Disclaimer: Twilight não me pertence, mas sim a Stephenie Meyer. Stop Drop and Roll também não, a história pertence à Bronze. Mas a tradução é minha! E lembrem-se, plágio é crime!

Oi flores,

Sim, eu sei que prometi o capítulo para a sexta, mas a culpa foi do Fanfiction que deu erro e não quis me deixar postar de jeito nenhum!


EPOV

Minha mandíbula parecia fixa em uma constante careta enquanto observava Bella tateando pela cozinha, abrindo e fechando gavetas em busca do abridor de latas. Eu cruzei meus braços, fazendo uma carranca, em meu canto no sofá, onde tinha estado empoleirado na última semana.

"Edward?" Eu a ouvi chamar, da despensa. Eu elevei uma sobrancelha, mostrando que estava prestando atenção, embora ela não pudesse me ver. "Edward, a lâmpada está queimada."

Eu apertei meus dentes. "E o que você gostaria que eu fizesse a respeito?"

Eu a ouvi xingar. "Pegue a merda de uma lâmpada, venha até aqui e troque isso."

Aquilo foi dito como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Eu parei, esperando que ela se desse conta do que acabara de dizer.

O silêncio tomou o cômodo e ela pareceu perceber o que dissera antes que eu soltasse outro comentário sarcástico. Eu mordi minha língua, esperando que ela falasse novamente.

"Eu sinto muito, Edward." Ela disse baixinho, surgindo na porta. "Eu não estava pensando."

A careta aprofundou. "Há lâmpadas incandescentes novas debaixo da pia", falei, me sentindo extremamente fraco e cansado de repente. Eu me deitei contra os travesseiros, fechando os olhos. "Você terá que trocar por você mesma. Eu sinto muito."

Eu a ouvi caminhar de volta, as portas se abrindo enquanto ela procurava onde eu tinha falado. Eu massageei minhas têmporas, pedindo que minha intensa dor de cabeça desaparecesse, mas depois de uma hora e dois Advil, ela parecia ainda pior.
Eu tentei me acalmar cantarolando melodias insignificantes até que Bella voltou com uma bandeja precariamente equilibrada nas mãos.

"Eu achei que você pudesse estar com fome", ela disse, com as bochechas ainda vermelhas por sua frase anterior.

Eu acenei com a cabeça, acenando para que ela se aproximasse. Ela estava de pé timidamente enquanto colocava a bandeja em meu colo.

"Eu sinto muito, eu deveria lhe ter perguntado se você queria sopa de tomate; se você não quiser eu..."

Eu cortei o que teria sido cinco minutos de Bella se desculpando. "Por favor não faça isso", eu disse. "Sopa de tomate está ótimo. Obrigado."

Ela acenou com a cabeça timidamente antes de se retirar de volta para a cozinha, resmungando algo sobre louças e me deixando só. Eu suspirei, apanhando a colher e mexendo a sopa fervente, inseguro sobre como consertar algo que eu tinha quebrado tão terrivelmente.

Completos estranhos poderiam apontar o quão drasticamente nosso relacionamento tinha mudado. Bella já não era leve, despreocupada e… minha. Ela parecia ter envelhecido, seu corpo sempre caído de exaustão, as manchas escuras sob os olhos devido ao pouco sono. Apesar de minhas súplicas ela continuava a ficar acordada comigo até altas horas da noite, minha dor quase esmagadora sem seu toque. E ela sabia disto. Ela corria os dedos por meu cabelo, cantarolando sua canção de ninar, me acalmando, mas a culpa que eu sentia quando via o quão cansada ela estava pela manhã era arrasadora. Eu podia controlar a dor, mas ela precisava descansar.

Desde que eu saíra do hospital, ela me tratava como se o mais leve dos toques fosse me quebrar. Ela apenas massageava meus ombros ou passava a mão pelos meus cabelos, mas qualquer outra coisa parecia estar fora dos limites para ela. Eu a tinha agarrado duas vezes, mas ainda assim ela parecia rígida e reservada, como se estivesse com medo de me machucar, apesar de eu garantir que estava bem.

Eu tomei algumas colheradas da sopa enquanto ponderava sobre o que poderia fazer. Era como se minha recuperação fosse a única coisa que me devolveria Bella todas as noites, mas ainda assim eu não estava certo que ela agiria como ela mesma ou se haveria alguma barreira entre a gente.

Eu podia ver em seus olhos o quanto o acidente a havia assustado; ela pulava sempre que o telefone tocava e quando sirenes soavam, tarde da noite, eu podia ouvi-la chorar, o rosto abafado pelo travesseiro para que eu não ouvisse. Mas eu sempre ouvia.

Assim que ela dormia, por aquelas raras e poucas horas, eu podia ver seu rosto, pálido, manchado pelas lágrimas, seu semblante retorcido em dor, enquanto ela se mexia entre o lençol. Embora ela nunca falasse diretamente comigo sobre os pesadelos, seu hábito de falar dormindo o fazia. Ela gritava meu nome, apertando o lençol entre os punhos, enroscando as pernas e se virando na minha direção. Era nesse momento que eu podia abraçá-la sem rigidez, sem preocupações. Éramos apenas Bella e eu, como sempre deveria ser.

