Chapter 37:

Estava preparado. Severus suspirou ao chegar no ponto de aparecimento, e olhou para atrás uma última vez, dantes de desaparecer com uma pequena explosão. Era tempo de refazer sua vida, de deixar de esperar a que James desse o primeiro passo e tomar as rédeas de sua existência.

Quando chegou à mansão de Lucius para a hora do jantar, Severus já não tinha nenhuma dúvida de sua decisão. O medo de seus colegas de trabalho, a conversa que tinha tido com seu chefe após as queixas de seus subordinados, e, em definitiva, no dia de merda que tinha levado, cortesia de Black e Crowe, lhe tinha deixado muito decidido a continuar com o plano.

- Olá, Lucius. - saudou o moreno quando Malfoy lhe abriu a porta. Ofereceu-lhe um pequeno sorriso de desculpa, e entrou. Lucius tomou-lhe pelos ombros e obrigou-lhe a subir as escadas de mármore, enquanto contava-lhe:

- Narcisa tem saído a jantar com Bellatrix, preciso falar contigo sobre o que vai passar esta noite. - Severus ficou de pedra, enquanto seguia andando para o despacho; é que talvez tinha que fazer algo mais, aparte de matar a gente inocente? Não disse nada, enquanto se sentava na cadeira em frente ao escritório de Lucius. A comida apareceu em cima da mesa, e Severus sentiu-se estranho ao ver a situação na que se encontrava: no despacho de Lucius, jantando a seu lado enquanto falavam de temas escabrosos e lutuosos.

- Então… Que passa? - perguntou, enquanto comia-se um bocado de sua carne. Começou a mastiga-lo com lentidão, e Lucius sorriu de uma forma exasperante, antes de dizer:

- É seu pai. - em seguida, a comida passou pela traqueia de Severus, e perguntou:

- Que?

- Que tem que matar a seu pai. - Lucius apoiou-se contra o respaldo da cadeira fofa, e olhou-lhe com seriedade. - Olha, isto vai contra as normas, de modo que será um segredo entre você e eu.

- Então, por que me diz? - Snape deixou os cobertos em cima da mesa, reclinando-se como Lucius. Estava surpreendido, e quiçá, no mais fundo de seu coração, um pouco assustado. Não tinha visto a seu pai desde que tinha ido após a graduação a recolher suas coisas.

Recordou como tinha terminado tudo: mal tinha entrado em sua casa, e seu pai só tinha sabido dizer insultos degradantes enquanto lhe gritava que se largara de casa e nunca voltasse. Tinha-se atrevido inclusive a levantar-lhe a mão, mas a ameaça de fazer magia fosse do colégio sem penalização tinha-lhe parado os pés o tempo suficiente como para que Severus pudesse recolher suas coisas e se marchar desse vertedouro. A voz de Lucius rompeu sua lembrança e fez-lhe voltar à realidade:

- Porque não quero que falhe. - Severus alçou as sobrancelhas, céptico. - Olha, Sev, você e eu não somos como esses estúpidos gryffindors que se deixam levar por sentimentalismos, - Snape apartou a mirada um segundo, doído. Esses comentários abundariam nas conversas futuras, mas Severus não podia deixar de pensar que em parte estavam referidos para James. - mas somos amigos. Sei que… Bom, sei que o idiota de Yaxley descobriu que era mestiço e que por isso se enfadaram contigo, mas lhe falei de ti ao Lord, lhe falado bem de ti ao Lord.

Severus ficou calado, sabendo que Lucius esperava uma contestação. Nunca antes tinha tido uma conversa com Lucius que desencadeasse uma confissão por sua vez, normalmente costumava ser o próprio Severus o que ia ao loiro a contar sobre suas dúvidas a respeito do Senhor Tenebroso. Não sabia como reagir: Lucius achava que eles dois eram amigos. Que para valer tinha uma amizade entre eles. Como, então, poder lhe dizer que ele também o cria?

- Obrigado. - disse finalmente, sem olhar aos olhos. Ultimamente, Severus não tinha agradecido a ninguém por um gesto amável, precisamente porque não tinha gestos amáveis. Piscou várias vezes, e depois sorriu-lhe com timidez; a mirada fria de Lucius seguia ali, mas já não era tão frite.

- Não me decepcione, Severus. Não quero carregar com as culpas de seus atos. - Lucius voltou a ser o de dantes, e Severus deu obrigado por isso: todos esses sentimentos que tinha jogado com essa confissão estavam bem, mas sinceramente preferia a seu amigo o aristocrata e elegante Lucius Malfoy, o tímpano de gelo. Severus assentiu, animando-lhe a continuar. - Bem, a Iniciação é um… Ritual, por dizer de alguma maneira. Eu vou ser seu padrinho, de modo que eu te avalio de cara ao Lord até que tenha entendido a mecânica do assunto.

