A consciência de Bella foi voltando pouco a pouco. Sentia seu corpo tremendo de frio, suas mãos amarradas em suas costas, junto com seus pés, seus seios doendo, provavelmente seu leito estava empedrando por causa do acumulo. Havia um pano em sua boca e uma venda em seus olhos. Meu Deus, o que haveria acontecido? Onde estaria? E Edward? E sua filha?
O desespero foi a dominando enquanto ela se lembrava de James.
Ele havia voltado para pega-la como havia prometido, mas como ele a achou ali?
— Bonequinha. — ela sentiu uma mão acariciar seu rosto. Aquela voz. Aquele apelido. — Vou tirar essa mordaça, mas você tem que prometer que não vai gritar.
Bella assentiu com a cabeça. Ainda não estava conseguindo pensar coerentemente.

— Beba. — ele falou colocando um copo perto da boca dela, Bella não sentia nenhum cheiro vindo do copo, deveria ser água.

Ela bebeu.
— Cadê minha filha? O que você fez com ela? — ela falou desesperada chorando.
— Eu a deixei como você pediu. — Bella não sabia se ficava aliviada, ou mais desesperada.

A onde ele a deixou?

O que deveria ter acontecido a ela?
— Onde nós estamos? Solte-me. — ela falou sentindo a venda ser tirada de seus olhos. Olhou ao redor lentamente. Estava em um cômodo que tinha apenas duas portas e uma janela alta bem em cima de uma das paredes, o lugar estava iluminado apenas com uma luz baixa, o chão estava um pouco sujo. Seus olhos finalmente encontraram os de James, seu corpo tremeu, ele estava sentado em um caixote de madeira na sua frente, Bella estava sentada no chão.
— Bonequinha, nós estamos longe e eu não vou te soltar.
— O que você quer de mim? — ela chorou angustiada.
— Você, Bella, eu nunca consegui te esquecer.
— Mentira você nunca me amou James.
— Verdade, mas depois que eu te perdi... — ele suspirou, não podia acreditar que ela havia conseguido ser feliz mesmo depois que ele fez aquilo tudo com ela, nenhuma mulher que passou por ele deveria ficar feliz com outro homem. Victória era apenas um caso diferente e depois ele daria um jeito de encontra-la e ficaria com as duas, tinha certeza que as vadias iam gostar. E se não gostassem problemas delas.
— Por favor, me solte... — ela implorou.
— Não. — ele foi duro. — Daqui alguns dias nós vamos sair daqui e viveremos juntos em outro lugar, como deveria ser.
— Você é louco. — Bella sentiu um tapa forte em seu rosto.
— Não fale assim comigo, vadia. Louca é você. Como pode se casar com um cara depois de tudo que passamos juntos? Pior, você se entregou a ele. Você é minha, entendeu puta, só minha. — James falou com raiva, a sacudindo com força pelos ombros que provavelmente ficariam marcados.
Bella encarou s olhos azuis do homem que quase destruiu sua vida. Mas ela havia conhecido Edward. E ele era seu porto seguro. Ele sim era o verdadeiro homem de sua vida. Ele sim a ensinou a amar incondicionalmente uma pessoa. E era da fé que tinha de ver ele de novo que ela tirou forças para enfrentar James.
— Não importa onde estamos Edward vai te encontrar. Ele sim é o homem que você nunca vai ser. — Bella falou, mal fechou a boca e sentiu dois tapas violentos em seu rosto, sentiu seu lábio sangrar. Seus olhos ardiam com lágrimas que ela tentava segurar.
— Vadia, puta. — James falou com raiva. — Se entregou a outro homem... você é uma vagabunda mesmo... mas tenho a certeza que ele não te faz ter prazer como eu faço.
Bella riu fracamente.
— Eu nunca sentir prazer com você James. — ela falou cuspindo sangue.
— Mentirosa — ele falou, respirando fundo, mas logo sua expressão se tornou suave. — Mas não importa bonequinha. — ele acariciou os cabelos dela, sua voz era carinhosa, não parecia o homem descontrolado de minutos atrás. — Nós vamos fugir daqui e seremos felizes juntos. Só você e eu como éramos no começo. — ele falou decidindo deixar pra falar sobre Victória quando a tivesse em suas mãos, mas se Bella pedisse ele ficaria somente com ela. Ele estava doido, fora de si.
James se levantou entrado em uma das portas, saiu minutos depois segurando um pano úmido. Bella ficou paralisada o vendo limpar seu rosto e sussurrar palavras doces do mesmo jeito que havia feito depois de tê-la espancado naquela noite que ele havia a drogado.
Ela tentou respirar fundo, mas era difícil sentia seu coração doer. E se nunca mais visse sua família? Seus filhos? Edward? Balançou a cabeça querendo afastar esses pensamentos.
Não, ela tinha fé, ela tinha a certeza. Edward a encontraria teria que encontrar. Mas como? Ela nem sabia se estava perto ou longe de casa? E se nem nos país ela estivesse?
Foi como se um relâmpago tivesse passado em sua cabeça, em um flash, ela se lembrou do rastreador. Podia sentir sua pulseira em seu braço, Bella nunca a tirava, ela só precisaria dar um jeito de ativar ele, como foi mesmo que falaram que ele era ativado? Droga, ela não se lembrava. Mas mesmo assim ela não se deixou perder as esperanças Edward a encontraria e tudo ficaria bem? Será que ficaria mesmo?
— Prontinha bonequinha. — ele falou. — Sua pele está mais macia que antes. — ele falou acariciando o rosto dela, Bella sentia vontade de vomitar. — Você deve estar com fome vou pegar algo para comermos.
Ele caminhou até uma mochila grande e preta em um canto escuro que Bella não havia visto, tirou de lá um pacote que tinha dois sanduiches.

