Espera mortal
Harry não sabia que dizer, estava paralisado olhando como Severus se vestia rapidamente para em seguida ir ao despacho e regressar com uma pequena penseira no que depositou vários fios de seus pensamentos.
— Escuta-me bem, amor. —pediu Severus quando terminou e regressou ao lado do moreno que assentiu assustado. — A hora finalmente tem chegado e não quero que vá sem estar preparado para tudo. Agora sinto que desperdiçamos muito tempo, e quero que revise a penseira, aí encontrará vários feitiços que preciso que aprenda. Faz favor, não lhe tenha medo. A magia escura tem sido catalogada assim pelo Ministério, alguns desses feitiços não têm nada de mau e há um em especial que te ajudará a vencer ao Senhor Tenebroso.
— Mas…
— Harry, escuta-me! —pediu pressuroso. — Não tenho muito tempo e preciso de sua promessa de que estudaria.
— De acordo, mas… não sê se possa o fazer sem ti.
— Poderá, porque é um excelente mago e uma formosa pessoa, poderá com tudo o que se te apresente e vencerá.
— E você?
— Eu também… ainda que esteja do outro lado, estarei pendente de ti.
— Usa isto.
Harry tomou os sapatinhos azuis e depositou-os nas mãos de Severus, este lhe olhou sem compreender mas o menor não permitiu que lhe devolvesse.
— Enfeitiça-os para que ninguém mais os vejam… Só você e eu. Faz favor, Sev, quero saber quem é entre todos esses comensais.
— Assim o farei, Harry, não se preocupe.
— Amo-te.
— Eu mais. Cuida-te muito, formoso.
Harry assentiu e depois de beijar-se profundamente deixou que o Pocionista se marchasse. Ficou só naquela habitação onde pensou que passaria todas suas férias acompanhado de Severus, agora ele se marchava chamado às filas de Voldemort, teve muito medo de perder também. Olhou o berço a seu lado e resistia-se a pensar que quiçá ficaria vazia para sempre se ele também não voltava.
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Essa noite foi a mais longa de sua vida, tinha ido a buscar a Dumbledore, mas não pôde o encontrar, supôs que estaria organizando reuniões com a Ordem da Fênix e isso sobrecarregava mais, não entendia porque seguiam sem o tomar em conta quando seria ele quem lutaria contra Voldemort.
Pela manhã regressou ao despacho de Dumbledore disposto a não se mover daí até falar com ele. Surpreendeu-se quando o Diretor lhe saudou como se estivesse o esperando.
— Suponho que sabe aonde tem ido Severus. —disse-lhe depois de convidar-lhe a sentar-se em frente a sua mesa.
— Assim é, e quero saber que é o que vamos fazer para nos preparar.
— Vocês devem continuar com sua vida como sempre, Harry. Os alunos agora mesmo estão partindo todos para suas casas, desse modo nos asseguraremos que não esteja ninguém no castelo.
— Pensa que pode ser aqui?
— Não o sabemos, terá que esperar a saber qual é a eleição de Tom.
— Mas porque esperar? Porque não vamos a sua guarida e atacamos primeiro?
— Não é bem como faremos as coisas, Harry.
— E Severus?... Não se importa o que passe com ele?
— Importa-me mais do que pensa. Mas ele está cumprindo com sua parte, Harry, lá poderá nos ajudar mais do que faria aquém. E para que seu labor não seja inútil, você deve também fazer o que te corresponde.
— Como, se me está pedindo que me cruze de braços?
— O que quero é que proteja a Ronald Weasley e Draco Malfoy. Tenho falado com os pais de Ron, eles já estão inteirados da situação de seu filho e coincidiram em que o mais seguro para ele é que permaneça baixo a proteção de Hogwarts.
— Que sucede com Ron?
Dumbledore tomou ar antes de informar a seu aluno das circunstâncias que rodeavam o namorico de Draco e Ronald. Harry escutou-lhe atenciosamente tentando não mostrar o preocupado que estava, mas ao sair do despacho foi diretamente para a habitação de Severus. Até esse momento não se tinha decidido por aprender magia escura, mas se seu melhor amigo estava em perigo, não ia duvidar nem um segundo em usar todo o que estivesse a seu alcance para destruir a Voldemort antes de que chegasse a ele.
