Capitulo XXXIII

Um pedido. Uma concessão

O clima do jantar estava estranho àquela noite, mas Stella não sabia dizer o motivo.

O semblante vazio de sua tia Andrômeda trazia já era esperado. Por isso tomou para si mesmo que não era aquilo que a estava incomodando.

Girou os olhos com cuidado pela mesa, Noah e Lynx trocavam sorrisos vez ou outra enquanto a conversa prosseguia animada. Alias, tinha que admitir, desde que Eric e os cavaleiros entraram em suas vidas, as refeições ficaram bem mais animadas. Seu pai, principalmente, parecia ficar feliz por ter mais homens para conversar já que anteriormente nem Cygnus costumava parar no castelo por culpa dos estudos.

Averiguou a irmã caçula por um instante, sentada ao lado do atual noivo e fingindo não estar feliz com aquilo. Ela fazia cara emburrada a cada gracinha que Jack soltava e, em contrapartida, ele respondia com um riso alegre a ação dela.

Procurou Betel, mas ela ainda não havia retornado da cavalgada, o que não era exatamente estranho, ela vivia se atrasando para refeições por conta dos seus passeios.

Ao seu lado, Matt conversava alegremente com Lyra, que lhe sorria animada pela atenção que ele lhe dava e, a sua frente... Stella encarou os olhos azuis de Eric que, no momento trazia a taça de vinho aos lábios, sem tirar os olhos dela.

Algo naquele olhar a fez tremer por dentro.

De modo meio brusco, ela desviou o olhar, sentindo-se corar ligeiramente. Voltou a atenção para o seu jantar, mas, por mais que não dissesse a si mesma que não se importava com a intensidade com a qual ele a observava e mesmo que agora não o estivesse mais observando, podia notar aqueles olhos ainda a perfurá-la, como se disposto a encontrar algo que ela se esforçava a manter oculto dentro de si.

O fato de que, por mais que ela tentasse negar a si mesma o fato, ainda amava Eric.

O olhar dele a incomodava cada vez mais e parecia que algo emanava dele, fazendo-a sentir um leve calor. Um leve e incômodo calor. Respirou fundo, procurando o olhar de Matt, como em busca de socorro, mas notou que o amigo ainda engatava uma conversa animada com a sua prima. Fechando os olhos, reuniu toda a coragem.

que tinha dentro de si e tornou a fitar Eric firmemente. O rapaz sorriu meio de lado e ela sentiu-se meio sem ar por alguns instantes. Sim, ele estava fazendo isso de propósito e parecia se divertir com isso.

-Algum problema, senhorita Black? - ele falou num tom baixo, mas não menos gentil e provocador. Sté estreitou os olhos.

- Não, nenhum problema, senhor príncipe. – ela respondeu, sem encará-lo e Eric sorriu.

Sté tinha certeza que ele ia perguntar algo, mas todos na mesa tiveram sua atenção desviada para a porta. Betelguese acabava de entrar.

Stella suspirou aliviada, não agüentaria passar o resto do jantar com os olhos de Eric sobre si.

No entanto, o alívio logo se transformou em surpresa ao perceber que a irmã estava acompanhada.

Alto, branco, cabelo loiro encaracolado... Felix Lestrange não podia ser confundido com ninguém. Ai, não, coisa boa não podia sair dali.

-Betel, querida, sente-se e venha jantar. – Seu pai falou, virando-se para olhar a filha e só agora se dando conta do que os convidados já haviam todos percebido – Senhor Lestrange? É uma honra recebê-lo em minha casa, embora esteja surpreso. Qual o motivo dessa visita?

Betelguese entrelaçou a mão com a de Felix e o motivo ficou cristalino para os presentes.

-Desculpe a hora imprópria, senhor Black. Eu disse a sua filha que queria vir mais cedo... Mas... – ele olhou Betelguese de lado – Ela tinha algumas coisas a me dizer antes dessa visita. O fato é que... Bom, eu preciso falar com o senhor.

Sirius encourou o rapaz de cima a baixo, prendendo o olhar demoradamente nas mãos entrelaçadas dele e de sua filha. Mais essa agora...

-Sente-se senhor Lestrange. – disse por fim – Jante conosco, depois poderemos ir ao escritório e você me diz o que quer me dizer.

