O verdadeiro poder para devolver a vida:
Subiu o Olimpo com o corpo nos braços, e não o soltaria por nada. O suor e sangue de seu rosto manchavam o chão, misturando-se com o sangue que ainda caía do corpo da Amazona.
-- Tem certeza de que não quer ajuda?
-- Já fraquejei demais, Shun, eu posso, e devo, levá-la.
No pátio à frente do gigantesco templo de mármore branco, ricamente trabalhado com detalhes de ouro puro, Zeus observava a chegada dos Cavaleiros. Atena, ao seu lado, tinha ainda os olhos cheios d'água, numa expressão de dor de espírito, e a mão parcialmente fechada sobre o peito. À frente do senhor dos Deuses ajoelhou-se o Cavaleiro de Cisne, com a garota em seus braços, e os amigos o acompanharam. Cabeças baixas em sinal de respeito.
-- Ergue o rosto e diz, bravo Cavaleiro, o que queres em minha morada.
-- Zeus, senhor dos Deuses do Olimpo, venho pedir pela vida de Nala. Ela, que sempre lutou corajosamente pela justiça e vida na Terra, merece viver.
-- Queres que eu a ressuscite?
-- Sim. Eu imploro, pagarei qualquer preço que me pedir.
-- És sincero e valente, sei que posso confiar em teus olhos e intenções. Porém, é impossível que eu atenda ao teu pedido.
-- Mas... O senhor é o mais poderoso Deus do Olimpo. Eu já disse, pago o preço que...
-- Porém não é o preço a questão... Minha filha, Atena, já implorou pela vida de tua amada. Mas nem mesmo eu posso trazer de volta quem morreu nas circunstâncias dela.
-- Por que?! Perguntou com o rosto já molhado.
-- Ouve... Quando um mortal vem a padecer, seu espírito perde forças. Se a morte é natural, a perda é mínima, mas esta aumenta quanto mais drástico é o desencarne: Um acidente, uma luta, um assassinato, uma guerra. Combates envolvendo cosmos e sentidos além do sexto, como têm os Cavaleiros, Marinas e Espectros, acarretam mortes ainda mais drásticas, e quanto maior é a diferença de cosmo entre os combatentes no momento da morte, maior é a perda de energias. Para ressuscitá-los, preciso lhes fornecer as forças necessárias para reporem as que perderam ao morrerem, mas ainda no último caso, eu posso fazê-lo. Entendes?
Hyoga ainda está de cabeça baixa, chorando, deixando suas lágrimas caírem sobre o rosto da garota.
-- Desculpe, senhor, - diz Shun respeitosamente – Mas o que há de diferente na morte de Nala?
-- És jovem, por isso não entendes. – começou pacientemente – Mas Nala combateu uma Deusa, alguém desperta para o nono sentido. Mesmo que a Amazona também o tivesse, teve de empregar muito cosmo para equiparar-se a ela, principalmente sendo uma entre os mais poderosos do Olimpo. A energia que ela perdeu em batalha foi grande demais, e para piorar, utilizou-se de um poder capaz não só de derrotar, mas de destruir o espírito de uma Deusa com ínfima diferença de poder para comigo. Nenhum Deus pode lhe dar tanta energia, séculos serão necessários para ela recuperar parte das forças e poder encarnar em um frágil corpo. Nem mesmo o Caos pode dar a energia necessária para Nala voltar e superar a recuperação deste invólucro em teus braços.
-- Então...
-- Sinto muito, mas meu poder não é o apropriado para tal feito. – e virando-se para Atena, Shiryu e Shun – Talvez deveis deixar um pouco a sós vosso amigo...
Adentra o templo, enquanto os três tomam o caminho de volta, cabisbaixos e chorosos. Hyoga trás o rosto da Amazona para perto do seu, abraçando o corpo inerte.
-- Nala... Se eu tivesse te ajudado...
-- Nem eu pude fazê-lo...
Vira o rosto, encontrando os marejados olhos dourados dos quais o dono já conhecia.
-- Eros..?
-- Que pretende fazer agora?
-- O que pode fazer alguém que se sente tão vazio?
-- Hum... Zeus disse não poder trazê-la de volta. Sabe o que significa?
-- Que não há mais esperanças...?
PAF!!
-- Ahg! – o arco deixara, em sua testa, um vergão.
-- Engole essas palavras rapaz!
-- Mas então...
-- Quer dizer que você deve fazê-lo.
-- O que?!
-- O sangue te entupiu os ouvidos? "...meu poder não é o apropriado para tal feito." Estas foram as palavras de Zeus.
Os olhos azuis, antes sem brilho, agora cintilam num novo feixe de esperança.
-- Está dizendo que tem um jeito? Como? Diga! Eu faço qualquer coisa.
-- Como ele disse, nem mesmo o Caos pode trazê-la de volta. Mas existe uma pessoa, uma única pessoa em todo o Universo, com a fonte capaz de repor toda a energia de que ela precisa.
-- Uma única pessoa...? Quem?
-- Ora, quem mais? É claro que deve ser alguém desperto para os oito sentidos humanos, com um cosmo poderoso. Mas de nada adiantará isso tudo se não for sua alma gêmea.
-- Alma... Gêmea?
-- Uma única pessoa no Universo, e estou olhando para ela.
-- ...! – estava escarlate, a palavra alma gêmea o faria abrir um enorme sorriso... Se Nala não estivesse morta.
