Capítulo 35
Dois dias se tinham passado quando Elle entrou na sala em que habitualmente se encontrava com Irina.
- Olá, Irina? Como estás? – Elle perguntou fechando a porta. Irina olhou-a e sorriu.
- Vejo que trouxeste companhia. – Elle sentou-se numa cadeira. – Olá. – Irina cumprimentou. – Estou bem, e vocês?
- Bom, vocês já se conhecem, mas eu vou apresentar-vos à mesma. Irina, esta é a Laura, a minha colega de quarto, Laura, esta é a Irina, a minha velha amiga, ela é mais velha do que eu. – Elle segredou-lhe.
- Cinco minutos, sou cinco minutos mais velha. Mas se assim é, então cuidado com ela, ela é muito nova, é mais nova do que eu. – Irina respondeu. – Então, Laura, como é que te estás a dar no mesmo quarto que aqui a novita? Já lhe disseste que ela ressona?
- A Elle não ressona, só de vez em quando. – Laura disse olhando Irina com um sorriso.
- Ela não precisava de saber isso. – Irina disse ao que Laura se riu, dizendo:
– Tu és engraçada.
- Eu gosto de fazer as pessoas rirem. Se calhar é por causa disso que eu e a Elle nos damos tão bem, ambas gostamos de ver as pessoas rirem. – Elle olhou para Laura encolhendo os ombros.
- Não é por nada mais, só temos isso em comum. Nós só somos amigas desde sempre por termos uma coisa só em comum. – Elle disse irónica, rodando os olhos. – Estás a ver a Irina, ela é simpática, corajosa, forte, querida, engraçada, linda, e para meu desespero tens olhos verdes marinho, como eu adoro os olhos dela. – Irina riu perante aquele comentário.
- Eu também adoro os teus olhos, Elle. E obrigada por veres tantas qualidades em mim. – Irina disse-lhe com um sorriso.
- Ah, Irina, se eu sei bem as tuas qualidades, sei ainda melhor os teus defeitos. – Elle disse com um sorriso.
- Não sejas má, Elle, a Irina está a ser tão simpática… - Laura pediu. – Se calhar ela está a agir assim por causa da minha influência, eu não devo ser mesmo muito boa influência, afinal, eu não percebo metade do que ela diz quando ela está a arrumar as coisas e começa a mandar vir em francês, eu ainda tento acalmá-la com o que sei da vossa língua, mas não é muito, mas ela tem-me ensinado.
- Não, Laura, tu não és de todo má influência. Aliás, eu acho que desde que ela começou a dar-se contigo tem estado muito melhor. – Irina falou abanando a cabeça. – Ela nunca foi lá muito boa da cabeça.
- Bom, Laura, como tu vês, eu e a Irina temos conversas muito produtivas quando nos encontramos. – Elle falou. – E não ligues muito ao que foi dito aqui, nós por vezes gostamos de brincar uma com a outra. A Irina está empenhada em acabar com a guerra, tal e qual nós.
- Estás a treinar com o ED, não é? – Laura perguntou baixinho.
- Sim, estou. – Irina respondeu no mesmo tom de voz. – E sei que vocês não nos ficam atrás. Ainda bem que tudo está a correr bem com vocês e o vosso grupo.
- Sim, nós estamos a ser cuidadosos porque alguns dos nossos colegas de quarto podem desconfiar de nos ver poucas vezes e perceberem o que andamos a fazer. – Laura falou. – Mas temos feito muitos progressos, não temos a experiência de muitos devoradores, mas temos a coragem de muitos lutadores. Talvez em algum momento a coragem inconsciente dos mais novos possa ganhar à experiência grande dos mais velhos, e talvez esse momento seja na batalha final, quando finalmente o Senhor das Trevas for derrotado. Uma coisa é certa: nós não vamos desistir assim tão facilmente e se atacarem em Hogwarts pior ainda, nós conhecemos os cantos deste castelo e lutaremos com a nossa experiência de anos vividos aqui, é o pior sítio que podem escolher para a batalha final, pelo menos para o lado deles.
