Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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O relógio em cima do balcão de uma famosa cafeteria muggle marcava 14h00min. E esta cafeteria, contando com escassos clientes naquele momento, via-se, então, como palco de um encontro de suma importância para o Mundo Mágico, um encontro pelo qual todo e qualquer jornalista do Profeta Diário morreria apenas pela chance de poder presenciá-lo: um encontro entre o prófugo de Azkaban, Sirius Black, e seu afilhado, ninguém menos que o famoso herdeiro do Lord das Trevas. Contudo, Harry já não adotava mais este título.
- Eu quase não o reconheci, Harry – os olhos castanhos do lobisomem lhe fitavam com admiração, acompanhados de um sorriso gentil desenhado em seus lábios – Você cresceu tanto nesses últimos anos.
- Obrigado, professor Lupin – o pequeno Lord agradeceu com um breve sorriso, lançando um olhar mortal a Theodore, que havia arqueado uma sobrancelha com diversão contestando o suposto crescimento de Harry nesses últimos anos, uma vez que o menor ainda mal lhe chegava à altura dos ombros.
- E você é Theodore Nott, não é mesmo?
- Sim.
- É bom revê-lo também, senhor Nott. Um aluno brilhante se bem me recordo.
- Obrigado – o agradecimento foi frio e desinteressado. O herdeiro da fortuna Nott se mantinha protetoramente atento apenas aos movimentos de Harry.
Sirius, por sua vez, continuava a encarar seu afilhado com um brilho maravilhado em seus profundos olhos azuis, mas parecia finalmente ter recuperado a fala:
- Harry, como... como você tem estado?
- Melhor impossível – respondeu rapidamente, um fio de sarcasmo em sua voz – agora podemos ir direto aos negócios, por favor?
- S-sim, é claro...
- Ótimo. Eu gostaria que você me contasse a sua história.
- O que?
- Ora, não deve ser tão difícil, Black, eu quero ouvir a sua versão dos fatos – Harry o encarava fixamente, a decisão brilhando nos belos olhos verdes-esmeraldas, tão parecidos aos de Lily – O que aconteceu na noite da morte dos Potter? Por que você foi preso? O que Dumbledore lhe contou daquele evento? Enfim, eu quero ouvir o que você tem a dizer.
Dizer que os dois últimos Marotos estavam em choque seria dizer pouco.
No entanto, eles logo voltaram a si e resolveram não desaproveitar aquela oportunidade em que o único filho de seus melhores amigos finalmente lhes dava a chance de ouvi-los. Dessa forma, com a voz firme e o olhar de quem fora atormentado pelas memórias desta história várias vezes em Azkaban, Sirius iniciou o relato:
- Há dezessete anos, no auge da antiga guerra, um espião de Dumbledore dentro do círculo interno de Comensais da Morte relatou que Voldemort havia descoberto uma profecia envolvendo herdeiro dos Potter e, dessa forma, nós precisamos esconder você e seus pais, pois Voldemort estava muito poderoso e não mediria esforços para chegar até você.
- O que essa profecia dizia?
- Não sabemos. O inútil espião não conseguiu descobrir este detalhe.
- Sirius – Remus repreendeu e o moreno, revirando os olhos, decidiu continuar:
- Nós usamos um feitiço para esconder a localização da casa dos seus pais com o chamado "Fiel Segredo"...
- Sim, eu sei como funciona.
- Bem, acabamos pensando que seria muito óbvio se eu fosse nomeado o Fiel Segredo, então, Peter Pettigrew assumiu este papel. Esse maldito rato traidor... – murmurou, apertando os punhos –... Era, na verdade, um Comensal da Morte e sem pensar duas vezes ele entregou a localização de seus pais para Voldemort.
Harry estreitou os olhos.
Ele estava furioso consigo mesmo.
Tudo parecia tão malditamente óbvio agora.
- Naquela noite, então, Voldemort foi a Godric's Hollow e matou seus pais.
Sirius, Remus e Theodore observaram cautelosamente a reação de Harry, mas este se manteve impassível, apenas a dor e a decepção brilharam em seus olhos e com um simples gesto de sua mão direita, ele solicitou que Sirius continuasse.
