Para quem acompanha por aqui: Temos um grupo no face (fics trio ternura), com capas, desenhos... E no Nyah TODOS os capítulos são ilustrados ;)

************************ Cap. 37 ...Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho... ************************

Foi o tempo apenas de curvar-se sobre o vaso sanitário que o mal-estar que sentia se agravou culminando em novos jatos de vómito a lhe rasgarem quentes a garganta, porém a ânsia agora era mais intensa que a anterior, e as fortes contrações involuntárias abdominais logo forçaram Geisty a novamente se ajoelhar em torno do vaso e lá ficar, abraçada a ele.

ENQUANTO ISSO, os capangas bem treinados da poderosa Vory v Zakone davam andamento à operação.

Quando Geisty deixou o bar, Afrodite também saiu dali logo em seguida e foi circular pelo salão, como fazia de praxe. Foi a deixa que Martelo esperava para chegar ao balcão, escolhendo o canto mais ao extremo onde a iluminação era pouca.

Ali perto, pouco menos de meio metro de distância, também estavam Misty e Yumi, uma das garotas recém-chegadas vindas do Vietnã. O Cavaleiro de Lagarto de pronto notou a presença do garçom substituto, visto que seus olhos felinos nunca ignoravam um homem do porte másculo de Martelo, e discretamente observava cada gesto dele quando de repente fora abordado pelo homem de terno claro e sotaque austríaco. Esse se aproximou parando à sua frente lhe lançando um olhar abrasador.

— Boa noite. — disse retirando o cigarro da boca e lhe entregando um sorriso malicioso.

Misty correu os olhos azuis escuros por toda a figura parada à sua frente, de cima abaixo, depois os estacionou nos olhos cinzentos e sorriu de volta, de forma safada.

— E põe boa nisso! — respondeu, em seguida olhou para Yumi — Circula. Anda, sai daqui. — quando a garota saiu Lagarto voltou a encarar o homem e recostou as costas no balcão — Nunca vi você aqui. É sua primeira vez, querido?

— Sim. — ele respondeu esticando o braço para apagar o cigarro em um cinzeiro sobre o balcão. No percurso propositalmente tocou o ombro de Misty e voltou a lhe sorrir — E ao olhar para você já considero uma das melhores escolhas da minha vida. — fez uma pausa, endireitou a postura e estendeu a mão ao francesinho — Prazer, eu sou Hans Hadrian.

Vaidoso como era, Misty logo assoberbou com o elogio.

— Ora! Hans Hadrian!... O prazer é todo meu. Eu sou Misty. — cumprimentou-o sorridente e galanteador — Então foi você quem ligou hoje pela manhã reservando todos os meus horários da noite.

— Exato.

— Confesso que estou impressionado e curioso. — disse Lagarto — Quando quiser subir é só dizer.

— Imediatamente! — Hans respondeu ansioso.

— Nossa! Está mesmo entusiasmado! — Misty riu, visivelmente instigado.

— Não imagina o quanto! — acrescentou o homem — Posso te pagar uma bebida para subirmos?

— Tem um bar no meu quarto. Pode beber o que quiser lá.

— Isso é ótimo! Mas, gostaria que me acompanhasse em um drink.

— Como quiser. Peça um Martini, com duas azeitonas. — disse Misty apoiado os cotovelos no balcão.

— Perfeito. — respondeu Hans.

Quando Hans se aproximou do balcão para chamar o bartender, Misty voltou a olhar para Martelo, o garçom, que ainda estava ali no canto esperando que lhe trouxessem os pedidos feitos, até que de repente algo incomum lhe chamou a atenção.

Martelo, achando que ninguém o observava, já que estava oculto pela sombra de um grande vaso de Heras, retirou do bolso da calça um pequeno frasco. Era metálico, parecia ser de cobre ou bronze. Escondendo o artefato em uma das mãos, com a mesma alcançou um copo de vidro escuro, quase preto, e o colocou ali sobre o balcão, então abriu o pequeno frasco e despejou o conteúdo que havia nele dentro do copo, devolvendo o recipiente vazio para o bolso do avental.

— Mas que merda é essa? — Misty balbuciou para si mesmo, ainda atento a cada movimento do garçom, que agora apanhava os drinks que o bartender lhe entregava. Foi tudo em uma fração de segundos, mas que os olhos sempre atentos de Lagarto haviam registrado muito bem.

Enquanto isso, em outro setor do salão Afrodite falava novamente ao rádio com Aldebaran quando passou ao lado da mesa onde havia ficado o outro homem de terno claro, o que usava uma espalhafatosa camisa de mangas longas estampada com flores e muitas borboletas.

Era um homem de estatura mediana, atarracado, não era bonito, ao contrário, sua figura alarmante era capaz de intimidar o próprio Hades. De cabelos de um tom de loiro desbotado e olhar profundo, ostentava uma reputação de homem cruel e violento da qual se orgulhava. Destemido, não havia polícia, juiz, homem, deus ou diabo que lhe pusessem medo, porém espantosamente, como essas anedotas excêntricas da vida, temia a Dimitri Yurievich Volkov, e a ele jurara lealdade e amor cegos. Por isso mesmo estava ali. Devido ao seu famigerado currículo fora escolhido para àquela que, talvez, fosse a tarefa mais arriscada daquela operação.