— Seu preferido. — ele falou colocando na mão dela, Bella pode perceber, pelo cheiro que era de atum, ela odiava atum.
— Eu não quero. — ela falou balançando a cabeça.
— Você precisa comer.
— Eu como depois, onde fica o banheiro? — ela perguntou e ele apontou para a porta onde tinha ido pegar o pano. — Eu preciso usa-lo. — ela falou respirando fundo, sua mente trabalhando rapidamente.
— Claro, vamos. — ele se levantou.
— Não, me solte. — ela pediu. James a encarou durante alguns segundos.
— Tudo bem, mas se tentar alguma gracinha. — ele mostrou a arma em sua cintura. Bella respirou fundo tentando se acalmar.
James a soltou e Bella foi em direção ao banheiro, ele era bem pequeno não tinha chuveiro nem luz, mas mesmo assim Bella conseguia enxergar um pouco. Ela rapidamente fechou a porta e pegou em sua pulseira procurando pelo pingente. Pediu baixinho a Deus para que aquilo funcionasse e Edward a encontrasse logo, não sabia se aguentaria aquilo por muito tempo.

Tempo presente...

Edward dirigiu como um louco durante mais de meia hora, agradecendo mentalmente por ter um GPS, se não nunca encontraria o lugar. Olhou para o céu, estava nublado, mas ainda daria para enxergar sem precisar de energia. Parou em uma trilha que nunca havia ido, nem sabia que existia, estacionando seu carro de qualquer jeito. Teria que seguir a pé agora. Pegou uma lanterna pequena que tinha dentro do porta-luvas havia duas ali. Ainda bem que eram novas. Ele saiu do carro e caminhou sem hesitação nenhuma floresta adentro, orando baixinho, pedia a Deus que para cada passo que dava ficasse, mais perto de Bella e que ela estivesse viva, teria que está.
Edward estava tão distraído que nem ouviu outra porta se abrindo e fechando, nem um minuto depois que ele havia saindo do carro.
Edward agradeceu que havia uma trilha ali e algo em seu coração, lhe dizia que era só seguir o caminho, então ele fez, seus ouvidos atentos se ouvisse algo. Às vezes ouvia uns barulhos atrás dele, mas quando ele olhava não via ninguém. Ele não tinha certeza por quanto tempo havia andado, só sabia que seu corpo tirava forças da fé que tinha. Finalmente avistou um chalé era pequeno e parecia bem velho, musgos cobria sua parede.
Edward se aproximou com cuidado percebeu apenas uma pequena janela no alto de uma parede, afastou uma pedra alta que tinha ali perto e subiu nela, ficou alto o bastante para enxergar lá dentro. Seu coração acelerou, e foi como se ele voltasse a bater novamente tudo fazia sentido novamente. Ele tinha por quem lutar, por quem viver, por quem respirar. Ele não sabia se ria ou chorava, não sabia se ficaria vivo ou morreria.
Bella estava ali, viva. Pelo menos era o que pensava. Podia ver sua mulher, ela estava amarrada em um canto, tinha uma amordaça em sua boca, seu rosto estava inchado e machucado, alguns hematomas roxo na pele dela. Alguém havia batido nela? Sentiu seus ombros tremerem de raiva.
Percebeu um vulto, sair de um lugar que ele não podia ver, estava de costas e Bella de frente. Ele se agachou na frente dela e acariciou o rosto dela, a onde estava pode perceber o corpo dela ficar tenso, se é que isso ainda era possível. O homem apertou com força o rosto dela, Edward rugiu. Precisava tirar ela dali, lembrou-se da arma em suas costas. Seria simples, apenas um tiro, ali mesmo de onde ele estava. Ele não era um assassino, mas se fosse para ter Bella novamente, ele seria capaz de tudo.

— Eu vou ter que sair bonequinha. — James falou a Bella acariciando os cabelos dela que se esquivou do toque. — Tenho que arrumar tudo para nossa partida, mas não se preocupe eu vou voltar logo. — Ele falou — Não vejo a hora de estarmos juntos novamente. — respirou nos cabelos dela. — Volto já. — se inclinou e beijou a bochecha dela.

