Eu disse que voltava antes do Natal! Boa leitura (:
Capítulo Trinta e Três – A Beautiful Mess
Edward POV.
Por algum motivo maior, eu acabei acordando bem cedo na segunda-feira. Esperava que eu fosse dormir até um pouco mais tarde, considerando que no dia anterior eu havia ficado acordado até bem tarde fazendo companhia para Marie, Charlie e Carmen enquanto conversávamos e tomávamos vinho na cozinha, porém quando puxei meu celular debaixo do travesseiro, o relógio do mesmo mal marcava oito e quarenta e cinco da manhã, o que significava que eram quinze para as duas da madrugada em Chicago, e eu já estava de pé. Talvez eu ainda estivesse me acostumando com a cama, o ambiente e o fuso-horário. Eu costumava ser chato com essas coisas e provavelmente só estaria completamente acostumado quando estivéssemos indo embora. Mesmo com o aquecedor do quarto ligado em uma temperatura razoavelmente alta, eu ainda sentia um pouco de frio, então preguiçosamente fui até o banheiro, gemendo quando pisei no chão frio e lavei o rosto, antes de escovar os dentes e dar uma aliviada na bexiga. Eu sentia uma leve dor de cabeça, e sabia que era por causa do vinho exagerado que eu havia tomado. Voltei para o quarto e calcei meus chinelos novamente, eu sentia um cheiro gostoso vir da cozinha, e imaginei que Marie já estivesse preparando o café da manhã e talvez eu pudesse pedir a ela um remédio que me ajudasse com a dor.
Desci as escadas sem muita pressa, ainda me sentindo muito preguiçoso e notei como a casa ainda estava silenciosa. Virei em direção a cozinha, mas estranhei o fato de mesmo tendo sentido cheiro de comida, não havia ninguém ali. Talvez Marie estivesse do lado de fora com o resto do pessoal.
- Nonna foi a cidade com meu pai e sua irmã. - A voz de Isabella soou atrás de mim e eu coloquei a mão sobre meu coração, assustado.
Ela era a última pessoa que eu esperava ver acordada a essa hora. Eu sabia bem que Isabella tendia ser uma bela preguiçosa pela manhã. Já havia perdido a conta de quantas vezes eu tentei acordá-la quando ela preguiçosamente se embolava em mim na minha cama quando ela ia passar algum spare comigo, ou quando ela fingia dormir na casa de Alice e passava a noite na minha casa. Merda, Edward. Foco.
- Desculpe - ela murmurou abrindo um sorriso amarelo. - Não imaginei que estivesse distraído.
- Está tudo bem - tentei dar de ombros, mas ao vê-la sorrindo para mim eu imediatamente retribuí. - Então, eles estão na cidade por...?
- Hoje é véspera de Natal - sussurrou, mordendo os lábios. Não morda os lábios na minha frente, Isabella. - Então eles foram comprar algumas coisas que estavam faltando, e Carmen queria conhecer a cidade, então ela foi com eles.
Olhei para ela e assenti brevemente, quando as informações foram me atingindo. Se Charlie, Marie e Carmen haviam ido até a cidade, isso significava que eu estava sozinho com Isabella. Sozinho. Só nós dois. Sozinhos. O que eu supostamente deveria fazer? Eu não podia simplesmente me enfiar em meu quarto e fingir que eu estava trabalhando até a hora que eles voltassem, eu sequer sabia que horas eles iriam voltar.
- Você está com fome? - ela indagou suavemente e eu assenti. - Ótimo. Sente-se que eu vou servi-lo.
- Ah... não precisa, Isabella. Sério. Eu vou tomar só uma xícara de café mesmo - desconversei. Não precisava que ela ficasse no mesmo cômodo que eu. Eu não sabia até quando eu me controlaria.
- Apenas sente-se, Edward - ordenou e rapidamente se virou de costas para mim.
Merda. Eu lembrava que ela sabia como cozinhar muito bem, lembrava-me das poucas vezes em que ela preparava o almoço para nós dois, ou o jantar. Lembrava-me de uma vez em especial em que eu estava dormindo e acordei sentindo um cheiro delicioso de comida, apenas para encontrar Isabella quase que nua, se não fosse pela calcinha e o avental, andando pela minha cozinha e fazendo algo para nós dois comermos. Eu lembrava-me de que o jantar havia atrasado naquela noite, uma vez que eu não consegui me controlar, e logo estava atrás dela, beijando cada pedaço visível de pele ali. Lembrava-me de como havia brincado sobre já ter comido meu jantar quando joguei-a na mesa e desci minha língua pelo seu corpo. Oh, merda. Eu precisava parar de ficar me lembrando dessas coisas, principalmente quando eu estava perto dela. Eu não queria que ela notasse que ainda me deixava excitado, que ela ainda tinha algum tipo de poder sobre mim.