- Dumbledore nos contou depois que ele e o Ministro chegaram ao seu quarto no momento exato em que Voldemort lançaria a maldição para uni-los magicamente e torná-lo seu herdeiro. E após uma negociação entre Voldemort e Ministro, ali, sobre os cadáveres de seus pais – acrescentou com ódio – os dois firmaram o Tratado de Paz que vigoraria por dezessete anos. E o maldito Ministro, dessa forma, consentiu que você fosse levado por aquele mostro, pelo mesmo homem que havia matado a sua família!
- Sirius... – o lobisomem o interrompeu, compartilhando da dor de seu amigo.
Suspirando, o herdeiro da fortuna Black conseguiu se acalmar um pouco e continuou seu relato:
- Quando Dumbledore nos contou isso, naquela noite, na sede da Ordem, eu fiquei furioso... Eu fiquei cego de ódio e fui caçar Pettigrew... – suspirou, lembrando-se bem daquela noite – Todos tentaram me impedir, mas eu estava cego pelo ódio. E quando eu o encontrei, quando eu estava a um passo de matá-lo, ele atacou um bando de muggles e fugiu na forma de um rato, incriminando-me por todos os seus crimes.
Harry permaneceu em silêncio por alguns segundos, observando a dor que brilhava nos olhos do herdeiro da nobre e poderosa família Black e então, ele segurou delicadamente a mão de Sirius por cima da mesa, dando-lhe um pequeno apertão reconfortante, ação que lhe rendeu um olhar assombrado de seu padrinho, um pequeno sorriso de Remus e um franzir de cenho de Theodore, que, no entanto, permaneceu em silêncio, apenas observando a cena.
- Ele está morto – afirmou com satisfação, sem soltar a mão de Sirius, seus olhos fixados um no outro – Pettigrew está morto e você o matou, Sirius. Ele foi morto pelas suas próprias mãos, você vingou a traição dele, você fez o que era certo.
- Eu... Eu sei – murmurou, admirado com as palavras de Harry.
Oferecendo-lhe um pequeno sorriso, o pequeno Lord, então, solicitou:
- Agora, porque vocês não me falam um pouco sobre Lily e James Potter...
Harry estava curioso para saber sobre seus pais.
Na verdade, ele estava curioso para saber se conseguiria sentir alguma coisa por eles se ouvisse algo a respeito. E Sirius e Remus, por sua vez, trocaram um olhar animado, evidentemente eufóricos com a possibilidade de contar sobre seus melhores amigos para Harry, o primeiro maroto da segunda geração, o último laço que os unia com Lily e James. Assim, Harry e Theo passaram o resto da tarde naquela cafeteria muggle, ouvindo Sirius e Remus contarem sobre as aventuras dos Marotos, sobre os detalhes de como seus pais se conheceram e se amaram até o final dos seus dias. O pequeno Lord ouviu cada palavra com atenção, mas por dentro, seu coração permanecia indiferente ao nome Lily e James, indiferente ao nome Potter.
Quando o sol se pôs e os adolescentes se colocaram de pé, despedindo-se educadamente para voltar à Mansão Nott, Harry finalmente ouviu a pergunta que desde o começo do encontro ele já esperava:
- Harry – seu padrinho chamou com suavidade, observando os dois adolescentes a ponto de saírem do local – Ele sabe que você está aqui?
- Não.
- Aconteceu alguma coisa?
- Sim, aconteceu, mas eu não quero falar sobre isso agora.
- Voldemort não é quem você pensa, Harry – Sirius afirmou com cuidado.
- Eu sei – suspirou – Eu sei disso agora.
- Mas você sabe também que pode sempre contar comigo, não é? Eu sou seu padrinho. Eu posso ter feito algumas escolhas erradas no passado, mas eu moveria céus e terras para ajudá-lo, Harry.
- Eu também – Remus acrescentou com um sorriso.
E o pequeno Lord, por sua vez, oferecendo aos dois um breve sorriso, afirmou:
- Obrigado, eu não estava errado ao pensar que poderia contar com vocês. Eu mandarei uma coruja se precisar de alguma coisa, mas agradeço novamente pela presença de vocês hoje e por me contarem o que, de fato, aconteceu naquela noite.
Os dois Marotos, então, observaram o filho de seus melhores amigos se afastar, o ar impassível sendo maculado pelos ombros encolhidos de quem ouvira revelações que marcariam toda a sua vida, mas sendo protetoramente envolvido pelos braços do menino maior que se manteve em silêncio o encontro inteiro, apenas permanecendo estoicamente ao lado de Harry para protegê-lo, como evidentemente fazia agora.
