Nome: Sparks

Autor: Skay Grey

Status: Em andamento

Tipo: Slash

Shipper Principal: Draco/Harry

Censura: NC18 - Imprópria para menores de 18 anos

N/A: ESSE CAPITULO NÃO FOI BETADO!

Sparks

Capitulo - 35

A vários dias Draco não visitava a mansão. Alias, não voltara para lá desde que retornara do chalé com Harry.

Os elfos levaram suas coisas diretamente para a casa do moreno e por alguns dias os dois dividiram a casa de Harry como se tivessem tomado aquela decisão.

A decisão de passar todo o tempo possível juntos.

No final do dia, depois de Draco ter secado suas poucas lagrimas em um lenço, lavado o rosto e fingindo após um longo momento que nada acontecera o expediente finalmente acabou.

Harry o esperou, receoso, sem saber como agir, fingindo não ter percebido as lagrimas impossíveis de Draco.

- Eu preciso ir para mansão, Harry. – Disse Draco, com a voz calma e um sorriso apropriado.

- Tem haver com o que aconteceu hoje não é? Eu estraguei tudo e você não quer ficar perto de mim mais? – Harry perguntou com a voz doce sem esconder o arrependimento por ser tão estúpido.

- Não vou negar que você me assustou mas, eu preciso voltar a mansão, ler minhas correspondências, checar os recados e ver se aconteceu algo de diferente. Se não quiser ficar sozinho em sua casa pode vir comigo. – O loiro ofereceu pegando a valise, trancando o escritório. Como sempre eram os últimos a sair da empresa.

Harry não gostava da idéia de ficar na mansão. Sua casa era de longe mais reconfortante e aquecida de uma forma inexplicável. O moreno não sabia como Draco não havia enlouquecido, morando sozinho no que parecia a Harry o palácio dos horrores.

Se esse era o único jeito de ficar perto do loiro, pois bem, ele o seguiria. Qualquer coisa para não ficar sozinho e nem deixar Draco sozinho.

- Tudo bem, eu vou com você. – Harry sorriu antes de lhe dar um beijo terno nos lábios. Ela ainda esperava que Draco estivesse com "Eu te amo também, Harry!" enroscado em algum ponto entre a campainha e o pomo de adão do loiro mas, talvez Draco só estivesse desconfortável para dizer algo depois de todos os fatos do dia.

Esperaria calmamente - ou o quanto ele conseguisse de paciência - até que Draco Malfoy estivesse pronto para confessar seu amor por ele assim como o moreno teve a coragem de fazê-lo.

Após a tempestade que Harry provocara ambos sentiam a ressaca da briga mas, nenhum deles teria coragem o suficiente para conversar a respeito, não ainda.

Talvez o assunto nunca mais aparecesse, embora Malfoy acreditasse que seria complicado conviver com o moreno se caso Harry viesse a repetir uma cena semelhante, demonstrando um lado seu a qual ele, Draco, não estava preparado para lidar.

- O.k., vamos para mansão então. – Draco concordou, afagando os cabelos de Harry com carinho.

Ambos deixaram a empresa e aparataram, separadamente, nos portões da mansão.

De frente para a imponente residência, Draco desfez os feitiços que impedia os invasores ou os bisbilhoteiros de se aproximarem, caminhando lentamente pela entrada.

Quando adentraram propriamente na mansão que mais parecia um castelo, uma lufada de vento indicava que a casa voltava a ser protegida, automaticamente.

- Idéia dos elfos. – Draco deu de ombros, resfolegando. – Eles sempre reclamam pelos cantos que passo muito tempo fora e que a casa deve ser protegida.

- Bom, acho que nesse caso eles tem razão. – Harry concordou, seguindo Draco para a sala de estar.

- Que eu deveria ficar mais em casa? – O loiro perguntou arqueando as sobrancelhas.

- Não. Que a mansão deve ser protegida. Você tem um patrimônio e tanto aqui. – Concluiu Harry, segurando o braço de Draco como se estivesse em um tour com seu par romântico por um castelo mal assombrado. – Você sabe que habitações desse porte e tão antigas quanto costumam atrair...

- Fantasmas. – Draco acrescentou, sabendo do que Harry estava falando. O loiro continuou conduzindo Harry pelo braço, achando graça do olhar furtivo do outro para todos os lados. – Não se preocupe. Cuidei muito bem para que isso não acontecesse. A casa também é a prova de fantasmas, fadas mordentes, vampiros e bichos papões, mesmo assim nunca fico muito tempo afastado sem checar como andam as coisas por aqui, não posso dar oportunidade para o azar.