"Não está bom?"

Eu pisquei, percebendo que a sopa estava praticamente intacta e fria. Bella parou à minha frente, as mãos na cintura, obviamente irritada, mas se olhar vazio tornava difícil encará-la.

"Está ", eu disse, não soando de todo tranqüilizador. "Eu apenas não estou com muita fome."

Ela suspirou, machucada. "Tudo bem então", disse, me dando um sorriso fraco. "Eu posso fazer alguma outra coisa mais tarde."

Eu odiava esse jeito que ela sentia como se tivesse que estar sempre pensando ao meu redor, embora eu soubesse que havia uma boa razão por trás. Eu normalmente deixava que pequenas coisas me tirassem do sério e Bella acabava recebendo toda a minha raiva. Ela não merecia isso.

Eu queria a minha Bella desafiante e forte de volta. Aquela que tinha me dado um tapa na cara e me feito perceber como deixar alguma daquela culpa que eu tinha acumulado por oito anos ir embora. A que não tinha nenhum medo de falar comigo e sonhava em se tornar uma escritora. Embora ela tivesse aceitado o estágio, eu não a tinha visto tocar no computador uma única vez sequer. Eu sentia falta do modo como ela sentava sobre suas pernas, um lápis enrolado no cabelo enquanto encarava a tela, os dedos batendo incrivelmente rápido nas teclas, embora aquela velocidade não fosse o suficiente para acompanhar seu raciocício.

Eu odiava o fato de que era a razão por ela ser apenas uma casca daquela Bella que eu tanto amava, mas desprezava ainda mais o fato de que eu estava completamente e totalmente impotente para fazer qualquer coisa sobre isso.

"Você precisa de mais alguma coisa?" ela perguntou, parecendo a enfermeira persistente que cuidava de mim enquanto eu estivera no hospital. Eu acenei com a cabeça, empurrando os livros e jornais que estavam empilhados no sofá, abrindo espaço. "Certo", ela disse, tentando abafar um bocejo enquanto esperava por minha resposta.

Eu senti meu coração quebrar ao me dar conta de sua aparência, sabendo que ela precisava parar. Aquilo não era saudável para ela e o fato dela praticamente se matar para que eu me recuperasse, não ia fazer isso acontecer mais rápido.

Eu ofereci meus braços, a encarando diretamente. "Você", disse suavemente, ignorando a dor aguda em meus pulmões devido ao movimento. "Vem aqui."

O pedido era suave, a dando uma opção, mas felizmente ela o atendeu. Ela parecia apreensiva enquanto se sentava na ponta do sofá, as mãos apertadas uma na outra, enquanto brincava com o anel.

"O que eu posso fazer?"

Eu balancei minha cabeça. "Você não entende", disse, tentando brincar com ela enquanto me aproximava, acariciando sua bochecha com o meu polegar. "Eu a quero aqui comigo. Apenas isto."

"Edward", ela repreendeu, carranqueando. "Você precisa descansar."

Eu a encarei seriamente. "Você também." rebati. "Olhe para você, Bella."

Eu apontei para o grande espelho em frente a parede do piano. Suavemente inclinei sua cabeça para que ela encarasse diretamente sua imagem, embora sua expressão fosse insensível e estóica.

"O que é que tem?" ela perguntou secamente. Eu virei seu rosto de volta para mim, meus dedos traçando a linha do seu rosto, até minhas mãos estarem acomodadas em seu pescoço.

"Isto não é saudável, amor", eu disse, tentando ao máximo me manter calmo. "Você ficar doente não vai ajudar. Você precisa cuidar de você."

Ela negou com a cabeça. "Eu estou bem."

Eu a forcei a olhar mais uma vez no espelho. "Isto", disse, apontando para as manchas sob seus olhos, "não é nada bem. Prometa para mim que você irá dormir um pouco mais." Eu pedi. "Por favor."

Ela suspirou. "Descanse", comandou quietamente. "Eu vou buscar seus medicamentos."

Eu esperei em silêncio ela voltar com os numerosos comprimidos, ignorando meu olhar de repulsa. "Tome-os", ela encorajou, me dando um copo de água. Eu os engoli tão depressa quanto pude antes de alcançá-la uma vez mais, apertando suas mãos.

"Fique comigo", eu disse, o desespero claro em minha voz. "Eu preciso de você comigo."

Depois de alguns minutos de silêncio agonizante ela concordou, se aconchegando cuidadosamente contra mim. Sua cabeça descansou em meu ombro, mas seus braços permaneceram duros ao seu lado. Eu ri, os pegando e os passando pelo meu torso.

"Edward, eu não quero machucá-lo" ela disse suavemente, os voltando para a posição inicial. Eu os puxei uma vez mais, balançando minha cabeça em discordância.

"Você nunca poderia me ferir, Bella. Eu apenas..." Minha voz falhou levemente. "Eu preciso te sentir perto de mim."

Ela suspirou em derrota enquanto descansava contra mim, o corpo mais relaxado que antes. Eu sorri contente quando ela beijou meu ombro suavemente, passando o rosto ao longo do meu pescoço.

"Eu te amo, Bella", eu a lembrei. Eu sabia que não tinha dito aquilo o bastante nas últimas semanas e ela merecia ouvir. "Você sabe disso, certo?"