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Enquanto isso, no escritório do diretor da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, Alvo Dumbledore recebia novidades, no mínimo, inusitadas por meio de seu espião dentro do círculo interno de Comensais da Morte, Severus Snape:
- Fugiu?
- Exatamente.
- Desapareceu? – os olhos azuis brilhavam maliciosamente por detrás dos óculos em formato de meia lua – Espere um minuto. Você está me dizendo, Severus, que o menino descobriu toda a verdade semanas antes do seu aniversário de dezessete anos e então, fugiu da fortaleza do Lord das Trevas?
- Sim, senhor.
- Ora, ora, então o pequeno Harry descobriu finalmente a verdade e se rebelou contra o seu amado papai... – o diretor falava mais para si mesmo, entusiasmado, do que para o estóico homem à sua frente –... Merlin definitivamente está do nosso lado.
- O que o senhor pretende fazer?
- Procurá-lo, é claro. Na verdade, a missão de toda a Ordem da Fênix, agora, será encontrar o jovem Harry.
- E o que irá fazer quando achar o pirralho? – perguntou com indiferença, a máscara perfeita que havia forjado em todos esses anos como espião. Contudo, sua preocupação era latente para com o filho de sua amada Lily.
- Minha intenção é mostrar ao menino qual o lado correto desta guerra e porque devemos nos sacrificar para o bem maior.
- E se ele não concordar com o senhor?
- Bom, neste caso, meu caro Severus, precisarei usar alguns argumentos mais... – sorriu friamente –... persuasivos, digamos assim.
O professor de Poções se manteve impassível, enquanto seu estômago revirava ao pensar nas atrocidades as quais Dumbledore estaria pensando. Ele esperava apenas que, chegada a hora, pudesse salvar o filho de sua amada e assim, compensar um pouco a tristeza de não ter conseguido salvá-la. Com uma pequena reverência, então, Severus deixou o escritório de Dumbledore e seguiu para as masmorras, seus pensamentos perdidos nos olhos esmeraldas de sua falecida amada e nos mesmos olhos que brilhavam agora no orgulhoso rosto de seu único filho. E por mais que Severus culpasse o Lord das Trevas pela morte de Lily e por esse motivo, tendo se unindo ao bando da luz e servido de espião para Dumbledore, ele jamais deixaria alguém ferir aquele menino. Ele faria o que fosse preciso para proteger não Harry Potter ou Harry Riddle, mas o filho de Lily.
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- Um mês...
- Eu sei, Tom.
- Um maldito mês inteiro!
- De fato – a serpente guardiã do Lord das Trevas murmurou com pesar – Eu me pergunto se o meu pobre filhote está bem.
- É claro que ele não está bem! – grunhiu irritado, batendo a mão na mesa de seu escritório, que havia sido reconstruído com o árduo trabalho dos elfos domésticos – Sabe-se lá Merlin o perigo em que ele se encontra agora, desprotegido, ressentido, longe da sua família!
- Não exagere Tom, eu estou preocupada também, mas tenho plena consciência de que o menino é um Slytherin e, portanto, ele sabe se cuidar.
- Sim, mas a essa altura Dumbledore e sua maldita Ordem podem estar atrás dele.
Nagini suspirou, ou pelo menos o teria feito se as serpentes suspirassem, é claro. Ela estava preocupadíssima com o seu filhote e não menos preocupada com o pai deste, pois Tom parecia a ponto de um ataque de nervos: um sombreado obscuro sob seus olhos vermelhos indicava que há um mês não dispunha de uma noite de sono tranqüila, suas reuniões com os Comensais da Morte eram diária, em busca do paradeiro de Harry, e ao receber apenas relatos negativos, as maldições voavam soltas pela mansão. Cabe apontar, portanto, que absolutamente todos os Comensais se empenhavam em procurar pelo herdeiro do Lord, pois somente a presença de Harry poderia aplacar sua fúria, mas toda e qualquer busca se mostrava infrutífera. E por mais que Nagini nunca fosse admitir isso, ela também estava preocupada com Morgana, que desde então permanecia enrolada no travesseiro de Harry murmurando como ela era uma terrível guardiã.