Quando Peixes passou a seu lado, ignorando totalmente sua presença, ele esticou o braço e o segurou pelo punho, delicadamente, apenas para fazê-lo parar e notar sua presença. Uma manobra realizada com sucesso.

Afrodite estancou os passos e olhou para o sujeito que lhe segurava, encontrando um par de olhos verdes escuros a lhe direcionarem um olhar que a princípio lhe causou arrepios.

— Me desculpe pela rude abordagem. — disse em tom cordial o homem da camisa de borboletas. O sotaque austríaco camuflava perfeitamente o russo — Eu apenas não sabia como lhe chamar a atenção.

Peixes franziu as sobrancelhas muito claras e aproximou o rádio portátil dos lábios.

— Eu já vou subir, então agiliza aí, Touro. Câmbio final. — disse o pisciano desligando o aparelho em seguida, então analisou rapidamente o homem. Ele usava luvas negras de couro e tinha a camisa fechada até o pescoço — Eu não sou garçom, mas se quiser eu chamo um para atendê-lo.

— Ah, não! Não. — o homem sorriu, ainda segurando o pisciano pelo punho — Não queria chamar o garçom, queria você mesmo.

Afrodite soltou um suspiro longo.

— Olha, vai ficar querendo, porque eu não estou disponível hoje, tudo bem? Nem hoje, nem amanhã... enfim... Não.

— Tudo bem! — o homem o interrompeu, um tanto tenso, suas mãos já começaram a suar dentro das luvas — Se não está disponível eu entendo, mas me dê ao menos o prazer de sua companhia em um drink?

— Eu sinto muito, eu estou com um pouco de pressa. Se me der licença...

— Por favor! — imprimiu um pouco mais de força ao pulso do pisciano — É só um drink. Não levará mais que cinco minutos. Não sei quando terei a oportunidade novamente de dividir uma bebida com um homem tão bonito.

— Mas que insistência! ... — Peixes estreitou os olhos. — Você me parece bem suspeito.

— Suspeito? De quê?

— Por que está de luvas? Você de alguma máfia? Italiana? Russa? ... Está com medo de dar pinta*? — intimou.

— Como? Não. Eu não sou italiano, nem russo. Sou austríaco. — o homem respondeu meio atrapalhado — E também não sou de nenhuma máfia. — sorriu nervosamente.

— Truque! E essas mãos aí? Está escondendo por quê? ... Me deixa ver tuas mãos. — empinou o nariz, autoritário.

— Não vai querer vê-las.

— Por que não? Tem tatuagens nelas?

— Não... Lúpus. — o homem disse atarantado.

— Quê? — Afrodite arregalou os olhos.

A surpresa estampada no rosto do sueco foi a resposta que o homem esperava.

Ele tinha achado uma desculpa perfeita.

— Lúpus. Eu tenho Lúpus... Não é nada agradável de se ver... Por isso as luvas. — disse com falsa melancolia — Agora mesmo então que você não vai me querer por perto, nem mesmo para um drink. Ninguém quer... — soltou a mão de Afrodite baixando a cabeça, passando pesar em seus gestos e falas.

Penalizado, Peixes engoliu em seco. Estava tão nervoso aquela noite que pensou estar ficando paranoico. Não queria também fazer o homem se sentir mal daquele jeito, rejeitado. Soltando um suspiro longo e resignado, colocou o rádio portátil sobre a mesa, puxou a cadeira ao lado e se sentou.

— Ah, tá bom, Irene*. Também não precisa ficar nessa uruca*. Você me pegou num dia difícil, viu... Tá bom, eu tenho cinco minutos. Nada mais que isso. Só o tempo do barman subir... Qual a sua graça, santa?

— Desculpe?

— O teu nome, meu filho. Como é teu nome.

— Aleksander.

— Prazer, Afrodite. — estendeu a mão oferecendo somente três dedos, os quais Aleksander segurou e balançou sutilmente.

— Que nome inesquecível! Tanto quanto o dono. — ele sorriu forçado — E o que devo pedir, Afrodite?

— Hmm... — pensou um tanto — Uma água com gás, por favor. Já, já saem três camelos e três beduínos da minha boca, que está mais seca que o Saara.

— Como quiser. — disse Aleksander, que imediatamente fez um sinal a Rômulo que rondava por ali propositalmente.

O garçom mestiço chinês então acercou-se da mesa e anotou os pedidos. Uma água com gás e um whisky escocês, em seguida cruzou o salão a caminho do bar onde estrategicamente se posicionou ao lado de Martelo, o outro garçom infiltrado que ainda estava ancorado no balcão, agora arrumando os drinks na bandeja, apenas esperando a deixa para enfim poder deixar o local.