- A fortaleza Malfoy parece inabalável. – Harry debochou, dando um daqueles sorriso que aqueciam o coração do loiro.

- Assim como o dono. – Draco replicou, apertando a mão de Harry contra a sua.

Harry sorriu de volta como se concordasse, sabendo que a verdade não era bem essa.

Harry nunca estivera na principal sala de estar da mansão antes. Mesmo por que, para conhecer aquela gigantesca obra arquitetônica por inteiro precisava no mínimo de um mapa ou de um guia turístico.

Draco deixou a valise sobre a poltrona em frente a uma mesa de trabalho ao fundo do aposento. Sobre o tampo, vários livros organizados, abertos em páginas especificas, com marcadores coloridos destacando os pontos de estudo.

No meio da sala, na direção da mesa, sustentando um grande piano preto reluzente de calda, o tapete de pele de urso polar, era o cartão de visitas. Adornos belos e delicados de prata e marfim enfeitavam o ambiente em cantos estratégicos, acrescentando um ar romântico ao local.

De fundo para a mesa, uma grande tela em óleo, que tomava quase toda a parede, destacava três rostos que Harry conhecia muito bem.

Sentado em uma poltrona que mais parecia um trono, a imagem da arrogância, Draco, ainda menino que não sorria. Sua figura era o centro da pintura, em destaque, seu rosto retratado de forma magnifica. Lúcios estava a sua direta de pé, com a mão esquerda sobre o ombro do seu único filho.

Com a mão direta o patriarca segurava firmemente a bengala de cabeça de cobra. Narcisa parecia mais delicada do que nunca na pintura ao lado esquerdo de seu filho, segurando os dedos da mão esquerda de Draco, com suas duas mãos.

Narcisa era a única imagem que sorria levemente. Todos de vestes elegantes, ostentando alguma das jóias mais preciosas da família. O ambiente retratado na pintura, além da família em questão era a sala de estar, Harry percebeu de cara, pois quem fizera a pintura havia caprichado tanto nos detalhes que mais parecia uma foto.

O único fato que Harry estranhou é que a pintura não se mexia.

- Esse quadro foi encomendado pela minha mãe. Foi um presente de Lúcios, aniversário de casamento, eu acho. – Draco explicou, abraçando Harry pelas costas, falando no ouvido do outro, encaixando seu queixo gentilmente próximo ao pescoço do namorado.

O moreno estava tão distraído que não notara que estava de frente para o quadro já algum tempo, contemplando aquela obra de arte incrível.

- E por que ele não se mexe? – Harry quis saber, ainda na mesma posição, confortado pelo calor do corpo de Draco.

- Essa sala era o segundo lugar preferido de Narcisa. Se eu não a encontrasse nas estufas, podia correr para cá que a encontrava. Quase sempre lendo em frente a lareira, na poltrona ou bordando. Tudo aqui tem uma face da personalidade dela. Quando era garoto, depois de ver o quadro, fiz a mesma pergunta que você. Ela me respondeu que a beleza etérea de um único momento deveria ser eternizada com a precisão exata a qual nossos olhos a capitaram. Para ela, rostos e expressões que eram congelados em imagens perfeitas transmitiriam ao longo dos anos ou dos séculos a graça misteriosa dos nossos sentimentos, tornado aquele único instante inalterável para todo sempre. – O loiro explicou, dando um beijo leve perto da orelha de Harry, fazendo o moreno sorrir. – Bem profundo e sentimental para alguém que exercia o papel de sombra da maldade em carne e osso você não acha?

No mesmo instante Harry desfez o sorriso revirado os olhos, movendo a cabeça para o lado, encarando a expressão debochada do loiro.

- Aposto que você passa a maior parte do tempo aqui também, assim como sua mãe fazia. – Harry arriscou. Draco podia não admitir mas por baixo da magoa e dos rancores por não ter recebido amor na quantidade que sempre desejou, havia no loiro uma certa admiração pela essência dos pais.

- Não de todo. Fico bastante no escritório que pertencia a Lúcios. Esse você já conhece. – O loiro o lembrou. – É que a biblioteca de lá é mais completa no sentido de livros de pesquisa para o trabalho. Narcisa gostava de estórias de aventura e romance. Há pouco o que se ler sobre feitiço para desenvolvimento dos meus projetos. Aqueles livros em cima da mesa são os livros que comprei quando fomos visitar o Beco Diagonal depois do escândalo no Profeta. – Draco suspirou desfazendo o abraço, dando um tapinha leve no traseiro de Harry. – Eu venho mais aqui quando quero praticar piano. – o loiro piscou cafajeste.

