Disclaimer: VK pertence a Hino-sama, assim como essa fic à Jacqueline Sampaio.

Não é mais um romance literário

Capítulo 36

-Que bom que você se entendeu com o seu primo Yuuki.

-Eu não me entendi perfeitamente com ele Yori. É só uma fase experimental sabe. Eu não consigo esquecer o que ele fez, talvez eu nunca consiga. Não acho que vá ter a mesma relação de antes, mas pelo menos estou tentando. Afinal de contas o Kaname estava um pouco certo. O Zero me... Deixou-me no final das contas. –Doía falar em Zero, mas era um mal necessário. Yori mudou de assunto, foi um mecanismo que ela desenvolveu para que eu não me deprimisse muito. Funcionou. Logo conversávamos sobre futilidades, qualquer coisa. Foi assim o dia inteiro. Durante o intervalo fomos ao refeitório, sentamos próxima a cerejeira no jardim. E foi naquele momento que senti a primeira queda de meu mundo. Bastaram apenas algumas palavras de uma aluna.

-Você soube? Zero Kiryuu sofreu um acidente logo de manhã.

-Sério? MEU DEUS! Ele está bem?

-Não sei. Parece que ta em observação no hospital Tóquio Emergency e el... –Eu não consegui ouvir mais nada. Tudo girou ao meu redor e a última coisa que vi e ouvi foi o apelo desesperado de Yori.

=^=^=

-Yuuki? –Eu vi Yori próxima a mim, estava na enfermaria da escola. Levantei em um solavanco cambaleando. Yori me ajudou. A enfermeira entrou.

-Fique deitada querida. Vamos ligar ainda para seus pais e...

-Não precisa! Estou bem. –Falei nervosamente. –Vou voltar para a aula. –Não esperei a resposta da enfermeira, segui para fora da enfermaria com Yori em meu encalço. Quase fui ao chão ao me lembrar das palavras da aluna.

-Yori...

-Eu sei. Eu ouvi. –Yori falou com pesar.

-Eu tenho que vê-lo!

-Sabia que diria isso, Yuuki. Quer que eu pegue suas coisas?

-Exatamente. –Yori novamente me ajudou. Eu me sentia culpada por não fazer nada por ela para compensar. Quando peguei minhas coisas sumi da escola. Não queria me preocupar com nada, eu apenas me deixei envolver pela explosão de sentimentos. Felizmente o Tóquio Emergency não era tão longe da escola e eu sabia o caminho, já estive lá algumas vezes. E não demorou para estar dentro de um ônibus a caminho de lá. Eu não me importaria com nada, nem mesmo se Zero me mandasse ir embora.

-O quarto de Zero Kiryuu?

-Isso mesmo. Eu sou... Eu sou namorada dele. Yuuki Kuran.

-Lamento, mas o senhor Kiryuu não receberá visitas de ninguém. Ele está em observação. –Eu sabia que não conseguiria nada com aquela mulher. Só havia uma alternativa: vasculhar o hospital. Não precisei agir, pois vi alguém que muito me deixou feliz. Estava sentado em uma das cadeiras dobráveis da sala de espera. Segui até ele.

-Ichiru? –Ele olhou-me.

-Yuuki? Ah Yuuki!

-Ichiru, onde ele está? –Não consegui conter minha apreensão.

-Calma Yuuki! Ele está em um quarto. Ele está bem, mas está descansando. Você quer...

-LEVE-ME ATÉ O QUARTO AGORA!

-Calma garota, eu levo! Nossa que bicho mordeu você?

-Ah cala a boca! Vamos logo! –Seguimos pelo enorme hospital, pensei que nunca chegaríamos ao quarto. Sei que estava agindo irracionalmente. Eu não sabia como Zero iria me receber. Ele poderia ser gentil, o que eu duvidava, ou ríspido. Não me importava. Quando chegamos senti o coração quase sair de meu peito, travei em frente à porta. Minha mão na maçaneta.

-Então? Vai entrar?

-Ele está acordado?

-Duvido. Tomou um calmante.

-Ele está tão mal para tomar um calmante? –Fiquei alarmada. Talvez Zero estivesse mal e não quisesse me contar.

-Não. Ele soube que eu estava aqui e preferiu ficar dopado do que me ver ou conversar comigo. Juro qeu o Zero não tem nada na cabeça. E você Yuuki? O que faz aqui? Zero me falou que não são mais namorados.

-É... Não somos. Eu me preocupo com ele. Zero só tem você para ajudá-lo, mas ele se recusa a aceitá-lo se aproximar então eu...

