Título: Muito Bem Acompanhada
Autoras: Tati Cullen Hopkins e Nina Rickman
Beta Reader: Dany Fabra
Personagens: Severus Snape/Marlene McKinnon
Rated: M – Cenas de Sexo (NC)
Quando: Sétimo Ano – Época dos Marotos.
Disclaimer: Severus Snape, Marlene McKinnon e cia são personagens de JKR. E "Muito Bem Acompanhada" pertence a Universal Pictures. Ou seja:
Não vamos ganhar nenhum dinheiro com isso, essas humildes irmãs autoras de fic só querem reviews!
"REVIEWS, ASSIM COMO SEVERUS, FAZEM MILAGRES!"
Avisos: Como citado acima, os personagens são de JKR e o filme pertence à Universal Pictures. Mas a fanfic Muito Bem Acompanhada, sua temática, seu enredo, e tudo mais que a compreende, é de autoria única e exclusivamente nossa. Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Portanto, qualquer cópia – integral ou parcial –, adaptação, tradução, postagem ou afins sem a nossa autorização será denunciado sem piedade. Agradecemos pela atenção.
Agradecimentos: Às nossas queridas leitoras (e leitor!) que revisaram o Capítulo 34 e nos presentearam com suas reviews: Coraline D. Snape, Emily Farias, Eris, Olg'Austen, Suh Campbell, KaoriH, Sakura Kh, Lady Aredhel Anarion, Leather00Jacket, Gisele Weasley Potter, B. Black (bem-vinda), NanaTorres e Lari SL.
Resumo do Capítulo: Depois de todos os acontecimentos, Marlene acredita que a felicidade não existe.
– CAPÍTULO TRINTA E CINCO –
A FELICIDADE NÃO EXISTE
O corujal estava muito tranquilo e silencioso àquela hora da manhã, exatamente como Marlene queria. E, o quanto antes a carta chegasse ao seu destino, se tudo desse certo, ela estaria bem longe de Hogwarts ainda naquela tarde.
– Espero que você consiga chegar ao seu destino – Marlene murmurou pesarosa para a coruja cinzenta que a olhava, enquanto prendia a carta à pata do animal. – E peço desculpa se acontecer alguma coisa com você... – e então soltou a ave, observando-a voar pelos céus de Hogwarts.
Marlene saiu logo dali e enquanto descia as escadas de pedra, de repente, sentiu esbarrar em alguma coisa que obviamente estava correndo na direção contrária.
– Regulus? – ela perguntou completamente surpresa ao ver que era nele que tinha esbarrado.
Regulus respirou fundo, recuperando o fôlego.
– Eu fui te procurar, o namorado daquela sua amiga loira disse que você estava aqui... Eu preciso falar com você! – ele respondeu desconcertado, atropelando-se nas palavras: – Eu preciso saber, não sei se entendi muito bem, mas logo cedo o Mulciber estava comemorando porque você e Snape não estavam mais juntos... É verdade isso?
Mas Marlene nem prestou atenção à última pergunta. Outra vez, sua mente vagava num universo a parte.
"Mulciber comemorando..." – ela pensou perplexa. – "Merlin, esse cara é doente, é louco...!"
Será que Severus também estaria comemorando?, ela se perguntava. Era triste, mas por um lado ela estava feliz por ter se livrado daquele "covil de cobras".
– É verdade isso? – Regulus voltou a insistir, a voz ligeiramente ansiosa com a possibilidade.
Marlene percebeu a intenção dele.
– É verdade sim, mas eu não quero falar sobre isso – ela respondeu enquanto ia se afastando, mas quando viu que ele fez menção de segui-la, acrescentou: – Não com você.
Regulus estancou com as palavras dela e correu a frente de Marlene.
– Você pensa em voltar com ele, então? – ele perguntou desesperado.
– Não – ela respondeu com sinceridade. – Mas não é por isso que vou ficar com o primeiro que aparece na minha frente – e acrescentou com rancor: – Principalmente se for outro sonserino, e ainda por cima, outro Black!
Regulus a encarou, os olhos suplicantes.
– Olhe, eu não sou como o meu irmão, ou como Snape – ele interpôs.
Marlene suspirou.
– Eu sei, e agradeço tudo o que você já fez por mim, mas não dá! – ela argumentou na esperança que ele desistisse, o que não aconteceu.
– Mas você nem tentou – Regulus continuou insistindo. – Se você quisesse...
