Os personagens de Saint Seiya pertencem ao tio Kurumada e é ele quem enche os bolsinhos. Todos os outros personagens são criações minhas, eu não ganho nenhum centavo com eles, mas morro de ciúmes.

SORRISOS, SEGREDOS E ENGANOS

Side story das fanfictions "O Casamento", "Escute Seu Coração" e "Esperando o Fim"

Chiisana Hana

Capítulo XXXVII

Algumas horas depois de nascer, o pequeno Aiolos dorme tranquilamente no colo de Lithos, sob o olhar amoroso dos pais.

(Lithos) Ele é tão lindo! Ele parece com você, Olia. Só que tem os olhinhos puxados da Marin. Vai crescer e ficar bonitão como o pai.

Aiolia observa o filho com orgulho.

(Aiolia) Sim. Ele é minha versão asiática. Cavaleiros de bronze, segurem suas filhas porque o meu garanhão está na área!

Marin fuzila Aiolia com o olhar.

(Marin) Meu filho não vai ser garanhão nenhum! Eu vou criá-lo para ser um rapaz correto e respeitoso.

(Aiolia) Calma, meu bem. Foi só uma brincadeira. É que eu estou muito feliz.

(Marin) Pois fique feliz sem ser idiota.

(Lithos) Isso mesmo, coloque esse Leão no lugar dele! Que coisa horrorosa de se dizer.

(Aiolia) Nossa, vocês duas são terríveis. Eu só estava brincando. Está bem, nunca mais falo nada parecido.

(Marin) Acho bom.

Lithos concorda e coloca o bebê no berço.

(Lithos) Vou ver se seu almoço já está pronto, Marin. Você deve estar morrendo de fome, não é?

(Marin) Estou, sim. Obrigada.

(Lithos) Se precisar de qualquer coisa é só me chamar! Você tem uma babá de graça. Eu vou te ajudar a cuidar dessa coisinha linda.

Marin sorri em agradecimento.

(Aiolia) Sei… Ontem mesmo você estava me pedindo uma grana pra comprar roupa.

(Lithos) Você quer que eu ande por aí pelada?

(Aiolia) Depois conversamos...

Depois que Lithos sai, Aiolia senta-se ao lado da esposa e lhe faz um carinho.

(Aiolia) Você está bem mesmo?

(Marin) Sim, estou cansada, mas estou bem.

(Aiolia) Desculpa de novo. Eu não vou mais falar aquilo.

(Marin) Eu quero que, além de não falar, você também não pense mais nesse tipo de besteira machista e me ajude a criar bem o Aiolos.

(Aiolia) Eu farei isso. Prometo. Agora vou deixar você descansar um pouco até o almoço.

Marin agradece e se ajeita na cama. Fica observando Aiolos no bercinho ao lado. A cabecinha coberta por uma penugem rala faz Marin achar que ele terá cabelos claros como o pai. Ela pensa no Aiolos de quem o filho herdou o nome. Ele foi um grande homem, um cavaleiro honrado, o salvador da deusa. Marin desejava que o seu Aiolos fosse tão valoroso quanto o tio. E ela não consegue evitar pensar no próprio irmão, ainda desaparecido. Ele era mesmo aquele Anjo? Se era, onde ele estava agora?

Ela fez uma prece agradecendo pelo parto tranquilo e pela saúde do seu bebê, e pedindo aos deuses pela segurança de seu irmão, onde ele estiver, seja quem for.

-S-A-I-N-T-S-

Desde a partida de Agatha, Saga passava novamente por oscilações de humor e tinha reações exageradas aos menores problemas. Irritava-se com tudo e todos em um grau tão alto que ele mesmo resolveu deixar o condomínio. Depois de tomar a decisão, ele chama Dohko para comunicá-la.

(Saga) Mestre, eu vou voltar para o Santuário. Pretendo ficar recluso lá pelo tempo que for necessário.

(Dohko) Você sabe que isso não vai resolver seus problemas, não sabe?

O cavaleiro não responde.

(Kanon) Eu já disse isso a ele, mas ele não ouve.

(Saga) Não se trata de ouvir ou não. Estou tentando há dois meses…

(Dohko) Você se recusou a continuar o tratamento psiquiátrico… Será que não é hora de voltar?

(Saga) Que seja, mas de qualquer forma eu não posso ficar mais aqui. Eu… tenho medo de perder o controle. Lá seria mais… seguro.