- Estou a ver que vocês estão a trabalhar muito. – Irina constatou seriamente. – Acho que nestes tempos até é bom estarmos a fazer alguma coisa, ao menos ainda conseguimos pensar que o nosso destino está nas nossas mãos e que, se lutarmos muito por algo, mais facilmente a obtemos.
- A Laura sente-se muito útil porque, para nós fazermos metade do que fazemos, precisamos dela. – Irina sorriu com o comentário de Elle. – Fala mais de ti à Irina, eu já sei praticamente toda a tua vida, portanto…
- Bem, não há muito para dizer, eu sou uma pessoa normal, Elle. – Laura disse olhando para a amiga.
- Não és lá muito normal, às vezes sais-te com cada uma… - Elle disse irónica. – Estou a brincar. A Laura realmente é uma pessoa normal, mas como nós as três sabemos, existem coisas que nos distinguem uns dos outros, coisas intrínsecas à nossa personalidade, coisas que nos tornam nós. A Laura tem uma família espetacular tal e qual como as nossas famílias que no fundo é quase como se fossem só uma. – Irina concordou com a cabeça. – Bom, ela, em criança, era uma menina muito marota, fazia porcaria atrás de porcaria. E é por isso que se tornou assim, no fundo ela sempre gostou de ir contra as regras. – As três riram-se. – Os pais estão preocupados com ela aqui, mas eu acho que eles têm noção de que ela sabe o que faz e portanto, tentam não levantar muito as ondas para a proteger.
- É verdade, os meus pais querem, mais do que tudo, proteger-me. Amam-me muito, tentam não mandar mais cartas do que o normal apesar de quererem saber de mim a toda a hora, mas isso podia dar motivos de desconfiança, e eles sabem que isso não seria bom para mim. A minha família mais chegada costuma reunir-se muitas vezes, e sempre que eu estou de férias quase que se mudam para a minha casa. É quase como se eles ficassem de férias das suas vidas sem a família a seu lado e muitas vezes divirto-me com o resto da família. Tenho dois primos pequeninos, filhos do irmão do meio (o meu pai é o mais velho), o Orpheu com sete anos e a Artemis com dois aninhos. Damo-nos muito bem, eu gosto de brincar com eles, agora que penso no último Natal, percebi que é bom ver o mundo pelos olhos de uma criança. Acho que acreditamos mais quando somos mais novos, talvez porque ainda acreditamos, mesmo com a guerra, que somos imortais, acho que até adolescentes pensamos isso mas de uma forma menos consciente, só que agora com a guerra e com tanta morte à nossa volta, percebemos que não é bem assim, mas de qualquer maneira, acho que as crianças têm um modo bastante peculiar de acreditar no mundo. O meu tio mais novo é quase como um irmão mais velho para mim, sabe muitas coisas a meu respeito, e eu dele, e ele ajuda-me nalguns assuntos que eu não converso com os meus pais. – Irina olhou para Elle que a chamou a atenção quando olhou para o relógio.
- Ainda falta para a hora do recolher, não te preocupes, Elle. – Laura olhou para a amiga que estava ao seu lado.
- Não é isso, é que eu tenho medo que o Malfoy possa ir chamar-me ao quarto e ver que nem eu nem a Laura estamos lá. – Draco não a tinha procurado desde a sua primeira vez e Elle estava a achar aquele comportamento estranho. – Ainda falta muito para acabarmos o trabalho.
- Então, se calhar é melhor irmos embora… - Laura começou a falar.
- Que estranho, pensei que esse trabalho fosse canja para ti, sempre me falaste muito sobre transmorfos e que o Leon te tinha dado um livro espetacular a falar deles. Os teus discursos sobre esse tema ajudaram-me muito a fazer o trabalho para a McGonagall. – Irina disse achando estranho o trabalho estar tão demorado.
- Sim, o trabalho está praticamente pronto, mas não está pronto e o Malfoy pode aparecer… Preocupações minhas… Continua, Laura, estava a gostar do brilhozinho dos teus olhos enquanto falavas da tua família. – Elle pediu incitando-a a continuar.