Do lado da mesa, oposto ao que Lestrange acomodara-se com Betelguese, Matt adquiriu um tom lívido em seu rosto ao notar a forma com que a Black sorria para o rapaz sentado ao seu lado. Ele permaneceria assim, perplexo, se não sentisse alguém pousar a mão delicadamente em seu ombro, chamando a sua atenção. Era Lyra.

-Matthew, o senhor está bem? - a garota perguntou, meio preocupada. O rapaz desviou o olhar do casal e forçou um sorriso para a ruivinha.

-Só estou um pouco surpreso. - perguntou, rouco. - Desde quando esses dois se dão tão bem? - perguntou num fio de voz. - A priori, eu tinha plena certeza de que eles se odiavam! - completou, quase afônico, ignorando uma vozinha irritante em sua mente que lhe dizia que os opostos se atraem.

Não que ele tinha alguma esperança de que Betelguese fosse nutrir algo por ele, mesmo que lá no fundo ele pensasse que ainda teria chances com a Black. Um pensamento meio contraditório; ele não pôde deixar de pensar enquanto seu peito dava uma contorcida meio agonizante. Fora pego de surpresa com o repentino pedido de casamento que estava para vir.

Seu olhar correu pela mesa e parou em Eric. Agora sabia perfeitamente o que o rapaz pensara dele ao ter a notícia do seu casamento com Sté, mas ele cria que nessa ocasião o de Betel e Lestrange não seria uma farsa.

Os outros da mesa pareciam um tanto quanto surpresos, pelo que ele percebia. Cygnus, aparentemente, mataria Lestrange se seu olhar tivesse a capacidade, tamanho o brilho assassino que seus orbes azuis demonstravam. Perse murmurava algo para ele, aparentemente, tentando persuadi-lo a se acalmar e não cometer besteiras.

Lynx, num primeiro momento, esboçara um ar intrigado antes de trocar um olhar com Stella e sorrir meio de lado. Jack esboçou um ar estranhamente sério, lembrando-se que vira o tal Lestrange com o Malfoy, ao passo que Vega sorria, satisfeita, e Andrômeda denotara um ar menos abatido.

Apenas Noah e Eric pareciam um tanto quanto alheios a cena, já que estavam muito mais preocupados em observar atentamente as suas respectivas damas.

-Eles não parecem se odiar tanto assim agora... - a voz de Lyra soou meio longínqua em seus ouvidos e Matt voltou o olhar para ela, notando a feição impaciente que ela exibia, aparentemente, a deixara falando sozinha por algum tempo. Corou involuntariamente.

-Desculpe, Lyra.

-O senhor esta mesmo bem, Matthew?

- Sim, eu...- Matthew sorriu meio triste. – Não, na verdade não estou bem.

Lyra sorriu, compreensiva, como se entendesse sua situação e. sendo inteligente como ela era, Matt não duvidava que ela compreendesse. Diabos, era ele que devia consolá-la e não o contrário! – Eu sinto muito, Lyra, eu não devia preocupá-la com meus problemas amorosos. Você, a pesar de tudo, é somente uma...

- Por favor, Matthew, não diga que eu sou somente uma criança, acabará me deixando com raiva. Posso ser bem mais nova que o senhor e que a senhorita Betel, mas isso não significa que...Não significa que eu não entenda seus sentimentos. – ela completou, corando involuntariamente.

- Eu não queria insultá-la, Lyra. – ele respondeu, a tristeza pelo casamento de Betel perdendo espaço para a curiosidade. Ora, será que a jovem Lyra já gostava de alguém?

Ela sorriu, não conseguia ficar com raiva de ninguém por muito tempo, principalmente de Matthew. – Eu... Eu só queria dizer que você devia estar contente por Betel, ela parece ter encontrado seu amor e, quando nós gostamos de alguém, queremos o melhor para ela mesmo que isso nos faça sofrer.

Matthew apenas lançou um olhar surpreso para a ruivinha e, por fim, sorriu em resposta.

-Você tem toda a razão. - ele respirou fundo. - E pelas suas palavras, isso me leva a crer que já gosta de alguém e crer que não é correspondida, não é mesmo?

Lyra ficou da cor dos cabelos e assentiu, de leve, mas foi poupada de dizer qualquer outra coisa por um comentário do primo.

-Como vai o seu grande amigo, Lestrange, o Malfoy? - ele falou com a voz meio alteada e arrastada. Betelguese revirou os olhos de imediato - Ainda sofrendo pela surra que eu dei nele?