Rômulo fez os pedidos ao bartender que logo trouxe uma garrafa de água de 500ml fechada, acompanhada de um copo com uma dose whisky com gelo, os quais colocou sobre o balcão junto dos drinks que foram pedidos por Martelo.

Com tudo aquilo misturado sobre o mármore escuro do balcão foi fácil para Rômulo apanhar o copo de vidro escuro com o conteúdo misterioso despejado por Martelo e colocá-lo em sua bandeja junto da garrafa de água e do copo com whisky. Ambos então deixaram o local quase ao mesmo tempo, seguindo cada um por direções opostas.

A manobra toda, apesar de estrategicamente ensaiada e perfeita, não passou despercebida aos olhos de Misty, que seguiram Rômulo pelo salão para saber onde o copo batizado iria parar, porém antes que o garçom chegasse a seu destino, Hans, o outro russo infiltrado, já de posse do Martini que Lagarto pedira agora chamava sua atenção.

— Pronto. Aqui está seu drink. Podemos subir? — disse entregando a taça ao cavaleiro.

— Ah... sim... podemos. — Misty respondeu apanhando a taça e já tomando a frente — Venha. Por aqui.

Cruzaram o salão, Lagarto na frente, Hans logo atrás, e Misty não tirava os olhos do garçom Rômulo, que finalmente havia chegado à mesa onde estavam Aleksander e Afrodite.

— Ora, ora! — Misty balbuciou para si mesmo deixando escapar uma risadinha debochada, temperada por um tanto de sadismo — Então o Boa Noite Cinderela é para a Escamosa! — bebericou do Martini como quem fazia um brinde silencioso — Humm... Uma pena que esse viado é imune a drogas... Não vai dar certo, infelizmente Hihihihi.

— Falou comigo? — disse Hans se aproximando ao ouvir os murmurinhos do Lagarto.

— Ah, não, querido. Só estava pensando alto. Estamos com um probleminha de conduta com os garçons substitutos da casa. Terei que reporta-los ao cafetão quando ele voltar, mas nada que seja grave ou de extrema urgência. Vamos. Temos uma noite toda de luxúria a nossa espera. — alisou o ombro de Hans e acessou a escadaria.

Assim que Misty e Hans Hadrian desapareceram quando acessaram o segundo piso, na mesa onde estavam Dimitri e seus homens estes rapidamente, e quase em sincronia perfeita, enquanto distraiam com beijos e lambidas as prostitutas que lhes faziam companhia, passaram as mãos por debaixo dos acentos das cadeiras em que estavam sentados e apanharam cada um uma pistola 9mm já carregada que havia sido escondida ali antes de o expediente se iniciar. Os garçons, Rômulo, Igor e Martelo, membros da Vory, que as haviam plantado, assim como as tantas outras armas que estavam também sob as cadeiras da mesa onde sentaram os três russos arruaceiros, também os dois falsos austríacos de ternos claros, e mais um tanto de capangas que estavam ali naquela noite infiltrados, inclusive eles mesmos. Um completo arsenal, incluindo armas e munição, havia sido estrategicamente escondido debaixo das mesas e cadeiras pelos garçons substitutos e outros infiltrados na equipe de limpeza, para que todos os homens de Dimitri pudessem passar pela revista de Máscara da Morte. Por isso haviam chegado tão cedo para substituir os três garçons da casa, que há essa hora já deveriam ter entregue suas almas ao criador.

De posse das armas, agora bem presas em suas cinturas, os homens junto a Dimitri trocaram alguns olhares cúmplices, e quando o Vor fez um gesto com a cabeça para o homem a seu lado este se pronunciou em seu nome.

— Pagamos o dobro para um ménage. Você e eles dois. — apontou para Ágatha e os homens sentados ao lado dela, num grego sofrível e ensaiado — E você com ele e comigo. — apontou para Narjara depois para si mesmo — Metade da casa e a outra metade líquida para vocês.

Narjara e Ágatha trocaram olhares entusiasmados e risinhos faceiros, então a ruiva olhou para o russo.

— Pagamento em espécie? Efetuado na hora? — ela perguntou.

O homem sorriu de volta, enfiou a mão no bolso interno do casaco e tirou um maço grosso de notas de Dólar enrolados por um elástico fino, o mostrando à bacante.

— Mas é claro que sim! Pagamento no ato! — disse ele, depois devolveu o dinheiro ao bolso.

— Feito. — disse Narjara.

— Ei! E eu? — falou de repente Núria, a novata, que estava sentada em um dos joelhos de Dimitri, então virou-se para ele e fazendo manha concluiu — Eu não ganho nada não? Eu também quero!

Dimitri olhou de volta para ela, impassível, frio, então inclinou-se para frente e pôs os lábios tão perto da orelha dela que quase tocou os enormes brincos de falso ouro.

— Oh, sim! Você vai ganhar sim! — sussurrou em grego, não se preocupando em disfarçar o acentuado sotaque russo — Vamos subir?

Núria acenou afirmativamente com a cabeça, ansiosa e sorridente.