Ela balançou a cabeça num gesto de incredulidade. Realmente, era só isso que faltava na sua vida conturbada: Regulus Black.
– Desculpe. Mas eu não quero – Marlene disse firme, então virou as costas e correu antes que Regulus pudesse replicar.
Regulus apenas encarou as escadas de pedra. Por que tudo tinha que ser tão difícil? Ele não tinha que levar a culpa por causa do que outras pessoas fizeram de mal a Marlene...
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Momentos depois, assim que Marlene retornou ao seu dormitório na Torre Corvinal, foi logo pegando suas vestes e seus pertences, jogando tudo desorganizadamente em seu malão.
Quando ouviu o barulho no quarto, Emmeline abriu a porta do banheiro, estava saindo do banho.
– O irmão do Sirius te encontrou? – ela perguntou ansiosa. – Benjy disse que ele apareceu aqui logo cedo, desesperado pra falar com você!
– É, eu falei com ele – Marlene respondeu sem encará-la e sem interromper o que fazia. – Mas não era nada importante.
Emmeline ficou preocupada ao ver a amiga arrumando o malão com euforia, e não entendeu nada. Então se aproximou de Marlene, puxando-a pelo ombro e obrigando-a a se voltar para ela.
– O que está acontecendo, Lene? – a loira perguntou preocupada. – Até parece que está fugindo! – e apontou para o malão.
Marlene lhe disse a verdade.
– Eu vou embora, Emme – disse ela, séria.
Emmeline entendia os motivos que a amiga tinha para querer ir embora de Hogwarts, mas sequer imaginava que Marlene não pretendia nem participar da Formatura.
– Mas Lene, a Formatura é depois de amanhã... – ela tentou argumentar.
– Não vou ficar – Marlene respondeu irredutível. – Não faço questão nenhuma de aparecer nessa droga de Formatura, pra todo mundo ficar rindo da minha cara, Emme! Se Merlin quiser, hoje mesmo eu vou estar bem longe daqui!
– E você acha que vai ser melhor sair daqui fugindo? – Emmeline a interpelou. – Você não fez nada de errado, Lene! Você não pode ir embora assim!
– Tem razão – Marlene disse, e Emmeline assentiu, mas logo voltou a ficar preocupada quando a amiga anunciou: – Preciso fazer uma coisa primeiro!
E sem dizer mais nada, Marlene pegou a capa de invisibilidade de James e saiu porta afora, deixando Emmeline no vácuo.
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Marlene chegou rapidamente a Torre Grifinória. Sua intenção era pedir que a Mulher Gorda chamasse algum grifinório que pudesse entregar a capa a James, mas para sua surpresa, quem apareceu para recebê-la foi exatamente o seu amigo Remus. Quando ele percebeu o estado da amiga, Marlene não teve alternativa a não ser entrar com Remus na sala comunal, sentar naquele sofá e fazer seu desabafo sobre o que tinha acontecido no dia anterior.
Quando terminou de ouvir Marlene, Remus não sabia nem o que dizer.
– Eu... Me desculpe, Lene. Eu jamais pensei que se você usasse a capa... – ele disse pesaroso, sem concluir.
Ela deu um meio sorriso.
– A culpa não foi sua – Marlene garantiu, acrescentando com firmeza: – O que aconteceu foi horrível, mas eu acho até que foi bom! – e quando Remus a olhou sem entender, ela ficou de pé num pulo. – Eu só fiquei sabendo de toda a verdade por causa dela – disse, sacudindo a capa –, por causa dessa capa de merda...!
E num rompante de raiva, ela jogou a capa de invisibilidade no chão e começou a pisoteá-la.
– Merda! – ela gritava enquanto pisoteava. – Merda!
– Lene, calma! – Remus disse, ficando em pé também.
Mas ela pareceu nem tê-lo escutado.
– A merda dessa capa de invisibilidade, Remus! Argh!
Ela continuava sapateando possessa em cima da capa, até que se ouviu um chamado das escadas.
– Lene? – era a voz de Lily.
Marlene olhou para cima e viu Lily descendo com James. Por um momento, ela ainda sentiu o rosto esquentar, tamanha vergonha pelo que estava fazendo com a capa do grifinório. Porém, sem demonstrar isso, ela simplesmente ajuntou a capa do chão e deu um sorrisinho amarelo.