Fechei os olhos procurando me focar em qualquer coisa que não fosse Isabella nua em cima de uma mesa enquanto eu prendia minha cabeça entre suas pernas, fazendo-a gemer e alguns minutos depois, falhando miseravelmente, escutei-a me chamar com a voz doce e abri os olhos novamente, ofegando quando vi que ela não estava mais tão longe de mim, mas sim basicamente ao meu lado. Ela colocou em cima da mesa um prato com algumas rabanadas - e eu tive que controlar meu sorriso quando notei que ela havia feito da forma que minha mãe havia ensinado para ela no Ação de Graças. Merda. O Ação de Graças. - e ao lado uma enorme caneca com café preto e fumegante. Agradeci-a rapidamente e ela assentiu, sentando-se na minha frente e pegando um pão e passando alguma geléia por cima. Comemos em um silêncio incômodo, no qual até mesmo minha respiração podia ser ouvida. Algumas vezes Isabella soltava um suspiro aqui e ali, ela parecia estar mais relaxada do que estava nos últimos dois dias. No sábado ela me ignorou o resto do dia após o nosso quase beijo na sala de televisão, e no domingo, ela fez ainda pior, não saiu do quarto por nenhum minuto sequer. Eu não sabia se ela estava fazendo drama, ou se ela estava apenas nervosa sobre o que havia acontecido desde a minha chegada. Eu ainda não havia conversado com Carmen sobre a conversa que ela havia tido com Isabella antes do jantar no sábado, mas ela parecia bem mais relaxada e até mesmo um pouco mais feliz após a mesma, e isso me deixava um pouco apreensivo. Eu não queria ser negativo, ou julgar demais, mas não era fácil simplesmente fechar os olhos e ignorar os fatos.
Precisava conversar com Carmen o mais rápido possível.
- Hmmm... eu estou decorando a casa para o Natal - Isabella comentou timidamente, parecendo uma criança empolgada.
- Legal - comentei de volta, tentando soar casual, mas saiu um pouco mais seco do que eu havia esperado. Ocupei então minha mente com o café que ela havia feito, antes que eu começasse a abrir a boca e a falar coisas sem pensar. Não havia como negar; estava uma delícia. Isabella sabia como fazer meu café, principalmente quando era aquele café que me faria acordar. Ela sabia a quantidade exata que colocaria do pó de café, e quantas colheres de açúcar ela usaria. E eu adorava aquilo. E sentia falta também. Merda.
- Se você quiser me ajudar... - disse mordendo os lábios. Ela parecia nervosa. - Quero dizer, eu ainda não fiz quase nada, só separei os enfeites. Eu sei que está em cima da hora e tudo mais, mas com a correria e todas essas coisas... Papai arrumou uma árvore e já a colocou na sala perto da lareira, só precisamos, ou devo dizer, preciso colocar os enfeites...
- Eu acho melhor não, Isabella... - suspirei.
Seus olhos que possuíam um brilho esperançoso rapidamente caíram para seu colo quando ela desviou o olhar do meu, e começou a mexer as mãos nervosamente nas pernas, mordendo os lábios freneticamente.
- Ah, ok. Entendo - disse ainda sem me olhar. Sua voz parecia de alguma forma quebrada e eu acho que ela estava começando a chorar, mas não tive como saber já que ela não me olhava nos olhos. - Eu... hm... vou começar então.
Merda, Edward. Arrume isso.
- Não é que eu não queira, Isabella. É só... eu prefiro nã-
- Está tudo bem, Edward. Não vou insistir. Hm... quando terminar, só coloca a louça na pia, por favor? - murmurou baixinho, antes de se levantar e sair da cozinha ainda de cabeça baixa.
Pensei ter ouvido-a fungar quando ela passou pela porta, mas podia ser apenas coisa da minha cabeça. Meu coração doeu por tê-la tratado daquela forma, e assim que ela deixou a cozinha eu me senti como um lixo. Eu odiava a ideia de magoá-la, odiava ser frio com ela. Mas eu não estava pegando nenhuma chance de ser enganado novamente. Passei a mão em meus cabelos, sem saber o que fazer naquele momento. Dei o último gole no café e peguei toda a louça em cima da mesa, levando-a até a pia como Isabella havia pedido, mas ao invés de apenas deixá-la ali, resolvi que não faria nenhum mal lavá-las. Saí da cozinha ponderando se subia ou não as escadas, e acabei indo para a sala onde supostamente Isabella estaria arrumando a árvore de Natal, porém não havia ninguém ali. Senti vontade de socar a cabeça na parede e rapidamente subi as escadas, indo direto para seu quarto e vendo que a porta estava fechada. Pensei em bater e ver se ela estava bem, mas ouvi alguns soluços vindo lá de dentro e meu coração apertou ao pensar que ela estivesse chorando por algo que eu fiz a ela. Merda.