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A primeira vez que Harry entrou na penseira de Severus e lhe viu usando aquelas maldições saiu sem poder suportar mais de dez segundos. No entanto, depois de respirar fundo decidiu confiar em seu companheiro e formar-se um estômago de ferro. Graças a isso pôde notar situações que antes não se deu a oportunidade de descobrir.
O lugar no que se encontrava era uma ampla habitação de teto muito alto, parecia ser uma adega, pois em um extremo se encontravam dispostas caixas de madeira acomodadas em montículos que pareciam se sustentar de pé por arte de magia. Uma série de magos formava uma fila em paralelo, uns em frente a outros.
Um mago, que Harry não reconheceu caminhava entre eles, lhes olhando com severidade. Não tinha quem movesse nem um só músculo. Lentamente Harry acercou-se a onde estava Severus, sorriu ao o notar mais jovem, não podia ter mais de vinte anos. Quis acariciar-lhe o rosto, mas não lhe foi possível.
Deu um passo atrás quando se puseram em guarda. Aterrorizado viu como se lançavam tenebrosas maldições uns aos outros. O coração batia-lhe demasiado de pressa pensando em que Severus podia resultar ferido, não podia evitar se preocupar, nem sequer sabendo que aquilo era parte do passado de seu companheiro.
O adversário de Severus caiu ao chão retorcendo-se de dor, o desespero quase fazia-o arrancar-se troços de sua pele. Outros também se encontravam na mesma situação, ninguém fazia nada pelos ajudar e Harry não pôde mais que agradecer que Severus fosse mais rápido que seu oponente. Finalmente o que dirigia o treinamento levantou a mão em sinal de parar o exercício e se escutou o contra-feitiço pronunciado para cada um dos atacantes.
Harry voltou a acercar-se a Severus, tinha medo do que seguiria. A seguinte tarefa era uma espécie de tortura, mas mental. Nesta ocasião tocou-lhe a Severus ser quem recebesse a maldição. O menor quase chorava ao vê-lo sujeitar-se a cabeça esforçando-se por não ver o que seja que estivesse vendo em sua imaginação.
Recordou que nesse então Severus já agia como espião e isso lhe molestou mais, estava passando por todo aquilo tão só para ajudar à causa, ele nem sequer devia estar aí. E quando lhe foi aplicado o contra-feitiço e viu seus olhos vidrosos teve vontade de matar ao homem que lhe tinha feito aquilo.
Harry saiu da penseira quando a lição terminou e a cada comensal se foi. A partir desse dia entrava depois de regressar do café da manhã e de visitar um momento a Draco para assegurar-se que tudo estava bem.
Nem sempre se encontrava nessa espécie de escola. Às vezes Severus estava-se a sozinhas, praticando sempre, e a cada vez lhe via fazer melhor as maldições e os feitiços que as anulavam. Teve um pensamento em especial que reconheceu como aquele que Severus queria lhe mostrar. Já via a um Severus maior, quase da idade que tinha, talvez uns cinco anos menos. Sorriu pensando que então ele estaria em seu segundo ano de estudos em Hogwarts.
No entanto, pese a que praticava a pronunciação e o movimento de varinha com particular ênfases, não o estava aplicando em ninguém, de modo que não podia saber exatamente as consequências deste.
Foi até que chegaram as lembranças de algumas batalhas. Via como alguns comensais eram assassinados por Aurores. Harry a cada vez sentia mais forte o nodo na garganta, temia que essa cena se repetisse na guerra que se aproximava e temia especialmente por que um desses mascarados fosse Severus.
Viu-o buscando entre os corpos um que se ajustasse a suas necessidades. Logo aplicando-lhe e aplicando-se um feitiço desilusionador e levá-lo até onde pudesse praticar sem que ninguém lhes interrompesse. Muito mal conseguiu o seguir, mas finalmente ficaram sozinhos em uma habitação encerrada.