– Eu estava dizendo ao Remus que foi muito útil, James... – ela emendou depressa, estendendo a capa a James quando ele e Lily chegaram ali. – A m... a sua capa...!
Sem perguntar nada a respeito, James tomou sua capa das mãos de Marlene, que apenas dirigiu a ele e a Lily um olhar de desprezo. E quando Marlene fez menção de se afastar, ela sentiu a mão de James se fechando com força em seu pulso.
– Converse com a gente, Lene. Um minuto que seja – ele pediu sério.
– Conversar o quê? – Marlene perguntou cínica, desvencilhando-se dele. – Tem mais alguma coisa que eu não estou sabendo ainda?
Lily interviu.
– Conversar o porquê da gente não ter te contado antes sobre o que aconteceu – a ruiva disse firme. – Por favor, Lene! Escuta a gente...!
Marlene só olhou para Remus, trocando um olhar de cumplicidade com ele. Sem palavras, Remus a estava incentivando a ouvir o que Lily e James tinham a dizer. Ela parou, e pensou por um instante. Antes de tudo acontecer, ela não estava disposta a perdoar Severus por ter-lhe omitido os fatos? Então talvez os seus amigos também merecessem uma chance de explicar, de serem ouvidos.
– Tudo bem – ela concordou, ostentando ainda um quê de contrariedade.
– Com licença – disse Remus, virando-se em direção as escadas. Mas Marlene percebeu que aquele assunto ainda o incomodava e o chamou antes que ele completasse o ato.
– Não, Remus – ela disse. – Eu quero que você fique. Você tem direito a essa conversa tanto quanto eu.
Remus só assentiu e então acompanhou o gesto de Marlene quando ela se sentou no sofá. James e Lily, porém, quiseram permanecer em pé. Depois de suspirar fundo, a ruiva foi a primeira a falar.
– Bem, a gente nunca concordou com o que aconteceu – começou ela. – Quando o James me disse, eu também achei que nós deveríamos contar, mas...
– ... mas eu não deixei – James a interrompeu. – Convenci Lily a não falar nada, primeiro porque eu achava que o certo seria Sirius contar. E segundo, porque...
– ... porque a gente não queria te magoar! – Lily disse, com lágrimas nos olhos. – Me desculpe, Lene.
– Mas será que vocês não entendem? – Marlene finalmente se manifestou, com um traço de mágoa na voz. – Nessa tentativa de não me magoar, vocês acabaram me magoando mais ainda! Como é que vocês conseguiram conviver comigo, olhar na minha cara todos os dias, mesmo me escondendo a verdade? Vocês não pensaram como eu ia me sentir?
– Claro que a gente pensou, Lene – respondeu James. – E desde o começo nós vínhamos insistindo com Padfoot, que se ele queria mesmo ficar com a Dorcas, então ele deveria ter contado tudo pra você já antes das férias...
– E por que ele não fez isso? – Marlene o interrompeu, respondendo a própria pergunta: – Porque ele queria levar nós duas na conversa? Se bem que só eu estava sendo enganada, mas mesmo assim isso não justifica!
– Sirius disse que quando ele cogitou a hipótese – explicou Lily –, você já tinha terminado com ele. A intenção dele era te pedir um tempo pra depois poder te contar a verdade, mas você se antecipou e aí, a gente achou melhor não dizer nada...
– E ficou ainda mais difícil quando o Remus e a Dorcas começaram a namorar... – interpôs James, olhando para Remus agora. – Como eu ia dizer pra alguém que o melhor amigo dessa pessoa já "pegou" a namorada dele? Nós estávamos de mãos atadas – ele concluiu.
– Vocês perdoam a gente? – Lily perguntou nervosa.
Mesmo diante das explicações, Marlene ainda se mostrava um pouco relutante.
– Quero ouvir o Remus primeiro – disse ela, impassível, e então se voltou ao amigo, que até o momento não tinha se pronunciado, só estava ouvindo. – Você não diz nada, Remus?
– Eles não têm culpa, Lene – Remus disse com sinceridade.
Marlene suspirou, dando-se por vencida.
– É, o Remus tem razão – ela concordou.
– Então vocês perdoam a gente? – Lily voltou a perguntar, precisava ouvir aquilo.
– Sim – Marlene e Remus responderam juntos.
Lily então correu para abraçar Marlene, que retribuiu o abraço dela com sinceridade, ao passo que Remus e James trocavam um olhar de cumplicidade.