- Harry sabe se defender, Tom, ele não deixará o velhote maluco pegá-lo.
- É o que eu espero – suspirou, o olhar escarlate se estreitando com o pensamento do seu filho em perigo – Em todo o caso, mandei Severus permanecer em alerta constante a qualquer anomalia dentro da Ordem.
- Sim, é o máximo que pode ser feito agora.
- Isso é tudo minha culpa...
- É claro que é sua culpa – ela concordou simplesmente. E o Lord, por sua vez, arqueou uma sobrancelha, imaginando se Nagini sabia que aquelas não eram as melhores palavras para consolar uma pessoa – Se você tivesse sido sincero com ele desde o começo e não inventado uma rede de mentiras, talvez Harry estivesse aqui agora.
- Nagini...
- Sem contar que matar seus pais foi um exagero, você poderia ter alterado suas memórias ou alguma coisa do tipo, mas é claro, não teria o mesmo efeito monstruoso esperado pelo Lord das Trevas.
- Nagini...
- Você matou seus pais, mentiu para ele por dezessete anos e o manipulou para fazê-lo fiel a você, com certeza se eu fosse o Harry eu nunca mais ia querer olhar na sua cara.
- NAGINI!
- O que?
- Você não está ajudando! – grunhiu irritado, a culpa preenchendo cada partícula do seu ser, os punhos cerrados de ódio e auto-aversão.
- Eu não pretendo ajudá-lo a se livrar da culpa, pelo contrário, eu espero que você se apegue a esta como um estímulo para encontrar o meu filhote e lhe pedir perdão por tudo.
- Ele nunca irá me perdoar.
- Você o ama?
- Você sabe a resposta – replicou friamente. E se as serpentes sorrissem, Nagini estaria fazendo isso agora:
- Então você sabe que não é impossível.
Com um suspiro resignado, Tom jogou a cabeça para trás, apoiando-a no encosto de couro de sua confortável cadeira e cerrou os olhos, deixando seus pensamentos se concentrarem unicamente no bem-estar de seu filho. Quando o encontrasse, ele não o deixaria ir até Harry entender seus motivos e perdoá-lo, enquanto isso, ele poderia apenas se preocupar e pedir à memória de Salazar Slytherin que seu filho estivesse confortável e protegido.
- O que você vai fazer agora?
- Continuar a procurá-lo, é claro.
- Eu estava me referindo à guerra, Tom – contestou com malícia.
- A guerra permanecerá posta de lado, você sabe muito bem que esta não é mais a minha prioridade.
- Sim, eu sei...
De fato, desde o aniversário de dezessete anos de Harry, o Tratado de Paz havia sido abolido e o Mundo Mágico inteiro havia se preparado para uma investida violenta do Lord das Trevas. Contudo, naquele ensolarado 31 de julho, Tom se trancou no quarto de seu filho e permaneceu lá até o final da noite, saindo apenas para se reunir com seus Comensais da Morte e deixar claro que a guerra, naquele momento, fora colocada em segundo plano e que a prioridade de todos era encontrar Harry. Desde então, os poucos ataques que aconteciam era quando buscavam por Harry em cada Vila Mágica ou Muggle da região, ataques estes que aterrorizavam ainda mais o Mundo Mágico, pois este não conseguia mais prever as ações de Voldemort, isto é, um ataque ao Ministério da Magia com o final do Tratado de Paz era esperado e todos já estavam preparados, mas um não-ataque servia apenas para amedrontar cada mago e bruxa da Inglaterra com a incerteza e as infinitas possibilidades de sucumbir ao poder do Lord das Trevas.
Todavia, a preocupação e as energias do Lord das Trevas estavam centradas apenas em uma pessoa agora:
Harry J. Riddle.
Seu único e precioso filho.
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Em Provença, na região sul da França, enquanto isso, três adolescentes se encontravam no escritório da mansão de veraneio de Draco realizando o parecia ser uma verdadeira missão de busca, daquelas que sempre apareciam nos filmes muggles americanos. Cabe apontar que após uma organização especial feita por Dobby sob a orientação impecável de Pansy, o escritório agora dispunha de três escrivaninhas dispostas em cada extremo do aposento, formando uma espécie de U, ao centro se encontrava um mapa flutuante no qual eles haviam marcado todos os lugares em que procuraram por Harry sem sucesso e em cima das escrivaninhas se encontravam dezenas de cartas dos membros da Armada Riddle, aos quais haviam recorrido, mas que também não mostravam sucesso na procura por Harry.