- Compreendo. - pelas palavras que escolhia Lucius, parecia estar a falar de um clube de instituto em vez de comensais.

- O ritual consiste em matar a uma pessoa. O padrinho, isto é, eu, devo a torturar antes adiante de ti para que saiba o castigo que dará aos traidores, e também para provar minha lealdade ao Lord. Depois, você lhe… Mata. - Severus empalideceu ao escutar sua parte, mas assentiu com força. Lucius deu-se conta em seguida, e acrescentou. - Não é tão difícil como parece, Sev.

Após isso, os dois garotos ficaram calados enquanto comiam. Snape deixou cedo os cobertos no prato, demasiado nervoso como para que a comida lhe sentasse bem; não pretendia vomitar em cima do corpo torturado de seu pai, por mais vontades que tivesse de lhe humilhar como ele tinha feito antes.

A hora chegou dantes do que tinha esperado, e contrário ao que creu Severus, Lucius lhe levou fora da casa e tomando do braço, se desapareceu com ele. Piscou várias vezes, olhando a imponente mansão escura adiante dele. Lucius sorriu-lhe como se fosse outra vez um menino pequeno a ponto de fazer uma travessura, mas Severus não pôde lhe responder. Voltou a vista para a casa, e começou a caminhar por trás de Malfoy pelo caminho de grava.

Rapidamente, Lucius abriu a porta da Mansão e começou a andar pelos corredores tétricos e não muito largos, como se os conhecesse de cor. Severus seguiu lhe com rapidez, olhando sem interesse a decoração para tentar relaxar-se. Acordou de seu letargo quando a porta primeiramente ao sótão se abriu com um chirriado, e baixou por trás de Lucius, sem lhe perder de vista.

Adiante deles se encontrava uma figura humana, mas a pobre iluminação das tochas não lhe permitiu lhe ver a cara. Supôs que seria o Lord, quem mais poderia estar ali lhes esperando? Quando chegaram a seu lado Severus pôde ver ao homem de cabelo castanho, olhos vermelhos e pele cerosa.

O mago parecia ter uma espécie de atrativo, pese a que seu aspecto deformado fazia que se estremecesse, quase apalpando a pouca humanidade que possuía. Lucius chegou a seu lado e fez uma reverência, enquanto Severus olhava-lhe sem discrição alguma, com curiosidade. O homem sorriu satisfeito, dantes de acercar-se a ele:

- Sabe quem sou, Snape? - sua voz soou terrivelmente fria e impessoal. Severus não respondeu; não estava seguro de que esse fosse o senhor Tenebroso. Os rumores deixavam-no pior parado. - Lord Voldemort.

- Sim, Senhor. - Severus comprovou a distância à que se encontravam seus corpos: não muita, mas também não a suficiente como para se sentir incómodo. Sorriu internamente, ao notar que sua voz não tinha saído como a de um colegial merdoso.

- Bem. Lucius explicou-te a Iniciação? - o Senhor Tenebroso acercou-se um pouco mais a ele, e Severus tentou não se sentir muito incômodo, ainda que mais que isso, começava a lhe dar um pouco de pavor ter ao homem perto. Não obstante, voltou a contestar:

- Sim, Senhor. - o Lord sorriu um pouco mais, enquanto inclinava-se sobre seu ouvido para sussurrar:

- Tem garras, Snape. - Voldemort descolou-se rapidamente ante a mirada incrédula de Lucius e começou a caminhar, adentrando-se nas masmorras. Lucius seguiu lhe, enquanto seus olhos seguiam a um muito confundido Severus, que não soube como se tomar aquelas palavras.

Deixou-o estar, enquanto olhava a ambos lados: todo o que tinha eram celas escuras e frias cheias de presos e inimigos do Senhor Tenebroso, que calavam seus lamentos quando o Lord se acercava. Severus fixou-se nas caras dos prisioneiros, cheias de sangue e sujeira, e sobretudo, medo: um pavor horrível que se refletia desesperadamente em seus olhos.

Olhou rapidamente as costas de Lucius, concentrando na realidade. Não podia negar que, embaixo de todas essas vontades de matar de forma violenta e dolorosa a Black, essas pessoas lhe davam arrepio e um pouco de compaixão. O Lord, adiante deles, passou por várias portas, até que chegou à indicada. A palma de sua mão posou-se sobre a porta, e segundos depois, empurrou-a com macieza.

A porta metálica deu passo à escuridão impenetrável com um chirriado agudo. O homem entrou com confiança, e Lucius por trás dele, após lhe jogar uma mirada de advertência. Severus deu vários passos às cegas, fechando a porta por dentro com um pequeno ruído. As luzes acenderam-se com força, e Severus piscou várias vezes, acostumando à luminosidade.