Inesperadamente, ouviram-se passos rápidos descendo as escadas que levavam aos dormitórios. Sirius correra até a sala comunal quando viu que Marlene estava lá, e parecia desnorteado, como se só visse a ex-namorada na sua frente e então se dirigiu até ela, praticamente arrancando-a do abraço de Lily.
– Eu te amo! – ele gritou para Marlene. – Lene, eu te amo, mesmo que você não acredite, eu te amo!
Marlene o afastou de si, olhando para ele com desprezo.
– Quem ama não trai, Sirius – ela disse calma. – Simples assim.
– Ela tem razão – a voz de Remus soou em tom frio.
Como se só agora percebesse que Remus estava ali, Sirius ainda tentou explicar.
– Moony, amigo, foi antes de você e a Dorcas namorarem!
– Mas você era namorado da prima dela! – Remus respondeu um tanto furioso, avançando na direção de Sirius.
– Er... – foi o que Sirius disse diante do olhar furioso do amigo e sem esperar mais, virou-se, correndo até a porta, seguido por Remus. Logo, James também estava saindo atrás de seus dois melhores amigos.
Marlene e Lily apenas se entreolharam.
– É... Eles devem ter muito o que conversar – debochou Marlene, anunciando: – E eu também já vou indo.
– Então depois eu passo lá na Corvinal! – respondeu Lily. – Estou com saudade da Emme também!
Marlene deu um riso triste.
– Eu estou indo embora... de Hogwarts – comunicou ela.
Lily se voltou a ela incrédula.
– Por causa do que houve no Jantar de Ensaio? – ela perguntou. – Mas Lene...?
– Não. Tive uns problemas aí... – Marlene disse sem entrar em detalhes, pois não tinha coragem de contar a mais ninguém o que acontecera entre ela e Severus. – Coisa séria, mas vai ficar tudo bem!
Lily voltou a abraçá-la.
– Eu espero que fique mesmo – e então beijou a amiga no rosto com ternura.
Logo depois, Marlene saiu e Lily ficou ali sentada no sofá, esperando que pelo menos Remus e Sirius também se resolvessem.
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– ISSO FOI ANTES DE VOCÊS NAMORAREM! – Sirius gritou pela enésima vez, ao mesmo tempo em que se defendia de mais um feitiço lançado por Remus.
Pelos corredores do sétimo andar, um Remus possesso lançava alguns feitiços na direção de Sirius, por vezes acertando archotes e derrubando armaduras. James seguia os dois, aflito com a situação. Nunca tinha visto nada parecido acontecer entre seus dois amigos.
– Eu, MONITOR-CHEFE, estou mandando vocês pararem! – James berrou, o que conteve Remus e Sirius por um momento.
– Ora, é o último dia de aula, Prongs. Não espera que eu aceite ordens, espera? – Sirius indagou com sarcasmo.
Remus retrucou, ainda em tom frio:
– Como sempre, não podíamos esperar que você respeitasse um amigo, um monitor, as pessoas em geral – ele disse olhando para Sirius e ergueu a varinha novamente, se preparando para mais um "ataque".
– Ok, já chega! – James murmurou baixo e respirou fundo. – Expelliarmus – comandou ele, desarmando os dois amigos, porém, a julgar pelo modo como ambos se olharam, os ânimos ainda pareciam não ter se acalmado.
– Que é? Vão agir feito trouxas agora? Mais do que já estão agindo? – James perguntou sério.
Remus e Sirius se encararam, Remus continuava visivelmente magoado, inclusive com algumas lágrimas nos cantos dos olhos.
– Eu nunca esperei isso de você – foi só o que Remus conseguiu dizer.
– Moony, eu já disse, foi antes de você e a Dorcas namorarem... – Sirius respondeu com sinceridade. –Você até gostava da Emme!
Remus estremeceu por um segundo. Apesar de ser verdade, ele não ia admitir que Sirius usasse aquilo como desculpa.
– Entendo... Mas e a Lene? E a traição? – ele perguntou ressentido. – Isso não passa em brancas nuvens, não dá pra esquecer... Nem perdoar... Você e a Dorcas foram dois canalhas!
– Se você prefere acreditar nisso, vá em frente – Sirius disse e deu de ombros, parecendo desapontado com o julgamento de seu amigo.
James interviu.