Voltei para as escadas e fui diretamente para a sala. Eu não sabia como decorar árvores de Natal, não sabia nem mesmo como pendurar as porcarias dos enfeites, mas fui tentando o melhor que eu pude. Eu separei algumas bolinhas douradas e comecei a espalhá-las pela árvore, me sentindo um completo idiota.
- O que você está fazendo? - Isabella indagou atrás de mim, alguns minutos depois.
- Enfeitando a árvore de natal? Ou melhor, pelo menos tentando... - murmurei evitando olhá-la nos olhos, eu sabia que não seria capaz de resistir se os visse provavelmente vermelhos. - Não sei muito bem como fazer isso.
- Talvez eu pudesse ajudar você? - indagou baixinho mordendo os lábios.
- Com certeza - disse virando-me para a árvore novamente. Parei e cocei a cabeça. - Eu realmente não sei como fazer isso.
- Você pode desenhar e planejar casas, prédios e um monte de coisas, mas não pode simplesmente pendurar uma bolinha na árvore de Natal?
- Hmm... acho que não.
- Pelo menos você é um bom arquiteto, caso contrário morreria de fome - disse brincando.
Uma pequena risada escapou de seus lábios, e eu senti uma corrente elétrica no meu corpo ao ouvir aquele som novamente. Quando havia sido a última vez em que eu havia a escutado gargalhar ou dar apenas uma risadinha? Não sabia ao certo, mas havia sido muito tempo. Sem que notasse, eu estava rindo com ela, e então meus olhos pararam nos seus, me fazendo arrepender no minuto seguinte. Como eu havia previsto, eles estavam vermelhos e um pouco inchados. Já mencionei que eu estava me sentindo um merda? Pois eu estava.
- Bom, então é melhor você me ajudar ou isso nunca ficará pronto - disse desviando o olhar e imediatamente sua risada morreu.
Montar a árvore ao seu lado estava sendo... diferente. Talvez fosse melhor eu nem estar perto dela. O silêncio era mortal, e aquilo que era para ser supostamente uma atividade divertida, estava se tornando algo maçante para nós dois e eu sabia que eu estava provocando aquilo. Isabella tentava puxar assunto, mas minhas respostas saíam automáticas e curtas sem eu mesmo notar, fazendo com que ela sempre desviasse o olhar e voltasse a pendurar algo na árvore. Os enfeites estavam quase acabando e eu simplesmente não fazia a mínima ideia do que fazer ou dizer para mudar aquele clima. Eu queria fazer algo, mas meu cérebro não deixava.
- Agora só falta a estrela! - Isabella murmurou, pegando uma estrela de cristal que estava guardada em uma caixa separada. Ela ficou na ponta dos pés para colocá-la e eu senti vontade de rir quando notei que ela precisaria ser pelo menos uns dez centímetros mais alta para alcançar o topo da árvore.
- Deixa que eu coloco - sugeri casualmente.
- Não - disse fazendo bico. Não, merda, o bico não. - Eu que tenho que colocar. Eu sempre coloco.
Sabendo que provavelmente eu me arrependeria disso logo em seguida, peguei-a pela cintura e a levantei até que ela estivesse na altura suficiente para colocar a bendita estrela no topo da árvore. Ela soltou um grito de surpresa, e eu senti sua pele arrepiar diante do meu toque. Meu rosto estava basicamente encostado em sua barriga, e eu segurei a urgência de me aconchegar ali e aspirar seu cheiro delicioso, assim como eu costumava fazer. Vendo que Isabella havia colocado a estrela, desci-a novamente, o que pareceu um erro maior ainda, já que seu corpo veio raspando no meu levemente. Assim que seus pés tocaram o chão, seu rosto inclinou-se para cima e seus olhos castanhos me analisaram lentamente. Eu sentia sua respiração ofegante e bastava inclinar alguns centímetros para baixo e eu teria seus maravilhosos e suculentos lábios perdidos nos meus. Apertei sua cintura com um pouco mais de força, e ela fechou os olhos, soltando um gemido abafado e então, quando me encarou novamente, eu vi um sorriso em seus lábios. Suas mãos vieram para o meu rosto e ela começou a me puxar para baixo, na intenção de me beijar, então algo estalou em minha mente.