Felix olhou surpreso para Cygnus, demorando um pouco para lembrar da briga no bar.

-Sabe, Black, eu não faço idéia. Não vejo o Malfoy desde aquele dia. – ele respondeu, calmo, a mão de Betel entrelaçada na sua impedindo-o de responder à provocação de Cygnus.

Cygnus bufou, irritado.

-Corta essa, Lestrange, todos sabem que vocês são amiguinhos. – E virando-se para o pai, completou – Você já sabia dessa amizade? Pelo menos esse aí veio aqui pedir a mão da Betel... Pode-se apostar que se recebesse um não também ia planejar um seqüestro.

-Cygnus, comporte-se! - Perse murmurou entre dentes. - Pare de agir como uma criança!

-Não é mesmo, Lestrange? - ele alfinetou num ar carrancudo, ignorando os protestos de Persephone - Confesse.

-Ah, pelo amor de Merlim, Cygnus, não encha o Felix com suas crises de super proteção. - Betel interveio num bufo de raiva. - Eu sei cuidar de mim perfeitamente.

-Mas não sabe mesmo! - o rapaz praticamente urrou de indignação. - Esse daí é da mesma laia que aquele trasgo do Malfoy! Eu vi os dois juntos conversando como velhos amigos. - ele levantou da mesa, irritado.

Felix ia fazer o mesmo, mas Betelguese foi mais rápida e puxou o rapaz de volta para cadeira e olhou enfurecida para Cygnus.

-Não compare o Felix aquele crápula, Cygnus Black! - ela bradou num tom arrastado, fazendo com que uma taça se estilhaçasse.

Cygnus se preparou para rebater, mas a voz imponente de Sirius se fez presente, fazendo os dois filhos se calarem, ofegantes.

-Já chega vocês dois! - bradou num tom irritado e imperativo. - Cygnus, já para o seu quarto. - o filho resmungou em resposta e não arredou opé. Percebendo o pensamento do filho, o homem completou. - Você está agindo como uma criança mimada, então, sugiro que seja tratada como tal. Para o quarto, agora, antes que você saia numa situação mais constrangedora.

Cygnus, ainda emburrado, levantou da cadeira e saiu da sala indo em direção ao seu quarto, Sirius esperava.

Infelizmente, seu primogênito às vezes parecia mais infantil do que todas as suas filhas. Talvez somente uma mudança muito grande fosse fazê-lo crescer.

-Senhor, Lestrange, desculpe-me pelo comportamento infantil do meu filho, quando se trata das irmãs, ele é excessivamente ciumento. Podemos, então, ir ao meu escritório resolver o assunto que o trouxesse aqui? Senão, eu temo, minha família não conseguira ter um jantar descente. Betel, eu gostaria que você nos acompanhasse porque, pela lógica, todo tem a ver com você.

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Noah se espreguiçou de modo meio displicente, permitindo que seus passos o guiassem de forma involuntária pela trilha da floresta dos Black. Já estava perfeitamente acostumado a essas caminhadas matinais para se distrair, mas mesmo que tivesse essa intenção, o seu desejo de espairecer um pouco sempre era quebrado pela imagem de Lynx Black e aquele "incidente" no quarto dela.

Respirou fundo e passou a mão pelos cabelos de forma nervosa, como se estivesse disposto a apagar aquilo de vez da mente, ao passo que sentia o rosto ferver de modo significativo. Desde aquele fato que eles não haviam conversado sobre isso, apesar de terem tido algumas ocasiões em que ela permitira uma certa aproximação dele para um diálogo descente. Noah poderia dizer que Lynx agora o via, de certa forma, como a um amigo. Tornou a passar a mão, dessa vez pelo rosto. Definitivamente, aquela morena queria fazer com que ele pirasse de vez. Era como ela desse o fogo para acender a fogueira e, logo depois, viesse com um digno jato de água fria. E, de certo modo, era isso que estava acontecendo.

Inspirou lentamente e tornou a passar a mão pelos cabelos. Sim, ele tinha que somente se contentar com a amizade dela e esquecer de vez aquele sentimento tolo que nutria e que o fazia ter reações extremamente patéticas. Ela sabia que ele sentia algo por ela, ele bem notava, e se ela não dera indício nenhum que queria algo a mais com ele, significava, então, que as suas suspeitas estavam corretas: ela só o via com uma diversão. Mordeu o lábio inferior, achando que não se importava nem um pouco que ela se divertisse um pouco com ele, apesar de notar que se arrependeria amargamente depois que ela o deixasse de lado.

