Disclaimer: Inuyasha e seus personagens pertencem a Rumiko Takahashi.


As Crônicas de Sesshoumaru

Por Amanda Catarina

Capítulo 37 - Epílogo

Alta e esbelta, trajando uma armadura de combate, a princesa mantinha sua espada empunhada à frente do corpo. A seu lado, munido de um traje similar, estava seu irmão, o príncipe herdeiro das terras do Oeste, atualmente em estado de guerra. A lua alta iluminava o descampado ladeado de árvores milenares, a principal rota de acesso ao castelo. Os dois irmãos haviam sido incumbidos de defender aquela passagem e estavam agora diante de um bando de cinco youkais inimigos. Todos se encaravam, um mero gesto daria início à luta.

Uma brisa suave soprou, agitando os longos fios negros e prateados, então o príncipe avançou veloz, e ele já havia coberto metade da distância que o separava dos invasores quando se deu conta de que avançara sozinho.

– Solte a espada, príncipe. Ou eu corto a garganta dessa sua irmã mestiça!

Seishirou se virou depressa e então avistou Rini ainda no mesmo lugar, refém de um youkai muito alto, posicionado bem atrás dela e com um punhal quase encostado em sua garganta. Fitando o invasor com um olhar assassino, ele expandiu seu youki, disposto a assumir a forma youkai, mas perdeu a concentração quando um dos youkais do quinteto, agora às costas dele, o provocou dizendo:

– Deve ser a primeira vez que você enfrenta youkais do Norte, rapaz. Porque do contrário saberia que sua irmã estará morta muito antes de você conseguir se transformar. Então se realmente se preocupa com ela, fique quietinho e largue a espada.

Seishirou não chegou a se voltar ao quinteto, mantendo o olhar fixo no youkai que mantinha a irmã cativa, mas, farejando o ar, ele percebeu que não conseguia sentir o youki de nenhum daqueles inimigos. Não precisou refletir muito para entender que a situação tornara-se delicada. Sua irmã era forte, mas ele bem sabia que os nortistas usavam lâminas envenenadas e letais. Ele deveria ter captado a aproximação daquele sexto inimigo antes, mas falhara e seria insensato correr o risco de falhar outra vez e perder a irmã, assim ele logo endireitou a postura e atirou a espada ao chão.

– Estúpido! - Rini soprou a ele entre dentes.

– Nada disso, a atitude dele foi sábia: ele está aceitando a morte no lugar de ver você morrer primeiro, chega a ser louvável... - escarneceu o grandalhão eem seguida bateu o cabo do punhal no dorso da mão da princesa, fazendo-a derrubar a espada.

Apesar da agressão dolorida, Rini não esboçou qualquer reação.

Inconformado, Seishirou pôde apenas observar enquanto o alto inimigo usava o youki para paralisar a irmã. Ao término do processo, o traiçoeiro circundou o elegante corpo da princesa até ficar de frente para ela e encarando-a com um olhar lascivo, ele disse:

– Eu presenciei quando você acabou com os soldados sob meu comando como se eles fossem mosquitos. Mesmo sendo meio-youkai você é forte. Não deixa dúvidas de que é mesmo descendente de Inu No Taishou. Forte e bonita. Uma flor única, de cabelos escuros, olhos dourados e pele clara como a lua. Viemos até aqui dispostos a matar a todos, mas você daria uma excelente escrava.

Com uma expressão impassível e nada intimidada, Rini expandiu o próprio youki na tentativa de se libertar, mas foi em vão e, ao perceber isso, o captor cuidou de provocá-la mais ainda, colhendo uma mecha dos cabelos negros dela entre os dedos, aspirando-lhe o perfume.

Seishirou ficou transtornado de ódio com aquilo e seu rosto se transfigurou à forma youkai.

– Se não afastar essas mãos dela agora mesmo, juro que terá a pior das mortes!

– Acabem com ele - ordenou o invasor.

Os outros cinco inimigos teriam avançado contra o príncipe se um só golpe não tivesse ceifado dez pernas. Os respectivos donos daquelas pernas só se deram conta disso no momento em que tentaram avançar e todos eles tombaram sobre os tocos amputados.

