Capitulo XXXI
Mary Jane acordou cedo naquele dia, mas deixou-se ficar na cama de olhos fechados e agarrada a uma almofada. Pouco depois as lágrimas caiam-lhe pela cara.
Aquele era o terceiro aniversário da morte de Lord Voldemort, e quando ela decidira fugir de Londres, mostrando que mesmo por baixo daquele seu olhas duro, não passava também de uma cobarde.
Sentiu as mãozinhas do seu filho sobre a sua cabeça e pouco depois o pequeno peso do seu corpinho sobre os seus ombros.
Desde que ficara grávida que tinha o hábito de falar para Ethan sabendo que ele a ouviria e lhe responderia e realmente assim tinha sido, mas naquele tempo em que ela esteve sozinha e protegia o seu nascimento, um laço inquebrável foi feito. Assim quando ela não se sentia muito bem, ele também sentia.
- Mama… - disse Ethan
- È tutto il pozzo del príncipe – disse ela sorrindo-lhe levemente e dando-lhe um beijo na cabeça – Estás com fome?
- Na verdade tenho um bocadinho… - disse ele olhando-a e sorrindo levemente fazendo-a gargalhar.
Os dois levantaram-se, ela passou as mãos pelo rosto para afastar as lágrimas e limpar os rastos delas. Ambos se dirigiram para a cozinha e ela fez o pequeno-almoço. Falaram sobre coisas sem importância brincando. Depois MJ levou Ethan para a casa de banho deu-lhe banho e vestiu. Depois foi a sua vez.
Naquele dia não ia abrir a loja, e por isso no dia anterior tinha dado folga à empregada que tinha contratado para a ajudar na loja.
- Ethan a mamã tem de ir a um sitio mas tu vais para o Ministério e não sais de lá ok?
Ethan olhou-a com tristeza, pois desde que se tinham mudado para Londres que ela estava sempre a desaparecer e mais ocupada. E ele queria que ela voltasse a ficar com ele. Se ao menos os seus primos e amigos estivessem ali… ele suspirou e assentiu levemente.
Ela deixou-o perto do departamento de aurors onde sabia que a família o encontraria, e aparatou. Estava na hora de enfrentar os seus fantasmas para poder seguir em frente.
-
Segundo se contava, Basilisk Hall tinha sido em tempos um género de cidade, pois com as suas Alas e jardins, conseguia albergar imensa gente, mas foi perdendo a sua beleza e as suas pessoas. A maldade estava cada vez mais presente.
Por momentos parecia ter recuperado aquilo tudo, mas agora tornava a estar tudo abandonado e Mary Jane sentiu um aperto no coração ao ver aquilo. Os jardins estavam verdes e coloridos com as flores de Verão mas havia um quê de desleixo no ar. Numa ponta daquilo tudo estava um castelo de paredes brancas com uma torre coberta de flores trepadeiras, as janelas eram a imitar as antigas, de vidro e de cor verde escuras, os telhados eram de telhas vermelhas, e da torre mais alta ela via que voavam algumas corujas.
Ela aproximou-se da porta de madeira grossa trabalhada e com a chave que lhe tinham dado no ministério abriu-a. Um corredor esperava que ela entrasse e se deparasse com quatros escadarias que levariam a cada ala. Ela seguiu pelo corredor fechando a porta suavemente atrás de si, para depois subir as escadas que levariam à Ala Norte. Onde antes era o seu quarto e escritório do Tom.
Dentro da casa tudo estava coberto com lençóis e nos móveis via-se uma leve camada de pó, mas nada que um bom feitiço de limpeza não eliminasse.
Ela passou por vários quadros e todos os seus protagonistas a olhavam e cumprimentavam. Ela simplesmente se limitava a responder com educação até parar em frente da porta que a levaria para o escritório de Tom.
Da última vez que tinha ali estado, foi quando ela lhe permitira leva-la para a cama e ama-lo uma última vez já que ele estava disposto a morrer. Ela inspirou e expirou com força e fechando os olhos empurrou a porta dando dois passos para dentro da sala sentindo a luz sobre as suas pálpebras.