Harry ficou boquiaberto com essa informação.

- E desde quando você toca? – Perguntou ainda pasmo.

- Desde sempre. Sei tocar piano e quando era pequeno sabia lidar com plantas e bordados também. – Draco soltou uma sonora gargalhada, como se lembrasse de uma piada interna. – Acho que só Lúcios era satisfeito por ter um menino. Quando ele não estava por perto e Narcisa saia um pouco da linha de esposa obediente me ensinava algumas de suas habilidades. A única que meu pai permitia, a contra gosto é claro, é o piano.

- Quero ouvir você tocar. – Harry pediu animadamente.

- Sem chance. – Draco negou com a cabeça.

- Ah, por que não? – Harry argumentou contrariado.

- Não é algo que eu faça na presença... De ninguém. Não tocava nem com Lúcios por perto. As vezes ele escutava ao passar pelo corredor e quando me encontrava horas depois, fazia questão de me dizer que eu não sabia tocar, que era perda de tempo para mim e para a minha mãe insistir nisso, já que na opinião dele, eu não tinha o menor talento para a musica. – O loiro confidenciou, olhando fixo para o retrato, encarando seu pai como se estivesse escutando suas palavras mais uma vez.

- Tenho certeza de que Narcisa apreciava quando você se sentava ao piano para estudar. – O moreno arriscou, na esperança de conseguir ouvir ao menos uma musica ou um trecho se quer.

- Claro que apreciava, eu era seu único aluno! – Draco zombou. – Ela não me diria nada que desmotivasse a minha determinação.

- Vamos fazer assim: eu escuto você tocar. Se não estiver bom eu te falo. Serei o juiz de desempate. – Harry propôs alegremente.

- Eu conheço você Harry James Potter e sei dos seus truques para conseguir o que quer e pode acreditar que não vai funcionar. – O loiro piscou matreiro, entortando os lábios em seguida.

- O.k., então eu vou tocar uma canção e você me assiste. Depois é sua vez. – Draco deu risada do ar infantil do outro mas, não disse nada. Duvidava que Harry tocasse piano.

Lembrando-se das mãos maravilhosas do moreno, ele só via as marcas do trabalho árduo. Nenhum calo ou indicio de horas e horas de treinos exaustivos no piano.

Harry pigarreou ao sentar-se na banqueta, sem levar em consideração os únicos pedais que haviam no piano. Estralou os dedos ao invés de alonga-los, dando certeza para Draco de que ele não tinha idéia do que estava fazendo.

Para se situar, o moreno apertou uma tecla no meio de tantas outras, depois apertou a do lado e consequentemente ao outra, com uma força desnecessária, quando voltou a teclar, apertou mais duas vezes a tecla seguinte antes de dizer.

- Aposto que você adora essa canção. Ela é bem popular. – Draco sentou-se ao seu lado, dividindo a larga banqueta com o moreno.

- Você alguma vez na vida já tocou "do-ré-mi-fá" ou só escutou e achou que sabia tocar? – o loiro perguntou sardônico.

- Eu fiz uma ocarina de pão duro quando era criança. Claro que a afinação estava exclusivamente na minha cabeça, o treco fazia um som horrível e eu tocava quando minha tia me trancava no armário de baixo da escada, para fazer compras. O armário era meu local de dormir. Mas, a alegria durou pouco por que o pão mesmo duro embolorou e eu tive que jogar fora. Eu imaginava que meu "do-ré-mi-fá" saia com perfeição da minha ocarina de pão. – Embora a lembrança fosse muito triste e sinceramente deprimente, Harry sorria de uma forma nostálgica.

Todos os problemas e dessabores que teve em sua infância, se tornaram pequenos depois que descobriu que o mundo bruxo estava em perigo e havia pessoas morrendo por combaterem o mal declaradamente.

Na época em que podia se dar ao luxo de ser criança todos esses assuntos sérios e reais faziam parte de suas brincadeiras solitárias com os brinquedos que improvisava.

- O.k., eu faço qualquer coisa para não tornar esse momento em uma seção de terapia. – O loiro brincou para suavizar o clima, pois as palavras de Harry a respeito de sua infância difícil e cruel faziam o sangue de Draco ferver.