– Desapareçam - sentenciou o youkai branco, sacando e desferindo um ataque avassalador com Bakusaiga.

Passados uns instantes, ao invés de expressar gratidão, Seishirou esbravejou em fúria:

– Pai! Eu podia ter cuidado disso sozinho!

Sesshoumaru atravessou pelo meio das carcaças em decomposição e seguiu na direção de seu primogênito. Quando ficaram frente a frente, Seishirou ainda o encarava com impertinente altivez. O youkai branco demorou a falar, também encarando o filho nos olhos, olhos que então se achavam exatamente na mesma altura que os dele. Meros trinta anos haviam transformado seu pequeno garoto em um adulto e encará-lo agora era como olhar a si mesmo em um espelho vivo.

– Aqueles eram apenas subordinados. Ele é o líder - disse youkai branco, apontando adiante. – E não apenas desses que matei, mas dos outros tantos que estão a caminho.

Aturdido, Seishirou olhou na direção em que o pai apontava e então se deu conta de que o captor havia triplicado de tamanho e agora segurava Rini com apenas uma das mãos como se ela fosse uma bonequinha de pano.

– Seu desgraçado! - vociferou o príncipe.

Sesshoumaru embainhou Bakusaiga e invocou novamente seu chicote de youki. Vendo aquilo, o inimigo deu um riso estreito e disse:

– Você acha mesmo que vai me deter com isso, senhor do Oeste? Acha que consegue fazer qualquer coisa antes que eu esmague sua filha? - provocou o inimigo e apertou cruelmente as costelas da princesa, que dessa vez não conseguiu sufocar a dor e acabou soltando um gemido abafado e, após alguns instantes, a cabeça dela tombou para baixo.

Imaginando que a irmã havia perdido os sentidos, Seishirou ficou desesperado.

– Parece que você tem razão... - disse o youkai branco e fez sumir o chicote.

– Pai! O que há com você? - desesperou-se ainda mais o príncipe.

– Não há nada que eu possa fazer, mas tem alguém aqui que pode e irá.

Seishirou voltou-se ao pai, confuso, sem saber a que ele se referia ou se só estava tentando ganhar tempo, e ele não tinha chegado a qualquer conclusão quando escutou um baque seco e logo em seguida um urro agonizante. Girando depressa a cabeça, ele vidrou os olhos ao avistar Rini postada no chão, de costas para ele e aos pés dela jazia um enorme braço decepado.

– Sua bruxa! - berrou o nortista, agonizando com o ferimento, e logo se lançou enfurecido contra a princesa sem imaginar que avançava para a morte.

O desespero nublou os sentidos de Seishirou e como Rini estava de costas para ele, ele não percebeu nada de diferente nela, assim só conseguiu pensar que ela seria estraçalhada por aquele monstro. Sesshoumaru, por sua vez, tendo captado antes uma pulsação abismal imanar do corpo da filha e visto uma densa aura vermelha rodear-lhe o corpo por alguns instantes, ficou impassível, já antevendo o que estava para acontecer.

O invasor do Norte avançava feroz, mas foi bruscamente detido, degolado pelas garras retalhadoras da princesa. Seishirou deu um sobressalto assustado e surpreso. A contenda parecia ter chegado ao fim, mas quando a cabeça do inimigo bateu no chão, estourou em uma explosão de youki e aquilo serviu de sinal para uma numerosa horda de youkais que marchava na região.

– Está ouvindo o som dos passos? - Sesshoumaru indagou ao filho. – Logo essa passagem estará cheia de inimigos. Eu irei retardá-los, enquanto isso faça sua irmã voltar ao normal.

Seishirou continuava confuso, mas a ordem do pai o fez farejar o ar e então ele se deu conta de que o cheiro da irmã estava completamente alterado, então sim tudo fez sentido para ele e mais que depressa ele soube o que precisava fazer.

Em um movimento veloz, Seishirou correu de encontro à irmã, mas, reagindo à aproximação dele, por pouco, Rini não o fatiou com suas garras mortíferas. Sem se abalar, Seishirou conseguiu se esquivar e empurrá-la contra uma árvore, segurando-a pelos pulsos. Rini se debateu e esperneou, gruindo feroz, e ele ficou impressionado com o aumento vertiginoso da força física dela. Mesmo naquela situação tão crítica, ele não conseguia deixar de admirá-la, pois quando Rini perdia a racionalidade daquele jeito, listras roxas surgiam em sua face e as escleróticas dos olhos ganhavam um tom verde.