O homem saiu despreocupado, Edward se escondeu, viu o cara sumir pela trilha. Será que seria tão fácil assim? Ele mal esperou completar um minuto e entrou no chalé. Ele empurrou a porta, com força, ela rangeu enquanto abria.
— BELLA. — ele gritou. Bella o olhou sem acreditar, murmurando alguma coisa. — Bella. — ele falou baixinho, caindo de joelhos ao lado dela. — Você está viva, você está viva, viva... v-viva... — ele repetia sem parar abraçando ela o mais forte que podia.
O novamente estava ali, ele estava sentindo novamente, apesar de fraco, estava ali. Sentia seu coração finalmente batendo de novo, o sangue correndo em suas veias, sua pulsação a acelerada, respirar finalmente voltou à fazer sentido e ele respirou fundo, arfando. Sentiu o cheiro dela no ar. O cheiro que ele pensou que nunca mais iria sentir. Ele se sentia embriagado.
Ela murmurou algo, Edward retirou a mordaça dela, percebendo que tinha um corte em seu lábio. Bella respirou fundo, sentindo seu nariz doer um pouco, mas agora tinha certeza que tudo ficaria bem, afinal o seu homem estava ali, com ela, por ela.
— Edward... — ela disse fracamente. — Temos que sair daqui...
— Eu te amo, eu te amo, eu te amo. — ele murmurou sem parar. — Quem é aquele cara? O que ele fez com você? — ele perguntou soltando os braços e pernas dela.
— James. — Bastou, ela dizer essa palavra para ele compreender quase tudo.
— Desgraçado. Como...
— Eu não sei— ela o interrompeu. — Temos que sair daqui agora... depois conversaremos... — Bella estava sem força. Mal conseguia ficar em pé. Mas nada importava, apenas, os dois estavam ali, juntos.
Edward assentiu. As perguntas, as dúvidas, a dor, a saudade, teriam que esperar.
— Eu levo você. — ele falou e a colocou nas costas dele facilmente. Eles saíram rapidamente dali, mas paralisaram com o que viram na frente deles.
— Ora, ora o que temos aqui. — James falou com raiva.
— Emmett. — os pais sussurraram com horror.
James segurava o menino que estava um pouco sujo de lama, uma arma apontada para a cabeça dele.
— MAMÃE. — o menino gritou. Apesar dele estar preso ali com aquele cara estranho, o menino se sentiu a criança mais feliz do mundo, afinal sua mãe estava ali, e não no céu, e apesar dela não ter virado uma estrela, para ele, ela era a pessoa mais iluminada do mundo.
— CALA A BOCA, BASTARDO. — James gritou apertando a cintura do menino.
— O solte. — Edward pediu, seu sangue fervia.
— Então a solte.
— Nunca. — Edward disse ameaçador, sentindo os braços de Bella o apertarem com força.
— Edward me solte, eu vou com ele. — Bella sussurrou baixinho, pelo menos assim seu filho ficaria livre. Ela desceu sua mão pelo corpo de Edward sentindo a arma dele em suas costas. Será? Eles se olharam conversando mudamente. Os pais são capazes de tudo para protegerem o filho.
— Se você não vir comigo, Isabella, eu vou mata-lo. — James falou apertando a arma bem na testa do menino. Seu braço envolvia-o pelo pescoço, sua mão bem perto da boca do menino.
Emmett teve uma ideia, mas seu pai sempre falou que ele não podia morder ninguém que era errado. Será que meu pai vai brigar comigo?, pensou consigo mesmo.
— Decidam agora. — James rugiu.
Eles teriam que arriscar. Emmett olhou para seus pais com um pedido de desculpas, antes de abaixar sua cabeça e morder com força a mão de James. Seus dentes se fincaram com força na mão dele e apesar de pequeno fizeram um estrago grande.
— Porra. — James praguejou soltando o menino e balançando sua mão. Edward agiu rápido, sentiu Bella deslizar para o chão pegando a arma em suas costas, ele caiu em cima de James desferindo um soco tão forte nele que provavelmente havia quebrado seu nariz. Mas Edward não ficou satisfeito, ele dava socos sem parar no rosto de James que nem se defendia, alternava suas mãos, cada soco era mais forte que o outro, ele despejava toda sua dor, todo seu ódio nos socos, toda a dor que ele fez Bella sentir, o rosto de James sangrava muito, mas Edward não parava de dar socos, ouvindo suas mãos se chocaram com os ossos podres dele. Aquele idiota, nunca se atreveria a mexer com sua família novamente.