Era sorte que os tios do moreno estivessem sob novas identidades, protegidos do mundo bruxo.

Se não fosse por isso, Draco, mesmo nesse curto espaço de tempo que se afeiçoou a Harry, já teria metido os pés pelas mãos ao encontrar os parentes do moreno para um pequeno acerto de contas.

- Perfeito. Era isso mesmo que eu esperava ouvir. Agora que sei que você fará de tudo para não escutar as minhas histórias de órfão maltratado, então a vida será bem mais fácil para mim. – O moreno replicou sorrindo serenamente, em tom de brincadeira.

Draco o fitou, com os dedos no teclado, já em posição de apresentar-se e por um momento perguntou-se como pode viver sua vida toda, até pouco tempo atrás, sem receber o calor e o brilho daquele sorriso intenso e maravilhoso.

Harry levantou-se vagarosamente, ficando ao lado do piano, encostando no instrumento aguardando ansiosamente que Draco começasse a percorrer seus dedos sobre as teclas, invadindo sua alma com som e sensibilidade.

O loiro ajeitou-se uma vez mais, endireitando sua postura, sentindo os pedais e sem quebrar o contato com Harry pelos olhos começou uma melodia lenta e suave que carregava sentimentos profundos.

Enquanto os dedos do loiro bailavam precisos e graciosos sobre o piano, Harry fechou os olhos, sorrindo, permitindo que a musica o levasse por universos distintos.

Draco bebia sua visão, executando as notas com perfeição, sem cometer se quer um erro, sem danificar uma só vez a elaborada e sensível musica.

Quando a ultima nota ressoou, longa e derradeira o moreno abriu os olhos e viu o rosto de Draco voltado para si da mesma forma como havia começado a melodia.

Harry alargou ainda mais o sorriso permitindo-se um suspiro prazeroso.

- Definitivamente você tem alma de artista. Se tivesse insistido na carreira seria sem duvida bem sucedido.- O moreno comentou, orgulhoso da habilidade de Draco, contente por dividir mais um momento especial com o loiro.

- Eu também faço esculturas e pinturas. É um modo de relaxar sem comprometer a integridade física de ninguém. Mas, ultimamente não tenho tempo nem para respirar direito. – Draco revelou, reflexivo.

Após o colapso que teve, passou os dias em casa se dedicando a esses hobbies. Não obteve nenhum resultado concreto de suas obras, arte demandava mais tempo para ser finalizada do que seus projetos profissionais demasiadamente elaborados.

- Eu quero ver tudo isso. – Harry pediu arrebatado por conhecer uma face de Draco que ele nem sabia que existia.

- Quem sabe um dia? – O loiro brincou. – Teremos muito tempo para apreciarmos as qualidades e os dons um do outro.

- E eu me achava um artista! – disse Harry desencostando do piano, passando uma das pernas pelo corpo do loiro, montando sobre o colo de Draco.

- E qual é o seu talento? – Inquiriu Draco, passando os braços pela cintura de Harry, excitado com a posição do moreno.

- Sei tomar suco pelo nariz! – Draco gargalhou em três oitavas e o som que saia de sua boca era sem duvida a melhor das melodias para o moreno.

- Não pense que é fácil. Um errinho e você pode engasgar-se seriamente. Ron que me ensinou. Meio que faz parte da cultura dos idiotas como ele mesmo diz. – Automaticamente Harry afagava a nuca de Draco por baixo dos longos cabelos loiros, enquanto trocavam estranhas confidencias.

- Mesmo sendo nojento, eu prometo que mostro um bordado meu que guardei se você conseguir tomar refrigerante pelo nariz! – Draco zombou, alisando delicadamente as costas de Harry, correspondendo as caricias do moreno.

Empolgado com a nova perspectiva Harry remexeu-se no colo do loiro, se encaixando melhor.

Draco gemeu instantaneamente, fechando os olhos, como se tivesse vislumbrado o paraíso por um segundo, inclinando levemente a cabeça para trás, o rosto para o alto, apertando com mais intensidade os músculos das costas de Harry.

- Você como excelente artista que é produz sons maravilhosos. – O moreno brincou, apertando-se ainda mais ao corpo do loiro, inclinando sua boca na direção da garganta alva de Draco. – Gemer desse jeito me faz acreditar nisso. – Concluiu o moreno, lambendo subtilmente a pele do outro.

- Posso compor uma melodia inteira dessa forma. – O loiro resfolegou satisfeito, sentindo os lábios de Harry roçando sua pele, enquanto a língua do moreno o levava as alturas. – Claro que vai depender da vontade do instrumentista.