Seishirou até teria gastado mais tempo contemplando a bestial beleza da irmã se o som cada vez mais próximo de espadas se chocando não tivesse disparado seu sentido de alerta e assim ele tratou de se apressar para tirar Rini daquele surto. Expandindo seu youki, sua face se transmutou, as mandíbulas cresceram e mantendo-se a uma meia distância do rosto dela, ele começou a sugar-lhe a energia. De início, a aura vermelha voltou a rodear o corpo de Rini, mas começou a esmaecer conforme Seishirou absorvia essa aura, que entrava nele por sua bocarra animalesca. Assim, quando a vermelhidão se esgotou por completo, Rini desabou nos braços dele.

Desnorteado com tanto poder, Seishirou não conseguiu sustentar o corpo da irmã por muito tempo, então soltou devagar a desacordada no chão e depois cambaleou zonzo. O jovem príncipe deu alguns passos para trás e precisou passar a forma de cão gigante para conseguir se dominar novamente e ele ainda não estava de todo restabelecido quando avistou o pai, também transformado em cão gigante, e logo um enxame de inimigos os rodeava. Além dos muitos soldados, havia cães gigantes entre os inimigos também, mas destemidos, pai e filho enfrentaram aquela horda.

Quando Rini finalmente despertou, Sesshoumaru e Seishirou já tinham voltado à forma humanoide e dado cabo da maior parte dos inimigos. Ela se ergueu muito desorientada, procurou pela espada e depois olhou ao redor, tentando entender o que acontecia. Quando ela percebeu que o pai e o irmão usavam sua velocidade acelerada para enfrentar um adversário por vez, ficou inconformada com isso, sem nem imaginar qual havia sido a real proporção daquela luta.

– Será que esses dois não tem estratégia? - ela reclamou consigo e então bradou: – Papai, guarde a Bakusaiga e use o chicote! Quero que enlace o maior número deles.

– Não comece a me dar ordens, Rini!

Ignorando a furiosa repreensão, a princesa se preparou para desferir um ataque assim que o pai reunisse os inimigos em um só aglomerado.

– Seishirou, prepare-se para atacar!

– Odeio quando você fica mandona desse jeito... - reclamou ele.

Apesar da aparente relutância e do justificado esgotamento, os dois acataram a sugestão da princesa. Sesshoumaru ajuntava os inimigos para que Seishirou e Rini os destruíssem, desferindo a técnica da Ferida do Vento em um golpe combinado. Assim, o remanescente da horda inimiga foi enfim dizimada, de modo que tudo que restou depois que a poderosa energia liberada pelos irmãos se dissipou foi uma cratera profunda.

Com uma expressão alegre e satisfeita, Rini alternava um olhar cheio de orgulho do pai para o irmão quando os três escutaram uma voz familiar.

– Lastimável... Gastar uma noite quase inteira para derrotar inimigos tão fracos. Francamente, começo a duvidar se temos alguma chance de vencer essa guerra.

Era Satori que chegava ao local acompanhada do daiyoukai Amanuma.

– Como assim você duvida da nossa vitória, vovó? - indignou-se Rini.

– É! Como assim? Nós somos imbatíveis! - ajuntou Seishirou.

Sesshoumaru caminhou até a mãe e perguntou:

– Espero que vocês dois tenham conseguido dar cabo dos que tentaram invadir pela muralha.

Com uma expressão de fingido ultraje, Amanuma encarou o youkai branco por alguns instantes antes de responder:

– Sim, eu e sua mãe liquidamos aqueles bastardos enquanto você lutava contra o próprio Mitsunari.

– Pois muito bem, então agora só resta o forte...

Todos olhavam para o youkai branco quando uma luminescência prateada, que se aproximava velozmente, capturou a atenção do grupo. Era o dragão de duas cabeças, Arurun, em um voo rasante em direção a eles.

– Meu senhor, o forte acaba de ser reconquistado! - anunciou a pessoa engarupada no dragão voador.