- Bem, o pior mesmo foi quando cheguei a Hogwarts, foi uma mudança muito brusca ir parar aos Slytherin, não é que eu não me orgulhe da minha equipa, longe disso, eu sou Slytherin e digo-o com toda a sinceridade, mas é que… Não estava habituada a tanto distanciamento, penso. Fui vivendo em Hogwarts, descobri tantas coisas neste castelo. Descobri, com as aulas, que a magia é variada e vasta e que podemos controlá-la, descobri a alegria do primeiro beijo, a tristeza da primeira separação, a tensão dos primeiros grandes exames e a tristeza da perda. E quando eu pensava que neste último ano só ia descobrir coisas horríveis, errei completamente, eu descobri o valor de uma grande amizade. – Laura disse olhando para Elle. – Descobri que a verdadeira amizade é aquela que aguenta tudo. – Laura apontou para as duas que sorriram. – Descobri que é nos piores momentos que as pessoas se revelam verdadeiramente, na sua essência, e que muitas vezes nos surpreendem pelo positivo. Se calhar, talvez, possamos ver esta guerra como mais uma construção da nossa personalidade, mais uma coisa para se juntar àquilo por que nós lutamos diariamente: a nossa felicidade; porque no fundo a nossa felicidade só virá quando a guerra acabar, e com o Bem como o lado vencedor.
- De outro modo não podia acabar. – Falou Irina. – Enquanto houver mal neste mundo haverá pessoas boas que lutarão, é esta a grande máxima em que eu acredito, o mal nunca dura porque o bem é intemporal. Agora sim, está a ficar tarde, é melhor cada uma de nós ir aos seus afazeres. – Irina levantou-se e abraçou Laura. – Gostei muito de te conhecer, Laura, podes vir sempre que quiseres, eu e a Elle não nos importamos. Tchau, Elle, vemo-nos daqui a algum tempo. – As duas francesas abraçaram-se e Irina acabou por sair.
- Achas muito suspeito chegarmos juntas à nossa casa? – Elle perguntou para Laura.
- É melhor eu ir à frente de qualquer modo. – Laura disse encolhendo os ombros. – Encontramo-nos no quarto. – Elle esperou ainda algum tempo antes de sair e foi com passos curtos que se dirigiu para sua casa.
Elle estava cansada quando se deitou. Não sabia explicar bem porquê, pois não tinha estado com o grupo e os trabalhos de casa não tinham sido cansativos, mas Elle pensava que pudesse ser alguma coisa a ver com o facto de Draco não a ter procurado quando fora bastante explícito que queria vê-la no dia seguinte. Elle procurara por ele algumas vezes mas nunca o encontrara. De qualquer maneira, era melhor não pensar naquilo, tinha que dormir.
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Elle acordou quando ouviu Laura a fechar a porta da casa de banho e fez as suas camas. De seguida, preparou a sua roupa e sentou-se na cama à espera que a colega de quarto acabasse o seu banho.
- Ah, Elle, já estás acordada. Eu ia acordar-te agora. Parecias-me cansada ontem à noite. – Laura disse enquanto secava o cabelo com a varinha. – Obrigada por me teres feito a cama. – Elle encolheu os ombros e entrou na casa de banho. Lá, deixou que a água quente lhe acalmasse o pensamento e imaginou que Draco… - Elle, eu vou para cima, está praticamente na hora. Deixa de molengar. – Elle riu com os gritos da amiga e saiu do banho começando a vestir-se. Ela não tinha dúvidas, Draco estava a evitá-la, mas ela queria vê-lo e achava que merecia uma palavra nesse assunto.
- Que raiva! – Elle exclamou antes de sair do quarto e de subir para o pequeno-almoço. Ao que lhe parecia, tudo estava a tornar-se mais complicado: afinal como poderia ajudar Draco se ele fugia dela?
Não sabia o que fazer. Ela não sabia mesmo o que fazer. Achava que se calhar tinha feito uma grande estupidez ao ter-se envolvido daquela maneira com Draco. O mais certo, se calhar era desistir de olhar para todos os lados para ver se o via e ele percebesse que ela o tinha visto. As aulas em que ele estava lá começavam com ele a chegar atrasado e acabavam com ele a sair primeiro de todos os outros. Não percebia muito bem por que razão não lhe dirigia a palavra e não a encontrava, afinal sempre conseguira, quando queria, encontra-la.