(Dohko) Você não está sentindo o seu outro lado querendo emergir outra vez, está?

(Saga) Não sei se é isso, mas definitivamente sinto que estou prestes a perder o controle.

(Dohko) Não vou deixar isso acontecer.

(Kanon, abraçando-o) Nem eu, meu irmão.

(Dohko) Se você quiser mesmo voltar para a casa de Gêmeos, eu não vou impedir, mas se ficar, eu prometo acompanhá-lo de perto.

Saga reflete um pouco e depois dá sua resposta.

(Saga) Está bem. Eu vou tentar por mais algum tempo, mas se eu achar que sou um perigo para alguém, irei embora. Como o senhor mesmo disse naquele dia, este lugar está cheio de crianças…

(Dohko) Então fica combinado assim. E vou marcar sua hora com o psiquiatra.

(Saga) Eu estarei lá na hora marcada.

-S-A-I-N-T-S-

Há cerca de um mês, Shina viajou para cumprir a missão que Dohko lhe deu: avaliar pessoalmente os aspirantes pré-selecionados por ele e Shiryu através das fichas e trazer para o Santuário aqueles que possuírem algum potencial.

Ela manteve Dohko informado sobre tudo e dias atrás ligou para avisar que a missão estava concluída e voltaria da Ásia com quatro crianças: três do Japão e uma da China. Shiryu e Shunrei ofereceram-se para recebê-los e ambientá-los nas primeiras semanas no novo país e o próprio Dohko se encarregaria de ensinar-lhes grego.

Outras quatro crianças gregas já estavam no alojamento do Santuário, além de uma menina italiana. Como parte do castigo pelo bolão do filho da deusa, Dohko incumbiu Máscara da Morte de ir buscá-la e ambientá-la nos primeiros dias. Shina não gostou muito da ideia e pediu a Dohko para encarregar-se dela pessoalmente quando voltasse. Não gostava muito de crianças, mas não queria deixá-la muito tempo sob a tutela de Máscara da Morte. Dohko disse que ia pensar.

Agora ela está prestes a desembarcar em Atenas e Dohko espera no aeroporto.Quando ela chega, ele a cumprimenta formalmente e cochicha no ouvido dela.

(Dohko, sussurrando) Quando chegarmos em casa eu vou te dar aquele beijo. Estou morrendo de saudades.

(Shina, sussurrando) Ainda bem que se comportou na frente das crianças, senão eu ia ter dar um safanão.

Logo atrás dela, as quatro crianças carregam o mesmo semblante assustado. São dois irmãos japoneses de cinco e sete anos, e duas meninas, uma japonesa e uma chinesa, ambas de sete anos. Shina apresenta-os a Dohko.

(Shina) Estes são Kohei e Kosuke, são irmãos. As meninas são Mika e Yu Lin. E este é o senhor Dohko, a pessoa no topo da hierarquia do Santuário, o Mestre.

As crianças olham intrigadas para o jovem sorridente parado na frente deles. Quando Shina falou sobre o "Grande Mestre do Santuário", eles imaginaram um homem muito velho, com longos cabelos brancos, mas o que estão vendo é um adolescente que não deve ter mais que dezoito anos.

(Dohko, rindo) Hierarquia, Shina? São só crianças! Olá, pessoal. Sejam bem-vindos! Eu sou o atual Mestre do Santuário, embora não pareça. Sei que estavam pensando nisso, não é?

As crianças riram e pareceram relaxar um pouco.

(Dohko) Vamos lá, eu vou levá-los ao alojamento do Santuário. Está tudo pronto para recebê-los!

Dohko e Shina levam as crianças até a van que os transportará para o Santuário. No caminho, Dohko quer saber de Shina como foi a viagem mas ela diz que só vai falar depois.

Quando chegam ao alojamento, Shiryu e Shunrei já estão lá, junto com Angélica e Celina, que serão as monitoras do local. As duas estão felizes com a nova função que Dohko lhes deu. Há dias vinham arrumando tudo no alojamento infantil. Dohko tinha lhes dado a elas o dinheiro do bolão de Máscara da Morte e um pouco mais para que providenciassem tudo que fosse necessário. Elas compraram toalhas, roupas de cama, produtos de higiene e material escolar para as crianças. Estavam esperando que todas chegassem para comprarem roupas e calçados, já que chegariam com pouca coisa, além de providenciarem os uniformes para a escola regular e para os treinos.