Severus via-se muito concentrado, moveu sua varinha e pronunciou aquele estranho feitiço que lhe tomasse meses perfeccionar. Harry viu como o comensal que se encontrava agonizante e emitia um gemido que anunciava sua próxima morte e justo nesse momento Severus moveu sua varinha em círculo ao redor dele. Uma aura negra emergia macabramente do corpo. O moreno soluçou ao dar-se conta que se tratava da alma, olhou a Severus sentindo o coração quase lhe sair do peito, não podia estar passando aquilo, jamais se imaginou que o professor fosse capaz de manipular a essência vital de nenhuma pessoa.
Mas seus pensamentos mudaram radicalmente quando, como se de uma aspiradora se tratasse, a varinha de Severus sugava o que lhe dava esse macabra cor e pouco a pouco, a aura ia se tornando luminosa e suave. Sorriu compreendendo o que aquilo significava, e então viu como Severus apartava sua varinha e a dirigia ao corpo, que ao se pôr em contato com a malignidade se consumia a si mesmo se convertendo em pó enquanto a aura agora escapava se perdendo no nada.
Severus deixou-se cair, luzia esgotado mas satisfeito do que acabava de conseguir… e Harry não pôde menos que se sentir orgulhoso de uma maneira um pouco perturbadora, apesar de ser magia escura, Severus tinha ajudado a esses comensais a não perder de todo sua alma.
Não teve tempo de nada mais, Harry se viu sugado a outra lembrança. Agora via a Severus aplicando o feitiço com mais facilidade, inclusive já não esperava a que a pessoa morresse. Assim que via que algum Auror estava disposto a assassinar, corria, aplicava o feitiço e desaparecia. Isso conseguia que ademais o empregado do Ministério lançasse seu ataque contra um corpo sem alma ainda que aparentemente parecia vivo, todo era tão rápido que nem eles mesmos o notavam.
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Aquelas férias Harry passou-as treinando sem parar, queria perfeccionar o feitiço, sabia que se o fazia, poderia sanar a alma de Voldemort sem ter que a destruir, isso era o que mais lhe tinha angustiado sempre e agora por fim tinha a solução à mão.
Estranhava muito a Severus, tivesse querido que fosse ele quem lhe treinasse pessoalmente e agora se arrependia de não ter aceitado sua oferta quando lhe propôs lhe ensinar artes escuras. Já não podia fazer nada por remedia-lo mais que seguir suas instruções e esperar ter um bom resultado.
As férias terminaram sem ter notícias de nenhuma guerra, inclusive os da Ordem da Fênix começavam a pensar que o alarme que lhes desse Severus tinha estado equivocada e relaxaram muito suas defesas. Após tudo, também tinham trabalhos e famílias que atender.
O Expresso voltou com todos os alunos celebrando alegremente voltar a se reunir. Harry observava-lhes desde o alto de uma torre, ele cria em Severus e supunha que o ataque não podia faltar. Sempre estava repassando mentalmente os feitiços e contra feitiços aprendidos, não queria lhe falhar. De repente, enquanto os alunos entravam ao colégio, Harry notou na lonjura um brilho intenso… O coração se lhe fugiu compreendendo o que significava. Não perdeu tempo e baixou correndo para o despacho de Dumbledore a dar a voz de alarme.
Mal ia pronunciar a contra-senha quando a estátua que resguardava a entrada girou para se abrir, tentando recuperar o fôlego por sua louca carreira viu como saíam Dumbledore acompanhado por Remus, Sirius e McGonagall.
— Professor, já vêm! —exclamou ainda agitado.
— Sabemo-lo, Harry. Agora mesmo quero que ajude a todos os alunos a se refugiar no grande salão, já temos dado a voz de alerta à Ordem e vêm em caminho junto com Aurores do Ministério.
— Mas eu tenho que sair com vocês, quero ajudar!
— E poderá fazê-lo obedecendo-me, pelo cedo resguarda aos alunos como te disse, nós tentaremos atrasar o ataque.
Harry assentiu e dando meia volta tomou o caminho para o lobby, supôs que alguns alunos já estariam no salão, outros ainda viriam nas carretas. Assim que chegou viu que Hermione e Blaise apareciam pela porta, a garota sorriu ao o ver e correu para ele.
— Harry, olha! —exclamou mostrando entusiasmada sua mão, onde um reluzente diamante embutido em uma aliança de ouro brilhava deslumbrante. — Nos casaremos em julho, meus pais já aceitaram!