Ela deixou sair um riso cansado. "Sim", murmurou em resposta, abafando um bocejo. "Eu também te amo."

Eu inalei de modo trêmulo, a segurando mais próxima de mim, como se tivesse medo que ela desaparecesse a qualquer segundo. Embora ela parecesse bem de estar ali comigo, havia um quê de hesitação em seu toque, algo que me fazia querer saber o que ela estava pensando e como eu poderia ajudar.

Eu me permiti dormir, me sentindo completamente contente pela primeira vez em dias, segurando Bella firmemente em meus braços. Eu não queria deixá-la ir, nunca. Mas ao olhar para baixo, o olhar assustado em sua face me causou uma dor sufocante por ser o causador daquilo.

Eu dormi um sono sem sonhos. Meu único pensamento estava em como eu poderia reparar minha Bella.

Eu odiava estar confinado naquele apartamento. Eu era um pouco recluso, de qualquer forma, mas o fato de estar preso a uma cama, devido ao gesso e as ataduras era enlouquecedor. Eu tinha lido cada novo livro que Bella me trouxera da livraria, checado meu e-mail mais vezes do que necessários e jogado seis partidas de paciência, sem conseguir ganhar nenhuma delas.

Emmett seguia me atualizando sobre os acontecimentos do batalhão, mas pelo que eu tinha ouvido, as coisas andavam consideravelmente paradas depois do acidente. Alguns novos bombeiros tinham sido admitidos, mas eles não eram exatamente necessários. Emmett ainda estava de licença, mas tinha ido ver o Chefe algumas vezes, sempre ouvindo que nós dois devíamos continuar afastados por um tempo considerável.

Aquele pensamento me frustrava. Tudo o que eu queria era me esquecer de tudo aquilo. Voltar a trabalhar, estar com Bella e ter tudo dentro da normalidade novamente. Confinado dentro do apartamento eu era bombardeado constantemente com as lembranças, os sentimentos, as emoções... elas me seguiam como sombras, nunca cedendo, nunca me dando um tempo para me reerguer. Eu estava constantemente sob uma nuvem negra, sem escapatória.

Eu tentei fechar meus olhos novamente. Eu havia descoberto que dormir levava alguma idéia embora, mas por outro lado, a idéia de sonhar me assustava. Sem Bella por perto, era certo que eu cairia em algum pesadelo. Eu podia sentir o fogo queimando minha pele e a fumaça preenchendo meus pulmões. Eu podia sentir o peso das vigas caindo e os gritos de Emmett ecoando em minha mente.
Era uma prisão; um inferno fervente do qual eu não conseguia escapar.

O silêncio reverberou pelas paredes, tornando o fato de que eu estava só ainda mais proeminente. Eu estirei os braços acima da cabeça, antes de pegar o controle remoto, zapeando por todos os canais.

Depois de muita conversa eu consegui, finalmente, convencer Bella a voltar para a faculdade e estava começando a me arrepender da decisão. Eu a queria aqui comigo, mas ainda assim, sua educação era mais importante. Ela tinha que assistir as aula e o tempo que ela estava gastando com os meus cuidados estava impactando em suas notas.

Eu apertei meus dentes, apertando a ponta do nariz enquanto pensava em seu estágio, em maio. Depois de ligar para Victória e aceitar a oferta, ela finalmente deixou sua animação brilhar sobre sua aparente indiferença e eu pude ver o quão verdadeiramente emocionada ela estava. Quando ela achava que eu estava dormindo, eu podia vê-la sentada com seu rascunho, uma caneta vermelha em mãos, passando horas marcando várias coisas que queria aperfeiçoar e mostrar para quem quer que fosse que iria trabalhar com ela naquele período.

A dor em minha perna aumentou e eu assobiei, deixando aquilo de lado por um tempo para pensar no que a mudança para Nova Iorque nos traria. Eu não sabia se estava apto para isso, fisicamente, mas o único sorriso verdadeiro que eu a vira dar nos últimos tempos fora justamente enquanto falávamos sobre a perspectiva da mudança. Eu não podia tirar isto dela. Ela queria isso mais do que qualquer coisa. Eu não estava a ponto de ser o responsável por arruinar os seus sonhos.

Eu ouvi as chaves tinirem na fechadura enquanto ela entrava pelo apartamento. Rapidamente arrumei a coberta sobre mim, observando quando ela cambaleou pela sala com uma sacola do supermercado em uma mão e seu material da faculdade em outra. Eu queria, desesperadamente, me levantar e ajudá-la, mas isso era impossível.

"Olá", ela disse suavemente, pondo o saco de papel no balcão da cozinha. "Como você está se sentindo?"

Ela me deu imediatamente os analgésicos que tivera que buscar na farmácia. "Bem", respondi igualmente quieto. "Como foi seu dia?"

Seus ombros estavam caídos, sua postura arqueada, me alertando para o seu estresse. "Foi bom", ela disse, sentando-se na poltrona perto de mim. "Nada especial."

"Isso é bom", eu disse, esperando um momento antes de lhe oferecer, imprudentemente, minha mão. Ela a encarou por alguns segundos antes de pegá-la, receosa, me dando um sorriso fraco.