Levantaram-se todos quase que ao mesmo tempo, mas seguiram na frente primeiro Narjara com os dois homens que a acompanhavam, depois Ágatha com os outros dois. Um pouco mais atrás vinha Dimitri de braços dados com Núria.

Enquanto andava o Vor tinha o cuidado de manter a cabeça baixa e o chapéu bem afundado, ocultando grande parte de sua fronte e olhos. Usava a bengala sofisticada para orientar-se, pois não queria correr o risco de ser reconhecido por Afrodite ou qualquer outro cavaleiro que porventura pudesse aparecer ali de supetão.

Já ao pé da escadaria, enquanto seus capangas subiam Dimitri olhou rapidamente para a mesa onde Aleksander estava com Afrodite e viu quando o garçom Rômulo abriu a garrafa de água com gás e a despejou no copo de vidro preto.

Sorriu sádico. "Hoje você queimará no inferno pelo que fez a mim, seu viado asqueroso ." Ele pensou, depois subiu os degraus junto da bacante.

O Santuário ignorava a verdadeira força da poderosa Vory v Zakone. Assim como ignorava a audácia engenhosamente destemida de Dimitri Yurievich Volkov.

Agora todos saberiam porque Shion no passado, e Saga e Camus no presente se submetiam a ele.

Ambos pagariam caro por suas traições, pois Dimitri estava ali para tirar o que eles tinham de mais precioso.

No salão, Rômulo acabava de servir Afrodite e Aleksander pousando o copo com água sobre a mesa e também o com whisky, deixando o local em seguida, porém mantendo-se em alerta. Ao passar pela mesa onde estava anteriormente os três russos baderneiros a viu vazia, então conclui que os outros dois capangas que entraram com Yuri — que havia subido com Shina — já deveriam ter ido para a parte de fora do salão para segurar Máscara da Morte no estacionamento o quanto conseguissem. Essa era a missão deles, manter o canceriano ocupado pelo maior tempo possível.

Rômulo então parou no centro do salão e cravou seu olhar de volta à mesa de Aleksander. Ele deveria agir a qualquer momento e essa seria a deixa que todos ali aguardavam.

Na mesa, Alksander tomou o copo de whisky nas mãos e o ergueu ligeiramente à frente do rosto.

— Um brinde! — disse sorridente, com os olhos cravados no rosto distraído do pisciano — A você.

Peixes apanhou o copo com água e fez o mesmo gesto, o levantando no ar.

— Ao fim desse dia de cão! — disse Afrodite com um sorriso cansado, depois, sedento como estava, tombou o copo entre os lábios e derramou a água garganta abaixo, sorvendo todo o conteúdo em grandes e rápidas goladas até não sobrar nada. Quando devolveu à mesa o copo vazio seu rosto todo se contraiu em uma expressão de desagrado extremo — Argh! Mas que merda de coisa ruim!

Aleksander o observou atento, com o copo da bebida ainda colado aos lábios.

— Por que rico adora água com gás? Pelo gosto é que não é... Tem gosto de chumbo! Urgh! — Afrodite resmungou, maldizendo Camus por pensamento, já que o francês só bebia água com gás e, seguindo seu exemplo, quis parecer fino e sofisticado como ele.

A seu lado, Aleksander devolveu também o copo de whisky à mesa enquanto ainda o observava com olhos injetados e arregalados, sem piscar.

Súbito, Peixes sentiu um gosto amargo como fel lhe subir pela garganta fazendo sua boca salivar abundantemente, então uma dor forte despontou em seu estômago o fazendo se curvar para frente e apoiar ambas as mãos na mesa.

Apertou os lábios fortemente e franziu as sobrancelhas finas, numa clara expressão de asco e sofrimento.

— Algum problema? — Aleksander perguntou enquanto desabotoava o punho direito de sua camisa de estampa de borboletas, e nessa hora sua voz soou grave e tranquila.

— Eu... eu não sei... — Afrodite respondeu num fio de voz, sentindo as pontas dos dedos das mãos formigarem levemente — Acho que tomei a água muito rápido... Deve ser o gás... — a saliva abundante em sua boca o obrigou a levar à mão até os lábios para enxuga-los com a manga da jaqueta.

— Quer um guardanapo? — disse o russo.

— Sim, por favor.

Aleksander então esticou o braço no qual tinha desabotoado a manga da camisa, apanhou um dos guardanapos de tecido que havia sobre a mesa e o ofereceu para Afrodite, mas quando o pisciano fez menção em apanha-lo Aleksander o jogou para o lado, e numa manobra tão ligeira quanto inesperada acionou com os dedos da mesma mão um mecanismo preso a seu punho de onde uma lâmina espessa e mortalmente afiada, com cerca de vinte centímetros de comprimento, foi ejetada.

Então Aleksander, extremamente forte como era, com um golpe seco e brutal cravou a lâmina no abdômen de Afrodite alguns poucos centímetros acima do umbigo.

Surpreendido e atônito, Peixes soltou um gemido rouco, que foi facilmente abafado pela música em volume altíssimo que ecoava pelo salão, e na mesma hora seu corpo sofreu um espasmo violento provocado por uma dor excruciante que o fez tombar para frente, mas em reflexo segurou forte no punho de Aleksander, que ainda mantinha a lâmina cravada em si.