— É maravilhoso, Hermione, mas falaremos depois. —respondeu gravemente. — Comensais vêm para Hogwarts neste preciso momento, e por suposto que Voldemort também.
— Deus! —exclamou Hermione alarmada, Blaise abraçou-a protetor.
— Preciso que ajudem a todos os alunos a se refugiar no Grande Salão.
— Assim o faremos, mas a onde vai? —perguntou quando o garoto saiu correndo regressando escadas acima.
— Tenho que me assegurar que Ron esteja bem!
Hermione já não pôde seguir perguntando, Blaise a tomou da mão para a ajudar a cumprir com as indicações de Harry.
Alheios ao que passava, Ron e Draco desfrutavam de uma reconciliação depois de ter passado a tarde distanciados porque o loiro se negou a seguir falando do bebê que esperava. Agora o ruivo o encurralava contra a cama e gemia sentindo a mão de Draco lhe deslizando baixo para baixo as calças para estreitar a dureza que se tinha erguido depois daquele prolongado beijo.
— Furão, se segue fazendo isso não aguentarei muito.
Draco sorriu travesso e intensificou suas caricias enquanto lambia o contorno da orelha de Ron. Ainda que não tinham voltado a fazer o amor por cuidar a saúde do loiro, aqueles encontros plenos de caricias excessivamente sugestivas se sucediam com frequência. Finalmente Ron não pôde se controlar mais e ejaculou na mão de seu companheiro, quem recebeu feliz a cálida substância.
De repente, a porta abriu-se intempestivamente e três pares de olhos abriram-se desorbitados. Harry deu-lhes as costas de imediato, sentindo como suas bochechas pareciam estar a ponto de se incendiar, jamais imaginou que encontraria a seus amigos extremamente ocupados. Ron, por sua vez, tentava torpemente pôr-se de pé, seu rosto estava ainda mais vermelho que o de Harry e balbuciava coisas que nem ele mesmo se entendia.
Draco simplesmente levantou-se compondo-se a roupa e ainda que parecia tranquilo, também suas bochechas se tingiram suavemente.
— Lamento-o… —desculpou-se Harry ainda sem se girar. —… devia chamar, para valer sinto muito.
— E-está bem, não há problema. —titubeou Ron. — Passa algo?
— Sim. —respondeu recordando o motivo de sua presença. — Voldemort vem para cá, preciso que ambos fiquem nesta habitação, porei barreiras de proteção para que não os localize.
— Draco ficará. —respondeu Ron sujeitando ao loiro pelos ombros, este lhe olhava assustado temendo o que planejava o ruivo. — Eu irei contigo, Harry.
— Não, Ron… Não quero que corra perigo se Voldemort te descobre.
— Mas nem sabe quem sou. —protestou engolindo duro. — Não poderá me convencer de me ficar.
Harry não queria perder mais tempo, e sabendo que Ron podia ter razão decidiu lhe deixar o acompanhar, esperava lhe convencer de que ficasse no castelo ajudando a Hermione, assim lhe manteria afastado de Voldemort. Draco recusava-se a deixá-lo ir, mas finalmente não pôde conseguir que o ruivo ficasse, ele teve que ficar se sentindo um inútil, sem voz não podia lutar.
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Harry encontrava-se colocando as proteções quando apareceu Lucius, em seguida lhe pôs ao tanto do que sucedia, e decidiu lhe lhes unir na batalha. O moreno não estava muito convencido de que fosse boa ideia, ele também era um alvo ansiado para Voldemort, mas se precisariam muitas mãos e depois de terminar com seu labor, saiu correndo com Ron e Lucius atrás dele.
Ao chegar ao lobby, Hermione e Blaise terminavam de fazer entrar aos últimos alunos que cursavam os graus inferiores ao salão e fechavam a porta. Sem dizer palavra, com somente cruzar uma mirada, os três amigos saíram juntos para os jardins, com Blaise e Lucius atrás deles. O coração de Harry paralisou-se ao ver como os terrenos de Hogwarts já eram um campo de batalha. E sem pensá-lo, uniram-se aos alunos de maiores graus, aurores e amigos que lutavam ferozmente contra os comensais.