Depois do jantar, Elle estava farta de tantas aulas de fachada, deu-se por si a lembrar-se do tempo de Pahtellons e das verdadeiras aulas que lá tivera. Elle levantou-se decidida a ir para o quarto e a ler um livro em francês e viu-o. Ele estava a vir na sua direção demasiado distraído para perceber que ela estava ali. Percebeu isso só quando ela o olhava, por isso esperou que ela dissesse alguma coisa.
- Então, Draco, como é que tu estás? Há algum tempo que não te vejo, andas muito ocupado, não? – Ela perguntou aproximando-se dele, demasiado, Draco pensou. – Na última vez que estivemos juntos, disseste-me que me querias ver no dia seguinte, mas não vieste ter comigo.
- Tive umas coisas para fazer. – Draco disse olhando para trás. – É melhor eu ir embora agora.
- Não vás já, deixa-me beijar-te. – Elle disse molhando os seus lábios com a ponta da língua.
- Não, Elle, sabes que pode passar aqui alguém a qualquer momento. – Draco falou olhando para os lábios vermelhos da francesa que o empurrou fortemente para uma sala que abriu com um feitiço.
- Agora já posso? – Ela perguntou fechando a porta e beijando-o urgentemente. Ela queria que ele dissesse por que razão não a tinha procurado, queria que ele lhe contasse como tinham sido os últimos dias, queria… Queria que ele retribuísse o seu beijo mas tal não aconteceu. – O que é que se passa? – Elle perguntou encostando-se à porta.
- Elle… Eu estive a pensar… Aquilo que aconteceu, bem, não devia ter acontecido, eu descontrolei-me e fi-lo contigo, eu não quero descontrolar-me, portanto eu preciso de me afastar de ti, eu preciso do meu controlo. Tu estás a fazer-me muito mal. – Draco disse sentando-se no sofá que estava ali.
- E só te apercebeste disso depois de teres estado dentro de mim? – Elle perguntou estranhamente magoada com as palavras de Draco. Afinal, ele nunca escondera que gostava de se controlar e ela já estava à espera de algo daquele género. – És mesmo imbecil. Mas se achas que eu te estou a fazer mal, muito bem, eu não quero provocar nenhum dano ao grande Draco Malfoy. – Elle disse irónica abanando a cabeça.
- Vais começar a discutir, Elle? – Draco perguntou bufando.
- Para ti é demasiado simples, presumo. Chegas aqui, dizes que eu te estou a fazer muito mal e que precisas de te afastar de mim. – Elle abanou a cabeça. – Eu vou embora. – Ela disse pegando na mala que estava no chão.
- Espera, Elle, não é assim tão simples, mas tu estás a fazer descontrolar-me, tu afetas-me de uma maneira que eu não consigo reprimir sempre que estou contigo. Eu desejo-te mas contenho-me só que não está a ser fácil, nada fácil, e depois do que aconteceu… Não penses que eu não queria, porque eu queria, de uma maneira que eu me controlasse melhor, mas queria, eu só não queria que tu ficasses magoada.
- Conseguiste isso muito bem. Tens que me ensinar. – Ela disse irónica. – Esquece, eu às vezes sou uma estúpida. Eu devia ter-me dado conta que aquilo tinha sido uma coisa de momento. Acho que agora percebo que era preciso eu ser algo próximo da perfeição para que tu te deixasses simplesmente ir pela minha beleza. Mas eu não sou uma divindade qualquer, sou uma mulher, imperfeita como todas as outras pessoas.
- Eu não preciso da perfeição, Elle, muito menos preciso de ti mais bela do que és. – Draco disse avançando para ela. – Mesmo sendo tu humana como todos nós, já me fazes perder o controlo, fazes-me perder tanto esse controlo que eu tenho que me afastar de ti para o recuperar. – Ele disse e colocou a mão na maçaneta fazendo menção de sair.