- Então prepare-se para alcançar as notas mais altas. – Harry murmurou, tomando a boca de Draco, puxando seu rosto com as mãos.

O mundo voltava a ser colorido quando Harry estava em seus braços, confiante e entregue, parecendo feliz, Draco refletiu brevemente.

Todas as preocupações e as angustiam sumiam no ar em uma velocidade impressionante quando sua boca explorava a boca do moreno, lenta e ternamente.

Depois de se envolver com Harry beijos calmos passaram a ter outro significado, outro sabor.

Era como provar o inusitado vagarosamente, explorando cada mínima sensação, apreciando ao máximo todas elas.

Draco curvou o corpo para frente, fazendo Harry recostar-se no teclado do piano.

O som que o movimento produziu fez o moreno sorrir entre o beijo e deslizar suas mãos para dentro das vestes de Draco pela abertura frontal da roupa.

Tocar em Draco era uma necessidade tão urgente quanto respirar. Não importava quantas vezes o fizesse, ele precisava estar sempre em contato direto com a temperatura do corpo do loiro para convencer-se de que não estava sonhando, que finalmente sua alegria era real.

O beijo calmo que trocavam evoluíra rapidamente, ganhando intensidade e mais profundidade prometendo algo mais, infelizmente Draco e Harry ouviram três batidas fortes mais educadas na porta que inegavelmente havia quebrado a concentração de ambos.

Harry se afastou buscando por ar, ajeitando a gola das vestes, levantando-se.

Draco olhou com ódio mortal de onde o som havia surgido e mesmo que estivesse com os cabelos um pouco alvoroçados e as vestes abertas até o abdômen , o loiro ordenou, com a voz notoriamente severa, para que Agron entrasse.

- Desculpe senhor Malfoy. – O elfo olhou de Harry para Draco, achando o clima suspeito, mas para não ser impertinente e ter que se punir depois a criatura voltou seu rosto para o olhar perigoso do loiro. – Agron tem recados amo, muitos recados. – O elfo fez uma reverencia grandiosa, demonstrando o máximo de subserviência, enquanto o loiro só anuiu secamente com um meneio de cabeça.

Discretamente Harry caminhou até o sofá maior, pois não queria sentar na poltrona que fora a favorita de Narcisa.

Talvez Draco não ligasse mas, era um modo de não suscitar a memória frágil que o loiro tinha de sua família.

Enquanto Agron falava com exatidão todos os recados para o amo, Harry encarava o fogo, lembrando-se de todas as horas do seu dia que se passou até então.

Ao lembrar-se da gaveta e da história que se seguiu sentiu um desconforto terrível por ter invadido a privacidade de Draco ao mesmo tempo que a sensação de conspiração não havia o abandonado.

Afinal, Draco não lhe disse quem era a mulher do cartão, fazendo o moreno imaginar não só quem seria mas o que a tal moça ou mulher representava na vida do loiro.

Draco sempre fora uma imagem tão solitária quanto Harry mas, se o moreno que era mundialmente famoso, estando sempre em evidencia, conseguia esconder alguns segredos, o loiro também deveria ter o seus.

Para Harry, o perigo morava exatamente ai...

- Oh céus! – Draco exclamou alto interrompendo os pensamentos de Harry. – De quando é esse recado Agron? Como era essa pessoa? Eu quero os detalhes AGORA!

- Agron não sabe senhor, não foi Agron que atendeu. Agron estava servindo o amo no chalé. Shandow é quem recebeu a visita amo. – O elfo resmungou medrosamente. Harry nunca o tinha visto tão abalado. Agron que parecia velho e assustador, tremia como um bicho encurralado, prestes a ser devorado. – Se o amor quiser, Agron pode abrir a cabeça de Shandow com um martelo para puni-lo por não ter contado a Agron como era a visita amo, Agron também pode se punir por não saber servir o amo direito.

Draco apertou os olhos por um instante, abriu a boca para soltar uma série incrível de palavrões mas, só o que fez foi tomar fôlego e baixar o volume de sua voz.

- Eu não estou furioso Agron. Eu o proíbo de fazer qualquer mal a você e a Shamdow, ficou claro? – Falando pausadamente Draco suspirou de novo ao ver o elfo balançar a cabeçona cadenciadamente para o loiro. – E você não pode ordenar que outros elfos punam você e Shandow! Eu te proíbo disso também.