Gargalhou gostosamente ao notar que, de certa forma, os papéis estavam se invertendo: não eram os homens que brincavam com as mulheres? Talvez até mesmo o mais galanteador dos homens se torne um bicho inofensivo e obediente diante da mulher amada. Sim, um lobisomem manso.

Se os devaneios dele perdurariam sobre comparações e conspirações, Noah jamais saberia dizer, pois teve sua atenção voltada diretamente para um riso alto e divertido que ecoara a alguns metros de si.

Ainda não podia ver a figura, mas seu corpo não demorou muito para lhe informar com um arrepio que ele pertencera a Lynx Black. Estreitou os olhos, observando-a deitada sentada à sombra de uma árvore e piscou, atordoado, ao notar que estavam próximos à queda d'água da propriedade. Arqueou uma sobrancelha. Tinha de parar de pensar tanto, afinal, mais alguns metros e ele poderia acordar do seu transe no fundo daquelas águas claras.

Meneando a cabeça bruscamente, voltou o olhar da cachoeira para Lynx e lhe lançou um cordial sorriso.

-O que você pretendia fazer, Noah Richards? - ela gracejou, rindo. - Sabe, é um tanto quanto difícil se manter preso ao chão quando a cabeça está em outro mundo. - ela cruzou os braços e arqueou uma sobrancelha. - Em que estava pensando?

O tom que a cor da pele dele tomara não escondeu o embaraço e Lynx teve certeza que ele pensava nos dois. Sentiu-se reconfortada já que ela também estava tendo dificuldades em pensar em algo que não fosse o loiro nos últimos tempos.

-Nada... – ele respondeu, antes de dar-lhe um leve sorriso – Pensei em dar um mergulho. Hoje o dia esta quente por demais.

-É verdade. Mas a sombra da árvore está agradável também... – ela apontou o lugar ao seu lado – Não quer se juntar a mim?

Noah abriu um sorriso ainda maior e caminhou até ela, sentando-se no lugar em que Lynx havia lhe oferecido, recostou no tronco da árvore, assim como ela fazia e pode sentir uma fraca e gostosa brisa lhe acariciar o rosto.

-Realmente aqui está muito agradável...

Lynce apenas sorriu e, com uma leve ajeitada no corpo, recostou a cabeça no peito do rapaz e respirou fundo. A reação repentina dela pareceu surpreender o rapaz, a princípio, mas ele não fez nenhuma objeção, pelo contrário, apenas aninhou-a mais contra si, trazendo-a mais para perto. Lynx apenas respirou fundo e sorriu.

Os dois permaneceram em silêncio por longos minutos, somente apreciando a brisa que cortava-lhe as faces e a sensação e o calor do corpo um do outro, até que Lynx remexeu-se um pouco, voltando a atenção para a face do rapaz. Ele apenas devolveu-lhe o olhar, meio intrigado.

-Fiz algo que você não quisesse, Lynx? - ele perguntou num murmúrio. Ela apenas riu e negou em resposta.

-É hoje o noivado da Vega com o Jack. - ela comentou vagamente. - Isso me veio em mente agora e, por alguns instantes, eu lembrei do meu com o inútil do Slughorn.

-Por que você está se lembrando disso agora...? - ele perguntou, deixando visível seu aborrecimento ante ao comentário dela.

Lynx não disse nada, apenas voltou a recostar a cabeça no peito dele e abraçou-o com força.

-Porque, se eu relutasse mais em me casar com ele, talvez as coisas entre nós estivessem diferentes agora. - ela respirou fundo e fechou os olhos. - E, sinceramente, eu não sei se isso pode ser considerado algo bom ou ruim.

-Lynce, o que você quer dizer com isso...? - ele perguntou, meio confuso.

-Estou querendo dizer que... - ela hesitou por alguns instantes. - se eu relutasse em me casar com o Slughorn, eu ainda estaria morando aqui no castelo dos Black. - ela suspirou lentamente. - Meu casamento não influenciou em nada na sua chegada com o Eric, mas... - ela tornou a se separar dele e Noah reparou o quando o rosto dela estava ruborizado e sua feição, envergonhada. Sorriu. - será que se essa minha decisão não tivesse gerado essas conseqüências a... a você, digo, será que se eu não tivesse fugido do Slughorn ou sequer tivesse noivado com ele, estaríamos nós dois, aqui, agora... juntos?

