Capitulo 36

Eu simplesmente não conseguia me conte de alegria. Eu e Edward circulamos pela festa cumprimentando a todos, principalmente àqueles que compareceram ao coquetel. Todos estavam sendo bem receptivos, não sei se era por não saberem que por baixo da mascara de cetim preta estava um vampiro ou simplesmente por não se importarem mais com isso.

- Já acabamos? – Ele apertou um pouco o braço que estava ao redor da minha cintura, me trazendo pra mais perto.

- Com o que? – Deitei minha cabeça em seu ombro e suspirei feliz quando ele se encostou no bar e me envolveu com os dois braços.

- Com o 'social' – ele beijou o topo da minha cabeça e começou a afagar minhas costas – Eu quero comemorar a existência de uma linhagem minha.

O carinho que ele me fazia não era nem um pouco sexual, era apenas carinho. Amor. Depois do choque inicial ele havia aceitado tão bem o fato da coisinha ta dentro de mim que eu mal conseguia sair da minha bolha de felicidade.

Acariciei seu braço coberto pelo elegante smoking preto e me estiquei pra dar um beijo casto em seus lábios.

- A gente vai comemorar logo. Assim que a festa acabar, eu ainda tenho que contar pras nossas famílias – Suspirei imaginando a reação da minha mãe e da minha tia.

Ele acariciou minha bochecha e ergueu meu rosto pra que eu o encarasse.

- Hey, não importa o que elas dizerem, ok? O importante é que eu quero e você quer... então nada nem ninguém pode atrapalhar nossa felicidade.

Senti um largo sorriso se espalhando pelo meu rosto e envolvi seu pescoço com meus braços.

- Já disse que você é o melhor namorado vampiro que uma bruxa pode querer?

Ele riu e me beijou. Mas dessa vez não foi um beijo casto ou delicado. Foi um beijo avassalador, cheio de paixão. Afastei-me apenas quando fiquei sem ar e escondi meu rosto no seu pescoço.

- Definitivamente você não pode ficar me dando beijos como esse em público... – olhei pra ele e vi a confusão em seu rosto, então completei a frase – Ou vamos mesmo ser presos por atentado ao pudor... Sabe como é, eu não me responsabilizo por meus atos... hormônios de grávida podem fazer coisas surpreendentes com a cabeça de uma mulher...

Dei de ombros e ele riu novamente antes de segurar minha nuca e grudar nossas bocas num beijo tão apaixonada e cheio de luxúria quanto o anterior.

- Você ouviu alguma coisa que eu disse? – Perguntei quando nos afastamos.

- Huum... – Ele gemeu e sussurrou no meu ouvido – Acho que vou gostar muito desses hormônios de gravidez.

Eu corei porque sabia que não era só ele que ia gostar deles. Eles iam ser ótimas desculpas pra quando eu quisesse fazer alguma coisa não muito... Apropriada.

Ergui-me novamente para beijá-lo, mas antes que nossos lábios se encostassem eu ouvi meu nome e me virei automaticamente.

- Senhorita Isabella!

Olhei assustada pra quem me chamou. Ele era moreno e alto, com os cabelos castanhos escuros quase negros grandes e embolados num desses dreads malucos que você não costuma ver muito por aí. Estava vestido como um guarda real e quando eu me virei de frente pra ele, ele se ajoelhou colocando a mão em punho sobre o coração, em sinal de reverencia.

- Pois não? – Disse meio emburrada por ele ter atrapalhado meu momento especial com o Ed.

Ele se levantou novamente.

- Sinto muito atrapalhar, mas eu fui ordenado em lhe avisar que sua tia, a rainha, está te chamando.

- Ok, obrigada pela informação – Peguei a mão do Edward e comecei a andar.

- Senhorita... – Ele me chamou hesitante e eu me virei pra ele irritada – Sozinha. Vossa Majestade gostaria de vê-la sozinha.

Minha tia? Sozinha? Estranho...

- Ok.

Dei um beijo na bochecha fria do Edward e sorri.

- Eu volto logo Ed. Não faça nenhuma besteira na minha ausência.

Ele riu e me deu um selinho.

- Juro que vou me comportar, estarei te esperando aqui no bar.

- Sim, senhor – Dei mais um selinho nele e me virei para o guarda.

- Onde ela está?

- Me siga, por favor – Ele disse com a voz calma e neutra que guardas em gerais usam.

Eu o segui pela festa. Cada rosto conhecia que se virava pra mim tinha um sorriso no rosto, uns por respeito e outro por um afinidade mesmo. Eu sorri e continuei acompanhando o guarda, mas quando seguimos para a extremidade do salão de festas e chegamos aos corredores do palácio eu estranhei.

- Guarda, qual o seu nome?