"Eu pensei que nós podíamos apenas pedir alguma pizza", ela disse, me encarando atentamente, como para medir minha reação. "Eu apenas não estou com muita..."

"Isso está mais do que bom", eu reassegurei depressa. "Você precisa ir para a cama cedo."

Ela acenou com a cabeça, fazendo um gesto para se levantar, mas eu, rapidamente, a puxei para mais perto de mim. Ela franziu a sombrancelha, parecendo confusa enquanto ajoelhava-se ao meu lado, correndo uma das mãos pelo meu cabelo. Eu suspirei de satisfação, mas quando reabri meus olhos, seus movimentos tinham parado e ela estava me olhando, curiosa.

"Eu não ganhei um beijo", apontei. Ela riu enquanto balançava-se na parte de trás dos seus saltos, se equilibrando antes de se inclinar novamente para frente, seus cotovelos em meu peito enquanto embalava meu rosto entre suas mãos.

"Eu senti saudades", ela disse e eu pude ver, por um relance breve, a minha Bella novamente ali. Sorri, acariciando sua bochecha, enquanto tentava levantar minha cabeça.

"Eu também" respondi, fazendo meu melhor para puxá-la para mim. Levei minha mão até sua nuca e a puxei, mas em vez dos seus lábios tocarem os meus, ela perdeu o equilíbrio, caindo em cheio.

A única coisa que eu conseguia sentir era uma dor alucinante. Meu pulmão, ainda se recuperando da perfuração, queimava em agonia e por mais que eu tentasse esconder a careta eu sabia que não estava conseguindo. Minhas costelas pulsaram e eu podia sentir as lágrimas tomando meus olhos enquanto prendia meu fôlego, para tentar conter toda aquela dor.

Eu movi os braços, afastando um pouco Bella antes de me levantar, agarrando a extremidade do sofá para apoio. Eu assobiei ao sentir os estalos dos meus ossos a cada respiração. Ainda assim, respirei fundo, minha cabeça girando enquanto fazia de tudo para me ajudar.

Minutos se passaram até que eu pude observar meu entorno sem gritar. Meus olhos varreram o ambiente, procurando por Bella. Eu notei que ela não estava mais perto de mim, mas sim agachada, perto do piano; nos olhos, uma mistura evidente de remorso e dor.

"Bella", sussurrei, inseguro do que fazer.

Ela se levantou depressa, seus olhos misteriosamente vazios quando a encarei novamente. Eu observei como ela praticamente se colou à parede, andando lentamente para o quarto. Eu queria chamá-la novamente, mas não tinha certeza do quão bom aquilo seria.

Vê-la tímida ao meu redor me feriu mais do que a dor excruciante que rasgava meu peito.

"Eu sinto muito", ela resmungou, a voz dela tomada pela emoção. "Eu realmente sinto. Eu não quis..."

"Bella, você não fez nada", eu tentei lhe dizer, mas ela não escutou. Lágrimas estavam caindo pelo seu rosto e sua tentativa furiosa de limpá-las rapidamente não estavam obtendo muito sucesso.

"Eu te machuquei", ela sussurrou, a voz falhando no meio do caminho.

"Você não fez", repeti, mas ela não disse mais nada. Ela se virou de costas, balançando a cabeça.

"Eu vou pedir a pizza."

E dizendo isso ela correu novamente para o quarto, me deixando ali, pensando sobre o que tinha acontecido há pouco. Passei a mão pelo cabelo, antes de jogar o travesseiro contra a parede, desejando poder correr atrás dela.

'Se pudesse correr atras dela, você não estaria nesta situação.'

Era tudo culpa minha. Minha culpa se Bella parecia uma concha, amedrontada de estar em qualquer lugar perto de mim. E, principalmente, era minha culpa se ela estava se sentindo culpada agora.

Eu não sabia se ela tinha adormecido ou não, mas assim que o homem da entrega bateu na porta, eu comecei a me apavorar. Minhas muletas estavam apoiadas na parede, mas eu não tinha como pegá-las sem andar um pouco.

O homem bateu novamente, não me dando muito tempo para pensar. Eu olhei para a porta do quarto que estivera fechada desde que Bella correu de mim, e decidi que se ela estivesse realmente dormindo, era melhor que ela continuasse daquele modo. Me levantei de modo trêmulo em uma perna, equilibrando minha mão na mesa de centro enquanto tentava pular desajeitadamente até as muletas.

O chão parecia mover-se sob meu pé antes que eu desse meu primeiro passo e acabei caindo em cheio no sofá novamente. Eu gemi, grato por não ter caído no chão, mas meu clamor surpreso foi alto o bastante para trazer Bella correndo até a sala de estar.

Eu me amaldiçoei mentalmente por tê-la acordado, mas ela não me deu muito tempo para explicar. O homem bateu novamente na porta, mas ela ignorou isto, me arrumando no sofá de modo a me deixar mais confortável.

"Edward", ela disse, a raiva evidente enquanto caminhava até a porta. O homem parecia frustrado ao dizer o valor, mas Bella nem mesmo esperou ele terminar de falar para entregar a quantia. Trazendo a refeição de volta, ela me encarou e eu sabia que estávamos prestes a entrar em outra discussão.