- Não precisas de ter medo querida… - disse uma voz masculina e carinhosa na sua frente fazendo-a abrir os olhos de repente para olhar para um rapaz moreno de olhos cinzentos.
E enquanto o olhava sabia que o seu filho seria parecido com ele. Ninguém iria poder negar ao seu filho a sua herança.
- Tom…
- Bem vinda a casa querida… - disse ele sorrindo-lhe e ela sentiu algo frio tocar-lhe suavemente a pele da cara quando a mão dele lhe tocou na bochecha.
- Nunca pensei vir a dizer-te isto mas sinto saudades tuas…Gostava tanto que estivesses vivo para poderes ver o Ethan…
- E quem te disse que eu não vejo? – perguntou ele sorrindo suavemente – Eu vejo-o a ele todos os dias e a ti também, mas sinto-me zangado contigo…
- Porquê? – perguntou ela espantada dando um leve passo atrás.
- Porque foste embora, porque puseste a tua saúde em risco só para poderes ter de volta tudo o que pertencia aos Slytherin. Podias ter morrido Mary!
- Mas não morri estou aqui! – disse ela sorrindo e dando uma volta fazendo posse, para ouvir a gargalhada dele.
- Sim estás aqui, mas espero que comeces a ter mais juízo ou vamos chatear-nos e muito!
- Tens mais alguma queixa?
- Porque é que ainda não estás com o Malfoy?
Mary Jane olhou incrédula para Tom.
- O eu queres dizer com isso?
- Eu morri para te dar uma oportunidade de seres feliz. Não foi só para libertar o mundo bruxo da minha influencia.
- Mas eu sou feliz assim mesmo!
- Não me consegues enganar Mary… ainda amas o Malfoy e eu sei que te doeu saber que passado um mês de te teres ido embora ele se envolveu com outra, se casou com ela por a ter engravidado e de ela ter tido o filho dele. No entanto, sentes-te mal por estares contente com a morte dela…
- Não sinto nada por ela ter morrido. Se sinto alguma coisa com essa morte é o facto de o Scorpious não ter tido mãe.
- Sempre pensei que se o meu filho tivesse de ter outro pai além de mim, devia ser um que compreendesse tradições de puros-sangues e que te pudesse proteger e a única pessoa em todo este mundo bruxo que preenchia esse requisito era o Draco Malfoy.
- Acontece que ele já não me ama… - disse ela desviando o olhar.
- Tens a certeza? – perguntou ele olhando-a com um sorriso de lado – Se falasses com ele ficarias surpreendida com aquilo que ele sente por ti.
Ela sorriu com tristeza e uma lágrima escapou-lhe pela bochecha abaixo. Ele passou rapidamente o polegar na cara dela afastando aquela lágrima.
- Luta por aquilo que mereces Mary e faz-me ainda mais orgulhoso. Eu sei que numa próxima vida voltaremos a encontrar-nos e as coisas serão melhores. Por agora liberto-te da tua viuvez para que possas amar sem preconceitos e sem medos… - disse ele tirando do dedo anelar da mão esquerda dela o anel em forma de serpente que um dia lhe tinha dado deixando surpreendida.
Ele sorriu e deu-lhe um suave beijo na testa, começando a desaparecer.
- Fala de mim ao nosso filho… amar-te-ei sempre!
Um vento suave soprou na sala de janelas fechadas e ela sentiu o seu coração bater com força e descompassadamente enquanto este lhe começava a doer com força.
Ela virou costas à sala dirigindo-se para o corredor caminhando lentamente até chegar ao quarto que tinha partilhado na última noite com Tom antes da batalha. Tudo estava na mesma. Até as suas roupas estavam lá.
- Como gostava que estivesses aqui comigo Autunm – disse ela baixinho.
Autunm, a sua raposa tinha morrido na última missão que ela tinha feito na Rússia ao tentar salva-la de um feitiço. Isso tinha destroçado Mary Jane e tinha sido uma mais valia para se ir abaixo.
Ela sentou-se na cama e tirou de dentro do casaco comprido de malha vermelha uma carta que já estava gasta nas dobras e nas pontas.
