Olá caros leitores!
Não direi nada sobre esse capítulo que é para não estragar a surpresa.
Boa leitura!
Vário meses depois...
Um lindo dia de outono se fazia nas Terras do Oeste. O céu estava azul e sem nuvens, o que era incomum para aquela época do ano. As árvores já haviam perdido grande parte de suas folhas, que jaziam no chão como um tapete e não havia mais nenhum sinal de flores.
O vento frio soprava nas Terras fazendo com que mais folhas caíssem, os pássaros e outros animais já procuravam abrigo contra o inverno rigoroso que não tardaria a chegar.
No interior do castelo em uma espécie de pátio interno, sentada em uma cadeira a Senhora daquelas terras fazia uma linda tapeçaria e vez ou outra sorria ao observar o filho que ao longe estava envolvido em um treinamento.
Heikou tinha agora oito anos, continuava lindo como quando nasceu, era uma criança inteligente e audaz, não tinha medo de nada. Com o tempo pôde-se perceber que ele herdara muito das características do pai no tocante a personalidade. Heikou era sério e observador, mas a doçura de sua mãe estava presente no modo como ele falava e se expressava e pelo jeito que lidava com as pessoas a sua volta. O menino possuía o mesmo carisma de Rin.
O jovem hanyou recebia treinamento e era educado nos mesmos moldes de Sesshoumaru desde os três anos de idade. Rin relutou um pouco a essa iniciação tão precoce do filho nas artes da batalha, mas Sesshoumaru foi taxativo ao dizer que sua decisão era final e não estava aberta a discussões. Rin discutiu mesmo assim, mas acabou convencida depois de algum tempo de que seu pequenino precisava aprender desde cedo a se defender e a entender como funciona o imenso mundo fora dos limites do castelo. A preocupada mãe concordou com as lições desde que nada fosse feito com exageros, afinal embora fosse herdeiro do mais proeminente clã youkai do Japão, Heikou era apenas uma criança.
Rin o olhava à distância. Ele treinava o uso da katana com o sensei Takuma Nakai, um youkai reconhecido por sua sapiência e habilidade com as armas e as artes marciais. Ele era convocado para atuar na educação dos herdeiros dos mais nobres clãs, transmitindo os mais diversos conhecimentos. Dizia-se que até mesmo Sesshoumaru fora seu pupilo quando criança, antes de percorrer todo o país ao lado do pai.
Logo o treino estava terminado e Heikou veio correndo ao encontro da mãe. Ele trajava um típico kimono de treinamento na cor preta e seus cabelos já crescidos na altura da cintura balançavam ao sabor do vento.
- Hahaue! - Ele chamou ao se aproximar e ajoelhar-se em frente à cadeira onde a mãe estava.
Rin deposita a tapeçaria sobre o colo e estende as mãos levando-as ao rosto do filho.
- Olá meu príncipe! Como foi o seu dia hoje?
- Bom. - Ele disse com a calma comum ao pai. - Eu treinei e aprendi muito com Takuma-sensei.
- Isso é ótimo querido. - A mãe respondeu sorrindo e foi retribuída com um dos belos sorrisos de Heikou.
O nobre youkai Takuma aproxima-se dos dois e faz uma reverência.
- Terminamos por hoje, minha senhora.
- Certo. Obrigada Takuma-san!
- Amanhã nos vemos Heikou-sama. - O youkai disse.
- Hai sensei. - O jovem hanyou confirma balançando a cabeça.
Takuma-sensei vai embora retornando a sua casa que ficava nos limites do castelo.
- Vou me banhar agora hahaue.
- Sim vá e depois coma alguma coisa, é importante se alimentar depois de se exercitar.
- Hai hahaue.
O pequeno levantou-se e caminhou para o interior do castelo, sua ama já o aguardava para ajudá-lo. Heikou subiu as escadas sendo acompanhado por ela que providenciaria seu banho.