- O que vocês falaram para os seus pais? – Draco perguntou, sentando em sua própria escrivaninha, olhando com desinteresse uma carta de Anthony Goldstein, na qual este afirmava que o mataria se alguma coisa acontecesse ao pequeno Lord.
- A verdade – respondeu Pansy, de pé ao centro do aposento, olhando concentradamente para o mapa flutuante – Disse que não poderia voltar para Hogwarts até achar o Harryzito.
- Foi o que eu disse também – informou Blaise, sentado em sua própria escrivaninha e procurando na pilha de cartas alguma informação útil.
- Tenho certeza de que não vamos perder nada importante.
- Concordo com você, amor – Blaise suspirou e Draco revirou os olhos ao observar o intercâmbio meloso do casal, mas divertido por dentro – Estamos num nível muito mais elevado do que aquele que a escola pode oferecer.
- Sem dúvida. E por sorte, nossos pais pensam assim também.
- Sem contar que o Lord das Trevas deve ter orientado nossos pais a permitirem que permanecêssemos em nossa busca – Draco comentou, estreitando os olhos ao pensar no homem que havia mentido a vida inteira para o seu amado noivo – Afinal, se descobrirmos alguma coisa, ele dará um jeito de obter a informação.
- Com certeza – murmuram os dois.
- Se ao menos pudéssemos usar um feitiço rastreador ou alguma coisa do tipo...
- Infelizmente, Draquinho, nós não temos uma amostra do sangue do Harry e se ele estiver num lugar com poderosos encantamentos de proteção ou até mesmo usando um objeto que o acoberte contra esses tipos de feitiços, seria apenas inútil.
- Eu sei.
- Mas não desanime agora – ela sorriu, piscando-lhe com carinho – nós vamos encontrá-lo.
O herdeiro da fortuna Malfoy, por sua vez, apenas suspirou, lançando um olhar para a fotografia em movimento em cima de sua escrivaninha: ele e Harry, abraçados, sob a sombra de uma das imensas árvores de Hogwarts, um momento mágico que Blaise registrara com a sofisticada câmera-mágica que ganhara de aniversário de sua mãe. Um momento que Draco daria toda a sua fortuna apenas para voltar no tempo e vivê-lo outra vez.
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Anoitecera, e neste momento, Harry e Theodore, que acabavam de voltar de seu encontro com Remus e Sirius, encontravam-se na sala de jantar desfrutando de uma deliciosa refeição elaborada pelos elfos domésticos. A entrada consistira de Salada de Salmão Defumado e agora, como prato principal, eles saboreavam o Peito de Peru com Cebolas Carameladas e Molho de Figos Frescos acompanhado de um suave cálice de Chardonnay. Sem dúvida alguma, a refeição estava divina, mas para decepção de Theo, seu amigo se alimentava mecanicamente com os pensamentos perdidos em algum ponto que o herdeiro da fortuna Nott não sabia ao certo identificar.
- Pronto para a sobremesa? – perguntou com um sorriso e Harry, então, viu-se abruptamente retirado de seus pensamentos:
- O que?
- Está na hora da sobremesa – fez um simples gesto, indicando que ambos já haviam acabado de comer, o que Harry sequer percebera.
- Oh, sim...
Com um estalar de dedos, então, Theo convocou o elfo doméstico que, por sua vez, desapareceu com os pratos usados e no lugar destes, fez surgir nada menos que o doce favorito do pequeno Lord:
- Theo, você não precisava se incomodar – Harry sorriu, observando o elaborado Petit Gâteau à sua frente.
- Ora, não foi incomodo algum, bastou uma simples ordem e voilá. Não é como se eu tivesse cozinhado isto.
- Oh, é claro que não, você no mínimo teria explodido a mansão para tentar fazer os dois bolinhos.
- Não exagere – murmurou, franzindo levemente o cenho – Você também não sabe ferver uma água sequer.
- De fato – concordou e os dois, então, acabaram se desmanchando em risos.