Agron parecia dividido entre a indignação e o alivio. O elfo ainda tremia, como se tivesse no ápice de uma ataque de nervos mesmo assim ele obedeceria as ordens de Draco com todo o rigor.

- Muito bem. Agora, onde esta Shandow? – Perguntou o loiro mais controlado.

- Na biblioteca principal senhor, devo chama-lo? – Agron perguntou respeitoso.

- Não. – Draco lançou uma olhadela rápida na direção do moreno que assistia calado toda a cena. – Eu vou encontra-lo. Quero que você vá até o endereço indicado e traga essa pessoa para jantar aqui hoje as, - Draco verificou seu relógio, vendo por sua visão periférica o olhar macabro de Harry sobre si. – 21:00. Peça para Charlot preparar o jantar para três.

Agron assentiu e Draco o liberou em seguida.

Por um momento o loiro achou que Harry ficaria curioso em saber mas não sabia que teria que lidar com mais uma crise emocional naquele instante.

O moreno virou-se para frente, encarando o fogo, enquanto Draco se aproximava.

- Mais uma? – Harry perguntou ácido quando o loiro sentou-se ao seu lado para explicar do que se tratava.

Mas dessa vez Draco não deixaria a situação correr por si.

- Não começa, Harry. – O loiro revidou, pronunciando as palavras com mais energia do que gostaria.

O moreno virou o rosto fitando Draco com os olhos brilhantes, em um misto de raiva e desconfiança.

- Não é mais uma então? É a tal do cartão? – Inquiriu ele.

- Não, não é a pessoa do cartão se isso te preocupa, embora não devesse. – O loiro replicou sério. – Mas se for quem eu estou pensando, o assunto é bastante delicado. – Sem a menor paciência Draco levantou-se, para deixar a sala a passos decididos.

- A onde você vai? – Harry quis saber com a voz carregada de incerteza.

- Falar com Shandow. – O moreno fez menção de levantar-se, mas Draco ergueu a mão bruscamente em sua direção. – Me espere aqui, por favor, não tem a mínima necessidade de você me seguir o tempo todo para vigiar o que estou fazendo. – Harry abriu a boca para debater o argumento de Draco mas, o loiro não lhe deu tempo. – Quando voltar conversamos direito, até lá espero que você se acalme e não crie uma cena ou ao menos espere eu falar para tirar suas conclusões.

Como uma criança birrenta Harry deixou-se afundar novamente no sofá. Seu sangue fervia.

Simplesmente fervia!

Sendo bem sincero consigo ele não tinha nem por que estar bravo. Draco tinha absoluta razão.

Era no mínimo vergonhoso ficar seguindo o loiro para todo o canto com medo de que Draco fosse fazer ou falar o que não devia, e o que seria "o não devia" era mais que subjetivo na visão de Harry.

Além do mas, nenhum deles era mais uma criança. Harry sabia que deveria confiar em Draco como aparentemente Draco confiava nele, mas perdia completamente o foco desde que voltara de viagem com o loiro.

A todo momento ele se preocupava se o que tinha começado com Malfoy não era simplesmente um curto romance e daí foi fácil começar a se questionar sobre outros aspectos.

Quanto mais envolvido o loiro estava com ele, mas incertezas Harry criava em sua cabeça.

De algum modo seu subconsciente estava determinado a descobrir que Draco acharia graça no relacionamento dos dois por pouco tempo e depois de tudo, o loiro o largaria sem mais nem menos como fez com Alley e muitas outras pessoas.

Por mais que Draco estivesse a todo custo, provando por ações que não tinha a menor intenção de deixa-lo, Harry não conseguia ficar parado e confiar.

Assim, toda vez que se sentia ameaçado, botava tudo a perder com sua grande boca grande e seus pensamentos alienados.

Embora na idéia de Harry eles não estivessem oficialmente namorando, o moreno estava possessivamente ligado a Draco e mesmo que não conseguisse impedir, na sua opinião isso não era nada saudável nem para o loiro, nem para o próprio Harry muito menos para a relação deles.

- Voltou rápido. – Harry murmurou contido.

- Podemos conversar normalmente ou você estava avaliando se deve ou não quebrar a minha sala de estar enquanto me insulta ou me acusa? – Se tinha algo que o moreno aprendera durante o pouco tempo que estava convivendo com Draco é que nenhuma situação ficava suspensa por muito tempo com o loiro por perto. Da melhor ou pior maneira Draco sempre encontrava um jeito de resolver.

