu macio ombro esquerdo. Ele o tinha beijado tantas vezes antes.
Volta e meia ela suspirava durante o sono, depois respirava uniformemente, e então gemia, de algum lugar de um sonho profundo. Mas se era de prazer ou de dor, ele não sabia. Duas vezes ela chamou seu nome.
Edward queria flutuar até ela. Deixar seu posto acima das velhas caixas de munição cheias de areia no alto de um mezanino da cabana de frente para o mar. Mas ela não podia saber que ele estava lá. Não podia nem saber que ele estava por perto. Ou o que os próximos dias lhe traziam.
Atrás dele, na janela marcada de sal, ele viu de relance uma sombra passando. Então ouviu uma fraca batida no painel de vidro. Tirando os olhos da garota, ele se moveu até a janela e abriu a tranca. Uma chuva torrencial caia lá fora, reunindo-se ao mar. Uma nuvem negra escondia a lua e não jogava nenhuma luz sobre o rosto do visitante.
– Posso entrar?
Jacob estava atrasado.
Apesar de Jacob possuir o poder de conseguir simplesmente surgir ao lado de Edward, Edward abriu mais a janela para deixá-lo entrar. Tanta coisa era pompa e circunstância hoje em dia. Era importante para ambos que ficasse claro que Edward tinha deixado Jacob entrar.
O rosto de Jacob ainda estava sombreado, mas ele não mostrava sinais de ter viajado milhares de quilômetros na chuva. Seu cabelo escuro e sua pele estavam secos. As asas douradas, compactas e sólidas agora, eram a única parte que brilhava, como se fossem feitas de ouro vinte quatro quilates. Apesar de ele ter as ter escondido cuidadosamente atrás de si, quando se sentou ao lado de Edward numa caixa de madeira cheia de farpas, as asas de Jacob gravitaram em direção às iridescentes e prateadas asas de Edward. Era o estado natural das coisas, uma inexplicável confiança. Edward não podia se afastar sem abrir mão da visão desobstruída que tinha de Bella.
– Ela é tão linda quando dorme – disse Jacob suavemente.
– É por isso que queria que ela dormisse por toda a eternidade?
– Eu? Nunca. E eu teria matado Victoria pelo que ela tentou fazer, e não a deixado fugir como você fez. – Jacob se inclinou para a frente, descansando os cotovelos no corrimão do mezanino. Lá embaixo, Bella apertou as cobertas em volta do pescoço. – A única coisa que quero é ela. Você sabe por quê.
– Então tenho pena de você. Vai acabar decepcionado.
Jacob sustentou o olhar de Edward e esfregou o queixo, rindo cruelmente para si mesmo.
– Ah, Edward, sua miopia me surpreende. Ela ainda não é sua. – Ele deu mais uma longa olhada em Bella. – Ela pode achar que é. Mas nós dois sabemos o quão pouco ela entende.
As asas de Edward ficaram tensas contra suas omoplatas, mas as pontas estavam apontadas para a frente. Mais perto das de Jacob. Ele não conseguia impedir.
– A trégua dura dezoito dias – disse Jacob. – Apesar de eu ter uma impressão de que possamos precisar um do outro antes disso.
Então ele se levantou, empurrando a caixa de volta com seus pés. O arranhão contra o teto acima da cabeça de Bella fez os olhos dela pestanejarem, mas os dois anjos se abaixaram e recuaram para a sombra antes que seu olhar pudesse se fixar em qualquer lugar.
Eles se encararam, ambos ainda cansados da batalha, ambos sabendo que aquilo fora um mero gostinho do que estava por vir.
Lentamente, Jacob estendeu a bronzeada mão esquerda.
Edward estendeu a sua de volta.
Enquanto Bella sonhava ali embaixo com as mais gloriosas asas se desenrolando – de tipos que ela nunca havia visto antes –, dois anjos sobre as vigas apertavam as mãos.
Então... Fallen chegou ao fim e tudo o que tenho que dizer para cada um de vocês é muito obrigada. Tenho que agradecer o carinho de cada um de comentou durante todos esses meses da fic, a paciência que tiveram comigo mesmo quando eu não podia dar toda a atenção que estava disposta. Resumindo, vocês são incríveis e espero que continuem acompanhando minhas outras fics!
É o seguinte: Fallen já possui o segundo livro, então se vocês quiserem que eu continue adaptando a série é só me deixar um recadinho. Eu não posso me dar ao luxo de fazer isso sem que meus leitores acompanhem porque como eu já disse milhões de vezes anteriormente, meu tempo é muito corrido... Mas se estiverem dispostos a ler a continuação, vou ficar muito feliz em digitar mais umas quatrocentas páginas.
MAIS UMA VEZ MUITO OBRIGADA E EU AMO CADA UM DE VOCÊS!
Vocês foram e vão continuar sendo sempre minha pírula da alegria!
Com muito amor e carinho, Isa.