Ele andava na minha frente de costas pra mim, então eu não podia ver seu rosto por isso estranhei ainda mais o tom de sua voz.

- Laurent – Ele sussurrou. As paredes frias e vazias do corredor fizeram o som ecoar me fazendo ter um arrepio bem sinistro na espinha.

- Laurent, você tem alguma idéia do que minha tia pode querer?

Eu estava realmente confusa, porque ela ia querer falar comigo sem o Edward? OMG! Será que ela já tinha descoberto que eu estava grávida? Mas como? Eu mesma acabei de descobrir também.

- Não, senhorita. Eu apenas recebi ordens de lhe trazer até aqui em nome da rainha – A voz neutra dele estava começando a me irritar... Eu já tava nervosa, confusa e com medo. E ele ainda fica todo indiferente!

Será que ele não consegue sentir a tensão emanando de mim, não?

Bufei.

- Certo, então vamos porque eu quero descobrir logo.

Ele apenas assentiu e começou a andar mais rápido. Estávamos entrando cada vez mais pelos corredores do imenso palácio. Viramos a esquerda depois de alguns minuto andando em linha reta e descemos para o subsolo do palácio, onde aconteciam as reuniões importantes e sigilosas do reino. Porque será que minha tia iria querer falar comigo aqui?

Será que era tão grave assim? Será que ela ia me fazer tirar a coisinha? Nunca! Eu me recuso. Ninguém toca na minha barriga sem minha permissão. Fato.

Eu já estava ficando mais irritada pelo tempo que estava demorando a chegar, quando eu ia abrir a boca pra reclamar de novo ele parou em frente as grandes portas de carvalho da sala privativa de reuniões.

- Entre, por favor. Foi me dito que sua tia te encontrará aqui logo, logo – Ele abriu a porta pra mim e indicou com a mão que eu entrasse.

- Ela ainda não está aqui? – Perguntei confusa enquanto caminhava calmamente pra dentro do cômodo.

Não ouvi uma resposta então me virei pras portas esperando ver Laurent ali parado, ainda me observando, mas não. As portas estavam fechadas e eu sozinha.

Suspirei irritada, porque minha tia que ficar fazendo essas coisas? Ela tava me tirando de uma ótima festa só pra ficar aqui sentada sozinha esperando horas pelo rainha-do-atraso-Mirna.

A sala de reuniões era grande e ampla, com uma grande mesa redonda no centro e varias cadeiras elegantes e confortáveis ao redor e um sofá elegante na extremidade da sala. O lugar era todo iluminada por candelabros estrategicamente pocisionados, dando um lugar um ar meio lúgubre e misterioso. Encaminhei-me até o sofá e me sentei. A saia azul do vestido balançou delicadamente se abrindo ao meu redor e me fazendo sorrir. Eu me sentia como água fluindo com aquele vestido, leve e ondulante, como uma onda delicada de um mar manso.

Brinquei com a minha saia, futuquei alguns papeis que estavam sobre a mesa, andei admirando cada detalhe do cômodo e depois me sentei novamente batendo irritadamente o pé no chão num compasso desarmônico. Eu estava sozinha a no mínimo uns 20 minutos e nada da minha tia.

- Ah, dane-se! – Levantei decidida a voltar pros braços do meu vampiro-e-futuro-papai.

Quando tentei abrir a porta percebi que estava trancada. Forcei ela pra abrir e nada, forcei novamente e ela continuou sem se mover um milímetro.

Obrigado por mais esse atraso!

Dei dois passos pra trás e lancei um feitiço sobre a porta pra que ela se abrisse, porem uma capa protetora verde se fez visível.

Um contra feitiço.

Alguém tinha me trancado propositalmente aqui. Mas que merda! Agora eu ia perder a droga da festa inteira aqui olhando pras paredes e esperando alguém notar minha falta. Maravilha.

Virei-me irritada pronta pra me jogar na cadeira e começar a fazer uma lista mental de coisas pra comprar pra coisinha quando um movimento nas sombras do outro lado do cômodo me chamou atenção. Foi um movimento sutil, que de repente não era mais tão sutil assim; as sombras se mexeram e aos poucos foram ganhando forma. Uma forma conhecida até demais.

- Olá, querida.

Gelei por dentro, mas não deixei transparecer. Cruzei os braços e fiz minha melhor carranca.

- Qual é a sua agora? – Me segurei pra não adicionar um 'mermão' no final da frase. Mas ia ficar muito ganguester.

O loiro andou devagar até a poltrona que ficava a poucos metros de distancia de mim e se jogou nela. Cruzou as pernas daquele jeito que os homens sempre cruzam a apoiou um cotovelo no joelho e seu rosto na mão.

- O que eu quero? – Ele ergueu uma sobrancelha pra mim e eu repeti seu ato – Eu quero que você pague pelo que fez.