— EDWARD, PARE. — Bella gritou tampando a visão do filho que logo estava em seus braços a abraçando, Emmett chorava enlaçando o pescoço da mãe, ela estava ali viva, não havia o abandonado.
— Miserável você deve morrer. — Edward cuspiu na cara dele ainda o socando.
— Edward, por favor, pare você vai mata-lo. — Bella gritou, Edward olhou para ela, que chorava abraçada ao seu filho. Por mais que ele quisesse matar o desgraçado com suas próprias mãos, se tornaria um assassino e não queria isso para sua vida afinal ela estava ali, viva.
— Bella. — ele falou, saindo de cima do corpo desacordado de James e abraçando o corpo de sua mulher com Emmett entre eles.
— Obrigado Deus, obrigado. — Edward falou respirando no pescoço dela, agradecendo por Deus não tê-la levado dele. — Obrigado Senhor.
— Eu estou aqui. — ela falou também chorando.
— Você está aqui e viva, minha vida, você não está morta. — ele repetia sem parar, podia sentir o coração dela batendo, a música de sua vida.
— A senhora não nos abandonou. — Emmett falou chorando.
— É claro que não meus amores. — Bella falou com dificuldade.
— Emmett como você chegou aqui? — Edward perguntou confuso.
— Desculpe papai, eu entrei no carro antes do senhor sair e te segui até aqui.
— Você não podia ter feito isso, viu o risco que correu? — ele o repreendeu.
— Desculpe. — ele repetiu cabisbaixo.
— Tudo bem. — Edward disse o beijando. — Vamos sair daqui. Você consegue andar? — ele perguntou a Bella, o corpo de James ainda estava desmaiado no chão.
— Acho que sim. Não podemos deixa-lo assim, se ele acordar vai fugir.
Edward pensou rápido tirou o cinto que usava e amarrou os pés dele, depois tirou sua blusa e prendeu as mãos dele fortemente.
— Você vai congelar. — ela falou o abraçando fortemente.
— Vou ficar bem. — ele falou a abraçando de volta.
Edward passou a mão no rosto dela, percebendo o que não tinha percebido antes.
— Você está ardendo em febre! — ele falou preocupado e a pegou em seu colo. — Tenho que leva-la para o hospital. Segure a lanterna Emmett e na barra da minha blusa. — ele falou ao filho para ele não se perder e eles poderem enxergar na floresta que estava começando a ficar escura.
Ele começou a andar apressado, mas teve que se conter, não estava muito forte para segurar Bella e ainda tinha Emmett que o estava retardando um pouco. Bella desmaiou antes mesmo de eles chegarem ao carro, Edward dirigiu com rapidez, mas com cuidado não queria causar um acidente, a única coisa que o fazia pensar com clareza era a respiração de Bella que ele podia ouvir, era um fraca, mas estava ali, mostrando que ela estava viva.
Viva.
Sua vida, sua mulher, estava ali viva, era difícil de acreditar. Tinha tanta coisa para assimilar, tantas perguntas, mas agora o mais importante era descobrir o que ela tinha.
Depois de menos de uma hora e meia Edward chegou ao hospital, estacionou o carro de qualquer jeito na entrada, saiu correndo vendo Emmett o seguir, pegou Bella em seus braços e a levou para dentro.
— Me ajudem, me ajudem. — Edward falou apressado.
— Dr. Cullen, o que aconteceu? — uma enfermeira perguntou. — Essa é a Sra. Cullen? — ela perguntou confusa.
— Sim, quero que façam um checkup nela urgente. — ele falou, foi até a recepção. Colocou Bella em uma maca que logo foi levada a sala de exames — Ligue para meu pai e fale para ele vim aqui imediatamente. — ele falou para a recepcionista que assenti. — Emmett filho fique aqui, eu vou examinar sua mãe. — o menino assentiu assustado.
Edward andou apressado pelo corredor, atrás de Bella. Viu o Dr. Grandy entrar em uma sala, sabia que Bella estaria ali. Na hora que ele foi entrar, Sam apareceu o impedindo.
— Não posso deixa-lo entrar, Dr. Cullen. — ele falou. — Ordens do médico.
— Eu sou médico, porra, deixe-me entrar é minha mulher que estar aí dentro — ele falou descontrolado.
— O senhor só vai atrapalhar com esse nervosismo.
Edward respirou fundo sabendo que o enfermeiro tinha razão. Ele só precisava que sua Bella ficasse bem e se para isso ele teria que ficar longe ele ficaria.