Harry aproveitava qualquer momento para buscar entre os comensais, precisava encontrar a Severus, saber que estava bem. E ademais, lhe urgia enfrentar-se a Voldemort antes de que sucedesse mais dano
No entanto isso não passava, à cada momento se incrementava sua angústia. E de repente, notou como alguns comensais conseguiam colar-se para o interior do castelo, rapidamente chamou a Ron e Hermione para que lhe seguissem, tinham que impedir que chegassem até os alunos mais pequenos. Alguns Aurores deram-se conta também e foram para lá, ao igual que membros da Ordem.
Harry emitiu um gemido de horror ao ver como três comensais uniam suas magias para pronunciar um feitiço que formou dois buracos na cada extremo do salão. Eram como macabros buracos negros, que flutuavam sobre o chão perpendicularmente a este, e seu poderio o comprovou de imediato quando um par de Aurores foram sugados para seu interior sem poder fazer nada por evitar. Um desses buracos, se encontrava cerca da porta do salão e esperou que Hermione tivesse colocado excelentes feitiços para evitar que nenhum aluno saísse, ou caso contrário, seria impossível evitar que caíssem no abismo.
Enquanto Aurores e comensais enfrentavam-se, cuidando de manter-se o mais afastado possíveis daquela espécie de redemoinhos sugadores, Harry pensou que a batalha estava sendo demasiado desigual, agora entravam pela porta mais comensais, seguidos por membros da Ordem. Viu a Remus enfeitiçar a um deles, a Sirius lhe protegendo as costas, lutando com uma varinha que seguramente tinha conseguido lhe arrebatar a algum dos comensais.
Lucius também optou por entrar, eram demasiados os comensais que se deslocavam para o interior e era imprescindível os sacar. Ron e Hermione uniram-se à luta.
Harry queria ajudar a seus amigos, mas ao vê-lo, vários comensais lhe encurralaram. Compreendeu que tinham ordens de reter e lhe impedir sair, combateu contra eles como pôde, ainda que o coração se lhe fazia quebra-cabeças ao buscar entre os encapuchados alguém que luzisse uns sapatinhos azuis somente visíveis para ele.
Às vezes isso lhe distraía e alguns feitiços estiveram a ponto de lhe dar, no entanto conseguia reagir a tempo para esquiva-los.
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Em sua habitação, Draco caminhava nervoso de um lado a outro, já se tinha percebido de que Harry tinha colocado feitiços de proteção para que nenhum comensal pudesse dar com ele, no entanto não tinha nada que impedisse sua saída… Via indeciso a porta que lhe levaria para onde seus seres queridos se debatiam entre a vida e a morte.
Queria lutar, mas devia admitir que lhe era impossível o fazer, tão só estorvaria e inclusive poderia pôr em perigo a quem tentassem o proteger.
Sua razão gritava-lhe que devia ficar e aguardar a que tudo saísse bem… mas o coração lhe chamava ao lado dos demais, sem importar nada.
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Hermione fazia esforços denodados para deixar fora de combate ao comensal com quem enfrentava-se, não se dava conta que alguém que entrava, coberto com a mesma máscara inimiga, enfocava seus olhos nela e um brilho de maldade destelava imponente.
Com passos decididos encaminhou-se para onde a castanha conseguia por fim deixar ao comensal inconsciente no chão do lobby, respirou agitada tentando recobrar o fôlego antes de continuar. Um raio colou em seu ombro fazendo-a gritar de dor, mas rapidamente reagiu girando-se sobre si mesma para enfrentar a seu novo atacante.
— Desmaius! —gritou Hermione.
Mas seu feitiço foi esquivado com agilidade. Abriu os olhos assombrada, notou que apesar de se ver mais pequeno que os demais comensais, este era realmente habilidoso, não lhe deu tempo de reagir quando um Expelliarmus lhe deu direto no peito.
Notou assombrada que a voz era muito familiar, mas não era momento de tentar se pôr a pensar em identidades, era um inimigo e como tal devia o tratar. Se ergueu lentamente da parede a onde tinha ido a estrelar-se.