Encostei-me na porta, o mais longe possível dele e falei numa voz fria. Neutra.

- E o que foi que eu fiz mesmo?

Ele riu alto e se levantou me encarando com raiva nos olhos.

- Você me humilhou. Você e aquele vampiro nojento acabaram com a minha imagem perante o rei – Nos seus olhos surgiu um brilho maligno – Você devia saber que eu não sou o tipo de cara que perdoa com facilidade.

Porque será que ninguém nesse bendito reino perdoa com facilidade, hein?

- Nós nos defendemos, não fizemos nada de errado! – Me defendi apesar de ter quase certeza que não ia adiantar nada. O cara tava com muita cara de psicopata no momento pra ser racional.

Ele respirou fundo e sorriu.

- Querida não se apavore ainda. Eu gosto de fazer as coisas bem calmamente – Ele se jogou no sofá novamente e olhou no fundo dos meus olhos.

Um olhar tão profundo que eu não consegui desviar o olhar. De repente eu me senti fria por dentro, tão fria e sem vida que eu não conseguia querer me mover. O que foi bem estranho já que o meu corpo estava se mexendo sem minha permissão.

Minhas pernas andaram devagar até onde James estava; eu em sentia como um zumbi sendo controlado.

Eu tinha que ia até ele, tinha que tocá-lo. Era o que ele queria. Eu tinha que fazer.

Esses não eram meus pensamentos, mas era o que ecoava na minha mente.

Não. Não. Não!

Apertei com força meus punhos e fechei os olhos, meu corpo ainda se mexia, mas eu me forcei a parar. Pelo menos tentar parar.

Saia da minha mente. Saia da minha mente! Eu gritei internamente na esperança de que desse certo.

Concentrei toda a minha força pra manter minha mente só minha. Por favor, que aquele bendito escudo que o Edward disse que eu tinha continue funcionando!

Senti meus joelhos cederem quando eu estava a alguns passos de distancia de James. Agarrei com força o chão, quase cravando minhas unhas ali.

- Me reverencie – Ele disse, e eu pude ouvir claramente o sorriso na sua voz.

Apertei com força minha cabeça senti a dor que o esforço me causava. Mas eu não iria ceder. Nunca!

- Não – Um sussurro solitário conseguiu escapar dos meus lábios.

- O que você disse?

- Não – Minha voz ganhou um pouco mais de força e eu consegui falar em alto e bom som – Não! Saia da minha mente! Cretino!

Ele riu alto. Vi seus pés entrarem no meu campo de visão e ele se ajoelhar ao meu lado. Mãos fortes agarraram meu queixo me obrigando a olhar em seus olhos novamente.

- Não há porque resistir querida. Não há ninguém que seja capaz de proteger sua própria mente de uma magia como essa.

De novo me senti obrigada a olhar em seus olhos, mas agora que eu tinha noção do que estava rolando eu sabia que não podia me render. Eu tinha que manter meu escudo, se é que ele realmente existia, em pé.

Ergui o muro invisível dentro de mim e me concentrei o Maximo possível para mantê-lo ali. Minha cabeça começou a doer conforme eu sentia uma força contra o meu muro. Alguém tentando me controlar.

Gemi quando a dor começou a se tornar insuportável.

Não. Eu não iria ceder. Eu não podia. Não por mim, por ele. Eles.

Eu não podia permitir que nada acontecesse a Edward e a minha coisinha. Meu bebê.

Era tão estranho pensar que algo crescia silenciosamente dentro de mim. Algo que eu Edward fizemos, mesmo sem saber, com todo amor que nós tínhamos um pelo outro.

Era a prova do nosso amor e era a mim que cabia a responsabilidade de protegê-la.

Eu não iria falhar.

Agarrei com forças a mãos que ainda segurava meu queixo e fechei meus olhos. Novamente ergui com todas as minhas forças aquele muro.

Saia. Saia da minha cabeça. Saia da minha cabeça!

As mãos que seguravam meu queixo se soltaram de repente e senti meu corpo tombar pra frente. Apoiei-me em minhas mãos e senti a pressão sumir.

- Sua vadia – Ele me chutou e eu cai de lado, a saia do vestido se espalhou em volta de mim e eu quase pude me visualizar como uma princesa caída nas masmorras presa com o vilão.

- Como você consegue? Porque você não pode ser normal? Porque não pode ser afetada por magia negra como qualquer outro ser? Porque não se rende? – Ele pontuava as frases com chutes nas minhas costas e eu podia sentir a coisinha reclamando dentro de mim.

- Pare! – Implorei.

Por mim eu nunca imploraria, morreria calada com todo meu orgulho, mas eu não podia deixar que ele continuasse machucando o meu bebê.

Sua risada foi mais alta e mais fria dessa vez.