-Mesmo depois do término não conseguiu cortar relações com ele, hein? Fico aliviado por saber disso. Não dá para confiar nas mulheres que cercam Zero. Elas nunca estão nas horas difíceis. E você está aqui, Zero não estará sozinho. Agora é melhor nós entrarmos. –Ichiru abriu a porta, entrei com certa hesitação temendo ver os olhos lilases de Zero me repreendendo por estar ali. Como Ichiru havia afirmado Zero dormia. Senti meu coração tripudiar ao vê-lo. Zero tinha apenas uma bandagem cobrindo um pequeno ponto na testa e tinha a mão esquerda enfaixada. Mesmo sabendo que os ferimentos não foram graves, mesmo depois desse tempo afastados, eu senti uma dor intensa no peito. Uma dor que só iria aplacar quando sentisse sua pele em meus dedos. Trêmula e com os olhos absurdamente lacrimejantes me aproximei de seu leito sentando na cama.

-Zero... –Minha voz estava entrecortada. Só agora, vendo-o tão necessitado de alguém ao seu lado, percebi que de nada adiantou o afastamento que tivemos. Ao que tudo indicava pela minha reação corpórea o meu sentimento por ele só havia crescido. Hesitante, ergui a mão afagando levemente seus cabelos, sentindo a maciez e o perfume dos mesmos. Passei os dedos pelo rosto demoradamente. Só quando ouvi um barulho na porta percebi que Ichiru ainda estava no quarto. Encabulada, afastei minha mão. Ichiru sorriu.

-Vejo que gosta muito de Zero, não é?

-Não. Eu não gosto.

-Sério? –Ele olhou-me surpreso.

-Gostar eu gosto dos meus pais, dos meus amigos... Mas de Zero eu não gosto. Eu o amo. É diferente.

-Entendo. Só o que não entendo é por que vocês não estão juntos.

-Por que... Quer saber Ichiru? Ninguém tem essa resposta.

-Acho que por hoje é só. Vou para casa, tenho coisas a fazer. Peguei o número do médico que está cuidando de Zero. Ligarei mais tarde para ter notícias. Você vai ficar?

-Sim, até ele acordar.

-Tudo bem. Até mais.

-Ichiru?

-Sim?

-Não conte ao Zero que estive aqui.

-Tudo bem. Se é isso que quer... –Ichiru acenou deixando o quarto. Não me contive mais. Voltei a afagar seus cabelos, seu rosto, olhando-o atentamente. Memorizando seus traços e admirando sua beleza. Eu o vi reagir ao meu toque. Provavelmente logo ele acordaria, não tinha muito tempo. -Eu pensei que... Pensei que pudesse esquecê-lo, mas não consigo. Não sou forte, Zero. Perdoe-me por isso. Ainda que você não sinta nada por mim eu... Eu estarei aqui para quando você precisar, para cuidar de você. Ainda não sei bem o que vai acontecer comigo. Se seguirei com minha vida ou não. Tudo o que eu sei nesse instante é que eu te amo e esse mês em que estivemos separados não aplacou esse sentimento. Eu te amo... Acho que sempre o amei. Sempre. –Me aproximei lentamente e beijei os lábios de Zero. O gosto como fel. Seu rosto um pouco molhado com as minhas lágrimas. Zero voltou a se remexer. Antes que despertasse deixei o quarto querendo demais ficar.

Cheguei em casa aos pedaços, me refugiei em meu quarto. E então as lágrimas que com muita dificuldade havia trancado em mim se verteram, incontáveis. E o pior era saber que chorar não iria diminuir a dor, a dor de amar alguém e querer estar com essa pessoa. Quando consegui me recompor um pouco apenas tomei um bom banho e adormeci.

=^=^=

-Há que horas vão me liberar? Eu tenho muito que fazer!

-Acalme-se senhor Kiryuu. O médico logo estará aqui. Ele está vendo um paciente agora. –Zero bufou frustrado sentando-se na cama. –A propósito o senhor recebeu visitas, sabia?

-Sei que meu "irmão" esteve aqui. Por isso pedi para que me sedassem.

-Ele não foi o único. Uma jovem de cabelos achocolatados também esteve, ficou pouco tempo. Eu a vi entrar e sair do quarto. Quando saiu parecia transtornada. Tive tanta pena da menina! Acho que estava assim pela sua situação, embora não fosse grave. –Zero estacou olhando para a enfermeira que se retirava. Só havia alguém em quem pensava ser sua provável visita.

-Yuuki...?

Continua...

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