"Edward", ela repetiu, atirando uma pilha de guardanapos de papel em minha direção. "O que diabos você está fazendo?"

"Esta é uma pergunta muito ampla", rebati. "Dá para ser mais específica, por favor?"

"O que você estava tentando fazer?" ela perguntou, apontando para mim. "Você acha que se levantando e tentando se matar vai me ajudar de alguma forma?"

"Eu estava indo atender a porta", zombei, seu tom me deixando sem paciência. "O que há de errado nisso?"

Ela cruzou os braços, seus olhos em fenda. "Nada, se você não estivesse machucado. Edward, você vai protelar sua recuperação. É isso o que você quer?"

"Não", respondi, já de saco cheio daquela conversa. "Eu quero que você deixe de me tratar como se eu não pudesse fazer nada. Eu não sou um incapacitado completo. Se você pusesse minhas malditas muletas mais perto de mim..."

"Então, isso é minha culpa?" ela gritou incredulamente. "Você realmente vai fazer isso?"

Eu ri baixinho, incapaz de evitar. "Sim", disse, tentando apenas provocá-la. "Eu vou."

"Eu estou apenas tentando ajudá-lo." Ela gritou.

Eu não queria nada mais do que me colocar de pé e me sentir menos inferior, mas a única forma de mostrar minhas emoções era através da voz. "Eu não preciso da sua ajuda", disse sem pensar. "Eu não sou um idiota. Eu posso caminhar. Você está me tratando como se eu tivesse quatro anos."

"Porque você não pode cuidar de você sozinho!" Ela estava espumando. "Você não vai! Você se recusa a deixar os outros o ajudarem, mas ainda assim, não pode fazer tudo por você mesmo. Edward, você não pode andar. Você precisa se deixar curar."

"Pare com isso, Bella", eu disse, minha cabeça voltando a doer. "Eu estou acabado. Apenas me deixe me curar do meu jeito. Eu não preciso de ninguém mais para me ajudar."

Eu podia apostar que a tinha machucado com minhas palavras, mas eu não ia voltar atrás. Eu quis dizer aquilo. O fato de que ela estava se ferindo para me ajudar provavelmente não fora bem exposto, mas eu não a queria assim. Ela estava continuamente exausta, trabalhando sem parar e isso não era justo com ela. Eu não era um caso de caridade, e eu não queria que ela me tratasse como tal.

Eu me lembrei de minha mãe fazendo a mesma coisa depois que meu pai morreu. Ela se empoleirou sobre mim como um falcão, como se eu fosse um pedaço de vidro que poderia se quebrar a qualquer momento. Eu queria espaço. Eu precisava de espaço. Eu sabia que ela só estava pensando no meu bem, mas eu não podia suportar aquilo.

"Tudo bem", ela disse, sua voz repentinamente calma e fria. Ela jogou o resto das coisas do jantar na mesa. "Faça tudo você mesmo. Se você quer agir de forma tão ingrata..."

O resto de sua frase foi interrompido pelo tremor de seu corpo e pelas lágrimas que ameaçavam cair. Ela apertou a mandíbula e saiu pisando duro, murmurando algo sobre apagar as luzes quando eu tivesse acabado antes de bater a porta do quarto uma vez mais.

Eu deixei minha cabeça cair em minhas mãos, a fome desaparecendo com a discussão. Eu não queria fazê-la sentir como se estivesse fazendo alguma coisa errada; Bella não merecia isso. Mas eu não sabia como deixá-la me ajudar. Eu não sabia como deixá-la entrar totalmente neste meu universo e me sentir bem ao mesmo tempo. Doía muito.

Jantar foi uma tentativa frustrada. A maior parte da pizza permaneceu intacta e fria na caixa. Eu empurrei esta para longe e dei uma olhada ao redor, inseguro do meu próximo movimento. Estava preocupado por Bella não ter comido, mas não havia muito que eu pudesse fazer sobre isto.

Eu gemi, apertando minha cabeça no travesseiro ao perceber que minhas muletas continuavam encostadas na parede. Pelo jeito eu não dormiria na cama aquela noite, embora, duvidasse que Bella fosse me querer lá de qualquer jeito.

As luzes permaneceram acesas, já que o interruptor ficava do outro lado da sala. Eu fiz o meu melhor para conseguir algum descanso, mas aquela era uma causa perdida. Eu mantive meus olhos fixos na porta e as orelhas abertas para o primeiro sinal de movimento e assim que Bella abriu a porta, eu me sentei, pronto para rastejar.

Eu odiava fazê-la chorar. Seus olhos estavam inchados, evidência mais do que clara do que eu tinha feito.

"Eu sinto muito", disse antes que ela tivesse a chance até mesmo de se sentar. "De verdade. Eu não quis dizer aquilo; eu surtei e sinto muito. Eu apenas estou cansado e frustrado e não usei..."

"Whoa", Bella disse, esfregando os olhos. "Acalme-se."

Eu me recostei no sofá, esperando alguns segundos para que ela pudesse se dar conta do que eu havia dito.