Tornou a desdobra-la apesar de já saber as suas palavras de cor e salteado.
"Querida Mary Jane:
Lamento muito, que estejas a ler esta carta, pois ela é sinal de que fiz a minha decisão e serei corajoso o suficiente, para a levar para a frente.
Lamento também ter morto os teus pais. Não imaginas o quanto me custou, quando te conheci anos mais tarde mentir-te sobre quem era, se bem que tu o descobrisses depois.
Nesses momentos e mesmo depois, consegui ser feliz e esquecer-me por algumas horas o que eu era e o que era esperado de mim. Ensinaste-me a olhar o mundo sem sombra e apreciar as pequenas coisas, que eu achava tão fúteis e desnecessárias. Espero que ensines o nosso filho da mesma maneira também.
Guardo comigo e com prazer, o dia que passamos em Itália durante as tuas férias de Natal, em Durmstrang. Nesse dia declaraste-te com toda a sinceridade e eu só lamentei não o puder fazer sem sentir remorsos. Mas o que te disse naquele dia foi verdade.
Espero que encontres alguém especial no final de tudo isto que te ajude a ultrapassar as dificuldades da guerra e te ajuda a criar o nosso filho... gostaria que fosse o Draco a faze-lo. Afinal ele amava-te e amaria essa criança também. Ninguém mais me parece perfeito para ti.
Desejo que cries o nosso filho sem lhe contares quem era o pai. Quero que ele se orgulhe de mim, mas quando a altura chegar, então sim, conta-lhe quem fui e o que fiz, mas que o amo como nunca esperei amar, e que ele não é fruto de nenhuma tristeza nem ódio. Pelo menos não da minha parte e penso que da tua também não.
Guardarei a ultima noite comigo, pois conseguiste fazer-me o mais feliz dos homens.
Amei, amo e amar-te-ei sempre!
Para toda a eternidade, o teu marido e amigo:
Tom Malvoro Riddle"
As lágrimas tomaram conta de novo de si e ela caiu de joelhos no chão a chorar agarrada à carta. Ela prometeu-se a si mesma ser a última vez que choraria e que se esforçaria por seguir em frente. Deixaria o passado no passado.
Quando apoiou as mãos no chão e se levantou reparou que debaixo da cama estava uma pequena caixa de cartão. Quando a puxou para si viu que ela estava cheia de cartas dirigidas a si e escritas por Tom Riddle.
-
Ginny caminhava pelo ministério quando viu Ethan a olhar para uns quadros e olhando para todos os lados não viu Mary Jane, e a porta do Departamento de Aurors não estava aberta o que significava que ela também não estava lá.
Ela dirigiu-se para Ethan sorrindo-lhe.
- Olá Ethan!
- Olá Ginny!! – disse ele sorrindo com entusiasmo
- A tua mãe?
- Ela disse que tinha de ir a um sitio… BH…
- BH? Basilisk Hall?
Ele encolheu os ombros e olhou para outro lado, no entanto ela pegou nele ao colo e dirigiu-se para o Departamento de Aurors, vendo que estavam lá todos a falar, uma vez que estavam próximos da hora de almoço.
- A Mary Jane foi para Basilisk Hall… - anunciou Ginny vendo que todos paravam de falar e a olhavam, para verem que Ethan estava no colo dela.
- E o Ethan?
- A mama deixou-me cá… - disse ele encolhendo os ombros – mas ela está triste…
- Eu vou ver o que se passa… - disse Hayden, mas foi agarrada por um braço pelo Draco.
- Eu vou! – disse ele e ela assentiu pouco depois ele tinha desaparecido.
- Espero que as coisas se resolvam entre estes dois – disse Harry ao que todos concordaram – Agora vamos almoçar. Deves estar com fome não, Ethan?
Ethan simplesmente assentiu.
-
Draco olhou para a porta do castelo que estava aberto e respirou fundo. Desde a batalha que não entrava ali, mas se Mary Jane estava lá dentro ele também devia estar. Tinha chegado a altura de ele falar com ela.