- Ficarei calado se você estiver disposto a me contar o que significa tudo isso. – Harry suspirou tentando se acalmar. – Você não tem obrigação nenhuma é lógico, mas seria muito bom se dividisse as coisas comigo. Digo todas as coisas, não só as que você acha que tem importância.

Draco esfregou os olhos cansado. Depois de falar com Shandow e confirmar suas suspeitas ele se preparou intimamente para colocar os pingos nos "is" com Harry.

Se o moreno estivesse mesmo com a intenção de brigar, que fosse, Draco também estaria.

Por mais apaixonado que estivesse, - e para si Draco ainda tinha dificuldade de admitir esse pensamento. – Harry não poderia fazer e falar o que bem quisesse sem arcar com as conseqüências também.

- Espero que você tenha o mesmo senso de justiça que eu ao ouvir o que eu tenho para falar. – Draco começou, escolhendo cuidadosamente as palavras, deixando de lado pelo menos um instante a estranha obsessão de Harry em se manter a par de todos os seus assuntos a cada segundo.

- Depende. – Harry o avaliou com a mesma cautela. – Você esta encrencado?

- Não mas, posso ficar. Isso depende de como você vai interpretar a situação. – Não adiantava conversar em códigos, dando voltas no assunto, mas Draco não podia ir direto ao ponto sem ter certeza de que Harry fosse se precipitar de alguma maneira e prejudicar o seu segredo e conseguinte a pessoa envolvida.

- Eu adoro enigmas mas não acho que seja uma boa hora para brincar disso. A menos que você tenha premeditado um assassinato e acabara de marca-lo para as 21:00 eu não vou fazer nada para impedi-lo ou prejudica-lo. Eu prometo. Então vamos acabar logo com isso. Pode me contar! Sou todo ouvidos! – Draco sorriu e Harry tentou não fazer o mesmo, mas, só tentou. Sem resistir o moreno sorriu de volta em cumplicidade embora estivesse visivelmente tenso em concordar com algo que não tinha a menor idéia do que fosse.

- Bem, já que você deu a sua palavra, - Draco continuou ainda cuidadoso com o que dizia, retomando seu tom sério. - eu não tenho por que esconder nada. A muito tempo atrás... Na verdade, alguns anos, uma pessoa que estimo muito precisou da minha ajuda para sumir por motivos que sei que são injustos. Eu ajudei, óbvio, mas aos olhos da lei meu ato não pareceria tão nobre. Com o passar do tempo, essa pessoa, que era procurada ou é, não sei mais dizer, foi dada como morta mas, esse é um dos problemas. Ela não esta morta e segundo um de meus elfos domésticos ela esteve aqui para falar comigo.

- Meu Merlin, Draco. – Harry exclamou visivelmente preocupado, quase voltando atrás em sua palavra. – Se essa pessoa estava sob investigação criminal você não deveria acoberta-la em uma fuga! – O moreno reclamou sem medir as palavras. – Não deveria tê-la ajudado nem por um dia, que dirá por anos! Nem preciso lhe dizer que isso lhe confere o status de cúmplice não é?

- Harry James Potter, você acabou de prometer! Vai ou não vai me ouvir? – Draco sibilou a ameaça estreitando os olhos enquanto levantava o dedo acusadoramente na direção do moreno.

Parecia a Draco a única forma de conter Harry. O ameaçando.

- Certo. Me desculpe. – Harry murmurou se contraindo no sofá com a sombra dos olhos perigosos de Draco sobre si.

O loiro anuiu satisfatoriamente ao ver Harry recuar, então voltou a falar.

- Tenho certeza absoluta de que essa pessoa não cometeu crime algum, esse é um dos motivos pelo qual eu a ajudei.

- E? – Harry perguntou incapaz de ficar de boca quieta.

- É uma pessoa inocente que merecia minha ajuda e eu não hesitei. Além disso, as coisas poderiam se complicar por A mais B, por que você conhece o ministério e sabe mais do que qualquer um como eles estavam ávidos por resultados, injustos ou não, na época de Voldemort. Eles fariam qualquer coisa para colocar as mãos no maior numero de pessoas suspeitas sob qualquer circunstancia. Se quem eu ajudei fosse parar na cadeia, mesmo sendo inocente a culpa também seria minha por não impedir. Eu jamais infligiria uma dor dessas a... – Draco vacilou por um momento antes de completar, odiando ter que remoer e explicar o passado, ainda mais quando envolvida particularidades que não deveriam ser expostas. – Pansy. – Concluiu.