Shunrei preparou um lanche para apresentar os recém-chegados aos cinco que já estavam alojados. Os quatro gregos, três meninos e uma menina, chamam-se Mithros, Salis, Alexander e Aliki, e a menina italiana que se chama Rosalba. Dohko aproveita a pequena refeição para ensinar aos asiáticos as primeiras palavras em grego e explicar brevemente como funcionará o pré-treino.

(Dohko) Vocês terão aulas intensivas de grego comigo e o começo dos treinos físicos, apenas para irem se acostumando. Depois, começarão a frequentar aulas regulares no período da manhã na escola de Rodório e terão aulas especiais à tarde, no Santuário, que vão variar entre treinamentos físicos e aulas teóricas. Vocês podem contar com Celina e Angélica para o que precisarem, e também com a Shunrei, que virá visita-los com frequência.

No final da tarde, depois de mostrarem as demais instalações do Santuário, o grupo se despede das crianças.

(Dohko, para Celina e Angélica) Agora é com vocês. Fizeram um excelente trabalho na arrumação do alojamento.

(Celina) Obrigada, Mestre. Estamos muito felizes por finalmente termos uma função.

(Angélica) Não vamos decepcioná-lo.

(Dohko) Eu sei disso!.

(Shiryu) Bom, nós vamos voltar para casa agora, Mestre.

(Shunrei) Deixamos a Keiko com a nova babá. Vamos ver como ela se saiu. O senhor vai também?

(Dohko) Não, não. Eu vou depois. Mas nova babá?

(Shunrei) É, como eu vou dar uma atenção para as crianças daqui, pelo menos nesse começo, contratamos uma pessoa para cuidar da Keiko por algumas horas. Ela não tem experiência, mas acho que vai se dar bem...

(Dohko) E eu conheço essa pessoa?

(Shunrei) Sim, é a Nicoletta.

(Shiryu) Quero dizer que eu fui contra. Não por ela ser... bom, por ela ser diferente... Mas pela falta de experiência com criança. Mas Shunrei insistiu.

(Shunrei) Eu quis dar um voto de confiança a ela. Ela tem boa vontade, gosta da Keiko e está precisando trabalhar. Se não der certo, arrumamos outra.

(Dohko) Sim, ela é uma boa pessoa. Não deixaria que ficasse conosco se não fosse. Gostei da ideia. Tomara que dê certo.

(Shunrei) Tomara. Bom, vamos indo. Até mais, Mestre.

Dohko e Shina ficam observando Shiryu e Shunrei irem embora. Antes mesmo de o carro deles passar pelo portão Dohko chama Shina.

(Dohko) Vem, vamos também...

(Shina) Você acabou de falar que não ia agora.

(Dohko) Bom, eu não quero exatamente ir embora... quero ir até o carro...

Shina entende a mensagem.

(Shina) Tá doido? Aqui não é lugar para isso!

Ele surpreende Shina com baita beijo na boca.

(Shina, depois de recuperar o fôlego) Estava com saudade mesmo, hein, tigrão?

(Dohko) Vai dizer que você também não estava?

O volume na frente das calças dele é impossível de ignorar e ela leva uma das mãos até ele. Nesses meses de namoro com Dohko, Shina tinha aprendido a lidar melhor com sua própria sexualidade, tão reprimida por anos. Ele a ensinou a não se envergonhar dos seus desejos.

(Shina) Também senti muita falta do meu tigrão... Quase enlouqueci naquelas noites solitárias... Eu acho que fiquei mal acostumada...

(Dohko, sussurrando no ouvido dela) Então vamos para o carro?

Shina morde o lábio inferior.

(Shina) É, vamos...

-S-A-I-N-T-S-

Depois de uma semana de lua de mel na Índia, Shaka e Seika partiram para uma peregrinação por cidades e templos sagrados ao longo de quase dois meses. Agora estão de volta ao condomínio e Shaka vai buscar Deva na casa de Aldebaran, que tinha ficado com ela durante a viagem. A gatinha não para de se esfregar na perna do dono, demonstrando reconhecimento e afeto. Shaka lhe faz um carinho na cabeça.

(Shaka) Obrigada por cuidar dela, meu amigo.

(Aldebaran) De nada. Deu um pouco de trabalho no começo… Sabe como é, ela e a Feijô se estranharam um pouco, mas agora já não se desgrudam. Como foi a viagem?