– Moony... Padfoot... – ele chamou a atenção dos dois. – Alguém pode me dizer qual sempre foi o lema do Mapa do Maroto?
– Eu juro solenemente que não pretendo fazer nada de bom? – Sirius se adiantou.
– Não Pads, esse não... – James disse olhando de esguelha para Remus, que parecia ter se irritado. – Vou reformular a pergunta. O que sempre dizemos quando terminamos de usar o mapa?
– Malfeito feito – disse Remus agora, sem emoção.
– Exato! – disse James, olhando para os dois amigos. – Malfeito feito! – e se voltou para Sirius: – Sirius, ficar dizendo o tempo todo que sempre amou a Lene, que a Dorcas foi um erro, que não teve importância, não vai fazer com que a Lene volte pra você, porque ela já entrou num caminho sem volta!
– Por minha culpa! Se eu não tivesse... – Sirius começou, mas foi cortado.
– Infelizmente, ela está apaixonada pelo Snivellus, e não é a sua sinceridade que vai mudar isso! – e se virou para Remus. – E você, Moony, eu sei que é difícil deixar o orgulho ferido de lado, eu não tiro a sua razão. Mas estragar a sua amizade com o Pads por causa da Dorcas também não ajuda em nada, não muda o que aconteceu. A Lene já perdoou, agora só falta você, amigo – ele voltou a olhar para os dois e disse: – Malfeito feito! – e ficou esperando a resposta.
Remus hesitou por um instante, mas respondeu:
– Malfeito feito – disse ele, dando um meio sorriso sem graça.
– Malfeito feito? – Sirius perguntou, ainda não acreditava na resposta de Remus.
– Malfeito feito! – James disse e os três repetiram em uníssono: – Malfeito feito!
Eles se abraçaram, depois riram bobamente por alguns segundos e decidiram voltar para a Torre Grifinória. Ali estava uma das provas de que nada iria abalar aquela amizade.
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Uns quinze minutos depois, Lily viu os três amigos voltando para a sala comunal como se nada tivesse acontecido. James então sentou ao lado dela no sofá, e diante do olhar inquisidor da namorada, ele começou a explicar.
– Está tudo bem. Eles quase brigaram, e feio – James disse. – Mas no final, o Remus disse até que entendia...
– Mas e a Dorcas, como fica nessa história? – Lily perguntou.
– Acho que não fica, Lils – respondeu ele. – Parece que ninguém mais quer saber dela...
Meio inconformada, a ruiva abraçou o namorado com força.
– Espero que você não me apronte nenhuma dessa, ouviu bem? – ela o interpelou, séria.
– Não, claro que não – garantiu James, um tanto inquieto.
Ele pensava que talvez não fosse uma boa idéia deixar Lily tomar conhecimento das fantasias eróticas que ele tivera com Marlene num passado não muito distante...
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Próximo à hora do almoço, quando Marlene voltou para a Torre Corvinal, sentia-se até mais leve. De certa forma, a conversa com Lily e James tinha sido boa, realmente não queria deixar Hogwarts estando brigada com eles. Ao final de tudo, ela até concordava com Remus: a culpa não era deles, que foram nada mais do que dois expectadores da safadeza alheia. Ou assim ela queria que fosse, não importava. Apenas estava se sentindo um pouco melhor, diante de tudo.
Assim que entrou no dormitório, Emmeline praticamente pulou na frente de Marlene.
– Lene! O que aconteceu? – indagou ela, preocupada. – Onde você foi?
Marlene suspirou cansada.
– Fui falar com o Remus, precisava devolver a capa de invisibilidade do James – explicou ela. – Aí eu acabei conversando com James e Lily, aceitei as desculpas deles por terem me escondido a verdade e confesso que me sinto até um pouco melhor.
Emmeline sorriu.
– Pelo menos isso – disse a loira. – Eles sempre foram tão amigos da gente, eu não queria ver você brigada com eles por muito tempo.
– É. Ao menos eles tiveram a decência de tentar se desculpar pelo que fizeram, enquanto outras pessoas, nem isso! – Marlene concluiu com mágoa.
Percebendo do que, ou melhor, de quem a amiga falava, Emmeline apenas murmurou triste:
– Lene...!
Mas antes que Marlene pudesse responder, uma batida na porta as despertou.
– Senhoritas? – indagou o Professor Flitwick, enquanto entrava no quarto.
– Professor! – ambas exclamaram surpresas.