Minutos depois Rin já havia entrado e estava sentada em uma das poltronas da magnífica sala tomando chá. Heikou desceu as escadas correndo, o que chamou a atenção da mãe. Ele vestia um quimono azul marinho e branco de tecido nobre e aconchegante por causa do frio.
- Meu filho não corra dessa forma, você pode se machucar.
- Não me machuco hahaue, não sou frágil como uma criança humana.
Rin o olhou com severidade.
- Não você não é, mas ainda assim quero que tenha cuidado. Você não é invulnerável Heikou.
- Sim hahue. - Ele disse baixando os olhos notando o tom de repreensão de sua mãe.
- Venha cá. - Rin o chamou já desmanchando a expressão séria.
O menino atendeu ao chamado e se aproximou da mãe que o envolveu em um caloroso abraço.
- Eu amo muito você meu príncipe.
- Eu também amo a senhora hahaue. - Ele respondeu correspondendo ao abraço.
Heikou era muito ligado à mãe, a amava profundamente. Rin era uma mãe maravilhosa, carinhosa, protetora e amiga do filho, havia cumplicidade entre eles.
- O que acha de darmos um passeio nesta tarde tão bonita? - Ela sugeriu.
- É uma boa idéia.
- Então vamos? - A mãe disse já pegando uma das mãos do pequeno.
Antes de sair Rin disse a um dos servos:
- Avise a Midori que saí para um passeio com Heikou.
- Sim minha senhora.
Os dois saíram pelos portões do castelo em direção a floresta. Ao chegarem, Heikou sempre muito curioso e corajoso, explorava o ambiente que ele tanto gostava sem se afastar muito da mãe como ela mesma recomendara. Ela o observava subir em árvores e mexer com animais, era uma brincadeira divertida para ele.
Em certo momento Rin caminhava despreocupada enquanto Heikou estava sentado em um tronco de árvore examinando curiosamente um louva-deus. Ela ouviu vozes baixas e caminhou na direção de onde elas vinham e o que viu ao chegar lá a deixou transtornada.
Rin não conseguia acreditar no que seus olhos presenciavam naquele momento. Sesshoumaru estava de pé sendo envolvido pelos braços de uma mulher que ela logo a seguir pôde identificar como sendo Kagura. A youkai tocou os lábios de Sesshoumaru com os seus e depois os lambeu de forma sedutora.
A visão de Rin agora era embaçada pelas lágrimas que se formavam em seus olhos, o coração batia tão rapidamente que parecia a ponto de fugir-lhe do peito. Uma dor imensa tomava conta da jovem naquele instante. Ela virou de costas como se não pudesse mais suportar aquela visão, as lágrimas já escapavam dos olhos ainda que ela permanecesse com a expressão endurecida.
Rin enxugou as lágrimas antes de voltar para o local onde o filho se encontrava, queria evitar que ele percebesse algo, mas esqueceu-se dos sentidos apurados do pequeno hanyou.
- Por que hahaue está chorando?
- Não é nada querido. - Ela tentou disfarçar. – É que me lembrei de algo muito triste. Vamos para casa? Já está ficando tarde.
- Vamos. - Heikou deu a mão à mãe que continuou séria e calada durante todo o percurso de volta.
Quando chegou ao castelo Rin ordenou que a serva levasse Heikou a fim de prepará-lo para o jantar e subiu as escadas rapidamente trancando-se logo depois em seus aposentos. Ela encostou-se na porta fechada atrás de si e as lágrimas voltaram a cair dessa vez com mais intensidade. Rin estava atônita, o choque sofrido fazia tremer cada fibra de seu corpo, jamais sentira nada parecido. Um sentimento destrutivo e ruim tomava conta da sempre doce e gentil Senhora do Oeste. Ela olhou para a cama que dividia com o youkai e tudo o que conseguia sentir era ódio, ódio e nojo.
- Traidor... - Ela murmurava cerrando os punhos e apertando os olhos com força enquanto mais lágrimas escorriam por seu rosto.
CONTINUA...
Nada a declarar.