(Shaka) Foi melhor do que eu esperava. Considerei a possibilidade de Seika se entediar e querer voltar antes do tempo e já estava pronto para interromper a peregrinação assim que ela quisesse, mas não aconteceu nada disso. Ela me acompanhou satisfeita em todas as cerimônias e meditações. Ela estava encantada, verdadeiramente encantada, não foi só para me agradar. E estou muito feliz por isso.

(Aldebaran) E eu fico feliz por você, meu companheiro. Sinceramente, não achei que algum dia ia ver você casado.

(Shaka) Acho que nem eu mesmo esperava... Trouxemos um presentinho para você.

Aldebaran recebe dele uma grande caixa de doces indianos, agradece e dá um grande abraço no companheiro.

(Shaka) E como estão as coisas por aqui? Acabamos de chegar. Nem desfizemos as malas ainda. Seika foi visitar o irmão e eu vim buscar Deva.

(Aldebaran) Está tudo em ordem. A novidade é que o filho de Aiolia nasceu! Se chama Aiolos. Lithos veio avisar.

(Shaka) Uma bela homenagem ao nosso antigo companheiro.

(Aldebaran) Pois é... É um jeito de manter viva a memória do Aiolos.

-S-A-I-N-T-S-

Fatma resolve fazer uma visitinha a Nicoletta na casa de Shiryu. Nic está sentada no chão, brincando com Keiko.

(Fatma) E esse bico de babá, hein? Como está se saindo, amiga?

(Nicoletta) Foi tão adorável os pais dela perguntarem se eu queria tomara conta dessa

fofinha por algumas horas! Ela é um amor. Dormiu a tarde quase toda, nem deu trabalho. Quando acordou dei um mamãozinho pra ela e agora estamos aqui numa boa. Vou ficar com ela algumas tardes. É bom porque vai me render um dinheirinho e é melhor ainda a confiança deles.

(Fatma) Você tem um coração muito bom, minha querida. Eles perceberam isso. Mas me diz, já tá sabendo que o Erik tá de volta?

(Nicoletta) Ai, amiga... Eu tô... Mas sei lá... Nesses dois meses que ele passou longe só me mandou aquela carta que eu te mostrei.

(Fatma) Mas era uma carta fofa. Ele foi muito doce.

(Nicoletta) Foi, mas sei lá, tem alguma coisa estranha... Meu radar não falha, Fatinha. Desde o começo eu sabia que tinha alguma coisa errada com aquele bofe. Ele passou lá em casa rapidinho e disse que vai me ver hoje à noite...

(Fatma) Bom, se você realmente desconfia de algo, encosta ele na parede e descobre logo o que é.

(Nicoletta) É isso que eu vou fazer. Hoje eu resolvo essa situação com esse bofe. Ou ele está comigo ou não está. Meio termo eu não quero. E escondido eu também não quero.

(Fatma) Você está certa. Muito certa. E eu vou indo, porque você está trabalhando.

Pouco depois de Fatma sair, Shiryu e Shunrei chegam em casa.

(Shunrei, pegando Keiko) Oi, meu amor! E aí, Nic, como foi?

(Nicoletta) Foi bem tranquilo. Ela dormiu bastante, comeu mamão no lanche e depois ficamos brincando aqui.

Keiko parece feliz e Shiryu acha que é um bom sinal, que Nic pode cuidar da filha outras vezes. Nicoletta conversa mais um pouco com o casal, recebe seu pagamento e vai para casa, onde toma banho e se arruma para esperar Erik.

No começo da noite, ele toca a campainha. A própria Nic vai atender.

(Erik) Uau! Você está muito bonita! Eu estava com tanta saudade.

(Nicoletta) Eu também estava... Mas então, aonde vamos hoje?

(Erik) Eu pensei em ficar por aqui mesmo. É mais aconchegante.

Erik tenta abraçá-la mas Nic não deixa.

(Nicoletta) Não encosta, não! Fala logo, não me enrola mais! Você veio com uma conversa bonita de que não se importava com o que eu sou, mas não é o que eu tô vendo. A gente nunca saiu do condomínio! Você passou quase dois meses fora e só me mandou uma carta. Só uma!

Erik fica surpreso com a recepção nada amistosa.

(Erik) Não é isso, Nic...

(Nicoletta) Então o que é? Eu quero saber. Me conta logo.

(Erik) Eu tenho vergonha, sim...