Mal apontou quando um Depulso lhe deu diretamente. O golpe que se deu na cabeça com um muro lhe deixou parcialmente confundida, não podia nem se levantar. Ergueu o rosto e viu como seu adversário lhe apontava para pronunciar seu último e definitivo feitiço.
— Avada Kedrava!
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Remus tinha conseguido eliminar a mais em meia dúzia de comensais. Olhou a sua esquerda, Sirius tinha-se afastado devido a briga, mas respirou aliviado de vê-lo quase divertir em sua luta encarniçada contra três comensais. Nem notava-se que tinha tanto tempo sem usar uma varinha, era muito destro para a usar e lhe sacar todo o proveito.
Depois olhou a sua direita. Lucius combatia contra um de seus ex parceiros, sabia de suas trapaças e isso lhe dava muita vantagem, adivinhava a cada um de seus movimentos para o atalhar dantes de que se consumasse. Dessa forma já tinha conseguido que uns corpos de túnica negra e mascarados ficassem inertes no chão.
No entanto, o coração contraiu-lhe ao notar como o loiro parecia não se estar dando conta que se encontrava demasiado cerca de um dos redemoinhos, e quis lhe advertir.
— Lucius, cuidado por trás de ti!
Ao escutá-lo, o loiro compreendeu o perigo, começava a sentir um vento macabro agitando o longo de sua túnica. Quis retirar-se, mas outro comensal atravessou-se em seu caminho fazendo-o tropeçar. Ao ver que Lucius perdia o equilíbrio e caía enquanto começava a ser sugado para o redemoinho, Remus não perdeu mais tempo e correu para ele.
Conseguiu sujeitar da mão enquanto com a outra se aferrava firmemente a um dos pilares da escada. O vento assola, Lucius já não era capaz de manter os pés no solo, era como se o redemoinho o reclamasse para ele, e o único que impedia que caísse era a firme mão de Remus apertando sua mão… no entanto o esforço que tinha que fazer para os sustentar a ambos era demasiado e seus dedos começaram a se escorregar de seu agarre, Remus pensou que seu fim tinha chegado.
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Blaise ia entrando ao castelo quando viu a sua amada Hermione no chão, ainda confundida pelo Depulso. A alma escapou-lhe quando viu que seu atacante se dispunha a lançar uma fulminante maldição, não o pensou duas vezes… Correu todo o que lhe davam suas pernas e finalmente seu corpo recebeu o raio verde.
Os olhos marrons perderam sua luz ao ver o que sucedia, um gemido brotou de sua garganta compulsivamente, foi um momento eterno ir vendo o corpo de Blaise cair ao chão já sem senha de vida… gritou tão forte como nunca em sua vida quando finalmente pôde se incorporar e correr para ele.
Já não existia nada mais, não importava a batalha que se desencadeava a sua ao redor, nem os raios mágicos passando a seu lado perigosamente, tão só queria chegar até o homem que amava.
O grito chegou até os ouvidos de Harry, doeu-lhe ver o que estava passando, quis se libertar dos comensais que lhe atacavam, mas estes não lhe davam trégua. Olhou como o atacante de Hermione voltava a apontar, ainda que misteriosamente sua varinha era dirigida ao corpo de Blaise. Por um momento não entendia o que passava, e quando finalmente o compreendeu, o chão se afundou baixo seus pés.
Um feitiço de levitação conduziu o jovem sem vida para o redemoinho no que se perdeu irremediavelmente. Hermione já não pensava e correu para lá com toda a intenção de lhe resgatar. O encapuchado riu macabramente ao ver à castanha dirigindo-se por si mesma para sua própria morte.
— Hermione! —gritou Harry desesperado, mas a garota não lhe obedeceu, já tivesse chegado a seu destino de não ser porque um comensal que se atravessou em seu caminho a sustentou fortemente da cintura e correu com ela para desaparecer por uma porta que conduzia a algum corredor de Hogwarts.
Ronald não tinha visto nada, nesse momento respirava agitado ao conseguir se desfazer finalmente do comensal com o que se enfrentava. Ao ver que seu amigo continuava sendo branco de um ataque não proporcional quis correr para ele para lhe tirar de em cima a algum deles.