Ele entrou caminhando pelo corredor subindo as escadas do lado Norte onde o seu instinto lhe dizia que ela estava. Subiu as escadas e parou em alerta. Ouvia soluços vindos mais da frente. Apressou o passou e viu uma porta encostada, quando a abriu viu o quarto onde tinham achado MJ na batalha, com ela de joelhos e debruçada sobre ela própria a soluçar. Ele guardou a varinha no bolso da capa e aproximou-se dela ajoelhando-se ao seu lado e abraçando-a, sentindo que ela se virava para ele abraçando-o pela cintura e escondendo o seu rosto no peito dele.
- Shh… - disse ele embalando-a – está tudo bem, Jane…
- Eu amava-o Draco… ele foi o meu primeiro amor, mas não o último… - disse ela num sussurro entrecortado pelos sussurros – Tu foste o segundo e infelizmente para mim o último…
Ele sentiu que o seu coração se apertava para depois começar a bater com força.
- Quando te vi a cair no campo de Hogwarts porque a Hayden te acertou com um feitiço senti-me perdida. Perdi o meu coração e fiquei com ele negro, cheio de ódio por ela. Afastei-me de todos, e o Tom recolheu os pedaços do meu coração. Só fui uma vez para a cama com ele depois da tua morte e foi o bastante para ficar grávida. – disse ela afastando-se suavemente dele para o olhar nos olhos e ver que eles estavam claros e cheios de esperança e amor. Ele não lhe estava a esconder os sentimentos – Não me arrependo disso. Lamento se gostarias de ouvir que me arrependo mas infelizmente não é assim.
- Porque te foste embora de Hogwarts?
- Estava grávida e não queria que as pessoas sentissem mais pena de mim do que aquela que já sentiam. Acabei o ano à distancia com testes feitos à noite assim como o exame foi feito de dia mas numa sala à parte. O Zac foi o meu guardião e sempre considerado por mim como um irmão. Ele é o padrinho do Ethan.
- O que é que ele disse sobre isso?
- Simplesmente concordou. – disse ela sorrindo levemente – Ao principio encarava a minha gravidez como algo mau, mas depois ficou deslumbrado e eu era o refugio dele. Durante o dia ele era Lord Voldemort, de noite era Tom Riddle, marido e pai amado e carinhoso.
- Casaste-te com ele não foi?
- Ele queria que o Ethan fosse legitimo. Eu concordei. Uma semana depois dei-lhe uma última noite de carinho e no dia seguinte ele morreu. – disse ela fechando os olhos e tornando a encostar a cara no seu peito apercebendo-se que estava mais calma – Quando entras-te no quarto e me olhas-te com frieza e ódio senti-me duplamente perdida sem saber o que fazer, depois foram as vossas acusações e eu tinha de fazer alguma coisa. Forjei a minha fuga, vim para BH procurei provas que sabia existirem, dei-as a Dumbledor e assisti ao vosso julgamento, só quando vi que fora ilibados de todas as culpas é que me fui embora.
- Eu andei um mês bêbedo e acabei por me envolver com uma amiga de família que os meus pais gostavam que eu me casasse com ela antes de eu te ter conhecido. Bastou uma noite e ela ficou grávida. Não sabia se voltarias ou não, se te importarias connosco ou não, mas se não davas noticias era porque não te importavas. Casei-me com ela, e fui sempre amigável com ela mas nunca mais lhe consegui tocar, e penso que ela me amava. Acabou por morrer no parto.
- Lamento Draco…
- A Hayden apoiou-me, quando descobriu que a Amelie, a minha mulher, estava grávida e tornou-me a apoiar quando tive de tomar conta do Scorpious sozinho. Depois fomos aos poucos deixando de falar de ti, no entanto ainda pensávamos em ti.
- Quando sai de Londres fui para o México. Lá aprendi as propriedades do chocolate…
- O teu único vicio…- disse ele interrompendo-a e fazendo-a sorrir levemente.
- ... e tive o Ethan, mas nos últimos dois meses tive problemas de gravidez e não pode fazer grande coisa. Depois do Ethan nascer parti para a Itália e abri a minha primeira loja, também fiz outra tatuagem para me lembrar que cada dia é melhor que o outro.