Sesshoumaru fitou momentaneamente aquela pessoa, cuja face estava oculta sob um elmo e uma máscara à moda dos samurais.

– Fico feliz em ouvir isso, minha senhora... - disse ele.

Porém, antes que o youkai branco dissesse algo mais, ao longe se ouviu uma voz esganiçada berrando:

– Senhora Rin! Por favor, espere por mim! Senhora Rin!

Livrando-se do elmo e da máscara, Rin olhou por sobre o ombro e exclamou:

– Me desculpe, Jaken! Não percebi que você tinha ficado para trás.

Sempre indiferente às lamúrias do pequeno servo, Sesshoumaru se aproximou da esposa e estendeu a mão a ela para ajudá-la a descer da montaria. Rin aceitou o gesto e conforme ela se moveu, suas madeixas negras se soltaram fartas, caindo sobre as ombreiras da armadura.

O casal se olhava fixamente quando Seishirou se aproximou deles e perguntou:

– Não se machucou na batalha, mamãe?

Ainda com a mão pousada sobre a do marido, Rin olhou na direção do filho e sorriu de leve ao notar nele os mesmos trejeitos e o tom preocupado do pai.

– Um ou outro arranhão, mas nada grave, meu filho. E só não lhe devolvo a pergunta, porque sei que isso feriria sua honra de guerreiro.

– Certamente que sim.

Naquele momento, Sesshoumaru fez uma breve inspeção visual no traje que a esposa usava, reparando nas borras de sangue que manchavam o couro e nos vincos profundos na armadura, as marcas de um conflito recente, provavelmente advindas de golpes de espada e pontas de flechas. Hoje, mais de trinta anos desde seu regresso àquelas terras, Sesshoumaru tinha a mente muito mudada, mas ainda era difícil para ele lidar com sua nova realidade. Porque antes da noite fatídica, na qual ele quase perdera sua família, ele jamais incentivara Rin nos treinamentos, jamais se alegrara ao vê-la manuseando uma espada, consentiu com tudo aquilo muito mais como um marido que cede aos caprichos da esposa, sem nunca acreditar que aquilo seria realmente necessário.

Mas em pouco tempo a vida o fez entender que ele não era infalível e que vivia em um cruel paradoxo, pois aquilo que o tornava mais forte era na mesma medida sua maior fraqueza. E se Rin não tivesse insistido, se não tivesse praticamente o obrigado a torná-la apta a se defender sozinha, talvez hoje nem ela e nem seus filhos estivessem vivos. Rin abraçara antes dele mesmo o fado sob o título de Senhor do Oeste, mostrando-se digna de ser a pessoa ao seu lado e conquistando pelos próprios méritos o respeito do clã, respeito esse que hoje lhe fazia merecedora de sua própria armada. Nem em mil anos ele teria imaginado que sua Rin pudesse se tornar uma autêntica guerreira e muito menos uma estrategista tão valiosa, uma peça crucial em seu exército e da qual ele não tinha como abrir mão, ao menos não em um momento tão conturbado, quando tudo que os sustentava corria o risco de ruir.

Foi a voz da própria Rin ainda em tom maternal que o tirou daquelas profundas reflexões.

– E com você, filha, tudo bem?

– Não muito bem, mãe. Eu acho que tive aquele surto de novo...

Ao ouvir aquilo, Rin trocou um olhar preocupado com Sesshoumaru, mas ele fez um gesto como quem dissesse que agora estava tudo sob controle. Satori também direcionou um olhar atento na direção da neta, mas acabou sorrindo quando a jovem concluiu o relato dizendo:

– Mas o pior de tudo é que meu quimono ficou arruinado e minha armadura está um nojo! Sinceramente, assim como a vovó, eu já esperava estar no castelo a uma hora dessas.

Rin disfarçou um riso ao ver Sesshoumaru bufar com as queixas inoportunas da caçula. Apesar de não ser tão parecida com a avó fisicamente no temperamento Rini vinha se tornando tão irreverente quanto Satori, porém, reassumindo a postura austera, Rin prosseguiu com os relatos.

– Meu senhor, a retomada do forte não é a única boa nova que trago. Acabam de me entregar uma carta de Kagome. Ela nos conta que Inuyasha e Yeda avançam incansáveis na conquista do Leste.