...

As pálpebras de Bella tremeram antes de se abrirem.
A primeira coisa que ela viu foi o teto branco, sem nenhuma rachadura. Imagens de tudo que viveu começaram a passarem em sua cabeça. Tudo aquilo foi um pesadelo ou real? Bella se sentia confusa e não sabia o que pensar.
— Bella. — Edward pronunciou o nome baixinho e ela percebeu que estava com uma mão sua entrelaçada na dele e a outra dele acariciava seu rosto, estava enfaixada.
— Edward. — ela suspirou, olhando nos olhos verdes de seu marido. — Você está bem? — perguntou preocupada olhando para a mão enfaixada.
— Agora eu estou. — ele respondeu com a voz embargada. Bella estava ali, viva.
— Eu te amo tanto, baby. — ela falou acariciando o rosto dele com sua mão livre percebeu que os olhos dele estavam vermelhos e brilhantes com lágrimas não derramadas.
— Eu pensei que nunca mais fosse ouvir isso. — Edward falou encostando sua testa na dela, as lágrimas, dessa vez, de felicidade escorreram livremente pelo seu rosto.
— O que aconteceu? — ela perguntou.
— Você não lembra?
— Sim, mas como você me encontrou? Foi o rastreador?
— Sim, um cara me ligou falando que ele tinha sido ativado. Deus, Bella eu pensei que você estava morta.
— Eu não estou.
— James, armou Bella. Ele queimou seu carro com o corpo de outra mulher dentro, pensei que nunca mais a veria... eu... eu. — ele não conseguiu terminar doía lembrar—se do que viveu.
— Eu estou aqui e viva. — ela garantiu. — E Emmett? E Renesmee?
— Eles estão bem. — ele se levantou um pouco, pegou algo em seu bolso. — Isso nunca mais vai sair daqui. — ele falou colocando a aliança de casamento no dedo dela.
— Me beije. — ela pediu fazendo um biquinho.
— Não dar. — ele falou angustiado, como queria beija-la. — Seu lábio está machucado, você precisou levar alguns pontos , vai doer. — ele explicou rapidamente o motivo.
— Eu não me importo. — ele falou, passou a língua nos seus lábios sentido que havia um pouco de linha no canto direito da sua boca. Edward se inclinou e apenas pressionou seus lábios levemente nos dela, mais mesmo assim, ela gemeu baixinho de dor.
— Desculpe.
— Não se desculpe por isso. O que aconteceu com aquele desgraçado?
— Depois chegamos aqui, meus pais chegaram junto com Ben, eu expliquei tudo para eles, Ben foi até o lugar que os indiquei e ele encontrou apenas a parte superior do corpo de James. — Edward disse sorrindo, Bella arregalou seus olhos. — Parece que algum animal comeu o corpo dele e depois vomitou encontraram vomito atrás da cabana. — ele explicou nem um pouco triste.
Bella respirou fundo se sentindo aliviada, finalmente esta livre.
— Eu quero ver nossos filhos. — ela pediu.
—Antes eu preciso te dizer que seu leite estava começando a empedrar nos seus seios, pelo tempo que ficou sem amamentar, então vai doer muito quando você for amamentar.
— É muito sério?
— Não se for cuidado, Renesmee está vindo lá de casa com minha mãe.
— Como ela se alimentou?
— Jasper pegou leite doado do hospital.
Houve uma batida na porta.
— Entre. — Edward falou ficando em pé ao lado de Bella, sem soltar a mão da dela, apenas deixando a que estava enfaixada livre.
A porta se abriu e Ben entrou, ele usava seu uniforme de policial, então aquela não era uma visita de amigo. Bella percebeu que a lateral do nariz dele estava roxo.
— Ben, o que aconteceu com você? — Bella perguntou.
— Alguém me deu um soco e roubou minha arma. — ele falou dando um sorrisinho sarcástico enquanto olhava para Edward.
— Amor, não foi você que deu um... — Bella parou, o sorriso de Edward era tão grande nunca havia o visto sorrir tanto assim. — O que perdi? — ela perguntou confusa.
— Nada. — ele falou dando de ombros, a felicidade transbordava por seus olhos brilhantes. Bella estava ali viva e o chamando de amor, tinha algo melhor que isso? Algo que ele pensou que nunca mais aconteceria, estava acontecendo. — Me desculpe Ben, mas eu realmente estava desesperado.
— Eu não vou prestar queixas porque sou seu amigo, se não agora você estaria preso por agredir um policial. — ele falou.
— Obrigado. Mas o que você veio fazer aqui? — Edward perguntou.
— Preciso do seu depoimento, Bella pode ser?
— Claro.
— Só a deixe comer e dar de mamar a Renesmee, Ben. — Edward pediu. — Depois, ela pode falar mais tranquilamente.
— É claro, então voltarei em uma hora, vou aproveitar e ver se conseguimos descobrir de quem era o corpo no carro.
Mal deu um minuto depois que Ben saiu, Esme entrou no quarto com Renesmee nos braços e Emmett ao seu encalço, o menino, logo pulou na cama em cima da mãe a abraçando.
— Oh, querida, estou tão feliz que esteja bem. — Esme falou aliviada, seus olhos estavam úmidos, Bella era quase uma filha para ela.