- O que? Pansy Vallery¹ Parkinson estava viva? – Harry questionou incrédulo.

- Sim. – O loiro respondeu simplesmente, esperando o momento de perplexidade do moreno passar. – E se tudo correr como espero vira jantar conosco hoje.

Por um momento Harry pensou que Draco fosse alargar os lábios para depois começar a gargalhar, explicando que havia pregado uma peça no moreno. No entanto Draco o encarava de forma analítica estudando cuidadosamente cada uma das reações de Harry para averiguar como o moreno se comportaria.

- Céus fazem muitos anos que ela foi dada como morta e mais ainda que fora acusada. Acho que ninguém nem mais procura por ela e se procura não tem a menor esperança de encontra-la. Se ela não teve mesmo nada haver com o crime que fora acusada por que não ficou e enfrentou a situação? – Ao perceber que Draco não diria mais nada a respeito do assunto até que encontrasse a própria Pansy Harry continuou. – Será que Pansy voltou para tentar se defender? Apresentar-se no ministério já seria uma boa idéia.

- Sinceramente eu duvido. – O loiro contrapôs, levantando-se, caminhando em direção a pintura no fundo da sala. Prostrado diante de seu próprio retrato de família Draco tinha plena certeza que fizera a coisa certa ao acobertar a morena em sua fuga. Protege-a como e o quanto pode, até onde pode e vinha protegendo esse segredo até ser forçado revela-lo para Harry naquele instante.

Depois de tantos anos, toda vez que lembrava-se ou pensava em Pansy, Draco havia como aquela garotinha de olhar curioso e maravilhoso que por fora era uma ninfa diabólica, escondendo do mundo a personalidade doce e frágil ao mesmo tempo firme e ácida que tornava Pansy fascinante ao mesmo tempo agridoce.

Tiveram lá seu envolvimento - mais curiosidade sexual do que outra coisa – mas naquele momento, com os olhos maduros de quem vê com clareza todo o passado e o presente, Draco só conseguia enxerga-la como sua família. Sua irmã mais nova, a irmã que Narcisa não lhe ofertou ao longo dos anos.

- Você esta preocupado com ela não esta? – Dessa vez era Harry quem o abraçava pelas costas, beijando suavemente seu pescoço, fazendo um carinho terno em seu peito.

- As vezes, - O loiro começou. – raramente para ser sincero, nos correspondemos por carta. A volta de Pansy a Londres em si não me preocupa. O que me preocupa são os motivos pelos quais ela decidiu voltar.

- Deve ser algo de bom. – Harry tentou encorajar Draco, se colocando na frente do loiro, dando-lhe um abraço confortante enquanto afagava os longos cabelos dourados que tanto amava.

O moreno não estava nem um pouco contente por Pansy Parkison praticamente ter retornar do mundo dos mortos mas, se era importante para Draco também teria de ser para ele.

- Tomara, - Draco suspirou cansado. – Tomara...


- Certo, obrigado senhor. – Ron deixou a livraria trouxa preferida de Hermione com o que julgava ser más noticias.

Enquanto voltava ao ministério seus pensamentos pareciam embaralhados. Fora a todos os lugares preferidos da morena. Os lugares a onde ela freqüentava a nos pelo menos e todas as pessoas que a conheciam de vista não haviam notado nada de diferente no comportamento de Hermione. O que lhe tirava o sossego.

Sem resultados concretos o enigma crescia em torno de Hermione enquanto o coração de Ron parecia cada vez menor.

Que rumo terrível seu destino havia escolhido. Logo quando pensava em se estabelecer de verdade o que significava, propor casamento a Hermione, não simplesmente dividir o aluguel com ela como uma simples colega de quarto os dois estavam mais distantes do que nunca, como se estivessem em planetas diferentes no mesmo universo.

Mas, Ron mal sabia que seu destino ainda não havia escolhido de verdade o que aconteceria com ele, o deixando seguir por caminhos que seriam no mínimo inusitados até que tudo voltasse a fazer sentido novamente.


N/A: Mil desculpas, não consigo mudar a formatação da fic de jeito nenhum pessoal, por isso tudo parece sempre muito junto! Se alguém souber como faz isso de modo prático e eficaz e quiser me dizer, fico grata, pois já tentei alterar e não vai.

N/A¹: Então, coloquei o Vallery no meio do nome da Pansy Parkison, realizando um gosto pessoal totalmente meu! Kkkkkkkkk... Essa mocinha vai aparecer na fic com tudo! Espero que gostem!