Adiantando-se mais um passo, o professor se dirigiu a Marlene.
– Srta. McKinnon, o seu irmão está na escola – anunciou ele.
– Mas o que o seu irmão está fazendo aqui? – Emmeline não conseguiu evitar a pergunta.
– Eu que pedi pra ele – Marlene respondeu num sussurro inaudível. – A carta de hoje cedo... foi pro Mike...
Realmente, era só com ele, com seu irmão, que Marlene podia contar. Obviamente, não tinha coragem de contar aos seus pais e tampouco para Eileen o que havia acontecido entre ela e Severus. Mesmo sabendo tudo que Mike ia dizer, ela tinha certeza de que ele não iria se opor ao fato dela querer fugir num momento como aquele.
– O seu irmão está aguardando-a na sala comunal – o professor voltou a falar. – Não sei o que o trouxe aqui, mas o diretor autorizou a sua saída de Hogwarts se a senhorita assim achar necessário.
– Deve ser urgente, professor – Marlene desconversou. – Vou arrumar as minhas coisas e já desço para falar com ele!
Flitwick assentiu.
– Claro – e meio nostálgico, ele acrescentou: – Saiba que foi um grande orgulho tê-la em minha casa, Srta. McKinnon.
– Pra mim também – ela respondeu com sinceridade.
O professor então saiu sem dizer mais nada e assim que se voltou para Emmeline, Marlene viu lágrimas nos olhos dela.
– Emme... não chora! – pediu Marlene. – Eu não podia mais ficar, entende?
A loira fez que sim com a cabeça. Era outra coisa que a preocupava.
– Promete que a gente não vai deixar de se ver? – Emmeline pediu, não queria se afastar de sua melhor amiga.
– Prometo! – Marlene respondeu firme e então deu um beijo estalado no rosto da amiga.
Enquanto pegava seu malão e descia, Marlene se lembrava de Emmeline, da primeira noite que elas passaram em Hogwarts. E se dependesse dela, elas seriam por todo o sempre as mesmas pequenas que passaram a primeira noite em Hogwarts sem dormir, apenas falando bobagens por horas a fio. E que desde então se tornaram amigas inseparáveis.
Assim que chegou a sala comunal, Marlene avistou o irmão. Mike veio na direção dela sem sorrir, uma expressão mista de raiva e tristeza. Quando se aproximou da irmã, o rapaz a abraçou forte, tomando o malão dela para si.
– Eu tinha quase certeza que você ia terminar assim...! – ele disse, embora soubesse que nem de longe aquelas eram as melhores palavras para dizer num momento como aquele.
– NÃO DIGA QUE ME AVISOU! – Marlene vociferou. No fundo, o que doía era admitir que seu irmão sempre estivera certo.
– Agora não adianta mais mesmo – Mike respondeu, mas depois de receber mais um olhar magoado da irmã, ele acrescentou: – Me desculpe.
– O que você disse ao Dumbledore? – ela perguntou seca, mudando de assunto rapidamente.
– Que era um assunto de família – respondeu ele, igualmente em tom seco. – Vamos?
Marlene concordou, e deixou a Torre Corvinal abraçada ao irmão. Ao lado de fora da torre, ela reconheceu a loira de lindos olhos cor de caramelo.
– Tanya? – ela indagou surpresa.
– Lene...! – respondeu a loira, abraçando Marlene carinhosamente. – Eu sinto muito... pela coruja! – e acrescentou envergonhada: – Ela apareceu numa hora imprópria...
– Só deu tempo mesmo de pegar a sua carta – completou Mike.
Marlene apenas deu de ombros, já prevendo que isso podia acontecer: Tanya havia comido a coruja. Os três então foram caminhando juntos pelos corredores, mas logo que chegaram próximo do Salão Principal, Mike parou de andar intempestivamente.
– Mas que ABSURDO! – o rapaz vociferou e sem falar mais nada, virou-se em cento e oitenta graus com a varinha empunhada.
No instante seguinte, Marlene e Tanya também se viraram a tempo de ver Severus no chão e Mike avançando colérico na direção dele.
– Mike, não! – foi Tanya quem pediu, já que Marlene estava se segurando ao máximo para não demonstrar nenhuma reação preocupada; apenas olhava para Severus com um desprezo tão grande quanto o ódio que seu irmão deveria estar sentindo dele naquele momento.