— Graças a Deus. Deixe-me pega-la. — Bella pediu ajeitando Emmett do seu lado e estendendo a mão para pegar sua filha.
— Claro, ela deve estar morrendo de saudades de você, chorou muito a noite, só se acalmou quando Edward ficou com ela algumas horas, antes dele sair correndo.
— Oh, Nessie... Mamãe te ama tanto, sentiu tanto a sua falta, ainda bem que você está bem. — Bella falou acariciando o rostinho de sua filha que a olhava, o bebe deu sorriso banguelo, Emmett riu.
— A senhora a chamou de Nessie. — ele explicou rindo baixinho.
Bella rolou os olhos e deu um beijo nele.
— Você quer tentar alimenta-la? — Edward perguntou colocando sua mão na mãozinha da filha que estava com luvinhas brancas.
— Claro.
— Se doer demais...
— Eu posso aguentar. — ela garantiu.
— Eu sei que pode mas...
Bella o calou com um olhar, ela percebeu pela primeira vez que vestia uma roupa de hospital e que estava com outro sutiã, liberou seu peito e colocou na boca de Renesmee.
— Hum... — ela fez uma careta de dor. — Isso dói. — ela falou vendo sua filha sugar o leite fortemente.
— Eu posso imaginar, querida, mas é necessário, eu trouxe uma bombinha para quando ela terminar de mamar, e não tiver esvaziando completamente, você poder tirar o leite. Já está esterilizada.
— Obrigada, Esme.
Depois que Bella terminou de amamentar Renesmee, Esme entregou para ela uma bombinha e Bella retirou mais leite de seus seios. A menina ficou deitada em seu carrinho dormindo, enquanto Emmett também dormia, mas deitada na cama da mãe, ao lado dela. Edward estava sentado em uma cadeira, próximo à cama, com sua mão na dela.
Alguns minutos depois que Esme foi embora, dizendo que todos estavam loucos para verem mais tinham que esperar o horário de visita, Ben entrou no quarto, com outro policial que tinha um bloco de notas e caneta para anotar o depoimento de Bella.
— Será que ele não vai acordar? — ela perguntou a Edward, acariciando a cabeça de seu filho adormecido.
— Não, acho que ele só vai acordar se nós o chamarmos. — Edward falou um pouco tenso pelo depoimento, Bella acariciou a mão dele, o relaxando.
— Vamos começar? — Ben perguntou.
— Claro.
Ben começou perguntando como ela tinha conhecido James. Bella contou, pulando algumas partes, mas contando a parte que ele havia lhe estuprado. Ela começou a contar como James tinha aparecido no estacionamento e que não se lembrava de muita coisa, apenas de ter pedido que ele não levasse sua filha e depois acordou no cativeiro.
— Ele me batia toda vez que eu falava o nome de Edward. — Bella falou, ouvido seu marido praguejar baixinho.
— Ele apenas a agrediu? Ou ele... Tentou abusar de você? — os ombros de Edward tencionaram na hora, não havia parado para pensar naquilo Mas logo relaxou, se ela tivesse sido violentada Heidi teria falado para ele quando ela havia lhe examinado.
Bella olhou para Edward antes de responder. — Ele falou que iria me ter novamente. — ela disse com uma careta. — Mas disse que só depois que não estivéssemos mais ali.