-- Só você, Cisne, pode fazê-lo.
-- Como posso fazer aquilo que nem o Senhor dos Deuses é capaz?
-- Esse corpo está morto, mas se conseguir guiar seu cosmo, seu espírito, para perto do dela antes que ultrapasse a fronteira entre a vida e a morte, terá a oportunidade de salvá-la.
-- Como tem tanta certeza?
-- Não conhece a minha história e de Psique? Como acha que eu a trouxe de volta?
-- Mas você é um Deus!
-- Sim. E você também é, Hyoga de Cisne, em seu coração. Além disso, o que a salvará é seu amor. É por isso que nem Zeus, nem o Caos podem fazê-lo.
Tantas coisas aconteceram, e tanto lhe foi dito, que estava confuso, completamente paralisado e surpreso. Mas tais palavras ecoaram novamente em sua mente, fazendo-o vencer a surpresa que elas mesmas lhe causaram. Gradativamente, a imagem do Deus desaparecia diante de seus olhos, fazendo-o erguer-se rapidamente.
-- Espere!
Mas já desaparecera. Voltou a olhar para o rosto sem vida e manchado de sangue, e com um sorriso esperançoso, sussurrou:
-- Eu... Posso...? Espere por mim, Nala, eu vou te buscar, nem que tenha de descer ao Tártaro.
--
Chega ao Santuário, as pessoas já sabiam do ocorrido. Cavaleiros, soldados e outras pessoas que ali viviam vêm receber o rapaz. Ainda manchado de sangue, com a Amazona morta em seus braços e olhos transbordando em cristalinas lágrimas, atravessa o corredor de pessoas que se ajoelham. Tiram seus chapéus, bandanas, lenços ou capacetes, mantendo respeitosamente os rostos baixos, cheios de pesar.
Mas a direção que tomava não era a do mausoléu, era das doze casas, que junto com todo o antigo Santuário de Atena, se reergueram quando Ártemis foi derrotada. Atena designara que, após a batalha contra Hades, Hyoga protegesse a casa de seu mestre, assim como cada um de nós, Cavaleiros de Bronze que lutamos daquela vez, protegeríamos o templo de nosso signo caso fosse necessário. Mas agora todos comentavam que a guardiã da última casa, sempre tão corajosa e determinada, não estaria mais lá. Shina e Marin, no fim do corredor humano, erguem os rostos.
-- Hyoga... – diz a Amazona de cobra – Para onde vai?
-- Nala fica na casa de Aquário.
Se entreolharam as duas, sem muito entender. Marin toma a iniciativa:
-- Se precisar de ajuda...
-- Eu estou bem, obrigado.
-- Hyoga, você está muito ferido. É melhor ir ao hospital. – aconselhou.
-- Eu vejo isso depois.
-- Mas você vai...
-- Eu vou ficar bem.
-- O que pretende fazer? – pergunta Shina.
Ele não responde, seguindo caminho. As duas, ainda surpresas e confusas, sentem apenas um grande peso em seus corações.
Subiu até a casa de Aquário e, no quarto, colocou-a cuidadosamente em sua cama, ajoelhando-se no chão, ao seu lado. Com a mão fria entre os dedos trêmulos, fechou os olhos lacrimosos e elevou tão poderosamente seu cosmo, que não só o Santuário, mas por toda Atenas, qualquer um que possuísse um mínimo de sensibilidade extra-sensorial o perceberia.
Estava ferido, não aceitara os cuidados médicos, totalmente esgotado e fraco. Todo o seu corpo sofria profundamente com as dores insuportáveis, estava sem comida, sem água. Mas nada disso o afastou dela, permaneceu ali, mantendo o nível de seu cosmo, mantendo a mão dela nas suas, mantendo-se na mesma posição, com seus pensamentos voltados apenas para ela e em trazê-la de volta. Em momento algum pensou em desistir. Os amigos, já preocupados, subiram até o quarto, observando a cena da porta. Shun não suporta ver o amigo se martirizando daquela forma. Aproxima-se.
-- Hyoga... Você precisa ver esses machucados.
-- ...
-- Hei... Eu sei que está arrasado, mas precisa se cuidar.
-- ...
-- Ah, qual é? Eu sei que ta me ouvindo. Acha que ela ia ficar feliz de te ver desse jeito? Ferido, esgotado, passando fome e sede...
-- Shun... Eu sei o que to fazendo.
Com os olhos cheios de um espanto entristecido, o garoto se afasta, deixando o amigo só.
Naquela noite, um cosmo carregado de um frio poderoso e intenso trouxe neve em pleno verão ao Santuário. Ninguém podia imaginar como aquele imenso poder sobrevivia por tanto tempo. Era algo tão gigantesco, e tão desprovido de qualquer agressividade... Tão preenchido de um sentimento completamente inexplicável.
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Shun: Maguo!! Ele me dexô de ar!! TT
Shiryu: Pelo amor de Atena, Shun. Olha o estado q o menino tá... uu
Shun: Mas... Eu só queria ajudar... ÇÇ
Shiryu: Espero q ele consiga, seja lá o q estiver tentando... úù
Hyoga: ... (concentrado)
Shiryu: O q vai acontecer? Bom... Só esperando a próxima e última postagem. Finalmente acaba a tortura... Até a próxima... úù