- La vitta bella… - disse Draco subindo uma das mãos que estavam na cintura para o pescoço dela massajando-o.
- Depois modifiquei a minha primeira tatuagem para três borboletas. São os meus pais e o Tom. Uma homenagem. E a Fénix…
- A tua irmã… - disse ele olhando-a nos olhos ao que ela assentiu.
- Depois foi França, recebi o contrato do Ministério de Inglaterra, comecei a trabalhar na Rússia, fiquei doente e decidi voltar, para que o meu filho tivesse conhecimento da sua herança. – disse ela sorrindo levemente e começando a afastar-se levemente dele – Voltei para Londres e consegui fazer as pazes com a minha irmã e todos os outros menos contigo. Por isso vim aqui hoje. Tinha de me sentir livre de alguma coisa, mas olhar para estas cartas fez-me perder de novo a razão e mergulhar em tristeza.
- Jane… - chamou suavemente Draco fazendo-a olha-lo com curiosidade – nunca te esqueci. Não houve um único momento no dia que não pensasse em ti. A musica que saiu agora com vídeo para a televisão… acertas-te em cheio. Eu olhava para qualquer lado e só te via a ti, apercebia-me muitas vezes a pensar em ti, nos tempos que passamos onde podíamos estar hoje… ainda te amo Jane…
Mary Jane sentiu as lágrimas inundarem-lhe de novo os olhos, mas um singelo sorriso iluminou-lhe os lábios e ela atirou-se nos seus braços.
- Amo-te tanto Draco… com toda a força do meu ser. – disse ela no seu ouvido e pouco depois os seus lábios encontraram-se num beijo meigo que foi aos poucos ganhando paixão e fogo – Leva-me para casa Draco… tira-me daqui…
Draco pegou na varinha e aparatou para um quarto de paredes brancas, com uma cama grande de madeira escura com dossel de colcha verde escura com reflexos prata, tapetes felpudos pretos, uma secretária cheia de livros, guarda fatos embutido na parede, uma casa de banho privada, e uma cómoda. Em ambos os lados da cama duas janelas estavam cobertas por cortinados verdes claros.
Os dois perderam-se nos braços um do outro, tirando as roupas um do outro à vez, descobrindo-se novamente como duas crianças inocentes que experimentam algo pela primeira vez.
Quando Mary Jane sentiu Draco dentro dela abriu os olhos e olhou-o no fundo deles.
- O meu amor é só teu. Nunca deixei de te pertencer.
- És a minha irmã e amiga, mulher e rainha para sempre…nunca deixei nem vou deixar de te amar…
Os dois tornaram a juntar os seus lábios e depois de alguns minutos entrelaçaram os dedos das mãos e saltaram juntos o precipício do paraíso na terra.
Draco caiu sobre ela mas moveu-se para o lado trazendo-a consigo, fazendo com que ela se estende-se sobre o seu corpo, descansando a cara sobre o peito dele ouvindo o coração dele a acalmar aos poucos.
- Jane casas comigo?
Mary Jane olhou para ele e sorriu levemente com tristeza.
- Não te posso dar filhos Draco…
- Isso não me importa! Só quero que estejas comigo! Quero ser o pai do Ethan e quero que sejas a mãe do Scorpious.
Mary Jane não respondeu simplesmente olhou à sua volta e levantou-se apoiando-se nos cotovelos.
- Este não é o meu quarto. Não é a minha casa…
- Daqui vês o jardim de rosas negras… e já estás em casa…
Mary Jane sorriu e beijou-o. Passado pouco tempo já estavam de novo nos braços um do outro.
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Finalmente o último concerto de Mary Jane tinha chegado e apesar do frio característico de Dezembro, ela fez de tudo para que o estádio pudesse proteger as pessoas caso começasse a chover.
No relvado estavam todas as pessoas que eram importantes para ela, apoiando-a naquela decisão. Em todos os concertos eles tinham lá estado com ela, e em todos os concertos a maneira de actuar tinha sido diferente e todos os jornais comentavam aquilo. No entanto aquele último seria o mais esperado.