- Parar? Porque eu deveria? Você não merece!

Ele se abaixou e agarrou com força meus cabelos.

- Mas eu não vou só te machucar fisicamente, querida. Você precisa aprender a pensar antes de mexer com as pessoas – Ele acariciou meu pescoço com a mão livre – Você conhece alguma coisa sobre magia negra, não é?

Eu assenti debilmente e novamente me vi obrigada a encarar seus olhos.

- Imagino que você saiba que eu posso fazer o que eu quiser com esse tipo de coisa... então o que você acha de ganhar dois lindos furos bem aqui – Ele apertou meus pescoço e eu resfoleguei por ar.

Ele riu do meu desespero e me soltou rindo. Mas seu riso parou de repente e ele olhou de soslaio pra um ponto perto da porta.

Segurei meu pescoço dolorido e assisti ele andar rápido e apressado ate uma estante delicada que tinha perto da mesa. Ele abriu e pegou um frasco azulado que mal dava pra ver o liquido prateado que tinha dentro. Ele voltou quase correndo ate mim se jogando ao meu lado e agarrou meu pescoço novamente.

Eu não entendi sua pressa repentina.

- Você não presta não é? – Ele me chutou uma vez antes de deixar seu corpo cair sobre o meu corpo. Cada perna sua estava de um lado de mim, me prendendo embaixo dele imóvel – Aceitei a derrota querida.

Eu resfoleguei não entendendo mais nada do que ele estava falando. Eu tinha aceitado, não é? Eu estava ali, jogada e rendida. Sem poder fazer nada pra me defender. Pra nos defender.

Uma de suas mãos segurou minha mandíbula tentando obrigar minha boca a se abrir. Eu me debati embaixo dele.

- Paradinha agora – Vi ele abrir o frasco e aproximar da minha boca – Você tem que beber querida.

Ele falou com uma voz doce e mansa. Deixando-me ainda mais confusa, firmei meus dentes juntos me recusando a abrir a boca e ele pareceu se irritá-lo.

Minha face ardeu com o tapa que ele me deu.

- Eu mandei abrir porra!

Ele firmou os dedos na minha mandíbula e automaticamente minha boca abriu. Senti um liquido frio descer pela minha garganta. Eu tentei impedir que ele descesse e acabei me engasgando. Ele levantou meu corpo e bateu nas minhas costas.

- Não, não. Você deve engolir tudo querida – Ele assoprou meu rosto e sorriu pra mim – Agora um ultimo detalhe.

Ele agarrou meu pescoço e proferiu um feitiço qualquer. Meu pescoço ardeu e eu não consegui sufocar um grito. Ele tampou minha boca e continuou apertando meu pescoço.

Quando ele finalmente soltou meu corpo caiu no chão e ele saiu de cima de mim com um sorriso no rosto. Ele me encarava como um artista que via sua obra de arte finalmente pronta.

- Adeus, querida – Como num replay horroroso ele andou ate a parede mais profunda do cômodo e seu corpo se misturou com as sombras ate que ele não tivesse mais forma.

Eu olhei por teto tentando pensar no que ele tinha em dado, mas uma dor profunda interrompeu meus pensamentos. Meu corpo inteiro queimava. Era como se alguém tivesse me colocado em cima de uma churrasqueira. Não, uma churrasqueira não. Eu estava no inferno.

Meu corpo se dobrava e se retorcia tentando escapar da dor, mas nada dava jeito.

Segurei meu rosto com as mãos e gritei por socorro o mais alto que consegui. Minhas mãos desceram sofridas por meu rosto e envolveram meu pescoço. Quente, meu corpo estava todo quente por dentro.

Algo em minhas mãos me chamou atenção. Sangue. Eu estava sangrando. Tentei localizar onde era o sangue. Pescoço.

O sangue fluía livremente por meu pescoço.

Era isso então, a morte.

A dor era tudo que eu via e sentia.

Mas na minha mente, meus pensamentos uma outra dor.

A dor da derrota. Eu falhei. Perdi.

Não era só eu que iria morrer, eu estaria deixando meu bebê morrer.

Mas o que alguém fraco como eu poderia fazer? Eu nunca tinha me sentido tão inútil. E essa, era a pior dor de todas.

Fechei os olhos esperando a escuridão tomar conta e me limitei a fazer tudo que eu podia.

Gritar e me contorcer. Na esperança de que alguém me ouvisse ou então que a dor finalmente parasse.

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Meninas eu fiquei abismada com as lindas reviews que recebi.

Obrigada por todas elas.

Sei que atrasei demais dessa vez, então vo postar logo e depois reviso e respondo as reviews.

Espero que gostem. Eu AMEI escrever esse cap. Demorou a sair, mas quando saiu... foi perfeito *--*

Beijos e ate depois gatinhas .