O que diabos eu estava fazendo?
Soltei-me de Isabella no mesmo instante e tomei uma distância segura entre nossos corpos.
- Acho que a árvore já está pronta - disse e prontamente me virei para sair da sala, ainda podendo escutar Isabella suspirar atrás de mim.
Não virei para trás, no entanto. Subi as escadas rapidamente, indo direto para o quarto, onde eu prontamente me joguei na enorme e macia cama, passando a mão em minha têmpora e segurando a ponte do nariz, respirando fundo e fechando os olhos. Eu não sabia o que fazer. Meu corpo inteiro gritava, clamava, por Isabella, porém meu cérebro estava me impedindo. Eu não conseguia simplesmente voltar para ela tão facilmente assim. E se ela fizesse tudo de novo? Quais garantias eu tinha de que ela não faria algo do gênero novamente? Quero dizer, antes de chegar aqui na Itália, eu não tinha a mínima ideia de como ela estaria. Ela havia ficado em choque e algumas lágrimas caíram de seus olhos quando eu gritei com ela no dia da festa após descobrir sobre ela levando Joseph ali, mas na minha cabeça era tudo fingimento. Então, como eu já havia mencionado, eu esperava que ela estivesse aqui comemorando, indo a festas, saindo sempre, fazendo compras... mas ao invés disso, tudo o que eu via era uma garota usando conjuntos de moletom, meias sempre coloridas e os cabelos presos em um coque mal feito no topo da cabeça, enquanto variava entre ficar em seu quarto fazendo sabe-se lá o quê, ou então na sala assistindo televisão.
Mas que inferno. Por que ela não podia simplesmente começar a ir em festas e todas essas outras coisas para que eu tivesse uma razão para odiá-la e tirá-la da minha cabeça? Seria bem mais fácil assim, isso eu podia garantir.
Escutei meu celular tocando em alguma parte da cama e soltei uma respiração profunda, esticando o braço e não me importando em abrir os olhos para achá-lo, ou para olhar quem estava me ligando, apenas atendi.
- Edward Cullen - disse para quem quer que fosse a pessoa do outro lado da linha.
- Edward! Desculpe não te acordar, mas você parecia cansado demais. - A voz da minha irmã soou do outro lado da linha, eu podia escutar outras pessoas conversando, e supus que ela estivesse em um mercado ou algo do tipo. - Enfim, eu estou fazendo as compras de Natal, como Bella já deve ter te falado, não sei se ela voltou a dormir ou não...
- Sim, ela disse.
- Ótimo! Queria saber se você quer que eu compre algo para ela em seu nome? Talvez para Charlie e Marie também?
Ponderei por alguns segundos. Eu já havia comprado um presente para Isabella, ele estava bem guardado dentro da minha mala, mas eu sabia que eu não poderia entregá-lo na frente de todos. Era algo íntimo demais e provavelmente todos notariam o significado ali. Além do mais, eu ainda não estava certo sobre entregar o presente para ela ou não. Não sabia se devia.
- Pode ser - fingir dar de ombros. - Compre um vestido ou algo assim, algo que você ache que ela vá gostar. E pode comprar algo para a Marie e para Charlie também. Depois eu deposito o dinheiro...
- Não vai ser preciso - ela riu. - Eu meio que já estou com o seu cartão aqui.
- Imaginei - disse revirando os olhos. Típico. - Bom, sendo assim, pegue algo para você também, espertinha. Isso se você já não tiver pegado, uh?
- Culpada - riu. - Bom vou indo, ainda tenho que me encontrar com Marie e Charlie no mercado. Eles me deixaram sozinha no shopping para que eu pudesse comprar a vontade e como eu estava comprando o presente de Bella, pensei em te ligar.
- Hmm... falando em Isabella, eu ouvi ela te chamando para conversar no sábado a noite - murmurei.
- Oh!
- É. Sabe que vamos precisar conversar sobre isso depois.
- Certo, certo. Mas depois, agora estou ocupada gastando o seu dinheiro.