Sentindo o ombro doer, e sem sequer poder se levantar, Severus apenas observou aquele cara armado e cheio de músculos vindo na sua direção. Mas sem dúvidas, não era só seu ombro que doía, mas também seu coração. Ele estava voltando mais cedo do almoço, e não resistiu ao impulso de se aproximar quando viu Marlene com Mike e Tanya virando o corredor; Marlene estava indo embora de Hogwarts, e talvez ele jamais a visse outra vez. E sem que pudesse reagir, Mike já tinha se virado e o atingido com uma rapidez impressionante. Na verdade, Severus sempre desconfiou de que não era à toa que Mike também estava à frente da divisão de Aurores.
Ignorando completamente o pedido de Tanya, Mike continuou andando, e quando chegou até Severus, apontou a varinha diretamente para o rosto dele e disse enfurecido:
– Se você se aproximar da minha irmã outra vez, eu vou esquecer que a Tanya é vegetariana, e vou pedir pra ela dar um jeito em você! Ficou claro?
Severus não respondeu, e tampouco Mike esperou pela resposta quando recebeu um olhar magoado da namorada.
– Vamos embora, Lene! – Tanya afirmou decidida, arrastando Marlene pelo corredor que levava ao pátio externo. Assim, elas não puderam ver mais nada do que acontecia.
Segundos depois, já nos portões do castelo, Mike alcançava a irmã e a namorada, que já tomavam suas posições no conversível prata de Tanya. Num clima estranho e pesado, Tanya acelerou dando a partida no carro. Como o conversível prata estava enfeitiçado, logo eles voavam pelos céus do Lago Windermere, por fim estacionando o veículo num lugar que Marlene reconheceu como uma das muitas propriedades que os McKinnons possuíam. Local este que Mike havia se instalado durante as férias, especialmente para ficar com Tanya.
Mike pensou que se Marlene ficasse naquela casa, apenas com ele e Tanya, seria melhor. E talvez alguns dias longe de tudo e todos fizesse bem a sua irmã.
Marlene logo subiu até seu quarto. Também gostava muito daquela casa de campo, mesmo que não tivesse praia, barcos e...
– Pare com isso, Marlene! – ela gritou para si mesma, como forma de repreensão pelo rumo de seus pensamentos.
Meio atordoada, ela pegou vestes limpas em seu malão e foi tomar um banho. Depois, deitou na cama que ainda cheirava a lavanda e fechou os olhos, tentando descansar um pouco.
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Mais tarde, Marlene começava a abrir os olhos. Não tinha certeza do quanto havia dormido, apenas que já havia escurecido. Ela foi despertada pelas vozes alteradas que vinham do andar de baixo, e imediatamente resolveu levantar da cama e descer. Não podia acreditar que Mike e Tanya estavam discutindo. Mas sim, era exatamente isso o que acontecia, ela constatou, assim que ouviu o diálogo deles enquanto descia as escadas.
– Por mais sede de sangue que eu tivesse, eu jamais faria aquilo, Mike! – Tanya disse aborrecida. – Jamais faria isso com qualquer pessoa que fosse importante pra Marlene. Principalmente o namorado dela!
– Eu precisava mostrar a aquele lixo que ninguém magoa a minha irmã e sai ileso! – Mike se defendeu. – Foi só maneira de dizer...
– Mas você faz idéia do quanto isso é difícil pra mim? – Tanya insistiu.
– Com licença – Marlene anunciou, batendo na porta.
As expressões de Mike e Tanya mudaram completamente quando perceberam que a discussão ganhara uma expectadora.
– Eu vou pra casa, preciso dar alguma satisfação aos meus pais, a essa hora eles já devem saber que ela não está mais em Hogwarts – Mike comunicou a Tanya, voltando-se para Marlene agora: – E você, não me faça nenhuma besteira, entendeu? Se bem que a besteira em questão, graças a Merlin, está bem longe daqui... Mas nunca se sabe, não é?
– Pára, Mike – Marlene pediu.
Ele ficou sério.
– Fica bem – disse ele a irmã, se despedindo dela com um abraço e depois se despediu de Tanya com um beijo no rosto antes de sumir pelas chamas esverdeadas da lareira.
Assim que ficaram sozinhas, Marlene percebeu que Tanya estava realmente aborrecida. E como já sabia o motivo, ela apenas pediu:
– Me desculpe, Tanya – ela disse sem graça. – É tudo culpa minha!