— Então ele não fez nada além de lhe bater?
— Não. — ela falou.
— Você sabe para onde ele iria leva-la.
— Não. — ela repetiu.
— E como você fez para Edward te encontrar?
— Eu tenho um rastreador no meu pingente. — ela mostrou a pulseira. — Pedir para James ir ao banheiro e ele me soltou e eu conseguir ativa-lo. — ela explicou rapidamente. Ben já sabia que ela usava o rastreador por causa de Marcus, mas como ele já estava preso não havia necessidade, e muito menos agora com James morto.
Edward respondeu algumas perguntas depois dela, falando tudo rapidamente.
— Bom, acho que é só isso. — Ben falou.
— Vocês conseguiram identificar o corpo? — Edward perguntou.
— Ainda não, estão procurando o DNA no banco de dados, logo quando descobrimos falaremos com vocês.
— Ok, obrigado.
— Não por isso amigo, você que fez todo o trabalho duro. — Ben respondeu sorrindo.
Eles se abraçaram rapidamente.
— Estou feliz que esteja viva, Bella. — ele falou sorrindo para a esposa do amigo. — Principalmente Angela, ela ficou muito abalada, mas agora estar doida para vim vê-la.
— Diga para ela vim e trazer nosso afilhado. — ela falou apertando a mão boa de Edward. — Estou com saudades dele.
— Vou dizer sim. — prometeu ele.
No momento que ele foi abrir a porta uma enfermeira bateu nela.
— Ops. — ele falou dando um sorriso e saiu do quarto a enfermeira entrou empurrando um carrinho.
— O jantar. — ela falou.
— Obrigado, Darcy. — Edward disse educadamente.
— Com licença.
Edward se levantou e pegou o prato entregando—o a Bella, ela sentiu seu estômago roncar audivelmente.
— Coma. — Edward falou sorrindo, acariciando a bochecha dela.
Bella comeu sem reclamar, a comida do hospital não era a das melhores, mais a sua fome era tanta que ela ficaria satisfeita comendo até terra.
— Você já comeu? — ela perguntou, depois de oferecer a ele que recusou.
— Sim, eu comi enquanto você dormia. — ele respondeu. Depois que havia conversado Heidi e seus pais havia chegado, ele foi obrigado a comer e levado quase a força para a lanchonete do hospital, ele comeu com desejo, dois mistos quentes, um salgado e um copo grande de suco de laranja, ele comeu rápido ciente de que logo voltaria para sua mulher, ainda não conseguia acreditar que ela estava viva. Viva.
— Está satisfeita? — ele perguntou quando ela terminou de comer.
— Sim, momentaneamente.
— Quando sentir fome me diga.
— Que horas são?
— Mais de oito horas da noite.
— Não é melhor vocês irem para casa? Não quero que você acorde todo dolorido por dormir nessa cadeira.
— Bella, eu não vou deixar você aqui. — ele falou.
— Mas e as crianças?
— Meu pai vai vim pega-los, depois que terminar o turno dele. — ele informou.
Ela ficou em silêncio, acariciando a mão dele.
— Edward? — ela o chamou baixinho.
Eles se entreolharam intensamente.
— Sim?
— Eu amo você.
— E eu a você linda. — ele afirmou beijando a testa dela.
Ela só não imaginava que demoraria tanto tempo para ouvir um eu te amo saindo da boca dele novamente.