-Não acha que está supondo coisas demais, senhorita Black? O que importa o que teria acontecido se você não tivesse feito algo, quando fez? – por um instante ela não compreendeu o que ele queria dizer, mas, o aperto mais forte que Noah na sua cintura fora suficiente para faze-la entender – Pare de pensar no que poderia ter sido e pense no que pode ser, Lynce... – ele aproximou os lábios da testa dela, roçando-a de leve para em seguida depositar um beijo terno na pele macia - Nós estamos juntos aqui... Agora... E sempre que você quiser.

Ela riu, como se o gesto a fizesse sentir cócegas.

-O que está querendo dizer com isso senhor Richards?

-Eu é que te pergunto isso, Lynce, já que você sabe realmente o que eu quero dizer com isso. - ele sorriu meio de lado, fazendo-a corar um pouco.

-Lynx... - ela falou, baixinho, ao que ele encarou completamente confuso. - Eu quero que você me chame de Lynx. - ela completou, sorrindo.

-Mas... - ele franziu o cenho, ainda sem entender. - Achei que você odiasse seu nome, por isso...

-E eu não gosto. - ela falou num murmúrio rouco, o interrompendo de leve, e encolhendo as pernas antes de inclina-las para o lado, a fim de deixá-las sobre as coxas dele. - Só que ele fica mais bonito em seus lábios do que quando você me chama de Lynce. - ela sorriu de forma meio arteira, os olhos brilhando de uma forma um tanto quanto lasciva, fazendo-o entender perfeitamente o que ela queria dizer com aquilo. - Você não concorda, Richards? - ele inspirou profundamente e sentiu um arrepio percorrer todo o seu corpo devido ao tom de voz que ela usara.

-Não sei... Vou precisar repeti-lo varias vezes para ter certeza, se me permite – encostou a boca no ouvido dela – Lynx... – disse uma vez, sentindo-a tremer sobre suas mãos e agarra-se mais a ele – Lynx... – repetiu, enquanto levava uma das mãos ao rosto dela, levantando-lhe pelo queixo, delicadamente, a fim de fazê-la encara-lo – Lynx... – falou mais uma vez antes de beija-lhe a boca.

Por mais que a reação de Noah fosse totalmente esperada por Lynx, a morena não pôde deixar de ter inspirado fundo quando Noah beijou-lhe com certa delicadeza, antes de inclinar o rosto, deixando o toque dos seus lábios mais lascivo. Sorrindo, ela entreabriu os lábios, permitindo que aquele contato fosse mais profundo, enquanto ela o abraçava mais forte, trazendo-o mais para perto de si.

A morena cessou o beijo aos poucos, sentindo-se um tanto quanto sem ar, recostando sua testa a dele, apenas observando as suas respirações por completo descompassadas. Sorriu, segurando firmemente as vestes dele, com as mãos agora pousadas sobre o peito do rapaz.

-Já pôde ter plena certeza agora, Noah Richards? - ela perguntou num tom meio divertido, alargando ainda mais o sorriso, ao passo que fechava os olhos lentamente.

-Não... ainda não senhorita... – ele disse, soltando um leve riso – Acredito que terei que repetir seu nome muitas vezes até poder concordar com você... – voltou a levar os lábios próximo ao ouvido dela - ... Lynx... Minha Lynx... – não resistiu e beijou de leve o lóbulo da orelha dela, a morena soltou um longo suspiro que o incentivou a perder mais tempo acariciando o lugar com a língua e pequenas mordidas. Até que ela deitou-se por cima dele, virando mais o pescoço para lhe dar mais espaço a caricias.

Aquilo estava ficando por demais perigoso.

Lynx soltou um longo suspiro ao sentir os beijos de Noah sobre o seu pescoço e, quando tomou consciência, notou que o loiro havia invertido as posições e agora afundava o seu corpo sobre o dela. Aquela sensação do peso dele sobre si causou-lhe um leve estremecimento e ela fechou os olhos, inspirou fundo a procura de ar, mas tudo que conseguira fora respirar de forma descompassada.