"Eu realmente sinto muito", disse, meu olhar fixo no chão. "Eu quero ajuda. E eu acho que preciso disto. Mas eu te amo e você não merece isto, e... "

"Edward, você está a ponto de ter um ataque de pânico" ela disse, sentando-se cautelosamente ao meu lado, no sofá. "Acalme-se. Está tudo bem."

"Não está", repliquei, acariciando sua bochecha. "Eu te fiz chorar."

"Eu sou uma manteiga derretida", ela disse, renunciando a isto como se não fosse nada demais. "Eu estou bem. Eu só não queria feri-lo."

Seus dedos acariciaram levemente o meu peito, Eu esperei, prendendo meu fôlego, enquanto ela continuava suavemente seu trajeto para cima, por meu estômago, até descansar suas mãos em meus ombros.

"Como estão suas costelas?"

Eu encolhi os ombros, movendo meu braço para que ele ficasse confortavelmente ao redor da sua cintura. "Dolorida, mas isso já era esperado quando eu me movimentasse sem prestar muita atenção no que estava fazendo."

A culpa brilhou pelos seus olhos, mas eu ignorei. Eu não a deixaria sentir culpa pelo o que tinha acontecido.

"Me deixe pegar um pouco de gelo", ela ofereceu, pegando a caixa com o resto de pizza também. "Você quer o café da manhã?"

Eu neguei com a cabeça. "Eu não tenho fome."

Ela riu ligeiramente, colocando a cabeça para fora da porta da cozinha. "Não, você realmente não tem opção. Você tem terapia hoje - você precisa de sua força."

Eu precisei de toda a minha força para não me entregar ali mesmo. "Certo", murmurei. "Terapia."

" Você gostou da mulher?"

"Da terapeuta?" – perguntei, meio gaguejando. Bella acenou com a cabeça. "Hum. Acho que sim. Ela era o que eu esperava."

Desagradável, opressiva, intrometida, incapaz de diferenciar tédio de resistência.

"Você acha que ela será capaz de..." a voz dela foi abafada pelo chiado da panela quando ela voltou para a cozinha.

"Só o tempo dirá", acabei respondendo, enquanto Bella se sentava em frente a mim. Eu sentia os nós em meu estômago se contorcendo ainda mais por estar mentindo para ela, mas eu não sabia como lhe contar que não poderia voltar. Ela não entenderia. Ninguém iria.

"Bem", Bella disse, sentando-se próximo a mim com seu prato equilibrado no joelho.

"Dê algum tempo então. Eu realmente acredito."

"Eu acho que você pode me ajudar mais do que ela ", eu disse sinceramente. Bella me deu um olhar cético antes de levar uma garfada do ovo até a boca, mastigando lentamente.

"Tome seu café da manhã", ela disse com a voz firme, mas o sorriso em seus lábios me dizia que tudo estava bem agora.

Ela me ajudou a tomar banho e eu me sentia como um menino pequeno, vestido para o seu primeiro dia de aula. Bella me levou até o consultório, me ajudando a subir até o andar correto. Quando ela levou a mão até a maçaneta, eu gelei, agarrando seu braço, para que ela parasse.

"O que foi?" ela perguntou.

Eu estremeci ligeiramente, esperando que ela tomasse aquilo apenas como uma conseqüência do vento gelado que atingira o corredor. "Eu posso fazer isto. Você tem um dia longo pela frente - eu posso fazer isto."

Ela ergueu uma sobrancelha mas acenou com a cabeça. "Certo", respondeu. "Se você tem certeza."

Eu acenei com a cabeça, ajeitando as muletas enquanto me inclinava para beijá-la. "Eu te amo", murmurei contra seus lábios, recebendo uma declaração semelhante em resposta antes dela me lançar um último olhar e pular de volta no elevador.

Assim que as portas de metal se fecharam, eu me movi o mais depressa possível pelo corredor, observando pela pequena janela na esperança de a ver partindo. Eu ouvi o barulho de sua picape antes de vê-la e, satisfeito de que ela não me veria, retornei para fora, o vento frio clareando minha mente de todos os pensamentos culposos.

Eu não tinha um carro e estava extremamente limitado quanto ao quão distante eu poderia ir. Fechando minha jaqueta, escolhi uma direção e segui por ela, até encontrar uma pequena loja de música. A placa de 'aberto' piscava de tempos em tempos e a atmosfera convidativa me atraiu depressa. Peças clássicas soavam pelos alto-falantes espalhados pela paredes e havia diversas prateleiras tomadas por partituras, assim como vários instrumentos espalhados ao longo do lugar.

"Olá."

Eu me virei para ver um senhor atrás do balcão. Eu lhe dei um sorriso hesitante, pensando por um breve momento se ele conheceria a Bella.

'Isso não é apenas impossível, como ridículo', racionalizei. 'Ele não vai falar para a Bella que você está aqui porque ele não conhece a Bella.'

Eu estava ficando louco. Lentamente, mas de forma clara, todos os pensamentos racionais estavam se desintegrando.

"Posso ajudá-lo?" O homem continuou sondando. Eu balancei minha cabeça, folheando algumas folhas da partitura da 'Moonlight Sonata'* de Beethoven.

"Não", eu disse, caminhando para a próxima estante. "Eu estou apenas olhando."