...

Os olhos deles se abriram, sentia seu rosto todo dolorido e sangue escorrer por ele.
Ouviu um bufar e sentiu um bafo quente em seu rosto que estava todo dolorido.
Demorou um minuto e precisou ele ouvir um rugindo, para ele entender da onde vinha o cheiro.
Sentiu uma pata presada em seu peito e ele paralisou.
Urso.
Faminto.
Um urso, enorme e marrom estava ali o olhando fixamente.
E James não podia fazer nada quanto a isso.
O urso mordeu a perna dele, querendo carne, James gritou de dor.
Queria morrer logo.
Por um momento se lembrou de Bella e de toda dor que causou a ela.
Se ela tiver sentindo ao menos um terço da dor que ele sentia agora, ele podia dizer que havia errado e muito em sua vida, com o urso comendo sua carne. Ele teria que aguentar, seu sangue todo escorrer, enquanto isso o urso o devorava, saciando sua fome com fervor, mas o urso sentia algo errado, aquela carne da qual comia não era gostosa, parecia estregada.
Sentiu seu estomago protestar. O urso rugiu e saiu dali.
Vomitou a carne podre que ele havia consumido. Nem para ser alimento de alguém James serviria, ele não era nada.
James morreu lentamente, antes que pudesse se arrepender.
E o urso ficou bem, apesar de toda a carne podre que ele havia consumido.


Notas da Autora:

Demorei para postar porque o capítulo anterior não teve NENHUM comentário, nossa gente isso é tão desanimador...

NOVENTA E DUAS pessoas leram o capitulo e NENHUMA parou para dizer ao menos um gostei ou odiei

Bem, não adianta mais falar né.

Logo teremos mais, eu acho...