(Nicoletta) Eu sabia! É como sempre... Você é como todos os outros! Eu sou muito boa para usar de noite, para uma rapidinha escondida, mas nunca serei boa para a luz do dia.

(Erik) Não é isso, caramba! Eu tenho vergonha... de mim...

(Nicoletta) Como todos os homens que gostam de travesti... Não admitem nunca, se envergonham... Vai embora, vai, Erik.

(Erik) Também não é isso! É que eu não sou o que você pensa...

(Nicoletta) E você é o quê, hein? Bofe, eu já tô muito sem paciência. Eu vou dar na tua cara!

(Erik) Eu não sou primo do Mime e não estou aprendendo a tocar harpa! Eu sou o criado dele... Eu não sou artista como eu disse... Eu só carrego a bagagem dele. É isso! Eu sou pobre. Eu não tenho um tostão...

Nicoletta fica parada encarando Erik, tentando processar as informações e decidir se bate nele ou não.

(Nicoletta) Então é isso?

(Erik) É... Você é linda, é uma deusa, uma rainha! Eu queria que pensasse que eu era alguma coisa melhor que um criado miserável.

(Nicoletta, fazendo bico) Sempre falei que nunca ia juntar minha pobreza com outra pobreza...

(Erik, desolado) Sinto muito... Eu quis impressionar você, mas é isso, eu sou só um criado que carrega as harpas e malas do senhor Mime. E o que ele me paga eu dou quase todo para minha mãe e meus irmãos pequenos...

(Nicoletta) Tá, eu já entendi, mas...

(Erik) Desculpa. Eu não quis te enganar, eu só tive vergonha... Queria que você pensasse que eu era um deles...

(Nicoletta) Deixa eu falar, caramba!

(Erik) Desculpa de novo.

(Nicoletta) Eu dizia que eu também sou quebrada, que eu moro de favor na casa do meu amigo Masquinha, mas apesar da sua mentira, eu vou lhe dar uma chance. Você está afim de fazer um lanchinho na feirinha de Rodório? Eu pago, seu pobre. Tenho uns trocados de um trampo que arrumei hoje.

Erik abre um sorriso luminoso e pensa que nem tudo está perdido, apesar de Nic ainda parecer furiosa.

(Erik) Claro que sim!

(Nicoletta) Tá. Espera aí que eu vou pegar minha bolsinha.

Erik quase não se aguenta de alegria. Quando Nic volta ele está dando pulinhos.

(Nicoletta, tentando não rir) Chamei um táxi. Nunca pensei que eu ia sair com um boy mais pobre que eu, mas talvez, eu disse talvez, você valha a pena.

(Erik) Não fala assim... Eu sou um cara legal... E eu gosto muito de você, princesa...

(Nicoletta) Vamos ver...

Os dois pegam o táxi e vão para Rodório. Passeiam pelo vilarejo e param numa barraquinha de gyros, popular sanduíche de carne assada. Enfrentam alguns olhares atravessados, mas continuam passeando com dignidade. Nic já não está com raiva e conta a Erik como foi sua estreia como babá. Depois, Erik fala da mãe viúva e dos cinco irmãos que têm entre treze e dois anos.

Enquanto esperam o táxi para voltar ao condomínio...

(Nicoletta) Você passou no teste, chuchu.

(Erik) Eu já tinha dito que não ligava! A única mentira foi sobre mim mesmo.

(Nicoletta) Eu sei, mas queria uma prova e hoje eu vi que você não ligou para as pessoas que nos olhavam.

(Erik) Elas estavam com inveja porque você é linda...

Nicoletta ri dele. Sabe que não é bem isso, mas está gostando da postura de Erik.

(Nicoletta) Promete que não vai mais mentir pra mim? Que vai me contar até se for uma coisa bem cabeluda?

(Erik) Eu prometo...

Diante da promessa, Nic e Erik se beijam. Uma pessoa que passa por ali se incomoda e mexe com eles gritando "Aê, gosta de travesti, né? Que nojo!" Erik não deixa passar batido e responde com seu sotaque de "erres" carregados.

(Erik) Gosto, sim! E você devia gostar de cuidar da sua própria vida.

(Nicoletta, rindo orgulhosa) Fala "própria" de novo. É tão bonitinho. Prrrróprrrria. Adoro esse sotaque!

(Erik, carregando ainda mais nos erres) Prrrrrrrrróprrria vida.

(Nicoletta) Ai, meu gatão nórdico!

Continua...