O homem acenou com a cabeça, parecendo parcialmente satisfeito com minha resposta. "Meu nome é Victor, se você precisar de qualquer coisa. Nós temos quase tudo, mas às vezes é difícil de achar."

"Eu não estou procurando nada específico", disse distraidamente. "Mas obrigado."

"O prazer é meu", ele disse, indo em direção a uma porta fechada. "É só gritar."

Não havia outros clientes, gerando um silêncio tranqüilo. Eu podia ouvir alguém afinando um violino em alguma parte, mas fora isso, eu estava só.

Caminhando ao redor das várias pilhas de partituras, notei um grande piano nos fundos. Não era especial, de nenhum modo, as teclas pareciam gastas pelo uso. Uma folha rasgada estava presa na estante e, ainda assim, eu achei bonito.

Vencido por minha curiosidade, me sentei, colocando minhas muletas debaixo do banco. Alonguei meus dedos antes de os posicionar nas teclas até estar desenvolvendo algum tipo de ritmo. Eu não toquei as notas que estavam no papel à minha frente, mas acabei entrando em meu próprio mundo, toda a frustração e toda a raiva saindo nas pontas dos meus dedos enquanto batia nas teclas. Não havia nenhuma beleza, nenhuma paz e nenhum significado.

"Isso é... algo."

Eu me virei, notando Victor parado há alguns metros. Eu retrocedi, minhas mãos ainda paradas no ar, mas meu corpo virado para ele.

"Me desculpe", resmunguei timidamente, minha respiração alterada pela intensidade do momento.

Para minha surpresa, ele riu. "É para isso que ele está aí."

Ele se aproximou, seu caminhar fazendo o piso de madeira ranger. Ele observou a partitura à minha frente, os óculos pendurados em seu pescoço. Ele nem mesmo se preocupou em colocá-los antes de rir, virando-se novamente para mim.

"Não era exatamente isso que você estava tocando, era?"

Eu olhei para baixo, para o meu gesso. "Não", disse, minha voz baixinha. "Não exatamente."

Ele me deu um tapinha nas costas uma vez mais e eu agradeci por não ter nenhum ferimento ali. Seu toque era firme e forte, me fazendo lembrar do modo como meu pai agia quando eu fazia algo de que ele se orgulhava.

Eu olhei para meu relógio, surpreso e ligeiramente preocupado ao ver que Bella estaria me buscando em breve. Eu me levantei, sorrindo para o homem quando ele me estendeu minhas muletas.

"Obrigado", eu disse, me posicionando. Eu manquei até a porta, empurrando minhas costas contra o vidro e me virando novamente ao ouvir Victor pigarreando.

"Venha sempre que quiser", ele disse. "Nós não estamos exatamente ocupados."

Eu ri, mas algo me disse que havia algo mais por trás de suas palavras. "Eu virei", prometi.

Havia um reflexo em seus olhos que me deixou apreensivo, mas eu me senti bem com a idéia de voltar. Como se ele soubesse de algo, mas não fosse forçar ou fazer perguntas para entender.

Felizmente Bella não estava esperando por mim, mas não demorou muito. Sua picape virou a esquina e ela estava fora da cabine, me ajudando a entrar no banco do passageiro antes que eu pudesse dizer qualquer coisa.

"Como foi a terapia?" ela perguntou educadamente enquanto avançava pela rua. Eu me virei para colocar o cinto, evitando seus olhos, prestando atenção no click do metal.

"Tudo bem", respondi, esperando soar indiferente. "O mesmo de sempre."

"Sobre o que ela perguntou?"

Eu suspirei, ainda incapaz de olhar para ela. "Apenas... tolices. Nada muito pessoal."

Bella acenou com a cabeça, feliz com minha resposta. "Obrigada por fazer isto, Edward", ela disse, apertando minha mão. "Realmente significa muito para mim."

Eu sabia que significava. Eu podia ver em seus olhos todas as vezes que ela me deixava na frente daquele consultório. Sua esperança era impressionante e só me fazia me sentir ainda pior; mas se ela soubesse o que eu teria que enfrentar naquelas sessões...

'Isto é para o seu próprio bem'[, eu tentei dizer para mim mesmo. 'Você está protegendo a Bella. Você está salvando a relação de vocês.'

Mas mesmo com esse pensamento, o nó da culpa não desapareceu totalmente.

"A Sonata N° 2 de Chopin para Piano**, Edward?" Victor me perguntou, surgindo atrás de mim. "Você sabe que isso também é chamado de Marcha Fúnebre, certo?"

A música parou. "Sinto muito", me desculpei, apoiando minha cabeça em minhas mãos. "Eu estou apenas... frustrado."

Eu tinha estado me sentindo tão fora de lugar no apartamento. Eu não podia tocar o que estava sentindo, como estava acostumado a fazer. Eu não podia deixar Bella escutar toda a frustração e ansiedade ganhando vida; ela saberia imediatamente que algum tipo de tumulto interno estava se formando e me pediria para falar a respeito. Ou pior, me pediria para falar a respeito com Ellen.

Eu tinha vindo até a loja todas as vezes em que Bella me deixara para meu suposto horário na terapia. Eu esperava até que ela fosse embora e então mancava rua abaixo; Victor sempre me esperando. Já havia se passado semanas desde minha primeira visita e ainda assim, nossa saudação era sempre a mesma.