— O que... — balbuciou em torpor, buscando os olhos do homem que dardejavam os seus.

Com os cumprimentos de Dimitri Yurievich Volkov. Morra e queime no inferno, sua bicha nojenta! — disse Aleksander, que na verdade se chamava Pietro Yuriaiev, enquanto tentava se soltar puxando o braço para trás, mas Afrodite então o segurou com ainda mais força.

— Russo! Desgra... Desgraçados! Eu... Argh! — grunhiu apertando os dentes, de dor e de raiva, ao ouvir o homem falar em russo. Não entendeu o que ele disse, mas compreendeu o nome de Dimitri com todas as letras — Como eu pude ser tão... distraído e... — de repente arregalou os olhos, como se tivesse tido uma epifania, ou uma revelação espantosa — Pela deusa, a Mosca! GEISTY!

Um terror desmedido acometeu o cavaleiro de Peixes na hora em que ele se deu conta de que aquilo era uma emboscada.

Seu corpo todo tremeu em resposta ao pânico que sentiu em pensar que a amazona de Serpente corria perigo no andar de cima, então sem esperar mais ativou seu Cosmo para correr ao encalço dela, mas qual não foi sua surpresa quando ao fazê-lo sentiu como se fosse partido ao meio por uma cerra ou um raio caído direto do céu a lhe açoitar a carne sem misericórdia, tão forte foi a dor que tomou de assalto todo seu corpo.

— Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah... O que... está acontecendo? Meu Cosmo... — gritou em desespero e agonia, então baixou a cabeça e olhou para o abdômen ferido — Isso é... Aço Lemuriano! ... Seu... desgraçado!

Furioso, e como era muito mais forte, Afrodite apertou o punho de Aleksander até sentir os ossos sendo esmagados, e enquanto o russo urrava de dor puxou para trás o braço dele levando junto a lâmina que estava presa ao mecanismo.

— AARHG... MALDITO! — Peixes gritava apertando as pálpebras com força enquanto sentia a lâmina deslizar para fora de seu corpo o cortando todo por dentro ainda mais na saída devido à afiação.

Logo os gritos de ambos chamaram a atenção de quem estava à volta, que ao olhar para eles também começaram a gritar e deixar seus lugares.

Essa era a deixa que todos os capangas da Vory v Zakone presentes ali aguardavam, e sem mais se esconderem levantaram de seus lugares, sacaram as armas das cinturas ou outros esconderijos e deram início à chacina.

A primeira saraivada de balas foi direcionada ao bar, e os dois bartenders que o atendiam foram atingidos mortalmente.

Quando ouviu os tiros Afrodite ativou seu Cosmo novamente, achando que livre da lâmina — a qual acreditava ser feita de aço Lemuriano — este agora lhe responderia.

Porém não foi o que aconteceu.

— AAAAAAAGH... ATENA O QUE ESTÁ ACONTECENDO? — gritou em desespero ao sentir uma nova onda de dor lancinante a lhe percorrer o corpo como se tivesse tomado um choque de muitos milhões de volts, porém dessa vez seu Cosmo se manifestou, ainda que muito fraco, e ele então rapidamente ergueu um escudo de cosmo energia para lhe proteger dos tiros.

Ao mesmo tempo, com a mão que ainda prestava Aleksander sacou de debaixo da mesa uma arma, pronto para atirar em Afrodite, mas esse foi mais rápido dessa vez e lhe tomou a arma da mão a jogando para longe. Em seguida, sem mais poder perder tempo ali com aquele homem, Peixes levantou da cadeira, avançou sobre ele e usando a própria mão lhe atingiu com um golpe certeiro no coração. Seus dedos fortes rasgaram a carne, partiram os ossos e dilaceraram o órgão vital do russo em fração de segundos.

Quando retirou a mão do peito de Aleksander, este desabou lívido no chão, então Afrodite levou a mão ensanguentava até a ferida hedionda em seu abdome tentando estancar o próprio sangue, enquanto ouvia uma sinfonia aterradora de tiros, gritos e coisas se quebrando.

O Cosmo do Santo de Peixes estava oscilante, fraco, ao passo que seu corpo parecia-lhe cada vez mais debilitado, não apenas devido à hemorragia e a dor, mas a algo mais que acontecia e que estava além de sua compreensão.

— Dadá, me ajuda! Eu preciso chegar ao quarto da Mosca. — murmurou enquanto corria cambaleante em direção às escadas, trombando em mesas e cadeiras durante o percurso. Suas mãos tremiam alucinadamente, e suas pernas formigavam parecendo ter o dobro do peso habitual, mas mesmo assim ele seguiu o mais rápido que pode até finalmente alcançar aos degraus — Estou indo Mosca...

MOMENTOS ANTES DE O TIROTEIRO DAR INÍCIO, no andar de cima Dimitri e seus homens chegavam ao corredor onde ficavam os quartos das bacantes.