As luzes do estádio apagaram-se e os cortinados do palco levantaram-se para deixar ver um palco dividido um dois pisos. No de cima estavam a banda e no segundo o coro. Por trás destes dois palcos estava um ecrã gigante e dos dois lados outros ecrãs. Na tela começou a aparecer os números antigos que apareciam antes nos cinemas de filmes mudos, e um pequeno vídeo apareceu desde o momento em que ela começara a carreira como cantora com vários comentários de várias pessoas.
- …Fui desafiada a entrar neste mundo. Aceitei e agora estou aqui…
- …As manas Busltrode encontram-se empatadas no Top10…
- …Mary Jane Bustrode editou hoje o seu segundo CD conseguindo boas críticas, mas a pergunta do momento é: Onde está ela?...
Depois mostrava Mary Jane com os seus vários amigos, a falarem e a brincarem, pouco depois começaram a ouvir a voz de Mary Jane mas a fazer vocalizes, a aquecer a voz.
- …As críticas diziam que depois do 2º Cd ela não conseguiria dar a volta, mas ela está aqui de novo…
Os ecrãs explodiram em cores e as musicas começaram, assim como ela apareceu vestida com glamour e sensualidade actuando sem deixar de espalhar magia e simpatia. Ia fazendo pequenos intervalos para falar com o público, à medida que o concerto se ia aproximando do fim.
Como em todos os outros concertos músicas novas foram apresentadas, e todos deliraram com elas.
- E o que é bom acaba sempre depressa. A próxima musica é dedica a todos e vocês e é também a última. Obrigada por me terem acompanhado nesta pequena carreira.
O público fez barulhos de protesto mas depois bateu palmas durante muito tempo, fazendo com que ela lhes tivesse de virar costas para não chorar. Ela prometera-se a não chorar no último concerto.
Os acordes do piano começaram a dar e ela apareceu ao pé da banda vestida com uma túnica vermelha, um colete preto, umas calças justas pretas assim como umas botas de cunha pretas. O cabelo loiro estava preso numa bandulete vermelha e completamente liso.
Ela foi começando a cantar enquanto descia as escadas. E sobre o palco e o público caiam pequenos farrapos brancos parecidos com neve.
We're driving slow through the snow on 5th Avenue
And right now radio's all that we can hear
That we ain't talk since we left it so overdue
It's cold outside but between us..
Ela parou nos últimos degraus das escadas e fechou os olhos ligueiramente para a frente, com a mão fez um pequeno circulo e depois fechou o punho para o bater levemente no peito. Ela abriu os olhos e continuou a andar até ao limite do palco sentindo toda a energia do público.
The world slows down, but my heart beats fast right now
I know this is the part where the end starts
I cant take it any longer
thought that we were stronger
all we do is linger
slipping through our fingers
I dont wanna try now
all thats left's goodbye to
find a way that I can tell you
Ela cantava agora como se lhe faltasse a voz para cantar enquanto novamente as lágrimas lhe inundavam os olhos.
I hate this part right here
I hate this part right here
I just can't take your tears
I hate this part right here
Ela olhava para o público vendo como alguns deles choravam e cantavam a música com frça. Como se lhe quisessem dar apoio. Depois olhous para as duas primeiras filas, para os olhos da sua irmã e de Draco e viu que eles lhe sorriam e acenavam afirmativamente de maneira a dar-lhe força e confiança. Ela sorriu levemente e desta vez as lágrimas cairam-lhe pelas fases, mas ela continuou a cantar e desta vez com mais força.
Every day's seven takes us to thesame old scene
Seem we're bout get lost like we were seventeen
Gotta talk to you now oh we go to sleep
when you to sleep once I tell you
The world slows down, but my heart beats fast right now
I know this is the part where the end starts
(…)
Ela abaixou-se suavemente e apontou para os seus amigos e família enquanto cantava, para depois fechar os olhos e fechar o punho com força enquanto a outra mão apertava o microfone e ela acabava por cair de joelhos no palco não deixando de cantar.