- Não vás, Draco, eu não quero que vás. – Elle disse colocando a sua mão por cima da dele. – Eu posso fazer-te perder o controlo mas pensa que não sentirias metade do que sentes se isso não acontecesse. Deixa-me beijar-te, Draco, e eu posso prometer-te mil e uma sensações diferentes, que nunca antes te permitiste sentir.
- Elle, eu não quero estar contigo, eu sei que te prometi algumas aulas, mas eu não quero fazer isso, eu sei que temos que fazer uns arremates no trabalho mas eu posso fazer isso sozinho (a essência já lá está). Eu vou embora e sempre que te vir provavelmente volto para donde vim, eu não quero mais nada contigo. Pensa que o que aconteceu foi mais uma aventura como as que tu tiveste no passado. – Draco falou. – Afinal, não deve ser muito complicado para ti. Nem sei porque estás a levantar tantos obstáculos.
- Draco, eu gosto de estar contigo. – Elle disse colocando os braços à volta do pescoço de Draco. – Eu já te disse isso, eu gosto de estar contigo e quero estar contigo. Podias fazer-me a vontade e deixares-me beijar-te. Assim talvez, pudéssemos repetir o que já fizemos, a razão porque estás a fazer isto, podias despir-me, não com os olhos, mas com as tuas mãos, podias dar-me todo aquele prazer que me deste, eu adorei, e eu também o podia fazer. Já imaginaste, Draco, tu a sentires-me molhada, a sentires toda a excitação que me provocas, a entrares dentro de mim? – Elle falava baixo com voz calma e sedutora. – Queres mesmo ir embora assim, sem viveres novamente isso?
- Eu vou embora, Elle. – Draco disse agarrando-a pela cintura e encostando-a à parede com força tentando soltar-se. Elle fechou os olhos com dor.
- Não. – Elle pediu. – Não vás já. Podemos despedir-nos. – Draco sorriu abanando a cabeça.
- Tu não desistes, pois não? – Ele perguntou dando-lhe um abraço. – Adeus, Elle.
- Podias ter-me dado um beijo. – Ela disse quando ele deixou de a abraçar. Draco deu-lhe um beijo na testa. Elle sorriu com a sua astúcia. – Obrigada pela despedida. Mas, espera, tu tens uma coisa que me pertence. – O loiro olhou-a surpreso, não sabia do que ela estava a falar. Sem aviso prévio, Elle beijou-o urgentemente encostando-o à parede. Ela não ia desistir, ela não se podia dar ao luxo de desistir da vida de Draco pois ela sentia que estava perto de atingir o seu objetivo e quando isso acontecesse, Draco iria para o lado do Bem e sentir-se-ia muito melhor do que se sentia agora. Draco correspondeu pois fora apanhado desprevenido, ainda estava demasiado concentrado a pensar no que é que ele tinha que lhe pertencia, porém parou o beijo afastando-a fortemente. – Foste tu que me roubaste um beijo na primeira vez que nos beijamos, achei justo que me devolvesses.
- Está bem. – Ele disse assentindo com a cabeça. – Então… - Draco olhou para Elle que o interrompera.
- Não me faças isto, Draco. Disseste que não me queres magoar, mas se te afastares é exatamente isso que vai acontecer. Eu sei que não me estás a magoar de propósito, eu percebo o fim que queres atingir e sei que não me queres magoar, mas deixa de ser Slytherin por um momento, e olha a meios para atingir os fins, estás a magoar-me, Draco, olha para mim porque eu sou esse meio, e eu tenho sentimentos, sou uma pessoa. – Draco afastou-a mais e virou-se para a porta. – Eu não te estou a levar para a forca. Como tu não me deixas esquecer: se nos apanhassem, as consequências seriam maiores para mim, eu não tenho medo disso, Draco, porque na verdade, eu gosto de estar contigo. Se isso acontecer, logo resolverei. Perdes o controlo comigo? Deixa lá, é uma consequência, mas é só comigo, não é com mais ninguém. Eu não vou dizer a toda a gente que tu te descontrolas comigo e que eu sei como te deixar louco. É uma coisa só nossa, achas que eu vou falar da minha vida íntima com alguém? Fica comigo, Draco, e eu prometo-te que não te vais arrepender.