Podia sentir as mãos dele sobre a sua cintura e, mordendo o lábio inferior de leve, afundou seus dedos sobre o cabelo dele, dando uma leve pressionada, como se o contato dos lábios dele sobre o seu pescoço não tivesse sido o bastante.

Ele dera uma leve mordiscada na região e Lynx respirou fundo antes de murmurar um "Richards" de forma meio entrecortada e descer as mãos lentamente, alcançando as Naoh tentou manter algum resquício de consciência, enquanto apoiava as duas mãos no chão, próximas ao rosto da garota e levantava um pouco o tronco, afastando seus corpos. Lynx não entendeu o movimento e lhe lançou um olhar questionador.

-Acho melhor pararmos por aqui... Eu não acredito que poderei me conter se passar desse ponto, Lynx... – ele disse, com a voz rouca, ao que ela apertou mais as suas costas.

-Quem disse que eu quero que você pare, Noah?

Ele engoliu seco.

-Esta certa disso? – ela apenas acenou em concordância, com um sorriso maroto a brincar nos lábios.

Ela notou Noah sorrir de volta e soltar um longo suspiro, antes de voltar a capturar os seus lábios mais uma vez. As mãos de Lynx, num gesto mais ousado, insinuaram-se por dentro da blusa do rapaz, arrancando uma exclamação dos lábios dele, que fora abafada pelos beijos que ainda trocavam.

Lynx sentia o corpo fervendo, como se, de repente, aquela sombra não estivesse efeito algum sobre ela e que os dois estavam sob o sol escaldante da tarde. A blusa dele não lhe permitia passar muito mais do que a sua cintura e ela arranhou-lhe a pele com gosto, sorrindo de leve quando ele pressionara seu corpo contra o dela como uma resposta muda a sua provocação.

Pouco lhe importava que havia perdido as estribeiras num local completamente inapropriado e que, a qualquer momento, algum dos amigos dele ou alguém da sua família poderia aparecer e pegá-los numa situação bem constrangedora. Aliás, ela não pensava muito no fato, só queria que Noah continuasse a beijá-la e acariciá-la.

Mas, mais uma vez Noah se distanciou, fazendo com que eles rompessem o beijo.

-O que foi agora? – ela perguntou, num tom levemente irritado que o fez rir.

-É que,... – olhou em volta – Acho que aqui não é um lugar muito apropriado, Lynx...

-Pelo amor de Merlin, Noah! Que se dane! – ela o puxou novamente para cima de si – Eu não vou esperar até a noite!

-Não estava pensando nisso... – ele sorriu, voltando a levantar, mas agora a puxando com sigo – Estava pensando em um lugar onde o que estivermos fazendo não seja percebido de relance. – a pegou no colo, ao que Lynx só entendeu qual era as suas intenções, quando ele se pois a caminhar na direção do pequeno lago que se formava em frente a cachoeira – Um lugar mais discreto e mais fresco... – murmuro.

-Você não está pensando em... - ela falou num fio de voz. - Mas, Noah, essa água deve estar um gelo! - ela bradou, inconformada, não tinha muita certeza se um "banho frio" era o que ela queria no momento. - E, do mesmo modo... - ela completou num tom baixo. - isso não estraga tudo?

Ele gargalhou gostosamente ao vê-la corada. Num gesto delicado, Noah a pôs no chão, já estando à beira das águas, e abraçou-a pela cintura por trás, depositando um beijo em seu pescoço.

-Se você sentir frio, Lynx, eu te esquento. - ele riu um pouco e a estreitou-a mais em seus braços. - E creio que você não deva se importar de começarmos tudo mais uma vez, não é? - ele gracejou ao que ela riu e deu um leve tapa no braço dele.

-Eu não falei sobre isso... - ela resmungou de leve, ao que ele riu. - Mas é que... - ela voltou o olhar para ele. - Vamos entrar... assim? - ela corou furiosamente.

Ele olhou em volta, o descampado parecia perigoso, mas não havia ninguém nas proximidades. Voltou-se para ela; sorriu. Com uma das mãos seguiu calmamente até a alça do vestido azul que ela usava, e lentamente a puxou para revelar a pele alva do ombro dela. Suspirou profundamente, beijou de leve o pescoço e desceu a beijos calmos até o ombro agora desnudo, enquanto a outra mão se empenhava em fazer o mesmo com a outra alça do vestido. Despiu-lhe o colo. Voltou os lábios novamente para a boca dela, a apertando mais contra si. Lynx mal pode perceber quando o rapaz desceu as mãos para desfazer o laço que acinturava o vestido nela. Em poucos segundos o pano caíra e ela se encontrava apenas com suas ceroulas brancas.