Tanya deu um meio sorriso, os dentes reluzentes à mostra.
– No fundo, eu sei que ele não disse por mal – a loira disse com tristeza. – Mas eu ainda me sinto muito mal pelo que aconteceu na casa da sua mãe...
– Todo mundo já esqueceu isso – garantiu Marlene. – E eu sei que você não atacaria nenhum de nós por vontade própria.
Tanya a olhou enternecida.
– Você tem um coração muito bom, Lene – Tanya afirmou com sinceridade.
– Eu nem sei mais se eu tenho um coração, Tanya – Marlene murmurou em resposta, voltando a ficar triste.
– Eu vejo muita tristeza aí dentro – Tanya disse, apontando o coração de Marlene e perguntou: – O motivo de você ter pedido pra ficar aqui... Tem a ver com ele, não tem? Com o seu namorado...
– Ex-namorado – Marlene pontuou.
– Quer me contar o que houve?
Marlene deu um riso indiferente.
– Só se você quiser ouvir uma história com um final muito infeliz... – respondeu ela.
– Se você me achar digna de ouvir, sou toda ouvidos – afirmou Tanya, se sentando no sofá pacientemente.
Marlene sentou-se ao lado da namorada de seu irmão e mais uma vez contou aquela mesma história sem omitir nenhum detalhe, pois assim como Remus e Emmeline, ela sentia que podia confiar em Tanya cegamente.
Quando ela terminou de falar, Tanya então segurou as mãos de Marlene, suas mãos geladas fazendo contraste com as mãos quentes da garota.
– Eu sinto muito – disse Tanya. – Mas eu não acredito em nada do que o Severus lhe disse, porque não era isso o que estava no coração dele.
– Talvez não estivesse quando vocês se conheceram, mas está agora – Marlene argumentou. – Ou talvez estivesse antes, a gente que não conseguiu perceber...
– Não...! – a loira murmurava sem acreditar. – Isso não pode ser verdade, tem algo muito errado nessa história...
– Mesmo que não seja verdade, foi nisso que ele insistiu, o que ele queria que eu acreditasse. É praticamente a mesma coisa – Marlene concluiu angustiada. – A felicidade não existe, Tanya. Realmente não existe...
SSMMSSMMSSMM
Notas das Autoras
– TATI –
1. Oi pessoal! Bem, esse foi um cap mais ameno, mas quem viu o filme sabe que todas as reconciliações e perdões possíveis aconteceram num casamento, certo? Bom, aqui não haverá casamento, mas como o noivado do Mike e da Tanya está próximo, acredito que vocês já sabem como será o final, né?
2. Respondendo as reviews sem login do capítulo anterior:
B. Black: Oi! Muito obrigado pelos elogios, a gente tenta, pode ter certeza! Então... a carta não era para a Eileen, mas ela aparecerá em breve! Espero que esteja gostando da reta final! Bjus!
3. Sabem aquele aviso sobre a fic ser única e exclusivamente nossa, um pouquinho antes dos agradecimentos no início do cap? Então, por favor, não o ignorem! Lembrando que, se existem algumas passagens aqui que não nos pertencem, essas foram postadas com autorização dos respectivos autores. Então, sobre o aviso, volto a repetir: não o ignorem!
4. E aqui, eu gostaria de pedir aos leitores fantasmas e a todos que colocaram a fic nos alertas e nos favoritos e que ainda não comentaram, por favor comentem! Afinal, as reviews podem sobreviver sem os favoritos e os alertas, mas não o contrário! E, quem tem tempo pra ler e favoritar, ou colocar nos alertas, também tem tempo pra comentar, né?
5. Beijos a todos os que leram, e um super obrigado adiantado a todos os que além de ler vão clicar no balãozinho para comentar! Só que o pessoal que não comenta, bem, esses nós nunca vamos saber o que estão achando da fic, suas sugestões, enfim... É para vocês leitoras e leitores que nós escrevemos, então nós queremos muito saber o que vocês estão achando! Qualquer que seja a opinião de vocês sobre a fic, nós vamos adorar ler!
– NINA –
Só lembrando:
GENTILEZA GERA GENTILEZA
REVIEWS GERAM CAPÍTULO NOVO!
O BALÃOZINHO DO REVIEW THIS CHAPTER É LINDO, NÉ?
ENTÃO CLICA NELE E DIZ PRA GENTE O QUE ACHOU! ;)
III
II
I