- Elle, estás a complicar as coisas. – Draco disse quando a sentiu abraçá-lo por trás. – Eu... Tu deixas-me sem palavras para argumentar contigo como se fosse um poder que tens.
- Tu podes fazer algo para reverteres isso. Se me deixares sem palavras, não poderei fazê-lo e sabes qual é a melhor maneira de me calares? – Elle perguntou-lhe ao ouvido. – Se quiseres posso dar-te uma pista. – Ela deu a volta e colocou-se à sua frente pegando na sua mão. – A tua mão pode fazê-lo se tu a usares bem e… - Elle fez com que ele apertasse o seu seio direito e fechou os olhos. – … Em certos sítios. – Elle abriu os olhos e Draco encostou-a à parede beijando-a porém parou rapidamente.
- A minha boca também. – Draco disse ao ouvido fazendo-a rir suavemente. – Promete-me outra vez que eu não me vou arrepender de me envolver contigo. – Ele pediu sério olhando-a nos olhos.
- Eu prometo. Não faço promessas em vão. Confia em mim, Draco. – Ela pediu também séria. Draco voltou a beijá-la. Elle percebia agora que aquela demanda que ela se oferecera para fazer se tornava cada vez mais difícil pois cada vez mais envolvia-se com Draco e não fisicamente porque isso já tinham ido até à última etapa, mas emocionalmente. Desejava Draco, não apenas o prazer carnal que ele lhe podia dar, mas tudo, até o mais profundo recanto da sua alma, até o mais negro, desejava conhecê-lo de uma forma que ninguém o conhecia e ela percebia que isso estava a acontecer pois ela tinha uma imagem dele muito diferente da das outras pessoas. Queria não unir apenas os seus corpos mas também as suas almas. Ela nunca sentira tal coisa, mas agora que sentia sabia que tinha que fazer de tudo para que Draco, no fim, estivesse ao seu lado e não ao lado do inimigo. Elle soltou um som de surpresa quando Draco a deitou no sofá, não se apercebera do movimento dos dois. Ele deixou-a ficar deitada e começou a despir-se lentamente sendo observado atentamente pela francesa. Elle sorriu quando Draco se colocou entre as suas pernas e começou a despi-la rapidamente. – Queres que eu faça alguma coisa? – Ela perguntou ao que Draco lhe beijou fugazmente antes de responder.
- Eu quero que tu faças muitas coisas mas também quero fazer muitas. – Elle riu e fechou os olhos quando Draco começou a acariciar o seu seio esquerdo. Se calhar era melhor ter-se apercebido, antes, que a sua relação podia evoluir, mas Elle nem sequer imaginava que pudesse acontecer um beijo que fosse. Talvez tivesse sido demasiado ingénua ou talvez ela tivesse contado com uma personalidade que sempre ouvira de Draco Malfoy e não pensar que tal fosse uma hipótese. Ela não sabia mesmo dizer onde aquilo os poderia levar, estava algo receosa quanto a esse ponto.
- Draco, não tenhas medo de te descontrolar, como tu já percebeste, eu gosto disso. – Elle falou quando Draco a olhou sentindo-a desatenta. Ele abanou a cabeça censurando-a e voltou a beijá-la com furor.
- Elle! – Draco chamou quando Elle estava quase a adormecer. – Não podes dormir, não podemos perder a hora do recolher. Não te esqueças que tens colega de quarto e que ela pode ir dizer que tu não passaste lá a noite.
- Eu sei. – Elle ronronou espreguiçando-se. – Vamos falar. Como foram os teus últimos dias?
- Normais. – Draco disse afagando-lhe o cabelo. – Neste momento que atravessamos, tu és a única pessoa que torna o meu dia diferente. Às vezes, sais-te com cada uma. – Elle colocou a sua cabeça na curva do pescoço de Draco. – Os meus dias são apenas um pouco diferentes dos teus. Acho que te invejo nesse ponto. Nunca fizeste nada de horrível, nada que não pudesse ser perdoado, eu fiz e isso magoa-me. Tenho a consciência pesada.