— Não, Ron! —gritou Harry detendo-lhe abruptamente. — Levaram-se a Hermione, vá por ela!
O estômago do ruivo se revolveu ao compreender o que passava, e mudou sua carreira para ir para a porta que Harry lhe assinalava. O moreno continuou brigando desesperadamente, precisava com urgência desfazer-se de seus adversários para poder ir em ajuda de seus amigos, temia muito por eles.
Ademais, nesse momento pôde ver o perigo que Remus estava correndo, se não fazia algo cedo, também ele e Lucius morreriam.
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Ron encontrou-se com um corredor longo e escuro, conduzia para outra entrada às masmorras, mas não tinha sinal alguma de Hermione, no entanto seguiu correndo desejando não ter chegado demasiado tarde.
De repente, uma sombra ao final do corredor fez-lhe deter-se de improviso. A sombra ia intensificando-se ameaçadoramente, teve um horrível pressentimento, o coração triplicou suas batidas em um segundo. Instintivamente deu um passo para atrás… já era demasiado tarde para não ter sido visto.
Ronald Weasley jamais se imaginou que em algum dia estaria em frente a frente com o mesmíssimo Voldemort. Apontou-lhe enquanto olhava-lhe caminhar para ele, mas podia ver sua mão tremer demasiado que ia poder fazer para sair dessa?
— Vá, vá. —sibilou Voldemort dando uns passos mais para o aturdido ruivo. — Que temos aqui?... um jovem seguidor desse velho chocho, que má sorte tens tido de escapar por este corredor, verme!
Ron abriu a boca, mas não podia nem falar, jamais em sua vida tinha tido tanto medo, toda cor desapareceu de seu rosto e soube que morreria, já não tinha remédio.
— Expelliarmus! —gritou quando finalmente pôde emitir um som.
Mas o débil feitiço de Ron viu-se bloqueado com facilidade. Sua varinha ficou feita pedaços no ar e ele arrojado com força contra a parede, nesse momento se perguntou como é que Harry tinha conseguido sobreviver a tantos confrontos com esse monstro. Todos diziam que podia ter sido sorte, mas agora ele sabia que essa palavra não existia em frente a esse monstro, admirou como nunca o poder e valentia de seu amigo.
De repente, Voldemort adquiriu um semblante extremamente sério, os dois orifícios que tinha por nariz se dilataram se dirigindo para o ruivo.
— Cheiras a sexo. —sussurrou ameaçador. — E não qualquer sexo, é um cheiro que tem ficado em minha memória desde faz tempo… tens sido você! —exclamou de repente apontando firmemente ao peito de Ron. — Você foste quem se atreveu a tocar a meu Draco!... Acho que agora a sorte está de meu lado.
Voldemort pronunciou um Cruciatus que fez que Ron escutasse todos seus ossos rangido… já podia sentir a morte se acercando.
Se alguma esperança ficava no coração do ruivo, esta se desvaneceu imediatamente. O único que lamentava era não poder ver, ainda que seja uma vez mais, a Draco… Queria lhe dizer que o amava.
Como se seus pensamentos tivessem sido escutados, se escutaram uns passos correndo apressados e cedo apareceu o loiro Slytherin. Deteve-se ao olhar a cena, o terror refletido em seus formosos olhos cinzas.
— Ah, meu querido Draco… —exclamou Voldemort sorrindo irônico, parando então a tortura. —… chega justo a tempo para ver como morre este asqueroso ladrão.
Um raio negro emergiu da varinha de Voldemort, golpeou fortemente o peito de Ron quem ficou no chão, no meio de um abundante charco de sangue, a qual brotou de seu corpo como se de uma fonte se tratasse.
Draco não podia se mover, seus pés pareciam se ter ficado fincados no chão, sentia morrer ao ver como Ron ficava sangrando a uns metros de onde se encontrava, seu mundo ficou totalmente derrubado ao perder a quem amava… Por um segundo escutou o riso zombador de Voldemort, mas depois tudo desapareceu, só estavam ele e seu garoto sardento jazendo imóvel no chão, sua mente lhe libertou e finalmente sua garganta pôde emitir um som…
"Ron"...
Continua no próximo capitulo...
Aguardem!