Revirei os olhos, mesmo sabendo que ela não veria e nos despedimos alguns segundos depois. Minha vontade de descer as escadas e ir até Isabella estava cada vez maior, e eu estava realmente lutando com meu autocontrole para não fazer tal coisa. Decidindo que precisava de alguma distração, peguei meu notebook e o liguei, indo logo para alguns projetos e relatórios que eu precisava analisar. Eu sabia que eu teria tempo para fazer tal coisa quando eu voltasse para Chicago, que os projetos tinham o prazo de entrega até o final da primeira quinzena de janeiro do próximo ano. Sabia que Carmen me mataria caso descobrisse que eu estava enfiado no quarto mexendo com trabalho, enquanto eu supostamente deveria estar relaxando e não pensando em qualquer trabalho até quando pisasse em minha cidade querida após o ano novo, quando voltaríamos supostamente todos juntos. Porém, eu sabia também, que não havia maneira alguma de eu relaxar tendo Isabella perto de mim, enquanto ambos estávamos sozinhos em uma casa cheia de quartos e camas. Sabia que não seria fácil ficar perto dela sem tocá-la. Sabia que meus diálogos internos sobre ceder ou não ceder, provavelmente me estressariam ainda mais do que o fato de eu estar analisando relatórios e consertando planilhas.
Então foi exatamente isso que eu fiz. Me enfiei no trabalho por horas afinco, relendo o mesmo relatório mais de uma vez apenas para ter certeza de que tudo estava certo. Dei uma olhada no projeto Volturi, sabendo que talvez este seria o mais importante do ano de 2013 para o escritório. Tudo estava quase certo para começarmos com a empreiteira ainda na terceira semana de janeiro e eu não podia estar mais ansioso - e mais nervoso também.
Algum tempo mais tarde, no silêncio esmagador do quarto em que eu estava, escutei o barulho da porta ao lado se abrindo e fechando. De repente, ao saber que Isabella estava no mesmo andar que eu, mais precisamente no quarto ao lado, fez meu estômago se revirar, e minha concentração no trabalho foi embora em um piscar de olhos. Mesmo que sem pensar sobre isso, Isabella causava reações em mim que eu nunca pararia de ficar surpreso. Merda. O que ela estaria fazendo no quarto ao lado? Estaria deitada na cama? Conversando por mensagens com Alice? Talvez navegando pela internet? Eu sabia que ela adorava ficar matando tempo pelo facebook, mesmo que não tivesse nada de interessante para se fazer ali. Ela até mesmo uma vez tentou me convencer a ter um, não que ela tenha obtido sucesso, no entanto, o que fez com que ela ficasse com um biquinho adorável, o qual eu prontamente comecei a beijar e mordiscar, até que ela resolveu ceder e começou a me beijar de volta, derretendo-se em meus braços. Nada muito legal ficar pensando sobre essas coisas.
Grunhi alto, soltando um merda sob a respiração, e fechei o notebook com força, jogando-o ao meu lado na cama. Ouvi imediatamente a porta do lado se abrindo e fechando e me perguntei se Isabella teria ouvido. Merda. Então batidas fracas soaram na porta e eu não precisei pensar muito para saber que era ela ali. Rapidamente peguei meu notebook de volta, abrindo-o e colocando-o no meu colo.
- Pode entrar - disse alto o suficiente para que ela escutasse.
- Hmm... já são quase uma e meia da tarde e bem... eu estava me perguntando se talvez você quisesse almoçar? - indagou parada na porta. Os braços cruzados pouco abaixo dos seios, e seus maravilhosos lábios presos em seus dentes, enquanto ela os mordia.
- Não estou com muita fome - dei de ombros. Se eu me levantasse da cama ela certamente veria o enorme volume que estava em minhas calças. O que não seria nada legal. Eu precisava de uns minutos para me acalmar. - Você pode ir sem mim, eu ainda tenho uns projetos para analisar aqui e já desço.
- Oh, certo. Tudo bem então - sorriu fracamente. - Não vou atrapalhar o seu trabalho.
Assenti e voltei minha atenção para o notebook. A página do projeto já não estava mais aberta, o que me levava ao meu plano de fundo: uma foto de Bella dormindo tranquilamente em minha cama usando uma daquelas calcinhas de renda que mais pareciam pequenos shorts e que ficavam extremamente sexy em seu corpo, deixando sua bunda ainda mais redonda e mordível, e uma camisa de malha branca minha. O conjunto inteiro era tentador demais, de forma que me fazia querer voltar para aquele dia repetidas vezes. Isabella parecia tão tranquila, tão sexy e tão fofa deitada de bruços ali...
Ela não sabia sobre essa foto, no entanto.
- Ainda o projeto Volturi? - indagou de repente, me fazendo saltar um pouco. - Desculpe.
- Não, tudo bem. Sim, ainda o projeto Volturi. Estou me certificando de que tudo saia perfeito.
- Tenho certeza que sim. Você é muito bom naquilo que faz - disse sorrindo. Eu vi algo a mais em seu olhar, talvez um pouco de malícia, talvez uma chama da antiga e provocante Isabella, porém eu não tinha como ter certeza, pois ela logo desviou o olhar. Eu odiava isso sobre a nova Isabella. Odiava que ela não conseguia manter contato visual comigo por muito tempo. Odiava que ela estava sempre de cabeça baixa, ou evitando me olhar.