- Draco… - Elle ergueu a cabeça e olhou-o diretamente. – Eu não posso fingir que não sei do que é que estás falar, tens a consciência pesada por causa dos teus atos como devorador. – Draco enrijeceu os músculos. – Desculpa, talvez não devesse ter sido tão direta. Eu só… Se quiseres, podes falar comigo. Eu estou aqui. – Elle mordeu o lábio inferior ao ver Draco a desviar o seu olhar. – Fala comigo, Draco, é pior se guardares tudo cá dentro. – Ela pediu acariciando-lhe a face.
- Só me sinto mal por ver que a maior parte das pessoas odeia-me, não aquele ódio que era próprio, mas este ódio como se eu lhes tivesse tirado a vida. Talvez tu não tenhas reparado, mas eles metem alguma culpa em mim pela morte do Dumbledore. E era isso que eu tinha que fazer, era a minha missão, e eu tentei, Elle, eu tentei. Há pouco disseste-me que tu eras um meio e que eu não estava a olhar para ti, foi isso que aconteceu, eu não quis saber de mais nada a não ser conseguir matar o Dumbledore, eu estava disposto a tudo. O mais incrível é que não consegui. – A francesa ouvia calmamente, sabia a história por alto. – E agora, eu sei que as pessoas são magoadas todos os dias, eu vejo serem usadas maldições imperdoáveis na nossa escola. É impossível eu não colocar-me entre essas pessoas que estão a magoar as outras porque eu faço parte desse grupo. Eu não devia estar a falar disto contigo. – Draco abanou a cabeça e fechou os olhos. – Isto é o que eu sinto, não é o que eu…
- Não é o que tu mostras. – Elle completou a ideia. – Não te preocupes pelo facto de me estares a contar. Sabes muito bem que eu sou boa ouvinte.
- Não devia, afinal… - Draco olhou para Elle. - E a imagem que tens de mim?
- E que imagem é que eu tenho de ti? Se eu acreditasse em tudo o que me dizem, dizia que tu eras um monstro.
- E não sou? – Ele perguntou sério.
- Achas que eu iria para a cama com um monstro? Não achas que eu tenha bom gosto? – Elle perguntou com graça. – Draco, eu não te considero um monstro, eu não te considero a pior pessoa à face da Terra. Se achas que não estás bem, se te sentes mal com a vida que tens, se às vezes a vida te parece muito pesada, podes vir ter comigo, eu posso ajudar-te, posso ser apenas um remédio temporário, uns beijos trocados, umas palavras, uma sessão de sexo, talvez um dia encontres o remédio duradouro. Conversa comigo à vontade, abre-te à vontade.
- Tanta coisa que eu queria mudar, queria tanto voltar atrás no tempo, mudar até a minha personalidade… As reuniões são horríveis, ele mostra o seu poder com qualquer um de nós, torturando-nos e fazendo de nós, ao mesmo tempo, um exemplo. A minha família desceu muito na sua consideração, mas ele… O Senhor das Trevas é poderoso, poucas são as vezes em que ele está quando eu estou. Este ano só o vi uma vez, em Kings Cross, quando tu também o viste. – Elle não conseguiu conter um arrepio. – Calma, ele não está aqui, é natural que tenhas medo, ele gosta de intimidar, e ele fez aquilo muito bem. É só que… Por vezes… Não sei, eu odeio ter que estar no meio deles. – Ele beijou-a ternamente. – Enquanto contigo, quero estar a toda a hora. Era capaz de… Esquece. – Ele pediu antes de a beijar novamente. – Está na hora. Amanhã, encontramo-nos. – Draco falou começando a vestir-se. Elle também começou a vestir-se olhando para Draco. Sentia que o loiro confiava cada vez mais nela e que talvez estivesse muito perto o fim do que tinha proposto fazer. – Vamos? – Sim, ela ia, não ia desistir agora, não quando ela percebia que muita coisa podia melhorar.