Ele não sabia qual era a logística da minha visita e eu não sentia necessidade de contar. Ele só sabia que eu entrava ali duas vezes por semana, no mesmo horário, e tocava o piano por uma hora e meia. Às vezes eu testaria algumas das músicas que eles tinham por lá, outras, eu tocava minhas próprias composições ou algo que criava ali mesmo, na hora. Não importava. Música preenchia o vazio; o silêncio que eu queria tão desesperadoramente que sumisse.

"Está tudo bem, filho", ele disse, batendo levemente em meu ombro. "Às vezes você só precisa colocar isso pra fora."

Eu acenei com a cabeça, mas meus dedos não voltaram para as teclas. Ao invés eu me virei, apertando minhas mãos em punhos ao encarar a rua movimentada lá fora.

"Você vai precisar voltar logo", a esposa de Victor, Christine, me disse ao surgir, de uma das salas do fundo. "É quase hora de você ir."

Eu sorri ternamente para ela. "Você tem razão", disse, me levantando. Victor me ajudou com minhas muletas e eu fechei o zíper de minha jaqueta uma vez mais.

"Deve chover", ela disse, me aconselhando. "Não vá ficar doente, me ouviu?"

Eu ri indiferente. "Eu só irei caminhar até a rua debaixo."

"E aqui", ela disse, me empurrando algo embrulhado em papel de alumínio. "Dê isto à sua adorável namorada."

Eu tinha lhes falado brevemente sobre Bella, mas Christine quis saber tudo. Como nós nos conhecemos, como era nosso relacionamento e eu tinha me aberto tanto, que tinha até mesmo lhe mostrado as nossas fotos que tinha na carteira. Ela amou ouvir as histórias e eu adorei contar. Me fez me esquecer do quanto eu a tinha machucado devido aos fatos recentes e de como nós éramos antes que eu estragasse tudo.

Em contrapartida ela me contou sobre o casamento dela com Victor. Ambos não tinham dinheiro quando vieram para os Estados Unidos, vindos da Rússia, há trinta anos atrás, mas eles eram jovens e apaixonados e apesar dos sofrimentos, eles conseguiram fazer dar certo. Ele abriu a loja de música por causa do amor deles por instrumentos musicais e desde então eram sócios ali também.

Embora as histórias me deprimissem, eu continuei escutando. Isso me fez imaginar o que poderia estar nas estrelas para mim, e como Bella e eu poderíamos talvez passar por isso e ficar bem. Aquilo me deu esperança.

Mas quando eu entrei em sua picape, com sua ajude e vi a expectativa em seu olhar quando me perguntou como fora a terapia, eu senti meu espírito desabar.

Eu não podia continuar fazendo aquilo com ela. Bella tinha tudo para ter um futuro - estava nas cartas para ela. Ela teria sucesso após seu estágio. Ela seria escritora, algo que ela mais sonhava na vida e, para isso, ela precisava de um marido que não fosse defeituoso e isolado. Que não estivesse quebrado e amedrontado. Alguém de quem ela se orgulhasse de caminhar junto e com quem pudesse ter filhos.

Nós nunca seríamos como Victor e Christine. Nós poderíamos viver em um mundo de fantasia e fingir que aquilo funcionava, mas na realidade, nunca iria. Ela se cansaria de mim.

Aquela pessoa não era eu. Nunca seria.

Para quem quiser ouvir a Moonlight Sonata: www(ponto)4shared(ponto)com/audio/1aufHlqW/Beethoven_-_Moonlight_Sonata_(ponto)html

Para quem quiser ouvir a Sonata de Chopin: www(ponto)youtube(ponto)com/watch?v=OYG-Q-TlC8E

Oi flores, tá difícil não tá? O Edward está pior que criança birrenta. Eu acho que enquanto ele não acabar perdendo a Bella, ele não vai acordar para a vida. E vocês, o que acham?

Eu sei que prometi os capítulos de 15 em 15 dias, mas a próxima postagem seria então no dia 8 de abril, acontece que neste dia estarei viajando para ir assistir ao show do U2, minha banda mais amada no mundo e não terei acesso ao comutador nos dias que ficarei fora. Sendo assim, excepcionalmente neste capítulo (35), a postagem ficará remarcada para a sexta seguinte, dia 15 de abril. Mas, na quinta dia 7, antes de eu viajar, eu passo lá no blog www(ponto)pensamentossemnexo(ponto)blogspot(ponto)com para deixar um spoiller para vocês, combinado? Depois voltamos ao esquema normal de 15 em 15 dias.

Ah sim, mais um recadinho. Estou terminando este final de semana a minha primeira long fic de minha autoria mesmo, O Poder da Resistência e começando uma nova que se chama Miss You Love. A capa está no meu profile e o prólogo já foi postado. Espero ver vocês por lá também!

Bem, já são uma da manhã e estou despencando de sono então não vou responder as reviews que ficaram pendentes, mas saibam que li e repassei todas para a Bronze e realmente fico muito animada a cada alerta que chega de review no meu e-mail. E Rh, é bom te ter de volta, flor! :D

Bjusssss