Dentre as dezenas de portas enfileiradas os cinco russos já sabiam exatamente em qual deveriam entrar, por isso sem cerimônias já se preparavam para agir assim que Narjara, que seguia na frente, parou diante da porta de seu quarto, que era a segunda do grande corredor.

Ela a abriu, porém nem bem deu dois passos para dentro do aposento quando o homem que vinha logo pela direita sacou da cintura uma PSS semiautomática — pistola de fabricação russa famosa por garantir disparos silenciosos — e disparou contra sua nuca. Um tiro preciso, à queima roupa, e que fez a bacante cair sem vida dentro do quarto.

No mesmo instante, Ágatha, que vinha logo atrás sorridente, pois seu quarto era o seguinte, pulou sobressaltada com o ruído seco do corpo da colega ao se chocar contra o chão, mas não teve tempo de esboçar qualquer reação ou mesmo verificar o que havia acontecido, já que imediatamente foi agarrada pelo homem que a acompanhava, teve a boca tapada por uma forte mão enluvada e um tiro de uma arma parecida, também à queima roupa, na têmpora tirou sua vida.

Com um movimento ligeiro e frio o assassino sustentou o corpo ainda espasmódico e o arrastou até a entrada do quarto que tinha ainda a porta aberta, depois o jogou para dentro por sobre o cadáver da outra bacante.

Núria, que acompanhava Dimitri poucos passos atrás, tentou correr e gritar assim que viu Ágatha ser morta, mas o chefe da Vory v Zakone, já esperando por aquela reação, agiu mais rápido sacando da cintura sua Marakov revestida em ouro, e agregada de um silenciador, com a qual disparou contra a têmpora da garota.

O corpo de Núria foi apanhado por outro dos homens e também lançado dentro do quarto de Narjara, que em seguida teve a porta fechada.

Já livres das três prostitutas, Dimitri e seus capangas seguiram apressados pelo extenso corredor até o quarto de Geisty. Pararam diante da porta, então um deles aproximou o ouvido da madeira e concentrado tentou captar qualquer barulho que pudesse vir do outro lado, e não percebendo nenhum fez um sinal de positivo com a cabeça para os demais. Com cautela segurou firme na maçaneta de bronze, a girando lentamente para não emitir ruído, mas para sua surpresa a porta estava destrancada.

Arregalou os olhos e seguiu em frente, abrindo uma pequena fresta pela qual primeiro apontou o cano de sua arma, depois colocou o rosto para verificar o interior. Correu rapidamente os olhos por todo o aposento, desde a grande cama, até as poltronas no fundo, o bar e um pequeno hall, e não vendo a amazona ali ergueu a mão que não segurava a arma e fez sinal de que o espaço estava livre para os outros o seguirem.

Entraram com cautela e em total silêncio. O quarto estava na penumbra e a ausência da amazona era preocupante, uma vez que poderiam já estar presos em uma de suas ilusões, mas logo viram o pequeno corredor estreito à direita da porta de entrada de onde uma luz amarelada escapava, então eis que ouviram a voz de Geisty.

— Afrodite... — ela disse em tom meio trêmulo, agastado — Estou aqui no banheiro... de novo.

Imediatamente Dimitri e seus homens se entreolharam, e sem perder mais tempo seguiram para o pequeno corredor a passos tão silenciosos como os de um felino em plena caça, dois à frente e outros dois um pouco mais recuados, enquanto Dimitri mantinha-se próximo à porta de saída.

À medida que avançavam ouviam a amazona tossir de dentro do banheiro.

Diferente da vez anterior, na qual o vômito aliviava o enjoo, agora as ânsias eram constantes e vinham acompanhadas de contrações abdominais fortíssimas que brotavam do estômago e pareciam se espalhar pelas costas, além de fazerem a cabeça e nuca latejarem de dor, possivelmente pelo esforço que fazia.

— Pela deusa, ainda bem que você chegou, porque estou me sentindo pior. Só preciso terminar de me arrumar e já podemos ir. — disse Geisty, que de olhos fechados, apoiada ao vaso sanitário, tentava fazer um exercício de respiração para conter as ânsias que faziam seu corpo se curvar involuntariamente para frente. De maneira desajeitada tentou se erguer do chão, mas sentiu uma fisgada incomoda na barriga e soltou um queixume baixinho — Aii... Acho que não consigo... me levantar sozinha. Vem aqui, por favor... — pediu, inspirando profundamente e soltando o ar pela boca.

Geisty achou estranho a demora do pisciano em lhe responder ou mesmo aparecer ali, visto que silêncio e discrição nunca foram o forte do Santo de Peixes, então abriu os olhos e olhou na direção da porta, atenta.

— Afrodite. — chamou, já apoiando ambas as mãos no chão, pois já se deu conta de que havia algo errado — Me dá uma ajuda aqui, por favor. — continuou em tom mais sério assim que percebeu ouvir passos que se aproximavam sigilosos — Não estou conseguindo mesmo me levantar sozinha. — blefou.

Quando parou de falar pode ouvir ainda três passos, mas logo esses cessaram.