– É bom saber que eu não cometi um erro em deixar essa missão aos cuidados daqueles dois - disse ele.

– De modo algum, sua decisão não poderia ter sido mais acertada.

Então foi a vez de Rini se aproximar mais dos pais e perguntar:

– A tia Kagome foi a única quem escreveu, mamãe?

– Sei que você espera por uma carta de Nakuru, mas ainda não foi dessa vez, querida. Apesar das vitórias, as coisas andam complicadas nas terras do Leste também.

– Entendo...

Enquanto o youkai branco fazia outros questionamentos à esposa, Seishirou puxou rudemente a irmã para o lado e em um tom contido ele disse:

– Ele não escreveu dessa vez e não vai escrever nunca mais, não depois do que você fez.

Rini encarou o irmão com um olhar feroz, mas não retrucou.

– Não adianta fazer essa cara. Eu falei mil vezes que você não tinha chance com ele, mas você não quis aceitar que ele gosta de outra pessoa. Se não fosse tão teimosa e me desse ouvidos, ao menos amigos vocês ainda seriam.

– Você não me conhece se acha que posso simplesmente aceitar ser rejeitada. Admito que me precipitei quando tentei dar um fim naquela mulher, mas isso não muda nada: a tal da Kikyou não vai viver para sempre. E quando ela morrer eu terei tempo de sobra para fazer as pazes com Nakuru.

– Só está esquecendo um detalhe: se ele ama aquela mulher como o papai ama a mamãe, ele irá dar um jeito de fazer com que ela viva tanto quanto nós.

Enfurecida, Rini golpeou o irmão com a espada, mas Seishirou, sendo tão ágil, segurou a lâmina sem nada sofrer. Os dois se encararam fixamente, de muito perto, ela com o pescoço totalmente estendido e ele com a cabeça ligeiramente inclinada para baixo.

– Quando vai entender que ele não é a pessoa certa pra você? - advertiu ele com os olhos injetados de fúria.

– Se depender de você, ninguém jamais será - ela retrucou exatamente no mesmo tom.

Seishirou pestanejou, aturdido por aquelas palavras afiadas, e logo recobrou o juízo ao enxergar o próprio ciúme refletido nos olhos graúdos da irmã. Abatido, ele se odiou por sempre sucumbir ao visceral senso de proteção que nutria por ela e que o levava a atormentá-la constantemente. Assim, cheio de arrependimento, ele desviou o olhar e recuou para o lado.

Ressentida, Rini deu um encontrão no ombro dele antes de se afastar. Já distante, ela apertou a mão contra o peito, incomodada com o coração disparado dentro de si, mas por mais que tentasse se controlar era impossível, pois aquele descompasso não vinha dela e sim de seu irmão.

Sesshoumaru olhou na direção dos filhos, percebendo a tensão entre eles, mas logo voltou seu olhar a Rin, quando ela falou:

– Eu tenho fé que muito em breve seremos uma única nação e você, Sesshoumaru, será o imperador! - ela profetizou sonhadora.

– Quanto a isso não precisamos ter dúvidas! - ajuntou Jaken.

– Antes que o Oeste esteja livre de inimigos é inútil manter tais ambições - o youkai branco rebateu em controlada frieza.

– Percebe, Amanuma, porque as decisões importantes por aqui são tomadas pelas mulheres? - pontuou Satori.

O sulista aliado deu um leve riso antes de dizer:

– Em virtude dos atuais acontecimentos, acho que sou obrigado a concordar, minha querida.

Ignorando os dois, Sesshoumaru se afastou da esposa e alcançou as rédeas de Arurun.

– Vamos! - ele chamou a todos. – Eles não demoram a se reagrupar. Precisamos estar preparados para a próxima batalha.

Sesshoumaru então tomou à dianteira e logo Rin e Jaken seguiam a seu lado. Instantes depois, os três eram seguidos pelos filhos, que caminhavam um tanto distanciados, mas sempre adiante, e mais atrás, vinha a antiga regente e seu atual consorte, todos eles seguindo em um vagaroso marchar rumo ao Castelo das Terras do Oeste.


N/A: A seguir: posfácio, notas finais e agradecimentos.