- Obrigado.
- Ok, acho que vou indo então - murmurou e rapidamente fechou a porta atrás de si.
Fiquei olhando para sua foto no fundo do meu notebook por algum tempo, lembrando-me dos dias em que as coisas pareciam fáceis, e o nosso maior problema era o fato de não podê-la beijar em público. Onde eu não tinha medo de que ela estivesse jogando comigo e com minha irmã, onde eu achava que ela tinha amadurecido, onde éramos ótimos juntos - seja na cama ou fora dela -, onde nos provocávamos na academia...
Balancei a cabeça e novamente me afundei no trabalho, não me importando em descer para comer naquele momento. Eu não era tão forte assim. Sabia que não aguentaria outra refeição na qual Isabella e eu estivéssemos sozinhos. Meu autocontrole estava a um passo de explodir e isso não podia acontecer ainda.
Algumas horas mais tarde, surpreendentemente eu havia conseguido acabar quase que todas as revisões das planilhas e dos relatórios, o que me deixou feliz, porém completamente cansado. Eu estava faminto, então fechei o notebook e resolvi deixá-lo de lado por algum tempo e descer para comer algo antes que todos chegassem para a ceia de Natal, sabia que eles chegariam logo, uma vez que já se passava das quatro horas e provavelmente Marie iria começar a terminar de fazer as coisas para a ceia. Eu sabia como os italianos tendiam a ser tradicionais e provavelmente teríamos a ceia a meia noite e abriríamos os presentes pela manhã seguinte.
A casa estava silenciosa, e eu me surpreendi pelo fato de a televisão estar desligada. Isabella provavelmente deveria ter voltado para seu quarto em algum ponto do dia, ou algo do tipo. Não parei muito para pensar. Fui logo em direção a cozinha, surpreso quando eu vi que havia um prato em cima da mesa esperando por mim. Meu coração apertou imaginando que Isabella havia o deixado ali para mim e um sorriso nasceu rapidamente em meus lábios. Destampei o prato e sorri quando vi que havia um maravilhoso risoto ali, mas como o mesmo estava frio, esquentei no microondas rapidamente e logo já estava devorando o mesmo. Estava melhor do que eu podia imaginar, e o fato de eu estar faminto deixou tudo com o gosto ainda melhor. Quando terminei, lavei logo meu prato, não querendo dar trabalho. Abri a lixeira para jogar o guardanapo de papel que eu tinha usado e franzi o cenho quando vi que havia um prato quebrado ali dentro e o que parecia ser um pouco de risoto misturado no meio dos pedaços, mas dei de ombros.
Resolvendo que já havia passado tempo demais em meu quarto, fui para a sala, onde liguei a televisão e acabei de jogando no sofá de qualquer jeito. Agradeci pelo fato de a televisão a cabo e ter alguns canais americanos - coisa que eu não tinha notado na primeira e única vez que me sentei nesta sala; estava ocupado demais observando Isabella após tantos dias sem poder vê-la - e acabei deixando em um qualquer, onde passava um jornal. Aparentemente estavam filmando perto da enorme árvore de Natal posta todo ano em Nova York e um sorriso brincou em meus lábios quando eu me virei automaticamente para o outro lado da sala, onde a árvore que eu havia montado com Isabella estava e notei que ela havia pendurado algumas meias decorativas perto da lareira também.
Soltei mais um suspiro, talvez fosse o centésimo do dia, e não pude deixar de me questionar porque eu simplesmente não deixava isso passar e subia as escadas correndo para Isabella, embora eu soubesse exatamente a resposta. De qualquer forma, alguns minutos mais tarde escutei o barulho de um carro chegando, e então a porta se abriu logo depois. Uma Marie com um sorriso genuíno entrou primeiro, sendo seguida pela minha irmã que estava cheia de sacolas de comprar e logo atrás veio Charlie, segurando mais sacolas ainda. Prontamente fui até ele e o ajudei a levar até a cozinha, e minha irmã avisou que colocaria os presentes debaixo da árvore.
- Uau, a árvore está linda! - ela disse lá da sala e Marie rapidamente foi atrás.
- Está mesmo! Você fez isso, ragazzo?
- Hm... eu e Isabella. Na verdade ela fez tudo praticamente sozinha - disse tentando soar descontraído e não me lembrar do que havia acontecido quando eu a peguei no colo.
