CAPÍTULO XXXVII: Ensaio
A sala de tarefas estava pouco movimentada. As tarefas daquela semana já estavam prontas para ser entregues e apenas Alicia, Remo, Pedro e Phoebe se encontravam ali. A lufana loira não se conformava com o cancelamento do treino de quadribol. Seria uma das artilheiras da equipe.
-E agora eu fiquei sem ter o que fazer do meu sábado. – Disse infeliz.
-Você não tem nenhum trabalho para terminar?
-Até tenho, mas estou morrendo de preguiça. O que vocês vão fazer?
-Acho que vou assistir o ensaio da Liliane e do Sirius. Estou curiosa pra saber como eles estão se saindo. – Alicia comentou animada.
-Esse pessoal não faz outra coisa além de ensaiar... Vão ficar mudos até o dia da apresentação.
-É claro que não! Que ideia, Phoebe... – Alicia deu um peteleco no ombro da garota.
-O Sirius é que está disciplinado até demais com esses ensaios. Ele nunca ficou tão comprometido com alguma coisa. – Remo comentou.
-Sei... Ele está comprometido com "os ensaios". – Phoebe e Alicia soltaram risadinhas que deixaram o garoto sem saber o que fazer.
-Do que vocês estão rindo tanto? – Liliane acabara de chegar e se aproximou curiosa.
-Ah, nada. A Phoebe estava falando besteira. – Alicia se recompôs primeiro.
A corvinal deu de ombros e sentou-se com eles.
-Estamos bem adiantados com a maioria das tarefas, não é?
-Sim. E o melhor é que estamos nos saindo bem. Nós e a equipe dos soncerinos somos os favoritos pra ganhar a gincana.
-É e sinto que a torcida das equipes menores será nossa, porque vamos combinar que ninguém vai com a cara dos soncerinos. – Phoebe coçou os cabelos.
-To atrasado? – Sirius entrou na sala apressado.
-Não. Nem tínhamos combinado um horário. – Liliane deu de ombros.
-Então ta. Vamos ter platéia hoje?
-Sim! – Alicia sorriu. – Aproveitamos para dar algumas sugestões construtivas.
-Tudo bem. Vamos começar. – Liliane levantou-se.
Os primeiros minutos de ensaio foram ocupados com exercícios de voz que Liliane solicitara ao seu pai que enviasse. Eram chiados e sons que serviam para aquecer e que pareciam bastante estranhos para quem olhava de fora.
Quando terminaram, Liliane ligou o rádio com a trilha sonora de fundo e ela e Sirius começaram a cantar, enquanto os outros observavam. Nenhum dos dois precisava mais do papel com a letra, que já havia sido decorada nos ensaios anteriores e por isso olhavam nervosamente para todas as direções enquanto cantavam. Quando terminaram, o grupo de amigos bateu palmas.
-Peraí, o quesito voz e canção está perfeito, mas a parte da interpretação está um desastre. – Phoebe se ergueu da classe. – Não sou uma especialista, mas ópera tem que ter a música e uma interpretação junto, não é? Só que se na noite da apresentação vocês ficarem olhando para as paredes será terrível.
-Odeio concordar, mas a Phoebe tem razão. É uma história de amor, não é? E nessa cena em questão, pelo que a Liliane me explicou e pela letra da música, dá pra ver que é um momento muito intimo e apaixonado. Vocês não estão encarnando isso não. Tentem olhar um pro outro, pegar na mão, sei lá. Combinem uns gestos.
-Pegar na mão, Alicia? Nós estamos falando de algo grandioso. Tem que ter um beijo. Podia ser naquela parte em que a musiquinha fica tocando e vocês não cantam nada. Seria genial! – A garota loira começou a saltitar.
-Acho que vocês estão exagerando. Afinal, a Liliane e o Sirius não vão sair por aí se beijando só por causa de um teatro. Sem contar na Dalila Vance que pularia na gente se soubesse disso. – Remo interrompeu os planos das duas.
-Bem, a gente vai anotar as sugestões de vocês. Cantar olhando um pro outro e tentar demonstrar paixão. – Liliane comentou. – Quanto ao resto, veremos.
Phoebe revirou os olhos e voltou a se sentar para acompanhar os ensaios subsequentes. As sugestões melhoraram bastante a atuação dos dois. No final das contas foi uma tarde divertida para todos, que se encaminharam para o jantar cheios de fome depois de tanta agitação.