Por mais corada que estivesse em deixá-lo vê-la assim, Lynx se surpreendeu ao perceber que Noah não a encarava com a mesma expressão constrangida de sempre. Ele tinha desejo nos olhos, apenas isso. Afastou-se por um segundo e livrou-se da própria blusa. Voltou a abraçá-la e beijá-la.

-Acredito que agora podemos entrar... – disse, com os lábios entre os cabelos dela e a guiando lentamente em direção a água.

Ela o abraçou com força e reprimiu um grito quando sentiu o chão faltar-lhe sobre os pés. Os dois caíram no lago, espalhando água para todos os lados. A primeira a voltar a superfície fora Lynx, seguida logo depois de Noah, que gargalhara gostosamente devido ao repentino grito da moça. A morena careteou em resposta e jogou água nele, para fazê-lo se calar.

-Você é um idiota! - ela bradou, furiosa e emburrada, ao que ele riu mais ainda.

-Sou um idiota apaixonado. - ele comentou, rindo, puxando-a para si pela cintura e beijando-lhe os lábios mais uma vez, estremecendo ao sentir o contado da sua pele contra a dele.

Lynx apenas inspirou fundo, cortando o beijo de leve, antes de iniciar uma estranha brincadeira que consistia em desviar os lábios dos dele sempre que ele tentava uma aproximação. Noah não sabia o que o incitava mais, se era o fato de Lynx provocá-lo por impedir que seus lábios se encontrassem ou era o corpo encurvado para trás da garota, fazendo com que o contato com o seu fosse ainda maior. Logo a garota esbarrou nas pedras que, por baixo da água, começavam a formação da cachoeira mais a diante. Ele sorriu vitorioso colando seu corpo mais ainda ao dela e finalmente capturando a boca dela num longo e apaixonado beijo, que, diferente dos anteriores que já haviam trocados, fora bem mais agressivo. Lynx não se sentiu nem um pouco incomodada com isso, pelo contrário, ela sentiu-se um tanto quanto satisfeita, correspondendo o beijo dele a altura, arqueando o corpo um pouco para cima, fazendo com que o rapaz soltasse um longo suspiro.

Suas mãos logo começaram a arranhar de leve as costas dele, enquanto ela passeava os dedos por todo o local lentamente. Notou uma das mãos dele desfazer o coque que lhe prendia os cabelos de forma meio frouxa e sentiu os fios descerem pesadamente, colando um pouco sobre o seu rosto e um pouco do pescoço. Soltou um suspiro meio contrariado, mas ao sentir os dedos dele passeando pelos fios, acariciando-a de leve, sorriu um pouco. Em seguida a mão de Noah desceu em direção a uma de suas pernas, a puxando para sua cintura. Com prazer Lynx se recostou nas pedras enquanto o envolvia como ele queria... E, finalmente, as mãos deles decidiram se embrenhar pelo percurso que ela tanto desejava que fizessem. Noah correu os dedos pelo seu ventre, subindo delicadamente até alcançar-lhe um dos seios. Ela suspirou ao sentir-lhe envolver a região com a palma da mão. Em seguida, Noah interrompeu os beijos que trocavam e encarou-a firmemente com seus olhos azuis que, àquela altura, pareciam emanar um brilho próprio.

-Eu também te amo, Noah. – ela murmurou, com a respiração meio entrecortada, antecipando o que ele diria. Noah sorriu em resposta e tornou a beijá-la, tendo aquela confissão a última permissão dela para que seguisse em frente.

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Oiiiii zennnnteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee (Mira com ataque de saudosismo)

Demoramos né, eu sei... Desculpem.

Vou comentar os comentários rapidinhos pra não dar tanto trabalho ok.

Bom Murilo, E/S é complicado sabe, o casalzinho difiiiicil! Eles dão muito trabalho para os cupidos de plantão cara.

Oi Kyra, que bom que vc voltou a comentar, bom, cenas JV? Aguarde, aguarde... o noivado deles vai ser O ACONTECIMENTO!! Hahahahaahahahah

Bom, vcs tb economizaram nos comentários ne...

Vou tentar postar o próximo mais rápido.

Bjs

Mira