Estreitou os olhos apreensiva, então, como se fosse capaz de adivinhar o que estava prestes a acontecer — não somente naquele minuto que precedia o caos, mas desde que envolvera-se com Kanon e a Vory v Zakone —, impulsionada por um novo ânimo decorrente da adrenalina causada pelo medo, Geisty saltou para dentro da banheira que ficava no fundo da dependência na mesma hora em que dois homens surgiam em frente à porta e disparavam uma saraivada de balas contra ela.

Vários projéteis atingiram ao mesmo tempo parede, azulejos, vaso sanitário, espelhos, até que não vendo a amazona ali os homens avançaram para dentro disparando contra o blindex do boxe que revestia a banheira, o espatifando em milhares de pedaços.

Encolhida e em silêncio Geisty tentava se proteger dos estilhaços como podia, cobrindo a cabeça com os braços, enquanto os tiros prosseguiam sem cessar.

Sendo uma amazona era capaz de bloquear as balas facilmente com seu Cosmo, porém seu copo estava debilitado e o ataque fora tão abrupto que ainda tentava colocar a mente em ordem para poder contra atacar, quando de repente foi acometida por outra contração fortíssima seguida de uma fisgada dolorosa na pélvis.

Deixou escapar um gemido de dor, e por reflexo levou uma das mãos ao meio das pernas, mas para seu total desespero e assombro sentiu os dedos tocarem em algo úmido e quente. Imediatamente seu coração disparou ainda mais forte e acelerado, e seu peito congelou em pânico. Trouxe a mão trêmula para perto de seu rosto e comprovou o que mais temia: estava perdendo sangue!

— Não! Não, não, não, não... — murmurou baixinho enquanto os tiros agora salpicavam os azulejos acima de sua cabeça, e deixando de lado todo o auto controle e frieza esperados de uma amazona em um momento de apuros como aquele, sucumbiu a um choro sofrido de desespero e medo — Saga... — lamuriou em meio a um pequeno soluço, clamando o nome daquele que mais desejava estar ali naquela hora terrível consigo.

E não era por si mesma que Geisty temia.

Não era temendo por sua vida que ansiava pela presença de Saga, talvez como nunca ansiara antes, mas por seus filhos que claramente estavam em sofrimento, ou não estaria sagrando daquela forma.

— Atena... Não... não me abandone nessa hora! — Geisty rogou à deusa em um sussurro soluçante.

A mão ensanguentada tremia alucinadamente e o pânico a paralisava, mas ela sabia que a vida de seus bebês dependiam de sua ação, por isso respirou fundo, três vezes, e com um nó na garganta seca sentiu como se fosse inundada de uma vez por um instinto maternal de sobrevivência, então nessa hora os tiros cessaram.

Junto com eles Geisty também prendeu a respiração, e de olhos arregalados ficou atenta, ainda abaixada. Ouviu o som de estilhaços de vidro e louça serem pisoteados. Os invasores estavam avançando, provavelmente para checarem se tinha sido atingida, então, como uma leoa, ágil, precisa e furiosa, no momento exato em que eles se inclinavam para espiar dentro da banheira ela se ergueu tão rápido que os olhos ordinários dos assassinos não puderam perceber. Agarrou nos punhos de ambos cruzando seus braços de modo a fazer com que um apontasse a própria arma para o outro, já prevendo que atirariam em reflexo quando se dessem conta de que estava viva.

Dito e feito, ao atirarem, ambos no peito um do outro, caíram em seguida no chão agonizantes.

O som dos dois disparos secos fizeram coro ao grito rouco da amazona, misto de ódio, medo, dor e revolta. Um brado que saiu do fundo de sua garganta para extravasar o que sentia, mas que imediatamente chamou a atenção dos outros três homens que estavam à espreita no pequeno corredor do lado de fora do banheiro.

Ela ainda está viva, vai, vai, vai! — disse Dimitri, e sua voz foi ouvida por Geisty, que imediatamente ativou o Cosmo mergulhando o banheiro todo em uma vertiginosa distorção espacial.

Quando o terceiro homem da Vory avançou para dentro do recinto sentiu como se o chão girasse em espiral, porém nem teve tempo de recuar ou sequer mirar sua SR-1 calibre 9x21 mm, uma poderosa pistola russa capaz de perfurar colete a prova de balas, ao alvo, visto que não encontrou nenhum ali.

Mas que merda é...

Foi tudo que conseguiu dizer antes de ter a garganta dilacerada por um único golpe das garras afiadas da amazona de Serpente.

Com o impacto o corpo tombou para trás, enquanto da ferida aberta na garganta o sangue jorrava em jatos potentes e pulsantes tingindo azulejos, pia, toalhas, tudo de vermelho vivo.

Esse cenário hediondo fez o quarto homem, que vinha logo atrás, recuar temeroso enquanto desferia vários tiros contra o vazio.

Não recue, covarde! AVANCE! — gritou Dimitri, colérico.