I know your last me to hold on
And carried on like nothings wrong
There is no more time for lies
Cause I'm detoxing your eyes
(…)
Aos poucos foi-se levantndo e caminhando suavemente para trás com uma mão estendida à sua frente e abanando a cabeça devagar negativamente.
I hate this part right here
I just can't take your tears
I hate this part right here
All of these lines across my face
- Adeus Wembley. Obrigada!
Todos ouvira a voz dela sussurrada já que as luzes do estádio se tinham apagado no palco, não deixando ver. O público começou a bater palmas com mais força e a chamar por ela.
No camarim ela olhavasse ao espelho, apertando as mãos com força. Tinha de ser forte. Não podia voltar ao palco.
- Canta uma última vez… - disse uma voz feminina na sua cabeça e quando ela olhou para o lado julgou ver o pêlo vermelho de Autunm, mas tinha sido um vislumbre de nada, no entanto ela ainda cantaria uma última musica.
Ela fez sinal aos produtores e banda e eles voltaram às suas posições enquanto ainda no escuro ela caminhava para o meio do palco, num sitio que tinha um pequeno elevador fazendo-a ver todo o estádio.
Aos poucos todos começaram a ouvir os acordes de uma guitarra assim como no palco uma luz fusca branca cmeçava a aparecer, e a voz de Mary Jane começou a ouvir-se assim como eles poderam vê-la, a chorar e a sorrir ao mesmo tempo.
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
Aos poucos a música foi ganhando mais ritmo assim como a voz dela se tornou mais forte.
I climbed across the mountain tops
Swam all across the ocean blue
I crossed all the lines and I broke all the rules
But baby I broke them all for you
Because even when I was flat broke
You made me feel like a million bucks
Yeah you do and I was made for you
Depois ouve algum tempo só com a banda a tocar enquanto ela permanecia com as mãos sobre o microfone.
- Vocês foram um público expectacular esta noite e ela vai ficar na minha memória para sempre. Agradeço também aos fans. Sem eles não era possivel estar onde hoje estou e onde me despeço de todos vocês. Estaram sempre no meu coração amo-vos.
Depois começou a cantar suavemente para voltar a cantar com força.
You see the smile that's on my mouth
Is hiding the words that don't come out
And all of my friends who think that I'm blessed
They don't know my head is a mess
No, they don't know who I really am
And they don't know what I've been through like you do
And I was made for you...
All of these lines across my face
Tell you the story of who I am
So many stories of where I've been
And how I got to where I am
But these stories don't mean anything
When you've got no one to tell them to
It's true...I was made for you
-
Mary Jane estava na zona por trás do palco à espera que os seus amigos chegassem assim como a sua família.
Ela estava a falar com algumas pessoas da banda quando foi abraçada por trás e um beijo lhe foi dada na nuca. Ela sorriu suavemente para se virar de frente para a pessoa que era o seu amigo e marido, Draco Malfoy.
- Parabéns Senhora Malfoy! – disse ele sorrindo e dando-lhe um beijo apaixonante nos lábios, enquanto MJ unicamente sentia o seu coração bater com força e alegria.
- Por favor, arranjem uma cama. Estão crianças presentes! – disse a voz brincalhona de Harry.
Eles os dois afastaram os lábios sorrindo e olharam para a sua família. Até as crianças tinham vindo ao concerto porque era o último, e porque Mary Jane queria que o filho estivesse presente, afinal uma das músicas tinha sido para ele.
Tanto Draco como Mary Jane pensavam que os filhos fossem agir mal com a noticia de que ambos estavam juntos, mas o único comentário mal-humorado tinha sido, "Agora já não podemos por o plano em prática!", o que só os tinha levado a saberem que ambos os filhos queriam que eles se juntassem. Draco perfilhou Ethan, apesar de MJ dizer que não era necessário, mas ele insistiu e assim eram agora, ela, Draco, Scorpious e Ethan, a família Malfoy.
- E agora para onde vamos? – perguntou Hayden metendo um braço sobre os ombros da irmã.
- Para casa. – disse ela sorrindo e olhando para todos sentindo no seu coração um grande amor por todos aqueles que a rodeavam.
Estavam juntos depois de lutas e de desencontros e nada os iria separar agora.