Voldemort, adiante dele, lhe olhou detidamente, como se esperasse algo dele. Lucius colocou-se a um lado, como mediador, e Severus olhou a seu ao redor, incómodo pela mirada do Lord. A habitação circular e frite estava imaculada, sem sujeira nem sangue por nenhum lado. Por trás do Lord estava a jaula na que Severus apostava que estava seu pai.

O Senhor Tenebroso sacou sua varinha e agitou-a levemente, sem levantá-la sequer. Tobias Snape alçou-se com um velo estranho nos olhos por trás do Lord e passou a seu lado, perto mas sem tocar-lhe. Deu vários passos cambaleantes até ficar em frente a seu filho, e repentinamente o feitiço cortou-se. O muggle piscou várias vezes confundido, até olhar a Severus.

Esperou que gritasse e se lançasse sobre ele, como costumava fazer normalmente quando tinha essa mirada de fúria cega, mas o resultado não foi o mesmo. Gritou, sim, mas de dor, e Severus ficou atordoado olhando a varinha alçada de Lucius e o corpo trémulo de seu pai no solo, a seus pés.

A sensação durou lhe pouco; o aspirante cedo sorriu timidamente de prazer vendo como o energúmeno que se fazia chamar seu pai sofria. Sentia-se bem, como uma espécie de calor subindo por sua esófago que lhe incitava a saltar de alegria. Seus olhos escuros não se apartaram da truculenta visão em frente a ele, se esquecendo pouco a pouco do Lord.

Severus viu com fascinação as costas encurvada de seu pai quando Lucius baixou a varinha definitivamente. Queixava-se com voz rouca e afónica, enquanto pequenos tremores sacudiam seus ombros. Pouco a pouco, Severus levou sua mão direita ao bolso onde guardava a varinha e a sacou, apontando a Tobias.

E então sentiu-se decepcionado. Que passava, que não suplicava piedade? Queria ouvi-lo pedir-lhe uma misericórdia e uma compaixão que Severus estava longe de lhe dar. Olhou aos dois homens, esperando algum sinal para atuar, e fixou sua mirada no Lord. Observava-lhe com um sorriso sádica nos lábios, que se moveram pouco a pouco, saboreando a ordem:

- Mata. - os olhos de Severus voltaram a cair a seu pai, e depois de um momento de vacilação, recordou todo o que lhe tinha feito. Com grande satisfação, sussurrou avada kedavra. O feitiço verde lhe cegou durante um instante, e depois desfrutou enormemente vendo cair o corpo de seu pai, como se se tratasse de um boneco de trapo rompido.

Seus olhos, abertos, olhavam ao teto sem expressão alguma, com a boca um pouco aberta. A comissura do lábio estava manchada de sangue. Severus molhou-se os lábios secos, enquanto sua vista alçava-se lentamente até o Lord. Acercou-se até ele, outra vez demasiado perto para sua gosto, enquanto lhe traspassava com a mirada, e Severus confiou em que não tentasse penetrar sua mente; ainda não controlava muito bem a Oclumência.

A mão de Voldemort, mais parecida a uma garra, introduziu-se por embaixo da manga de sua antebraço esquerdo, enquanto a outra mão subia a teia para manobrar melhor. Começou a sussurrar um conjuro estranho e velho, escrito em latim quiçá. Severus não pôde averiguar o significado de nenhuma das palavras que ia dizendo, enquanto o braço queimava mais e mais.

Queixou-se baixinho, enquanto sentia a dor subir diretamente pelos nervos do braço esquerdo até a base da cabeça. Após soltar seu braço, depois de terminar o conjuro com a palavra morsmordre, o Lord tomou-se uns segundos para olhar sua reação, dantes de sair pela porta de suas costas.

Severus tomou-se o antebraço, gemendo de dor e encurvando-se, enquanto começava a sentir-se mareado. Caiu para diante, mas dantes de tocar o solo os braços de Lucius já estavam ali, preparados para apanhar ao voo. Severus escondeu seu rosto no pescoço de Malfoy, mordendo-se os lábios com força, enquanto este lhe alçava com cuidado, apoiando na parede para o levantar.

- Está bem, Severus? - o aludido respondeu com um gemido de dor, que Lucius interpretou como quis. - Fez bem. Tranquilo, fica esta noite na Mansão, vale? Quando cheguemos dar-te-ei algo para a dor.

Cinco minutos depois já se encontravam na Mansão. Narcisa estava a lhes esperar no salão, e rapidamente começou a caminhar para a habitação de convidados, enquanto Lucius baixava ao pequeno laboratório que tinham na casa para procurar algo para baixar a dor. Severus se recosto na cama, enquanto Narcisa esboçava um sorriso terno, sem perguntar-lhe sobre a Iniciação.

Nota tradutor:

Mais um capitulo pronto...

E agora o que será que vai acontecer com Severus agora que se juntou ao mal?

Vejo vocês nos reviews

Ate breve

Fui…