Estão mortos chefe! Estão mortos! — o capanga bradou enquanto ainda atirava contra o nada e recuava, deixando o pequeno corredor para juntar-se ao Vor no quarto.

Eu quero a vagabunda morta! — insistiu Dimitri exasperado com arma em punho mirando também para o vazio enquanto se apoiava com a outra mão na bengala.

Não estou vendo ela, chefe! — gritou de volta o capanga sem deixar de atirar.

Merda! Vocês deixaram ela usar ilusão! Seus cretinos! — gritou Dimitri, que juntamente com o outro capanga passou também a alvejar corredor — Ela tem que estar aí!

Foram tantos disparos que as paredes em poucos segundos ficaram totalmente marcadas, e um odor forte de pólvora dominou o ambiente causando uma sensação de sufoco. Esse se agravou ainda mais quando o capanga retirou de um suporte preso ao colete que usava uma granada de gás de efeito moral e a atirou no final do corredor.

Com o movimento a granada rolou para dentro do banheiro onde explodiu inundando o quarto da amazona com uma fumaça densa, branca, que ardia os olhos e agredia nariz e garganta.

Rápido! — gritou o Vor puxando a gola da camisa para cima para cobrir parcialmente o rosto — Pega ela! Agora ela vai ter que aparecer.

Obedecendo de pronto o chefe, o homem fez menção em correr de volta para dentro do corredor, de arma em punho, protegendo o nariz com uma das mãos, mas quando ele deu os primeiros passos eis que Geisty saltou sobre ele emergindo do meio daquela cortina de fumaça atordoante aos gritos.

O homem não teve chance nem mesmo de ver ao certo pelo que fora atingido.

Em segundos teve os dois joelhos quebrados, e quando tombou para frente também teve a garganta dilacerada, caindo inerte no chão diante dos pés do líder da máfia russa.

Nessa hora os olhos desumanos de Dimitri enfim divisaram a figura de Geisty, bem ali à sua frente, que não fazia mais questão alguma de esconder a gravidez e visivelmente em sofrimento segurava a barriga crescida com ambas as mãos.

— Você... — ela disse ofegante, encarando o rosto do russo com os olhos violetas faiscantes marejados. Do curto espaço de pele nua entre o colarinho da camisa e as mandíbulas, e também do punho da luva até as mangas ela pode ver as tatuagens impressas, então a noção do que estava acontecendo ali a tomara de assalto fazendo tremer cada pequena fibra de seu corpo — Pela poderosa Hera!... Você é... — balbuciou mortificada.

Diante dela Dimitri então pode ter noção de seu estado.

Não parecia estar ferida, mas um filete espesso de sangue vivo descia do meio de suas pernas delineando as coxas nuas até chegar aos calcanhares dos pés feridos pelos tantos estilhaços que se acumulavam no chão.

Não esperou ela concluir a frase. Riu sádico e satisfeito em vê-la sangrar diante de si. Era o que queria, e sem esperar mais um segundo para agir, até porque sabia que contra ela os segundos eram fatais, apertou o gatilho da Marakov e disparou uma nova saraivada de balas contra a amazona.

Rápida como era, até mesmo para o estado em que se encontrava, Geisty facilmente desviou dos projeteis avançando sobre o Vor, e com um golpe impressionantemente ligeiro e preciso lhe tomou a arma da mão pelo tambor ainda quente e a atirou para longe, porém quando pensou em golpear o homem e acabar de uma vez por todas com aquilo uma forte e dolorosa contração no baixo ventre a fez dobrar os joelhos e cair aos pés do próprio algoz.

A dor alucinante que crescia em proporções e velocidade arrebatadoras a fez gritar e tombar para frente, zonza, a forçando a apoiar uma das mãos no chão enquanto com a outra segurava firme a barriga, e Dimitri, que não se tornara líder máximo da máfia mais poderosa e cruel do planeta sem merecer o posto, imediatamente viu naquela a oportunidade perfeita, talvez a única, de concluir aquela operação com sucesso.

Com uma frieza e insensibilidade dignas de chocar o próprio diabo no inferno, o chefe da Vory v Zakone segurou com ambas as mãos a bengala envernizada, girou a empunhadura de ouro em formato de urso pardo até se ouvir um clic e com um puxão revelou uma lâmina pontiaguda longa e afiada escondida ali, a qual ergueu no ar para tomar impulso e com ela ceifar a vida de Geisty, mas quando desceu o braço em velocidade ímpar já imprimindo força ao golpe eis que este foi abruptamente interrompido por alguém que segurou em seu punho ainda no ar.

Dimitri inspirou rápido e profundo, em sobressalto, e quando virou a cabeça para o lado para ver quem segurava seu punho com força tão extraordinária prendeu a respiração devido o espanto, abrindo a boca e arregalando os olhos acinzentados.

VOCÊ! — disse em sua língua materna, absorto e incrédulo.

Negrito – traduzido do russo

Dicionário Afroditesco

Dar pinta – mostrar afetação.

Irene – homossexual da terceira idade. Gay velho.

Uruca – chateação; depressão; mal-olhado ou fase ruim