Após o jantar, os dois seguiram para a biblioteca, algo que já se encontrava natural para ambos. Todos os dias, depois do jantar, Harry e Theo seguiam para a biblioteca, onde cada um se perdia numa leitura similar, de ora em ora trocando comentários a respeito do conteúdo lido, e permanecendo Theodore sentado no confortável sofra de couro negro em frente à lareira com Harry deitado no sofá, apoiando a cabeça em seu colo. Theo obviamente não perdia a oportunidade de deslizar seus dedos pelos cabelos bagunçados e incrivelmente macios, por vezes se esquecendo do livro em sua outra mão, perdendo-se no semblante relaxado do menino em seu colo.
Hoje, porém, o herdeiro da fortuna Nott observava que Harry não estava conseguindo se concentrar em sua leitura, permanecendo com seu olhar esmeralda perdido no belo lustre de cristal que pendia do teto. Harry estava pensando, estava avaliando seus próximos passos, e Theo apenas esperava para ouvir a decisão do menor, sabendo que o seguiria de olhos fechados onde quer que fosse preciso.
- Theo... – o pequeno Lord finalmente murmurou, um misto de insegurança e decisão brilhando em seus olhos.
- Sim?
- Eu quero ouvir o que essa profecia diz.
- Entendo.
Aproveitando que o pequeno Lord havia se colocado sentando para encará-lo, Theodore se levantou e seguiu para uma das estantes cheias de livros. Ele observou os títulos por alguns segundos até finalmente encontrar o que procurava: um livro pelo qual, para falar a verdade, ele nunca havia se interessado muito. "As Profecias e o Destino de um Mago – uma leitura para o futuro" era o título do livro. Abrindo na página duzentos e cinco, na qual ele se lembrava de ter lido algo útil a respeito, ele constatou satisfeito que não estava enganado, ali estava a instrução que precisavam:
- "As profecias que envolvem o destino de duas pessoas somente podem ser retiradas do Departamento de Mistérios e ouvidas pelas pessoas às quais se referem. No caso de uma pessoa adquirir a sua esfera da profecia, a outra pessoa envolvida poderá procurar pela sua própria esfera, a qual, provavelmente, ainda se encontrará no Departamento de Mistérios" – leu em voz alta para um curioso Harry que o ouvia atentamente.
- Departamento de Mistérios – Harry murmurou – Nós estivemos lá no quinto ano, quando Dumbledore me fez pensar que ele havia capturado o meu... Digo, o Lord das Trevas.
- Sim, eu me lembro. Você percebe que aqui diz que uma profecia envolvendo duas pessoas sempre origina duas esferas, então se o Lord ouviu uma...
- Isso significa que a outra, a minha esfera, ainda está lá.
- Exato.
- Eu quero buscá-la – afirmou com convicção – Eu quero sabe o que essa vidente de quinta categoria profetizou que acabou tornando a minha vida uma rede de mentiras.
- Eu vou com você.
O pequeno Lord sorriu com carinho para o seu amigo e então, suspirou em seguida:
- Eu não sei exatamente porque, mas eu sinto que preciso ir a um lugar antes, Theo.
- Em qual lugar?
- Onde tudo começou.
Continua...
Próximo Capítulo: - Você está bem?
- Sim – Harry contestou simplesmente – Não estou sentindo nada.
E era verdade. Ele não sentia absolutamente nada.
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N/A: Olá, meus amados leitores! Cá estou eu com mais um capítulo de O Pequeno Lord. Confesso que este capítulo ficou bem curtinho e talvez o próximo também não seja muito comprido, mas o capítulo 39 já será bem maior... Com coisinhas inusitadas acontecendo – sorrisinho malicioso nos lábios – Espero sinceramente que vocês continuem apreciando! E para os fãs de Drarry que, neste exato momento, desejam o cadáver do Theo enfiado num espeto sobre uma fogueira de dor eterna... Hehe... Vocês não precisam se preocupar porque esta história continua sendo Drarry!
Meus sinceros agradecimentos às lindas REVIWES de:
Isys Skeeter... the naru-chan... Ines G. Black... Deh Isaacs... vrriacho... Pandora Beaumont... The Reader... Mila B... sonialeme... e AB Feta!
Um grande beijo para todos vocês!
Em breve, o ÚLTIMO capítulo de Estocolmo estará online.
E ainda, logo, logo, uma NOVA FIC também será apresentada para vocês!