Marie me lançou um sorriso e disse que ia começar a preparar o jantar. Minha irmã rapidamente ofereceu para ajudar e eu sabia que ela estava tentando evitar a conversa que eu havia prometido que teríamos quando ela chegasse. Mas não importava, eu ainda conversaria com ela. De amanhã não passava.
Acabei ficando então com Charlie na sala, e ficamos assistindo ao noticiário por algum tempo, antes de tudo ficar muito entediante e então ele descobriu um canal onde estava passando um jogo de basquete e ele se ofereceu para buscar uma cerveja para passarmos o tempo, ele voltou logo em seguida, sua testa franzida e um olhar preocupado no rosto, mas me entregou a latinha mesmo assim. Abri-a em seguida e dei um longo gole.
- Está tudo bem? - eu indaguei.
- Não sei - ele suspirou, bebendo da sua própria cerveja. - Minha mãe achou um prato quebrado no lixo e aquele costumava ser o prato favorito de Bella. Talvez ela tenha quebrado sem querer, mas algo me diz que não.
- Hm... eu não ouvi nenhum barulho - disse, querendo me chutar mentalmente. - Isabella ficou em seu quarto a maior parte do dia também.
- Vocês não almoçaram juntos? - indagou surpreso.
- Não. Eu estava um pouco ocupado e só pude comer horas depois.
- Certo. Bom, acho que não foi nada sério. Bella provavelmente está dormindo - murmurou e eu rapidamente comecei a me preocupar. Fiquei inquieto pelos próximos segundos, então finalmente Charlie levantou e eu o olhei curioso. - Vou só checar Bella, saber se está tudo bem.
Assenti e soltei a respiração que nem sabia estar prendendo. Fiquei olhando em direção a árvore, tentando imaginar o que havia acontecido e acabei me perdendo em muitos pensamentos.
- Isabella sempre adorou montar árvores de Natal. - A voz suave de Marie me tirou de meus devaneios e eu olhei sorrindo amarelo para ela, sem entender o motivo de ela estar me falando isso. - Ela e o primo dela costumavam fazer isso juntos. Eles sempre brigavam para decidir quem colocaria a estrela no topo, mas Bella, é claro, sempre ganhava a disputa. Tenho certeza que hoje não foi muito diferente, certo?
- Não - disse sorrindo. - Isabella consegue ser bem convincente logo bateu o pé exigindo que ela colocasse a estrela.
- Imagino que sim - sorriu novamente, seus olhos parecendo me analisar e eu me senti desconfortável. - Bom, deixe-me voltar e ajudar sua irmã na cozinha. Não quero abusar da boa vontade dela. Você provavelmente poderia subir, tomar um banho, trocar de roupa e descansar um pouco, ainda temos muito para fazer.
Assenti e resolvi seguir seu conselho. Talvez um banho me ajudasse a tirar Isabella da minha cabeça. Claro, como se isso fosse possível.
Algum tempo mais tarde eu desci as escadas da casa novamente, após um banho tomado e uma roupa quente, indo em direção a sala de jantar, onde a ceia já estava posta a mesa. Carmen e Charlie estavam sentados em um canto conversando, e Marie terminava de preparar uma salada, quando Isabella chegou, parecendo um pouco tonta e pálida, mas linda usando um vestido rosa claro com uma meia calça por baixo e sandálias um pouco altas. Eu quase ofeguei; ela estava incrivelmente linda.
- Você está parecendo uma boneca, princesa! - Charlie disse animado e ela sorriu timidamente.
- Obrigada, papai.
Ela voltou a andar em direção a mesa, quando do nada ela ficou meio zonza e se eu não estivesse ao seu lado, provavelmente ela teria caído.
- Desculpe. Eu só estou um pouco tonta - disse logo se afastando.
- Isabella Marie Swan - Marie disse séria, olhando bem a neta com os olhos estreitos, como se soubesse de algo que o resto de nós não. - Talvez o fato de você estar sentindo tonturas explique o porquê de você ter quebrado seu prato favorito e jogado seu almoço fora?
Isabella desviou os olhos, mordendo os lábios e eu imediatamente soube que a avó estava certa; ela não havia almoçado. Mas... por quê? Olhei para ela em busca de uma resposta e seus olhos castanhos olharam para o chão. Havia sido por minha causa? Senti a culpa tomar conta de mim e antes que eu pudesse falar algo, Marie logo disse que estava na hora de comer e assim fomos.
A comida estava uma delícia, o clima estava relaxado - tirando o fato de que Isabella ficou calada o tempo inteiro, apenas comendo ou tomando o pouco de vinho que foi liberado pra ela naquela noite. Eu queria ouvir sua voz, mas não sabia como fazê-la falar. Algumas vezes Marie falava algo pra ela e ela apenas assentia, dando um sorriso falso e então voltava a encarar o prato.
Quando terminamos de comer algum tempo depois, ficamos na sala assistindo a um show de Natal que passava na televisão, e não demorou muito para Isabella pedir licença e dizer que estava indo para o quarto dormir. Vi-a subir a escada rapidamente e eu queria ir atrás dela, mas me contive e fiquei na sala. Eu tinha que me controlar, tinha que esperar e ter certeza de que eu podia me envolver com Isabella novamente. Eu não queria correr o risco de toda essa confusão acontecer novamente.
Vendo que já havia passado da uma hora da manhã e eu estava exausto, dei a todos uma boa noite e segui direto para o quarto. Troquei de roupa o mais rápido que podia, aumentei o aquecedor do quarto, apaguei a luz e me joguei na cama. O sono demorou a pegar, no entanto. Mesmo estando cansado, demorei praticamente meia hora para finalmente começar a fechar os olhos pesadamente e então escutei um barulho. Parecia que tinha alguém na porta do quarto e eu imediatamente prendi a respiração, sentando na cama com cuidado e vendo a sombra do outro lado da porta. A princípio cheguei a pensar que era Carmen querendo conversar comigo, porém algo dentro de mim sabia que não era ela.
Ainda com cuidado, eu caminhei até a porta, colocando minha mão na maçaneta também. Escutei um ofegar baixinho do outro lado da porta e tive minha suspeita confirmada. Era Isabella. Eu sabia que ela provavelmente podia sentir minha presença ali também, já que eu sentia a dela. Porém, nenhum de nós dois falou ou fez nada. Ficamos ali parados. Pela pressão na maçaneta, eu sabia que ela ainda estava ali. Eu fiquei esperando pelo próximo passo, fiquei esperando para ver se ela abriria a porta, porém, a maçaneta voltou e eu escutei um suspiro.
- Boa noite, Edward - ela murmurou baixinho e eu fechei os olhos.
Abrir a porta ou não abrir?
Respirei fundo e voltei com a mão para a maçaneta, virando-a e abrindo a porta a tempo de encontrar o nada na minha frente e escutar a porta do quarto de Isabella se fechando em um baque quase surdo. Sem pensar muito, andei até seu quarto e assim como ela, parei. Mas não por não saber o que fazer, mas sim pelo barulho vindo de dentro do quarto. Um soluço. Ela estava chorando, por minha causa. De novo. Respirando fundo, eu encostei minha testa na porta e sussurrei também: - Boa noite, Isabella.
E então voltei para o quarto.
Pra quem não sabe, eu tenho uma fanfic Drama-Free, chamada Make You Feel (que já está finalizada) e ontem postei um capítulo extra de Natal, passem por lá! Também tenho uma fanfic, com um clima diferente de ABM, chama-se Freakshow e eu finalizei ela no fim de semana. Dêem uma olhadinha. :)
N/A: Um passo para frente, dois para trás. Edward orgulhoso e teimoso e a Bella está tentando se aproximar dele, mas isso so o deixa com mais conflitos. Não se preocupe, eu já tenho tudo planejado. Eles precisam sentar e conversar sobre a forma que a Bella agiu e como o Edward reagiu. Só esperamos que não tenha nenhuma pedra no caminho, uh? O que estão achando da forma que ela agora está encarando a Carmen na vida do pai? Ela não amiga dela nem nada do tipo, mas aprendeu a respeitar. Afinal, se a Carmen não estivesse com o Charlie, a Bella não ia ter que aceitar e respeitar ela como cunhada de qualquer forma? ;) Enfim, não precisam ficar desesperadas! Hahahaha. Bom, queria deixar aqui o meu Feliz Natal para todas vocês e agradecer por cada review, recomendação e etc que eu recebi com ABM desde que a comecei alguns meses atrás. Vocês são demais e ABM certamente não teria chegado a isso tudo se não fosse por vocês. Ainda não sei se eu volto esse ano, então, se eu não voltar: um Feliz Ano Novo também! Beijos, beijos.
N/B: Me dá aquela vontade de colocar eles no mesmo quarto e falar que só vão sair quando se resolverem hahaha Mas tudo tem o seu tempo. É bom ver que a Bella está dando uma chance para aceitar a Carmen, mostra que ela está mesmo disposta a crescer e amadurecer com todos os eventos. Feliz Natal e Feliz Ano Novo (se a fic não voltar até dia 31). Que os objetivos de vocês sejam alcançados :) Beijos xx LeiliPattz
